Laços de Sangue
9 Hesitação
—O cara era claramente um vampiro, ok? E provavelmente da mesma época que a Charlie e o Nick, porque ele lidou comigo e com o James sem nenhum problema. — Christian falou irritado, bebendo o sangue que estava em seu copo.
—Sem contar que ele chamou a Charlie de duquesa Harrington. — James complementou.
Quase uma hora e meia tinha se passado desde o ocorrido e tanto ele como o irmão já tinham se livrado do corpo e do coração, tomado banho e trocado de roupa. Já tinham até mesmo secado algumas bolsas de sangue, mas Charlotte ainda estava em seu quarto, tomando banho.
—Mas então ele é o que? Um vampiro que caça vampiros? Porque a balestra que vocês trouxeram é de caça. — Dylan respondeu. — Eu nunca ouvi falar de um vampiro caçador de vampiros. —
—Eu já. — Nicholas respondeu. — Nunca o conheci pessoalmente, mas sei que ele odeia vampiros e um vampiro que ele tentou matar usou da mesma estratégia de Charlie e o transformou no monstro que ele mais odiava. Ele completou a transição apenas para ter uma vantagem sobre os outros vampiros que ele caçava. —
O silêncio se fez presente por um tempo, até ser quebrado por Caleb:
—Mas e se for um lobisomem? James disse que a força que ele usou para o jogar contra a árvore era quase equivalente a força da Charlie. —
—Sua força de lobisomem por acaso é quase equivalente a força da Lottie? — Christian indagou.
—Sim, na lua cheia. —
—É, mas acontece que a lua cheia foi a dois dias. — retrucou revirando os olhos com tamanha idiotice.
—A Charlie não disse se conhecia o cara? — Nicholas questionou, recebendo um balançar de cabeça de James.
—Por Deus. Vocês ainda estão falando disso? —
Ouviram Charlotte resmungar do andar de cima e logo ela apareceu no corredor, abotoando uma camisa social branca que Christian tem quase total certeza que é a mesma que ele esqueceu ontem a noite no quarto dela.
—Você estava tomando banho ou estava em um SPA? — Madeline perguntou um pouco estressada pela demora da amiga.
—Tinha sangue no meu cabelo e unhas. Eu precisava tomar um banho direito, né? — respondeu descendo as escadas. — Mas agora estou aqui. Podemos dar início a noite de filmes. — sorriu, caminhando até a sala sobre olhares questionadores e sobrancelhas arqueadas.
Charlie esticou a mão para pegar a bolsa de sangue sobre a mesa de bebidas que ela sabia que tinham pego para ela, mas Dylan a pegou primeiro.
—Quem era aquele cara? — perguntou.
—Não importa. Ele já está morto. — respondeu. — Agora pode me dar a bolsa de sangue, por favor? — pediu com um sorriso.
—Charlie, você prometeu que não iria fazer isso sozinha. — lembrou, fazendo a ruiva revirar os olhos. — Precisa nos contar o que sabe para que possamos te ajudar. —
Charlotte suspirou, sabendo que não iria conseguir fazer nada sem que todos eles questionassem sobre quem diabos era o cara que ele matou.
—Ele era o Visconde Thomas Johnson. — respondeu, pegando a bolsa de sangue da mão de Dylan e sentando no sofá ao lado de James, colocando suas pernas sobre as coxas dele.
—O filho do Conde Johnson? — Nicholas perguntou, levemente confuso.
—Esse mesmo. Lembra que ele me cortejava? — perguntou com um sorriso, bebendo o sangue da bolsa em suas mãos.
—Ah, claro. Você rejeitou qualquer investida dele porque estava muito ocupada se apaixonando pelo Caspian. — respondeu.
—Então ele tentou te matar porque foi rejeitado por você? — Christian arqueou a sobrancelha.
—Não. Acredito que o motivo foi porque eu matei o pai dele e, se não me engano, foi bem na sua frente. — deu de ombros, secando a bolsa de sangue em instantes.
—Foi você quem matou o Conde? Por quê? — perguntou Nick, vendo a irmã com uma expressão pensativa.
—Eu não lembro bem. Tédio, eu acho. — respondeu um pouco em dúvida.
—Meu Deus. — Madeline murmurou, incrédula.
—Se você matou o pai do cara bem na frente dele por que o transformou? — James perguntou, atraindo o olhar de Charlotte.
—Mas eu não o transformei. Eu nem gostava do cara. —
—Então ele foi atrás de um vampiro e pediu para transformá-lo para que pudesse vir atrás de você a fim de vingar a morte do pai? — Dylan montou uma linha de raciocínio, embora ela não fizesse muito sentido.
—Talvez, mas vocês estão esquecendo de um detalhe: aquela estaca não era para mim. — disse, olhando para Caleb que só agora pareceu se dar conta desse detalhe.
—Está dizendo que tem dedo da Amber nessa história? — perguntou, recebendo um erguer de ombros da ruiva, deixando aberto a interpretação. — E por que caralhos eu fui o primeiro da lista? —
—Vai ver porque você aparentou ser o elo mais fraco. — Christian respondeu, dando de ombros.
—Mas tem o Dylan. Um humano! —
—Ei! — o caçador falou indignado.
—E por que uma estaca de madeira? Eu nem sou um vampiro! — continuou com o tom atônito.
—Erro de cálculo, talvez? — ponderou Charlotte. — Não importa. O que importa é que isso me deu a resposta que eu precisava. —
O restante do pessoal ficou em silêncio, esperando pela conclusão da ruiva que não veio.
—Charlie! — Madeline repreendeu.
—Ah, mas que saco! — revirou os olhos. — Eu suspeitava que ela estava trabalhando com alguém nesse negócio todo de vingança. O fato do Visconde aparecer como vampiro me prova que eu estava certa. —
—Mas eu achei que isso já fosse de senso comum. Quero dizer, ela seria burra de vir até aqui atrás de vingança estando sozinha? — Christian perguntou, recebendo um balançar de cabeça de Charlotte.
—Não, eu não estou falando desse jeito. Não aliados do tipo: "hey, estou planejando uma vingança contra a minha irmã vampira, você aceitaria 20 mil dólares como pagamento pela sua ajuda?" — disse com um tom de voz doce, tentando deixar sua própria voz parecida com a da irmã. — Estou falando de que tem alguém por trás desse plano de vingança, realmente a ajudando com certos movimentos e afins. É como eu disse, Amber não tem um espírito estrategista. Alguém está trabalhando com ela. —
—Então está dizendo que a vingança da Amber, não é apenas da Amber? — Dylan perguntou, recebendo uma resposta afirmativa da ruiva. — Por que você acha isso? Tem outra explicação além da falta de estratégia da Amber? —
—Ela não transformaria ninguém. Amber odeia isso e eu sei que ela não transformaria ninguém apenas para ajudá-la na vingança. — respondeu.
—E você tem alguma prova? Você mesma disse que não se cruzaram durante esses três séculos e aquela conversa no restaurante não deu brecha para esse tipo de interpretação. — James acrescentou.
—Eu tenho minha intuição de irmã, ora essa. — disse como se fosse óbvio.
—Charlie, quem teria um motivo tão forte para ajudar a Amber? — Maddie questionou.
Charlotte ficou em silêncio por uns cinco segundos antes de dar de ombros e pegar a bolsa de sangue das mãos de James que estava enrolando para bebê-la.
—Não sei. Talvez seja a governanta do castelo. Aquela mulher me odiava. —
—Jura? Não consegue pensar em ninguém com um motivo realmente sério e válido? — Dylan revirou os olhos.
—Estamos mesmo tentando achar uma pessoa do passado da Charlie para culpar além da Amber, mesmo sem ter certeza se tem outra pessoa atrás desse plano de vingança ou não? — Caleb indagou, fazendo todos ficarem em silêncio.
—Aposto uma garrafa do whisky mais caro do mundo que a única pessoa por trás desse plano é a Amber. — Nicholas falou após um tempo, encarando a irmã que sorriu com a bolsa de sangue entre os lábios.
—Está falando do Macallan de 1926? — Nick assentiu. — Aposto duas que tem outra pessoa, sim. — falou, fazendo um sorriso aparecer nos lábios do irmão.
—Fechado. — ele levantou do sofá, estendendo a mão para Charlotte que a apertou, selando a aposta.
—A gente vai morrer. — Dylan constatou após Nicholas retornar para o seu lugar.
***
Charlotte saiu do banheiro já vestida com sua camisola de cetim. Pegou Moby Dick na estante e deitou-se, abrindo na página em que parou a leitura. Ouviu batidas na porta do seu quarto e ela logo foi aberta por Christian.
Automaticamente um sorriso estampou seu rosto e ela fechou o livro, deixando-o sobre a cômoda ao lado da cama.
—Veio dormir comigo? — perguntou, observando ele fechar a porta e caminhar até a cama com um sorriso torto.
—Depende. Você quer dormir? — tirou uma mecha de cabelo do seu rosto, colocando atrás da orelha dela.
—Definitivamente não. — respondeu, e no segundo seguinte ela já estava no colo dele, beijando seus lábios.
Sentiu as mãos de Christian apertarem sua bunda enquanto puxava mais seu corpo para perto de si. Charlotte entrelaçou seus dedos no cabelo do Garcia aprofundando mais o beijo e logo depois descendo seus lábios para o pescoço dele.
Suas mãos deslizaram pelos ombros e braços do moreno até chegar na barra da camisa preta que ele usava, puxando-a para cima e encarando o peitoral dele mordendo o lábio.
—Você está proibida de fazer essa cara. — Christian sussurrou, puxando seu rosto para beijá-la novamente.
Ele desceu a alça da camisola de Charlie e fez uma trilha de beijos desde seus lábios até o ombro dela. A ruiva suspirou, passando suas unhas pelo abdômen de Christian e levando seus dedos até a barra da calça moletom que ele usava, mas sentiu as mãos dele segurar seus pulsos.
—Espera. Antes eu preciso fazer uma pergunta. — disse, fechando os olhos quando não sentiu mais os lábios de Charlotte em seu pescoço.
—O que? Vai perguntar se para mim está tudo bem tirar sua roupa? — um sorriso brincalhão apareceu em seus lábios.
—Não. — respondeu, a olhando nos olhos enquanto acariciava as coxas dela. — O que você está escondendo da bruxinha? —
O sorriso nos lábios de Charlie sumiu.
—Por que acha que estou escondendo alguma coisa da Maddie? —
—Porque eu fui o único que notou que você hesitou quando ela perguntou quem teria um motivo tão forte para se vingar de você ao ponto de ajudar a Amber. — respondeu. — Também hesitou quando ela fez a mesma pergunta na quarta-feira, quando estávamos indo para o cemitério e você apresentou a mesma teoria de hoje sobre ter outra pessoa por trás desse plano de vingança. —
—Bom, deixo sua pergunta aberta a interpretações. — desconversou, acariciando o cabelo de Christian que suspirou sabendo que se ela escondia alguma coisa, não iria contar.
—Tudo bem, mas pelo que conheço da bruxa loira ela não gosta de segredos. Então, Lottie, seja lá o que você está escondendo dela devia contar logo. — aconselhou, afagando sua bochecha com o polegar. — Ela é sua melhor amiga. Não irá conseguir te odiar por muito tempo, se seu medo for esse. —
—Eu não tenho medo de nada. — falou, prepotente. — E você acabou com todo o clima com esse papo moralista. — bufou, cruzando os braços.
—Deixo você no clima de novo rapidinho. — sorriu, descruzando os braços dela.
—Duvido muito. — desafiou, virando o rosto.
Christian, usando sua velocidade de vampiro, colocou Charlotte deitada na cama ficando por cima enquanto ela o encarava com a sobrancelha arqueada. Sorriu, beijando o canto dos seus lábios e descendo os lábios pelo seu pescoço, clavícula, colo.
Quando a ruiva sentiu ele morder levemente a pele ao redor do seu seio ela mordeu o lábio, evitando que qualquer ruído de aprovação escapasse.
—Não adianta guardar seus gemidos apenas para você. Já disse que não gosto disso. —
—Então tem que fazer por merecer. — provocou.
Christian arqueou a sobrancelha, até que riu e então rasgou a camisola dela no meio. Fazendo a boca dela abrir em surpresa.
—Me deve uma camisola nova. —
—Não se preocupe. Amanhã mesmo eu compro a camisola mais transparente que tiver. — sussurrou, mordendo o pescoço dela enquanto deslizava sua mão esquerda pela lateral do corpo de Charlotte.
—Eu acho que tenho uma dessas no meu closet. — passou suas unhas nas costas do moreno que sorriu.
—Adoraria ver você com ela amanhã. — sussurrou em seu ouvido, mordendo o lóbulo da orelha de Charlie e sem aviso prévio, afastou sua calcinha para o lado e enfiou dois dedos em sua intimidade.
A ruiva não conseguiu segurar o gemido e isso fez um sorriso aparecer nos lábios de Christian que começou a movimentar os dedos dentro dela. O corpo de Charlotte embaixo do dele se contorceu um pouco e ela puxou seu rosto, beijando seus lábios avidamente.
Sua mão desceu até a cintura do Garcia e entrou dentro da calça dele, acariciando seu membro coberto pela cueca. Quando fez menção de o tocar sem qualquer tecido a impedido, Christian tirou seus dedos de dentro dela e segurou seu pulso, entrelaçando seus dedos e deixando sua mão do lado da cabeça dela.
—A prioridade aqui hoje é você, ok? Então apenas aproveite, sweet child. — sussurrou, a beijando mais uma vez antes de descer seus lábios até o meio das pernas de Charlotte.
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