Notas iniciais
Bem, sendo quarta, acho que já está na hora de postar o novo capítulo! Eu realmente achei que ia demorar um pouco mais essa semana, por ser a última semana para entregar os trabalhos da faculdade, mas, surpreendentemente, o fato de eu estar cheia de trabalhos e o fato de que devis estar me dedicando a eles apenas me dá mais ideias para escrever. Pura procrastinação dos meus deveres. Enfim. Espero que gostem desse capítulo levinho! Boa leitura e nos vemos nas notas finais!

"And it's all fun and games
'Til somebody falls in love
But you've already bought a ticket
And there's no turning back now"

Fred estava encostado em suas pernas, sentado no chão, enquanto eles se encontravam diante da lareira em sofás confortáveis.

De onde estava, com um chocolate quente em mãos, podia ver que Gina roubava de ambos os gêmeos nas cartas. Os três formavam um triângulo no chão, em cima do tapete da Sr. Weasley, que a havia recebido imensamente bem em sua casa desde que chegara. Ela não era a única convidada para o natal; Harry Potter, Fleur Delacour e Remus Lupin também estavam lá (Grace ficara surpresa e feliz com a presença do ex-professor, e o cumprimentara entusiasticamente). Uma música de Celestina Warbeck tocava no rádio, e no sofá ao lado Lupin e Potter conversavam.

Grace havia dado de presente para Fred uma caixa de canetas de ponta retrátil. Já estava se arrependendo, porque o ruivo, desde que as tirara de sua meia, não parava de apertá-las fazendo a ponta sair e entrar na caneta de plástico, num irritante barulho característico. Não havia dito aos seus pais que estava deixando Hogwarts para o natal, ou eles iriam querer receber uma visita. Ao dizer isso à Sr. Weasley, ela ficara profundamente comovida e a dera uma caneca extra do chocolate quente que Grace ajudara a preparar. Em suma, estava sendo um bom natal.

Lupin e Harry estavam tendo uma conversa sobre lobisomens e missões, mas, quando Grace se virou, um pouco curiosa, para ouvir, Fred a distraiu a pedindo ajuda com as cartas, ao que ela se inclinou sobre o ombro dele, deixando os outros dois de lado, mesmo sob a sensação de que Fred o fizera de propósito.

Os mais novos (em idade de Hogwarts) eram os únicos a saberem que a estrela no topo da árvore era um feio gnomo estuporado por Fred e pintado de dourado por Gina. Havia acontecido ainda naquela manhã, logo após Grace voltar de suas compras de natal em Londres. Ainda era bastante insegura quanto à sua aparatação, embora tivesse a licença, então Guilherme havia aparatado com ela até o Beco Diagonal, onde ele trabalhava no Gringotts, e de lá ela andara até a Londres trouxa.

De qualquer forma, quando voltara à Toca por Pó de Flú, descobrira que todos estavam do lado de fora, desgonomizando o jardim fofo de neve; e chegou bem em tempo de presenciar a cena do gnomo pulando com uma boquinha cheia de dentes para os dedos do ruivo.

Fleur, ao lado de Gui, do outro lado da sala, rivalizava com a cantoria de Celestina Warbeck, falando em um inglês com forte sotaque sobre como eram seus natais na França. Grace não estava prestando atenção. Fora alocada num quarto com Fleur e Gina, e o clima era o mais pesado possível entre as duas garotas, a deixando no meio. Não tinha intimidade com Gina, mas se davam bem. Fleur, por outro lado, e Grace não achava que ela fazia de propósito, parecia deixar todas as garotas num raio de muitos quilômetros extremamente desconfortáveis, sem falar em ansiosas com a própria aparência. Ao lado da francesa, Grace sentia que parecia uma menina muito nova ou um garoto magrelo, sem curvas.

Por isso, estava usando um suéter ainda maior do que o normal, para tentar disfarçar sua falta de curvas, e se enrolava no sofá como uma bola sempre que a outra se aproximava.

Gina já havia ganhado, um pouco roubando e um pouco por mérito próprio, quatro partidas para os gêmeos quando Fleur começou a fazer uma imitação nasalada de “Um Caldeirão Cheio de Amor Quente e Forte” quando, notando a Sr. Weasley fumaçar pelas narinas, todos os jovens juntaram suas coisas e subiram as escadas apressador para os quartos.

Por sorte, Fleur ficou embaixo, o que deu às duas outras meninas a chance de trocarem de roupa em paz, colocando seus pijamas quentes e meias. Nevava lá fora; a neve caindo quase brilhante, levemente contra a janela e o fundo escuro. O quarto era aquecido magicamente; cascas vazias de ovos de dragão conservavam calor e Charles, o segundo filho, pelo que Fred dissera, sempre mandava algumas da reserva de dragões onde trabalhava. A sr. Weasley colocava as cascas de diferentes cores embaixo das coberta e elas aqueciam os lençóis à noite, embora queimassem se fossem tocadas com a pele nua.

O quarto de Gina era uma mistura de papéis de parede floridos e pôsteres das Harpias de Hollyhead em tons de verde. Havia uma cama de casal que parecia ter pertencido aos seus pais, onde estavam dormindo ela e Grace. Outra cama havia sido colocada do lado, onde Fleur vinha dormindo. Grandes meias vermelhas com feitiço de extensão estavam colocadas em cima da cama e Gina pulou nelas:

—Presentes!

Animada, Grace se sentou de seu lado da cama, junto da garota ruiva, cada uma interessada em seus próprios presentes. Ganhou um hidratante mágico com chifre moído de unicórnio que deixava sua pele brilhando de Cho, e um caderno para cálculos aritimânticos de Amy. Perfume de Edward e doces de Melinda. George a deu uma caixa de produtos mata-aula da gemialidades, o que ela só pôde interpretar como uma ironia, porque eles conviviam o suficiente para que ele soubesse que ela jamais os usaria. De Fred, ganhou um cachecol vermelho tricotado, com feitiços de aquecimento e ligeiramente desfiado nas pontas.

Dos pais ela sempre ganhava coisas trouxas para que, segundo eles, não se esquecesse de onde vinha. Naquele ano, ganhou um romance trouxa de Jane Austen e um globo de neve da London Eye; grande o suficiente para cobrir toda a palma de sua mão, com neve caindo ao redor da roda gigante quando ela o balançava.

Em seus cálculos, ela já havia recebido presentes de todos os seus amigos. Ainda assim, uma caixinha preta de veludo se insinuava no fundo da meia, fechada por uma fita verde-esmeralda, sem nenhum cartão. Mordendo os lábios, Grace soube de quem era imediatamente. Havia mandado ela mesma algo para Draco: um cachecol que comprara naquela manhã na Londres trouxa quando saíra para comprar presentes para os anfitriões. Era de lã e tinha um padrão de teclas de pianos ao longo de seu cumprimento. Achara a cara dele, mas não esperava receber nada de volta. Na verdade, tendo o comprado em uma loja trouxa, pensou que talvez ele fosse acabar por queimá-lo.

Quando abriu a caixinha preta, notou, antes de tudo, um colar de corrente dourada extremamente fina, com uma única esmeralda verde como pingente. Era do tamanho da unha de seu dedo polegar, discreta e brilhante. Dentro da caixa, havia um recado:

Grace,

Este colar estava no cofre da família Malfoy, mas pensei que ficaria melhor em você. Pertenceu a minha avó, de quem eu gostava muito, embora ache que eu era um dos poucos. Espero que goste do presente,

—Uau. –Gina olhava com cima de seu ombro. Não para a carta, mas para a joia. –Que colar lindo.

Grace ainda estava um pouco congelada, o colar em mãos. Queria colocá-lo no pescoço imediatamente, mas ao mesmo tempo não sentia que podia aceitar um presente como aqueles; que provavelmente estava na família de Draco há centenas de anos. Não teve que decidir sozinha, porém.

—Aqui. –A ruiva voltou a falar. –Me deixe colocar em você.

Relutante, Grace deixou o colar cair em suas mãos. Num instante, as mãos habilidosas de Gina o fecharam em seu pescoço. Grace pulou da cama e foi até o espelho. Mesmo de pijamas, ele parecia incrível nela, contra a pele branco-mel. Então as meninas ouviram o som suave de Fleur subindo as escadas e correram para a cama, com risinhos baixos, se enfiando debaixo da coberta e fechando os olhos, fingindo dormirem até que adormeceram de verdade.

Na manhã de natal, Grace acordou com alguma coisa pegajosa e quente escorrendo do nariz e a fazendo cócegas. Ao passar as costas da mão pelo rosto, estas voltaram num tom escarlate berrante. Grace suspirou. Isso sempre acontecia no inverno. Seu pai, que era médico, chamaria de fragilidade capilar. A Grace, era um terrível infortúnio.

Saiu da cama com pressa. O banheiro estava ocupado, e Grace ficou parada à porta, a cabeça jogada para trás, sentindo o sangue descer metade pelo seu queixo e a outra metade para a garganta. Bateu depois de um minuto. Ela ouviu a torneia sendo ligada e desligada e, em seguida, alguém abriu a porta.

—Meu Merlin! –Fred exclamou, grudando-se ao portal para que ela passasse por ele, em seguida a acompanhando para dentro do banheiro.

—Você vai se sujar. –A garota tentou afastá-lo com o braço.

—Não tenho nojo do seu sangue. –O garoto estendeu a mão para afastar seus cabelos do rosto, impedindo as mechas douradas de se sujarem.

Grace abriu a torneira, que soltou água quente, fazendo os canos gemerem um pouco e baixou sua cabeça, sem responder, lavando o resto e o pescoço ensanguentados. Fred ficou atrás dela, ela sentiu, segurando seus cabelos para que não molhassem. A água quente fumegava um pouco, mas Grace não se importou. O nariz continuava sangrando, mas Fred a entregou um pouco de algodão tirado do armário, para que ela o pressionasse na cavidade nasal.

—Espero que não tenha sujado a cama de Gina. –Comentou, constrangida.

Fred tentou abrir um sorriso, mas suas sobrancelhas ainda estavam juntas, formando um vinco de preocupação no meio da testa.

—Obrigada pelo cachecol. –Grace disse, a voz nasalada por causa do algodão. –É adorável.

—Pensei que você podia ter algo vermelho, embora agora eu ache que vi vermelho demais em você para uma vida inteira. –Ele respondeu, ainda com ares preocupados. Uma mão estava estendida na direção dela, como se pretendesse firmá-la, mas jamais havia alcançado o destino. Ele deixou a mão cair ao longo do corpo. –Não foi nada perto daquelas canetas.

—Detesto vê-lo irritado com as penas. –Grace sorriu. –É melhor eu voltar para o quarto e limpar qualquer sujeira que tenha sido feita.

Fred entrou em seu caminho.

—Melhor ir lá embaixo. Mamãe pode parar o sangramento em um minuto. Percy e Charles também tinham sangramentos nasais quando eram novos.

—É fragilidade capilar. –Ela murmurou baixo, como que se explicando, mas Fred já estava descendo as escadas e, após um segundo, ela o acompanhou.

Os dois desceram as escadas e, como seguia atrás do ruivo, Grace teve um momento para poder apreciar suas costas; os ombros largos que se estreitavam na altura da cintura, os quadris ainda mais estreitos nas calças de pijama xadrez, e até o pescoço um pouco sardento e pálido. Ele a deu um olhar desconfiado quando virou a cabeça. “O quê?”, perguntou. “Nada”, Grace respondeu rapidamente, se sentindo corar.

Lá embaixo, a Sra. Weasley estava na cozinha e era a única pessoa acordada. Com a varinha em mão, supervisionava uma série de tarefas feitas por magia. Partia cenouras, colocava uma travessa no forno à lenha e colocava duas grossas agulhas para tricotar uma peça amarelo ocre. Quando Fred e Grace surgiram em sua vista, ela pareceu bastante surpresa, mas os colocou na mesa, onde havia servido ovos e torradas.

—Comam um pouco. –Mandou, distraída. –Teve uma boa noite, Grace, querida? Tenho algo para você.

—Para mim? –Grace trocou um olhar com Fred, que sorria. –Eu não...

—Aqui. –A sra. Weasley convocou das agulhas a peça amarelo ocre. Grace via agora que era um suéter, com um grande G no meio tricotado em linha terracota.

—Sra. Weasley, muito obrigada mesmo. Não precisava, eu...

—Na verdade, mamãe. –Fred interrompeu enquanto a Sra. Weasley murmurava que não tinha necessidade de agradecer. –Grace teve um sangramento de nariz essa manhã. Por isso descemos.

Com eficiência de uma bruxa com sete filhos, a Sra. Weasley tirou a varinha de um bolso no avental branco imaculado e, em um feitiço mudo, curou seu sangramento. Grace baixou o algodão e virou-se para Fred, que confirmou que estava tudo bem, então agradeceu a Sra. Weasley, e se juntou a ela na cozinha para ajudar com o preparo do almoço.

A manhã se passou rapidamente assim; a Sra. Weasley cuidou do peru, mas deixou Grace fazer uma salada de batatas e molho de cranberry. Os outros dormiram durante a maior parte da manhã. Fred ainda passou algum tempo tentando ajudar, enquanto sua mãe o despachava para longe da comida, mas depois ele desistiu e subiu de volta para o quarto que estava dividindo com George e Gui.

—Ele apenas queria impressionar você. –A Sra. Weasley falou num tom cúmplice. –Nunca ajuda na cozinha.

Quando Fleur acordou, também se ofereceu para ajudar na cozinha, mas a Sra. Weasley se opôs categoricamente, o que criou uma discussão até que Gui descesse e sugerisse a Fleur que fossem na vila de Ottery St. Catchpole ali perto comprar vagens e alcaparras. Fleur saiu da cozinha balançando seus longos cabelos louros com arrogância, e Grace notou Gui lançando um olhar insatisfeito para a mãe, que fingiu não ver.

Uma vez que o almoço estava pronto, ou quase, a Sra. Weasley a mandou embora da cozinha, e Grace subiu de volta ao quarto de Gina para descobrir que a ruiva estava acordada, apenas trancada fingindo dormir para evitar ser obrigada a ajudar nas tarefas domésticas. Grace vestiu seu suéter novo com uma calça jeans e enrolou os dedos nos cabelos curtos cor de mel na expectativa de fazer alguns cachos nos fios, mas não funcionou. O seu novo colar estava com o pingente dentro do suéter, mas ela o deixou lá, quente pelo contato com sua pele, e vestiu também o novo cachecol vermelho dado por Fred.

Quando desceu novamente para o almoço de natal, todos já estavam lá, em seus suéteres tricotados, exceto a Sra. Weasley, que usava presentes expansivos dos filhos, e Fleur (o que fez Grace se sentir constrangida com seu próprio suéter, exceto que Fleur não parecia em nada preocupada com isso). Como acontecia em grandes famílias, várias conversas paralelas aconteciam ao mesmo tempo. Gina e George haviam trocado de suéteres, e o ruivo alto usava um suéter pequeno e curto com um G no peito, enquanto a garota usava um grande suéter com o mesmo G. George se recusou a trocar. A Sra. Weasley conversava com Fred e George, perto de Gui e Fleur, enquanto Harry mantinha uma conversa com o professor Lupin. Grace, por outro lado, de seu lugar junto ao Sr. Weasley, explicava a profissão de seu pai, que era médico, assunto no qual ele demonstrava o maior interesse.

—Existem aparelhos para isso. São chamados de magnéticos, porque são como ímãs e....

Mas sua explicação foi interrompida por uma exclamação da Sra. Weasley.

—Arthur! –Chamou ela de repente, e o Sr. Weasley se virou para a esposa com um ar quase alarmado. –Arthur... é o Percy!

Todos os presentes se viraram para olhar pela mesma janela a qual a matriarca apontava. De fato, pelo pomar, vinham andando um rapaz magro e alto, com óculos redondos e ar superior, que fora o monitor-chefe em seu quinto ano.

—Arthur, ele está... com o ministro!

Um homem acompanhava os passos do rapaz ruivo, mancando um pouco. Tinha uma cabeleira grisalha como uma juba e seu casaco estava salpicado de neve branca. Mais cedo do que ela esperava e antes que qualquer um deles parecesse pronto, a porta dos fundos se abriu e os dois ficaram um segundo contra o portal, sendo iluminados por trás. Houve um silêncio denso, do tipo que é possível quase tocar. Grace mirou Fred, que tinha um tipo de expressão impassível.

—Feliz natal, mamãe. –Disse Percy.

A matriarca, emocionada, se jogou em seus braços sem hesitar.

Embora, segundo o ministro, Percy tivesse insistido em passarem ali para que visse a família, após abraçar a mãe, Percy apenas passou os olhos pelo resto deles, parecendo desconfortável. A Sra. Weasley, parecendo afobada em oferecer comida e acomodação ao ministro da magia, fez como se não notasse o clima pesado. Uma vez, por outro lado, que Rufus Scrimengeour pediu para dar um passeio com Harry Potter, Grace sentiu Gui ficando tenso ao seu lado, e viu os olhos dos gêmeos se estreitando.

—Ah, eu vou. –Harry disse, quebrando o silêncio, ao se levantar da cadeira e passar por eles. –Tudo bem. –Acrescentou, quando o Sr. Weasley pareceu prestes a falar.

Mais um silêncio se seguiu com a saída do ministro, embora Molly tivesse sucedido em fazer Percy ocupar um lugar na mesa, numa ponta isolada, de frente para todos os outros, como num julgamento. Grace se perguntou se seria rude ou educado dar uma desculpa qualquer e se retirar, em seguida se perguntou se alguém sequer notaria.

—O que o ministro quer com Harry, Percy? –Remus Lupin perguntou com seu costumeiro ar tranquilo.

A Sra. Weasley ansiosamente serviu ao filho pródigo uma taça de pudim. Percy não fez menção de tocá-la.

—Potter está sua posição de grande poder agora. –Disse, finalmente, num tom pretencioso. –É de se esperar que tenha contato com pessoas poderosas.

Fred se serviu de purê de pastinaca.

—E agora você vai usar a sua posição, se aproximando da família por poder também, para usar Harry? –Fred perguntou num tom debochado.

A Sra. Weasley exclamou com a boca, e olhou para o marido em busca de ajuda em sua indignação. Ao invés de pasmo, o Sr. Weasley parecia ter uma visão semelhante, porque se inclinou mais para frente na mesa, esperando a resposta de Percy.

—Bam. –Foi Fleur quem interrompeu, levantando-se e, surpreendentemente, olhando para Grace. –Deveme arrumar os quartes. Grace?

—Sim. -Grace acompanhou a outra, mais grata do que podia colocar em palavras.

As duas garotas subiram a escada até o quarto que estavam ocupando em silêncio. Abriram a porta do quarto de Gina e se acomodaram em suas respectivas camas designadas, sentadas sobre as pernas. A de Fleur longas e torneadas, as de Grace magras e pálidas.

—Qué desagradável. –Fleur comentou, olhando pela janela. –Non tem um pingue de lealdad esse Perci.

—Não sei. –Grace disse, já que não conhecia o rapaz a fundo e Fred jamais falara a ela sobre qual a questão. –Às vezes é difícil se desculpar.

Fleur encolheu os ombros, sem concordar ou discordar.

Surpreendentemente, as duas conseguiram imergir numa conversa agradável sobre o banco Gringotts. Fleur na verdade trabalhava apenas na parte administrativa, pois pretendia atuar na área de economia bruxa, e este era seu estágio. Ainda assim, talvez por causa de Gui, com quem Grace conversara um pouco no dia anterior, parecia saber um bocado sobre quais os departamentos para Desfazedores de Feitiços; de campo e de escritório. Também contou algumas histórias engraçadas sobre os duendes, que não confiavam nela por seu sangue veela, achando que seriam enganados.

Quando finalmente decidiram que já estava na hora de descer, encontraram os gêmeos e Gina consolando sua mãe, embora a eficácia do consolo fosse questionável. Soltaram frases como “ele é um babaca” e “não faz nem tanta falta” que apenas faziam a Sra. Weasley chorar ainda mais alto. Finalmente, o Sr. Weasley interviu e levou Molly para a cozinha. Remus Lupin, talvez cansado do drama, se aproximou para se despedir, deixando com Guilherme os agradecimentos pela recepção e pelo natal. Em seguida, Gui se virou para os irmãos e começou um sermão, que finalmente deixou Fleur e Grace perceberem que aparentemente os gêmeos e a Weasley mais nova haviam se juntado para atacar o irmão exilado com purê.

O resto da semana se passou de forma ímpar. A Sra. Weasley se demonstrou muito sensível e pronta para chorar após a visita do filho. Grace levou os gêmeos Weasley e Gina em um passeio pelo mundo trouxa no dia trinta. Gui e Fleur estavam trabalhando, e Harry não podia sair de casa, com isso Rony também ficou com ele. Mas os outros quatro (num dia que os gêmeos não passaram na loja, como vinham passando durante todo o feriado) aparataram no caldeirão furado e de lá andaram até um parque de diversões temáticos.

Grace os havia enchido de regras de comportamento, como evitar as varinhas e não usar apetrechos mágicos. De uma forma geral, foi uma viagem tranquila. Grace comprou ingresso para todos com dinheiro trouxa e não aceitou reembolso. O lugar estava cheio de neve, mas a neve ao menos não estava caindo. Foram no kart e no carrossel. Grace se recusou a ir na montanha russa, mas os três ruivos foram mais de uma vez. No fim do dia, compraram cachorros quentes (“tem cachorro aqui?”, Fred perguntou horrorizado), algodão doce e sorvete e foram, finalmente, à roda gigante, que era seu brinquedo preferido. Ela se ofereceu para ir com Gina em um carrinho, e Fred e George no outro, mas George deu uma desculpa qualquer para ir com Gina e deixa-la com Fred.

Grace jamais havia ficado desconfortável ao lado de Fred antes. Ele falava muito, quando ela ficava em silêncio, e a fazia rir. Naquele momento, porém, ele ficou calado, olhando Londres lá embaixo e ao longe. Da metade da subida em diante, eles já podiam ver o Tamisa, brilhando sob a luz do pôr-do-sol. Grace se inclinou para frente e começou a apontar seus pontos preferidos da cidade.

Ao ver que ele não respondia a seus comentários, Grace levantou uma mão para ele gentilmente, deixando que sua palma encostasse na bochecha do garoto ruivo.

—Fred? –Perguntou suave, um sorriso brincando nos lábios. –Estou entediando você terrivelmente?

Ele deu um sorriso, os olhos castanho-esverdeados no chão de metal na plataforma pequena onde eles estavam.

—Tenho interesse em tudo que diz. –Ele respondeu. –Você não me entedia.

Algo nela vibrou ligeiramente. Eletricidade na ponta de seus dedos e em seu coração.

—Então fale alguma coisa. –Pediu, a voz baixa, o rosto ficando corado.

O sorriso dele se abriu mais um pouco e ele se aproximou mais dela no já pequeno espaço.

—Meu silêncio a deixa desconfortável?

Grace colocou o cabelo atrás da orelha. Fred segurou suas mãos quando ela as baixou.

—Deixa? –Insistiu.

—Não. –Mentiu, e ele soube. Mas não disse que sabia.

Ao invés disso, começou a se inclinar na direção dela. Sabia o que estava por vir. Grace nunca havia sido beijada antes. Sua boca estava seca e agora ela podia ver as sardas individualmente no rosto dele. Uma mão dele foi até o seu rosto.

—Espere. -Ela pediu, inclinando-se para trás.

Fred piscou, se afastando.

—Grace?

—O que? -Seu coração estava batendo com força agora no peito; alto o suficiente para que ela temesse que Fred pudesse ouvi-lo.

O olhar que ele a lançou pareceu quase saudoso, mas ele se forçou a revirar os olhos com diversão.

—Tem algodão doce no seu nariz.

Fred não fez nenhum movimento para limpar, então Grace passou o braço coberto pelo suéter no rosto. Quando Grace olhou de volta para o ruivo, ele olhava para longe, na direção onde o Tâmisa brilhava levemente alaranjado na luz do pôr-do-sol. Corando até o ponto dela mesma parecer um pôr-do-sol, Grace suspirou, sentindo que havia estragado alguma coisa.

Notas finais
Não me matem! Eu sei que estou adiando, mas vamos chegar lá. Como eu pretendo que essa fic cubra o sexto e sétimo livros, apenas confiem que teremos tempo para que tudo se resolva. Espero que tenham gostado (mas só vou saber se comentarem!) Até a próxima semana! XOXO