Notas iniciais
Para a MINHA Carol.. Obrigada pela recomendação. :3
Obrigada pelos Reviews.
E eu sei que prometi postar até o sábado, mas não deu. :(

4

É incrível como o ser humano só vê o que quer.

Na manhã seguinte a minha quase morte a escola estava em euforia. Todos queriam ver o telhado caído sobre metade do saguão. Todos repetiam “Deve ter sido o terremoto de ontem”.

É, um terremoto chamado Quinn Fabray. Eu nem tinha percebido o quão forte a ira dela foi. Boa parte da Califórnia havia sentido o tremor e todos comentavam sobre ele. Os jornais, as pessoas, o cara da padaria, Girafa e até mesmo a Diretora Sue.

- Pelo visto as coisas não foram muito bem. – Ela, como sempre, estava sentada em sua cadeira.

- Foram boas. Ótimas. Só tem o pequeno detalhe que eu quase morri. – Sorri.

- Eu sabia que era muito perigoso tentar isso sozinho, Sr.Hummel. – Ela olhava para o alto.

- Mas eu estou bem. – Disse. – Ela só ainda não entendeu que tem de ir.

- E como vamos fazê-la entender isso? – Seu olhar era preocupado.

- Não sei. Conversas não adiantaram. Ela derrubou maior parte do nosso telhado. Isso tem que acabar logo. – Ela se levantou. — Só temos uma saída. – Ela me encarou.

- O que? – Sue arqueou uma sobrancelha.

- Temos de exorciza-la. – Dei de ombros.

- Você está maluco? – Ela me olhou pasma. – Nós não fazemos isso. Não é assim que os mediadores devem mandar os mortos para o outro lado. Por Deus, Sr. Hummel.

- É a única saída. – Levantei-me também. – E uma correção, você não faz isso.

Saí da sala em seguida. Eu estava perdendo muitas aulas para ficar na sala da Diretora Sue, com ela dizendo que eu sou um péssimo mediador e que meus métodos são errados.

Eu tento de tudo, mesmo. Eu falo com eles, tento convencê-los, mas quando nada funciona eu parto para o modo difícil. E nada melhor para resolver esses problemas que um exorcismo a la brasileira.

Você sabe, com aquelas coisas esquisitas. Rezas, palavras estranhas e tudo mais. Mas o que importa é que dá resultado. Eu só ia precisar de algumas velas, uma foto de Quinn e um pouco de sangue de galinha. E isso eu consigo fácil. Bem, tirando a parte da foto.

Fui para a minha aula de geometria, no qual sou péssimo. Por mais que tente, é difícil eu entender o que o professor fala. Todos aqueles números e coisas bizarras. Na minha antiga escola não estávamos nessa matéria, estávamos um pouco mais atrás. Se eu já não sou bom, imagine com conteúdo atrasado.

Uma das freiras entrou eufórica na sala e chamou o professor. O Sr. Shue saiu correndo com uma expressão preocupada. Nem preciso dizer que todos o seguiram, não é? Mercedes me puxou pelo braço e saiu correndo atrás de todos.

Uma multidão se formava em volta do pequeno altar que tinha ao lado do saguão. A cruz, que antes ficava ali pendurada, estava no chão e sob ela estavam dois corpos. Um pude identificar com facilidade. Era Noah. Qual a novidade?

Ele estava com a mão sobre o braço e com um corte no rosto. Ao lado dele estava a Diretora Sue, com um corte no braço esquerdo. Ela indicava a perna direita, onde a cruz ainda se mantinha sobre.

Não demorou muito para os paramédicos chegarem. Ambos foram levados em macas, com aqueles negócios no pescoço. Eu fiquei olhando aquela cena. Em um canto do corredor estava a garota loira, sorrindo enquanto Noah passava por ela naquele estado.

Eu não pensei duas vezes antes de ir ao hospital. Mercedes foi comigo. Ela não sabia por que eu queria tanto ir lá e eu não podia explicar para ela. Dei o nome de Sue na recepção e eles me informaram que ela estava em um quarto do térreo. O quarto em frente ao de Sue estava lotado, cheio de adolescentes rindo e contando piadas.

- Cara, você precisa se benzer.

Ouvi a voz de Girafa e foi então que eu soube que aquele era o quarto de Noah.

Abri a porta do quarto 139 e encontrei Sue recostada na cama. A perna engessada e o baço em uma tipoia.

- Sr. Hummel. – Ela parecia surpresa.

- Oi. – Entrei no quarto.

Mercedes havia ficado na recepção. Eu disse que não iria demorar, que ia apenas dar uma palavrinha com Girafa. Bem, eu não sabia que Girafa estava ali. Foi um chute bem certeiro. Talvez eu deva mesmo entrar para o futebol.

- O que faz aqui? – Ela se ajeitou nos travesseiros.

- Vim ver como a Sra. está. – Sentei na poltrona ao lado da cama.

- Obrigada pela gentileza.

- Como está? – Recostei-me na cadeira e lhe encarei.

- O melhor possível. – Ela deu de ombros e uma expressão de dor passou pelo seu rosto.

- Temos de fazer algo. – Encarei-lhe ainda mais decidido.

- Eu concordo. – Ela assentiu com a cabeça. – Porém você deve me esperar, Sr. Hummel. – Ela me olhou séria. – Eu saio em alguns dias, prometa que vai me esperar.

- Prometo. – Confirmei.

Eu provavelmente vou para o inferno por causa disso. Mentir para alguém tão devota ao Senhor. Se bem que Sue não tem nenhum jeito de ser devota. Falamos sobre como faríamos para nos livrar do diabo loiro. Sue quer realizar o Exorcismo católico, mas ele é mais complicado e demorado.

Contei-lhe que não podia demorar, então logo eu já estava voltando para casa. Girafa ainda estava no hospital e isso me deu a chance de entrar em seu quarto e pegar uma foto na qual estava ele, Noah, uma garota ruiva e Quinn. Cortei a foto e deixei apenas o rosto de Quinn intacto. Ela era tão bonita e agora ela era tão má.

Como no outro dia eu esperei todos dormirem e saí pela janela. Os galhos secos no chão não fizeram tanto barulho dessa fez. Eu tinha as chaves do carro em mãos, eu tinha as palavras que tinha de dizer anotadas, eu tinha doze velas, tinha a foto de Quinn e tinha o sangue. Tudo pronto.

Eu estava há poucos centímetros do carro quando uma mão segurou meu braço. Eu gelei por inteiro. Meu coração ficou frio e paralisado. E não, não foi pelo medo de meu Pai me pegar saindo no meio da noite. Foi porque a pessoa era gelada.

- Onde está indo? – Ele arqueou uma sobrancelha.

- E isso lhe importa? – Imitei o gesto.

- É muito perigoso. – Ele apertou a mão em meu braço. – Não aprendeu nada com ontem?

- Olha, eu preciso me livrar dessa maluca. – Soltei sua mão. – E se quiser continuar aqui é melhor não aparecer por lá.

- Como? – Ele franziu o cenho.

- Vou exorciza-la, e ao menos que queira ser sugado junto. Fique aqui. – Abri a porta do carro.

- Você está maluco? – Os olhos castanhos se fixaram aos meus. – Mon Dieu, Kurt.

Não lhe respondi. Entrei no carro e saí em disparada. Olhei pelo retrovisor e vi o Fantasma que assombrava meu quarto parado em meio ao pátio de minha casa. Era uma cena engraçada de se ver. Sorri e voltei o foco à estrada.

De novo não tive problemas para entrar na escola. Eles precisam melhorar a segurança desse lugar. Os pedaços do telhado haviam sido tirados e o saguão estava limpo. E vazio também. Nenhum ser com brilho sobrenatural.

Fiz um circulo com as velas e pus a foto de Quinn ao centro. Comecei a dizer as primeiras palavras quando um vento começou a soprar frio.

- O que está fazendo? – A garota loira estava em pé ao meu lado.

- Descobri um jeito de lhe ajudar. – Me pus de pé.

- Eu não quero sua ajuda. – Ela cruzou os braços.

- Não quer Noah de volta? – Arqueei uma sobrancelha.

- Você... Você pode fazer isso? – A curiosidade, sempre a curiosidade.

- Claro. – Sorri. – Você só precisa ficar no centro desse circulo e fechar os olhos.

Ela sorriu e assim fez. Se pôs ao centro do circulo com um sorriso enorme. Fechou os olhos e eu comecei a dizer o que era necessário.

- Que língua é essa? – Ela franziu o cenho.

Não lhe respondi. Não podia parar agora. Comecei a acelerar a fala quando um pequeno buraco negro se abriu. Uma fumaça vermelha descia em espiral e envolvia Quinn. Ela ainda sorri, por mais que estivesse intrigada.

- Está dando certo? – A loira estava impaciente.

A fumaça vermelha a envolvia por inteiro. Era possível apenas ver seus olhos. A cor oliva penetrou os meus. Ela olhou para si e me encarou. O mesmo olhar da noite anterior. O mesmo olhar que lançara para Noah.

Disse as palavras ainda mais rápido. Estava perto do fim.

- Você mentiu para mim! – Exclamou Quinn.

E foi quando ela deu um grito ensurdecedor que o buraco se fechou e a estatua da fonte, que ficava ao lado do altar e que servia de ponto turístico, caiu. O estrondo foi pior que o do telhado. Assim como a dor.

- Kurt? – Ouvi uma voz distante.

- Aqui. – Levantei a única mão livre.

Senti uma mão grande se unir a minha e puxar meu braço. Minha perna doía, mas ainda dava para suportar. Sentei ao lado da estatua caída com a mão no peito.

- Que diabos você está fazendo aqui? – Girafa estava agachado ao meu lado.

- Vim buscar meu celular que havia deixado no armário. – Peguei o celular no bolso.

A estatua havia caído sobre as velas e a foto de Quinn e não tinha rastro de nada do meu ritual, assim como não tinha rastros de Quinn. Sorri por um momento.

- Você tá drogado, Kurt? – Ela me olhou preocupado.

- Claro que não. – Lhe encarei sério.

Levantei-me com sua ajuda.

- Como sabia que eu tava aqui?

- Eu tive um sonho estranho. – Ele coçou a parte de trás da cabeça. – Sonhei com um carinha baixo e moreno. Ele dizia que você estava aqui e precisava da minha ajuda. Eu acordei e não te vi no quarto. Resolvi vir.

Girafa deu de ombros. Era incrível como ele era desengonçado.

- Obrigado. – Sorri para ele.

Voltamos para casa, cada um em um carro. Girafa havia pego o carro do meu Pai, já que eu pegara o seu. Não trocamos mais nenhuma palavra. Ele estava atordoado demais com o sonho.

Entrei no quarto e a figura brilhante estava sentada a minha janela. Olhando para o lado de fora, como sempre. Passei reto para o banheiro. Tomei um banho e verifiquei a perna. Ficaria tudo bem depois de uns analgésicos. Vesti um pijama e voltei para o quarto.

- Você falou com o Girafa? – Sentei na ponta da cama virado para a janela.

- Não lhe ensinaram que é feio por apelidos nos outros? – O fantasma se virou para mim.

- Não fuja do assunto. – Cruzei os braços.

- Sim, falei. – Ele se sentou virado para mim. – Mas ele acreditou que foi um sonho. Digamos que ele não é dos mais inteligentes.

- Eu sei. – Ambos rimos.

- Por que você disse para eu não ir lá? – Ele mirava o chão.

- Ah. – Olhei a parede ao meu lado. – Você salvou minha vida ontem. Não seria justo você ir embora desse jeito.

Ele não disse nada. Só depois de alguns minutos fui reparar que ele estava sorrindo.

- Muito nobre de sua parte. – Seus olhos castanhos se fixaram aos meus.

- Eu sou nobre. – Disse esnobe.

Ele sorriu mais uma vez. Seu sorriso era tão lindo. Comecei a me questionar de que época ele era, já que suas roupas eram tão antiquadas para o nosso tempo.

- Continue vivo, ma belle.

Isso de sorrir e sumir estava virando rotina. Mas agradeci por ele ter ido. Pois assim ele não pode ver meu rosto completamente vermelho.

Notas finais
Gostaram? Mereço Reviews?
Até o próximo. Não vou garantir um dia, pois essa semana será corrida.
xoxo'