La Dueña de Mi Vida
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Letícia liga na Conceitos logo de manha. Precisa avisar que irá se ausentar por alguns dias. Resolve falar com Márcia, já que Aldo e Tomás já sabem e na ausência de Luiggi e Fernando ela seria a mais indicada para cuidar de assuntos de produção e marketing, e Tomás e Aldo da parte financeira e burocrática a substituindo.
Lety: Alô, Lola? Aqui é a Lety! A dona Márcia já chegou?
Lola: Sim acabou de chegar, vou passar a ligação.
Lola passa a ligação e avisa que é Lety.
Márcia: Alô, Letícia!
Lety: Oi, dona Márcia! Estou ligando pra avisar que aconteceu um problema.
Márcia: Alguma coisa grave, você está bem?
Lety: Sim, estou bem. É que aconteceu um problema de família, e terei que viajar por alguns dias.
Márcia: Mas como assim? O Luiggi e o Fernando já estarão fora, essa viagem é mesmo necessária?
Lety: Sim, não posso deixar de ir, na verdade tenho que estar lá o quanto antes. Mas não se preocupe, a senhora, Aldo e Tomás tomarão conta de tudo.
Márcia: Mas o Tomás acabou de casar!
Lety: Sim, mas ele só vai se ausentar por dois dias, quando voltar darei a ele alguns dias de folga.
Márcia: Ai, Lety! Não sei não! Fico insegura sem vocês aqui!
Lety: Não se preocupe dona Márcia! Confio na senhora, não há ninguém que ame tanto essa empresa quanto a senhora!
Márcia: Obrigado pela confiança!
Elas se despedem e Lety desliga. Fica feliz com a conversa. Ela e Márcia estavam se dando muito bem. Termina de arrumar suas malas, e vai para o aeroporto. Lá encontraria Fernando. Seriam muitos dias de convivência, mas não estava preparada psicologicamente pra isso.
Fernando chega ao aeroporto. Da uma volta e rapidamente encontra Lety. Ela o vê de longe. Seus cabelos ainda estão molhados do banho, penteados para trás com gel como de costume, mas levemente bagunçados, deixando um cacho visível. Ele veste uma camisa branca um pouco aberta encima e uma calça jeans. Costuma vê-lo sempre tão formal que ainda se surpreende quando está assim mais casual. Branco é a cor que ela acha que lhe cai melhor, devido ao contraste com sua pele morena clara. Estava um gato, nem ela mesma podia acreditar que aquele homem já foi seu!
Fernando: Oi!
Lety: Oi!
Fernando: Dona Lety... Acho que é melhor se vestir de Aurora. Não pode chegar lá de Letícia!
Lety: Mas que cabeça a minha! Tem razão! Mas será que dá tempo?
Fernando: Sim... chegamos cedo.
Ela se afasta em direção aos banheiros. Não demora muito, já está pegando a prática. Sai do banheiro e vai em sua direção. Está com um vestido leve, estampado e de sandálias de salto alto. Onde passa arranca suspiros, todos os homens se viram para vê-la. Fernando a olha maravilhado.
Lety: Pronto. Podemos ir! -Lety começa a piscar incontrolavelmente o olho.
Fernando: O que foi Lety? Parece nervosa!
Lety: Ai, Seu Fernando! É que tenho medo de aviões... O senhor sabe!
Fernando: Vai querer uma tequila pra relaxar?
Lety: Não! Lembra da última vez? Hihihihi!
Os dois começam a rir lembrando de como ela havia ficado bêbada na viagem à Alemanha.
Fernando: Como poderia esquecer... Foi maravilhoso!
Eles param de rir e se encaram, mesmo sem querer Fernando acabou dizendo algo que mexeu com ambos. Eles ficam olhando nos olhos presos às lembranças quando escutam anunciarem o vôo.
Lety: Temos que ir... Esse é o nosso vôo!
Fernando: Sim, sim... Claro!
Eles embarcam e se sentam lado a lado. Fernando pode notar o quanto está tensa. Ela não consegue disfarçar.
Fernando: Lety, tente relaxar! Será uma viagem tranqüila, vai ver!
Lety: Não consigo ficar sossegada enquanto não decolar! Mas não se preocupe... Já vai passar.
Fernando: Claro que me preocupo! Não gosto de te ver assim... Com medo!
Lety: Obrigada! Ainda bem que o senhor está aqui pra me tranqüilizar.
Ele pega sua mão.
Fernando: Vou segurar sua mão até que o avião esteja no ar em segurança.
Ela agradece com um sorriso.
O avião decola e começa um vôo estável. Seriam poucas horas, mas a proximidade a deixava desconfortável. Havia uma tensão entre eles, como se não se conhecessem mais como antes. Mal conversam, apenas falam de amenidades. Após uma hora de vôo o tempo muda, Lety olha pela janela e vê nuvens carregadas e relâmpagos cortando o céu muito perto.
Lety: Ai, Meu Deus! Esse avião não vai agüentar uma tempestade.
Fernando: Fica calma, Lety! Vai ficar tudo bem.
Nesse momento começa uma turbulência. Lety fica muio assustada, fecha os olhos, Fernando segura em sua mão e começa dizer palavras de conforto para acalmá-la. Ela se concentra em sua voz e se deixa acalmar. Se sentia segura ao seu lado, mesmo dentro de um avião balançando! A turbulência cessa, mas a tempestade é forte la fora. Fernando a impede de ficar olhando para fora, para não ficar mais amedrontada. Escutam a voz do piloto anunciando que devido ao mau tempo teriam que fazer uma escala em uma cidade não muito longe do destino.
Lety: Vamos descer? Graças a Deus!
Fernando: Turbulências são comuns, só vamos aterrissar por medida de segurança.
Lety: Só vou me sentir segura em terra firme.
O avião aterrissa e logo estão no saguão do aeroporto. Não é muito grande e movimentado como o da capital. Fernando olha o painel de vôos e percebe que todos estão cancelados.
Fernando: Como iremos chegar ao litoral? Todos os vôos estão cancelados!
Lety: Calma, daremos um jeito. Vamos pedir informação.
Eles se aproximam do balcão e uma atendente os cumprimenta.
Fernando: Boa tarde, a senhora poderia me informar quando sairá o próximo vôo pra Acapulco?
Atendente: Ainda não temos previsão. Somente saberemos quando a tempestade passar.
Fernando: Bem... É que nós dois somos atores... Temos gravação marcada para amanhã bem cedo, sabe como é! Será que não teria como agilizar alguma coisa...
Atendente: Meu senhor, infelizmente não posso fazer nada.
Lety percebe que Fernando vai contestar e prevendo uma discussão resolve intervir.
Lety: Seu Fernando é melhor esperarmos, vamos!
Eles vão até um banco próximo e se sentam.
Fernando: Se não chegarmos a tempo Luiggi vai ficar uma fera! Ele disse que queria pegar a luz da manhã e você sabe muito bem como fica aquela mariposa quando é contrariada!
Lety: Eu vou ligar para avisar do imprevisto, melhor saber pela Aurora!
Letty disca o número de Luiggi e conta o ocorrido, usando a voz da Aurora.
Ela desliga e se volta para Fernando que parece impaciente.
Lety: Ele vai sobreviver, tenho pena de quem vai conviver com ele... Ficou uma fera!
Fernando: E se alugássemos um carro? Estamos a poucas horas de lá!
Lety: O senhor acha que é uma boa idéia?
Fernando: Claro! Ainda estamos no meio da tarde, chegaremos a tempo de jantarmos no hotel.
Lety acaba concordando, na verdade preferia mesmo ir por terra. Eles alugam um carro e seguem pela estrada. A chuva ainda é forte em alguns pontos, mas não tanto quanto ao saírem do aeroporto. Eles conversam amigavelmente agora, rindo e lembrando de situações engraçadas que passaram.
Lety: E naquele dia em que o senhor andou de ônibus pela primeira vez? Hhihihihih... Quase te mataram de tantos golpes de bolsa.... Foi hilário!
Fernando ri alto com a lembrança.
Fernando: Aquela louca me acusando de roubo... Como eu ia saber que tinha lugar apropriado pra me segurar?
Ambos começam a rir novamente. Fernando a olha pelo canto dos olhos. Ela havia tirado a peruca, ficando com a costumeira trança, dizendo que ficaria mais a vontade, pelo menos enquanto estivessem a sós. Agora ali sorrindo como estava, ficava linda... Metade Aurora, pelas roupas e maquiagem, metade Lety com seu cabelo preso e rindo despreocupada. Ela não tinha consciência do quanto essa mistura a deixava irresistível. De repente o carro começa a falhar, tirando Fernando de seus pensamentos.
Lety: O que está acontecendo? Algum problema, Seu Fernando?
Fernando: Não sei... O carro está falhando!
Ele para, encosta o carro e desce na chuva pra ver o que está acontecendo.
Ao abrir o capô uma nuvem de fumaça sobe. Era pior do que pensava, ele dá a volta e entra de novo no carro, agora molhado.
Lety: O que aconteceu? Eu vi fumaça.
Fernando: Acho que super aqueceu, posso ir lá tentar resolver...
Lety: Seu Fernando me desculpe, mas acho que o senhor não tem muita experiência com mecânica.
Fernando: Tem razão! Não posso acreditar que está acontecendo com a gente de novo!
Lety: Sim... Como daquela vez na Serra que tivemos que dormir no carro. O pior é que está ficando escuro, e a quilômetros não vejo movimento algum, nem mesmo um bar. Essa estrada parece deserta! E pra piorar o celular não funciona.
Fernando: Daremos um jeito, posso ir andando pra ver se encontro alguém.
Lety: E eu vou ficar aqui sozinha? Não... Eu vou com o senhor.
Fernando: Não, está chovendo muito não quero que fique doente!
Lety: Não precisa se preocupar... Quase nunca fico doente.
Fernando: Como não? Outro dia mesmo estava indisposta e... -Fernando se lembra derrepente que foi uma desculpa- Ah, me esqueci, foi apenas uma mentira!
Lety: Seu Fernando, por favor não comece com esse assunto.
Fernando: Não estou começando... Eu só disse o que aconteceu, nada mais. -A lembrança o aborrece.
Lety: Mas aposto que disse pra me provocar!
Fernando: Eu? Por favor! A senhora que inventou tudo isso e agora me acusa de provocá-la?
Os dois se alteram.
Lety: Agora já voltou com o "senhora" de novo? O senhor continua o mesmo de sempre, um infantil!
Fernando: Eu que sou o infantil? Quem vive fazendo jogos aqui é você! É assim que quer que eu a chame? Você.
Lety: Pra mim tanto faz como me chama ou deixa de chamar. Quer saber, eu mesma vou procurar ajuda.
Ela abre a porta e sai do carro.
Fernando: Espera Letícia!
Lety ignora seu chamado e ele também sai do carro. A chuva forte encharca seu vestido rapidamente e o cola ao corpo.
Lety: Esperar para que? Não vou passar a noite esperando que um milagre aconteça e alguém nos encontre.
Fernando: E o que pretende? Sair pela estrada sozinha? Acha que vou deixá-la por aí com essa roupa?
A roupa molhada ressalta suas curvas e transforma seu vestido simples em provocante.
Lety: E o que o senhor tem haver com minhas roupas?
Fernando: Por favor, volte para o carro, Lety!
Lety: Não!- diz e começa a andar pela estrada.
Fernando se zanga e vai atrás dela. A segura pela cintura, mas ela se livra de suas mãos. Ele segura seu braço e a vira. Num impulso a pega e joga nas costas, ela se debate, mas ele consegue levá-la de volta até próximo ao carro.
Lety: Me solta, não sou um saco de batatas.
Ele a coloca no chão.
Fernando: Droga, Lety! Deixe de ser teimosa. Olha o seu estado! Andando pela estrada com esse vestido nenhum homem resistiria ao impulso de fazer amor com você!
Lety: Acha que sou assim tão fácil? Não vou aceitar mais seus insultos.
Fernando: Só estou dizendo que não tem consciência do quanto é desejável.
Lety: Não finja que se importa, afinal o senhor que terminou comigo!
Ele segura seu braço e ela sente as lágrimas quentes misturadas a chuva rolarem por seu rosto.
Fernando: Não estou fingindo... Droga, porque sempre suspeita das minhas intenções? Não tente me culpar pelo que aconteceu, foi você que traiu minha confiança! Culpe as suas mentiras e sua amizade colorida com o Domenzaín.
Ela vai responder quando uma caminhonete se aproxima e chama a atenção dos dois...
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