La Prophétie - 2ª Temporada
12 Capítulo 12
Notas iniciais
O escritório vibrava de energia. Beth se sentia a ponto de explodir.
– Não pode estar falando sério. Além de admitir para mim que está envolvido com aquela fêmea, você quer oficializar isso com uma Cerimônia de Segunda Vinculação? O que espera com isso?
– Não quero que Aileen seja vista pela glymera como alguém sem valor o suficiente para que eu assuma um compromisso com ela, que pensem que eu a considero um segredinho sujo. Sua imagem já foi prejudicada o suficiente por mim e pela Irmandade. – o rei explicou novamente.
– Mas, não se importa que pensem menos de mim?
Wrath flexionou e soltou seus punhos, para evitar que sua paciência se esvaísse.
– Ninguém pensará menos de você. Sua posição não será alterada, sempre será minha primeira shellan e rainha da raça. Todos da glymera sabem que eu tomar uma segunda shellan não alterará nada disso. E quem pensar algo diferente terá que se resolver comigo.
A fêmea observou seu companheiro por um instante.
Sabia que ele falava sério, que a defenderia de qualquer maledicência. Porém, não conseguia relacionar esse macho que a defenderia de tudo ao macho que desejava assumir uma segunda shellan mesmo sem sua aceitação.
O fato é que não importava quantas vezes lhe fosse dito sobre os costumes da raça, ainda lhe era algo praticamente incompreensível dividir seu hellren com outra.
– A Eleita está lhe exigindo que tome essa atitude? – ela questionou.
– Não, Beth. Aileen nem mesmo sabe de minhas intenções. Preferi falar primeiro com você? Deixá-la preparada. – Wrath passou a mão por seus cabelos em frustração, ansiava pelo fim dessas cenas.
– Então, se ela não está lhe exigindo, por que fazer algo assim? – a fêmea se aproximou do Rei Cego – Porque não deixar tudo como está? Ninguém se atreveria a cobrar nada de você.
Wrath fitou sua rainha intensamente.
– Minha honra cobraria. Não preciso justificar minhas ações para ninguém, é verdade. Mas, não aceito ter uma existência de desonra.
Olhando para seu hellren, Beth soube que nada alteraria sua decisão. O monarca estava resoluto. Não era justo, mas era um fato.
Estava na hora de mudar de atitude.
Não queria perder seu hellren e não deixaria que ninguém o tirasse dela. Também não o afastaria, facilitando para a outra. Seria inteligente e sutil.
Não tornaria as coisas fáceis para a Eleita, faria com que a outra desistisse por si mesma. Aileen saberia onde estava se metendo e iria se afastar de seu hellren para sempre. Era uma promessa.
– Você pode fazer o que quiser Wrath, é o rei. Mas, não participarei disso e não aceito que utilize a casa que foi de meu pai para essa abominação.
– Leelan, por favor...
– Não me chame de leelan após comunicar algo como isso. – ela caminhou até a lareira e fitou as chamas intensamente – Você a chama assim? Leelan?
– Quer mesmo falar sobre isso? – Wrath não sabia o que pensar após a mudança brusca de assunto.
– Eu gostaria de saber. – a fêmea não olhou para ele – Você a trata exatamente como trata a mim? Utiliza até o mesmo tratamento carinhoso?
O monarca balançou a cabeça levemente.
– Não acredito que tenha chamado Aileen de “leelan” alguma vez, talvez em um lapso, sem que me desse conta.
– Você a chama de que, então? – a fêmea
– Beth... — ele não queria enveredar por aquele assunto, imaginando que apenas aumentaria a confusão.
– Do que você a chama? – a rainha insistiu.
– Nalla. Eu a chamo de nalla. – Wrath disse por fim.
Beth virou-se para olhá-lo.
– Não me recordo de você me chamando de nalla. Sempre me chamou de leelan, desde o principio.
– Sei disso. Mas, no fim, as duas palavras significam praticamente o mesmo. Não significa que uma seja mais importante que a outra. – ele disse rapidamente, não queria que aquele fosse mais um motivo para sua amada pensar bobagens.
– Eu sei. – a fêmea sorriu fracamente – Apenas... É bom saber que nos diferencia de alguma forma. Que sabe com quem realmente está a cada momento.
O macho se levantou e aproximou-se de sua companheira, atraindo-a para seus braços.
– Não há como confundi-las, Beth. Sei exatamente quem são. Não é disso que se trata. Em algum momento entenderá isso.
A rainha duvidava muito dessa afirmação, mas não fazia sentido repetir algo de conhecimento público. Por hora, aproveitaria os braços de seu hellren.
[...]
Wrath se materializou em frente à casa de Aileen.
Mesmo sendo o esperado, fora diferente não ser recepcionado por um dos doggens.
Bateu na porta e assistiu com humor o momento em que a serva se espantava por vê-lo ali. Era a primeira vez que visitava sua shellan sem prévio aviso.
A doggen se recuperou em um instante e abriu espaço para sua entrada ao mesmo tempo em que lhe oferecia algo para beber.
Wrath rejeitou a oferta suavemente e, sem mais palavras, se dirigiu ao quarto de sua companheira no subsolo. O cômodo estava vazio, mas o barulho de agua caindo deixava claro o paradeiro da fêmea.
A tentação de se juntar a ela foi grande, mas não havia razão para assustá-la, algo que provavelmente aconteceria, por isso limitou-se a aguardá-la, sentado em sua cama.
Bastaram mais alguns minutos para que Aileen saísse do banheiro, envolta em uma delicada fragrância de ervas aromáticas. Ainda assim, o aroma do espanto em vê-lo pinicou o nariz do monarca.
– Wrath...?
– Boa noite, nalla.
A Eleita se recuperou rapidamente da surpresa e se aproximou de seu hellren.
- Eu não lhe esperava. – ela o beijou suavemente – Não que esteja reclamando.
O Rei cego fez com que sua fêmea se sentasse ao seu lado.
– Tenho algo para falar com você e não quis esperar.
– Aconteceu algo?
– Ainda não, mas tomei uma decisão que fará com que aconteça. – Wrath optou por não fazer rodeios, como era seu costume – Nós teremos uma Cerimonia de Vinculação em breve.
Aileen demorou alguns segundos para assimilar a grandiosidade do significado das palavras que ele proferira. Seu companheiro, o rei da raça, desejava que fosse realizada uma Cerimonia de Segunda Vinculação.
Em uma situação normal, o anuncio seria maravilhoso, mas já estava suficientemente claro que tudo o que envolvia o relacionamento deles estava longe de ser normal ou comum. Sempre havia algo mais a considerar.
– Wrath... isto é... repentino e inesperado. – tentou ordenar seus pensamentos para expressar o que realmente precisava – Mas... O que a rainha disse sobre isso? Estou certa em supor que ela sabe, não é?
– Sim, eu falei com Beth. Ela sabe o que eu planejo. Não está completamente satisfeita, mas confio que compreenderá com o tempo.
Aileen segurou a mão do rei.
– É muito para se esperar apenas do tempo, Wrath... Sabe que não precisa fazer isso agora, talvez seja melhor esperar que ela aceite tudo o que isso envolve.
O monarca a fitou seriamente.
– Minha decisão já foi tomada, Aileen. Agora ou depois não amenizará o impacto em Beth. Não enquanto ela ainda não decidiu dar uma chance a situação. Protelar apenas lhe daria a falsa sensação de que poderia não ocorrer. – os olhos dele foram para as mãos de ambos que permaneciam unidas – Hoje, eu sei que poderia ter lidado melhor com o início de nossa historia juntos, mas não posso alterar o passado. E manter nossa união como um segredo sujo, não tornará nada melhor.
Foi inevitável que o silêncio reinasse entre eles, enquanto a fêmea analisava suas palavras com cautela.
– Então, você pretende cumprir todo o percurso necessário e depois lidar com os conflitos que poderão surgir?
– Será melhor assim.
Ela não estava tão certa disso, mas sabia que nada mudaria a decisão de Wrath. Isto estava mais do que claro. Acima de tudo, ele era o rei da raça e não faria nada além de sua vontade, além de não se permitir ser dissuadido de suas decisões.
A única opção era dançar conforme a musica e aceitar as consequências, ansiando que ocorresse o melhor.
– Você planejou como será a cerimônia?
– Não. Quero que você decida. Deve ser algo que te agrade. – ele passou a acariciar os cabelos dela – Nunca chegou a planejar como seria quando se unisse com um macho? Como seria a cerimônia quando se unisse a mim?
Aileen sorriu, novamente fitando suas mãos unidas, não precisava pensar muito sobre isso.
– Eu sempre imaginei uma cerimônia natural: meu hellren e eu em uma queda-d’água a meia-noite, talvez em Eagle Creek¹ com um celebrante e poucas testemunhas. O luar iluminaria nossos votos.
– Achei que esse tipo de cerimônia houvesse saído de moda, com a glymera a cada dia mais interessada nos confortos da vida moderna.
– Tem razão. Mas, eu nunca desejei transformar o momento de minha união em um espetáculo para os membros da glymera. Sempre sonhei com um momento sublime, onde os reais propósitos da união fossem enaltecidos.
Wrath meditou brevemente nas palavras dela.
Estava tão acostumado a um comportamento específico por parte das fêmeas da glymera, que esse desprendimento representava uma agradável surpresa.
– Bem, não será algo difícil de organizar. – ele sentenciou – Apenas exigirá um pouco mais de criatividade, mas daremos um jeito.
– Não quero dar trabalho, meu hellren. Já estamos unidos, podemos ter uma cerimônia mais simples. – Aileen acariciou a face dele
– Besteira. – o monarca sorriu – Toda fêmea merece uma Cerimônia de Vinculação memorável. E você, como minha shellan, terá a sua.
Em resposta, ela beijou seus lábios suavemente.
– Se esse é o seu desejo, que seja cumprido.
– Exatamente. Percebeu como resolvemos tudo mais facilmente quando você concorda comigo? – Wrath sorriu para que sua shellan soubesse ser uma brincadeira – Quero que se mude para um lugar melhor, Aileen. Entendo que esse local represente seu grito de independência, mas você precisará de mais espaço e mais ajuda. Já encontrei uma propriedade perfeita e tenho a Irmandade cuidando da segurança.
A fêmea observou seu hellren.
Ele estava certo, seu lar era seu grito de independência. Porem, ela compreendia que ser shellan do rei da raça, exigia algumas mudanças de sua parte.
– Tenho certeza de que é um local maravilhoso.
O monarca acariciou o rosto dela.
– Obrigado por não dificultar. Minha vontade era que vivêssemos sob o mesmo teto, mas ainda precisamos percorrer um longo caminho antes disso.
– Eu entendo, Wrath. Não preciso que aprece nada, já tenho tudo o que preciso bem aqui.
O macho apenas assentiu. Não desejava prolongar aquele assunto.
Era algo que o incomodava bastante, mas que deveria ser resolvido apenas entre Beth e ele.
– Com isso decidido, podemos mudar de assunto. Estive conversando com Vishous e ele disse que Jane tem estudado sobre a gestação vampira para poder te ajudar. Nós concordamos que Havers pode não ser a melhor opção para você, mesmo com toda sua experiência.
– Será uma honra ter minha gestação acompanhada pela shellan de Vishous, mas não quero dar trabalho a ela ou causar qualquer desavença entre ela e as fêmeas da Corte.
– Isso não irá acontecer, nalla. Eu garanto. E lembre-se de que, como minha shellan, você também faz parte da Corte.
[...]
Olhos azuis esquadrinhavam com fascínio todo o local sem perder o mínimo detalhe.
Isnaria caminhou sem pressa por toda a mansão, deixando o quarto do casal por ultimo. Heron a seguia de perto, observando as emoções que passavam por sua face.
– Você gostou? – ele perguntou quando finalmente entraram no quarto que ocupariam.
Isnaria se voltou para seu hellren sorrindo.
– Se eu gostei? Essa casa é um sonho que se torna realidade. – ela uniu seus corpos, embrenhando seus dedos nos cabelos da nuca do amado – Você é perfeito. Como conseguiu arrumar tudo?
– Não posso levar todo o crédito. – ele sorriu diante da alegria de sua shellan – Aileen foi quem se lembrou dos detalhes do projeto que você havia desenvolvido quando éramos mais jovens. Então, eu pude coordenar a equipe sugerida por nossas mahmens.
– Não importa. – a fêmea o beijou docemente – A iniciativa foi sua e foi um gesto enorme. Ninguém mais o faria por mim.
– Você é tudo para mim, quero fazer muito mais por você. Te dar o mundo.
– Você já deu. – Isnaria beijou a garganta do amado – Você é meu mundo. É tudo o que eu sempre desejei, desejo e irei desejar.
Heron pegou a amada nos braços, enquanto lhe dava um beijo apaixonado, e caminhou para a cama que dividiriam a partir daquele momento.
– Quero você. – ele disse simplesmente antes de começar a despi-la.
– Você leu minha mente. – Isnaria sorriu maldosa arranhando os braços de Heron e esfregando sua pélvis contra ele – Eu estava louca para estrear nossa cama, nosso quarto, nosso banheiro e toda a casa.
– Se continuar provocando, a farei implorar por meu toque. – displicentemente, ele jogou sua camisa longe.
– Você não faria isso. Me quer na mesma medida que eu te quero.
– Me desafie, nalla. – sorriu, desabotoando sua calça – Tenho muito mais controle do que você.
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