Labirinto da Escuridão

2 Capítulo 1 - Estranha Visão


Notas iniciais
Pois é gente, desculpem a demora ._. Eu tive MUITOS problemas durante esse último mês. Vocês nem imaginam como. Mas eu trouxe o capítulo, e espero que vocês gostem.

– Hideo… — chamei temeroso, mas ele não me deu a mínima atenção. – Isso não é uma boa ideia.

– O quê? – perguntou distraidamente, mas já batia na porta.

Olhei para ele, incrédulo, e escutei alguém gritando um “Já vou!”, de dentro da casa. Olhei nervoso para a rua, mas não passava ninguém. Uma ruiva de cabelo curto e encaracolado abriu a porta e sua expressão pareceu se iluminar ao vê-lo.

– Hideo! – saltou e lhe deu um abraço. – O que você está fazendo aqui? Seu cabelo voltou a ser branco! – ela me olhou então com os grandes olhos verdes. – Yudai?

Ela é a Yume.

YUME?!

– Ele está chocado demais para dizer algo. – Hideo me entregou, fazendo com que eu o fuzilasse com os olhos. – Mas... Escutei dizer que os nossos avós estavam morando com você, não é?

– Sim, enquanto a fazenda está sendo reconstruída. Entrem!

A fazenda sendo reconstruída?

Ela foi destruída. Longa história. – replicou, entrando sem medo nenhum enquanto eu ainda absorvia o choque de ver Yume. Eu sabia que ela já estava adulta, mas vê-la adulta é uma coisa completamente diferente.

Aquela casa era completamente diferente. Com certeza era a dela. Grande e bem arrumada, de paredes brancas, mas com os móveis escuros gerando contraste. Sobre o tapete branco e felpudo estavam espalhados diversos brinquedos espalhados e um bebezinho só de fralda, com um ano de idade talvez, sentado, mexendo neles com uma chupeta na boca.

– Onde está Zion? – Hideo perguntou. Quem é Zion?

– Ah, trabalhando.

– Você já trabalha? – perguntei.

– Sim, como médica. – respondeu, e subiu as escadas rapidamente. Hideo foi até o bebê, pegando-o no colo, e ele não ofereceu resistência alguma. Ele era ruivo com grandes olhos de um estranho tom de verde, misturado com azul.

– Este é Echo. Nosso sobrinho.

Sobrinho?!

– Yume já é uma mulher adulta Yudai, pare de ter crises. Vamos, pegue ele.

Admito que fui desajeitado. Peguei o bebê quase que com medo, que me olhou, e então piscou com seus grandes olhos e olhou para Hideo, e de novo para mim pegando meu rosto com cuidado com uma de suas mãozinhas. Escutei risadas graves vindas da escada e vi meu avô descendo-as.

– Parece que é a primeira vez que Echo vê gêmeos! – riu e veio mancando ligeiramente antes de se jogar no sofá. – Yudai! Ninguém me explicou onde você esteve, mas como está?

– Ah... Bem. – respondi e Echo pareceu repentinamente interessado em meu cabelo. – Por que o senhor está mancando?

– Ah... Nada não.

– Ele caiu ontem e não quer ficar deitado. – Yume repreendeu, descendo as escadas. – Mas e vocês, o que estão fazendo aqui?

– Vim trazer o filho pródigo para rever a família. – Hideo disse e mais uma vez fuzilei-o com os olhos.

– Vocês simplesmente foram embora daquela vez. – me assustei quando a vovó veio descendo as escadas e ela me olhou com um olhar estranho, e então olhou para Hideo com ar de dúvidas. – Pode dizer o que aconteceu?

– Só escutei coisas quanto aos híbridos estarem recusando pagamento e a Ordem parecer estar mais maleável. Algo haver com vocês?

– Ah, isso... É uma longa história.

– Falando em longa história, e a sua namorada Hideo? – meu avô disparou e olhei para Hideo com uma sobrancelha erguida.

Namorada? – falei o que pensei e Hideo pareceu se exasperar.

– Pois é Yudai, que tal você ajudar a Yume com o Echo, talvez ela precise de ajuda e você tem que voltar a falar com a família, não é?

Quando percebi, já tinha sido chutado pro quintal e a porta foi fechada estrondosamente atrás de mim. Olhei-a com indignação e vi Yume no lado extremo, perto do que pareceu também ser uma área em que Echo conseguia brincar. Tentei ver a mente de Hideo, mas ele estava me bloqueando, então com um suspiro fui até lá.

– Yudai?

– É... Nosso querido irmão me chutou pra fora de casa. – falei num tom venenoso e ela riu

– Bem... Eu admito que... É estranho falar com você.

– Por quê? – indaguei, me sentando e ela pegou Echo de meus braços, pondo-o no chão. Mesmo que de maneira bamba, ele já ficava de pé.

– Já encontrei com Hideo algumas vezes antes. Mas você... É a primeira vez que estou falando desde que foi levado para a Ordem.

– Ah... – olhei para o chão, e Echo usou minha perna para se apoiar, deu um sorrisinho e voltou a sua tentativa de andar. – É, também sinto isso. – cocei minha nuca. – Tem acontecido muita coisa ultimamente. Ainda não estou conseguindo acompanhar tudo o que aconteceu.

– Hideo passou uns cinco meses na casa da vovó ano passado, e Alec também esteve. Mas você nunca apareceu. – comentou casualmente, sentando-se ao meu lado.

– Eu me meti em muitas situações que você nem acreditaria. – suspirei. – Há seis meses ele inclusive me tirou de uma. Parece que sempre vou dar trabalho para ele.

Yume riu brevemente, e Echo caiu. Mas ele não chorou. Apenas levantou e continuou andando como podia pela grama. Eu quase conseguia vê-lo correndo e pulando pelo jardim quando fosse maior, mas mantive-me calado. Ele era bastante agitado e inteligente para um bebê.

– Eu perguntei a Hideo sobre você, mas ele nunca respondia. Parecia que não queria falar sobre o assunto.

– É tudo muito complicado, mas... Acho que está tudo bem agora.

Minha avó abriu a porta com um estrondo, fazendo com que nós dois saltássemos para vê-la e Echo caísse sentado. Eu me assustei, afinal, tudo estava calmo e de repente BAM! Chega até ser patético de minha parte.

– Vocês não vão ficar para o aniversário do Echo?!

– Hã?

– O aniversário do Echo é semana que vem, vocês não vão ficar?!

– Pergunte ao Hideo.

– Ele disse que não sabe!

– Olha, eu acho que a presença de híbridos em uma festinha de criança vai ser meio... – Hideo apareceu atrás dela, tentando se explicar, mas vovó deu um tapa no batente da porta que até ele se assustou.

– Deem seu jeito! E tragam o Alec também, porque ele é da família, e a noiva dele junto! Senão eu fecho a porta na cara de vocês da próxima vez, estão ouvindo? – dito isso, ela literalmente jogou Hideo para fora e fechou a porta com um baque.

–... Noiva dele? – questionei.

– Ela pôs na cabeça dela que a Nina é a noiva dele.

Não aguentei. Dei uma gargalhada que até Yume se assustou.

– Sério?! Ninguém salva esses dois, pelos deuses!

Ele apenas deu um sorrisinho de lado como se achasse graça apenas consigo mesmo. Aquilo me incomodou. Era como ele sempre agira nos últimos meses, e pelo que descobri, ele estava “legal”. Conversava e de vez em quando ria. Isso ainda era estranho para mim, tanto quanto pensar no fato de que já estive morto. Mas era Hideo que me incomodava. Parecia que tempo todo eu falava com um estranho, não com meu irmão.

Nunca pensei que ia sentir falta dele enchendo o meu saco.

– Uma baixinha de cabelo liso e comprido? – Yume questionou.

– Essa mesmo.

– Eu jurei que eles tinham alguma coisa...

– É isso que vem nos deixando loucos há anos... – repliquei no lugar de Hideo, e o phoma que ele levava tocou. Ele franziu o cenho, mas o atendeu, se afastando ligeiramente.

– E os nossos pais? – perguntei a Yume.

– Papai está num congresso em Krest. E a mamãe... Hideo não disse nada? – balancei a cabeça. Ela morreu há oito anos.

– Morreu?! – olhei-a surpreso e chocado. – Do quê?

– Ela ficou muito mal quando vocês dois foram levados. – disse timidamente. – E então adoeceu. Nunca vi nada do tipo.

– Está tudo bem você falar isso?

– Você é o meu irmão, você também tem o direito de saber. – assenti. – Foi bem estranho, ela simplesmente acordou todo mundo da casa gritando coisas sem sentido. Principalmente para o papai. E depois... Ela parou. Quando parou, morreu.

– Gritando? – questionei, estranhando.

– Ela ficava o culpando por algo que jamais entendi. Dizia que ele que havia destruído tudo, porque ele não ficara... Lá, e coisas que ninguém entendeu. – ela pareceu perturbada. – Sinceramente, ninguém conseguiu descobrir o que realmente aconteceu.

Abri minha boca para dizer algo, talvez quanto a estranheza da situação, quanto eu sentia muito por aquilo, mas Hideo disse em minha mente:

Temos que ir.

Hã?

Problemas. Sério.

Olhei para Yume.

– Hideo está me chamando. Acho que vamos ter que ir embora.

– Mas já?

– É... Vou tentar convencê-los a vir no aniversário do Echo, mas... É. – dei um abraço rápido nela, me levantando e indo rapidamente atrás de Hideo. Encontrei-o agachado atrás da torre da nossa antiga escola, que era até distante de casa.

– O que foi? – questionei no exato momento em que cheguei, e ele ainda encarava o phoma em suas mãos com o cenho franzido.

– Sabe aquela garota que Diego salvou? Que um Despertado havia sequestrado ela?

– Claro. Ele ficou a encarando durante o maior tempão como se houvesse perdido o cérebro.

Hideo revirou os olhos.

– Ela acordou. E ela é da Terra.

Foi aí que o olhei surpreso. Terra?! O que diabos um Despertado foi fazer na Terra, pegar uma garota e trazer ela para cá?! Desculpe a franqueza, mas é bem mais fácil pegar um humano aqui mesmo – ou não. Não. Com certeza não. Mas não conseguia entender o que ele fizera pegando aquela garota?

– É isso que estou me perguntando. – disse ao ler minha mente. – Mas estão pedindo para que nós levá-la de volta.

– Porque Anita pediu para tentarmos localizar um renegado, não é isso?

– É. – respondeu. – Mas isso significa que teremos de ir para Sacraelum.

Suspirei.

– Nunca fui a Sacraelum, mas vamos lá. – olhei para baixo, vendo uma professora saindo da escola. Com o cabelo castanho preso num coque, saia comprida e bolsa de carmuça. Reconheci-a quase que imediatamente. – Ei, aquela não é a Senhora Leda?

Hideo aproximou-se da beirada. É ela mesma. Ele me olhou e quase ri na cara dele. Ela fora nossa professora no último ano em que estudamos antes de ir para a Ordem, e ela sem duvidas alguma tinha marcação com Hideo. Dizia que ele se ele continuasse do modo que estava, viraria um delinquente, que ele atrapalhava a aula e coisas do tipo, pois como eu já tivera algumas crises devido a minha saúde, sempre tinham os idiotas que iam mexer comigo. E quem se metia em confusão no final? Isso mesmo: Hideo.

– Parece que ela não errou tanto hein? Afinal, ser um hibrido não é lá tão diferente de ser um delinquente. – brinquei, e ele me olhou de esguelha.

– Pode até ser, mas lembre-se que você está no mesmo barco que eu. – rebateu, e vi-a respondendo mal-educadamente alguns alunos que a abordaram na saída, dizendo que queria ir logo guardar as coisas no carro. Fiz uma careta.

– Que tal irmos falar com ela? – sugeri sem me levar muito a sério.

– E vê-la tendo um ataque cardíaco? – ele pareceu ponderar um pouquinho, e parece que um pouco do velho Hideo voltou a ele, pois sorriu diabolicamente. – Pode ser, nunca gostei dela mesmo.

– Ei, espera! – apontei para a faixa em frente aos portões da escola, lendo-as com um pouco de dificuldade. – “Exposição de trabalhos práticos...”.

– Será que ex-alunos estão vindo?

– Com certeza. — respondi. – Ei, eles disseram que era para nós irmos imediatamente à Sacraelum?

– Não, porque a menina ainda está se recuperando.

Olhei-o. Sei que está pensando o mesmo que eu, não é?

É, talvez.

Saltamos da escola e demos a volta, para além da entrada.

Peguei tranquilamente alguns Transfiguradores que nos deixariam com nossa aparência antiga. Ruivos de olhos azuis. Não fazia mal, certo? E além do mais, veríamos de longe como estavam as pessoas que conhecíamos além de nossa família.

– Ei, a entrada é paga? – Hideo questionou no momento em que nos juntamos às pessoas na rua que se dirigiam ao colégio.

– Nem lembro, mas se for, temos dinheiro de qualquer jeito. – dei de ombros e olhei para alguns alunos. O uniforme era como um blazer creme e bege com calças – ou saias para as garotas. — marrons para os alunos a partir da quarta série. Eu usara aquele uniforme. Era até engraçado pensar aquilo agora.

Passamos por um carro em que um homem grande e gordo saía, falando com sua família, mas deixou sua pasta cair no momento em que nos viu, e ficou nos encarando com a boca trêmula. Franzi o cenho e olhei discretamente para meu cabelo. Estava vermelho. Hideo estava normal também. Então o quê?

– Pai, você deixou as folhas de apresentação cair! – seu filho ralhou, juntando a pasta e os papéis que se derramaram dela.

– D-desculpe. – murmurou e aproveitamos para sair de lá.

Qual é a desse cara?

Sei lá.

Chegamos aos portões abertos, e não, a entrada não era paga. Havia meninas de vestidos tradicionais vermelhos de gola alta e detalhes negros, com longas luvas de renda negra até acima dos cotovelos, distribuindo papéis com a programação do dia. Só então me toquei de algo.

– Ei Hideo, o Wholla está próximo, não é?

Wholla? – parou. – Pior, né?

Assenti. O Wholla era uma festividade típica, ocorrida durante a primavera, sempre um mês após os dez dias vazios – ou dias da criação — no início do ano. É celebrado o dia em que a deusa do amor deu à luz a Koi após sete dias de gravidez, sem a necessidade de um elemento masculino para tal. E Koi seria a deusa que criou os humanos e lhes deu presentes, e além dos humanos, mantém a alma do ser que decidirá o fim do mundo.

Sempre é festejado se decorando o ambiente com flores, acendendo-as com luzes, realizando pratos que remetessem a elas, além de vermelho ser a cor do festival, se realiza trocas de presentes em alusão os presentes que ela deu aos humanos, a capacidade pensar, falar e realizar. E também todas as guerras que existirem devem ser paradas durante o tempo das festividades, que é o de duas semanas.

Quando dei por mim, vi duas garotas de uns quinze anos tentando tirar fotos minhas com seus phomas. Olhei-as com uma sobrancelha erguida e elas congelaram, os rostos ficando vermelhos. E então reparei que tinha me perdido de Hideo. Ah, ótimo.

Bem, ele está em algum lugar por aqui, então vou simplesmente perambular. Passei por alguns estandes que já estavam decorados com flores e luzes de várias cores em seus centros, com toldos de seda vermelha e armados com armações de madeira caramelo. Os trabalhos estavam especialmente iluminados com luzes amarelas. Estava até bonito esse ano. Eu lembro que do único que eu estava em condições de participar – da terceira série. – saíra bem tosco. Eram coisas que eu não gostava de lembrar, como o estande desabando encima de mim e dos outros alunos.

– Olá moço, gostaria... – um aluno começou, mas uma garota empurrou-o.

–... De ouvir a explicação do nosso trabalho quanto aos costumes antigos que permanecem até hoje em nossa sociedade contemporânea?

– Por que você me empurrou?! – o garoto se ergueu indignado, mas ela não se abalou, ainda esperando minha resposta. Ele pegou sua prancheta e bateu na cabeça loira dela. – Está me escutando?!

– Ai, seu desgraçado!

E eles começaram a discutir e eu saí de fininho antes que sobrasse para mim. Uma garota de cabelo preto veio trombando em tudo e todos com vários pergaminhos em mãos e acabou tropeçando nos próprios pés antes de cair com tudo próxima a mim. Fui até ela, lhe ajudar.

– A-ah, obrigada. – gaguejou, com o rosto ficando vermelho.

– Ei, pode me ajudar?

– C-claro?

– Você viu um rapaz, igual a mim, só que de cabelo curto? Ele parece ser mais musculoso também, com uma camisa branca e um casaco preto.

Ela me encarou, como se estivesse tentando entender.

– Eu me perdi do meu irmão gêmeo. – expliquei.

– Ah... Não, s-sinto muito.

– Hm... Tudo bem. Obrigado de qualquer jeito.

Aliás, Hideo não estava sequer respondendo em minha mente. Estava distraído demais. A garota saiu aos tropeços novamente e olhei envolta. Eu era apenas um pouco mais alto que a maioria das pessoas ali – já que o padrão médio de altura de um Darneliyano é um e setenta e cinco de altura. – e não via nenhum cabelo gritantemente vermelho. Caramba Hideo, você já é um adulto de quase trinta anos – afinal recentemente tínhamos feito vinte e oito anos -, e consegue sumir desse jeito!

Mas se bem que tinha o lado de que talvez eu tivesse me perdido dele, não ele que tinha sumido. Mas eu tenho minhas desculpas.

– Nossa que rapaz bonito!

– Shh, fala mais baixo mãe.

– Sabe filha, todo mundo já percebeu.

Juro que levei um bom tempo para perceber que era a mulher do meu lado que estava falando isso, e que ela estava me encarando esperando uma resposta. Hã... Ela estava falando de mim?

–... É comigo?

– Sim. Tem outro rapaz como você por aqui?

A filha dela bateu na própria testa, com o rosto tão vermelho quanto um tomate.

–... Tem. Eu me perdi do meu irmão gêmeo.

O rosto da menina se clareou.

– Sabia que tinha te visto em algum lugar! É um de cabelo bem curto?! – assenti. – O vi para lá. – apontou para um corredor dobrando a direita.

– Sério? Obrigado! – sai e ainda aproveitei para fugir da resposta que a mãe dela estava esperando.

Quando virei no corredor, alguém agarrou meu ombro. Olhei para trás, e vi... Não conhecia.

Ele tinha cabelos cor de fogo, compridos emoldurando o rosto, mas curtos na nuca, com olhos cinzentos delineados em preto para parecerem ter o formato de olhos de lobo, com uma coroa de ouro vermelho em sua testa, com diversos desenhos que não consegui identificar gravados em baixo relevo nela.

Ele sorriu, e ele tinha presas de cobre. E só então reparei da Aura fraca que exalava de seu corpo.

Arregalei os olhos, minha mão voando ao meu símbolo, mas ele me empurrou pelo ombro, e antes que eu tivesse reação alguma, ele sumiu em meio ao mar de pessoas.

Meus olhos correram por todos ali, mas a Aura de ameixa simplesmente sumira como se não existisse, e não conseguia encontrá-lo em lugar algum.

– Yudai! – A voz de Hideo me tirou da inércia em que eu me pusera.

– Hã?

– Finalmente te encontrei! Você é alguma criança para sumir desse jeito?! – ele viu minha expressão. – O que houve?

– Um cara me abordou. Ele tinha Aura e... Sumiu.

– O quê?! – exclamou e lhe passei a imagem mental do cara que vira, e ele franziu o cenho, baixando para meu ombro, e ergueu suas sobrancelhas, seus olhos, mesmo que azuis, se tornaram felinos, em alerta.

– Rapaz, você... Pelos deuses! – uma voz gritou atrás de mim e só então eu percebi o sangue escorrendo abundantemente do ferimento no braço em que ele me empurrara.

Ou melhor dizendo, do braço que deveria estar lá. Só então eu senti a dor.

Notas finais
Qualquer coisa, deixem nos comentários. Eu vou passar a responde-los.