Lake Forest Academy
18 Capítulo 18
Selena mandou Karla juntar todas as coisas delas e ir pro meu quarto, pro meu quarto, não tinha outro quarto pra mandar ela? Tinha que ser o meu?
Eu estava sério quando deixei Karla entrar no meu quarto, o cômodo inteiro fedia a perfume masculino, eu havia deixado o vidro cair dentro da pia do banheiro mais cedo.
- Não me olha com essa cara. – Ela me olhava. – Sabe que a escolha não foi minha, me falaram que até hoje à tarde me arrumam outro quarto.
- Eu sei. – Estava olhando o nada.
Ela se trancou no banheiro, e eu aproveitei pra abrir a janela e a porta pra deixar ventilar o lugar. Finalmente o cheiro forte estava sumindo do quarto. Karla saiu do banheiro trocada e sem uma gota de maquiagem no rosto, ela tinha um rosto bonito, era mais bonita sem maquiagem do que com, os olhos dela estavam mais azuis que o normal, era... Encantadores.
- Tem algum espelho sem ser o do banheiro? – Ela perguntou me tirando do transe.
- Na porta do armário tem um. – Avisei. – Na primeira porta.
Ela abriu a porta e Olhou todas as minhas roupas.
- Sr. Organizado. – Ela riu. Minhas roupas eram separadas por cor pra eu não fica igual condenado procurando o que queria depois que fui morar sozinho eu tive que aprender a organizar minhas coisas já que não tinha mais mãe pra fazer isso pra mim.
Ela se maquiou quieta e logo depois colocou as coisas dela na poltrona.
- Não quero mudar de quarto, passei dois anos ali, e se me mudarem vão me colocar com outra garota...
- Prefere um garoto né? – Ela riu, mas ficou séria quando viu que eu estava sério.
- Não costumo me enturmar, só isso.
- Acho que vai ficar em outro quarto por uns dois dias, até acharem alguma coisa que possa ajudar. – Disse a olhando.
Um sorriso sem humor apareceu em seus lábios e eu fiquei a olhando.
- Olha eu só sou uma garota que faz pirraça e destrói as coisas porque acho legal, não sei o que fiz pra alguém querem me matar. – Ela olhava pela janela.
- Talvez não queiram te matar. – Disse pensativo. – Seu pai tem dinheiro, a muitas pessoas interessadas nisso.
- Então porque não estão atrás dele? – Karla me perguntou nervosa.
- Porque você é um alvo fácil, seu pai faria tudo por você e pelo seu irmão, se alguém chega a te seqüestrar ele só vai ver que precisa salvar você e dara a quantia que for preciso pra isso. – Respondi.
- Você andou conversando com ele não é?
- Converso com ele mais do que pensa...
- Você conversa mais com ele do que eu. – Ela tinha a cabeça baixa.
- Precisamos ir...
- Dia dezenove esta chegando. – A encarei me perguntando o que tinha dia dezenove.
- A missa não é? – Perguntei fazendo careta.
- É.
- Você vai estar lá, não se preocupe. – Abri a porta do quarto a deixando sair primeiro.
Entramos no refeitório e Karla praticamente saiu correndo pra fila pra pegar o café da manha.
- Cadê o suco de laranja? – Ela fez bico.
- Eu esqueci de te avisar que o prédio dos funcionários fica um pouco mais longe do refeitório...
- Acabo né? – A garota fez voz de choro, parecia uma criança querendo doce dava até dó.
- Sim. – Respondi pegando um copo capuchino e ela outro.
Ela pegou dois donuts com cobertura de morango e fui pra uma mesa.
- Entre suco de laranja e capuchino eu prefiro mesmo o suco de laranja. – Ela empurrou o copo de capuchino e comeu apenas os Donuts.
- Vai tomar? – Perguntei apontando pro capuchino.
- Não. – Ela empurrou o copo pra mim. – Porque toma tanta coisa com café?
- Porque me deixa acordado. – Respondi tomando um gole.
- Deveria tomar chá, alguns têm o mesmo efeito do café e ainda por cima tem um gosto mais amigável. – Karla disse com meio sorriso.
Balancei a cabeça em um não sorrindo.
O sinal tocou, Karla se levantou e me encarou.
- Olha eu não sei bem o que tá acontecendo com você, mas cara você precisa parar com essa bipolaridade comigo, primeiro esta tudo bem e daqui a pouco você finge não me ouvir, se decide tá. – Ela piscou e correu até Tomas que estava em grupo no meio do refeitório.
Voltei pro meu quarto e um sorriso involuntário apareceu no meu rosto. O quarto estava com um perfume doce, não enjoativo aqueles que quando mais você sente o cheiro mais quer sentir. Entrei no banheiro e o Cheiro lá estava mais forte, minha vontade era de ver se esse mesmo cheiro que estava impregnado no meu quarto estava na pele dela. Respirei fundo algumas vezes e a porta do quarto abriu, revirei os olhos já sabendo quem era.
- Que perfume é esse Allan? – Zoe me perguntou brava.
- Da Karla. – Respondi.
- E PORQUE SEU QUARTO TÁ FEDENDO AO PERFUME DELA? – Ela gritou me olhando pelo espelho do banheiro.
- Eu não diria fedendo. – Me virei pra olhá-la. – Ela veio tomar banho aqui.
- O QUE?
- É, ela v-e-i-o t-o-m-a-r b-a-n-h-o a-q-u-i! – Soletrei pra ela entender. – O quarto dela esta sobre
investigação, sabe teve uma invasão lá durante seu turno.
- Não era meu turno, fui escalada pra ficar no prédio principal. – Ela me encarava séria. — Perfume barato. – Zoe ainda estava séria.
- Zoe que implicância, fica toda ciumenta quando o assunto é Karla. – Disse sério.
- Não tô com ciúmes...
- Não, só de sentir perfume de mulher no meu quarto deu chilique, quando ficou sabendo que era da Karla quase surto. – Disse sério.
Zoe estava me irritando era mais criança que meu sobrinho.
- Você tá insuportável esses dias. – Ela se virou e saiu do quarto.
- E você que tá sempre insuportável. – Disse baixo revirando os olhos.
Abri a porta do meu guarda roupa procurando o quite pra limpar minha arma e encontrei algo em cima das minhas camisas escuras.
- Graças ao bom senhor Zoe não viu isso. – Peguei o lápis de olho na mão e revirei os olhos. – Essa Karla também viu só não fode mais com minha vida por falta de oportunidade.
Antes que o Sinal pro almoço tocasse eu fui pro refeitório e esperei Karla lá, ela entrou na fila conversando com um garoto que eu não sabia o nome e depois veio na minha direção se sentando ao meu lado.
- Tá de bom humor ainda ou vai decidir me ignorar agora? – Não a respondi apenas tirei o lápis de olho do bolso e entreguei a ela. — Valeu tava procurando ele mais cedo. – Ela pegou e o colocou dentro de sua
bolsa.
- Deixou lá de propósito não é? – Perguntei.
- Não, você tem muitas roupas se tivesse menos eu teria colocado em um lugar que desse pra ver o lápis. – Ela fez uma careta. – Foi mesmo sem querer, não iria deixar o lápis lá pra te trazer problemas.
- Não me trouxe, mas se alguém pegasse...
- Se eu quisesse te trazer problemas teria deixado minha calcinha lá, o que não seria difícil já que tomei banho no seu quarto, mas ela esta na minha bolsa, e eu sei que traria grandes problemas pra você se alguém pegasse alguma coisa minha lá, mas mesmo assim você pode dizer que é da sua namorada, mentiras são ótimas aliados às vezes. – Eu tinha medo dessa menina, ela tenta matar as pessoas a canetada, agora diz que mentiras são aliadas... Até serem descobertas claro.
- Quanto mais eu falo com você, mas tenho medo dessa sua mente. – A olhei um tanto desconfiado, ela costumava a mentir e disso eu sabia bem.
- Quer ouvir meu crime perfeito? – Karla perguntou com uma risada irônica.
- Você tem um? – Arqueei a sobrancelha.
- É tenho... – Ela deu risada. – Não é perfeito, mas um dia vai ser no dia em que eu o fizer e ninguém me achar por pelo menos vinte anos.
- Conta. – Pedi com meio sorriso.
- Vou seqüestrar um cara e casar com ele, depois mudo pro fim do mundo e ninguém nós encontra. – Ela contou rindo, não agüente e ri do que ela falou, ela começou a rir junto de um jeito meigo.
- Ok, isso é seu crime perfeito? – Perguntei tentando parar rir.
- Não. – Ela respondeu. Ainda bem né. – Nunca tive um, Tá já tive e consegui só que não precisei matar ninguém.
- Que bom.
- Planejei durante duas semanas como sair daqui, só que eu achei que teria que bater em alguém, amarrar e ameaçar, mas não foi preciso. Não tem idéia do que eu levei dentro da minha bolsa quando eu fugi. – Ela brincava com a comida.
- Mas te pegaram. – A olhava.
- Na verdade eu deixei vocês me pegarem, meu dinheiro tinha acabado e não tinha mais como eu sair por ai...
- Seu dinheiro iria acabar de qualquer forma.
- Eu tinha levado dinheiro pra dois meses, e eu fiquei fora por seis meses, tenho a manha do negocio. – Ela piscou. – Quando eu fugia de alguma cidade eu nunca passei por uma rodoviária, se eu passasse sabia que voltaria pra casa. Fiquei duas semanas sem dinheiro, não podia mais viver à custa das outras pessoas foi por isso que foi pra rodoviária daquela cidade.
- Já sabíamos a onde estava. – A olhei sorrindo. – Não exatamente, estávamos chegando perto, estávamos na cidade vizinha quando ligaram avisando que você estava lá.
- Mas eu me rendi primeiro o que prova que eu venci. – Seu olhar era vitorioso. O sinal bateu e ela se levantou e me olhou. – Venci.
- Vai pra aula vai. – Continuei rindo.
Agora era hora de roubar sobremesa da cozinha. Não era bem roubar, só que geralmente sobrava muitas sobremesas e sempre conseguia umas duas.
- Allan. — Zoe choramingou se sentando no lugar que antes estava Karla. – Não fica bravo comigo. — A olhei e ela colocou em cima da mesa um potinho com musse na minha frente. – Ou melhora seu humor ou acaba de danificá-lo. – Ela beijou meu rosto e se afastou.
Karla apareceu no refeitório novamente, e eu queria mesmo saber o que ela estava fazendo ali.
- Tá fazendo aqui? – Karla me perguntou.
- Comendo? – Disse como se fosse obvio. – E você o que tá fazendo aqui, se muito me engano deveria estar em aula.
- Tava sem uniforme. – Ela levantou as roupas. – O que é isso em? – Ela perguntou curiosa.
- Musse de... Creio eu que seja de limão. – Empurrei o potinho em sua direção e ela pegou.
- É bom. – Ela me devolveu o pote.
- Vai pra aula se não vai da problema...
- Não vai não. Eu nunca freqüentei as aulas de Mart, ele sempre me dá presença mesmo eu não indo. – Karla se sentou na minha frente.
- Por? – A encarei.
- Já olhou pra carinha de menino safado que ele tem? – Ela fez uma careta. – Pois é ele da em cima de todas as meninas bonitas, e acha que fazendo esses favorzinhos algumas delas vão dar o que ele quer. Algumas fazem o que ele quer, mas porque ele tem um corpo bonito. – Arqueei a sobrancelha. – O rosto também. – Eu a inda a encarava tentando entender a onde ela queria chegar. – Para de me olhar como se eu fosse uma vadia.
- Não disse...
- Ele costumava jogar com os meninos futebol e depois do jogo tirava a camisa, não é por nada, mas eu tenho olhos. – Ela disse séria.
- Ele tem caso com alguma garota? – Perguntei com aquele olhar desconfiado.
- Não sei, mas costumava a ter rosto bonito, corpo bonito, da em cima das garotas, algumas são carentes por aqui. – Ela pegou um espelho da bolsa e se olhou. – E é por isso que toda garota deve ter uma amigo igual Tomas.
- Carência? – Ergui a sobrancelha.
- Garotas se sentem sozinhas quando estudam por muito tempo e quase não saem, se um professor bonito te da mole elas vão ficar com ele, eu tive o Tomas, apesar de quase cair na lábia do Sr. “Eu sou bonitão e todas me querem.” – Karla curvou a boca. – Agora eu vou, olha se ele der em cima de mim de novo mando ele ir conversa com você. – Ela se levantou me olhando.
- Comigo? – A segui.
- É você é meu guarda costas se lembra? – Meio sorriso se abriu em seus lábios.
- Às vezes queria esquecer essa parte. – Revirei os olhos.
- Vai comigo pra lá por quê? – Foi à fez dela me olhar desconfiada.
Pra olhar a bunda das meninas, pra que mais eu iria?
- Não tenho nada pra fazer. – Ela sorriu sem humor e nós entramos no ginásio.
- Sellivem resolveu aparecer hoje também? – Mart perguntou com um sorriso idiota no rosto.
Ele tava... Olhando pros peitos da Karla? É acho que tava.
- Não tinha nada pra fazer. – Karla tinha um sorriso sacana e eu segurei pra não rir.
Karla tinha razão Mart flertava com quase todas as meninas da turma, algumas correspondiam outras o ignoravam como Sara e Karla. O que era bom certo? Não teria que quebrar a cara de nem um professor de meia idade que gosta de adolescentes.
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