La Prophétie - 2ª Temporada
11 Capítulo 11
Notas iniciais
[...] N/A: Trecho do livro [...]
Vishous nunca havia chorado antes. Durante toda sua vida, nunca havia chorado. Depois de todas as coisas horríveis de sua vida, ele havia chegado ao ponto em que decidiu que havia nascido sem dutos lagrimais. Os acontecimentos até aquele momento não tinham mudado isso.
Quando Jane morreu em seus braços, ele não chorou. Quando tentou cortar a mão na Tumba como um sacrifício e a dor tinha sido terrível, ele não havia chorado. Quando sua odiada mãe o impediu de fazer o que estava prestes a fazer, seu rosto continuou seco.
Mesmo quando a Virgem Escriba pôs a mão sobre o corpo de Jane e ele, aturdido, assistiu como sua amada era reduzida a cinzas, não chorou.
Mas agora chorava.
Pela primeira vez desde seu nascimento, as lágrimas rolavam por seu rosto e empapavam o travesseiro.
Tinham começado quando uma visão de Butch e Marissa no sofá da sala do Pit chegou a ele. Vívida… tão vívida. V não só podia ouvir o que eles pensavam, mas também sabia que Butch estava se imaginando com Marissa na cama com sutiã negro e jeans azuis. E Marissa estava imaginando Butch lhe tirando os jeans azuis e pondo a cabeça entre suas pernas.
V sabia que em seis minutos Butch ia tomar o suco de laranja que Marissa tinha na mão e o poria na mesa de café. Ele ia derrubar o suco, porque o copo ia aterrissar na borda de uma revista de esportes, e o suco molharia a calça de Marissa.
O tira usaria como desculpa para levá-la e despi-la. Mas no caminho eles passariam pela porta de V e perderiam os impulsos sexuais. Com olhos tristes, eles iriam à cama e ficariam ali abraçados.
V levou um braço ao rosto. E chorou incontrolavelmente. As visões haviam retornado, a maldição do futuro retornava a ele. A encruzilhada de sua vida havia chegado ao fim.
O que significava que esta seria sua existência de agora em diante: Não seria nada mais que uma concha vazia que jazia perto das cinzas de sua amada.
E, claro, em meio ao pranto escutou Butch e Marissa atravessando o corredor, escutou-os deter-se frente a seu quarto e então os ouviu fechar a porta do quarto deles. Não lhe chegou nenhum som de sexo amortecido pela parede que havia entre os quartos, nenhum golpe violento de cabeceira na parede, nenhum grito sufocado.
Assim como havia previsto. No silêncio que seguiu, V limpou as bochechas, então se olhou as mãos. A esquerda ainda doía um pouco pelo dano que ele havia causado. A direita brilhava como sempre… e as lágrimas eram brancas contra a cortina de fundo de sua iluminação interior, brancas como a íris de seus olhos.
Tomou um profundo fôlego e olhou o relógio.
A única coisa que o mantinha respirando era o anoitecer. Certamente ele já teria se matado... teria pegado sua Glock e colocado na boca, arrasando a parte de trás de sua cabeça... não fosse pelo anoitecer. Estava tomando-o como uma missão pessoal erradicar à Sociedade Redutora. Ia levar o resto de sua vida, mas que se dane, porque não havia nada mais ali fora para ele. E teria preferido deixar à Irmandade fazê-lo, mas Butch morreria sem ele, então ia ter que ficar.
Abruptamente, franziu o cenho e olhou para a porta. Depois de um momento limpou o rosto e disse:
— Estou surpreso de que simplesmente não entrasse.
A porta se abriu sem a ajuda de uma mão. No outro lado, a Virgem Escriba permanecia erguida no corredor, a negra túnica cobrindo-a da cabeça até os pés.
— Não estava certa de que seria bem-vinda — disse em voz baixa enquanto entrava no quarto.
V não levantou a cabeça do travesseiro. Não tinha nenhum interesse em honrá-la de nenhum modo.
— Sabe que não é bem-vinda.
— Sim. Então irei diretamente ao propósito de minha visita. Tenho um presente para você.
— Não o quero.
— Sim, o quer.
— Vá se ferrar. — Sob a túnica, sua cabeça pareceu cair. Não que ele se importasse por ferir seus preciosos sentimentos — Saia.
—Você vai querer...
Ergueu-se de forma brusca.
— Você tomou o que queria…
Uma forma transpassou a porta, uma forma fantasmagórica.
— V…?
— E a devolvo a você — disse a Virgem Escriba — De certo modo.
Vishous não escutou uma palavra do que dizia, porque não podia compreender o que estava contemplando. Era Jane… ou parecia. Era o rosto de Jane e o corpo de Jane, mas era… uma aparição transparente.
— Jane?
A Virgem Escriba falou enquanto se desmaterializava.
— Não precisa me agradecer. Somente deve saber que sua maldição é o modo em que poderá tocá-la. Adeus.
[…] N/A: Fim do trecho do livro. [...]
– Vishous deve estar exultante agora. – Aileen sorriu – Eu disse que o melhor poderia acontecer.
Wrath beijou os cabelos dela.
– Confiarei mais em sua fé de agora em diante, prometo.
– Não me faça essa promessa Wrath, pois nós dois sabemos que não poderá cumpri-la.
Em um movimento rápido, o macho os mudou de posição na cama, ficando sobre ela.
– Está duvidando de mim, nalla? – ele a olhou fingindo estar bravo.
– Confio minha vida a você, mas sei que é um macho de ação, um guerreiro. E guerreiros só recorrem à fé nos últimos casos e, ainda assim, estarão tentando resolver eles mesmos qualquer que seja o problema.
– Tem razão. – ele a beijou delicadamente.
– Eu sei. – a fêmea mordiscou o lábio de seu companheiro – Me contento que respeite o que acredito, como já faz.
O rei passou a beijar o pescoço de Aileen e ela soube que a conversa se encerrara ali. O que de certa forma era um alivio para ela.
Nos últimos dias, eles haviam passado pouco tempo juntos e ela estava sentindo falta de seus momentos com seu hellren. Poderia culpar os hormônios da gravidez, mas a verdade era que o amor que nutria por Wrath fazia com que ansiasse por estar com ele de todas as formas... sempre que possível.
[...] N/A: Trecho do livro [...]
Vishous pegou o chocolate quente do fogão e apagou o fogo. Enquanto vertia o cacau em uma taça, escutou um uivo e um “Oh, Meu Deus!”.
Do outro lado da cozinha da mansão, viu Rhage parado com o corpo em parte dentro de Jane, como se fosse uma piscina na qual estivesse mergulhado.
Os dois se afastaram de repente bem quando Vishous despia os dentes e rosnou para seu Irmão.
Rhage elevou as mãos.
— Não a vi! É sério!
Jane riu.
— Não é culpa dele. Não estava concentrada, então desapareci…
V a interrompeu.
— Rhage vai ser mais cuidadoso, não é, Irmão?
Implicando que ou macho o deveria fazer isso ou terminaria em apuros.
— Sim, absolutamente... Merda.
— Que bom que você concorda. — Vishous elevou a caneca e a entregou a Jane. Enquanto ela soprava a superfície, beijou-a no pescoço. E fez um pouco de carinho.
Para ele, Jane estava como sempre, mas para outros era algo diferente. Usava roupas, mas se não estivesse concentrada em materializar-se e alguém se chocasse contra ela as roupas se comprimiam como se não houvesse nada dentro delas, e a pessoa que estava em seu caminho basicamente andava através dela.
Era um pouco estranho. Além disso, se acontecesse que fosse um de seus Irmãos, o territorialísmo de V era mostrado com intensidade. A questão era que aquela era a nova realidade, então todo mundo tinha de lidar com ela. Ele e Jane estavam fazendo a transição a sua nova situação, e nem sempre era fácil.
Mas quem se importava? Tinham um ao outro.
— Então hoje você vai ao Abrigo? — perguntou.
— Sim, é meu primeiro dia em meu novo trabalho. Mal posso esperar! — os olhos de Jane brilharam — Depois voltarei aqui para fazer o pedido de equipamento para minha clínica. Decidi pegar duas doggens e treiná-las como enfermeiras. Acredito que é o melhor que se pode fazer para a segurança…
Enquanto Jane falava sobre os planos para a clínica da Irmandade e o que ia fazer pelo Abrigo, V começou a sorrir.
— O que? — Ela perguntou. Olhou-se, passou a mão no avental branco e depois olhou atrás dela.
— Vem aqui, fêmea. — Puxou-a contra ele e baixou a cabeça — Já mencionei ultimamente o quão sexy é sua mente?
— Estava mais interessado em outra coisa esta tarde, então não. – Ele riu ante seu irônico sorriso.
— Estava um pouco preocupado, não é mesmo?
— Hum, sim.
— Vou passar no Abrigo depois, tudo bem?
— Bem. Acredito que Marissa tem um problema com a rede sobre o qual quer falar com você.
Sem sequer ser consciente de fazê-lo, atraiu-a para perto e simplesmente a abraçou. Isto era exatamente o que ele queria, o entrelaçamento das vidas, esta proximidade, aquele propósito em comum.
Os dois, juntos.
— Você está bem? — ela perguntou brandamente para que ninguém mais pudesse ouvi-la.
— Sim. Sim, estou bem. —Pôs a boca próxima a sua orelha—. É só que… não estou acostumado com isto.
— Acostumado com o que?
— A sentir... merda, não sei. — afastou-se, sentindo-se estranho por estar tão envolvido — Não importa…
— Não pode se acostumar a se sentir como que as coisas estão bem?
Assentiu porque não confiava em sua voz.
Pôs a mão sobre seu rosto.
— Você vai se acostumar, como eu me acostumarei.
— Senhor? Desculpe?
V olhou para Fritz.
— Hei, cara, o que acontece?
O doggen fez uma reverência.
— Tenho o que o senhor pediu. Deixei no saguão.
— Excelente. Obrigado. — Beijou Jane — Então vejo você depois?
— Sem duvida.
Pôde sentir seus olhos sobre ele enquanto ia, e gostou. Gostava de tudo. Ele… Bom, merda. Estava simplesmente cheio da alegria, não estava?
Ao entrar no vestíbulo, encontrou o que Fritz tinha deixado na mesa aos pés da grande escada. No início não estava muito seguro de como dirigir a coisa… não queria feri-lo. Por fim, o sustentou brandamente nas mãos e entrou na biblioteca. Fechou as portas com a mente e enviou um pedido ao Outro Lado.
Sim, não estava seguindo a etiqueta com o traje, mas estava um pouco preocupado com o que tinha nas mãos.
Quando a permissão foi concedida, desmaterializou-se para o jardim da Virgem Escriba e foi saudado pela mesma Escolhida da última vez que tinha estado lá. Amalya começou a fazer uma reverência, mas olhou para cima quando um som de piado saiu das mãos dele.
— O que trouxe? — sussurrou.
— Um pequeno presente. Nada demais. — aproximou-se da árvore branca com pétalas brancas e abriu as mãos. O periquito saltou livre e aterrissou em um ramo como se soubesse que este seria seu lar agora.
O pássaro amarelo brilhante caminhou de acima a abaixo pelo galho pálido da árvore, suas pequenas patas segurando-se e soltando-se. Bicou uma pétala, piou… elevou uma pata e coçou o pescoço.
V colocou as mãos nos quadris e calculou quanto espaço havia entre todas as pétalas de tudo os galhos. Teria que trazer uma grande quantidade de pássaros.
A voz da Escolhida estava cheia de emoção.
— Renunciou a eles por você.
— Sim. E eu lhe trarei uns novos.
— Mas o sacrifício...
— Foi feito. O que está nesta árvore é um presente. — Olhou sobre o ombro — Vou encher a arvore, ela goste ou não. É sua escolha o que fará com eles.
Os olhos da Escolhida brilharam com gratidão.
— Ela vai mantê-los. E impedirão que se sinta solitária.
V tomou um profundo fôlego.
— Sim. Bem. Por que…
Deixou que a palavra se perdesse e a Escolhida disse brandamente:
— Não tem que dizê-lo.
Esclareceu a garganta.
— Você pode dizer que eu os trouxe?
— Não terei que fazê-lo. Quem mais, além de seu filho, faria algo tão amável?
Vishous olhou novamente o solitário pássaro amarelo no meio da árvore branca. Imaginou os ramos cheios de novo.
— Certo — disse.
Sem outra palavra, ele se desmaterializou de volta à vida que lhe tinha sido dada, a vida que estava começando… a vida da qual, agora, pela primeira vez, estava agradecido de ter.
[...] N/A: Fim do trecho do livro [...]
– Parece que tudo muda, não é mesmo.
– Estou aprendendo que sim, V. – Wrath concordou – Todos estamos mudando, evoluindo. Até mesmo você parece um novo macho.
Vishous teve que concordar com a zombaria de seu rei e Irmão, desde que Jane lhe fora devolvida, ele era um novo macho e tinha uma nova vida, que valia ser vivida.
– A proposito, Aileen está feliz por você. – o rei lembrou-se de transmitir a mensagem – Ela esperava que algo de bom acontecesse com você, não me pergunte como ou porque.
O macho fitou o monarca.
– Agradeça a ela por mim. Ela é uma boa fêmea e, depois de tudo o que aconteceu em sua vida, não é de se espantar que ela acredite no que parece impossível. – ele fez uma pausa – Eu falei sobre ela para Jane, sobre tudo o que ocorreu e o tratamento conflituoso que ela tem obtido de Havers. Minha shellan deseja ajudar, apesar de não ser a especialidade dela, ela pretende pesquisar sobre o assunto, pois concorda que Aileen mereça um tratamento melhor.
– Aileen merece tudo do melhor. Por isso, tomei algumas decisões que irão mudar as coisas. Ter presenciado sua situação com Jane, me fez pensar no quanto devemos viver a plenitude da vida.
– Irá assumi-la publicamente como sua segunda shellan. – Vishous deduziu.
– Sim. Pretendo conversar com Beth, antes mesmo de falar com Aileen. Mas, nada nem ninguém mudará minha decisão. Eu arrumarei alguns detalhes necessários e logo teremos uma Cerimônia de Segunda Vinculação.
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