Laços de Sangue

13 Você é a minha prioridade


—Maddie… — chamou, vendo a bruxa dar dois passo para a frente e a abraçar com força, chorando em seu ombro. — Calma, ok? Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. — sussurrou, acariciando seus fios loiros. Ergueu seus olhos para o homem à sua frente, possessa de raiva. — O que você fez? — vociferou.

—Não fui eu, Charlotte. — disse firme. — Eu estava andando pela floresta quando a ouvi gritar. Estava dizendo não repetidas vezes e eu fui atrás para saber se estava tudo bem, mas quando me aproximei vi o namorado dela tentando estu… —

—Não. Não termina. — balançou a cabeça, sentindo um aperto em seu peito. Pressionou os lábios, tentando deixar o ódio crescente pelo babaca do Hardin de lado e afastando-se da loira um pouco. — Hey, Maddie. Estou aqui, ok? Você vai ficar bem. — segurou seu rosto entre as mãos, a olhando nos olhos.

—Foi horrível, Charlie. Foi horrível. — sussurrou com a voz embargada.

—Eu sei, Maddie, eu sei. Vai ficar tudo bem agora, eu prometo. — sorriu, acariciando seu rosto. — Agora por que você não sobe e toma um banho no meu quarto? Lá ninguém vai aparecer para te importunar, eu prometo. Vou passar no seu quarto e pegar uma roupa para você. Não ficará sozinha por muito tempo. —

—Você promete? —

—Claro que prometo. E é só você gritar que eu chego lá em um piscar de olhos. —

Madeline assentiu, ainda chorando e caminhou a passos lentos até a escada sob o olhar de Charlotte e James, que tinha ficado calado por três motivos: 1) Maddie no momento não precisava de um homem lhe fazendo perguntas ou lhe tocando, mesmo que seja apenas com um abraço; 2) tinha ficado bastante confuso quando ouviu Charlie chamar o homem de Caspian, e 3) olhando bem agora, o homem realmente era idêntico a pintura que a ruiva tem do marido e isso não estava o deixando pensar com clareza.

Apenas quando ouviu a porta do seu quarto fechando e a amiga cair no choro mais uma vez, Charlotte gritou de ódio, socando o espelho que tinha no hall e o quebrando em incontáveis pedaços.

—Eu vou matar aquele filho da puta da forma mais lenta e dolorosa que existir! Não acredito que ele teve a pachorra de tentar fazer isso com ela! Argh! —

—Charlotte… — o homem tentou dar um passo à frente, mas foi impedido por uma barreira invisível.

—A casa não está no meu nome então você não vai poder entrar até o Dylan chegar. — falou, respirando fundo. — Eu não estou entendendo caralho nenhum a respeito de você estar aqui bem na minha frente, mas qualquer choque ou surpresa que eu pudesse ter em relação a isso foi substituído pela preocupação com a Maddie e o ódio latente por aquele mau caráter. — o encarou. — Ela é a minha prioridade no momento, então se não for pedir muito pode aguardar do lado de fora? Pelo menos até o Dylan e os outro voltarem. —

—Claro. Estarei aqui até você ajudar sua amiga. Não se preocupe. — sorriu e por um milésimo de segundo, Charlie se sentiu tentada a ficar ali e tentar entender tudo, mas Madeline era mais importante.

—James, você pode… — se virou para o Garcia que assentiu.

—Vou ligar para eles. Vai ajudar a Maddie. —

—Ok. Quando o Dylan souber o que aconteceu, vai querer ir atrás do babaca então tenta segurar ele aqui, tudo bem? Pelo menos até eu descer. —

—Claro. —

E então ela subiu, virando a direita e indo até o quarto que a Maddie dormia quando resolvia passar a noite na casa da amiga. Pegou as roupas mais largas e confortáveis que encontrou, indo até seu quarto do outro lado do corredor.

Bateu de leve na porta, a abrindo e não encontrando Madeline. Ouviu o som da água caindo e caminhou até o banheiro, a encontrando no box toda encolhida. Deixou a roupa sobre o balcão da pia e foi até ela com a toalha em mãos. Desligou o chuveiro e tocou gentilmente em seu ombro, fazendo-a pular assustada e se encolher mais ainda.

—Está tudo bem, Maddie. Sou eu. — sorriu de lado, estendendo a mão. — Não pode ficar muito tempo aí, ok? Trouxe sua roupa. Vem? —

A loira segurou a mão da ruiva incerta, Charlie notou que a mão dela estava trêmula e, como pensara antes, tinham marcas avermelhadas de dedos ao redor de seus pulsos. Trincou o maxilar, tentando não pensar no ódio que sentia pelo Hardin naquele momento e colocou a toalha sobre os ombros de Madeline, secando seus cabelos.

Charlotte a ajudou em tudo. A se secar, a se vestir, a se deitar. Nada foi dito, com exceção das duas frases da ruiva que consistiam em: "está tudo bem" ou "você vai ficar bem, prometo" Ambas estavam deitadas na cama, com a vampira abraçando a amiga enquanto ela ainda chorava compulsivamente e recebia afago de Charlie no braço coberto pela manga da camisa.

—O que você quiser que eu faça, eu faço, ok? — sussurrou, depois de longos minutos. — Se quiser que eu expulse todos os homens dessa casa só para você não precisar ouvir ou vê-los, eu expulso. Se quiser que eu expulse todos os homens dessa cidade, eu também expulso. Sabe que eu consigo tudo que quero, ainda mais se for para você. —

Um pequeno sorriso, quase que imperceptível, apareceu no canto dos lábios da loira.

—Obrigada, Charlie. — sussurrou. — Obrigada por estar aqui. —

—E onde mais eu estaria? Você é a minha bruxinha. Minha melhor amiga, não? —

—Obrigada. — fungou. — Eu no momento só quero chorar e me entupir de chocolate. —

—Pois suas preces serão ouvidas. Se importa de ficar um tempo sozinha enquanto desço para pegar os chocolates? — a olhou.

—Não, mas… fecha a porta, ok? —

—Claro. — beijou a testa dela, saindo da cama e caminhando até a porta descalça.

***

—Viu? Conseguimos chegar em casa sem eu vomitar no seu carro, Nick! — Dylan falou com a voz levemente arrastada, rindo.

—Sorte a sua, porque não teria nada nem ninguém que me impediria de te matar se vomitasse no meu carro. — falou, notando alguém parado na porta da casa. — Quem será? —

—O último a chegar lava a louça do jantar! — Dylan falou, saindo do carro aos tropeços e correndo até a casa.

—Quanto ele bebeu mesmo, hein? — Christian indagou, vendo ele se apoiar no homem parado na porta quando quase foi ao chão.

—O suficiente para passar a maior vergonha da vida dele. — respondeu o híbrido, saindo do carro acompanhado do Garcia.

—Gente, eu acho que batizaram minha bebida com uma coisa das fortes, porque… eu estou vendo um cara igualzinho ao marido morto da Charlie. — Dylan murmurou, piscando os olhos repetidamente enquanto encarava o homem que o ajudava a ficar de pé.

—É, a gente não pode deixar ele chegar perto da Chuck ou… que porra é essa? — Nicholas parou no caminho quando o homem finalmente virou para encará-los.

—O que? — Chris murmurou confuso.

—O que está acontecendo? Por que ele está aqui? Como caralhos ele está aqui? — perguntou, ainda parado no mesmo lugar e deixando Christian ainda mais confuso.

Até que o Garcia olhou para o homem e sentiu a leve sensação de que ele não era estranho. Então lembrou de quando Charlotte mostrou uma pintura do Caspian para ele algumas vezes.

—Não. Não, não, não. — murmurou, dando um passo para trás. — Isso… não. Fomos pegos pela Amber e ela está brincando com a gente, só pode. —

—Ah, vocês chegaram. — James falou aliviado, abrindo a porta e atraindo a atenção do irmão que estava mais confuso ainda. — Eu sei o que vocês estão pensando, mas acreditem não temos tempo para isso. —

—O que a gente está pensando? — Dylan perguntou, franzindo as sobrancelhas.

—James, o que caralhos está acontecendo? O que significa isso? Por que tem um cara igualzinho ao Caspian parado na porta da casa da Charlie? — Nicholas questionou, atormentado.

—Eu sei tanto quanto você, mas no momento eu preciso que o Dylan convide ele para entrar e vocês três fiquem calados. —

—Pode en… —

—Não! — Christian interrompeu Dylan, encarando James. — Irmão, o que está acontecendo? —

—Chris… —

—Ah, vocês chegaram. — Charlotte falou, atrás de James. — Dylan, você já convidou o Caspian para entrar? —

—Oh! Então ele é mesmo o Caspian? Incrível! — falou empolgado, rindo.

—Você está bêbado? — arqueou a sobrancelha.

—Só um pouquinho. — riu, erguendo a mão e mostrando o polegar e o indicador juntos para enfatizar que bebeu pouco.

—Convida logo ele para entrar. — revirou os olhos, sumindo dentro da casa.

—Pode entrar, Caspianzinho. — falou, encarando o vampiro que sorriu.

—Obrigado. — e então ele entrou na casa sob os olhares totalmente confusos de Christian e Nicholas.

—Mas o que? — murmurou, caminhando com passos rápidos até a casa, sendo seguido pelo Garcia. — Charlie, o que está acontecendo? Como o Caspian pode estar aqui? E como você pode estar tão tranquila? —

—Agora não, Nick. Tenho que levar chocolate para a Maddie. — respondeu da cozinha, pegando uma vasilha grande e redonda e enchendo com os chocolates veganos que Dylan compra para a Maddie.

—O que? O que é mais importante que você ter um marido vampiro morto sentado no seu sofá? — ralhou, vendo ela apertar a vasilha com força e quebrá-la, fazendo os chocolates caírem no chão.

—Que tal a minha melhor amiga quase ser violentada pelo namorado sem escrúpulos dela? Será que isso é mais importante, Nick? —

—O quê? — se Dylan não estava sóbrio antes, agora ele estava. — Como assim o idiota do Hardin… —

—É, mas não aconteceu porque o meu marido vampiro morto chegou bem na hora e impediu. — falou, pegando outra vasilha e colocando os chocolates nela.

—Charlie, como a Maddie está? Ah, meu Deus. Eu vou matar aquele desgraçado! — vociferou, passando as mãos pelo cabelo.

—Ela vai ficar bem, Dylan. Não se preocupe, a Maddie é forte. — sorriu. — Mas peço que não faça nada com o babaca agora. A Maddie é prioridade, ok? —

—E se ele fugir? — Christian perguntou.

—Eu acho ele seja lá em qual buraco estiver e quebro as pernas dele. — disse, sorrindo. — Agora eu preciso subir, já deixei ela sozinha por mais tempo do que esperava. Vê se não fazem muito barulho. —

E então subiu a escada, indo para seu quarto e encontrando Madeline sentada na cama, abraçada a seus joelhos.

—Eu ouvi as vozes alteradas. — murmurou.

—Ah, sim. Os três patetas ficaram muito surpresos quando viram o Caspian na porta de casa. — suspirou, fechando a porta e caminhando até a cama.

—Então ele é mesmo o Caspian? — perguntou. — Eu estava tão… com tanto medo do que quase aconteceu que… que nem consegui prestar atenção ou… —

—O que é totalmente compreensivo. — sorriu, estendendo a vasilha cheia de chocolates em sua direção.

—Você não devia estar lá, então? Conversando com ele? Tentando entender o que está acontecendo. — falou, pegando uma barra de chocolate, abrindo e comendo um pedaço.

—E eu quero, mas você é a minha prioridade máxima no momento. — deu de ombros, pegando um chocolate.

—Só no momento? —

—Não posso focar só numa pessoa, Madeline. Eu divido a casa com um humano e três vampiros. — a olhou. — Além desses quatro tem você e o Caleb, a prefeita e os filhos, aquele baile idiota e a Amber, é claro. Acredite, eu nem sei como consigo estar deslumbrante para qualquer ocasião. Qualquer outra pessoa estaria só os trapos. — balançou a cabeça, mordendo o canto da barra de chocolate.

A loira soltou uma pequena risada.

—Eu seria uma dessas que não aguentaria. —

A ruiva sorriu, ajeitando-se melhor na cama para encarar a amiga.

—Maddie, sei que a última coisa que você quer é falar sobre o que aconteceu. — começou, vendo a loira baixar o olhar. — E eu entendo, sério mesmo. Só que eu não vou deixar aquele babaca sair impune e sei que mesmo ele tendo feito o que fez, você não vai me deixar matá-lo. —

—Eu… o odeio por ter tentado me… — ela respirou fundo, enxugando a lágrima que caiu. — Eu o odeio, mas ainda gosto dele. Meus sentimentos por ele vão mudar depois do que ele fez hoje, eu sei que vão, mas… não será de uma hora para a outra. — Charlie assentiu, compreendendo o que ela queria dizer. — Mas eu… não me oponho a você dar uma boa surra nele. — a ruiva sorriu. — Só não o mate, ok? —

—Eu não pretendia matá-lo, pelo menos não imediatamente. — falou, voltando a comer um pedaço do chocolate. — Torturar ele até a morte me parecia muito melhor. —

—Ah, sim. O seu quartinho da tortura no porão. — murmurou.

—Exatamente. Adoraria usar ele com a Amber. — sorriu travessa. — Maddie. — a chamou, segurando sua mão. — Meu quarto será seu pelo tempo que preferir ficar aqui. Como deste lado do corredor só tem meu quarto e meu escritório, ninguém ficará zanzando pelo corredor. —

—Obrigada, Charlie. Eu pretendo só passar essa noite aqui e… ir para minha casa amanhã, ficar com a minha avó. —

—Entendo. —

—Quando eu dormir, você não precisa ficar aqui comigo. Pode ir se resolver com o Caspian, está bem? — sorriu.

—Não vou te deixar sozinha, Mad Max. — recusou.

—Não vou ficar sozinha. Pode chamar o Dylan. — sorriu, acariciando a mão da amiga.

—Tem certeza? —

—Claro. Sei que o Dylan nem os outros jamais fariam qualquer coisa comigo. — suspirou. — Precisa se resolver com o seu marido, Charlie. —

—Meu marido que até umas duas horas atrás eu achava que estava morto. — respirou fundo. — Uma irmã vingativa e um marido que até então estava morto. Olha, não estou a fim de descobrir o que mais esse ano me reserva. —

Notas finais
Comentários são bem vindos e contribuem com a continuação da história.