Renata

Não sei ao certo como saímos dali, o garoto era incrivelmente habilidoso e conseguia se safar de qualquer coisa, até que não foi tão difícil, a não ser pela parte de pular o muro.

— Doeu? — Ele perguntou.

— O que?

— Fugir da escola.

— Áh... Não foi tão mal assim.

— Eu sei que não.

Revirei os olhos.

— E como a gente sai daqui ? — Perguntei com medo de ser pega fugindo da escola.

— De carro.

— Áh...

— Não dirige?

— Nem eu nem ninguém do primeiro ano.

— Ta bom, então vou ser seu motorista oficial ate tirar carteira.

— Anh... Ta.

Matt me levou ate o estacionamento, procurei por um carro simples, algo como uma caminhonete, mais não, o garoto já não era diferente o bastante, ele tinha que ter o carro mais cobiçado de todos. Um R8 de cor preta e detalhes prateados nos esperava, ele abriu a porta para mim e em seguida entrou no carro dando partida e saindo dali.

— Pouco humilde você em? — Falei ainda boquiaberta

— Do que ta falando ?

— Carro caro, roupa de marca. Onde consegue esse dinheiro?

— Trabalhando ?

— Uhum.

— Re, a família que me adotou tem muito dinheiro.

— Áh... E você deve adorar isso né !?

— Não é bem assim, é legal, mais cança. Queria ser normal.

— Você é normal, só que rico.

— Você que pensa. — Ele murmurou.

— Ein?

— Áh nada...

— Tem irmãos Matt?

— A Vick.

— Além dela, na sua outra família.

— Tenho, Moona e Hitter.

— São mais velhos ?

— A Monna sim, já o Hitt é da tua idade.

— E como sabe minha idade?

— Sei lá eu chutei. Quinze?

— Er.

Vinte minutos depois de sairmos da escola Matt estacionou na beira da estrada, pelo que pude perceber estávamos fora da cidade.

— Como a gente chegou aqui tão rápido ?

— Hum... Sei lá, devo dirigir bem.

Bufei.

— E o que a gente ta fazendo aqui?

— Quero te mostrar uma coisa.

— Por que pra mim?

— Por que você também foi um imprevisto pra mim.

Fiquei sem graça e senti minhas maçãs esquentarem. Matt rapidamente abriu a porta e me ajudou a sair, guiando-me pelo bosque chegamos rapidamente onde ele queria. A vista era incrível, montanhas, arvores e uma cachoeira enorme que caia diante de nós descendo para o riacho que observávamos .

— Eu sou um imprevisto ruim? — Perguntei

— Não, por que ?

— Áh sei lá, vai que você tenta me empurrar pro riacho e ai eu me afogo, imprevisto resolvido.

Ele riu mais para mim do que de mim. Aproximando-se de mim, pousou as mãos em minha cintura .

— Acredite a ultima coisa que quero é me livrar de você.

— Eu também não quero me livrar de você.

O garoto aproximou o rosto do meu ate que nossos lábios se roçaram, eu queria resistir mais não podia. Ele me beijou, e eu não fiz nada.