La mala suerte
3 No se enganes
Notas iniciais
Depois de ouvir os passos de Fernanda se afastar cada vez mais dela. Luiza teve um ataque de fúria, como os que tinha no passado. Luiza pegou os dois copos que estavam sobre a mesinha de centro, os tacou longe, enquanto abafava os gritos. Derrubou a mesinha com os braços, que mesmo sendo delicados, havia uma força surpreendente.
Luiza olhou o redor, começou a ofegar, sabia que cedo ou tarde iria ter falta de ar. Mas isso não a impediu de chegar perto dos pequeninos vasos de plantas e, também, os tacar longe, os tacava com tanta raiva, uma das empregadas a flagrou, mas teve medo de se aproximar pela exatidão da patroa. Então preferiu ligar pro patrão; Juliano não atendia e ela continuou a insistir, enquanto viu de relance, Fernanda sair de carro.
Luiza tacou o último vaso de planta que viu em sua frente, este acertou direto na piscina. O que a fez se aproximar, agora não havia raiva, bravura ou força. Havia medo, um profundo medo em seus olhos. Aproximava-se lentamente da piscina, havia tanto medo em seus olhos, que qualquer um poderia ver de longe. Enquanto caminhava, dando alguns passos em direção a piscina, ela ia para outro lugar, em outra época.
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Abriste una ventana despertando una ilusión
Cegando por completo mi razón
Nessa alucinação ela também caminhava em direção a piscina, mas não havia medo. Caminhava normalmente, parada de frente a piscina, ela tomava um delicioso e refrescante suco de uva, com uma das mãos segurava o copo, enquanto a outra acariciava a barriga, um tanto grande e arredondada. Sua gravidez era de risco, mas mesmo assim era motivo de alegria. Já estava com seis meses, faltava muito pouco comparado ao tempo que ela esperava estar grávida. Faltava pouco para o querido José Victor nascer. A casa era pura alegria. Sua enteada estava com um pouco de ciúmes, mas nada a se preocupar, como qualquer criança, Fer. sentia medo de perde seu posto de filha amada.
Mantuve la esperanza conociendo tu interior
Sintiendo tan ajeno tu calor
Era um delicioso e calorento dia de terça-feira, Juliano estava trabalhando. Na casa, só estavam, Russo seu tio, Fernanda, Luiza e mais uma ou duas empregadas, fora o motorista e a governanta. Fernanda a chamou do outro lado da piscina, a parte mais funda. A pequena parecia um peixe, adorava nadar. Luiza sorriu terna para ela e a respondeu.
— Oi meu amor.
— Vem para água!
— Eu não gosto muito de nadar, gosto mais de admirar o balanço da água enquanto você nada. – sorriu, sentindo um chute singelo na barriga – Seu irmãozinho lhe mandou um oi – riram
— José vai ser como eu e o papai? Ou como você? – questionou curiosa
— Em relação a que querida?
— A água.
— Ah eu não sei. No começo, ele vai ser como eu, por ser pequeno, acredito que terá medo d’água. Mas você pode ensiná-lo a nadar, tirar o medo dele. – sorriu
— Claro. Eu e o meu irmãozinho vamos nadar muito juntos. – sorriu jogando água em Luiza que foi dando passos para trás rindo.
— Ah para! Danadinha! – riram
— Lu, passa o protetor em mim?
— Passo sim. Vem aqui para fora.
— Passa aqui na beirada, eu tô molhada, se eu for para ir vou molhar tudo.
— Ta bom. Onde ta o protetor?
— Ta na mesinha. – apontou o produto.
Luiza estava de pé, Fernanda disse lhe para ela ficar na frente da mesma por causa do sol que afetaria o bebê. Luiza por achar que era só a imaginação de uma criança correndo solta, concordou. Luiza estava de costas para piscina, bem próxima a beirada. Fernanda estava a sua frente, mais longe da beirada. Fernanda estava em uma disputa em seu interior, tinha medo de concluir a brincadeira do susto que Russo lhe havia ajudado a planejar ou não. Mas enquanto Luiza lhe falava sobre sua infância, Fernanda tomou coragem, se virou bruscamente e a empurrou com toda força na água.
Probé de la manzana por amor!
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Luiza emergia a água, a alucinação se tornou real. Fora da alucinação, na verdade, ela vivia aquilo novamente, Luiza enquanto tinha alucinação, continuou a dar passos em direção a piscina, ela se afogava. Dona Luiza está se afogando! – a empregada gritava para pedir ajuda.
Não demorou muito, o motorista da casa, conseguiu tira-la, felizmente. Depois de colocá-la deitada na espreguiçadeira, começou a tentativa de tirar de seu corpo toda água que havia emergido. Com uma mão sobre a outra e com todo o respeito que deveria ter pela patroa, colocou as mãos sobre o peito da patroa e, com movimentos de sobe e desce, forte e direto, consegue que ela cuspa toda água emergida no afogamento.
— Ay... O que aconteceu? – intrigou-se com todos os empregados a olhando muito próximos, com cara de espanto.
— A senhora se afogou dona Luiza. – respondeu a empregada que presenciou o surto.
— Não! Não! De novo não! – gritou se sentando, fitou a todos e a cada um nos olhos. – Saiam daqui! – eles se olharam entre si com medo de deixarem-na sozinha novamente. – Agora, ou amanhã não precisam vim. Saiam! – gritou ferozmente. Todos voltaram a seus deveres.
Luiza levantou-se, se olhou, sua roupa estava toda molhada. Aquilo tinha que acontecer logo naquele dia, justo no dia a qual suas modelos e figurinos seriam desfilados na Bienal nacional mexicana.
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Fernanda estava numa avenida meio deserta, andava com a moto de um amigo. Adorava sentir o vento em seu rosto, ainda mais em momentos de desespero ou angustia. Andava, não, corria. Muito.
Fernanda dirigia aquele monstro que carinhosamente deram o nome de “moto”, refletia sobre sua vida. Os últimos anos tudo havia piorado na sua vida. Até hoje não entendia o que aconteceu verdadeiramente naquele dia trágico. Por na época ter apenas oito anos, não tinha lembranças nítidas. Não lembrava nem mesmo o porquê de ter jogado Luiza naquela piscina.
Lembrança:
A lembrança de Fer. era bem confusa. Ela lembrava que Luiza lhe passava protetor solar, ela estava de biquíni e Luiza com um tipo de saída de praia, com um biquíni por baixo. Na sua lembrança não tinha cores, ou exatidão. Fer. via Luiza cair na água, ela pulava de alegria por ter conseguido alguma coisa, que para Fer. atualmente, não sabia do que se tratava. Luiza demorava muito para subir, Fer. começou a estranhar a demora da madrasta, começou a gritar socorro.
Quiero ya no amarte y enterrar este dolor
Quiero que mi corazón te olvide
No ser como tú, quiero ser yo la fuerte
Parecia ter passado algum tempo, uma empregada tentava socorre Luiza, ela já tinha cuspido toda água para fora, mas não acordava. Por sua roupa ser branca e bem fina, o sangue que saia de suas pernas se tornou visível bem rápido. As empregadas, que não eram tão novas e imaturas assim, se desesperam por saber do que se tratava uma mulher grávida ter sangramento.
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Fernanda enquanto refletia, aumentava cada vez mais a velocidade. Ouviu um barulho de moto a alcançando, aumentou mais a velocidade, ao olhar no retrovisor, viu de quem se tratava. Ele a alcançou e logo puxou assunto. Mas nem um dos dois diminuiu a velocidade.
— Como tu ta Fer.? – Eugênio a questionou.
Eugênio era um cara muito chato. Pelo menos assim era visto por Fernanda. Ele tinha uma paixonite não correspondida por ela. Ela foi o garoto que mais a perseguiu no colegial. Ele era o famosinho, garanhão. Definitivamente, Fernanda não gostava deste tipinho.
— To bem. Mas sabe o que me deixaria mega feliz? – o olhou de relance
— Um beijo meu, e depois passar uma noite na minha casa? – sorriu sedutor.
— Não. Que você me deixa-se em paz de uma vez por todas! Tchau, beijinhos! – diminuiu um pouco e virou no retorno, acelerando mais uma vez.
— Se finge de santinha, mas deve ser uma fogosa na cama. – riu malicioso. – deu partida
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Depois que Juliano soube que perdeu uma ligação de casa, na verdade várias. Ele retorna para casa.
— Boa tarde, Mansão Queiros.
— Boa tarde Sueli. – reconheceu a voz da empregada — Sou eu Juliano.
— Graças a Deus que o senhor ligou!
— O que aconteceu? Foi algo grave? – se preocupou
— Dona Luiza teve um... Ataque. Como tinha há anos atrás.
— O que?! Mas ela já havia superados, tem mais de cinco anos que ela sofre mais nada. Por qual motivo ela sofreu um ataque?! Quer saber, deixa, eu vou descobrir pessoalmente. Chego em casa em dez minutos, por tudo que mais ame. Não permita que Luiza fique sozinha por muito tempo. Sabe o que ocorreu da última vez. – a relembrou com ressentimento.
— Sim senhor. Aquilo não voltará a acontecer.
— Eu espero. Até daqui a pouco. – desligou o celular, já pegando sua maleta e trocando seu jaleco por seu paletó.
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Fernanda foi para casa, mas continuou com a moto. Juliano chegou no exato momento que ela tirava o capacete, ao olhar para a vestimenta da filha. Fica revoltado por vê-la com um short curto jeans branco e com a parte cima do biquíni.
— Onde estava vestida assim? – foi logo a interrogando.
— Relaxa pai. Ninguém me deu tapinhas na rua.
— Olha como fala comigo Fernanda! Sou teu pai e exigo respeito.
— Você não é meu pai.
Juliano sentiu o ar faltar no seu peito, não conseguiu falar nem sequer uma palavra para contrariá-la.
— Não mais. – continuou. – Desde que se casou você virou o refém dela. – acusou entristecida por sentir falta da presença do pai, que na maioria do tempo vago, estava com a esposa.
— Não diga isso. Sempre serei seu pai e você minha princesinha — a trouxe para um abraço, não queria brigar com ela. Não hoje.
— Eu te amo papai. Mesmo que eu às vezes diga o contrario. – o apertou mais o abraço.
— Eu também te amo filha. – a beijou na testa e cessou o abraço. – Agora tenho que ir ver Luiza, ela se sentiu muito bem hoje.
— E quando ela se sente bem? Ah espera, quando estou mal. Mas pode ir avisá-la que graças a nossa discussão perto da piscina hoje mais cedo, eu estou mal. Ela me detonou. – acusou-a
— Vocês discutiram perto da piscina?! – Repassou em sua mente as palavras de Sueli que dizia que a patroa na hora do ataque estava muita exaltada.
— Sim, por quê? – ficou confusa pela mudança de humor repetina do pai.
— Porque ela teve um ataque hoje, quase morreu pela segunda vez. E parece que como da primeira, você foi o motivo.
— Esta me condenando sem saber o que houve?!
— Não. Estou aceitando o que você é.
— O que eu sou pai?! – gritou com raiva.
— Uma assassina.
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