Notas iniciais
UM ANO DEPOIS.... AKOPSKOAPKSOA Desculpa pessoal, mas últimas semanas de aula, to com pilhas de trabalho. Enfim, bora lá. Espero que gostem. :D

10

Sabe a sensação de que o tempo não passa?

Bem, eu estou com essa sensação faz uma semana. Parece que um simples minuto leva uma eternidade. Parece que ele não é composto de 60 segundos. Ou até seja, mas os 60 segundos duram, na verdade, anos.

Taylor está mais calmo desde o dia em que me contou sobre o que fez. Ele participa mais, ele até mesmo brinca com as crianças vez que outra. Ele aprendeu a nadar e me deu todo o mérito. Sua família está feliz, menos um membro.

– Não sei por que você se importa tanto com esse garoto. – Sebastian estava encostado na parece, inclinado para o meu lado.

– Taylor é especial. – Digo tentando me afastar, porém ele segura meu braço.

– Ele é retardado. Fala sozinho o tempo todo. – O castanho sorri com desdém.

– Ele é uma criança. – Solto meu braço.

Volto o olhar para Taylor, que está na piscina, brincando com as demais crianças. Sebastian consegue ser mais insuportável que todos os caras insuportáveis da face da Terra juntos. Ele é insistente. Intimidador e completamente sexy.

Eu o deixei falando sozinho por um momento. Precisava de paz.

Passei o resto do dia com Taylor, o que era comum. Eu não passava mais pela seleção no inicio do dia. Eu subia direto para a cobertura, pois eu sabia que seria eu quem cuidaria dele.

No fim de semana passado, no domingo para ser mais especifico, meu pai me deu um carro. Isso mesmo, um carro só meu. Agora eu não dependo do Girafa para ir aos lugares que quero. Apenas pego as chaves e saio.

O dia hoje não foi muito diferente dos anteriores. Eu vinha com Taylor para a piscina e passávamos o tempo ali. A manhã e a tarde inteira, enquanto seus pais faziam qualquer coisa mais importante que se importar com o filho.

O tempo está passando devagar demais. Mas finalmente hoje é sexta.

Eu estava saindo do Hotel, tive que parar e esperar um carro sair em minha frente, quando alguém bateu no vidro. Eu abaixei para ver quem era e me arrependi no mesmo instante.

– Olá, Kurt. – Ele se inclinou na janela.

– O que você quer, Sebastian? – Disse sem paciência.

– Você devia ser mais educado. – Ele sorri. – Vim te convidar para um jantar, o que acha?

– Não, obrigado. – Tento fechar o vidro, mas não consigo.

– Não? – Ele arqueia uma sobrancelha.

– Ah. Não está acostumado com “nãos”, não é verdade? – Tiro as mãos do volante e sorrio.

– É que maioria das pessoas é inteligente o suficiente para saber que eu sou uma boa companhia. – Ele sai da janela e cruza os braços sorrindo.

– Inteligentes? Tem certeza? – Imito seu gesto.

– Se você não sair comigo, Kurt, meus pais terão que saber, infelizmente, que você levou o Taylor para fora do Hotel. – Aquele maldito sorriso sarcástico não deixava seu rosto por nenhum momento.

– Como se os seus pais ligassem para o que acontece com Taylor. – Eu tive um certo arrependimento de dizer isso.

– É tem razão, eles não se importam. – Ele da de ombros. – Mas sua chefe se importaria, não?

– Você sempre chantageia os caras que você quer pegar, Sebastian? – Ele me encara.

– Só os mais durões. – Maldito sorriso.

– E geralmente funciona? – Pergunto sem importância.

– 100% das vezes. – Ele coloca as mãos nos bolsos.

– Acho melhor rever sua estatística, Sebastian. – Dito isso eu arranco com o carro e saio do Hotel.

É bem provável que ele se queixe para a minha chefe, mas o verão está acabando e tenho muitas coisas a fazer. Uma delas é ir ao encontro de quem realmente me importa.

Saio do Hotel e vou direto para a escola, encontrar Sue. Sei que ela está lá. Ela mora lá. E eu preciso muito de ajuda e ela é a única que sabe do meu “dom”, e para falar a verdade, ela é a única, além de mim, que sabe fazer um exorcismo.

As praias estavam lotadas, todos aproveitavam o fim de tarde à beira mar.

Assim que cheguei à escola, entrei e fui direto para a sala da Diretora Sue. Entrei sem bater, o que a pegou de surpresa. Ela deu um pulo de sua cadeira e me encarou séria.

– O que foi agora, Sr. Hummel? – Ela sentou-se novamente e cruzou os braços.

– Lembra que eu disse que precisava da sua ajuda, que eu sabia como trazer ele de volta? – Sentei afobado em sua frente.

– Você estava falando sério? – Sue apoiou as mãos na mesa e tinha uma expressão séria.

– É claro. – Minha voz afinou.

– Deixe de ser maluco, garoto. Deixe-o onde está. É melhor assim.

– Não posso. Eu preciso dele. – Sinto minhas bochechas ferverem.

– Olha aqui, — Ela se levanta e para do meu lado. – Kurt, ele está morto, ele precisa seguir o caminho dele.

– NÃO! – A empurro e levanto. – Não, ele não podia ir assim.

E de repente eu estava chorando. Isso mesmo, assim, do nada meu rosto estava completamente molhado.

– Se você não quer me ajudar, eu vou fazer isso sozinho. – Saí da sala as pressas.

Eu não ia realmente fazer sozinho, ia pedir para Taylor. Ele já fez isso uma vez, qual o problema de fazer de novo?

– Kurt, o que você pretende fazer? – Ouvi Sue berrar, parada na porta.

– Eu vou ir até onde ele está. – Gritei de volta sem virar para trás.

– Isso é impossível. – Comecei a ouvir passos.

– Na verdade não. – Ela puxou meu braço. – Se eu for exorcizado, eu chegarei lá.

– VOCÊ ESTÁ MALUCO? – Ela suspirou. – Já perdi a conta de quantas vezes já disse isso a você.

E o silencio reinou no local de imediato. Estávamos no meio do saguão. Sue segurava meu braço, a testa franzida.

– Não vou deixar você fazer isso sozinho. – Sue soltou meu braço, porém continuou me encarando séria.

– Então... então você vai me ajudar? – Meu coração acelerou.

– Sim, mas vamos fazer do meu jeito. – Ela cruzou os braços. – Um exorcismo decente. Que segue as regras católicas.

Revirei os olhos.

– Tudo bem, desde que seja hoje. – Sorri.

– Me encontre aqui, às 23hrs. Vou procurar tudo que é necessário. – Lhe dei um abraço e sai correndo da escola.

Só que aconteceu um imprevisto. Os pais de Taylor iriam sair à noite e Sebastian se recusou a cuidar o irmão. E então já sabem o que aconteceu, certo? Fui convocado para um turno extra.

Mas isso não iria impedir meus planos, era óbvio que Taylor iria comigo até a escola, ele até poderia ajudar Sue. Então eu passei no Hotel, disse a minha chefe que levaria Taylor para uma volta na praia, e por incrível que pareça, ela liberou.

– Ah, Kurt, nós já passamos da praia. – Taylor estava sentado ao meu lado no carro.

– Eu sei, nós não vamos à praia. – Sorri e ele deu um pulo.

– Vamos onde? – Ele se virou para mim.

– Vamos buscar um amigo meu.

Chegamos à escola e Sue estava com tudo pronto. Ela cumprimentou Taylor, eu havia falado dele para ela, explicado que ele era um mini mediador, e ela logo se encantou. Ela repetiu várias vezes:

Esse vou poder treinar desde o inicio, e não será como você.

E me olhava com desgosto.

– Certo, Kurt. Vamos amarrar esta corda em você, assim saberá por que caminho voltar. Não sabemos se tem um tempo limite lá, — Sue amarrou a corda em minha cintura. – então, quanto mais rápido volta, melhor.

– Tudo bem. – Apertei o nó da corda.

– Agora fique no circulo, ali. – Ela apontou um circulo de velas grande o bastante para que eu pudesse deitar nele.

– Deite, porque quando o espirito abandonar o seu corpo ele vai despencar. Acho que você não quer alguns hematomas no corpo, quer? – Ela pegava um livro grosso nas mãos.

– Claro que não. – Disse rápido e me deitei.

– Muito bem, feche os olhos, ou não, você que sabe.

E então ela começou a falar alguma coisa me uma língua diferente. Acho que era latim, mas não tenho certeza. Olhei para Taylor e notei que estava nervoso.

Quando olhei para cima, vi que um buraco se abria no teto, dentro dele, uma fumaça vermelha e uma escuridão infinita. E então o buraco começou a se aproximar cada vez mais. A fumaça me rondava.

Foi então que eu percebi que não era o buraco que se aproximava, mas sim eu que subia. Meu espirito estava desconectado do meu corpo. Parei na ponta do buraco e olhei Sue. Ela afirmou com a cabeça e dei um impulso para o infinito.

Notas finais
Gostaram? Minhas aulas acabam dia 13, então, depois disso terá atualização semanal. :D xoxo