Lados e Escolhas
19 O Gringotts
Notas iniciais
"Whispered something in your ear
It was a perverted thing to say
But I said it anyway
Made you smile and look away”
Grace limpou o seu malão pela primeira vez em o que parecia ser um longo tempo.
Descobriu todo tipo de coisas lá dentro dobre as quais havia se esquecido. Um bottom escrito “APOIE CEDRICO DIGGORY”, penas quebradas, uma pulseira da amizade que ficava amarela quando ela e Amy estavam juntas, e algumas moedas bruxas esquecidas. Ela juntou os galeões e a pulseira para sua nova mala, e deixou o resto num saco que ia para o lixo.
Estava deixado a maior parte de seu quarto em seu lugar. Parecia crueldade com seu pai levar todas as lembranças de sua garotinha, como se estivesse apagando a si mesma da vida dele. Levava consigo apenas um álbum de bebê, e outro mais recente, depois da adição de Margaret e sua madrasta na família, suas próprias roupas, alguns livros, especialmente livros de Aritimância, Transfiguração e Feitiços, e apenas um de seus globos de neve.
Margaret havia pego no seu pé até Grace ceder à caçula um de seus globos. Havia sido como ceder um pedaço de seu coração, mas, em um segundo pensamento, quem melhor para cuidar dele do que sua irmã? Seu pai havia dito que era uma coisa boa; que significava que Margaret se inspirava nela. Grace se sentiu um pouco presumida por conta disso; afinal, não achava que a irmã se espelharia em alguém que passava a maior parte do tempo longe.
Em cima da sua cama, com grande orgulho, estava a carta com o resultado de seus NIEM’s.
Aritimância
O
Defesa Contra as Artes das Trevas
A
Feitiços
O
Herbologia
E
Poções
E
Transfiguração
O
Seu pai, quando ela explicara o sistema de notas, parecera satisfeito que ela passara em todas as seis matérias cursadas, mas quando encarava o Aceitável em sua nota de Defesa Contra as Artes das Trevas, Grace ainda se perguntava se poderia ter estudado menos, beijado menos Fred nos horários em que deviam estar de monitoria, ou simplesmente prestado mais atenção ao professor Snape; então se ressentia do professor.
Apenas alguns dias antes, ela tinha levado Fred ao Hyde Park. Os dois se enfiaram por uma trilha junto ao lago, e num instante estavam sozinhos. Ela não reclamou muito, ou Fred teria ficado culpado por não ter se esforçado mais com as aulas, e ela não o culpava. Ao invés disso, aproveitando que estavam completamente sozinhos, sem trouxas ou qualquer outro tipo de pessoa por perto, ele a falara sobre o plano de resgatar Harry antes do casamento de Gui e Fleur, mas, para sua própria segurança, não a deu detalhes do plano.
Antes de sair de casa –dessa vez por um tempo longo, talvez mais longo do que jamais antes –Grace fez um pequeno feitiço de levitação nos brinquedos de sua irmã. Era para sua diversão, mas também era um aviso. Era o tipo de feitiço que seria desfeito se algo acontecesse com ela. Seu pai saberia.
Grace se encontrou sozinha em seu apartamento mais cedo do que pretendia. Sua entrevista no Gringotts seria apenas bem mais para o fim da semana –e agora ela achava que era o momento perfeito para arrumar suas coisas naquele lugar impessoal. Viera já com os móveis: um sofá de tecido florido que não combinava com uma cadeira de couro. O chão era de madeira, e tinha janelas altas. Era lindo, mas não parecia nada com ela.
Colocar um cacto na janela não ajudou quanto a isso.
Por isso, ao invés de insistir naquela atividade que teria que ser feita em algum momento, ela se deu ao luxo de adiar o arrumar das coisas; colocando apenas as roupas no armário, tiradas de uma mochila com feitiço indetectável de extensão, e alguns livros na cabeceira da cama de casal –era a primeira vez que tinha uma cama de casal na vida, e parecia um símbolo de independência –ela desaparatou para o Beco Diagonal mais uma vez.
A Ollivanders havia melhorado o aspecto desde a última vez que Grace a vira, um par de semanas antes. Os elfos que ela flagrara no meio do trabalho haviam colocado a maior parte das prateleiras em seus lugares, e as janelas de vidro haviam sido consertadas. A placa da frente da porta dizia “fechado”, mas a luz estava acesa, então Grace entrou de qualquer forma.
Da primeira vez que estivera ali, também parecera vazia, até que um senhor com tufos de cabelos brancos e olhos azuis muito claros, quase transparentes, surgira do balcão, já segurando três caixas de varinhas. Grace foi o que ele chamou de uma cliente fácil; sua varinha de pena de unicórnio e cerejeira foi a terceira tentativa. Ela agitou o pedaço de madeira, e transformou sua luminária num peixe-pescador, com uma lâmpada acesa perto da cara.
Dessa vez, foi Amy quem levantou-se do balcão com um ar espantado. Em seguida, suspirou. Elas haviam se visto na semana anterior; Grace levara Amy com ela para fechar o contrato do apartamento. Fred estava ocupado, e ninguém devia andar sozinho naqueles tempos.
—Achei que era outra pessoa. –Amy comentou à guisa de boa tarde. –Estou esperando um fazedor de varinhas. Vou entrevista-lo para que trabalhe temporariamente na loja. É americano.
Não havia lugar para sentar, então Grace se apoiou no balcão, inclinando-se para ver que, embaixo deste, Amy arrumava algumas caixas pelo material da varinha contida nelas.
—Você sabe que não devia estar aqui sozinha. –Apontou. –Especialmente se vai receber um desconhecido.
—Ora, então fique aqui. –Ela disse simplesmente. –Eu vou entrevista-lo nos fundos. Acho péssimo deixar o negócio da família nas mãos de outra pessoa, mas nunca tive interesse no assunto, e meu primo mais novo tem apenas oito anos... quem sabe, quando ele crescer, não estude as anotações do vovô. Eu não pretendo sair da administração. Você ficaria surpresa com a desorganização do vovô. Podia ser bom com varinhas, mas finanças...
—Que bom que você está se ocupando. –Disse simplesmente. –Eu vou ficar, mas apenas até as seis. Vou encontrar Fred quando ele fechar as Gemialidades. Parece que George vai precisar do apartamento para fazer uma decisão difícil, e ele vai ficar comigo.
—Que ruim para você. –Amy disse ironicamente.
Grace ia responder, mas então alguém bateu na porta. As duas meninas viraram o pescoço, e Grace automaticamente deixou a mão mais perto do bolso da varinha.
Foi Amy quem se adiantou para abrir a porta, trocando palavras baixas que Grace não entendeu com um jovem em seus trinta, talvez trinta e cinco, anos, de cabelos castanhos começando a ficar grisalhos nas têmporas, olhos cor de amêndoa e um maxilar quadrado. Em resumo, bem conservado, ainda bonito. Usava óculos redondos com armação de metal e um terno de tweed que o dava um ar acadêmico.
—Grace, esse é Thomas Twelvetree. –Amy apresentou quando os dois começaram a entrar na loja. –Thomas, esta é Grace Moore.
—Não é um sobrenome bruxo. –Ele observou.
—Isso é um problema? –A voz de Amy não era calorosa.
—De forma alguma. Apenas uma observação. –O tom dele era casual, e Grace acreditou no que disse. Havia algo confiável em seus olhos castanhos e em sua voz com sotaque americano. –É um prazer conhece-la, Srta. Moore. Senhorita, suponho?
—Supõe certo. –Grace sorriu e estendeu a mão. –Um prazer, Sr. Twelvetree.
Ao invés de ir com ele para os fundos, Amy o manteve no hall da loja. Grace sabia que havia um escritório onde ela poderia entrevista-lo com mais formalidade, mas ela o estava olhando com uma expressão engraçada, que Grace achava já ter visto em seu rosto algumas vezes antes em Hogwarts. A amiga olhou para o rapaz, então desviou os olhos, o rosto vermelho.
—Você disse que passou os últimos anos viajando, Sr. Twelvetree? –Amy perguntou, mais num tom de quem queria ouvi-lo falar do que de real curiosidade.
—Sim. –Ele confirmou, parecendo desconfortável debaixo da luz central amarelada. –Minha namorada de escola e eu viajamos por alguns anos. Depois, eu continuei sozinho, para estudar. Estudar confecção de varinhas, é claro. Alemanha, Bulgária, França. Brasil.
Algo na expressão de Amy mudou sutilmente.
—Namorada? O que houve com ela?
—Morreu. –Ele respondeu sem perambulos. –Ela tinha uma maldição de sangue. Seus dias estavam contados de qualquer forma.
—Lamento. –Amy parecia estar sendo sincera, mas Grace apena observou a interação com interesse.
Em seguida a essa troca, o homem aceitou seguir Amy para os fundos. Grace os observou desaparecerem pela única porta na parede mais abaixo, e Amy a lançou um olhar pela fresta antes de sumir com a porta fechada. O olhar dizia “uau”. Era isso, Grace definiu, que tinha visto em sua expressão um segundo antes. Ela ficara impressionada.
Grace se ocupou enquanto eles estava lá dentro. Havia uma vasta coleção de livros sobre cernes, madeiras e animais que cediam partes para varinhas nos fundos da loja. Ela não sabia que algumas coisas, como fio de cabelo de veela, ou calda de testrálio, podiam ser usados como cernes.
Também não sabia que houvera uma época anterior ao uso de varinhas. Uma época em que bruxos e bruxas faziam magia com as próprias mãos em vez de varetas de madeira. O fato de que os acidentes eram mais violentos, porque sem a varinha mágica era mais difícil não apenas canalizar, mas controlar a magia, logo foi percebido que certas árvores e animais tinham magia o suficiente para fazer esse trabalho pelo bruxo.
Eles ficaram cerca de cinquenta minutos lá dentro.
Quando saíram, Grace já estava pronta para encontrar com Fred, ficando para trás apenas para garantir que não deixaria Amy sozinha com um estranho. Do lado de fora, o beco Diagonal estava escuro, as falhas nos ladrilhos da rua se tornando obstáculos disfarçados para os incautos e as poucas lojas ainda abertas fechando suas portas com feitiços de proteção.
“Quando posso começar?”, apenas ao ouvir o som da voz tão claro, Grace percebeu que a porta havia sido aberta. Amy tinha um grande sorriso nos lábios e olhou para Grace antes de se virar novamente para o homem.
—Amanhã! –Exclamou alegre. –Amanhã seria ótimo.
Grace ficou ainda mais surpresa quando ele lançou à garota um sorriso quase tão brilhante quanto o que recebera. Mais velho, talvez. Mais cansado. Mas decididamente alegre.
—Nos vemos amanhã, então. Srta. Amy. –Ele estava se dirigindo para a porta agora, quando conseguiu tirar os olhos de Amy por tempo o suficiente para notar que Grace ainda estava ali, no escuro. A fez um aceno de cabeça. –Srta. Moore.
As duas meninas ficaram em silêncio até que ele saísse, então continuaram em silêncio até que desaparatasse na rua para qualquer lugar que não ali. Mesmo então, elas trocaram um olhar silencioso, e apenas quando Grace abriu um grande sorriso cheio de acusação, Amy riu.
Era um riso leve, de uma garota comum, sem muitas preocupações, que conhecera um garoto. Não era assim. As coisas não podiam ser mais diferentes disso, mas não foi o que Grace disse. Ao invés disso, riu e provocou a amiga um pouco. Não importava que eles estavam em guerra. Que Amy estivesse tentando levantar o negócio que levara seu avô para longe, que Grace estivesse torcendo para conseguir um emprego sendo quem era, sendo seu sangue o que era.
Um homem bonito era o novo colega de trabalho de sua amiga, e elas estavam rindo bobamente.
Ela e Fred andaram ao invés de aparatar para o apartamento. Ele contou que tinha um fundo, e se as coisas ficassem ruins de verdade –afinal, não era novidade que o partido das trevas queria tomar o ministério –e que havia a possibilidade de ele e George fecharem a loja por algum tempo.
Na Londres trouxa, andando a avenida e a rua que a levavam para casa, os dois poderiam se passar por um casal comum voltando para casa no fim do dia. No escuro ninguém notava as calças xadrez de Fred, e nenhum trouxa lançou aos dois os olhares espantados que às vezes bruxos levavam dos trouxas quando tentavam andar em seu mundo. Grace, é claro, pertencia àquele mundo, e, portanto, muito pouca ali a surpreendia. Fred, por outro lado, tinha os olhos inquietos, mirando de uma vitrine brilhosa ao anúncio colorido de uma máquina de lavar pregado em um estabelecimento comercial.
Ela já havia se acostumado ao elevador, e ao estreito hall de entrada de seu pequeno apartamento. Pelo modo familiar com que Fred entrou e a seguiu até a sala, onde ela largou a bolsa, Fred também já era familiar com as acomodações. Ele apenas nunca tinha passado a noite ali. Os dois pararam na sala, inquietos.
—Bem. –Ela pigarreou. –Eu vou colocar meus pijamas. Por que não vai indo para o quarto?
Ao contrário dela, Fred não parecia desconfortável. Ele sorriu e foi andando pelo único corredor que entrava mais fundo nas estranhas do apartamento, enquanto ela se trocava no banheiro rapidamente, apenas para na volta encontra-lo de pé no meio de seu novo quarto, olhando o cacto na janela com interesse.
Ele era o primeiro garoto que trazia oficialmente ao seu quarto. Ao mesmo tempo que sabia perfeitamente o que significava, não conseguia pensar com clareza. Atravessou o quarto e escancarou as janelas, se virando para ver um sorriso afetado no rosto do namorado.
—Calor?
—Você não? –Ela respondeu, sorrindo docemente, como se não tivesse entendido.
Ele riu. Deu uma boa olhada ao redor, trocando o peso de um pé para o outro. Andou até ela e começou a beijar sua boca devagarinho. Ela achava que aquela explosão lenta torturava seus nervos mais do que o ritmo afobado, pois todo o seu corpo ficava em suspenso, esperando o próximo movimento dele. Fred se sentou no batente da janela, junto ao cacto, a posicionando entre suas pernas, explorando seu corpo enquanto a beijava –seus braços, roçando os dedos nas partes expostas de suas costas, puxando seu quadril contra o dele.
Em contrapartida, ela o explorava principalmente por debaixo da blusa. A pele ali era quente e suave, contra seus dedos provocava um atrito estimulante que já nublava sua mente.
As alças de sua blusa foram puxadas pelos ombros. Ela não se lembrou de ser decente e perguntar se podia, e ela ajudou estendendo os braços para que a camisa passasse pela sua cabeça e expusesse seu tronco. Fred a mirou por um segundo, os olhos escurecidos, e levou uma mão ao seio subitamente desnudo. Grace soltou um arquejo metade surpresa, metade prazer.
Em resposta ao movimento dele, Grace cobriu a mão dele com a dela e o encorajou a apertar mais forte, fechando os dedos dele com os seus, sentindo ondas de prazer que iam até o meio de suas pernas. Grace puxou Fred para um novo, molhado e desejoso beijo de língua, esfregando o corpo contra o dele, que a apertou mais forte na altura dos quadris.
Ele fez uma pausa, respirando fundo em seus cabelos dourados.
—Me beija mais. –Ela pediu, a voz rouca.
—Eu quero mais do que te beijar, Grace.
Ela assentiu, sendo tomada por um arrepio de expectativa.
—Eu também.
Fred enterrou os dedos nos cabelos dela, agora bagunçados, puxando-a de volta ao mesmo tempo em que se levantava da amurada. Explorava os cantos de sua boca enquanto a guiava para a cama de casal no quarto –a primeira cama de casal que Grace tivera em sua vida. Se sentou nela, guiando Grace para se montar em cima dele, onde ele tinha perfeito acesso aos seus seios, que ele chupou demoradamente, enroscando a língua nos mamilos enquanto a acariciava na altura das costelas.
Ela achava que ia desmanchar; a pressão entre suas pernas ficando cada vez mais insuportável, especialmente quando ela se pressionava contra a ereção dele, parecendo feita de pedra sob a calça. Ele moveu a mão para abrir a braguilha da calça, mas ela o segurou.
—Você tem camisinha? –Sussurrou para o escuro.
—Se eu tenho o quê? –Ele parou o movimento, mas ainda a segurava com firmeza contra o membro. –Uma camisa pequena? Por que eu...?
—Proteção. –Ela corrigiu com urgência. –Preservativo. O que você normalmente usa?
Ele pareceu entender aquela linguagem.
—Você não tem poção contraceptiva? –Ele perguntou. Grace piscou, em sua vez de ficar confusa. Então fez que não com a cabeça; ele não pareceu surpreso. –Tudo bem. Eu posso comprar amanhã.
—É seguro? –Ela insistiu.
Ele beijou seu pescoço demoradamente, a língua molhada fazendo círculos contra sua pele.
—É seguro. –Confirmou.
Ele abriu sua braguilha e puxou os jeans trouxas para baixo, com sua ajuda. Como ela tinha se levantado para isso, mirou o volume na calça xadrez dele e imitou o movimento, revelando um par de coxas mais musculosas do que ela havia esperado. Bendito fosse o quadribol.
—Volta. –Ele pediu, rouco. –Ele chamou, alcançando sua mão. Dessa vez, as coxas dela deslizaram quentes sobre as dele, o encaixe de suas partes íntimas mais consistente com apenas as peças finas das roupas de baixo entre eles. Ele voltou a beijá-la calmamente, como se tivessem todo o tempo do mundo, o que, ironicamente, a enchia de pressa a urgência.
Grace se concentrou no movimento de suas línguas, que era erótico, e diminuía todo o seu mundo àquele quarto, entre os dois. Haviam apenas pernas, braços, peito contra peito e a ereção dele a pressionando com força quando ela se movia se encontro ao seu quadril. A mão direita dele se insinuou para o meio de suas pernas e ela quis gemer. Logo, os dedos ganharam espaço dentro de sua calcinha, deslizando pelas dobras molhadas de sua excitação.
—Assim? –Ele perguntou quando pressionou o ponto mais sensível entre seus pequenos lábios e ela soltou um lamento longo.
Ela assentiu, sem confiar em si mesma para dizer algo coerente em voz alta; e ele passou a massagear aquele ponto, fazendo movimentos circulares, com ela rebolando sobre os dedos dele para conseguir um contato mais intenso. Os dedos dele deixaram o ponto sensível, entretanto, os polegares indo se enganchar em sua calcinha para puxá-la para baixo. Algo dentro de Grace se retorceu e queimou.
A queimação subiu pelo seu corpo; levou um segundo para perceber que não era desejo. Grace levou a mão ao peito, onde jazia a esmeralda do colar que Draco a dera. Estava quente ao toque –quente o suficiente para queimar.
—Ai! –Ela exclamou, se afastando de Fred.
Ele baixou as mãos imediatamente, a deixando se afastar.
—Eu fiz alguma coisa, o quê...?
—Não você. –Ela o interrompeu, levando as mãos ao fecho, que se abriu sob os dedos, fazendo o colar escorregar pelo seu colo para a palma que o amparou. –Foi o colar, ele...
O olhar que Fred lançou para a peça, agora em suas palmas, foi sombrio. Grace engoliu em seco, o calor deixando seu corpo junto com a peça quando se esticou na cama e a colocou na cabeceira. Era uma escolha, também. Eu vou pôr você de volta, prometeu ao objeto inanimado, mentalmente.
Grace se deitou de costas na cama, puxando para que Fred viesse sobre ela. Ele se encaixou entre suas pernas, beijou se pescoço, massageou seus seios e puxou suas nádegas avidamente contra si. Havia uma urgência dolorosa para sentir o peso dele sobre si, o corpo dele pressionando o dela, carne contra carne.
Ela aproveitou o momento que ele ergueu o corpo para se ajeitar sobre ela para deslizar uma mão entre a sua pele a o tecido da cueca, para acariciar o membro ali embaixo. Ele soltou um suspiro pesado, e com o próprio corpo se movendo, deu sinais de qual devia ser o movimento para que ela fizesse. Grace então passou a deslizar a mão para cima e para baixo ao longo do membro, aproveitando do modo como ele entreabria os lábios e respirava pesado em seu pescoço.
As paredes de sua vagina se contraíram deliciosamente em resposta ao movimento do corpo dele, seus calcanhares se enganchando atrás das costas dele para puxá-lo para perto. Com as mãos, ele baixou a própria roupa íntima, e se posicionou entre as suas pernas, agora olhando para o rosto dele atentamente.
—Vou começar devagar, tudo bem? –Ele sussurrou baixo. Grace fechou os olhos, concentrada na voz dele e no pênis que já começava a pressionar sua entrada molhada, quase deslizando para dentro.
Ele escorregou para dentro lentamente, como disse que faria, e Grace arfou, se puxando para trás, surpresa com a sensação incômoda de ser rasgada. Ele plantou um beijo demorado em sua bochecha, se movendo lentamente, uma mão o apoiando e a outra a tocando em lugares que a faziam relaxar.
—Pode continuar. –Ela decidiu. –Devagar.
Ele obedeceu, saindo e voltando o mais lentamente que podia, enquanto dava beijos de adoração nos seus lábios, a provocava com a língua e com as mãos, e tudo foi ficando bom de novo; o atrito do membro inchado nas paredes de sua vagina e seus gemidos aumentando conforme ele continuava.
O ritmo das estocadas aumentou, bem como a intensidade dos gemidos dele, que Grace decidiu que era uma de suas partes preferidas agora.
—Vou gozar. –Ele avisou, ofegando, com estocadas curtas e rápidas que moviam todo o seu corpo junto com ele. No minuto seguinte, ele cumpriu com o prometido, pulsando mais forte dentro dela e procurando seus lábios para o ápice. Depois seu corpo relaxou e ele foi diminuindo o vai e vem até parar e se deixar cair ao seu lado. –Grace, você...
O resto da frase ficou no ar, mas ela não se importou. Estava olhando para ele; os lábios ligeiramente inchados e avermelhados, o cabelo um pouco suado na testa, os olhos mais castanhos na penumbra do quarto, e achou que Fred Weasley era lindo.
Ele a encarou, e ela desviou os olhos rapidamente para não ser pega encarando como boba.
—Você é incrível. –Ele completou.
Na sexta, Grace andou com nervosismo até o edifício branco-mármore de grandes portas de bronze no fundo do beco, abrindo a intersecção entre o Beco Diagonal e a Travessa do Tranco. Podia se lembrar da primeira vez, aos onze anos, que subira as grandes e largas escadarias de mármore para abrir uma conta no Gringotts. Seu pai depositara para ela trinta galeões, apenas para que ela passasse o ano tranquilamente –e os olhos dos duendes brilharam cruelmente para ela ao depositar seu dinheiro numa pequena caixa no segundo andar abaixo.
Dessa vez, Grace não chegou às bancadas aonde trabalham os duendes. Ao invés disso, quando entrou, os olhos fixados à frente, para o lustre de cristal que pendia perigosamente do teto, tão pesado que não balançava com as correntes de ar ou com os feitiços de ventilação (muito necessários no verão inglês), teve seu caminho interrompido por uma visão familiar.
Ela levou um segundo para o reconhecer, tantos meses tendo se passado.
—Srta. Moore! –Arcturo Bloxam sorriu grandemente. –Eu tinha a impressão de que a veria aqui esse ano, com toda a determinação com a qual me falou da última vez que nos vimos. Há algum tempo não vejo Slug, ele tem estado bem?
O senhor mais velho, usando colete e blazer, a barba cheia e bem-aparada, os olhos verdes intensos, colocou uma mão em suas costas para a desviar do caminho que ela fazia e leva-la por um corredor lateral, cheio de salas. Em uma delas, Grace viu a inscrição “Guilherme Weasley”, mas eles passaram direto.
—Ele esteve muito abalado da última vez que o vi. –Admitiu, um pouco desnorteada com a surpresa de encontrar um conhecido. Ela havia sido avisada que seria entrevistada por um Desfazedor de Feitiços experiente, que decidiria se gostaria ou não de a ter como pupila. Caso não quisesse, ela poderia tentar novamente no ano seguinte, mas não esperava conhecer o entrevistador, ainda que apenas brevemente. –Mas foi o funeral do professor Dumbledore, então é compreensível.
A sala de Bloxam era elegante; couro e troféus. O tom de madeira da estante era o mesmo tom de madeira da grande mesa mogno; a cor dos cabelos de Bloxam. O couro da grande cadeira atrás de sua mesa combinava com o couro de um sofá no canto. Ele fez um gesto para que ela se sentasse e foi tomar seu lugar.
—Lamentei muito a morte dele. –Disse, de maneira que não pareceu lamentar particularmente. À sua frente na escrivaninha havia um pesado caderno texturizado com fotos e anotações. Grace reconheceu o papel oficial do Conselho de Hogwarts, onde haviam impressas notas dos NIEM’s e NOM’s. Um caderno de candidatos, então. Ele abriu na sua página diretamente. –Srta. Moore. Lufa-Lufa, notas incríveis. A professor Vector me mandou uma carta de recomendação sua. –O tom dele era ligeiramente jocoso. –Disse que é uma das melhores alunas de sua turma.
Grace se ofendeu ligeiramente pelo sorriso de lado que ele deu; uma dúvida.
—A professora Vector não faz elogios levianos, senhor. –Disse, seriamente.
De alguma forma, seu rosto ficou ainda mais divertido.
—Claro que não. –Concordou rapidamente. –Você entende, senhorita Moore, que, se o que está procurando é aventuras, não vai encontrar por algum tempo. Você vai passar dois anos em período probatório, sendo minha estagiária. Isso significa muita papelada, feitiços menores e pouca agitação. É claro, se demonstrar eficiência, em pouco tempo eu ficaria feliz em leva-la como minha assistente para trabalhos mais específicos.
Ela assentiu. Ia bem de acordo com as suas expectativas. Enquanto a guerra estava no auge do lado de fora daquelas altas paredes de mármore, ela não pretendia sair correndo do país.
—Muito bem. –Ele concordou. –Você foi a única aluna de Hogwarts a se inscrever em nosso programa esse ano, e eu preferia, na situação atual, não contratar um estrangeiro; acho que a Inglaterra precisa resolver essa questão sozinha, não acha?
Grace não achava, mas não disse isso. Não importou. Arcturo Bloxam sorriu como se ela tivesse concordado. Ele passou mais uma página de seu caderno, de onde tirou uma folha fina de pergaminho, com letras em uma forte tinta preta. Abriu a boca para falar, mas foi interrompido por uma batida na porta. Ele hesitou um segundo, mas se voltou para ela.
—Esse é o contrato de estágio. Leia com cuidado e assine com essa pena. –Ele acenou uma pena vermelha de ponta afiada como uma adaga. –É uma pena de sangue, mas não se preocupe. Não é um instrumento de tortura; não vai doer. É apenas para selar o contrato com sua magia. –Ele pigarreou e falou mais alto, desviando o olhar para a pesada porta de madeira. –Entre.
Ela estava com a cabeça baixa para o contrato, e não teria levantado a cabeça se não fosse a familiaridade com que seu futuro chefe falou com o recém-chegado.
“Ah, Cissa”, ele suspirou. Grace sentiu um arrepio. “Estou ocupado agora”.
A garota virou a cabeça, porque tinha que ser feito, mas sua visão estava ligeiramente pálida, o sangue tendo deixado seu rosto para se alojar nos pés. A mulher parada na entrada da sala era magra e alta, os cabelos louros tão claros que podiam ser brancos e olhos frios. A boca estava apertada firmemente numa linha fina, e ela não olhou Grace, como se ela não estivesse lá.
—Eu serei breve, Art. –Disse para Bloxam. –Eu preciso fazer uma transferência do cofre Malfoy para o meu cofre particular.
Bloxam suspirou.
—Isso não é breve, Cissa. –Apontou, mas se levantou mesmo assim. Grace fingiu não estar prestando atenção, mantendo os olhos baixos no contrato, mas não era capaz de ler as linhas diante de si. Bloxam andou até uma mesa de canto, adornada com uma garrafa de uísque de fogo, encheu um copo, o tomou e o pousou na mesa como se isso tudo fosse um so movimento. Então se virou para Grace. –Srta. Moore, quando assinar o contrato, o deixe com o duende Urfal na recepção. Eu a verei na segunda.
—Sim, senhor. –Grace murmurou, o olhando curiosamente. –Até lá.
Surpreendentemente para ela, outro conhecido a encontrou na saída do banco. Fleur Delacour, em toda sua glória francesa, a abordou para perguntar se Grace já tinha um vestido para o casamento. Grace hesitou na resposta, pensando nas roupas que costumava usar para as festas de Slughorn.
—Eu vou comprar alguma coisa. –Garantiu à noiva.
Fleur sorriu; ela estava ainda mais bonita do que sempre havia sido, se isso era possível. Havia algo muito feliz em sua expressão; muito satisfeita. Grace se perguntou porque não poderia parecer daquele jeito, especialmente depois do que havia se passado entre ela e Fred naquela semana. Mas Grace não se sentia brilhando de satisfação.
—Compre algo vermelho. –Sugeriu ela, já se afastando para dentro do banco, onde também trabalhava. –Vai combinar com você!
Grace acenou até que ela sumisse e se voltou novamente para a rua de lojas.
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