Lacrimosa

1 Você acredita em reencarnação?


Notas iniciais
Bem vindo a todos e muito obrigada por lerem essa fic.
Estava muito ansiosa para poder escrever essa história desde que a ideia surgiu - embora tenha a certeza de que tal assunto será abordado futuramente no mangá - por isso estou a postar esse capítulo!
Não sei se será tão bem aceito assim. Mas eu, como fã de Melizabeth, me senti realizada ao escreve-la, então espero que agrade a todos.
Comentários construtivos serão bem vindos =)
Enjoy!

Link da musica => https://www.youtube.com/watch?v=k8KFWXhePQ0

“Às vezes eu sinto como se eu não tivesse nada neste mundo
Só angústia, raiva e ira.
A dor quase insuportável, agonia, me deixa louca gradualmente
Estou na zona
É como se eu estivesse milhões de quilômetros de casa
Mas eu ainda estou aqui, com lágrimas nos olhos
Parece que eu tenho chorado por anos-luz, sim.”

Lacrimosa

Já não sabia quando aquele pecado passou a fazer parte de mim. Meliodas estendeu a mão quando já havia perdido a esperança. Salvou-me. Não uma, nem duas, mas sempre estava a me salvar – mesmo indiretamente – era recolhida por aquele homem, e aos poucos eu via a salvação.
Iriamos reconquistar aquele reino, voltar aos dias felizes, mas já não sabia se meu eu iria voltar, meu tempo-espaço se perdeu.

— Por que está isolada em um dia tão bonito? – Proferiu as palavras como um sussurro, mas podia enxergar o pequeno sorriso que se formava a cada passo que dava.
Retribui seu sorriso, mas nada disse. Recolhi algumas pedrinhas ao canto do lago e atirei, enquanto chutava a água desnecessariamente. Aquele jardim ao alto da montanha era tão bonito, me lembrava de Liones, dos tempos em que Veronica e Margareth se divertiam junto a mim nas tardes de verão. Senti uma lágrima escorrer.
— Eu sinto saudades. – disse baixinho, enquanto encarava as ondas se formando no lago a cada batida dos pés.
Meliodas se sentou ao meu lado e retirou os sapatos, tentava encostar seus pequenos dedos na água, mas em vão, então suspirou profundamente.
— Aqueles tempos eram realmente agradáveis – sorriu – Não se preocupe Elizabeth, vamos recuperar o reino, como prometi, então poderá voltar àqueles tempos.
— Obrigada. – disse, mas não pude sorrir.

Ele era o homem mais forte que conhecia. Não era apenas sua força física que me chamava atenção; quando lutava, erguia um sorriso divertido, e com as sobrancelhas erguidas, inspirando confiança, sempre vencia.
Meliodas era assim, um homem incrível.
— Eu não sei muito sobre seu passado. – deixei escapar uma frase que rodava minha mente há dias. Meliodas me olhou sério, então engoli seco e tentei fugir do meu vacilo. – Ei, Meliodas-sama, você acredita em reencarnação?

Isso me lembrava daquele dia.
Um senhor baixo, de cabelos grisalhos e um sotaque engraçado se assustou ao ver-me parada na porta do Boar Hat. Era como se lembranças o carregassem para um passado sombrio.
Ele ergueu as sobrancelhas e chamou pelo meu nome com a voz tremula.
Eu nunca o vi em minha vida, mas senti como se fossemos velhos conhecidos.
Ele me contou uma história de tempos atrás, sobre uma garota corajosa que arriscava sua vida para ser forte. Ela se chamava Elizabeth.
Aquela vez o senhor me falou sobre Liz.
O quanto parecia comigo, e que por coincidência dividia o mesmo nome que eu; ela era alguém querida para ele.
“- Era sua amante.”

Meliodas sorriu novamente, mas dessa vez seu olhar se perdeu na imensidão daquele jardim.
— Já disse que Hawk lembra muito Wandle? Um parceiro de muito tempo atrás?
— Wandle?
— Sim, ele era um pássaro.
— Ele falava assim como Hawk? – perguntei surpresa.
Meliodas soltou uma risada abafada, e só pude sentir meu rosto arder naquele momento.
— Quando Hawk me encontrou, senti como se eu já o conhecia de muito tempo atrás. Acredito que ele seja Wandle que voltou a vida. – disse – só que como um porco maldito.
Olhei para ele pasma, mas ainda sim sorri com sua explicação.
— Eu sinto que já te conheci antes. – Ele falou. Aquelas palavras saíram em um tom baixo, como um sussurro para si mesmo, mas pude ouvi-las, claramente, e aquilo fez meu coração parar. Não sabia o que sentia, só sei que doía. Meliodas ainda encarava a água cristalina, e sua expressão mostrou um homem frio e solitário, algo que nunca pude enxergar por entre seus sorrisos e brincadeiras, mas antes que pudesse dizer algo ele se levantou e calçou suas botas.
— Está escurecendo – disse – Essas horas são as mais perigosas por essas bandas, uma princesa como você não deveria ficar aqui sozinha, então o que acha de entrarmos? Amanhã cedo o Boar Hat irá partir.
— Está certo – o respondi. Recolhia minhas coisas e vestia minha meia e sapatos; eu realmente tinha adorado aquele campo ao alto da montanha, olhei por último o horizonte e respirei fundo, mas senti os dedos de Meliodas se entrelaçando aos meus.
Aquilo era tão normal entre nós. A aproximação e intimidade que Meliodas tinha comigo era enorme, e de longe aquele momento ultrapassava outros, mas ultimamente não me sentia tão a vontade de certas aproximações, na verdade, sentir seus dedos entrelaçados aos meus me deixava quente.
Ele me olhou como se pedisse permissão para que saíssemos daquele lugar, então cancelei todos esses pensamentos desnecessários e deixei que me levasse.

Naquela noite Meliodas não dormiu ao meu lado.

Notas finais
Desculpe pelo capitulo curtíssimo, mas espero que tenham gostado. Até a próxima! o