Kuroshitsuji III
31 Bônus.
Notas iniciais

Algumas pessoas dizem que é possível sentir quando alguém está olhando para você. Lana Willa não era uma dessas pessoas, mas estava começando a mudar de ideia.
_Dá pra parar com isso? — queixou-se ela, virando em direção ao personagem que resolvera atormentá-la. — Eu estou tentando me concentrar aqui!
_Em uma outra fanfic. O que você acha que os leitores pensariam dessa traição?
_… Você não ousaria… — disse Lana, sem muita confiança em suas próprias palavras.
Lúcifer ergueu uma sobrancelha.
_Desde quando existe algo na face da Terra que eu não ousaria fazer?
A garota suspirou, bloqueando a tela do celular.
_Tá bom, tá bom! Eu vou voltar a escrever! Agora, temos que vê se a Haia está disponível…
_Se ela não estiver, eu faço com que ela fique.
A Willa olhou para ele desconfiada.
_… Não faça nada muito… dramático.
_Quem gosta de drama aqui são vocês. Eu gosto mais de acontecimentos como o do último capítulo. — disse Lúcifer com um sorriso malicioso – Aliás, isso foi uma indireta. Quantas mais cenas assim, melhor.
_É, o último capítulo foi legal… — disse Lana, olhando pro além com um sorriso no rosto. Passaram-se alguns minutos. Alguma coisa empurrou a cadeira na qual ela estava sentada.
_Ai! Pra quê essa violência?!
_Você estava começando a babar.
_Não estava não! — reclamou Lana, limpando o canto da boca com a manga da camisa – Enfim. A gente bem que podia dar um pulinho lá na Haia. Ela está com um bocado dos próximos capítulos. Você vai me dar carona, né Luci? — pediu a garota com um sorriso.
Lúcifer sorriu de volta.
_Não.
_… Filho duma… — Lana se interrompeu e respirou fundo – Tá, eu dou um jeito de ir sem sua ajuda. Agora, vê se aparece! Se formos precisar de persuasão, você é bem melhor nisso do que eu.
* * * * *
Dedos hábeis teclavam rapidamente no aparelho telefônico moderno, digitando palavras promiscuas e impuras, enquanto um sorriso maroto estampava-se sem nenhum pudor na face da “garota”, que permanecia quase deitada sobre a cama de um quarto escuro, cheiro de mofo e suor tomando conta do ambiente, já não se sabe ao certo quanto tempo a “moça” passara trancada ali, provavelmente nem mais reconheceria a luz do dia. Ela relia o que escrevera e estremecia com aquilo, quase que como se estivesse vivenciando tal cena.
_Kakashiiii! Kyaa! — pronunciava com um leve rubor queimando suas bochechas enquanto seus olhos acompanhavam atentos o restante do capítulo que acabara de escrever. — _Sério, ainda vou infartar com esse… pedaço de péssimo caminho. — lia em voz alta a fala, como se realmente participasse daquilo. Nem mesmo notou alguém lhe observando.
_… E eu achei que não tinha como piorar…
O rubor de Haia com certeza aumentou ao perceber ser pega em tal “ato” e por alguém que ela reconhecera muito bem, apenas pela voz.
_Não é o que v-você está pensando! — disse aquela frase clichê sem nem olhá-lo, suas maçãs queimando ainda mais.
_Espero que não. — replicou Lúcifer, franzindo a testa – Já basta uma.
Respirou algumas vezes antes de sentar na cama e lançar-lhe um olhar frio, antes de seus olhos percorrerem por toda extensão daquele corpo tão másculo, analisando-o. Voltou a olhá-lo nos olhos, uma certa dificuldade em manter o olhar frio de antes.
_A que devo a honra? — indagou cruzando uma perna sobre a outra e apoiando seu cotovelo na mesma, sua mão segurando o próprio rosto, como se nada do que ele falasse fosse lhe interessar.
_Sabe quanto tempo faz desde que vocês postaram o último capítulo de Kuroshitsuji III?
_ Kuroshitsuji… Kuroshitsuji…? Não me recordo. — sorria “inocentemente”.
_… Às vezes eu me pergunto se vocês fazem isso de propósito. Mas aí eu me lembro de quão… ‘normais’ vocês são. — disse Lúcifer, movendo as mãos como se estivesse se coçando para estrangular alguém.
_Nervoso Luci querido? — falava a garota, agora, com o sorriso maroto de antes.
_Você tem que controlar essa sua amiga. — queixou-se ele para a pessoa que estava ao seu lado.
O problema era que não havia ninguém ao seu lado.
_… Era só o que me faltava.
_ Falando sozinho? Esse tempo sem Sebastian realmente não lhe fez nada bem, Lucynho. — provocava-o.
_A Louca nº 1 deveria estar aqui. — explicou ele.
_Devia é?… Sei… Pobrezinho, cada vez mais insano.
Lançando um último olhar mortífero para a Louca nº 2, ele saiu do quarto, logo ouvindo os ruídos ligeiramente inumanos que vinham da cozinha.
_Saffi-Saffi~ — guinchava a garota de cabelos curtos ao apertar o pug em seus braços.
_Você vai acabar esmagando essa coisa aí. — alertou Lúcifer.
_Saffi-Saffi não é uma coisa! — protestou Lana – ela é uma garotinha linda e fofa e perfeita! Não é, Saffira?
_Achei que você tivesse alergia a cachorros.
_Eu tenho alergia a cachorros.
_… Essa afirmação não combina com suas ações.
_Não é como se eu fosse morrer por um minuto de indulgência… Não é, Saffi-Saffi~?
_Minuto encerrado. — disse Lúcifer, pegando a garota pelo colarinho e fazendo-a ficar de pé – A menos que você queira levar a cachorra. Por mim tanto faz.
_Por quê? — resmungou Lana.
_Você tem de convencer a Louca nº 2 a voltar a escrever, lembra?
_… Ah, é… eu me esqueci que ela não costuma te dar ouvidos… Devíamos ter chamado o Undy.
_Aí ela teria um ataque cardíaco.
_… Verdade.
Os dois voltaram para o quarto, Saffira ainda nos braços ligeiramente avermelhados de Lana.
_… Haia?
De imediato a atualmente loira reconheceu aquela voz familiar e amiga, levantando de súbito da cama, jogando seus braços ao redor do pescoço da outra, apertando-a.
_Lanaaaaaaa! — falou um pouco mais alto do que o desejado.
_Gyah! Meus ouvidos! — queixou-se Lana, abraçando a outra – Haiaaa, tenha pena do meu pescoço!
_ Ok, ok… — proferiu soltando-a e a analisando suas feições – Já sei, já sei… A Fic, não é? — suspirou sem interesse, voltando a sentar na cama.
_Exatamente. Apesar de ter meus… projetos paralelos… eu realmente quero que Luci pare de ficar puxando meu pé à noite!
_Tudo bem, pode vir puxar o meu Luci, não irei reclamar. — insinuou-se.
Lana olhou para a amiga com descrença.
_Você acha que EU estaria reclamando se ele viesse nessa forma e sem blusa? — disse ela, apontando para o demônio em questão – Você já viu a porcaria da ‘forma verdadeira’ desse aí?
_Uii… Deve ser… Nem sei. — fez-se estar pensando – Tenho saudades de escrever todas aquelas loucuras excitantes… Maaaaaas, preciso de… Inspiração.
_Inspiração? Sei… — suspirou Lana – Luci, tira blusa.
_Como é que é?
_Vai, vai… Tira. Sei que a Lana também precisa de inspiração. — incentivou a loira – Ou pode tirar a blusa e a calça também… não irei reclamar… Quanto mais inspiração, melhor. — piscou para o demônio, que as olhava incrédulo.
_… Só isso? Francamente, é só isso que vocês duas vão querer? Se tivessem dito logo eu não teria tido de passar por tudo isso. — queixou-se ele, já desabotoando a blusa.
_Yay~! — comemorou Lana.
_Devagar… devagarinho querido, para que possamos apreciar melhor… Depois vem “animar” a gente, já que acha que estamos pedindo tão pouco. — olhou-o de uma forma maliciosa, em seguida direcionando seu olhar para a amiga, aguardando.
_Se for pra ‘animar’, eu vou cobrar por fora. — alertou o demônio, chegando ao último botão e retirando a blusa. — A calça também, não é?
_Quanto seria por esse extra? — questionou Lana Willa.
Lúcifer sorriu, como se estivesse esperando que uma das duas perguntasse.
_Sabe… — começou ele, abrindo o botão da calça – Vocês tem uma lista de personagens que vão aparecer nos próximos capítulos, não é?
Nenhuma delas estava apta a responder no devido momento, centradas na calça do outro, que deslizava por suas pernas torneadas, chegando, por fim ao chão.
_Está quente, não é, Lana? — falava a loira já sem respirar, seus olhos passando por aquele corpo perfeito, analisando-o.
_… Vou tomar isso como um sim. — disse Lúcifer, dando um passo a frente na direção das duas – Devo admitir que um desses novos personagens chamou minha atenção. — ‘inocentemente’, ele alongou os braços, o que proporcionou um belo efeito em seus músculos – E seria bom se vocês fizessem alguma coisa em prol desse meu interesse.
_Tudo o que você quiser… Pode exigir, não ligo. — estendeu sua mão em busca daquele corpo, que desviou rapidamente, olhando para a Willa em busca de palavras favoráveis antes de deixá-las tocar-lhe.
_Véi… pode escolher qualquer personagem… Até dois, se quiser. Ou três…
_Isso, isso mesmo… Agora o nosso bônus. — falava apressadamente a loira avulsa.
Com um sorriso triunfante, Lúcifer sentou-se no pequeno espaço que havia entre as duas e passou seus braços pelos ombros delas.
_Aproveitem. — disse ele, apontando para o próprio corpo.
Lana absorveu todo o corpo do outro com seu olhar antes de estender cuidadosamente sua mão direita e deslizar o indicador sobre a clavícula do demônio. Depois, ela desceu sua mão pelo peito dele, sentindo a firmeza do músculo sob sua palma. Descendo mais um pouco, ela chegou ao abdome, seu rosto esquentando ao dar-se conta do que exatamente estava fazendo.
A poucos centímetros, Haia não parecia estar tendo o mesmo problema, apalpando praticamente cada centímetro que conseguia alcançar, uma de suas mãos deslizando pela coxa do demônio.
_… Vamos manter isso aqui da cintura pra cima, certo? — repreendeu Lúcifer, pegando a mão da garota e depositando nela um beijo.
Haia tentou protestar, mas foi distraída pela sensação dos lábios quentes e macios do demônio em sua pele.
_Podia ter avisado antes. — comentou Lana, sua mão esquerda descendo pelas costas dele com um pouco mais de audácia, embora seu rosto ainda estivesse corado. Lúcifer deu de ombros.
_Nunca é bom anunciar todas as cláusulas de um contrato. Ou aceitar um contrato sem conhecer todas as cláusulas. — riu ele, erguendo-se no exato momento em que a garota loira traçava com o dedo uma linha de seu umbigo até a borda de sua roupa de baixo.
_Ei! — queixou-se Haia, fazendo beicinho – Tava na melhor parte…
_Nenhuma das duas pensou em especificar o que exatamente seria esse ‘bônus’, ou em perguntar por mais detalhes sobre o que eu pediria em troca. — disse ele sorrindo, já colocando suas roupas de volta – Eu mantive meu lado do acordo, agora é a vez de vocês. Continuem a fic. Ou então terei de voltar para puxar alguns pés durante a noite.
Ainda sorrindo, ele desapareceu em um piscar de olhos.
_… Haia.
_O que foi, Lana?
_Nós vamos nos arrepender disso algum dia.
_Que seja. — ela deu de ombros – Nesse exato momento, eu não me importo.
_… Entendo o sentimento.
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