Renata

Assim que pude me desvencilhei do garoto e dei alguns passos pra trás.

— Que foi? — Ele perguntou.

— É que, não ta certo. Você e eu somos primos. E eu te conheci hoje. Olha não dá, me leva de volta pra escola, não quero ficar aqui.

— Não quer? — Sua voz era convicta ele me fitava os olhos.

— Não... — Disse ao dar mais dois passos para trás, senti que já não havia chão e despenquei da cachoeira.

Não havia mais nada ali que não fosse um grande espaço vazio, meu olhos se fecharam e me faltou o ar, goticúlas de água me atingiam o corpo. O desespero tomou conta de mim. E de repente tudo a minha volta parou, ou ao menos eu parei, pensei já ter caído mais estava errada, alguém me segurava, e ainda de olhos fechados pude escutar o bater das asas. Abri os olhos aos poucos, e ali estava Matt, me segurando em seus musculosos braços.

— Como ? — Perguntei incrédula no que vira.

O garoto me olhou com expressão séria e suspirou.

— Não sei se pode entender...

Já estávamos no chão ele me descera do colo e eu o fitei.

— Conte-me...

— Eu não...

— O que você é?

Matt olhou para os lados.

— Matt o que você é? — Insisti.

— Eu bem... Eu...

— É um anjo caído né? Por que só pode, dizem que os anjos caídos são lindos, fortes, e você tem asas.

Olhei para ter certeza de não estar louca. E lá estava um belo par de asas negras que reluziam e deixavam Matt bem mais encantador do que era. Seu peitoril estava de fora já que a camisa fora rasgada quando tentou me salvar. Olhei para seu rosto e ele parecia rir.

— Não Re, sou humano assim como você.

— Eu não tenho asas...

— Ta, sou Menphy.

— Um o que ?

— São uma tribo de alados.

— Existem outras ?

— De alados não...

— Existem outros seres assim ?

— Mais ou menos.

— Explica...

— Tá, cada tribo tem sua relíquia, e cada relíquia escolhe seu mestre, e só este mestre pode te transformar.

— Existem outras tribos ?

— Vampiros, bruxos, magos, ninfas, jumpers, lobos...

— Isso tudo ?

— E outras...

— E quem é seu mestre ?

— Anh... Acho que eu mesmo.

O garoto me mostrou o cordão que trazia no pescoço no qual uma safira em forma de asas pendia.

— É lindo...

Ele sorriu.

— Eu posso ser transformada ?

— Ah... Não vai querer isso.

— Posso?

— Pode...

— E como acontece?

— Consegue ver que a ponta das asas de safira são afiadas ?

— Sim...

— Tenho que desenhar a marca em você com ela...

— Que marca ?

Matt estendeu-me sua mão e eu pude notar o guerreiro alado que subia do pulso a parte de trás do polegar.

— Isso doeu?

— Não muito...