Lacrimosa

6 Apenas eu e você


Notas iniciais
OIN -Q VIM JOGAR ESSE FORNINHO EM VOCÊS Trecho do capítulo de hoje: Nickelback - Far Away

“Esse tempo, esse lugar
Desperdícios, erros
Tanto tempo, tão tarde
Quem era eu para te fazer esperar?
Apenas uma chance
Apenas um suspiro
Caso reste apenas um
Porque você sabe
Só você sabe
Que eu te amo”

Meliodas ergueu as sobrancelhas quando ouviu meu pedido. Então se virou e me encarou com uma expressão curiosa.
– Tudo bem, mas que lugar é esse?
Olhei para os lados tentando disfarçar a minha confusão, sinceramente nem mesmo eu sabia que lugar era este, ou onde ficava, mas um sentimento forte me fez prosseguir com este pedido: gostaria de passar um tempo a sós com ele.
– Apenas venha comigo – proclamei.
Meliodas abriu um sorriso e me puxou para o lado contrário da porta.
– Se vamos escondidos, é melhor não sair pela porta. – disse com um sorriso malicioso.
– M-mas estamos no segundo andar.
– Como se isso fosse problema para mim, princesa.
Ele me levantou em seu colo e subiu na janela, só tive tempo de fechar os olhos e sentir o vento bater em meus cabelos.

Havia chovido naquela manhã, e só pude notar quando coloquei meus pés descalços na grama molhada. Respirei fundo e olhei em minha volta, aquele morro alto onde Boar Hat havia se hospedado era cercado por florestas, olhei em minha volta confusa, mas decidi seguir minha intuição. Ele estava ali comigo, então tudo bem.
Olhei para Meliodas que esperava por algum ato meu. Ele havia cruzado os braços e ainda mantinha o mesmo sorriso pervertido de sempre. Sorri, e então puxei seu braço e entrelacei meus dedos aos seus.
– Por ali. – apontei para frente, então Meliodas deixou um suspiro escapar e me seguiu.
– Você sabe para onde está indo, Elizabeth?
– S-sei! – inflei as bochechas um pouco coradas.
Passamos por algumas árvores estreitas, mas logo o caminho se abriu em uma pequena trilha.
Meliodas me olhou um pouco surpreso por ter achado uma trilha no meio daquela floresta densa, mas eu só pude devolver igualmente seu olhar. Também estava surpresa com aquilo. É apenas sorte.
Andamos um pouco mais e logo a trilha se tornou mais acessível, e a sua volta varias plantas e flores decoravam o local, deixando um doce aroma no ar.
Já havia alguns minutos que Meliodas não falava nada. Sua mão apertava a minha cada vez mais forte. Seu olhar percorria aquela trilha de forma curiosa e ao mesmo tempo inquieta.
Aos poucos aquele lugar se tornou tão familiar.

Começara a chover novamente, mas as árvores a nossa volta bloqueavam seus pingos, deixando apenas pequenas partículas caírem sobre nossos cabelos. Apesar disso o sol ainda brilhava forte, pois pude ver suas frechas por entre um arbusto curioso. A trilha continuava mais a frente, porém aqueles raios de sol me fez perceber que aquele era o lugar que procurava.
Meliodas se surpreendeu quando o puxei por aquela direção. Entrei por entre os arbustos e pude sentir as folhas encharcadas da chuva molhar meu rosto levemente.
A visão a seguir havia tirado meu ar.

O barulho das águas chocando nas pedras fazia daquele bosque um lugar simplesmente único. O lago cristalino brilhava a frente e se unia a pequena nascente da montanha, e as flores se esparramavam pelo chão colorindo aquela imensidão de verde.
E bem ao centro uma macieira robusta e repleta de frutas redondas e vermelhas. Eu simplesmente senti como se pertencia aquele lugar.
Tentei caminhar até a árvore, porém Meliodas puxou-me pela mão, e só naquele momento pude notar seu semblante assustado e surpreso.
– Como sabia deste lugar?
– Eu não sabia – desviei meu olhar do seu, me sentia envergonhada por aquilo. – só sentia que deveria seguir minha intuição.
– Não, Elizabeth. – Meliodas segurou meus braços e puxou de frente para si, seus olhos marejavam. Ele estava assustado.
Sua respiração se tornava cada vez mais pesada.
– Você deve proteger... – sussurrei, e era como se sentisse meu coração pesar a cada palavras, e aquela frase percorria em minha mente – Este lugar é importante.

Meliodas soltou-se de meus braços e deu passos desajeitados para trás. Seus olhos percorriam pelo meu corpo como se não me reconhecesse, ele estava surpreso, estranho, assustado. Mas parecia que a qualquer hora derramaria lágrimas.

Este momento me vez perceber que aquele sonho era real;
Aquela era uma memória de anos atrás;
Uma história entre dois corações unidos pelo destino.
Era real
Era ali que havia o conhecido.
Agora eu podia lembrar
Suas risadas divertidas que percorriam pelo ar.
Das vezes em que nos banhávamos naquelas águas
Apenas nós dois e mais ninguém.
Era como se só existíssemos nós dois no mundo.
Nós éramos imortais.

– L-Liz... – ele balbuciou como se aquilo não fosse real.
– Não sou Liz.
Aquelas palavras cruzaram meus lábios de uma maneira tão decidida.
– Sou Elizabeth Liones. Mas eu me lembro de tudo agora, Meliodas.
E então sorri.
– E sabia que iria cumprir nossa promessa.

A chuva despencou-se mais forte como se fosse um presságio mandado para disfarçar as lágrimas que corriam pelo seu rosto. Meliodas era sim o homem mais forte que conhecia, ele sempre exibia aquele sorriso confiante, sempre olhou para o mundo com indiferença, como se aquele coração que carregava em seu peito era feito de pedra, mas homens também choram.

Naquele dia em que vi suas lágrimas pela primeira vez também chovia forte.
Meliodas culpou-se, acreditava ser seu pecado não ter salvado a pessoa que mais amou.


Mas a verdade é que ele já havia a salvado há muito tempo atrás.

Ele a salvava todos os dias quando entrava pela porta daquela pequena casa de madeira. Liz estava feliz apenas com isso, e ela o amava mais que tudo neste mundo.
E simplesmente não poderia partir e deixar Meliodas se culpando pelo resto de sua vida.
E é para isso que eu estava ali.

O tempo simplesmente havia parado em minha mente, e eu não podia mais aguentar. Caminhei até ele acolhendo-o em meus braços. Meliodas suspirou aliviado e retribuiu meu ato, mas eu pude senti-lo tremer.
– Meliodas-sama... – disse baixinho, afagando seus cabelos molhados.
Ele me olhou atento, seus olhos pareciam distantes, como se estivesse sonhando.
– Eu amo você...
Ele sorriu, e abriu seus lábios levemente como se fosse dizer algo, mas eu o parei, impressionando meus dedos contra seus lábios.
– Eu sou Elizabeth Liones.
Meliodas me olhou confuso.
– Não sou a Liz, Meliodas-sama... Sou uma pessoa diferente. Eu nasci de novo, sou muito mais nova que você. Eu cresci em um lugar diferente, com pessoas diferentes, fui mimada até o momento em que fui obrigada a sair. Mas eu aprendi a te amar do meu jeito, eu te amei de novo, e vou continuar a ama-lo mesmo que você ainda me enxergue como Liz.
– Elizabeth. – Meliodas me olhou com um sorriso reluzente. – Eu sei quem você é, sei que não é Liz agora. Mas... Eu estou feliz por ter conhecido você novamente. Meu mundo sem você era vazio. Desde o momento em que vi entrando pela porta daquele bar; naquela vez você chorou agradecida pelo o que lhe ofereci, e simplesmente aceitou seguir-me mesmo sabendo que correria riscos, você fez tudo isso por pessoas que nem mesmo conhecia, para salvar vidas; você era tão igual a ela, tanto na aparência quanto no coração, e no fundo eu sabia.
Meliodas olhou brevemente para o céu como se lembranças o invadissem.
– Você lembra aquela vez em que me perguntou se eu acreditava em reencarnação?
Eu o olhei, e então assenti. Como poderia esquecer daquilo.
Ele voltou a me olhar, e dessa vez ergueu as sobrancelhas e sorriu.
– Eu acredito.

Estava tão feliz, aquilo não parecia real. Meliodas segurou minha mão e me puxou até a macieira gigante e se sentou na grama encostando-se a árvore, caminhei até seu lado e sentei-me junto a ele. Estávamos completamente encharcados, mas isso não incomodava, eu só conseguia pensar naquele sorriso em seu rosto, no quão verdadeiro era. Eu queria que aquele momento durasse para sempre.
A verdade é que estava envergonhada. Meliodas me olhava intensamente por vários segundos, e quando comecei a achar que ficaria ali, imóvel, pelo resto da manhã, ele puxou meu rosto e selou seus lábios aos meus.
Levemente distribuiu beijos em todo meu rosto, aquilo me fez corar, meu coração se chocava contra meu peito como se fosse explodir, mas a verdade é que eu queria mais. Queria beija-lo intensamente, e foi o que fiz. Meliodas se surpreendeu com aquilo, mas logo retribuiu na mesma intensidade, aprofundando cada vez mais nossos lábios. Aquele beijo se parecia tanto com a primeira vez, mas eu sabia que ele era especial.

Esses beijos eram para mim, somente para mim.

Meliodas parou. Estava ofegante. Então me olhou nos olhos e mordeu os lábios levemente.
– Eu quero você...
– Meliodas...sama... – balbuciei quase rouca, eu sentia como se fosse morrer. – Eu já sou tua...
Ele sorriu, mas eu já havia visto aquele sorriso pervertido em seus lábios. Ele percorreu suas mãos pelo meu corpo, explorando cada parte com seus dedos pequenos e ágeis. Eu fechei os olhos, sentia minha pele se arrepiar com seu toque, como eu amava aquela sensação.
Estávamos tão próximos, tão quentes. Então Meliodas me abraçou novamente, e desta vez apenas deitou seu rosto em meu peito e fechou os olhos.
Naquela manhã eu havia me tornado a mulher mais feliz do mundo.

~

Notas finais
Sim, eu acredito que Elizabeth seja reencarnação de Liz. Me xinguem