Laços Imperfeitos
9 Aceitam um pouco de... limonada?
Notas iniciais
Capítulo sete — Aceitam um pouco de… limonada?
Domingo, uma linda tarde ensolarada, muito propícia para visitar a mansão de amigos e estudar. Mas, não... Chovia torrencialmente, parecia mais já ser noite, a única luz no céu era o brilho incessante de trovões. Okay, com certeza aquele era um sinal. Renji definitivamente deveria ficar em sua casa dormindo. Era o que faria se o seu celular parasse de tocar em algum momento. Pois é, Rukia não desistiria.
Para provar a existência de um pouco de inteligência em Renji, ele levantou rapidamente e mandou uma mensagem para a garota.
“Já estou chegando.”
Era o mais sábio a fazer. Caso contrário, Rukia apareceria ali e o arrastaria até a mansão pelos cabelos, sem exageros. Tomou um banho rápido, vestiu qualquer roupa que encontrou e prendeu os cabelos. Não é como se precisasse se arrumar para visitar Rukia... Se bem que... Talvez fosse melhor ir com os cabelos soltos, ficava mais bonito assim. E essa blusa branca de botões não seria muito casual?
Mas, diabos! Que se dane a porcaria da roupa! Arrumou a mochila, levando uma muda de roupas, escova de dente e, obviamente, os cadernos e livros necessários para estudarem. Se bem, que não entendia porque diabos Rukia ia querer estudar com ele de verdade. Como já citado, não era provido de grande grau de inteligência. Pois bem, que seja.
Saiu apressado, ainda teria que esperar a droga do ônibus.
...
Rukia estava estressada. Qual é? Tudo teria que dar minimamente certo, ou então estaria tudo acabado. E para dificultar a situação mais ainda o ruivo estava demorando demais. Pelo menos já contava com esse atraso dele, assim teria tempo de falar com Byakuya... Pois é, ele ainda não sabia que Renji iria até lá. Seguiu até a biblioteca, onde o Kuchiki lia algo, provavelmente algum livro para a faculdade.
– Nii-sama, posso entrar?
– Claro. Algum problema? – Byakuya respondeu um pouco sem graça. Aquela história do preservativo ainda rondava sua mente.
– Nada, é que eu me esqueci de falar que chamei o Renji para dormir aqui. Nós precisamos estudar e... Nii-sama, você está bem?
Byakuya não conseguiu evitar arregalar seus olhos e corar com a notícia. Não podia ser verdade! Depois de tudo o que aconteceu, ele dormiriam sob o mesmo teto? Não que isso significasse que algo aconteceria... Nada aconteceria! Antes que tivesse a chance de responder Rukia, a campainha tocou.
– Deve ser ele, pode ir Rukia.
A garota parecia preocupada — na verdade era só curiosidade — mas, foi atender logo o amigo. Não imaginava que a reação de seu irmão seria aquela. Bom, depois daquele dia na casa de Renji não soube de mais nada. Será que algo aconteceu sem o seu conhecimento? Teria que esperar, provavelmente seu irmão não contaria nada. Mas na hora certa poderia arrancar de Renji.
Por falar em Renji, ao abrir a porta se deparou com o pobre coitado todo ensopado. Não conseguiu conter o riso. O Abarai apenas a ignorou, entrando na mansão sem se importar em molhar todo o carpete.
– Mas que droga, Renji. Você não tem um guarda-chuva? – Disse em meio aos risos.
– Sim, mas quebrou no caminho. Culpe quem comprou sua humilde casa aqui, a milhões de quilômetros do ponto de ônibus a e quem fez chover, não a mim.
– Tudo bem, tudo bem. Deixe de reclamar, vá logo se trocar. Trouxe roupa?
O ruivo balançou a cabeça numa afirmativa. Rukia ficou um pouco decepcionada, seria engraçado se ele tivesse que pegar algumas roupas de Byakuya emprestadas. Mas, não era momento para perder tempo. Agora era hora de pôr o plano em prática.
Voltou para biblioteca onde seu irmão continuava. Contou a triste história de Renji, o que já era até normal, o ruivo tinha uma falta de sorte inexplicável. Juntou alguns livros para o estudo e os espalhou em uma mesinha.
– Vão estudar aqui?
– Sim, algum problema, nii-sama?
–... Não. – Normalmente, Byakuya faria questão de presenciar os estudos da irmã. Entretanto, estava um pouco hesitante. Sem explicações, levantou-se para sair daquele lugar, pelo visto seria melhor passar o resto do dia em seu quarto, ficaria mais sossegado dessa forma.
Rukia conteve o riso quando seu irmão teve certa dificuldade em abrir a porta, porcaria de maçaneta! E para piorar, quando conseguiu, deu de cara com Renji. Surpreendeu-se com a imagem do ruivo, com os cabelos soltos e molhados. Estava tão... Porcaria, sem essa! “Ele é só uma criança, só uma criança!”. Gritou mentalmente. Antes que sua educação se fizesse presente e cumprimentasse o Abarai, foi interrompido por Rukia.
– Renji! Entre logo, vamos estudar aqui. — Byakuya saiu da frente permitindo a entrada do ruivo. – Nii-sama para onde vai?
– Não quero atrapalhar os estudos de vocês. – Droga, deveria ter arrumado uma desculpa melhor.
– Mas, nii-sama, você não atrapalha de nenhuma forma. Poderia até nos ajudar, já que o Renji fez o favor de chegar atrasado e diminuir nosso tempo de estudo. – Olhou para o dito cujo com uma expressão emburrada.
– Não me culpe, a culpa é do sistema de transporte e do fato da sua casa ser distante de tudo.
– Que seja. Nii-sama, nos ajude... por favor. – Fez aquela expressão fofa que não convencia ninguém. Byakuya apenas suspirou e balançou a cabeça em uma afirmativa.
Os estudos ocorreram bem, não que Rukia parecesse interessada, aparentemente estava bem impaciente. Renji percebeu que não havia entendido absolutamente nada da matéria, ficou grato pela explicação fascinante de Byakuya. Ainda assim, havia uma tensão palpável entre os dois. Rukia olhou o relógio pela milésima vez. Okay, já estava em uma boa hora.
– Estou com um pouco de sede, já volto. – Byakuya queria implorar para que ela continuasse ali, mas, não era de seu feitio. Rukia saiu alegremente, tendo uma leve dificuldade em abrir a porta.
Poucos minutos depois voltou com dois copos e uma jarra em uma bandeja.
– Aceitam um pouco de limonada? Acabei de fazer! – disse sorridente. Renji rapidamente aceitou, mas Byakuya prontamente recusou. – Nii-sama, você não quer? Eu mesma fiz! – disse fazendo bico.
– Tudo bem, vou beber um pouco.
Rukia encheu o copo e entregou para ele, ainda assim Byakuya se limitou a beber apenas metade. Diabos, só isso seria o suficiente? Bom, teria que ser. O celular da garota tocou, como o planejado, pediu licença e se retirou. Bom, agora só poderia deixar nas mãos do destino.
...
Definitivamente, havia algo muito errado. Muito, muito errado. Com toda aquela chuva e ventania lá fora, como era possível estar tão... quente? O calor era tanto, que Renji rapidamente acabou com a limonada. Pensava que era apenas com ele, mas notou que Byakuya estava suando um pouco, além de perguntar de poucos em poucos minutos onde diabos estava Rukia.
O Kuchiki sentia a garganta seca, mas já não havia nada para beber ali. Bom, essa seria uma boa desculpa para sair do local, mas sentia uma leve vertigem. Notou, em outra mesa, meio escondida por vários livros, uma garrafa com algum liquido estranho. Levantou-se e foi examinar o tal conteúdo. Pela garrafa seria alguma bebida, abriu-a e pelo cheiro notou que não era nada alcoólico. E não havia como ser, ninguém bebia naquela casa. Provavelmente era algum suco que Rukia esqueceu ali.
A sede era tanto que bebeu um pouco para averiguar. Tão doce, não conseguia identificar do que era feito. Mas era bom, e aplacava a secura em sua garganta.
...
A situação era desesperadora! O calor junto ao incomodo da presença do outro perturbava ambos. Mas o pior era o outro incomodo. Para piorar, era tarde, e Rukia não voltava. Talvez já estivesse dormindo. Com isso em mente, Byakuya tentou ignorar a fraqueza e foi até a porta, era melhor sair dali logo. Entretanto a porta não abria de forma alguma, a maçaneta parecia emperrada ou algo assim.
Notando a dificuldade do moreno, Renji se levantou e tentou ajudá-lo. Porém, ao forçar a maçaneta ela apenas se soltou em sua mão.
–... E agora? – disse Renji, meio assustado.
Byakuya não respondeu, mas, sua expressão dizia tudo. Se possível, Renji poderia ver uma aura negra ao seu redor. Assustador, definitivamente assustador! Byakuya bateu na porta com certa força e chamou por Rukia, mas nada. Olhou em seu celular, mas devido à chuva não tinha sinal. Renji fez o mesmo e teve a mesma resposta.
...
Não existem palavras para descrever o clima naquela pequena biblioteca. Byakuya estava encolhido no canto oposto ao de onde Renji estava, parecia prestes a matar alguém. Aquela expressão “Se olhar matasse...” cabia muito ao momento, era assim que Renji se sentia. O Kuchiki não desgrudava os olhos do pobre ruivo, em nenhum momento... Nem parecia piscar, sem exageros.
Mas, Renji conseguiria suportar bem o medo, se não fosse por outra sensação... É, o incomodo entre as pernas o estava enlouquecendo, precisava fazer algo. E tinha que ser logo, mas como faria na frente do Kuchiki? Ainda mais, quando ele estava com aquele olhar de psicopata. De qualquer forma, a vontade de se aliviar ali mesmo o consumia.
E aquele calor maldito? Não conseguia pensar direito por causa do calor, sentia o suor escorrer e o olhar do outro sobre si piorava tudo. Sabia que o tom de seu rosto, agora, devia combinar perfeitamente com seus cabelos... Estava difícil até para respirar, começou a arfar devido à dificuldade.
...
Certo. Byakuya não aguentava mais aquilo. Estava ficando louco, precisava fazer logo alguma coisa. Entretanto, antes que pensasse em fazer algo, foi surpreendido por Renji.
– Senpai, me desculpe. E-eu não aguento... – Ao dizer isso, esticou as pernas e abriu a calça. O que diabos aquele garoto estava fazendo?
Okay, dá para imaginar o que ele estava fazendo. Pois é, isso mesmo. Byakuya não conseguia acreditar. Mas, o problema não era o fato de conseguir ver exatamente a intimidade de Renji enquanto ele... Enfim, o problema era o fato do garoto ficar repetindo “Senpai, senpai!” entre gemidos. Sério, não dava para aguentar e ainda pior era vontade de fazer o mesmo.
– Pare com isso, Renji!
– Não... posso!
O Kuchiki tentou se levantar, mas devido à fraqueza se contentou em ir engatinhando até o garoto. Segurou os pulsos dele, para impedi-lo de continuar.
– Senpai, me deixe! Por favor...
Droga, droga! Era impossível, aquilo não poderia estar acontecendo. Mas, que se dane! Interrompeu o que o garoto tentava dizer com um leve beijo... Mas, este foi rapidamente aprofundado por Renji. Logo Byakuya foi jogado no chão, sendo prensado pelo ruivo. Quando os lábios se separaram, Renji apenas seguiu para a orelha do outro.
– Não devia... ter feito isso, senpai.
– Eu sei. Eu sei...
{...}
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