La Prophétie - 2ª Temporada
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Wrath atendeu ao telefone com rapidez. Aileen não costumava ligar para ele, então algo deveria ter acontecido.
– Nalla aconteceu alguma coisa?
– Não, Wrath. Nada aconteceu ainda. — a voz da fêmea era um pouco incerta — Apenas... Eu pensei que gostaria de saber... seria bom que soubesse...
– Está protelando, Aileen. Vá direto ao assunto. — Wrath pediu delicadamente — Duvido que seja algo tão ruim assim. Não irá me assustar.
– Na realidade, tenho medo que se enfureça. — Aileen desabafou e respirou fundo — Eu compareci ao baile Kvinde, como havia dito que iria, e os membros da glymera organizaram algumas homenagens a diversas fêmeas. Haviam preparado uma para a rainha também, pois sua shellan havia confirmado a presença.
– Sei disso, porém ainda não vejo o problema. — o macho sentou-se e aguardou.
– Quando perceberam que ela não iria comparecer, eles me homenagearam no lugar, como a Eleita da profecia – ela despejou de uma vez — Imagino que isso não demorará a chegar aos ouvidos de sua Corte, então Heron sugeriu e eu concordei que seria bom que você já estivesse ciente.
– Vocês pensaram corretamente. Isso pode tornar-se um problema. Embora tenha sido bem melhor do que eu esperaria da glymera. — o rei enfim se permitiu relaxar — Fico curioso para saber quem exatamente seriam os "eles", mas sei que você não se sentiria confortável em contar e respeitarei isso.
– Eu agradeço. — ele tinha certeza de que ela sorria neste momento — Ainda me telefonará amanhã?
– Com toda certeza, leelan. Nossos telefonemas são alguns de meus melhores compromissos. — Wrath permitiu-se dedicar aqueles momentos a sua fêmea, como fazia todas as noites — Havers agendou sua consulta?
– Sim. E por algum motivo, ele parecia desesperado em localizar um horário para me atender. — a voz dela era divertida demais para tornar o tom de reprimenda eficaz — Vocês poderiam parar de amedrontar o médico.
– Seria maldade tirar o divertimento de meus Irmãos, minha nalla. Eles têm apreciado as visitas que fazem ao nosso bom doutor.
O rei não pode evitar sorrir com o pensamento, naqueles dias tensos, as visitinhas ao doutor haviam animado aos irmãos, mesmo que por alguns instantes.
[...] N/A: A seguir haverá um trecho do livro. Se alguém ainda não leu, esteja avisado. [...]
Enquanto Phury acendia seu segundo néscio, Wrath esclareceu a garganta.
— Agora… sobre a cerimônia do Primale.
Phury inalou forte quando V elevou os diamantinos olhos.
Maldição… o macho parecia ter envelhecido cento e cinquenta anos na semana passada, tinha a pele cítrica, as sobrancelhas caídas, os lábios apertados. Nunca tinha sido a alma da festa para começar, mas agora tinha aspecto gasto como o toque de defuntos.
— O que aconteceu? — disse V.
— Eu estarei lá. —Wrath olhou a seu redor— Phury, você também. Iremos esta noite à meia-noite, ok?
Phury assentiu, logo se animou, porque pareceu que Vishous ia dizer algo. O corpo do irmão se esticou, seus olhos se acenderam, a mandíbula se moveu… mas então nada saiu de sua boca.
Phury exalou uma baforada de fumaça e apagou o néscio em um cinzeiro de cristal. Era brutal ver seu irmão sangrar, saber que sofria enquanto você não podia fazer nada... Ficou gelado, uma calma misteriosa se apoderou dele, uma que não tinha nada que ver com a fumaça vermelha.
— Cristo em uma muleta —disse Wrath, esfregando os olhos — Fora daqui, todos vocês. Vão relaxar. Todos estamos perdendo a perspectiva...
Phury disse em voz alta:
— Vishous, se não fosse pela merda do Primale, estaria com Jane, não?
Os olhos diamantinos de V se voltaram para ele e os entrecerrou até formar frestas.
— Que merda tem isso que ver com tudo?
— Estaria com ela — Phury olhou ao Wrath — E você permitiria, correto? Quero dizer, sei que é humana, mas permitiu que Mary viesse...
V o cortou, com a voz tão dura como seus olhos, como se não pudesse acreditar que Phury fosse tão sem consideração.
— Não há forma de fazê-lo funcionar. Então simplesmente deixa estar. Foda-se.
— Mas… há.
Os olhos do Vishous cintilaram com uma violenta cor branca.
— Não se ofenda, mas estou no limite de meus nervos. Dar marcha ré seria um plano realmente bom para você neste instante.
Rhage se moveu imediatamente em volta de V, enquanto Zsadist foi colocar-se ao lado de Phury.
Wrath ficou de pé.
— Que tal se deixarmos o assunto.
— Não, me escutem — Phury se levantou da cadeira — A Virgem Escriba quer um macho da Irmandade, correto? Com fins de criação, correto? Por que tem que ser você?
— Quem mais poderia ser? — grunhiu V enquanto se inclinava assumindo uma posição de ataque.
— Por que não… eu?
No silêncio que seguiu, uma granada poderia ter deslizado sob o escritório do Wrath e ninguém teria notado: a Irmandade simplesmente o olhava como se lhe tivessem saído chifres.
— Bom, por que não posso ser eu? Ela só precisa do DNA, certo? Então qualquer que seja o irmão deveria poder fazê-lo. Minha linhagem é forte. Meu sangue é bom. Por que não posso ser eu?
Zsadist exalou:
— Jesus… Cristo.
— Não há razão para que não possa ser o Primale.
A agressividade de V desapareceu deixando-o com uma expressão como se alguém o tivesse batido com uma frigideira na parte de trás da cabeça.
— Por que faria isso?
— É meu Irmão. Se posso arrumar o que está errado, por que não fazê-lo? Não há nenhuma fêmea que queira. — Quando lhe fechou a garganta, a massageou — É o filho da Virgem Escriba, correto? Então poderia lhe sugerir a mudança. A qualquer outro provavelmente mataria, mas não a você. Merda, possivelmente só teria que informá-la — deixou cair a mão — E poderia lhe assegurar que eu serei melhor para isso, porque não estou apaixonado por ninguém.
Os olhos de diamante de V não se separavam do rosto de Phury.
— Estaria errado.
— Todo o assunto está errado. Mas isso não é relevante, verdade? — Phury lançou um olhar para o delicado escritório francês, encontrando os olhos de seu rei — Wrath, você o que diz?
— Porra. —foi a réplica.
— Uma escolha apropriada de palavras, meu Senhor, mas não é realmente uma resposta.
A voz de Wrath se voltou baixa, realmente baixa.
— Não pode falar sério...
— Tenho um par de séculos de celibato que compensar. Que melhor maneira de me desforrar? — foi dito como uma brincadeira, mas ninguém riu — Vamos, quem mais poderia fazê-lo? Todos estão tomados. O único outro possível candidato seria John Matthew, por ser da linhagem de Darius, mas John não é membro da Irmandade, e quem sabe se o será algum dia.
— Não. — Zsadist sacudiu a cabeça — Não… isto o matará.
— Possivelmente se foder a morte, sim. Mas, além disso, estarei bem.
— Nunca terá uma vida se fizer isto.
— É obvio que a terei. — Phury sabia exatamente o que Z estava insinuando então deliberadamente desviou sua atenção de volta ao Wrath — Permitirá que V tenha Jane, não é assim? Se fizer isto, permitirá que estejam juntos.
Isso não foi adequado, é obvio. Porque você não dava uma ordem ao Rei, tanto por tradição como por lei… e também porque chutaria seu traseiro através de todo o estado de Nova Iorque. Mas nesse momento Phury não estava muito preocupado com o protocolo.
Wrath colocou a mão sob os óculos de sol e esfregou os olhos cansativamente. Logo deixou sair um longo suspiro.
— Se alguém pode dirigir os riscos de segurança inerentes a uma relação com um humano, é V. Então… sim, que me pendurem, mas o permitiria.
— Então me permitirá o substituir. E ele irá ver a Virgem Escriba.
O relógio de pé no canto do escritório começou a soar, as firmes badaladas eram como os batimentos do coração. Quando deixou de soar, todos olharam a Wrath.
Depois de um momento o rei disse:
— Que assim seja.
Zsadist amaldiçoou. Butch assobiou baixo. Rhage mordeu um pirulito.
— Então tudo está bem — disse Phury.
“Santa merda, o que acabo de fazer?”
Aparentemente, todo mundo pensava o mesmo, porque ninguém se moveu nem disse uma palavra.
Vishous foi o que rompeu o ponto morto… atravessou o estudo em uma carreira mortal. Phury não soube o que o bateu.
Um segundo estava a ponto de acender outro néscio; no seguinte, V cruzava o escritório, lançava um par de robustos braços ao redor dele, e lhe tirava a respiração de um apertão.
— Obrigado — disse Vishous roucamente — Obrigado. Mesmo que ela não o permita, obrigado, Irmão.
[...]N/A: Fim do trecho do livro [...]
Wrath estava ciente da aproximação e do humor turbulento de sua shellan antes mesmo que ela fizesse a porta bater violentamente. Ele sabia que nenhum desastre havia ocorrido, então conseguia imaginar a razão por trás daquilo.
– Algum problema leelan?
– Todos os problemas. – Beth praticamente gritou, passando a caminhar de um lado para o outro – Ainda não consigo acreditar na audácia daquelazinha... Como ela teve coragem?!
A fêmea parecia falar consigo e tinha pouca coerência.
– Se acalme, leelan. E seja mais clara, por favor. – o monarca se acomodou melhor e aguardou, apenas as poucas palavras sem sentido dela já lhe confirmara o assunto em pauta, mas esperaria por suas palavras.
– Aquela fêmea, a Eleita – ela falou o titulo com desdém, enquanto sua voz se elevava -, se apossou da homenagem que seria minha por direito no Baile Kvinde, diante da glymera.
– Você não compareceu a esse baile, leelan, é impossível que ela tenha roubado algo que fosse seu. – Wrath esperava fazer a fêmea enxergar a razão, sem maiores embates.
– Isso não vem ao caso, Wrath. Pelo que eu soube aquele tipo de homenagem só é ofertado a maior representante das fêmeas da raça, que apenas deixa de ser a rainha quando não há uma. – a voz dela continuava alta – A glymera não poderia ter oferecido a ela e nem ela ter aceitado.
O Rei Cego refletiu um pouco antes de responder.
Dizer que sua shellan estava errada, seria injusto, mas também era preciso levar em consideração tudo o que ocorrera. Por mais tentador que fosse sempre colocar a culpa na glymera, desta vez, eles não eram inteiramente culpados.
– Leelan, antes de sairmos atribuindo culpas, precisamos pensar friamente no que aconteceu. – ele apontou, gesticulando para que sua companheira se sentasse em seu colo, como era seu costume – Você garantiu a glymera que compareceria ao baile, não foi?
Contrariada, Beth ignorou o gesto do amado e sentou-se em uma das cadeiras, enquanto assentia forçadamente.
– Não é difícil de imaginar que eles tenham preparado a homenagem pensando em sua presença e, no momento em que você não compareceu, precisaram direcioná-la a alguém. – ele fez uma breve pausa – Aileen era a escolha mais certa e lógica.
– Escolha mais certa?! – Beth realmente gritou, enquanto se colocava em pé novamente – Como pode ser uma escolha certa escolher aquela fêmea para representante das fêmeas da raça? Nunca alguém como ela poderia ocupar essa posição! E digo mais, aquela vadia jamais poderia me representar.
– Beth... – Wrath tentou interrompê-la, lutando para manter a voz calma, mas foi ignorado.
– Ela só merece desprezo. Uma fêmea que se deita com vários machos de outras...
– Já basta Elizabeth! – o grito do Rei Cego retumbou pelo escritório, ao mesmo tempo em que ele se colocava em pé.
Presenciar Wrath elevar a voz devido à raiva, já conseguia ser assustador. Porém, para Beth ter isso direcionado a ela tornava tudo muito pior.
– Wrath?! – a voz dela espelhava sua confusão.
– Chega de insultos, Beth. Você precisa ponderar mais suas palavras e ações para com Aileen. – ele não estava mais gritando, mas o tom imperioso estava evidente em suas palavras – ela não escolheu ser a Eleita, não escolheu seu papel na raça, mas o aceitou tanto pela impossibilidade de negar quanto pelo bem de todos nós. E, acima de tudo, ela não pode ser responsabilizada por ter sido homenageada pela glymera em seu lugar, quando você descumpriu um compromisso com eles.
– Estou cada vez mais admirada por você defende-la depois de tudo. Veja a reação que ela é capaz de provocar em você. – a fêmea o fitou com intensidade — É impossível que não se dê conta de quem ela é e o que representa.
– Ela é uma fêmea de valor que tem sido injustiçada, principalmente por você e pelas outras fêmeas desta casa. – Wrath tentava se segurar, mas estava por um fio. Amava Beth com sua vida, se tratava de sua primeira shellan, sua rainha. Mas, nem mesmo ela poderia ofender sua fêmea. – Está na hora de vocês pararem com isso de a detestarem e de procurar maneiras de culpá-la por tudo. Não há motivos para isso.
Beth riu com escárnio, algo completamente errado para ela na visão de seu hellren e que não contribuiu para acalmá-lo.
– Temos motivos suficientes para detestar essa vadia. O que eu não entendo é o real motivo para que a defenda dessa forma tão apaixonada. Que importância é essa que ela tem para você?
Possivelmente, se fosse um macho diplomático, Wrath teria reagido de uma maneira diferente, teria medido melhor as palavras. Mas, essa reflexão só lhe ocorreria depois...
– Eu a defendo porque ela também é minha fêmea. Eu tomei como minha segunda shellan.
No silêncio que se seguiu uma agulha caindo poderia ser ouvida.
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