Kurt Hummel, O Mediador.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Obrigada pelos Reviews e por quem favoritou a história. :D
3
– Kurt, você já pensou em jogar futebol? – Girafa estava ao meu lado me olhando perplexo.
Eu ainda estava sentado no chão ao lado de Noah. Meus olhos fixos ainda no ponto onde antes estava Quinn. Assim que todos se colocaram a nossa volta, confusos e assustados, ela desapareceu. Minha respiração estava acelerada. Eu estava coberto de pó, sem falar que meu cabelo estava uma meleca.
– Como você... – Noah me olhou e olhou os destroços no chão.
– Não foi nada. – Me levantei em um pulo.
Senti a perna doer, mas com a minha experiência podemos dizer que não é nada grave. Apenas uma torção talvez. Mas era incrível como Girafa se importava com futebol, sendo que seu suposto melhor amigo quase morreu há poucos minutos.
– E recuso a parte do futebol. – Encarei Girafa.
Virei às costas e saí andando. Tentei disfarçar a dor no tornozelo. Mas acho que alguém me viu mancando. Só espero que não tenha sido Quinn.
E não foi. Na verdade foi outra loira. Mas essa não tinha um olhar mortal ou assustador. Nem um brilho paranormal. Essa tinha um olhar assustado e surpreso.
A Diretora Sue me olhou perplexa, sem conseguir entender o que havia acontecido.
– O que aconteceu. – Ela olhou os entulhos no chão ao lado de Noah, que agora estava de pé.
– Ah, não foi nada Diretora. – Disse fazendo um gesto com a mão como se não fosse nada. – Apenas esse pedaço do forro caiu. – Lhe encarei e uma dose de compreensão passou pelo seu rosto.
– Sr. Hummel, queira me acompanhar.
Lhe acompanhei até o escritório. Ela sentou direto em sua cadeira e cruzou as mãos sobre a mesa. Olhei o escritório da entrada e reparei alguns retratos que haviam ali.
– Sente. – Ela apontou a cadeira. – O que aconteceu?
– Ainda pergunta? – Ri irônico.
– Ela fez aquilo? – Diretora Sue estava pasma.
– Claro. – Disse sentando-me. – Há quanto tempo ela morreu?
– Duas semanas. – Sue estava pensativa
– Duas semanas? – Arqueei uma sobrancelha – A vaga que abriu para mim era dela? Ela está há duas semanas nisso e já consegue derrubar telhados?
– Nunca vi um fantasma ser tão forte. – Ela tinha o queixo apoiado nas mãos entrelaçadas.
– Eu já. – Disse – E ainda piores. Porém, maioria que fica forte rápido é porque está com muita raiva. Como ela morreu?
– Ela namorava Noah tinha algum tempo. Eles estavam bem até que tiveram uma briga. Ela morreu indo até a casa dele tentar uma reconciliação.
– Ah. Por isso ela está tentando levar ele pro outro caminho também. – Falei.
– Ela está o que? – Diretora Sue se ajeitou na cadeira e me olhou séria.
– É isso que ela quer. Levar ele com ela. Ela tentou isso hoje. – Suspirei e afundei na cadeira. O tornozelo começara a latejar.
– Temos que fazer alguma coisa. E rápido. – Ela se levantou e olhou pela janela.
– Vou falar com ela hoje. – Disse distraído.
– Sozinho? – Ela arqueou uma sobrancelha. – Claro que não.
– Claro que sim. – Disse me pondo de pé também. – A Senhora tentou e no que deu? Ela continua aí. Vou tentar, se não conseguir vamos para o plano B.
Despedi-me da diretora e segui para a próxima aula. Meu corpo estava na sala, porém minha mente estava longe, bem longe. Eu sempre fico assim quando tem algum caso. Começo a planejar o que terei de fazer para me ver livre dessa assombração. Literalmente uma assombração.
Quando as aulas acabaram fui para casa com o Girafa. Não tinha outra opção, ou era isso ou caminhar. E a nossa casa era muito longe. Então, tive que dividir o carro com ele. Onde tudo que se foi dito foi:
– Você realmente deveria entrar para o time de futebol.
Eu ignorei isso. Não gosto de futebol. Não gosto de esportes em geral, para falar a verdade. Sou mais quieto e antissocial. Aprendi que quanto mais pessoas estiverem próximas a você, mais pessoas vão achar que você é louco. Só tenho uma amiga, e ela ficou em New York.
E ela não sabe sobre o que faço nas horas de folga. Bem, ela desconfia. Uma vez fomos visitar uma cartomante. Ela é meio que doida por isso. Quer saber se seu futuro vai dar certo. Ela insistiu que eu também consultasse a cartomante. E o resultado?
– Você é um mediador! – Exclamou a cartomante apavorada. – Você fala com os mortos.
Eu disse para a minha querida amiga que a cartomante estava doida. Que o único morto que eu falava era o retrato da Whitney que tinha em eu quarto. Ela riu disso e esqueceu. Mas sempre puxava o assunto as vezes, principalmente quando me pegava falando sozinho.
Em casa eu tomei um banho, deitei na cama e peguei um livro aleatório para ler. Nenhum ruído sequer no quarto. Nem aqueles estalos comuns nos moveis, que a propósito são causados pelos fantasmas. Completa paz.
– KURT! – Dei um pulo na cama.
Jurei ter ouvido uma voz suave, calma e rouca. Era minha música preferida.
“…There was a time when love was blind
And the world was a song…“
Porém o encanto foi quebrado de um modo trágico. O grito de meu Pai cortou o quarto. Olhei para os lados e vi apenas a escuridão. Droga. Esqueci o jantar. Os importantíssimos jantares de quinta do meu Pai se passaram para todos os dias. Agora que éramos uma “família” ele queria todos unidos.
Desci correndo as escadas e me sentei à mesa.
– Desculpe. Peguei no sono. – Dei de ombros.
Jantei rápido e disse que estava muito cansado. Subi para o quarto e peguei minha mochila. Coloquei meu kit mediador dentro dela, você sabe, para caso a conversa não de muito certo.
Assim que percebi que todos estavam dormindo pulei a janela e desci pelo pinheiro que havia ao lado. Tentei não fazer nenhum tipo de barulho. Quase consegui. Havia alguns galhos secos em volta do pinheiro. Droga.
Mesmo com o barulho dos galhos, ninguém acordou. Peguei o carro do Girafa e fui em direção a escola. As ruas eram desertas e escuras. O que facilitou para que eu chegasse logo lá.
Entrei na escola por uma porta lateral que estava aberta. Eles não têm muitos métodos de segurança aqui. Logo eu já estava no salão principal da escola, procurando aquele brilho anormal.
A encontrei bem rápido. Ou melhor, ela me encontrou.
– O que faz aqui? – Ela me olhou com desprezo.
– Vim falar com você. – Pus a mochila sobre um banco.
– Não vou lhe ouvir. Você atrapalhou meus planos. – Seus olhos brilhavam, e não era pelo brilho ao seu redor.
– Planos? Matar Noah? – Disse.
– Você não entende. Ele pertence a mim. – Sua voz continha frustração.
– Obviamente sim. Mas você não pertence mais a esse lugar. – Eu estava calmo.
– É CLARO QUE PERTENÇO. – O teto estremeceu.
– Quinn. Você está morta. Ficar aqui só vai lhe causar mais dor. – Mantive a calma.
– Eu posso ter ele de volta. Se eu o matar, ele vai ficar aqui comigo. – Se era possível, Quinn tinha lágrimas nos olhos.
– Se você o matar, Quinn, ele vai direto para o outro lado. Você não o verá mais. – Estava indo devagar com a situação.
– NÃO! – Ela se aproximou rápido. – Ele vai ficar comigo.
– Quinn. – Suspirei. – Como exatamente você morreu?
– Eu. Eu não sei. – Ela pareceu se perder em pensamentos. – Eu estava indo até a casa dele. Ele havia dito que poderíamos conversar e... – Ela parou olhando pro nada. – De repente eu estava olhando para o meu corpo, e ninguém mais me ouvia ou falava comigo.
– Eu sei que é difícil aceitar a morte. Mas você apenas precisa... Aceitá-la. – Olhei-a com piedade – Sabe, a paz eterna.
– Não vai haver paz eterna sem ele. – Seus dentes estavam trincados.
– Se você quiser ficar por aqui, uns 50 anos esperando por ele. Você pode. Mas imagine o quão horrível vai ser o ver formar uma família com outra, viver a vida sem sequer poder ver você.
Acho que esse foi o ponto que eu errei. Seus olhos brilharam mais e tudo a nossa volta passou a tremer. Os punhos estavam cerrados e seu rosto contraído em ira. Eu sabia que precisava correr. Se tivesse tempo.
– Ele não vai ter outra.
Quando ela falou essas ultimas palavras tudo ficou escuro. Pude ouvir apenas um estouro enorme e minha vista ficou completamente negra. Senti um peso sobre mim e terra cobrindo meu rosto. Maldito teto.
Minha respiração estava ficando precária. Minha boca estava seca e eu não achava um ponto para respirar. A pedra pesada contra meu peito fazia questão de me sufocar.
Então eu me senti leve. O ar puro fez festa em meus pulmões. Senti o rosto livre. Será que é assim que nos sentimos quando morremos? Livres?
Se a sensação de liberdade é tão boa. Por que ficar preso entre os dois mundos? Tentando matar seu ex namorado?
Mas foi quando abri os olhos que vi que não estava morto. Ou se estava, ainda estava preso no mundo dos vivos. Pude ver o telhado destruído acima de mim. E ao meu lado mais destroços. Me levantei devagar temendo algum osso quebrado.
– Oh mon Dieu.
Olhei para a minha frente e vi um moreno posto de pé ali. Ele estava com uma expressão assustada e preocupada. Ele era muito bonito. Tinha cabelos negros enrolados e usava uma roupa meio careta. Mas mesmo assim era lindo.
– O que está fazendo aqui? – Perguntei arqueando uma sobrancelha.
– Eu vi que você viria falar com a tal de Quinn. – Ele me olhava sério. – É muito perigoso, ela é muito poderosa.
– Já enfrentei piores. – Disse com orgulho.
– E depois de todos acabava preso sob um monte de concreto? – Um sorriso brotou em seus lábios.
– Não é da sua conta. E eu disse para ficar longe do meu quarto. – Lhe olhei sério.
– E eu fico. Quando você está por perto. – Ele deu de ombros ainda sorrindo.
Não falei mais nada. Peguei minhas coisas e fui em direção ao carro. Saí rápido. O pó ainda estava na minha cara e era realmente incomodo.
Tomei todo o cuidado possível para não fazer nenhum barulho. Subi as escadas tranquilo e cheguei ao quarto. Tomei um banho rápido e pus um pijama.
Quando voltei para o quarto o moreno com brilho sobrenatural estava sentado à janela. Olhando para fora. Havia uma lua cheia magnífica.
– Obrigado. – Disse e ele se virou e arqueou uma sobrancelha. – Sabe, por ter meio que salvado a minha vida.
– Meio? – Ele sorriu.
– Tudo bem. – Revirei os olhos. – Por ter salvado a minha vida.
Ele ainda sorria.
– Mas não pense que isso vai lhe dar benefícios. Ainda não quero você no meu quarto. – Disse sério cruzando os braços.
Assim que terminei de falar ele sorriu mais uma vez e sumiu.
Notas finais
Mereço Reviews?
Acho que até sábado eu atualizo. :D
xoxo'
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