La Prophétie - 2ª Temporada
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Wrath observou sua companheira retornar a cama, trazendo uma vasilha em suas mãos, que pelo cheiro estava repleta de frutas.
– Então, Heron marcou o nome Isnaria em suas costas? Pelo que me lembro, não é costume que os membros da glymera levem os nomes de suas shellans. – ele comentou.
Aileen se acomodou entre as pernas do macho e encostou-se a ele.
– Na realidade, esse costume se perdeu com o tempo. Poucos machos se dispõem a isso, mas ainda a alguns deles que tem coragem. – ela o alimentou com um morango – Foi uma bonita homenagem do Heron para a Is. Ela amou, apesar de não ter achado confortável, vê-lo ser ferido.
O Rei Cego fitou a fêmea com atenção.
– Você sente falta de uma Cerimônia de Vinculação legitima, com membros da raça testemunhando nossa união?
A Eleita virou-se para ele com um sorriso.
– Eu não preciso disso, Wrath. Nossa união é legitima para nós e eu já estou feliz e satisfeita com isso. – ela o beijou delicadamente – A única coisa que nubla isso é que esteja tendo problemas com a rainha. Não quero vê-lo preocupado com isso. Precisa conversar com ela e resolver o assunto.
O macho suspirou e encostou a cabeceira da cama.
– Ela não está aberta a conversas. Beth foi para a Casa Segura e disse que precisava de um tempo sozinha. Ela não parece compreender a situação.
– Eu só posso imaginar o que ela está pensando. Mas, sei que você precisa ser paciente com ela. – Aileen segurou a mão de seu companheiro e a acariciou com seus dedos – Precisa entender que ela não estava preparada para esta situação. Na verdade, toda essa situação é sem precedentes, então ninguém jamais esteve preparado para ela.
– Eu sei disso, nalla. – Wrath levou a mão dela aos lábios e a beijou – Porém, preciso confessar que, esperava uma reação mais aberta da parte de Beth, pelo menos. Sabia que ela não entenderia fácil, mas esperava algo melhor.
– Posso entender seu pensamento, mas, você deve concordar que, a maneira com a qual você contou tudo para ela não foi a mais acertada para o momento.
– Me culpo por isso até agora. – sem conseguir se manter parado por mais tempo, o macho se levantou e passou a caminhar de um lado para o outro. – Mas, não consegui aguentar quando a ouvi te ofendendo por algo que todos sabemos não foi sua responsabilidade. Ela e as outras fêmeas da mansão precisam parar com isso já.
– Eu entendo, Wrath. Mas, nem de longe, foi a melhor saída. – ela o alcançou e abraçou – Eu agradeço seu cuidado. Mas, você precisará se controlar a esse respeito, pois pode ser que isso aconteça novamente, desta vez como mecanismo de defesa de sua shellan.
O Rei Cego escondeu seu rosto nos cabelos da fêmea.
– Você é um guerreiro poderoso, porém lutar não é opção agora. – ela acariciou os cabelos de seu amado — Quanto a mim, o que me importa é apenas isso, meu hellren, nós dois juntos. Acima de tudo, quero vê-lo feliz e completo. Posso esperar pelo resto e enfrentar o que for preciso.
[...]
Wrath se dirigiu ao escritório, decidido a trabalhar um pouco.
Faltavam poucas horas para amanhecer e, tendo acabado de retornar da casa de Aileen, não havia muito que ele pudesse fazer.
Todos os Irmãos estariam ocupados, fosse dentro da mansão ou fora, o que claramente seria o caso de Vishous que iria visitar sua amada humana.
Logo eles teriam que conversar sobre uma resolução mais definitiva para esse assunto, por hora deixaria seu Irmão aproveitar a felicidade.
Foi uma grande e feliz surpresa encontrar Beth enroscada em sua poltrona, como se o aguardasse.
– Você está em casa. — ela exclamou enquanto se levantava.
– Você também. — o monarca não sabia exatamente como agir, mas estava decidido a seguir o conselho de sua segunda shellan e ser paciente com sua rainha.
Beth caminhou até seu hellren, um pouco incerta, e se jogou nos braços dele. Seu coração se encheu de alegria no momento em que ele a abraçou.
Para a rainha, havia sido terrível retornar a mansão e não encontrar seu companheiro. Por alguns instantes, ela imaginou o pior, que ele se mudara para a casa da fêmea Eleita.
Foi um alivio receber de Fritz a informação de que o rei planejava retornar antes do amanhecer. Esperar por ele fora torturante, mas valera a pena enfim.
– Você está bem? – Wrath questionou estranhando a atitude dela, mas sem soltá-la.
– Só estou feliz por você estar em casa e por estarmos juntos. – ela respondeu escondendo o rosto no pescoço dele.
O macho resolveu não falar nada, mas seu silêncio acabou transmitindo a mensagem que ele queria.
– Eu sei que fui eu que me afastei. – Beth admitiu fitando seu companheiro – Mas, toda essa situação foi demais para que eu aceitasse.
– Você estar de volta, significa que aceitou? – ele perguntou desconfiado.
– Não. Eu não posso aceitar algo assim. – a fêmea se afastou dele – Voltar para casa, significa que eu lutarei por nossa união. Eu não deixarei você para aquela fêmea, provarei que sou mais do que suficiente para você.
– Não se trata de você ser suficiente ou não, Beth. Quanto antes entender isso, será melhor. – Wrath argumentou – E minha união com Aileen não oferece nenhum risco a minha união com você. A única que pode me afastar de você, é você mesma.
– Pare antes de dizer que esses dois compromissos podem coexistir, porque não podem. – foi quase um grito. – Eu não aceitarei.
– Eu não irei abandonar nenhuma de minhas shellans, Beth. Isso está fora de cogitação. – não havia espaços para duvidas – Os dois compromissos fazem parte de mim. Estamos ligados, não há volta.
Beth fitou seu hellren com um olhar desafiador.
– Então, terei que mostrar para aquela fêmea quais privilégios cabe à primeira shellan do rei da raça e rainha, é claro. Vejamos até onde o amor que une ela a você pode aguentar.
[...] N/A: Trecho do livro. [...]
Phury estava a ponto de perder a cabeça. Mas tinha que fazer fila se quisesse perder o controle, porque todos os Irmãos estavam com problemas. Principalmente Butch, que passeava pelo escritório como um prisioneiro na solitária.
Nenhum sinal de Vishous. Nenhum telefonema. Nada. E o amanhecer estava chegando como um trem de mercadorias.
Butch se deteve.
— Onde fariam um funeral para uma shellan?
Wrath franziu a testa.
— Na Tumba.
— Você acha que ele a levaria para lá?
— Ele nunca foi muito afoito aos rituais e ainda mais com a historia de sua mãe... — Wrath negou com a cabeça — Ele não iria para lá. Além disso, saberia que seria um dos lugares onde nós o procuraríamos, e V é bem reservado. Se realmente quiser enterrá-la, não quererá plateia.
— Sim.
Butch começou a caminhar de novo quando o relógio de parede soou marcando quatro e meia da madrugada.
— Sabem o que? — disse o tira — Vou checar, se vocês concordarem. Não aguento estar aqui nem um segundo mais.
Wrath deu de ombros.
— Por que não? Não temos mais aonde ir.
Phury se levantou, também incapaz de seguir esperando mais.
— Vou com você. Precisará que alguém que te mostre onde está a entrada.
Devido a Butch não poder se desmaterializar, os dois entraram no Escalade e Phury atravessou o gramado com o veiculo e foi para dentro da floresta. Com o sol prestes a nascer, ele não fez o trajeto comum, pegou um atalho para a Tumba.
Os dois ficaram em absoluto silêncio até que Phury os aproximou da entrada da cova e saíram.
— Sinto cheiro de sangue — disse Butch — Acredito que o encontramos.
Sim, havia um mínimo rastro de sangue humano no ar… sem dúvida de V ter carregado Jane para dentro.
Merda. Correndo para dentro da caverna, eles se dirigiram para a parte de trás, passando pela entrada disfarçada e descendo até os portões de ferro. Um dos lados estava aberto, e havia um rastro de pegadas úmidas que levava ao centro do corredor de jarras.
— Ele está ali! — disse Butch, aliviado, algo que demonstrava em suas palavras.
Sim, mas por que V, que detestava a sua mãe, enterraria a fêmea que amava seguindo as tradições da Virgem Escriba? Não enterraria.
Quando começaram a descer o corredor, a sensação de problemas aumentou para Phury… especialmente quando eles chegaram ao final e viram um oco vazio nas estantes, onde faltava a jarra de um redutor. Oh não. Oh… Deus, não. Eles deveriam ter trazido mais armas. Se V tivesse feito o que Phury temia, iriam precisar estar armados até os dentes.
— Espere! — Ele parou, pegou uma tocha da parede e a passou a Butch. Depois de pegar uma para si mesmo, segurou seu braço — Prepare-se para lutar.
— Por quê? V pode estar irritado por estarmos aqui, mas não será violento.
— Você deve tomar cuidado com Jane.
— De que diabos está falando…
— Acredito que pode ter tentado trazê-la de volta à vida…
Uma luz brilhante explodiu mais adiante, transformando a noite em dia.
— Merda! — grunhiu Butch depois que passou — Não me diga que ele faria isso.
— Se Marissa morresse e você pudesse fazer isso, não faria?
Os dois correram e entraram na caverna. Somente para deter-se em seco.
— O que é isso? — sussurrou Butch.
— Não… não tenho nem ideia.
Com passos lentos e silenciosos, caminharam para o altar, paralisados pela cena que tinham diante. No meio do bloco de pedra havia uma escultura... um busto… da cabeça e ombros de Jane. A composição estava feita em pedra escura, tão bem trabalhada que parecia uma fotografia. Ou talvez um holograma. A luz da vela iluminava os traços com um brilho que parecia lhe dar vida. Na ponta mais distante da coluna havia um jarro de cerâmica quebrada, o crânio sagrado da Irmandade, e também o que parecia um coração coberto de óleo.
Do outro lado do altar, V estava apoiado contra o muro de nomes, com os olhos fechados, as mãos em seu colo. Um de seus pulsos estava enfaixado fortemente com uma bandagem de tecido negro, e faltava uma de suas adagas. O lugar cheirava como a fumaça, mas não havia nada no ar.
— V? — Butch se aproximou e se ajoelhou ao lado do amigo.
Phury deixou Butch se encarregar de V e se dirigiu ao altar. A escultura era perfeitamente semelhante à Jane, tão real que poderia ser ela enquanto viva. Estirou a mão, obrigado a tocar o rosto, mas no instante que seu dedo indicador entrou em contato com ele, o busto perdeu toda a forma. Merda. Não era feita de pedra, mas, sim, de cinzas, e não era mais que um monte revolto do que deviam ser os restos de Jane.
Phury olhou para Butch.
— V está vivo?
— Bom, ele está respirando.
— Vamos levá-lo para casa. — Phury olhou as cinzas — Vamos levar ambos para casa.
Ele precisava de algo no que levar Jane, e certamente não usaria um jarro de redutor. Olhou ao seu redor. Não havia nada.
Phury tirou a camisa de seda e a estirou no altar. Era o melhor que podia fazer, e estavam ficando sem tempo. O dia estava chegando. E não tinha como atrasá-lo.
[...] N/A: Fim do trecho do livro [...]
– Ele está destruído, nunca imaginei ver V assim. — Wrath confessou – Me desculpe por não visitá-la ontem, mas eu tinha que estar lá para o meu Irmão.
Aileen abraçou o macho e lhe beijou calmamente.
– Você fez a escolha certa, Wrath. Precisava estar com ele e ainda precisa. – mais um beijo rápido — Volte para a mansão, nallum, e garanta que seu Irmão saiba que o apoia nesse momento.
– Não quero que se sinta negligenciada. — o macho protestou fracamente.
– Não me sentirei, não se preocupe. Vishous precisa mais de seu apoio do que eu neste momento. — a fêmea lhe sorriu — Vá ajudá-lo da maneira que puder e, se ele lhe permitir falar, diga que meus sentimentos e pensamentos também estão com ele e que minhas preces estão direcionadas para que lhe aconteça o melhor.
– Não vejo como algo possa acontecer de melhor para ele, nalla, sinceramente.
Ela o fitou com intensidade.
– Talvez, seja porque eu tenha mais fé do que você.
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