Kurt, Interrompido

29 Eu era o seu melhor amigo.


Notas iniciais
Oi, nao vou fingir estar toda alegre e feliz pela copa ou por ser sexta, estou puta da vida e angustiada, quero matar alguem e me jogar de um predio. Enfim, ignorem a rabugenta aqui e aproveitem o cap.

A primeira coisa que faço ao acordar é me certificar que não estou no bloco A. Depois me certifico de estar com 20 dedos no total e que posso mexer as pernas (Um novo reflexo? Tenho medo da facada de Hunter ter feito algo que me comprometa) e então preciso saber que não estou sozinho.

Parece um quarto de hospital. A Dalton tinha um hospital de emergência do lado de fora, apesar de quase nunca ter precisado de um. A porta esta aberta e tenho boa visão do corredor, nenhum dos Warblers a vista.

O dia é claro e limpo, pela primeira vez em muito tempo paro pra respirar fundo e pensar só no ar entrando pelas minhas narinas. E então não ligo mais, preciso sair daqui.

Dói muito, parede que minhas entranhas tivessem sido chamuscadas . Quando me sento na cama meu abdômen para baixo esta ardendo como nunca, quase perco o equilíbrio quando pouso meu pês no chão, não tem nenhum fio me ligando a uma bolsa de soro ou coisa parecida, me alivia não estar perdido em tubos igual Sebastian estava.

Respirar já não é mais tão prazeroso, o ar puro faz meu corpo doer sempre que entra, quando sai a dor fica, e acumula, e eu não paro por nada. As enfermeiras vestem branco ao invés de azul igual as de Dalton, e estas realmente estão ocupadas fazendo alguma coisa, por isso não notam quando passo por elas. Não sei onde fica a saída então sou forcado a perguntar.

Não é tão ruim quando me fazem voltar ao meu quarto e deitar. Na verdade acho que precisava disso, elas não me deixam perguntar o que aconteceu mas trazem as visitas, apenas família, então nada de warblers e nada de Blaine.

Carole usa um vestido de primavera, leve e alegre, com a curva da sua barriga de gravida já um pouco evidente, meu pai esta logo atrás dela e os dois parecem estar ao borde de um choro total.

“Não consigo acreditar que te deixaram no quarto de um psicopata total.” Carole diz enxugando os olhos borrados com maquiagem borrada e mal feita, como se tivesse sido feita as pressas. Meu pai não para de olhar pra mim, Carole toca a minha face e chora mais.

“Achei que iria te perder.” Meu pai se pronuncia “Não iria aguentar perder outro filho.”

Quando ele fala isso instantaneamente rebato “Finn não esta morto.”

“Kurt, agora não, por favor.”

“Estou cansado disso tudo! Estou cansado de me cortarem toda hora e nunca acreditarem em mim. Preciso ser esfaqueado para vocês perceberem que este lugar esta tentando me matar!” Não tenho energia suficiente para arrebentar as palavras do jeito que queria, mas isso não tira o efeito delas, não quero mais discutir, mas ainda quero causar estrago.

“Eu sei. Eu sei. Kurt, me desculpe por ter sido tão injusto com você.”

“Por que desculparia?”

“Porque, “ Meu pai olha pra Carole e depois continua “Vamos tirar você daqui.”

Hã?

“... Hã?”

“Sim. Voce já esta de alta, não vai mais voltar aqui. A Dra. Sylvester foi a que deu a decisão final.”

“Não posso ir embora! Blaine esta aqui!”

“E dai?”

“E dai que eu amo ele, não posso ir embora.”

“Kurt!”

“Pai!”

“Você não tem ideia do que esta falando!”

“La vem você de novo me cortando. Que saco, você pode ir e se casar de novo e de novo e eu não posso manter quem já tenho?”

“Eu não tenho controle sobre a decisão de dar ou não alta para o Blaine!” Ai vem mais briga “Você tem que superar!”

“Mas não quero.”

Ele não diz mais nada. E eu continuo discutindo dentro de minha própria cabeça, não posso sair daqui sem o Blaine.

Não vejo mais ninguém além dos meus pais, não deixam meu namorado ou meus amigos entrarem, não deixam nem Rachel vir, não que eu queira a visita dela agora.

O importante é que eles estão lá fora, se preocupando comigo.

Hunter vai passar o resto de seus dias trancado no Bloco A. Não podia desejar punição melhor.

Uma semana depois do incidente, Sebastian morreu. Todos acendemos uma vela em homenagem.

Wes me ajuda a empacar. Blaine e eu xingamos mais enfermeiras e ficamos juntos. Becky me faz um desenho, todo molhado de tinta e purpurina.

“Este é Hunter, segurando uma faca.” Diz Becky, orgulhosa, apontando para o borrão azul e vermelho que denomina Hunter. “Aqui é você no chão, morto.”

“E o sangue onde esta?”

“Você é uma fada, você não sangra, você solta po de fada.” Agora entendi a purpurina. “Vou sentir a sua falta.”

“Também vou, Becky.”

Blaine me diz que vai fugir assim que possível e ir me ver. Eu rio e o beijo, digo que vou ficar esperando.

A Dra. Sylvester acha que me fez um favor. Uma boa ação para o doido que deixou-se xingar pela casquinha Jackson. Eu a odeio ainda mais.

O mundo real, o ar limpo e a grama cortada estarão sempre acessíveis. Paredes acolchoadas e remédios nunca mais. O mundo real, com suas portas abertas para mim, vou poder viver um pouco dos anos 60, em seu final.

Em pouco tempo percebo que o mundo real é uma merda.

Não simplesmente pela guerra passando sempre na TV e nos jornais, a rua e as pessoas se trancam na guerra como malucos em hospício (Ironia bem usada, não?)

Não tem Blaine aqui. Ou um Wes me contando historias absurdas e ligando para o tele-sexo, ninguém.

Carole e meu Pai vão chamar meu novo irmão de Finn.

Pelo menos agora eu posso procurar por Finn (Meu irmão mais velho, aquele que não morreu, não importa o que os cretinos do governo digam.) Procuro em hospitais e deixo recados em papel e folhetos na rua. Rachel me ajuda, porque assim como eu, agora acredita que Finn esta mesmo vivo.

A primeira vez que vou a Dalton como visitante, os Warblers ainda me tratam como um deles, mas esse não é o problema.

“Novo Warbler.” Diz Wes, aponta para um garoto loiro e alto, percebo na hora que é gay, e ele esta próximo demais do Blaine, meu Blaine.

“Este é Sam.” Ignoro as apresentações, o loiro oferece a mão pra apertar, logo percebo que não é tão doido como os outros. “Esta no bloco B.”

“Isso é bom.” Digo “Eu cheguei aqui no bloco B também.”

Sam Evans tinha anorexia nervosa, era uma novidade eles deixarem de ser tratados em hospitais normais para serem acolhidos pelos hospícios. Ele desejava ser modelo, e o distúrbio alimentar foi dominando-o aos poucos.

“Oi Kurt, o Blaine me falou muito de você.” Diz ele. “Ele é meu novo melhor amigo.”

“São melhores amigos, serio?” Finjo um sorriso, bem falso, mas continua la. “Que bom, que bom.” Nada bom, nada bom.

“Ele não teve que matar o pássaro. Mudamos o ritual de passagem.” Diz Thad, suas mãos como sempre quase dilaceradas.

Eu costumava ser o seu melhor amigo, Blaine. Quase digo em voz alta, não suporto a ideia de estar sendo trocado, e o pior é ser trocado por um cara mais estável que eu e mais bonito, mesmo definhando em sua anorexia. Não quero aceitar isso, mesmo que signifique a felicidade de Blaine.

Talvez meu romance com Blaine já tenha dado o que tinha que dar. Dalton e os Warblers foi uma simples fase em minha vida que vou ter que superar e esquecer, um dia falar dela pra alguém, quando seja velho e grisalho.

Saio de la com uma depressão total. Seria capaz de me jogar de uma ponte. E então que percebo que não avancei nada em questões psicológicas desde que me deram alta.

“Quer um pouco?” Um cara moreno me aborda na rua, baseado em suas mãos “Parece estar precisando.”

Rio, “É tão obvio assim?” Pego o baseado de suas mãos e dou uma tragada e devolvo. Ele ri.

“Voce esta ótimo para alguém que esta saindo da Dalton.” Ele aponta para a instituição “Talvez se sinta bem para me acompanhar no parque central e protestar contra as armas.”

Não ligo mais para as armas, mas preciso achar Finn, espalhar a noticia, e alias, Elliot parece ser um cara legal e bonito. Um sinal, talvez?

“Sou Elliot.” Diz ele, apertando a minha mão. Eu sorrio e respondo,

“Kurt.”

Notas finais
Naaaaaaaaaaaao o Elliot e o Kurt nao podem acabar juntos!!! Bom, sou eu quem decide aqui huehuehue, parei Ainda to com uma raiva do caralho, ja disse isso? Beijo pra vcs