Notas iniciais
Estou muito feliz com os comentários! Acabo me empolgando e escrevendo mais... Obrigada! Vamos ao próximo!

A caminhonete para a poucos metros dos dois. Ela tenta se recompor, ainda nervosa. Fernando a solta e a protege com o corpo. O motorista desce do carro, um senhor já de idade e de aparência simples com um guarda-chuva. Fernando fica mais aliviado, ele parece ser amigável.

Senhor: Precisam de ajuda? Estão molhados até os ossos!

Fenando: Sim... Nosso carro enguiçou. Estávamos indo pro litoral. Conhece algum mecânico que possa nos ajudar?

Senhor: Claro, mas a essa hora e com esse tempo será difícil! Terão que esperar até amanhã.

Letícia se preocupa, além de atrasar as filmagens não tinham onde dormir!

Lety: Tem algum hotel aqui por perto, onde possamos passar a noite?

Senhor: Aqui perto não, mas posso levá-los até a minha casa, é simples, mas com certeza mais confortável do que dormir no carro.

Eles olham um pro outro desconfiados, mas não tinham opção!

Lety: Graças a Deus! Muito obrigada, essa estrada é muito deserta e ficaria com medo de passar a noite aqui!

Senhor: São casados há muito tempo? Minha senhora é um pouco conservadora... Não aceitaria que passassem a noite juntos se não fossem casados e só temos um quarto de hóspedes.

Ficam sem fala por alguns segundos, até que Fernando passa o braço nos ombros de Lety.

Fernando: Somos recém-casados! Estamos indo para o litoral em lua de mel.

Lety o olha com olhos arregalados e ele pisca discretamente. Ela entende e resolve continuar com a farsa, não tem muita escolha, era isso ou passar a noite no carro. Ela envolve sua cintura com o braço.

Lety: Isso mesmo, nos casamos ontem.

Senhor: Que maravilha! Minha esposa ficará feliz em ter companhia de um casal tão simpático. Mas vamos, precisam sair dessa chuva, vão ficar resfriados.

Eles pegam parte das coisas no carro, o trancam e sobem na caminhonete. Seguem pela estrada em direção a casa do senhor.

Fernando: Nem nos apresentamos, meu nome é Fernando Mendiola e essa é Letícia Padilha So... Quer dizer, de Mendiola! Isso, Letícia Padilha de Mendiola. O casamento é recente, ainda me atrapalho com o nome de casada!

Lety sente um aperto no peito ao ouvir seus nomes juntos, como um casal.

Lety: Pode me chamar de Lety, muito prazer!

Senhor: Meu nome é Juan Hortega, minha esposa se chama Consuelo. Vão gostar dela!

Juan pega uma estrada secundária, andam mais alguns metros e chegam a uma fazenda. Na entrada há uma placa onde está escrito: HACIENDA DEL SUEÑOS.

A chuva dá uma trégua e Lety pode observar melhor a fachada da casa. Dá pra ver, apesar de já estar anoitecendo, que é uma casa simples, mas muito bonita, num estilo colonial. Tem grandes janelas e uma varanda aconchegante na frente. Juan para a caminhonete e eles descem. Fernando pega a bagagem e se dirigem a casa. Ao entrarem uma senhora baixa e rechonchuda vem os receber.

Juan: Consuelo, esses são Lety e Fernando. O carro deles quebrou na estrada e vão passar a noite conosco.

Consuelo: Que maravilha! É sempre bom ter companhia!

Eles se cumprimentam.

Juan: São recém casados em lua de mel. Estavam indo em direção ao litoral.

Consuelo: Que bom, os jovens de hoje em dia estão perdendo a tradição. Bom ver que vocês não abriram mão desse sacramento. O senhor tem muita sorte, poucas vezes vi uma mulher com rosto tão bonito, parece um anjo!

Lety da um sorriso sem graça e Fernando concorda, olhando-a nos olhos.

Fernando: Sim, ela é muito linda!

Lety: Muito obrigada, não sabe o quanto fico feliz por nos receber!-Diz pra mudar de assunto e esconder a reação que seu corpo tem ao escutar tais palavras dele.

Consuelo olha de um para o outro e foca em suas mãos.

Consuelo: Mas onde estão suas alianças?

Fernando olha para Lety, esperando que ela dê uma resposta.

Lety: Nossa, meu amor! Como somos distraídos! Dona Consuelo, como estávamos na estrada, resolvemos guardar as alianças por segurança para não chamar atenção e acabamos esquecendo na bolsa que deixamos la!

Fernando fica aliviado.

Consuelo: Fizeram bem! Esse mundo anda muito perigoso. Mas venham, vou mostrar a vocês o quarto. Devem estar com frio, com essas roupas molhadas.

Ela vai na frente e mostra o quarto, um cômodo simples, bem mobiliado, mas com apenas uma cama.

Consuelo: Fiquem à vontade, o quarto tem um banheiro onde podem tomar banho. Vou preparar o jantar.

Ela sai e os dois ficam a sós.

Fernando: Se quiser pode tomar banho primeiro.

Apesar de não demonstrar na frente dos senhores Lety ainda está chateada com a briga que tiveram.

Lety:Ah... Agora voltou a ser cavalheiro? Não precisa, pode ir!

Fernando respira fundo.

Fernando: Por favor, Letícia! Não vamos começar uma discussão aqui. Podem nos ouvir!

Lety: Tudo bem, tem razão! Eu tomo banho primeiro!

Ela pega suas coisas e vai e direção ao banheiro. Fernando senta na cama e coloca o rosto entre as mãos. Está desolado. "O que está acontecendo? Quanta mágoa entre nós!" Pensa enquanto espera. Lety não demora e sai apenas enrolada a uma toalha. O corpo de Fernando reage automaticamente e Lety fica nitidamente desconfortável.

Fernando: Pode ficar a vontade, eu ja vou me lavar!

Fernando entra no banho. A água morna é um bálsamo, precisava mesmo de um bom banho. Começa a pensar em Lety e em tudo o que aconteceu nos últimos tempos. Como tudo havia mudado e como a tinha perdido. Aproveita o barulho do chuveiro e chora, se segurou na estrada, mas agora sozinho podia lamentar seu amor perdido. Será que um dia se recuperaria e voltaria a amar outra pessoa? Esse pensamento o deixa ainda pior, não conseguia sequer imaginar outra mulher que não fosse ela em seus braços! Mas porque então não conseguia dizer isso a ela? Implorar que voltasse pra ele e esquecesse tudo o que havia acontecido? Mas o resto de razão que ainda lhe restava dizia para não se arriscar tanto, ela ja não era a mesma, e parecia que ja estava seguindo em frente. Ou será que não? Que também sofria todas as noites como ele, sentindo seu corpo clamar pelo dele assim como o dele clamava pelo dela? Afasta esse pensamento, afinal ja haviam passado dias que haviam terminado e de la pra ca as coisas só haviam piorado. Ela com certeza ja não pensava em reatar com ele.

Tão logo termina o banho Juan vem chamá-los para o jantar. Lety ja está pronta e usa um vestido mais composto, mas não menos bonito, usa uma maquiagem leve, e para Fernando está mais linda do que nunca! A mesa já está posta e Dona Consuelo caprichou.

Fernando: Seja o que for, o cheiro está maravilhoso!

Juan: É galinha ao molho pardo. Especialidade da minha Consuelo!

Ele se aproxima da senhora e a beija. Dá pra ver o amor que sentem um pelo outro, apesar de tanto tempo.

Eles sentam e se servem. Começam a comer e acham tudo maravilhoso.

Lety: Está uma delícia, dona Consuelo.

Consuelo: Obrigada! O segredo é o amor com que cozinho! Adoro cozinhar, mas quando cozinho para pessoas especiais sempre fica melhor. Senti que eram pessoas muito boas, então caprichei ainda mais.

Lety: Também posso perceber que os senhores têm o coração muito grande.

Consuelo: Ficamos muito tempo sem receber visitas... É um prazer! Mas estou achando vocês um tanto frios um com o outro, relaxem estão em lua de mel!

Fernando: Ah... Eu e a Lety somos tímidos. Não se preocupem!

Consuelo: Mas se estão assim na lua de mel imaginem quando tiverem 40 anos de casados como eu e Juan! -Ela pega a mão de ambos por cima da mesa.– O amor verdadeiro só bate a nossa porta uma vez. Não deixem que esse amor esfrie e morra. Paixões existem muitas em uma vida, mas amor apenas um! E vocês se amam, não é?

Fernando olha para Lety, e depois para Consuelo.

Fernando: Sim, nos amamos!

Lety sente seu coração bater como um louco. Um nó se forma em sua garganta, ele estava dizendo isso pela farsa?

Juan: Então vivam intensamente esse amor... Não percam tempo! Estão apenas no início, mas esse é o segredo, manter a chama viva.

Consuelo solta suas mãos e voltam a comer. Fernando e Lety ficam em silêncio até o fim do jantar.

Consuelo se levanta.

Consuelo: Bem, que tal um café? Me ajuda, meu amor?- Diz olhando pra Juan.

Juan: Claro!

Eles saem em direção a cozinha. Lety e Fernando ficam pensativos, assimilando o que disseram, estão sentados lado a lado. Fernando coloca sua mão sobre a dela.

Fernando: Lety, eu...

Nesse momento os senhores voltam trazendo o café. Ele não tira a mão da dela, e isso a deixa confusa, sem saber se fazia isso só para demonstrar afeto diante dos anfitriões.

Juan os convida para a sala e começam uma conversa animada. A noite é muito agradável, Juan e Consuelo são pessoas muito gentis e Lety e Fernando se sentem à vontade, rindo das histórias que eles contam. Tanto que quando percebem já é tarde, hora de dormir.

Fernando: Nossa, a hora passou voando! Obrigada pela noite agradável!

Lety: Estava tudo maravilhoso! Boa noite!

Juan: Boa noite, meus filhos, durmam bem!

Ao entrarem no quarto, Lety fica tensa, esse era o momento que mais havia temido naquela noite, só havia uma cama e teriam que dividi-la.

Fernando: Lety, se te incomodar, posso dormir no chão.

Seria melhor, não conseguiria dormir com ele tão próximo! Porém não seria justo deixá-lo tão desconfortável.

Lety: Não, pode ficar com a metade da cama, o chão não é o melhor lugar para passar a noite.

Fernando começa tirar a camisa e ela protesta.

Lety: Vai tirar a roupa aqui?

Fernando: Espera que eu durma com essas roupas? Não me diga que vai dormir assim?

Lety não tinha pensado nisso, mas tinha razão. Ele continua a tirar a roupa e logo está de cueca. Ela não se atreve a olhar. Ele pega uma calça de pijama e a veste.

Fernando: Pronto!

Lety: Agora é a minha vez. Vire de costas e não olhe.

Fernando: Ah, Lety! Não tem nada aí que eu já não tenha visto!

Ela fica vermelha.

Lety: Mas isso não lhe dá o direito de me olhar!

Ele se vira, mas há um espelho na parede à sua frente onde pode vê-la de costas. Ela desce o zíper do vestido e o deixa escorregar por seu corpo até os pés. De onde está da pra vê-la inteira. Seu coração começa a acelerar, vinha sonhado com seu corpo há dias e tê-la ali tão perto quase nua fazia seu sangue ferver. Ela pega o pijama e veste rapidamente. Ele desvia o olhar do espelho quando ela se vira.

Ele apaga a luz e se deita e ela faz o mesmo. Fitam o teto por algum tempo sem dizer nada, o quarto é iluminado apenas por uma luz acesa lá fora. Ela vira de costas para ele. Iria tentar dormir, talvez conseguisse. Estava do lado do homem que amava numa cama, fingindo ser casada com ele. Isso tudo era uma ironia!

Não aguentava mais aquela situação... Uma vontade de chorar incontrolável a invadiu e não pôde mais segurar as lágrimas...

Notas finais
Hummmm... Acho que será difícil resistir estando tão próximos!!! Amanhã postarei outro! Não deixem de comentar!