Laços de Sangue

14 Um pouco de vingança


Já passava das 11:40 pm, mas todos, com exceção de Madeline, ainda estavam acordados. O som de saltos batendo contra o chão no andar de cima chamou a atenção de todos os homens que estavam na sala, estranhando por Charlotte estar de salto já tão tarde da noite devido aos últimos acontecimentos.

Foi quando a ruiva apareceu no campo de visão deles usando um vestido tubinho preto de alças e que ia até metade dos seus joelhos, um casaco grande branco e botas preta de salto e cano longo até acima dos joelhos. Seu cabelo ruivo estava solto e com cachos nas pontas e apenas quando ela desceu a escada que viram o batom vermelho e os olhos bem marcados.

Parou próxima a mesa de jantar, sorrindo para os demais.

—Eu estou de saída, caso não tenha ficado claro. — informou. — Dylan, a Maddie vai passar a noite no meu quarto e me disse que você podia ficar com ela. —

—Como ela está? — perguntou, levantando do sofá e indo até a amiga.

—Um pouco reclusa, mas está bem, na medida do possível. Conversamos sobre outros assuntos normalmente, mas não perguntei sobre o que aconteceu, então se por acaso ela quiser conversar com você a respeito do idiota lá, a escute, tudo bem? —

—Eu acho melhor não, Charlie. Não sou a melhor pessoa para conversar com ela sobre isso. — disse, nervoso. — É muito melhor ela conversar com você, uma mulher, do que… —

—Ela confia em você tanto quanto confia em mim, Dylan. Não precisa falar nada, apenas a escute e a lembre de que o que aconteceu não foi culpa dela. — sorriu, inclinando a cabeça um pouco para o lado. — Você consegue. —

—Está indo atrás do mau caráter do Hardin? — perguntou, a voz tomando um tom raivoso quase que automaticamente.

—Sim, ela não me deixou matá-lo, como era de se esperar, mas me deixou dar uma boa surra nele. — seu sorriso aumentou. — Enfim, ela disse que pretende ir para casa pela manhã, ficar com a avó. Então se eu não chegar antes disso, leve ela para casa, tudo bem? — pediu, vendo o caçador assentir.

—Tem algo que possamos fazer por ela, Charlie? — James questionou, atraindo o olhar da ruiva.

—Bom, ela não comeu nada além de chocolate, então se quiserem preparar alguma coisa para ela comer podem preparar. Só lembrem que ela é vegana e que não é para entrar no quarto sem bater, jamais. —

—Claro. — o Garcia assentiu.

—Caspian, a casa ainda tem dois quartos livres. Maddie e Caleb costumam usá-los quando resolvem passar a noite aqui, mas os lençóis são trocados todo final de semana. Se quiser dormir ou tomar um banho, pode usá-los. São os dois últimos do corredor. — informou ao marido que assentiu.

—Agradeço, Charlotte. —

A ruiva ignorou o arrepio que sentiu ao ouvir seu nome no típico sotaque britânico de Caspian e se virou para o restante dos homens em sua sala.

—Agora, se me dão licença, eu tenho que bater em um babaca. — sorriu.

—Sei que você fará um trabalho impecável com aquele rosto dele, então bate por mim também, ok? — Dylan pediu, vendo a ruiva sorrir mais ainda.

—Claro! — beijou a bochecha dele e caminhou até o hall de entrada.

—Vai querer ajuda, Lottie? — Christian questionou.

—Ah, não. Eu espero por esse momento desde que a Maddie começou a falar desse tal de Martin. — respondeu o olhando. — Então eu não vou dividir o prazer de socar a cara dele com mais ninguém. No entanto, posso te mandar fotos de como ele vai ficar. — sorriu, virando na direção do espelho que tinha próximo a porta e não conseguindo ver seu reflexo já que ela tinha o quebrado. — Alguém tem que dar um jeito nisso. — murmurou, saindo de casa após pegar a chave do Corvette.

Caminhou até o carro e abriu a porta, mas antes que pudesse entrar teve seu braço segurado por Nicholas.

—Chuck… — começou, sendo interrompido pela irmã.

—Eu sei o que você vai dizer, Nick, mas como eu disse a Maddie é minha prioridade no momento e se eu não fizer aquele idiota pagar por ter tentado abusar dela eu vou enlouquecer. O ódio que eu sinto dele, no momento, é maior que o ódio que eu sinto pela Amber. — falou, vendo o irmão suspirar.

—Entendo. Só… — fechou os olhos por um momento, sorrindo logo depois. — Só trate de bater tanto nele que nem a própria bruxinha irá conseguir reconhecê-lo na rua. —

Charlie sorriu, inclinando seu corpo para a frente e beijando a bochecha de Nicholas.

—Pode deixar, maninho. —

***

Charlotte estacionou o carro em frente a casa do ex namorado de Madeline soltando um longo suspiro. Teve que perguntar onde ele morava a duas pessoas perambulando pela rua naquele horário, porque ela não lembrava mesmo tendo ido uma vez na casa dele em um jantar falho preparado pela bruxinha para o namorado e a amiga se darem bem.

Apertou a campainha e esperou. Ouviu os passos dele descendo a escada enquanto resmungava sobre pessoas sem noção batendo na porta dele aquela hora da noite. Quando abriu a porta, Charlie podia jurar que viu ele ficar mais branco que papel.

—Oi, Martin. — sorriu.

—É Hardin. — corrigiu, revirando os olhos. — O que faz aqui? Seja lá o que a Madeline falou, é mentira. —

Ela arqueou a sobrancelha, ainda sorrindo.

—Não se importaria de eu testar se é verdade ou não, certo? — e então o olhou nos olhos. — O que você estava fazendo com a Maddie na floresta? —

—Estávamos namorando. Eu queria transar com ela, mas a Maddie não queria. Então eu a forcei, mas um cara chegou antes que eu conseguisse o que queria. — respondeu, piscando os olhos logo em seguida e trincando o maxilar quando se deu conta do que falou. — O que você fez comigo? Por que eu disse isso? — vociferou, vendo o sorriso voltar aos lábios da ruiva.

—Porque a Maddie tirou sua proteção contra controle mental. Agradeça a si mesmo por isso. —

Hardin tentou fechar a porta, mas Charlotte a segurou com uma mão e com a outra mão socou seu rosto, fazendo-o recuar alguns passos com a mão cobrindo o rosto.

—Com licença. — pediu, entrando na casa e fechando a porta atrás de si.

—Não! Saia já da minha casa ou eu chamo a polícia! — falou com a mão sobre o nariz que sangrava, dando passos para trás ao mesmo tempo que Charlie caminhava em sua direção.

—A verdade é que eu adoraria ver você tentar. —

Hardin tentou correr até o telefone, mas antes que o alcançasse a ruiva ergueu sua perna e chutou a lombar dele, fazendo-o cair sobre a mesinha de vidro no meio da sala. O cheiro de sangue invadiu as narinas de Charlotte e aquilo a fez sorrir.

—Eu não fiz nada com a Madeline! — disse, se arrastando pelos cacos de vidro e, consequentemente, cortando sua pele. — Ela continua pura e intocada. —

—Você pode não ter conseguido ir até o fim, mas mesmo assim a deixou com um trauma terrível. — falou lentamente, dando um passo de cada vez, divertindo-se ao ver ele se arrastar pela casa tentando fugir. — Quando uma mulher diz não, você não deve fazer mais nada além de parar e pedir desculpas. —

—Pelo amor de Deus. Por favor, se for me matar me mate logo. Não suporto essas balelas de feministas. — resmungou, revirando os olhos.

Usando sua velocidade de vampira, a Harrington segurou o tornozelo de Hardin e o puxou para perto de si, causando mais cortes em seu corpo por conta dos cacos de vidro. Um grito de dor escapou dos lábios dele quando a ruiva pisou com força em seu joelho, o quebrando.

—Sua vadia! — gritou, levando as mãos até o membro inferior direito. — O que pensa que está fazendo? — indagou, a dor evidente em sua voz.

—Te fazendo sofrer por ter tido a coragem de tocar na Maddie. — respondeu entre dentes, segurando ele pela camisa e erguendo seu tronco apenas para começar a socar o rosto dele com seu punho. — Você ainda tem sorte por ela não ter me deixado te matar! — falou entre os socos, notando que tanto as juntas dos seus dedos como o rosto dele estavam cheios de sangue.

Charlotte parou após uns dois ou três minutos de socos contínuos, observando a cabeça de Hardin tombada para trás. Por causa dos anéis que usava, o rosto dele continha vários cortes em sua testa, têmporas, nariz, bochechas e lábios. O olho esquerdo já começava a ficar roxo e o direito já quase não conseguia ficar aberto. O sangue saindo tanto dos cortes recentes como do nariz quebrado fez a ruiva sorrir.

—É uma pena eu não poder abrir alguns cortes pelo resto do corpo. A virilha é meu local preferido para isso. — sussurrou, com um sorriso sádico.

Hardin levantou a cabeça, a encarando. E então cuspiu o sangue acumulado em sua boca no rosto de Charlie, vendo o sorriso sumir de seus lábios. A ruiva passou a ponta dos dedos na região embaixo do seu olho, encarando o líquido vermelho em seus dígitos. Ela riu sem humor, fechando seu punho mais uma vez e desferindo mais um soco no rosto do garoto.

—Olha para mim. — falou, segurando o rosto dele com a mão e ouvindo uma reclamação de dor. Olhou bem nos olhos dele e proferiu: — Todos os dias da sua vida medíocre, você se sentirá culpado por ter tentado abusar ela. Irá ficar longe dela. Se a vir na rua ou nos corredores da faculdade, dê meia volta e saia do caminho dela. E para evitar que outras mulheres passem pelo que a Maddie passou, você não irá se relacionar com mais ninguém pelo resto da sua vida. Entendeu? —

—Eu entendi. — confirmou em um tom baixo.

—Ótimo. Estamos conversados. — sorriu, o largando sobre os cacos de vidro.

—Eu vou… denunciar você. — sussurrou. — Mesmo que eu tenha tentado… violentar a Maddie… você não podia fazer isso comigo. O meu pai… é agente do FBI. —

—Oh, como eu pude esquecer disso? — bateu na própria testa, rindo e olhando Hardin nos olhos novamente. — Apenas você irá saber quem foi que te deixou assim. Irá dizer para todos que perguntarem que você bebeu demais após a Madeline terminar com você, se envolveu em uma briga e quando voltou para casa acabou caindo da escada. —

—A Maddie terminou comigo e eu acabei bebendo demais. Quando fui me deitar eu cai da escada. — repetiu, fazendo a ruiva olhar da escada para ele.

—Muito bem, Martin. Agora, por que não deixamos a história mais real? —

Então Charlotte rapidamente segurou o corpo mole dele e o levou até o topo da escada, apenas para largá-lo e vê-lo rolando escada abaixo com um enorme sorriso no rosto. Hardin bateu a cabeça na quina do sofá e apagou, fazendo a ruiva rir enquanto descia as escadas.

—Maddie me disse para não te matar, então não se preocupe, Martin. Eu ligo para a emergência. — falou, mesmo sabendo que ele não a ouvia, e saiu da casa satisfeita.

Entrou no seu carro e pegou um lenço na bolsa, limpando seu rosto sujo pelo sangue de Hardin e sua mão. Retocou seu batom e deu a partida, ligando para o número da emergência.

—Quercus Street, número 52. Acidente domiciliar. — informou assim que a recepcionista do hospital atendeu.

—Qual o seu nome? —

—E te interessa, minha filha? Vai logo, porque se a pessoa morrer a culpa vai ser sua. —

E então desligou a ligação.

Charlotte ligou a rádio que começou a tocar uma música da Rihanna e logo avistou o bar da cidade que aparentava estar com pouco movimento já que estava no meio da semana.

—É, eu preciso encher a cara antes daquela conversa. — murmurou, desligando o rádio e parando o carro em frente ao bar.

Notas finais
Comentários são bem vindos e contribuem com a continuação da história.