Kurt Hummel, O Mediador.
9 Capítulo 9
Notas iniciais
enjoy.
9
Quando eu era pequeno tudo era muito estranho. Eu via pessoas que ninguém mais via. Eu tinha medo, mas ao mesmo tempo eu queria saber o porquê de só eu vê-las. Porém, só quando minha mãe morreu que eu soube o verdadeiro motivo. Foi ela, ou o seu fantasma, que me explicou o que era ser um mediador.
Depois que suas visitas ficaram raras, e eu me mudei para a Califórnia, eu tinha a Diretora Sue. Ela não explicava como minha mãe e nem suportava a mesma ideia que eu. Resolver a maioria dos casos no soco. Mas ela era compreensível. Até certo ponto.
- Você está me dizendo, Kurt, que um fantasma mora no seu quarto?
- Não mais. Ele morava.
Eu estava sentado em frente à mesa da diretora, ela tomava algum tipo de vitamina sei lá do que. Vestindo a mesma roupa de sempre. Agindo do mesmo modo. E eu ali, tremendo de nervosismo.
- E você não fez nada para manda-lo embora? – Ela arqueou uma sobrancelha.
- No inicio sim, mas depois me senti confortável com ele lá. – Dei de ombros. – Eu gostava da presença dele.
- Isso é loucura. – Ela jogou as mãos para o alto. – Nós, mediadores, temos que ajudar os fantasmas a ir embora. Seguir seus caminhos. Não nos apaixonar por eles.
- Eu não estou apaixonado por ele. – Disse em protesto.
- Que seja. – Ela se levantou. – Você disse que ele não está mais lá, ótimo.
- Não. – Me levantei em um pulo. – Ele não foi por vontade própria. Eu sei onde encontrar ele, e por isso preciso da sua ajuda.
- Você quer trazer um fantasma de volta? – Ela estava pasma. – Isso é loucura.
- Sempre me disseram que eu era louco. – Dei de ombros e sorri. Sue continuou pasma me encarando. – E é exatamente isso que vou fazer.
Uma semana antes
- O menino também consegue me ver? – O fantasma do senhor olhava curioso para Taylor.
- Por que eu não conseguiria? – Taylor apertava meu braço. – O senhor é um fantasma, não?
- Sim, ele é. – Falei rápido antes de o fantasma responder. – Taylor, você sabe o que isso significa?
- Não ao certo. – Ele se encolhe.
- Taylor, — Me abaixo para ficar em sua altura. – significa que você é um mediador. – Sorrio fraco.
- Um o quê? – Ele se espanta.
- Mediador, — Repito – pessoas que veem os mortos. Fantasmas. E ajuda eles a ir pro outro lado.
- Eles são todos maus. – Posso ver o pavor em seu rosto.
- Não, eles não são. – Sorrio e pego sua mão mais uma vez.
- Eu não sou. – O velho sorriu para ele.
- Então, qual o problema? – Me viro para o fantasma.
Taylor estava gelado e tremendo. Podia sentir o suor de suas mãos. Uma apertando o meu braço e a outra firme em minha mão. Ele provavelmente passou todos esses anos vendo pessoas que ninguém mais via. É compreensível o pavor que ele sente.
- Eu deixei um terço muito valioso quando morri. Mas eu o deixei para minha sobrinha, porém minha irmã o pegou para si. Eu gostaria que ele fosse para o verdadeiro dono.
- Tudo bem, pode nos dizer os nomes, talvez um endereço. – Tentei disfarçar. Não queria ninguém achando que sou louco por falar com uma parede.
O senhor nos deu um endereço. Não era muito longe do Hotel, podíamos ir a pé. Então fomos até o hall de entrada e saímos do Hotel. Taylor ainda segurava a minha mão. Completamente frio.
- Kurt, por que temos que fazer isso? – Ele me olhou assustado.
- Taylor, — Me abaixei e fiquei na sua altura. – Nós somos mediadores. Entre milhões de pessoas nós tivemos esse azar.
- Azar? – Ele arqueia uma sobrancelha.
- Se você acha que ver fantasmas é sorte, tudo bem. – Ele ri.
- Não é o melhor do meu dia. – Sorrio ao ver que ele está se acalmando.
O Hotel é próximo da praia, então assim que saímos chegamos à beira mar. Sento com Taylor em um dos bancos abaixo das típicas palmeiras da Califórnia.
- Tudo vai ficar bem, sei que foi difícil durante esse tempo ver coisas que ninguém mais via. Mas agora eu vou estar aqui, e pretendo te ajudar. – Tento parecer o mais otimista possível.
- Na verdade uma moça.. – Ele começa, mas o interrompo.
- Temos que ir a esse endereço logo, sua mãe não vai gostar de te ver fora do Hotel tão tarde. – Pego sua mão e saímos em disparada.
- Você vai simplesmente chegar e dizer pra ela que o irmão morto dela pediu para ela devolver o terço? – Taylor está ofegante da corrida, assim como eu.
- É exatamente isso que vou fazer. – Sorrio e toco a campainha.
A casa é um pouco antiga, o que já me causou alguns calafrios. Odeio casas velhas. O quintal era bem cuidado, e a casa até que era arrumadinha. Eu fiquei pensando se mais algum fantasma habita esse lugar.
A porta se abriu e uma senhora já de idade apareceu. Ela me olhou dos pés a cabeça e franziu a testa.
- No que posso ajuda-lo? – Ela me encarou séria por alguns segundos e então encarou Taylor. – Não tenho comida para lhes dar.
- Não queremos comida. – Seguro a porta que estava prestes a se fechar. – Temos um recado para a Senhora, Sra. James.
- Como sabe meu nome, garoto? – Ela arqueou uma sobrancelha.
- Seu irmão me contou. – Ela arregalou os olhos.
- Você conheceu meu irmão? – Eu podia ver que ela estava chegando ao ponto do espanto.
- Sim, hoje mesmo. Ele falou comigo e me pediu que lhe passasse o seguinte recado: Avise para que minha irmã devolva o terço de pérolas. Ele pertence a minha sobrinha. – Assim que termino ela surta, literalmente.
- Você está maluco? ESTÁ MALUCO? – Ela grita e tenta fechar a porta.
- Não, eu não estou maluco. – Ponho o pé na fresta da porta.
- Meu irmão está morto. – Seus olhos se enchem de lágrimas.
- Eu sei. Como disse, falei com ele hoje. – Tento soar tranquilo. – Ele apenas pede isso. Ele não vai poder seguir seu caminho se você continuar com esse terço.
- Eu não... – Ela para por um momento. – Tudo bem.
Ela respira fundo e sua expressão muda de espanto para tristeza. Olho para o meu lado esquerdo e vejo o senhor de idade. Ele sorri e me sussurra um “Obrigado” e logo após some.
- Obrigada pela compreensão, Sra. James. – Digo e ela confirma com a cabeça.
- Você sabe que isso soa insano, não sabe? – Ela está com a voz rouca.
- Na verdade sei, mas não me importo mais. – Sorrio e dou as costas.
A porta se fecha e Taylor agarra minha mão.
- Você é maluco. – Taylor diz.
- É apenas o meu trabalho. – Dou de ombros.
- Eu não faria o que você diz, se você chegasse na minha casa e dissesse esse tipo de coisa. – Ela parecia pasmo.
- Bem, muitas pessoas entram em choque quando perdem alguém. Elas tentam se agarrar em qualquer lembrança ou ocorrência do ente perdido. Então elas acreditam em nós. – Falo simples. – Apenas por medo, às vezes remorso. Outras vezes por amor.
E cá estou eu pensando em Blaine. Em como eu entrei em choque quando ele sumiu. Em como eu tentei me agarrar a qualquer desculpa pelo seu desaparecimento pelos primeiros dias. E como eu queria que alguém batesse a minha porta dizendo que ele tem um recado para mim.
- Isso é triste. – Taylor assobia.
- É, maioria das vezes é. – Sorrio. – Muitos deles começam a gritar e não acreditam em nós. Não de primeira.
- Mas, tem fantasmas que são maus, não? – Taylor solta a minha mão.
- Sim, tem. – Vejo seu pavor. – Mas não precisa se preocupar com eles. Mas sim, tem alguns que temos que resolver de modos diferentes para ir embora.
- Kurt.. – Ele para de caminhar.
- O que foi? – Lhe encaro.
- Há algumas semanas uma mulher apareceu no meu quarto. Ela disse que precisava da minha ajuda. – Ele estava tremulo.
- Um fantasma? – Pergunto e ele confirma com a cabeça. – Isso é normal para um mediador.
- Ela disse que tinha esse outro fantasma, que era mau. – Ele começou a mexer na blusa. – E que eu precisava ajudar ela a se livrar dele.
- Como? – Me abaixo mais uma vez para ficar na altura de Taylor.
- Ela disse que ele era muito mau, e que estava machucando pessoas. – Ele baixou a cabeça. – Elamefezexorciza-lo.
- Eu não entendi a ultima parte, Taylor. – Eu estava começando a ficar nervoso.
- Ela, — Ele parou e me olhou. – me fez exorciza-lo.
- Ai meu Deus, Taylor. – Eu me levanto e começo a caminhar de um lado para o outro. – Quando foi isso?
- Há umas duas semanas. – Ele está a ponto de chorar.
- Não precisa chorar, tudo bem. – Lhe abraço – Tudo bem. Ela ao menos lhe disse o nome do fantasma?
Eu esperava que não fosse o nome, não, aquele nome não.
- Sim. – Ele ainda estava frio, e ainda estava tremulo. – O nome era Blaine.
- O nome dela era Tina? – Pergunto trincando os dentes.
- Sim, como você sabe? – Taylor pareceu surpreso.
- Bem, ela já apareceu pra mim uma vez. Acredite, Taylor, você mandou embora o fantasma errado.
- Me desculpe. – Ele começa a chorar.
- Hey, tudo bem. – Lhe abraço.
Porém não posso aquecê-lo, já que eu estou completamente frio. Congelado de medo. Mas ao mesmo tempo fervendo de raiva. Ela passou dos limites. Porém, agora, eu sei onde ele está, e sei que ele não descumpriu a promessa. Ele ainda estaria aqui, se pudesse.
Notas finais
To com uma folguinha básica na escola.
Então, gostaram? Tadinho do Taylor, foi manipulado pela doida da Tina.
Até o próximo, xoxo'
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