Lados e Escolhas
2 Tutoria
Notas iniciais
"Our time is running out
And our time is running out
You can't push it underground
We can't stop it screaming out"
Na segunda-feira da segunda semana de aula, todo o salão comunal da Lufa-Lufa estava coberto por bandeiras negras em respeito à Hanna Abbott, que perdera a mãe no domingo, mas a sextanista não retornou ao castelo. O clima não estava muito melhor. Edward e Sarah, também nascido-trouxas, andavam muito nervosos com o jornal, sempre reportando ataques a famílias não mágicas, que as autoridades trouxas não sabiam explicar.
A própria Grace não estava em melhor estado de nervos. Todas as manhãs ia cedinho ao corujal mandar para seus pais uma carta dizendo estar bem; sua madrasta, que havia notado o clima de tensão na Plataforma 9 ¾ na semana anterior, havia insistido no arranjo e, já que assim Grace podia saber se eles estavam bem, não achou ruim. Não que os houvesse deixado desprotegidos. Grace lançara uma série de encantamentos na casa, de distração, anti-bruxos, anti-magia das trevas e anti-intrusos. Ela havia até mesmo contado isso ao seu pai, mas não à sua madrasta, que ficaria ainda mais nervosa se soubesse que a lufana estava nervosa.
Era muito cedo para que a maioria de seus colegas já houvesse saído de seus salões comunais. Grace não se importou. Havia algo muito reconfortante no castelo vazio, e desesperador. Seus passos ecoavam nas paredes de pedras e parecia que ela era a única pessoa no mundo inteiro. Sem ninguém para se importar com ela, mas também sem ninguém com quem devesse se importar. Ainda não estava muito frio, o que era bom porque as escadas do corujal ficavam escorregadias nos meses de inverno, e Grace usava o cachecol amarelo da Lufa-Lufa por cima do uniforme de verão apenas contra o vento que, na segunda semana de setembro, já ameaçava ficar cortante.
Grace encontrou seu caminho para o corujal bloqueado por um grande gato preto, de olhos verdes intensos. O bicho vinha descendo as escadas sozinho e, por um segundo, a lufana temeu que ele estivesse tentando se alimentar das corujas da escola. Algumas delas eram pequenas o suficiente para caber entre as garras da pequena fera caçadora, mas ele parecia limpo e penteado, não como um gato que havia caçado há pouco, então Grace se abaixou em seus joelhos e esticou uma mão.
O gato a olhou desconfiado por um longo minuto e, quando a farejou procurando saber se era ou não segura, seus bigodes longos se moveram contra sua mão, causando cócegas em suas palmas frias. Finalmente, o bicho decidiu que não devia ser perigosa, porque enfiou a grande cabeça quadrada debaixo de seus dedos e Grace os movimentou num carinho suave contra a pelagem macia do felino.
Um movimento mais acima na escada chamou sua atenção e ela levantou a cabeça rapidamente. Com as mãos enfiadas nos bolsos e o cabelo penteado para trás, Draco Malfoy se encostou na parede para observar a cena como se tivesse todo o tempo do mundo. Grace não havia notado como ele estava mais alto naquele ano; o corpo esguio e longo, largo nos ombros e estreito na cintura e quadris. Por um segundo, ela congelou, mas ele não fez nenhum movimento hostil.
—Ele não gosta de muitas pessoas. –O garoto comentou, civilizado, apontado o gato com a cabeça. –Você deve ter um jeito com bichos.
Grace não pôde deixar de notar um par de marcas de garras na mão do sextanista para provar seu ponto.
—Minha madrasta diz que eu não posso ver um animal perdido que não queira levar para casa. –A lufana se viu surpresa em admitir. Em seguida, deu uma dica ao garoto. –Você precisa gostar dele para ele gostar de você, sabe. Você não parece alguém que gosta de... animais. –Malfoy levantou as sobrancelhas para ela, quase ofendido e Grace decidiu mudar de assunto. –Qual o nome dele?
Malfoy desencostou da parede e, para completa surpresa de Grace, se agachou da mesma forma que ela na escada, de forma que podia tocar o gato, de frente para a lufana, que não achava que já houvesse estado tão perto do colega antes. Dali, podia ver seus cílios claros, quase brancos, tocando as maçãs do rosto altas por cima dos olhos cinzentos. Jamais havia notado a cor dos olhos do colega sonserino até então, percebeu, de repente corando.
—Cronos. –Respondeu ele, finalmente. –Você tem razão, não gosto particularmente de animais, mas Cronos é..... Um aviso. De que o tempo está acabando.
A forma como ele colocou a frase enviou um arrepio pelo seu braço. Grace o encarou. Ele olhou para ela e depois de novo para baixo, para o gato, como se arrependido de suas palavras, ou como se tivesse falado demais.
—Parece um aviso ameaçador.
Draco abriu um sorriso frio.
—É para ser assim. –Quando ele se levantou, pegou o gato no braço consigo e ele parecia um feiticeiro e seu assistente do mal, todo vestido de preto, com o gato preto nos braços e uma mão longa e pálida, mais de esqueleto do que de gente, o fazendo carinho. –Nos vemos por aí, Moore.
Grace ainda ficou parada em seu lugar um longo tempo antes de seguir para o corujal.
Após o café-da-manhã, Grace acompanhou Amy e Cho para a aula de Feitiços, ouvindo uma conversa não particularmente interessante sobre quadribol. Cho estava chateada que o campeonato britânico de quadribol fora cancelado porque, segundo ela, os Tornados tinham uma grande chance naquele ano, de vencer. Amy discordava. Segundo a lufana, o Puddlemere United tinha um novo goleiro titular, Oliver Wood, que prometia mudar a colocação do time na liga.
Grace não acompanhava quadribol, a não ser na escola. No geral, ia aos jogos e torcia pela Lufa-Lufa com fitas amarelas nos cabelos, mas o jogo perdera muito da graça depois que Zacarias Smith se tornara capitão no ano anterior, após a morte de Cedrico. A Lufa-Lufa raramente ganhava algum jogo desde seu terceiro ano e Smith não inspirava lealdade. Além disso, as duas colegas tinham times por serem puros-sangues e terem o exemplo de seus pais em casa, mas o pai de Grace torcia para o Manchester United e, quando falava de futebol, seus amigos não entendiam a graça de um jogo que ocorria no chão.
Quando finalmente chegaram à porta da sala, esta ainda estava fechada, pois era cedo. Porém, ao contrário da semana anterior, não havia nenhuma confusão no corredor e grupos de alunos esperavam tranquilamente, conversando baixo uns com os outros. As três meninas rapidamente se juntaram ao grupo de grifinórias que incluía Katie, Melinda e Liana.
Fred Weasley, de seu lugar no corredor com George e o sonserino Vaisey, notou o grupo de meninas chegando e, sem dar satisfações ao irmão ou o colega, se destacou de seu próprio grupo para se aproximar das garotas de várias casas.
—Grace Moore? –Fred perguntou, embora soubesse que era ela. Jamais havia falado com a garota da Lufa-Lufa antes, ainda que houvessem participado da Armada de Dumbledore juntos. Na verdade, jamais havia a notado bem antes, e agora estava surpreso consigo mesmo por isso. Ela tinha olhos inteligentes, amendoados, e a pele de seu rosto era perfeita, sem marcas ou sardas.
—Fred Weasley. –Ela notou. Não porque o conhecia bem, Fred disse a si mesmo, mas porque sabia que era ele, e não George, que faria a sua tutoria. –Tudo bem?
Fred sorriu para ela seu melhor sorriso.
—Claro. Eu estava pensando... você está livre essa noite? Pensei em começarmos essa semana.
—Sim... sim, estou.
—Nos encontramos às... sete e meia, pode ser? –Ela fez que sim com a cabeça. –Na sala 7Φ? Perto daquela estátua de Mushu, o Mouco, sabe?
Grace notava as garotas ao seu redor de olhos arregalados, acompanhando a conversa descaradamente. Cho, que estava de mãos dadas com ela desde que começara a falar sobre seu encontro marcado com Miguel Corner, estava a apertando forte agora. A lufana se perguntou se o grifinório estava fazendo de propósito, apenas pela sensação de causar um escândalo. Parecia o tipo de coisa que os gêmeos Weasley fariam.
—Sei. –Grace confirmou num tom gentilmente educado que não indicava nenhum tipo de paixão. Ela não tinha uma má fama na escola; jamais havia namorado antes, e não precisava que espalhassem por aí que ela saia com Fred Weasley, que todos sabiam que não assumia relacionamento com ninguém.
Ele sorriu para Grace se forma marota e se afastou piscando para Katie, de forma que Grace considerou quase descarada. Quando ele estava longe o suficiente para não ouvir nenhuma delas, as meninas se voltaram para a lufana. Amy agarrou a sua mão livre, que não estava sendo segurada por Cho.
—Você... tem um encontro com Fred Weasley? –Katie perguntou, mais educada do que curiosa porque não tinha intimidade com a lufana.
—Tutoria. –Grace suspirou. –Estou indo mal em Defesa Contra as Artes das Trevas e...
Cho dispensou sua explicação com um aceno de mão.
—Dá no mesmo. –Disse em um tom de quem sabia das coisas. –Eu tive tutoria uma vez... bem. É quase uma tradição que tutores e tutorados tenham um relacionamento.
A lufana hesitou, espiando o garoto que agora ria de alguma coisa com o irmão gêmeo do outro lado da sala, de costas para ela como se jamais a houvesse notado.
—Não acho que.... Ele não namorava Angelina Johnson? Eu não faria o tipo dele.
—Eu não teria tanta certeza. –Amy olhava para Fred também e agora ele tinha a cabeça virada para observar o grupo de garotas.
—Pare de encarar. –Grace pediu e a amiga atendeu, se virando para ela com um sorriso.
Melinda fez um gesto para que elas se calassem quando o professor Flitwick, por algum motivo acompanhado por Edward, chegou no corredor.
—Fred é realmente legal. –Disse Melinda ao fazer dupla com ela dentro da sala de Feitiços. –Mas, se você não quer que role nada, não tem que rolar. É uma tradição boba, de qualquer forma.
Nas outras aulas, Grace teve sucesso em tirar o assunto de sua cabeça. Era consideravelmente fácil, uma vez que começavam a fazer atividades de desfazer maldições em Aritimância Avançada. Quando estava na classe de Aritimância, Grace se sentia mais bruxa do que nunca. Não por causa da varinha. Se sentia bastante bruxa em Feitiços também, supunha, mas havia algo queimando em seu sangue quando ela quebrava maldições. Ela podia sentir o poder através de sua pena. Quando lia os resultados dos cálculos, sentia como se aquilo fosse prova de que magia existia muito mais do que ver a magia sendo feita.
Naquela tarde, Grace teve que dividir uma mesa com Vaisey, da Sonserina, porque Marietta Edgecombe intimara Cho a ser sua dupla. Não era ruim. Vaisey era um pouco intimidador, e decididamente agressivo no campo de quadribol, mas era um parceiro de cálculos quieto e competente, então Grace não se importou muito. Cho era ótima, mas a distraia.
O jantar foi um evento um tanto mais descontraído. Amy lera no jornal que a mansão dos Malfoy havia sido revistada por aurores no dia anterior e estava se perguntando em voz alta se a notícia chegaria à Azkaban, onde ainda jazia Lucius Malfoy, praticamente enterrado vivo.
—Vocês acham que é por isso que o Malfoy de Hogwarts anda tão calado? –Edward perguntou, lançando um olhar para a mesa da Sonserina. –Vergonha?
—Ele me parece aliviado. –Julie Sayre, que ouvira a conversa, comentou, encolhendo os ombros.
Grace não se virou para olhar a mesa da Sonserina. Quando chegara ao Salão Principal com Melinda e Amy, sentiu um tipo de peso em sua nuca e, procurando nas mesas das quatro casas por alguém que estivesse olhando para ela, encontrou um par de olhos cinzentos num uniforme verde e prata que se apressou em desviar o olhar quando ela encarou de volta. Mas se perguntou de Julie tinha razão; se Draco parecia mesmo aliviado.
Não achava. A ela, ele parecia quase desesperado naquele ano. Mas não disse isso aos amigos. Se Malfoy queria ficar sozinho e recluso, o que ele parecia querer, ela não ficaria em seu caminho.
Ao seu lado, Amy trocou o jornal por um romance bruxo de qualidade duvidosa sobre uma história de amor que envolvia uma Amortentia, uma maldição de sangue e o uso inapropriado do feitiço Incarcerous. Ela havia tentado convencer Grace a lê-lo e a lufana havia se recusado repetidamente; menos por falta de interesse e mais para evitar a vergonha de ser pega lendo aquilo. Amy não parecia nada preocupada, erguendo a capa vermelho-sangue do livro diante de si para que qualquer um visse.
Na verdade, Grace achava que ela queria provocar Edward. Eles estavam naquela fase em que todo mundo sabia que se gostavam, inclusive eles, mas ainda fingiam que não. Era cansativo, e às vezes dramático, especialmente da parte de Amy, que queria declarações no meio do jogo de quadribol e beijos na chuva quando o lufano queria simplesmente sentar nas cadeiras do salão comunal da Lufa-Lufa e fazer cafuné.
Parte de Grace estava apenas feliz que, enquanto não estivessem juntos, podia ter os amigos para si um pouco. Sabia que eventualmente eles começariam a namorar e, pelo menos nos primeiros meses, ela seria deixada de lado. Prova disso era o fato de que mal havia visto Cho na semana anterior porque a amiga havia passado um bom tempo com Miguel Corner. Supôs que seriam ela e Melinda. O mau cenário seria se Melinda também arrumasse um namorado, então Grace teria que aturar as risadinhas sem fim de Julie Sayre quando qualquer garoto passava ao seu lado –havia sido um inferno viver no mesmo salão comunal que ela e Cedrico Diggory quando o garoto fora campeão de Hogwarts, mesmo que ele tivesse namorada e não a desse bola.
Após o jantar, ao invés de voltar com seus amigos para o Salão Comunal da Lufa-Lufa, Grace fez seu caminho pelos corredores de arcos vazios em direção ao Norte do castelo. Havia trocado o uniforme por uma camisa justa de mangas e listras, que deixava sua clavícula ossuda à mostra, e calças jeans, justas em suas pernas magras. Se de manhã os corredores do castelo quando vazios pareciam acolhedores e familiares, à noite se enchiam de sombras e das vozes longínquas de quadros conversando ao longe. As armaduras lançavam sombras longas ao lado dos archotes acesos e os nichos nas paredes pareciam como se escondessem segredos.
Por isso, Grace ficou quase aliviada quando ouviu vozes mais à frente no corredor. Considerou que talvez fosse seu tutor, já que ela estava tão perto da sala agora, e apressou seus passos. Algo no tom das vozes, entretanto, a fez parar e, num impulso, se esconder num dos nichos na parede, ao lado de uma estátua. Ela provavelmente estava segura ali, mas, apenas por segurança, fez, silenciosamente, um feitiço de desilusão em si mesma.
A sensação de água fria caindo de seus cabelos pelas suas costas e roupas não foi nada comparado ao frio da frase seguinte.
—Você acha que Malfoy é um comensal?
Essa era Ariadne Rosier, a voz incrédula.
—Você viu o braço dele? –A segunda voz era masculina, também de um sonserino. Grace não a reconhecia, mas agora podia ver o grupo se aproximando pelo corredor. Eram três.
—Não, mas.... –Urquhart suspirou impaciente quando Rosier revirou os olhos à sua resposta. –Mas.... Ele está estranho, não está? Com o pai dele tendo feito o que fez, era de se esperar que quisesse punir os Malfoy e que maneira seria melhor do que....
—Não. –O tom de Rosier era definitivo. –Ele não aceita crianças. Ou eu já estaria nas fileiras dele, não perdendo meu tempo com Defesa Contra as Artes das Trevas.
O terceiro garoto, que Grace não conhecia, fez um som deselegante de riso, desdenhando da colega. Rosier o lançou um olhar muito frio, os olhos de pálpebras pesadas à meio-mastro.
—Eu ficaria esperto se fosse você, Harper. –A voz dela era mais desdenhosa do que o risinho dele. –Afinal, sua mãe não é uma sangue-sujo?
Pareceu por um segundo como se os dois fossem brigar, mas Urquhart se colocou entre eles e, depois de murmurarem alguma coisa muito baixo para que Grace ouvisse, os três continuaram pelo corredor. Grace ficou parada até não poder mais ouvir os ecos de seus passos, então, ainda sem desfazer o feitiço de desilusão, continuou, os pensamentos queimando em sua cabeça, até a estátua de Mushu, o Mouco.
A porta era de madeira com arabescos no mesmo tom, exatamente como todas as portas do corredor. Grace teve o bom senso de desfazer o feitiço antes de dar uma batidinha na porta e empurrar. A madeira deslizou silenciosa para dentro da sala, e também o fez Grace.
Fred Weasley havia levantado os olhos castanhos-esverdeados para a sua chegada. Ele estava sentado no tampo de uma mesa, cercado de livros de Defesa por todos os lados. Lá estavam Defesa Para Iniciantes, Artes das Trevas e Suas Defesas e uma série de livros com temas parecidos. Ele a lançou um grande sorriso. Grace se lembrou das palavras de Cho. É praticamente tradição... e sorriu para ele um sorriso educado.
—Sabe. Moore... –Ele começou fazendo um gesto para que ela se sentasse na cadeira ao seu lado. –Do jeito que você se sai bem em Feitiços, fiquei surpreso quando a professora Sprout me perguntou se eu poderia tutorar você.
Grace tinha uma resposta muitíssimo malcriada na ponta da língua, que tinha a ver com o fato de que ela ficara bastante surpresa ao saber que ele, em seu aparente pouco interesse pela vida acadêmica, havia aceitado ser seu tutor. Mas decidiu que não havia necessidade de se indispor com alguém que estava se oferecendo para ajudá-la, mesmo que ele houvesse sido malcriado primeiro.
—Eu tenho um bloqueio com Defesa Contra as Artes das Trevas. –Admitiu. Então apertou os lábios um contra o outro, chateada consigo mesma por isso.
O gêmeo Weasley, tão estranho de se ver sozinho, que era como se algo faltasse nele, a olhou com curiosidade. Grace quis se inclinar para longe de sua análise minuciosa. El tinha um rosto inteligente e, quando não tinha um ar maroto de quem estava aprontando, podia ser considerado atraente.
—Bem... –Ele disse, finalmente. –Vamos começar com a teoria um pouco.
E ele cumpriu com a palavra. Durante as duas horas seguintes, a falou quase exaustivamente sobre proteção contra as Artes das Trevas, os vários modos que existiam e como, nas semanas seguintes, praticariam vários feitiços de defesa. Grace achou a aula surpreendentemente interessante. Fred Weasley havia feito claramente alguma pesquisa e estava levando seu trabalho a sério e ela foi grata a ele por isso.
Ao fim da aula, ela se levantou de seu lugar no assento de madeira para ajudá-lo a colocar os livros consultados numa única pilha que ele pudesse enfeitiçar de volta para a biblioteca.
—Por que voltou? –Ela perguntou, depois de ele a ter feito uma pergunta sobre o que seus pais faziam no mundo trouxa, que soava pessoal, então Grace achou que ele a devia uma pergunta pessoal de volta. –Para Hogwarts, eu digo.
Ela estava o olhando e, por isso, notou suas costas ficando tensas apenas por um segundo antes de ele se voltar para ela com um sorriso divertido.
—Ah, bem, você sabe. –Ele deu de ombros, quase descontraído. –Eles dão celas melhores em Azkaban se você tiver o colégio completo, eu ouvir dizer.
Grace não gostou da mentira, mas supôs que ele não devia a ela nenhuma verdade, então sorriu como se houvesse comprado a brincadeira. Ele se ofereceu para andar com ela até o seu salão comunal e Grace concordou em deixa-lo leva-la apenas até o saguão, pois não confiava a entrada da toca lufana para um grifinório qualquer e, quando disse isso a ele, nessas exatas palavras, arrancou um riso alto do garoto.
Se sentindo surpreendentemente leve, Grace acompanhou o grifinório, andando lado a lado com ele e ouvindo uma história sem pé nem cabeça sobre um duende, um elfo e um bar trouxa, que a arrancou risadas mesmo quando ela tentava ficar séria.
—Boa noite, Weasley. –Disse a ele, de frente para as portas do Grande Salão, os braços cruzados na frente do peito e um sorriso relutante no rosto.
Ele fez um grande gesto para ela, se inclinando tanto que ela pôde ver sua nuca com o cumprimento.
—Senhorita Grace. –Ele respondeu e esperou até que ela o desse as costas para voltar ao seu próprio salão comunal.
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