Lótus de papel
1 Prólogo – A primeira flor de lótus
Notas iniciais
Ser conhecido pelo sobrenome e não pela pessoa que você realmente é, sempre fora minha maldição. Não consigo me lembrar de dias onde as pessoas não estariam sempre evitando falar comigo, ou onde os pais proibiriam seus filhos de brincar ou se aproximar de mim e eu sempre acabara sozinho. Esse era o peso que eu tinha de carregar por ter nascido o filho de um dos maiores mafiosos já conhecidos na Coreia do Sul, que é conhecido somente como Chefe Kim e por isso, todos aqueles que tem esse sobrenome, estão fadados a mesma maldição, até que seja provado que eles não pertencem a família do Chefe.
Infelizmente, eu não tive a mesma sorte.
Ninguém sabe como é acordar todos os dias e ter de andar pelos corredores frios da grande casa dos Kim, ninguém sabe como é ser o filho primogênito desta família, ninguém realmente conhece meu pai e ninguém conhece a mim. Somente minha mãe sabia. Somente ela sabia lidar com o “Chefe”, somente ela sabia como as coisas seriam difíceis, mas ela não está mais aqui. Já se passaram 14 anos desde sua morte, mas eu ainda consigo sentir sua presença dentro da pequena sala de livros que ainda tem aquela porta de correr para o jardim, onde ela costumava banhar-se na luz do sol todas as manhãs. Somente ela entendia a mim e a minha dor. Sim, mesmo eu sendo o filho primogênito do grande chefe da máfia coreana, Kim Yong-bin, sou tratado com frieza por meu próprio pai.
Depois de minha mãe, a única pessoa que me compreendera foi Kwang Dae-Hyun. Meu amigo desde o primeiro ano do ensino médio. E mesmo quando não estávamos na mesma escola, Dae-Hyun sempre arranjava um jeito de me encontrar e tirar a minha mente do foço onde geralmente estava. Até sua mãe gostava de mim, embora ela não me compreendesse como ele. Ela era diferente das outras mães, sempre me convidando para ir a casa deles para jantar ou passar a noite. Foi ele quem me ensinou a me "rebelar" quando fez 18. Embora eu nunca realmente desafiasse meu pai de frente, eu sempre saia escondido a noite com meu amigo. Bebíamos, embora ele realmente não me desse o álcool, corríamos feito loucos nas vias expressas mais vazias que encontrassemos, pichávamos paredes e até quase fomos pegos pela polícia uma vez. Mas assim como tudo que na minha vida que era bom, essa sensação de liberdade, essa felicidade durou pouco.
No ano seguinte, quando completei meus 18 anos, meu pai casou-se com a mãe de Dae-Hyun e eu achei que as coisas não poderiam ser melhores, mas eu estava enganado. No mesmo dia do casamento, eu podia notar uma mudança no olhar do meu velho amigo. Algo que até hoje eu não sei explicar direito, pois era um olhar que eu nunca tinha visto ele fazer antes.
Os anos foram passando e eu finalmente percebera o quanto meu amigo começara a mudar. Começou aos poucos com ele dizendo que não tinha tempo para as nossas escapadas por causa da escola, era mentira. Depois, ele começou a me olhar como meu pai o fazia, friamente, sem emoção e dizendo que aquilo era porque estava cansado, outra mentira. E para finalizar, Dae-Hyun começara a me menosprezar, dizendo que eu não deveria estar naquela família, que ele estava fazendo um favor para mim e que aquilo tudo era para o meu bem, mais mentiras.
Mas o que eu esperava, não é mesmo? Eu deveria saber que viver embaixo desse nome só me traria mais e mais tristezas, só me traria mais decepções, mais cicatrizes e mais pensamentos tão sombrios que me fariam ter pesadelos. O que eu esperava, não é mesmo? Afinal, “pesada é a cabeça daquele que carrega a coroa”; mesmo que seja uma coroa que eu não queira possuir desde o início.
FIM DO PRÓLOGO
Notas finais
Vejo vocês no próximo capitulo~~
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