Lados e Escolhas
5 Beijos de Natal
Notas iniciais
"Stop making up your excuses
Call her up, tell her you forgot something
It's worth more than you are thinking
Don't be a fool, tell her you think she's cool"
Amy estava triste, o que era um bom motivo para não ter avisado a Grace sobre a confusão que a esperaria no Grande Salão no dia seguinte ao jogo. Quem a inteirou do que acontecera no fim foi Julie Sayre, dizendo que, durante o jogo, o batedor da Grifinória Fred Weasley havia derrubado um sonserino da vassoura e dedicado a ela a jogada, mas Grace, é claro, nem estava nas arquibancadas para ver.
Durante o resto da semana, não encontrou oportunidade de falar com Fred, especialmente para devolvê-lo o cachecol que pegara emprestado, muito mais do que para tirar satisfações. Grace era uma boa menina, e pretendia fingir que o incidente no quadribol não ocorrera, em nome da sua sanidade. Tinha muito o que fazer com Amy triste e Edward culpado, além de todas as duas atividades, sem ter o gêmeo Weasley mais bonito a colocando em maus lençóis.
Outra pessoa que não viu de jeito nenhum foi Draco. Nem nas refeições, nem nos corredores. Não sabia o que ele andava aprontando, mas, fosse o que fosse, vinha tomando muito de seu tempo. A lufana chegou a considerar passar como quem nada quer pelo corredor do sétimo andar para ver de dava de cara com o sonserino, mas não chegou a criar coragem para pôr em prática seus planos e, tão rapidamente que ela nem viu o tempo passar, era quase natal.
Num instante, o professor Hagrid enfeitou o Grande Salão com doze grandes árvores de natal. Viscos e azevinho foram espalhados pelos cantos do castelo de forma que era sempre possível ver um casal se beijando debaixo das guirlandas vivas. Velas perpétuas brilhavam dentro dos elmos das armaduras e tempestades de neve batiam com a força de minitornados nas janelas de vitrais do castelo toda vez que ela tentava ter uma vista do jardim coberto de neve.
Edward e Amy não estavam mais se evitando, mas tampouco ficavam sozinhos. Eram sempre cuidadosamente educados, tentando fingir que nada acontecera e, no geral, Grace ficava tão constrangida perto dos dois, que arrumava qualquer desculpa para se distanciar. Katie continuava no hospital, o que significava que Melinda agora passava muito de seu tempo antes livre fazendo companhia a Liana. Depois daquela primeira semana sem quase vê-lo, Grace descobrira que Malfoy adquirira uma tendência a aparecer nos lugares aonde ela ia, especialmente se fosse o corujal, como que sem querer.
—Então... você vai para a festa de natal do Slugue? –Grace o perguntou um dia, subindo para o castelo com dificuldade por causa da neve espessa depois de ter ido pego um par de abafadores esquecidos na estufa, ao que Draco fizera questão de acompanha-la.
Ele pareceu desconfortável.
—Não fui convidado. –Respondeu secamente, as mãos dentro do casaco preto para se aquecer.
—Você poderia ir comigo. –Grace sugeriu, olhando para longe, o caminho vazio, ninguém nos jardins naquele frio, como se não fosse nada demais, mas apenas para não olhar nos olhos cinzas de aço dele quando ele a avaliasse.
—Não acho uma boa ideia. –Disse, por fim. Deve ter notado que ela se remexera desconfortável, porque acrescentou. –Mesmo, Grace. Você devia ficar longe de mim.
Parecia um aviso sério, mas ela não podia deixar de notar que o garoto a procurava tanto quanto ela o procurava. Se não em seus momentos livres ou nos cantos mais reclusos da biblioteca, então com os olhos, sempre que estavam no mesmo ambiente.
Quem mais a fazia companhia quando ela estava fugindo dos amigos amuados era Fred Weasley. Com o ruivo, ela podia ser vista em público, o que parecia uma das grandes vantagens do relacionamento e, como ela, ele resolvera fingir que a coisa no quadribol não ocorrera e havia aceitado, semanas atrás, o seu cachecol de volta sem fazer comentários. As pessoas nem mais olhavam para os dois quando passavam juntos pelo corredor.
Era uma tarde de novembro quando Grace, passando pelo corredor do terceiro andar quando pôs os olhos nos gêmeos Weasley mais à frente.
Não passou pela sua cabeça que, com a reputação deles, vendo-os passeando em um corredor sozinhos, numa tarde de aulas, talvez devesse simplesmente dar as costas e se afastar. Mas, mesmo que tivesse pensando nisso, Fred já a havia visto e acenado para que se aproximasse. A janela mais perto dos dois estava com o vitral quebrado e um vento gelado vindo das montanhas passava pelas brechas silvando. Grace se encolheu em seu sobretudo e desejou ter posto meia-calças por debaixo do jeans.
—Olá. –Disse quando se aproximou o suficiente para que a ouvisse. –O que estão fazendo?
George a lançou um sorriso que só podia ser descrito como endiabrado.
—Testando nossa nova invenção.
Foi apenas com essa frase que Grace percebeu que eles podiam estar prestes a manchar seu histórico perfeito se ela fosse pega na cena do crime e apontada como cúmplice. Abriu a boca para comentar sobre isso, mas, nesse exato segundo, o caos se fez.
Alunos começaram a sair das salas de Feitiços e Runas Antigas no corredor adjacente, e no segundo seguinte todos eles estavam senso englobados por o que parecia uma tempestade de neve; névoa branca se fez por toda parte, e flocos de neve branca e macia voavam pelo corredor, impedindo toda a visão. Alunos exclamaram maravilhados enquanto flocos, que não eram gelados, caiam em seus narizes, mas os professores usavam suas varinhas para, com pouco sucesso, abrir a visão.
—Vai durar pouco. –George avisou em algum lugar à sua direta.
À sua esquerda, alguém segurou sua mão e a puxou para a outra parede do corredor. Sem ver nada, mas sabendo que era Fred, Grace se deixou ser levada até o lado da Estátua de Um Olho Só, e estava prestes a avisar que eles não conseguiriam se esconder todos os três atrás dela quando Fred murmurou “Dissendium”, e uma passagem se abriu baixa. Grace podia apenas ver o túnel escuro, e hesitou um segundo, mas logo estava sendo arrastada para dentro, e os três ficaram trancados bem a tempo quando o pequeno professor Flitwick passou procurando o responsável pelo pandemônio.
Os três ficaram em silêncio um momento. A parede atrás dela havia se tornado pedra sólida mais uma vez como se nunca houvesse sido nada além disso. À sua frente, uma escadaria longa se estendia sem que o fim pudesse ser visto. A lufana já havia ouvido falar em passagens secretas pelo castelo, mas parte dela sempre desconfiara de que era um pequeno mito.
—O que foi isso? –Perguntou, antes de se voltar para a passagem.
—Nosso kit natal. –Fred sorriu.
—Será chamado Tempestade de Neve. –George continuou.
—Testado e aprovado pelas Gemialidades Weasley.
Grace abriu e fechou a boca por um segundo.
—Bem... foi legal, eu acho. –Jamais havia tido nenhuma experiência como aquela em Hogwarts. Era conhecida como a garota quieta que na verdade era. –E então? Onde isso vai dar?
—Hogsmead. –Grace não se virou para ver qual dos dois estava falando; já começara a descer as escadarias com curiosidade, com os dois a seguindo de perto.
—Temos negócios a terminar lá.
—E você vem conosco.
A lufana quis negar e hesitar, mas era difícil dizer não aos dois gêmeos Weasley sozinhos. Juntos, eram imbatíveis. Por esse motivo, num instante Grace se viu os seguindo pela passagem. O teto era baixo, fazendo com que os dois tivessem que andar curvados, mas Grace era menor, e podia andar tranquilamente.
—O que vão fazer em Hogsmead? –Perguntou, finalmente.
Os gêmeos trocaram um olhar.
—Estamos pensando em comprar a Zonko’s.
—Expandir o negócio.
Grace abriu a boca, surpresa. Não pelo fato de eles estarem expandindo, mas porque, de repente, aquilo explicava o que eles estavam fazendo em Hogsmead no dia no passeio, quando Fred dissera que eles iriam ao Beco Diagonal dar uma olhada nas coisas da loja. “As coisas da loja” podiam facilmente ser o fato de que eles precisavam avalizar o imóvel da Zonko’s antes de compra-lo, e ela se deixara criar uma fantasia absurda sobre coisas que provavelmente jamais haviam passado pela cabeça de Fred.
A lufana não disse mais nada durante todo o caminho para o vilarejo, mas os ruivos não se calaram por um minuto. Eles tinham recursos infinitos de piadas baixas envolvendo duendes, varíola dragonina e, numa das vezes, uma Mimbulus Mimbletonia. Grace ria tanto que suas bochechas e abdome doíam, mas isso não os fez parar de forma alguma; parecia apenas incitá-los a continuarem indefinidamente.
A passagem secreta terminava em um alçapão de madeira. Os meninos o levantaram, e por um segundo Grace não reconheceu o depósito da Dedosdemel. Fred fez um feitiço para saber se havia alguém ali embaixo, e quando ficou claro que não eles subiram, se misturando aos poucos clientes como se não houvessem invadido de forma alguma.
Os meninos a pagaram doces. Grace não quis aceitar, mas, de novo, eles insistiram e não houve muito que ela pudesse fazer a respeito.
Em seguida, fizeram o caminho pela neve até a Zonko’s. O vilarejo estava ainda mais vazio sem os alunos caminhando, entrando e saindo de lojas. Na frente da Zonko’s uma mulher e um homem esperavam debaixo da soleira, com os braços cruzados contra o frio, mesmo com seus casacos aquecidos. O homem era baixo e magro, a mulher bonita e morena.
—Ah, aqui estão eles, Sr. Spellman. –Exclamou Angelina Johnson, quando notou os gêmeos se aproximando.
Grace desacelerou um pouco diante deles. Angelina usava um conjunto de saia justa e terninho por baixo do sobretudo, e parecia curvilínea e elegante. A lufana quis se esconder em seu suéter de texugos e jeans gastos. Para sua surpresa, Fred também desacelerou, ficando com ela para trás enquanto George andava sem parecer notar a ausência dos dois até onde estavam os bruxos.
—Você vai ficar entediada com a negociação. –Disse ele. Grace se perguntou se o ruivo a estava dispensando, após leva-la por todo aquele caminho. –Vou falar com George. Angelina é nossa... advobruxa. Os dois podem seguir sem mim, e eu e você vamos passear por aí.
—Você não tem que fazer isso. –Respondeu Grace ligeiramente constrangida. Tinha gostado do modo como ele dissera “eu e você”, como se fosse um objeto indissociável.
Fred nem a respondeu. Apenas acenou e deu alguns passos largos na neve, a deixando para trás. Trocou poucas palavras com os três bruxos ali, que olharam para Grace, e acenaram positivamente com a cabeça para Fred, então ele voltou, enquanto o resto do grupo seguia para dentro da loja fechada.
O ruivo a estendeu um braço, e Grace aceitou, grata pela pele quente dele contra a sua, então eles andaram.
Com Fred, raramente havia silêncio. Ela o perguntou sobre como andava a loja, e ele falou. Entraram no Três Vassouras, onde Grace começou a procurar por uma mesa enquanto o ruivo comprava cervejas amanteigadas no balcão, mas ele não a deixou ficar, e eles saíram de novo na neve, na direção do fim do vilarejo. Grace não quis reclamar, mas se sentia fria e úmida e a caminhada, especialmente desde que começaram a subir o morro, havia ficado cansativa.
Finalmente, deram de cara com a cerca de arames que delimitava a Casa dos Gritos. No inverno, ela se erguia negra contra o céu branco, como um sinal de mau augúrio. Grace hesitou quando Fred fez um feitiço para afastar as cercas e se abaixou, colocando uma perna por entre elas para passar. Numa placa de madeira as palavras em letras garrafais “MANTENHA DISTÂNCIA” saltaram aos olhos da garota.
—Você sabe, é assim que várias garotas são assassinadas no mundo trouxa. –Grace comentou, levemente.
Com um grande sorriso entretido, Fred se virou para ela e estendeu uma mão.
—Assassinato não. –Ele levantou as sobrancelhas. –Confie em mim.
Grace hesitou, e ele voltou pela cerca que os separava, tirando seu próprio cachecol vermelho e enrolando ao redor do pescoço dela, que usava apenas a gola rulê do suéter marrom. Então atravessou a cerca novamente e a estendeu a mão. Grace aceitou dessa vez e passou.
A casa dos gritos era ainda mais sombria por dentro do que era por fora, mas Grace se sentiu apenas feliz de se proteger do vento. As paredes pareciam como se houvessem sido atacadas por um animal: o papel de parede enegrecido havia sido rasgado. O piso e todos os móveis, também arranhados ou quebrados, estavam cobertos por uma densa camada de poeira, que se levantava em redemoinhos conforme eles andavam.
Uma mesa de três pés se erguia como uma sobrevivente no cômodo que parecia como a sala principal, depois do longo corredor que haviam percorrido. Um infeliz sofá puído e empoeirado se erguia e Fred usou sua varinha para tirar a camada mais grossa de poeira e colocar em cima da mesa suas cervejas amanteigadas. Quando ele moveu a mesa para mais perto, os pés de madeira deixaram rastros na poeira como carros na neve.
Ela ficou de frente para Fred, sem se juntar a ele quando o rapaz se sentou no sofá.
—Isso é... –Ela trocou o peso de uma perna para a outra, tentando não soar decepcionada. Quando ele dissera que a levaria a um lugar, ela imaginara o Três Vassouras ou, se sonhasse mais alto, o Madame Puddifoot. –Pouco usual.
Ele bateu no espaço livre ao seu lado, o que fez poeira se elevar do sofá em espirais. Grace afastou o nariz para evitar espirrar e Fred fez uma careta.
—Essa não foi uma ideia tão boa. –Admitiu. –Sente-se aqui comigo.
Grace se aproximou; Fred já estava tirando algo que parecia um doce de dentro do casaco. A lufana escorregou para o lugar ao lado do dele se esforçando para fazer o mínimo possível de poeira se erguer do sofá. O ruivo havia colocado suas garrafas de cerveja amanteigada em cima da mesa de madeira bamba diante deles, e agora tirava do bolso docinhos cor-de-rosa em formato de corações.
—O que é isso? –Não conseguiu se contar em perguntar, então mordendo o lábio e hesitante quando Fred a olhou com um tipo de olhar que dizia que ela havia acabado de morder a isca de mais uma longa conversa sobre seus planos para as Gemialidades, o que não era desagradável, mas ele fizera de propósito.
—Beijos de natal. –Ele respondeu num tom confidente, a empurrando um dos doces. –Nova invenção. Usamos algumas propriedades da Amortentia para que as balas tenham o gosto daquilo que o bruxo mais gosta. Prove.
A bala se dissolveu imediatamente em contato com sua língua, e tinha gosto do pudim de seu pai no natal, e do champanhe que às vezes sua madrasta a deixava beber escondida, mas apenas uma taça. Grace apertou os lábios, suprimindo um sorriso, mas Fred o viu mesmo assim. Ela considerou beber um gole de cerveja amanteigada apenas para evitar olhar para ele, mas não valeria apagar o gosto da ponta de sua língua, então ela apenas corou e desviou o olhar.
Quando chegou no dormitório da Lufa-Lufa mais tarde, encontrou Amy e Edward sentados juntos, discutindo qual era a melhor pena para escrever; se a de Fiuum ou Agoreiro. Grace se sentou quieta. Edward a lançou um olhar que indicava que havia notado sua ausência durante todo o dia, mas que estava muito ocupado tendo um momento amigável com Amy para enchê-la de perguntas, por enquanto.
Embora o recesso houvesse finalmente chegado, os dois continuavam com as tutorias, que haviam virado mais um reforço casual, onde eles praticavam feitiços enquanto conversavam amenidades. Fred falava sobre como ele e George passaram a vida confundindo a mãe que não conseguia os diferenciar, sobre seu irmão mais velho que era Desfazedor de Feitiços, o que deixou Grace interessada, mas Fred não estava muito por dentro do assunto. Às vezes conversaram sofre física e dividiam chocolates quentes contrabandeados da cozinha.
Eles haviam há alguns minutos terminado as práticas de defesa e agora Grace ajudava Fred com alguns cálculos, quando ele se irritou com a pena, cuja tinta tinha que se reabastecida a cada duas palavras.
—Sabe o que seria interessante? –Ele disse, finalmente. –Uma pena que guardasse a tinta.
Grace riu, então ele a olhou sério. A lufana o encarou completamente incrédula, por um segundo, depois colocou as mãos dentro de sua bolsa, procurando pelo aparato que a ajudava quando estava escrevendo, mas com o qual não podia fazer suas atividades. Finalmente seus dedos se enrolaram em torno de algo plástico e cilíndrico.
—Você quer criar uma caneta? –Ela puxou o objeto da bolsa e colocou diante dos olhos do ruivo.
Fred a olhou como se ela houvesse falado outra língua, mas aceitou o objeto de plástico que ela o estendeu e o girou na mão, sem saber fazer o que ele. Grace suspirou, destampou e segurou a mão de Fred como se estivesse ensinando uma criança a escrever, posicionando-a com a ponta firme no papel. Então, ainda segurando a mão do ruivo, a moveu, derramando tinta azul-escura ao formar linhas e curvas. Fred arregalou os olhos.
—Isso é ouro. –Murmurou. –Eu preciso de caixas disso.
—Você só precisa ir na Oxford Street. –Disse, distraída enquanto ele, agora sem sua ajuda, passava a caneta para cima e para baixo no papel. –Isso é... bem barato.
Ele a olhou incrédulo e comentou em voz alta sobre a possibilidade de vender algumas daquelas em sua loja de logros, que tinha uma seção de logros trouxas. Quando tentou devolver sua caneta, Grace o disse que tinha outras e o mandou ficar com aquela; dizer que ele parecera encantado era muito pouco.
—Então? –Ele perguntou quando o assunto se encerrou. –Vai voltar para casa no natal?
Grace encolheu os ombros tristemente.
—Meus pais estão mais seguros sem mim por perto. –Disse numa voz corajosa, mas que deixava entrever o quão triste a decisão a deixava.
—Isso não parece muito justo. –Fred sorriu, mas com empatia.
—Diga isso aos Comensais da Morte.
Ele passou um longo segundo fazendo acenos pensativos com a varinha e olhando uma folha de cálculos que ela fizera para ele sobre ressonância deixada em cima da mesa, antes de levantar a cabeça com determinação.
—Você devia passar o natal na minha casa. –Disse, finalmente. –Minha família vai estar lá, mas também Harry.
A lufana arregalou os olhos para ele, desviando o olhar depois enquanto corava fortemente. Considerou o fato de que Amy voltaria para casa. A amiga a teria convidado, mas com o sequestro recente de seu avô, pareceu mais correto dar espaço à família Ollivander. Edward e Sarah também voltariam para casa, e Edward até a havia convidado, mas Grace não se imaginava dividindo um quarto com a irmã gêmea insípida do amigo.
—Não sei, Fred. –Disse, timidamente. –Parece... não sei.
—Minha mãe vai ficar animada. –Ele argumentou. –Ela gosta de ter novas pessoas com quem exibir seus dotes culinários. A comida vai ser boa, a companhia vai ser boa. O que você tem a perder?
Sua hesitação tinha menos a ver com o que ela tinha a perder e mais com o que ela deveria para ele por esse favor. Poderia parecer um convite inocente, mas Grace não confiava em grifinórios tanto quanto não confiava em sonserinos. Ambos eram perigosos de jeitos diferentes e aquilo parecia subitamente muito perigoso.
Então ela teve uma ideia que colocava a ambos em pé de igualdade.
—Claro... se você for comigo para a festa de natal do Clube do Slugue.
Depois de fazer o convite, ela considerou que não era mesmo uma má ideia. Não podia chamar Edward ou Amy ficaria chateada e, como Amy estaria na festa, havia a possibilidade de o amigo não ter aceitado mesmo seu convite. Draco a recusara, e não havia mais ninguém que ela teria chamado além desses dois. Não tinha pensando em convidar Fred, mas agora que convidara estava feliz por tê-lo feito.
—Tudo bem. –Ele sorriu maliciosamente. –Me diga a cor do seu vestido para que eu combine a gravata. George vai ficar magoado. Somos um pacote duplo.
Grace revirou os olhos.
—Se uma garota namora um de vocês, ela namora ambos.
—Sem dúvida. –Ele a lançou um olhar lascivo, mas de brincadeira.
—Não é um casamento, Weasley. –Brincou, voltando ao assunto anterior antes que suas bochechas ficassem vermelho-vivo. Em seguida ficou séria. –Obrigada mesmo, Fred. Pelo natal.
Ele sorriu de volta.
—Não se preocupe com isso.
Em tempos de inverno, seus colegas de Casa passavam as noites ao pé da lareira, calçado com meias listradas, encostados nas almofadas amarelas e pretas ou em cima das poltronas macias, os pés estendidos para o fogo alaranjado que alongava suas sombras e lançava luzes dançantes nas paredes e nos quadros, e se refletiam nas janelas, fazendo parecer que o castelo pegava fogo lá fora.
Perto disso, a ideia de ir para festa de natal de Slughorn não era assim tão tentadora. Ainda assim, às oito horas Grace e Amy deixaram juntas o Salão Comunal quente e confortável em direção às frias masmorras sonserinas.
Estava provavelmente muito frio para usar o específico vestido dourado de seda, curdo e rodado, que ela havia escolhido para a ocasião. Grace colocara por cima a única capa que tinha que não era da escola: uma capa marrom cor de café, de veludo, com um capuz forrado de seda. Havia percebido depois de alguns anos no mundo da magia que bruxos não eram muito afeitos a jaquetas e encomendara a peça em Madame Malkin’s para se sentir um pouco mais como se fizesse parte daquele mundo. Tivera poucas oportunidades de usá-la, mas a levava em todas as malas que fazia.
Amy usava um vestido de veludo preto e justo, que a deixava curvilínea e brilhante. As duas meninas fizeram, juntas, seu caminho em direção às masmorras, pelos corredores enfeitados de azevinho.
Fred a esperava elegante em vestes de festa pretas, no corredor que descia para as masmorras no saguão do castelo. Ao lado dele, mas não com ele, estava Zacharias Smith, parecendo bonito, mas com um ar arrogante em seu queixo, nas próprias vestes de festa. Grace segurou o braço de Amy, parando-a em seu caminho enquanto os garotos ainda não as haviam visto.
—Você vai com Smith? –Perguntou para a amiga em voz baixa.
Amy revirou os olhos.
—McLaggen já estava ocupado. –Ela deu de ombros com delicadeza.
Grace reprimiu um ganido indignado.
—Amy.... –Começou a dizer, apenas um pouco condescendente, mas a amiga se voltou de seu aperto e virou o rosto como se não a tivesse ouvido.
Os passos decididos da outra chamaram a atenção dos meninos para a sua chegada. Fred passou os olhos por Amy com um aceno desinteressado, em seguida olhou para Grace e abriu um grande sorriso. A própria Grace teria tido vontade de conversar um pouco mais com a amiga, mas, em vez disso, apenas abriu um sorriso de volta para o rapaz ruivo, fazendo um caminho cuidadoso em sua direção em cima dos saltos emprestados por Cho, cor de champanhe, que combinavam com o vestido.
—Você está muito bonita. –Ele comentou quando ofereceu a ela o braço para que pegasse. Mais friamente, Zacharias e Amy já desciam o corredor na frente deles.
Grace olhou para si própria, sentindo-se corar.
—Mesmo? –Ela passou a mão livre pelo tecido frio do vestido. –Não acha muito... dourado?
O rapaz ao seu lado respondeu com uma risada nasal.
—Ah, sim. –Respondeu, ainda risonho, os sons de conversa e música já audíveis conforme eles se aproximavam da sala de Slughorn. –Vão acabar colocando você no lugar na estrela na árvore.
A enorme sala do mestre de Poções –enorme talvez por magia, talvez por ter sido construída assim –tinha os tetos e paredes forrados com panos esmeralda, carmim e dourado, perfeitamente natalinos. A sala estava cheia de alunos, e se tinha uma impressão de abafamento pela luz dourada que fora acesa do teto, um lampião cercado de fadinhas de verdade, em várias cores, voando satisfeitas em serem notadas. Uma banda tocava ao fundo músicas bruxas que Grace não conhecia e elfos domésticos à altura dos joelhos passavam para cima e para baixo com bebidas e petiscos em bandejas de prata.
O anfitrião, usando chapéu e smoking de veludo combinando, notou logo a sua entrada, e veio na direção deles em seus passos curtos e ligeiros, com um grande sorriso.
—Srta. Moore! –A cumprimentou balançando sua mão com entusiasmo. –Que bom que veio! Que bom! Acabei de apresentar o Sr. Potter a Eldred Worple, escritor de biografias. Mas você! Bem, lembro de ter comentado comigo que gostaria de ser Desfazedora de Feitiços, pois muito bem! Um de meus melhores ex-alunos concordou em estar aqui hoje, e deixe-me apresenta-la.
O professor foi se posicionando para colocar a mão em suas costas, mas ela se virou para Fred.
—Ah, professor, não posso deixar meu acompanhante. O senhor conhece Fred Weasley?
—Ah. –Slughorn pareceu menos entusiasmado. Afinal, Fred não estava na turma de Poções, embora fosse parte do time de quadribol. Mas era grifinório e um Weasley. –Sr. Weasley, seja bem-vindo.
—Obrigado, professor. –Fred respondeu formal, antes de se virar para Grace. –Vá em frente. George veio com Melinda, e acho que os estou vendo ali. Nos vemos em um segundo.
Grace ainda fez como se fosse protestar, mas antes que dissesse qualquer coisa já estava sendo levada pelo professor para o outro lado da tenda e Fred tinha se enfiado entre um grupo de setimanistas da Corvinal, que incluía Cho, Marietta e Miguel Corner. A Grace, só restou deixar sua capa com um elfo doméstico que apareceu para recolhê-la e seguir o professor por dentro da festa.
O professor a guiou, com uma mão em suas costas, para um grupo de homens entre seus quarenta e sessenta anos, com uma nuvem de fumaça de cachimbo acima de suas cabeças e roupas impecáveis. Grace se sentia exposta com seu vestido, sem a sensação familiar do jeans em suas pernas, mas os homens também a fizeram se sentir como se fosse muito nova e imatura mesmo para falar com eles.
—Arcturo! –Slughorn chamou com entusiasmo, ao que o mais novo do homem, de cabelos castanho escuros pincelados de grisalho nas têmporas e olhos verdes, se virou com um grande sorriso. –Arcturo, esta aqui é Grace Moore. Um prodígio em Aritimância; quer ser Desfazedora de Feitiços! Grace, este é Arcturo Bloxam. Um dos mais antigos desfazedores do Gringotts.
—Prazer em conhece-lo, senhor Bloxam. –Grace estendeu uma mão timidamente. Bloxam deixou o cachimbo que segurava em uma das bandejas carregadas por um elfo e estendeu de volta uma mão grande para ela.
—Ora, faz algum tempo desde o último desfazedor formado em Hogwarts. –Ele disse a ela. –O meu último orientando foi Penélope Clearwater. Mas você é uma das pupilas do velho Slug e, por isso, devo acreditar que será a próxima.
Grace olhou ao redor, mas o próprio “velho Slug” já havia sumido como um fantasma, provavelmente para o próximo aluno promissor.
—Bem, eu venho me dedicando às matérias necessárias já há quatro anos agora. –Grace contou a ele. –Mas você parece muito novo para ser um dos mais antigos, senhor.
Bloxam riu alto.
—A maioria dos Desfazedores de Feitiços se aposenta cedo, por causa da periculosidade do trabalho. –Explicou. –Ou vira orientador em tempo integral. Mas eu continuo no negócio de viagens. Acabei de voltar do Brasil há dois meses agora. Coisa incrível; uma cobra gigante no Amazonas...
Embora devesse estar preocupada em ter largado seu par, Fred foi varrido para um lugar mais ao canto de sua mente enquanto ela ouvia algumas histórias e tirava algumas dúvidas com o Sr. Bloxam. Ele era um daqueles Desfazedores de Feitiço que realmente amava o trabalho de campo; se infiltrar em pirâmides, em matas virgens, jamais alcançadas pelos homens. Havia estado na África, na América Central e na Oceania e havia algo no modo como ele falava que entregava uma simplicidade segura. Ele não estava a tentando convencer de nada; apenas falava, como alguém fala de um parente engraçado de quem não se tem tanta proximidade.
Foi apenas cerca de meia hora depois que uma garota do terceiro ano da Corvinal os interrompeu educadamente, e, quando percebeu que eram parentes, Grace agradeceu pela conversa e se retirou com discrição: um aperto de mão firme e a promessa de que se veriam em Gringotts ao fim do ano letivo.
A festa estava ainda mais cheia do que antes e foi difícil encontrar seus amigos no meio de diversos tecidos coloridos; algumas garotas usavam vestidos justos e brilhantes, outras, vestidos abertos com penas de pássaros mágicos. Finalmente, ela localizou o cabelo ruivo de Fred ao lado do cabelo ruivo de George; os dois meninos num grupo de setimanistas.
—Eu realmente não a vi. –Dizia Fred a Córmaco McLaggen quando Grace se aproximou, com um sorriso que indicava que mentia.
—Talvez em seus bolsos? –Sugeriu George com a mesma voz falsamente inocente.
McLaggen praguejou para eles por um segundo e se virou furioso, quase esbarrando no ombro de Grace, deixando as risadas não apenas dos gêmeos, mas de Melinda Bobbin, Cho Chang, Miguel Corner, Amy e até Zacharias para trás. Grace ficou bastante surpresa em ver Zacharias junto ao grupo, mas, supôs, a Água de Gilly, que provocava risadinhas e os deixava mais propensos a se darem bem, devia ter algo a ver com isso.
Fred a estendeu uma mão quando Grace se aproximou, abrindo espaço entre ele e Cho para que ela se juntasse ao grupo. “Então Slughorn não empalhou você? Isso é um alívio”, comentou ele com um riso.
—Ele me apresentou a um ex-aluno que é Desfazedor de Feitiços. –Contou. –Ele tem boas intenções, sabem?
—Não sei quanto às intenções. –Melinda deu de ombros. –As festas são boas, ao menos. Ele está servindo hidromel, mas não vimos sinal de uísque de fogo. Uma decepção.
Então Grace notou que ela tinha o braço enlaçado no de George.
—Não sabia que vinham juntos. –Comentou Grace, interessada.
—Negócios. –George disse imediatamente.
Melinda concordou com um aceno e um gesto um pouco desbocado de mão, como se o álcool começasse a fazer efeito em seu sistema.
—Verdade. Eu não queria vir só e ele queria vir. –Ela explicou –Grifinórios se ajudam.
Após esse diálogo, a banda começou a tocar uma balada. Grace não teria dado atenção nenhuma, mas assim que as primeiras notas começaram, George chamou Melinda para dançar e, como se todos esperassem apenas o primeiro movimento, após isso os casais saíram em pares para a pista de dança; mesmo Amy e Zacharias, que jamais haviam sido próximos até aquela noite. A lufana de vestido dourado se escolheu contra a parede como se assim pudesse sumir. Sabia bem que bruxos costumavam ter aula de danças de salão desde a infância, mas ela não sabia nada sobre dançar e temia fazer um papelão na pista.
Parecendo completamente ignorante de seus medos, Fred a estendeu a mão com um de seus gestos expansivos e um floreio de braço. Não havia forma de recusar.
—Não sei dançar. –Avisou a ele, ansiosamente, mesmo enquanto ambos já andavam para a pista de dança.
Fred a posicionou de frente para ele e guiou uma de suas mãos ao ombro dele, segurando a outra entre a sua. Grace olhou para a sua mão, apenas um tom mais escura do que a dele, sumindo entre seus dedos longos.
—Depende de quem guia. –Fred sorriu.
Grace logo descobriu que ele estava certo. Seguir os movimentos dele era mais fácil do que ela havia imaginado que seria. Ele a segurava firmemente e seus corpos estavam tão próximos que ela quase podia prever a contração de seus músculos antes que ele se movimentasse, a permitindo se movimentar junto. Fred tinha aquele cheiro almiscarado de madeira e pólvora que ela havia sentido em seu cachecol, porém mil vezes mais concentrado. A cabeça dela batia apenas em seu peito, mas ele olhava para baixo de forma que os olhos castanhos dela estavam grudados em seus olhos esverdeados por toda a dança.
Mais de uma música tocou sem que ela notasse a troca, ou os pares entrando e saindo da pista. Ela apenas ouvia seu coração batendo forte contra seus ouvidos, o sangue correndo pelas suas veias. Sentia-se quente e estava se perguntando se ele podia sentir também quando George, girando Melinda com habilidade, se aproximou deles e sussurrou para Fred num tom de voz baixo que Grace apenas ouviu por estar realmente perto.
—Malfoy acabou de passar aqui e agora Harry sumiu.
Grace sentiu Fred tencionando e se afastando dela, mas não estava dando atenção. Então Draco havia ido à festa? Com quem, se ele dissera que não fora convidado pelo professor. Embora a frase sugerisse que já havia ido embora, Grace olhou ao redor, procurando um brilho prateado de cabelo louro. Não achou nada; e notou que Fred falava com ela.
—Grace, você pode ficar sozinha um minuto? Eu e George voltamos logo. –O rosto dele estava próximo do dela ainda, a olhando com intensidade. –Melinda está logo ali. Volto logo.
A lufana observou os dois sumirem na festa, a visão de sua saída sendo impedida por um grupo de meninas que dançavam juntas, rodopiando em seus vestidos coloridos. Grace se virou. De fato, Melinda havia sido deixada sozinha, agora com Córmaco, que parecia também ter sido deixado pelo seu par. Cho e Miguel dançaram aos risos perto dela. Grace apertou a boca por um instante e, ao invés de se juntar à amiga grifinória, fez o mesmo caminho traçado por Fred e George.
Quando saiu para o corredor, sentiu uma sensação de irrealidade por um segundo. Era como se estivesse escapado de um sonho colorido para um em preto e branco; a luz amarelada do archote estava baixa, quase se apagando, o corredor estava vazio e, exceto pelo som quase fantasmagórico de conversas e músicas vindo da sala ao lado. Não havia sinal de que alguém havia passado por ali em algum momento anterior; nem Draco, nem Potter, nem mesmo Fred ou George. Grace escolheu arbitrariamente um dos lados e foi andando para ele.
Havia acabado de virar a esquina do corredor, decidida a ir apenas ao final deste e voltar se nada encontrasse, quando no corredor que acabara de deixar uma porta bateu com força e violência. Grace deu um pequeno pulo, levando as mãos ao coração e prestes a dar meia volta para o corredor da festa, quando ouviu passos apressados em sua direção. Estava prestes a sir do caminho de quem quer que fosse quando um peito de músculos magros colidiu com ela ao virar a mesma esquina. Ela teria sido jogada para trás com o impacto, mas alguém a segurou, parando com um tranco, pela cintura, de forma familiar.
—Grace? –Perguntou a voz, o tom agressivo não deixado para trás, então demandou, exigente. –O que faz aqui?
Grace se encolheu um pouco com a aspereza da voz geralmente aveludada.
—A festa de Slughorn. –Piscou, tentando se afastar dele. Draco, porém, a segurava com firmeza, mas talvez não de propósito. A olhava como se ela fosse um animal venenoso que surgira em sua cama sem aviso. A garota continuou, ainda mais timidamente. –Você sabe... eu estava... bem...
Ele a soltou subitamente e ela quase cambaleou para trás, se segurando na parede. Draco balançou a cabeça, a olhando agora com um tipo de reconhecimento.
—A festa, é claro. –Quando falou agora, sua voz era um pouco mais macia, como alguém que tenta acalmar um animal assustado. –Havia esquecido.
—Mesmo? –A lufana o olhou. –Ouvi dizer que esteve lá agora há pouco.
Draco desviou o olhar dela para o corredor que deixara para trás, em silêncio, parecendo como se ouvisse alguma coisa.
—Não. Estava... procurando o professor Snape apenas. –Grace se sentiu tão aliviada que teve vergonha por um segundo e sangue vermelho inundou seu rosto, corando suas bochechas. Ele finalmente se virou para ela e deixou o olhar escorregar de seu rosto para o vestido e o salto que a deixava mais alta, batendo em seu queixo quase. –Está bonita.
Grace ficou sem palavras pela mudança abrupta de assunto. Eles se encararam em silêncio.
—Draco. –Ela chamou quando os olhos dele saíram do rosto dela mais uma vez. –O que está havendo?
O sonserino espremeu os lábios, os olhos ainda no chão entre eles. Grace, se sentindo ousada, deu um passo para perto e o segurou pelo queixo, para que levantasse a cabeça para ela, com gentileza; os dedos apenas tocando a pele. Ele fechou os olhos com a carícia.
—Não está havendo nada. –Respondeu, os olhos ainda fechados. –Por que estaria?
Ela sentiu como se uma garra invisível apertasse seu coração.
—Não sei... é uma sensação que tenho.
Por um segundo, Draco se inclinou para frente, até que a testa estivesse encostada na dela. A respiração dele se misturou a dela. Grace estava tensa como uma corda, as costas retas, as mãos geladas, o coração batendo com força. Então ele respirou fundo, aspirando seu cheiro, e se afastou tão rapidamente que ela pensou se havia sido verdade. Então se afastou ainda mais dando um passo para trás.
—Volte para a festa. –Apesar das palavras, seu tom era mais triste do que imperativo. –Feliz natal, Grace.
Quando recuperou a voz, ele já havia saído do corredor em seus passos longos, virando na direção do que provavelmente era seu Salão Comunal.
—Feliz natal, Draco. –Murmurou para o escuro.
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