Laços de Sangue
18 Reconexão
Os dias passaram-se rápido e logo o domingo chegou.
Na noite de sexta, Nicholas acabou contando para Madeline toda a história da transformação de Caspian, incluindo que a vida dela estava ligada a do Harrington e isso deixou tanto a bruxinha como a avó dela surpresas. Os três acabaram decidindo que o melhor era Maddie passar o final de semana em casa, onde Amber não teria acesso. As duas bruxas Martínez passaram o sábado e domingo procurando um jeito de desfazer esse feitiço para o caso de não conseguirem encontrar a mãe de Caspian.
Charlotte e Caleb aproveitaram o máximo que podiam em New York. Foram em diversas boates e festas, flertaram e transaram com mais pessoas do que o álcool os deixavam contar e quando o domingo chegou, os dois começaram a fazer as malas sob os protestos do lobisomem. Sua mãe teria que ficar mais uns dias em New York e mandou o filho voltar para casa já que tinha perdido uns três dias de aula na faculdade.
Christian e Caspian tinham chegado em Oak City já no início da tarde de domingo acompanhados pela mãe do duque. Quando eles finalmente encontraram Anastácia, em Budapeste, Hungria, o Garcia levou quase uma hora e meia para acreditar que a mulher a sua frente era realmente a mãe de Caspian. Esse foi o tempo que mãe e filho tiveram para colocar a conversa em dia e explica o porquê da visita.
E pelo conselho que o Harrington deu quando eles ainda estavam em Ottawa, Christian não comentou sobre a idade e nem a aparência de Anastácia. Na verdade, ele quase que não disse nada o caminho inteiro sobre ela.
—Eu prometi a sua mãe que te deixaria em casa, para descansar. — Charlotte falou, estacionando seu Corvette em frente a sua casa.
—E você me deixou. — Caleb respondeu, tirando o cinto de segurança. — Eu pude deixar as minhas malas em casa e vir visitar meus amigos que eu não vejo há cinco dias. Estou com saudades, poxa. —
—Quer enganar quem? Você quer é uma desculpa para faltar aula amanhã. —
A ruiva pegou sua bolsa e os dois saíram do carro, caminhando até a mansão da vampira que nos últimos dias tinha se tornado uma pousada para seres sobrenaturais.
—Também, mas estou mesmo é curioso para encontrar o Caspian. Desde que nos conhecemos você fala desse cara, então sinto como se eu o conhecesse. —
—Ele deve ainda estar por aí com o Chris procurando pela mãe. — respondeu, abrindo a porta e entrando em casa, parando no hall de entrada assim que avistou o duque na sala.
—Ou sentado no sofá da sua sala. — Caleb murmurou atrás dela. — Porra. Ele é bonito. — disse, atraindo o olhar da ruiva que balançou a cabeça, entrando em casa.
—A Charlie chegou. —
James falou, em alto e bom som, da varanda que dava para o lago, vindo para a sala logo em seguida. Os passos tanto no andar de cima quanto na cozinha chamaram a atenção da ruiva. Principalmente quando uma cabeleira loira apareceu no seu campo de visão.
—Eu devia matar você, Charlie! — Madeline falou. — Oi, Caleb, bom ver você de novo. — cumprimentou rapidamente o amigo com um sorriso, voltando a olhar para a ruiva com uma feição séria e com as mãos na cintura. — Como você vai para New York sem me contar que a minha vida está ligada a do seu marido, hein? Ainda mais com a sua irmã psicopata querendo matar todo mundo? —
—Eu fui ignorado? — o lobisomem murmurou, vendo Dylan rir da sala.
—Minha vida já teve drama demais essa semana, Maddie. Então se me deixar, pelo menos, tomar um banho antes de me encher de perguntas, acusações e ameaças, eu agradeço. — sorriu, passando pela amiga, mas parou logo depois, franzindo as sobrancelhas enquanto voltava a encará-la. — Espera. Você não devia estar em casa? Eu vi a mensagem do Nick dizendo que tinha te contado tudo e que você disse que iria ficar em casa com a sua avó. —
—O Caleb mandou mensagem avisando que vocês estavam voltando, então Nick foi me buscar. — a loira respondeu, suspirando.
—Você ficou mandando mensagem para eles avisando como e onde eu estava? — Charlotte questionou, encarando o lobisomem que já estava do outro lado da sala.
—Eles precisavam saber que você estava bem, ruivinha. Não me mata, por favor. — respondeu nervoso, escondendo-se atrás de Nicholas.
—Pelo menos ele teve a decência de mandar nem que fosse uma única mensagem, não é, Charlotte? — disse Nick, e James podia jurar que viu uma veia saltada na testa do híbrido enquanto ele falava.
A ruiva levou a mão até a testa, respirando fundo sabendo que ouviria reclamações de Deus e o mundo por não ter dado uma ligação ou mandado uma única mensagem.
—Vocês são sempre tão barulhentos assim? —
A voz feminina vindo da cozinha chamou a atenção não só de Charlotte como do restante do pessoal na casa. Anastácia estava com as mãos sobre o balcão da cozinha, apoiando o peso do seu corpo nelas enquanto exibia um sorriso.
Christian estava próximo a escada com duas bolsas de sangue nas mãos preparando-se para secá-las quando viu a ruiva com um olhar estranho parada na sala. Procurou pelo lobisomem e notou que ele tinha um olhar diferente do de Charlie, algo mais parecido com o que ele próprio mostrou quando se encontrou com a mulher pela primeira vez.
Anastácia e Charlotte se encararam pelo que parecia ser uma eternidade para os demais, assim como o silêncio que se instalou.
—Por favor, alguém me diz que ela não vai passar essa noite aqui. — Charlotte pediu assim que notou que o cabelo da sogra parecia úmido.
—Faz menos de 24h que eu descubro que a minha querida nora está viva e é assim que você me recebe? Estou decepcionada, querida. — disse com um tom falso de mágoa.
—Não precisa mentir, Anastácia. Você deve ter comemorado a beça quando teve a notícia da minha morte. — resmungou, pegando um copo e enchendo com whisky.
—Espera. Essa é a mãe do Caspian e sogra da Charlie? — Caleb perguntou, incrédulo.
—A primeira e única. — a duquesa respondeu, bebendo um gole da bebida.
—Mas ela não é uma bruxa? Então ela não teria que ter a aparência de uma mulher de uns quinhen… — Caleb foi interrompido pela mão de Dylan que cobriu sua boca antes que ele falasse algo que com certeza irritaria a Harrington mais velha.
—A aparência de uma velha de quase 600 anos? Pois é, mas sendo a bruxa que é, ela conservou seu corpo de 1483. — a ruiva respondeu, fazendo todos a olharem surpresos por ter concluído o raciocínio do lobisomem. — Então para todos ela aparenta não ter mais de 46 anos quando, na verdade, tem 537 anos a mais. — finalizou, sorrindo de um jeito afrontoso para a mulher.
—Você já foi melhor anfitriã. — Anastácia disse simplesmente, pegando uma das bolsas de sangue das mãos de Christian — que entregou de bom grado — e despejando um pouco do líquido vermelho em uma xícara.
Ela devolveu a bolsa de sangue ao Garcia e caminhou até Charlotte, parando na frente da nora. Todos os presentes pareceram segurar a respiração pelos segundos que se seguiram, até que Anastácia ergueu a xícara para a ruiva que sorriu.
—Você não envelheceu nada. Nem mesmo uma ruguinha nova, Ana. — falou, pegando a xícara e bebendo um pouco do sangue.
—Eu sou uma bruxa poderosa, Charlotte, sei todos os feitiços de conservação de corpo. — respondeu, caminhando até o sofá onde o filho estava sentado e sentando ao lado dele.
—Espera, por essa tensão toda eu achei que vocês não se gostavam. — Caleb comentou, agora livre da mão de Dylan cobrindo sua boca.
—E elas não se gostam. — Nicholas respondeu. — As vezes rola um momento como esse, mas não se deixe enganar. —
—E aí, em que buraco Chris e Caspian te acharam? — perguntou, sentando no outro sofá.
—Budapeste. —
—Quantos lugares vocês rodaram atrás dela? — encarou Caspian que suspirou.
—A gente procurou por ela em cinco lugares. Filadélfia, Ottawa, Praga, Sófia e Budapeste. — respondeu.
—Estávamos quase indo parar na Irlanda quando encontramos ela. — Christian acrescentou, sentando ao lado da ruiva.
—Olha, eu não teria feito todo esse esforço por você não. — murmurou, bebendo mais um gole do líquido na xícara.
—Sabemos que se não fosse pela sua amiga, você nunca teria pedido ao Caspian para me encontrar. — sorriu para a nora.
—É, e já que você está aqui e parece ter se instalado tão bem na minha casa, pode nos contar como desfazer o feitiço? — cruzou as pernas, encarando a sogra séria.
—Ah, sim. Não é muito complicado. — respondeu. — Ele tem que ser feito por mim, obviamente, e precisaremos apenas da joia que foi usada para selar o feitiço e das duas pessoas envolvidas. —
—Está me dizendo que pode fazer o feitiço agora? — arqueou a sobrancelha.
—Se hoje fosse lua cheia, sim. —
E novamente o silêncio crucial em que todos sabiam que uma explosão aconteceria da parte de Charlotte.
—Está me dizendo que vamos ter que esperar até a lua cheia, que só é daqui duas semanas, para fazer essa porcaria de feitiço? — questionou, apertando mais seus dedos ao redor da xícara. — Está brincando com a minha cara? —
—Por que não tenta você realizar um feitiço de transformação em vampiro sem precisar canalizar o poder de algum evento da natureza, querida? —
—A gente não tem tempo, Anastácia. A Amber quer matar todo mundo aqui, caso você não saiba. E se ela souber que o seu filho ainda está vivo vai querer matá-lo também. Aí ela vai descobrir que a vida dele está ligada com a da Maddie por sua causa! — disse, não conseguindo evitar que sua voz subisse alguns tons.
—Nesse caso, sugiro matar sua irmã antes que ela descubra. — falou, sem deixar-se abalar pelo tom da ruiva.
—Mãe! — Caspian a repreendeu.
—Eu devia ter feito cena para meus pais e nunca ter vindo para cá em 1660 quando tive a chance! — Charlotte resmungou, largando a xícara na mesinha de centro e levantando do sofá, irritada. — Nunca teria me envolvido nesse drama todo de vampiro! Teria casado com um velho nojento que teria muitas posses que agradaria minha mãe e que provavelmente não saberia me respeitar, mas pelo menos a droga da minha família estaria inteira e nenhum de vocês teriam que passar por isso. —
O som dos passos pesados causados pelo salto das botas de Charlie deixou todos em silêncio enquanto ela terminava de subir as escadas e caminhava até seu quarto, resmungando todos os palavrões do mundo em diferentes línguas. O baque da porta sendo fechada com força fez Maddie ter um leve sobressalto com o susto.
—Que torta de climão. — Caleb murmurou, recebendo uma cotovelada nas costelas de Madeline. — Desculpa. —
—Eu realmente só posso fazer o feitiço em noite de lua cheia. — Anastácia falou, encarando o filho que assentiu.
—Eu sei, mãe. E a Charlotte também sabe. — suspirou. — Eu vou falar com ela. — disse, levantando do sofá.
—Tem certeza que quer ir agora? Ela está fazendo aquela coisa de quando está muito irritada. — James falou, fazendo o duque o encarar confuso.
—Que coisa? —
—A Lottie quando está muito, muito irritada mesmo fala todos os palavrões e xingamentos do mundo em todas as línguas que ela é fluente. E ela é fluente em mais de 40 línguas. — Christian respondeu, secando a bolsa de sangue e sorrindo ao ver o Harrington respirar fundo, como se buscasse coragem para enfrentar a fera.
***
As batidas na porta do seu quarto soaram suaves, interrompendo seus resmungos de palavrões e xingamentos em mandarim. A ruiva limpou as lágrimas do seu rosto rapidamente, respirando fundo e abraçando seu corpo quando a porta for aberta.
—Charlotte, podemos conversar? —
Charlie sabia que uma hora ou outra alguém viria falar com ela. E ela rezava para que fosse qualquer pessoa, menos o Caspian. Poderia até mesmo ser Anastácia, oferecendo mais e mais insultos.
—Claro. — respondeu, sem dar-se o trabalho de virar para encará-lo.
Caspian fechou a porta e caminhou até a varanda do quarto onde estava sua esposa. O vento frio bagunçava seus cabelos e ele só conseguia pensar o quão linda Charlotte ficava a luz do luar.
Os dois permaneceram em silêncio por um tempo, apenas com o som da água do lago preenchendo o ambiente.
—Você fez um bom trabalho com o terreno. — comentou, sorrindo ao ver o pequeno jardim com diferentes flores em frente a varanda e o deck no andar de baixo. — Quando eu soube da sua morte, nunca mais pisei aqui. Simplesmente me recusava a voltar para o lugar onde eu tive os seis melhores anos da minha longa vida sem a única mulher que eu já amei durante toda ela. — confessou, apoiando-se no balaústre de ferro da varanda. — Nunca tive qualquer interesse em saber o que aconteceu com o castelo durante todos esses séculos. É bom saber que o terreno esteve em seu nome durante todo esse tempo, embora eu acreditasse que você mandaria reconstruir o castelo em vez de uma pequena mansão. —
—Não tem graça morar em um castelo enorme sozinha. — suspirou, apoiando-se também no balaústre. — Sem contar que eu teria que contratar mais empregadas para manter ele limpo. Minha casa é suficiente. A Karen vem limpá-la toda sexta e consegue fazer o trabalho sozinha, mesmo eu tendo oferecido contratar uma ajudante para ela. E, bom, eu consegui abrigar um humano, três vampiros, um híbrido e vez ou outra um lobisomem e uma bruxa nessa minha mansão de tamanho médio. — sorriu. — Não a chame de pequena, ela se ofende. —
—Oh, perdoe-me então, mansão Harrington de tamanho médio. — disse em um tom formal, arrancando uma pequena risada da ruiva. — Charlotte, se eu soubesse que minha presença na sua vida te traria tanta dor e sofrimento eu jamais… —
—Caspian. — Charlie o interrompeu, olhando o duque nos olhos. — Metade das coisas que eu falo com raiva, são da boca para fora. Então não leve a sério o que eu disse antes de subir. Se eu pudesse voltar para o século XVII, sabendo de tudo que aconteceu durante todo esse tempo, eu ainda faria tudo de novo. Eu ainda me casaria com você, eu ainda ficaria do seu lado quando você me contou que era um vampiro e eu ainda teria ido para cima da Amber mesmo ela estando armada. Eu faria tudo de novo, porque eu amo você. — falou, pousando sua mão sobre a dele e a acariciando levemente. Um sorriso aparecendo tanto nos lábios de Caspian quanto nos dela. — Menos transformar a Amber, eu a mataria sem pensar duas vezes. Eu acho que isso é a única coisa que eu mudaria. —
O Harrington riu, virando sua mão e entrelaçando seus dedos nos de Charlotte, notando o quanto aquele simples gesto o deixava feliz e com o coração aquecido.
—A lua cheia realmente é necessária para a realização do feitiço. A Madeline me parece uma bruxa muito poderosa, mas se te deixa mais tranquila eu mesmo posso ficar ao lado dela, a acompanhando para todos os lados até o feitiço acontecer. — disse em um tom sério, vendo a ruiva suspirar e logo depois arquear a sobrancelha.
—Sabe que ela faz faculdade, não sabe? —
—Eu não vou assistir as aulas dela. Espero do lado de fora da sala, mas não assisto às aulas. — falou, fazendo-a rir.
—É melhor conversar sobre isso com a Maddie primeiro. Do jeito que ela é, vai dizer que não precisa de segurança, mas aí o Dylan vai explicar as mil razões do porquê dela precisar de um segurança durante esse tempo e ela vai acabar concordando. —
—Eles gostam um do outro, não gostam? — perguntou.
—Gostam, mas não admitem. E depois daquela coisa toda envolvendo o Martin, duvido muito a Maddie assumir qualquer sentimento agora. — suspirou, voltando a olhar para o lago.
—Achei que o nome dele fosse Hardin. — disse, confuso.
—Tanto faz. —
Novamente os dois ficaram em silêncio, observando a pequena movimentação da água no lago e com suas mãos ainda entrelaçadas. Um sorriso nos lábios dos dois só mostrava o quanto eles estavam realmente felizes por estarem juntos novamente.
—Charlotte… —
—Caspian… —
Os dois pararam, rindo por terem decidido falar ao mesmo tempo.
—Pode falar primeiro. — o duque falou, fazendo a ruiva pressionar os lábios e soltar suas mãos.
—Eu amo você, Caspian. Nunca duvide disso. — começou, virando seu corpo para ficar de frente para o marido que assentiu, já tentando imaginar o que ela iria falar por ter iniciado a conversa assim. — Eu vou sentir raiva por um tempo por não ter me contado sobre toda sua transformação, porque você sabe que todo sofrimento teria sido evitado tanto para mim quanto para você, mas… eu estou muito feliz por você estar aqui, sério mesmo. —
Charlie segurou as mãos de Caspian, encarando suas mãos juntas por um momento antes de continuar. As alianças do casamento deles dois ainda em seus dedos fez a ruiva sorrir.
—Só que… eu não quero mais ter uma vida de casada. — falou, erguendo seus olhos para encarar o moreno nos olhos. — Quero dizer, eu ainda quero ficar com você, beijar você, transar com você, porém eu também quero fazer isso com outras pessoas, entende? —
—Então, basicamente, você quer abrir o nosso casamento para outras pessoas? — perguntou, arqueando a sobrancelha.
—Se quiser pensar assim, então é. Um relacionamento aberto. — sorriu.
—Charlotte, quando conversamos eu estava falando sério quando disse que não vim até aqui para com a intenção de forçá-la a ficar comigo. Digo, se você quisesse voltar comigo seria um bônus e tanto. — disse, sorrindo. — E eu sabia que você não era mais a mesma mulher com quem eu casei. Você mudou, eu mudei… até porque passaram-se três séculos. —
—É tão bom saber que não somos um casal ciumento. — confessou, arrancando mais uma risada do marido. — E a ideia de um casamento poligâmico me deixa muito feliz, mesmo nosso casamento não valendo mais devido a tanto tempo, mas eu tenho uma única condição para isso funcionar direito. — disse séria, o olhando nos olhos. — A Amber está proibida. —
—Por Deus, Charlotte! O que te leva a pensar que eu ficaria com a Amber? —
—O quê? Não dá para negar que ela é bonita. Vai que você sempre tivesse algum desejo que nunca me contou de pegar a minha… —
—Por favor, cale a boca. — pediu, fazendo a ruiva rir.
—Eu senti a sua falta. — falou, inclinando a cabeça levemente para o lado.
—Também senti sua falta. — sorriu, colocando uma mecha do cabelo ruivo de Charlie atrás da sua orelha.
Os dois mantiveram os olhares grudados ao mesmo tempo que aproximavam seus rostos ao ponto de sentirem a respiração um do outro. Charlotte levou suas mãos até o rosto de Caspian quando sentiu as mãos dele em sua cintura. Como já estava descalça, ela teve que ficar na ponta dos pés e fechar os olhos para finalmente poder beijar o seu amado.
Caspian não conseguia descrever o que estava sentindo naquele momento, mas se assemelhava muito a quando ele e Charlotte beijaram-se pela primeira vez no jardim do castelo, só que com a saudade acumulada durante três séculos.
Charlie finalizou o beijo com um selinho rápido e abraçou a cintura do duque, encostando sua cabeça no peito dele.
—Eu tinha esquecido como você é alto. — murmurou, arrancando um sorriso do Harrington que acariciava o cabelo dela. — Vou agradecer eternamente por terem feito saltos mais altos. —
—Se é a sua falta de tamanho que te preocupa… — falou, descendo as mãos até as coxas de Charlotte e a puxando para cima, a fazendo entrelaçar suas pernas ao redor da sua cintura. — Resolvido. — sussurrou, seus lábios roçando nos dela.
—Espera aí. Falta de tamanho da minha parte? — questionou em um tom levemente ofendida, mas Caspian não deixou que ela tivesse tempo suficiente para se irritar com ele por causa disso.
Rapidamente pressionou seus lábios nos de Charlotte e apertou sua bunda, fazendo que ela entrelaçasse seus dedos no cabelo castanho do marido enquanto ele caminhava até a cama ou superfície plana mais próxima.
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