Kuro Note
1 Seguindo novas rotas
Vejo-me forçada a retroceder, junto a você, caro leitor, a época em que ocorreram fatos misteriosos no Japão e no mundo. Sendo meu dever narrar à história de duas jovens órfãs cujas desventuras e aventuras são de grande importância para o caso.
Devo avisar que não esperem uma história onde todos terminem felizes e sorrindo uns para os outros, pois não é o que ocorrerá. No entanto, se realmente estiverem interessados nesses relatos colhidos por mim, conto a vossa ajuda para que a vida das órfãs seja conhecida por todos.
Numa tarde chuvosa em uma das melhores escolas japonesas, estudantes comemoravam o término do ano enquanto verificavam as listas dos aprovados no teste seletivo, esse era temido e adorado, porque através dele podia-se ingressar nas prestigiadas universidades do Japão, e até do mundo.
Duas jovens conversavam calmamente, sentadas em uma das mesas mais afastadas do refeitório. A ruiva de jaqueta, uniforme escolar, óculos e sapatos Oxford se chamava Karen Manson, conhecida como a melhor aluna do colégio, a garota se cabelos negros, farda escolar, coturno e maquiagem gótica era Hannah, sua melhor amiga. Os nomes de ambas constavam na entre os primeiros da lista quase provisória – isso porque dois alunos tiveram a mesma pontuação, o que os levou também a Harvard e Yale, e será discutido depois.
Após o fim do intervalo, os demais alunos voltaram às respectivas classes. O clima de felicidade era notável a não ser para dois alunos, rancorosos e que se odiavam, porém tudo acontecia silenciosamente, como uma guerra fria estudantil.
- finalmente terminamos o ensino médio, agora só temos que escolher em qual faculdade estudar. Disse Hannah a amiga quando iam para casa.
- sim, espero descansar um pouco... Disse Karen.
- você descansar? Não é minha amiga nerd. Brincou Hannah.
- é melhor irmos logo, afinal nos liberaram mais tarde devido às despedidas. Disse a ruiva.
- e como foram as últimas, pelo menos até a formatura, eu me diverti um pouco.
O relógio de Karen marcava 18h30min quando passaram em frente a um shopping, agora era só atravessar a rua, andar por mais quatro quarteirões e estariam em casa. Ficaram falando sobre quando chegaram à terra do sol nascente e como vários criminosos foram combatidos, mas de uma maneira nunca vista antes, era tudo sobrenatural.
Ao chegar em casa guardaram o material e se dirigiram aos respectivos quartos para tomar banho e depois jantar. Essa era a rotina, na maioria das vezes passavam boa parte da noite estudando.
- vou sentir falta de fazer tarefa de casa esses dias. Brincou Hannah.
Foram dormir porque no outro dia seria o dia tão esperado, a formatura.
No grande salão do colégio estavam os alunos do terceiro ano. Fotos, dança, conversa choro. Seria a hora de cada um tomar a própria decisão.
- Karen, olha quem está vindo.
A garota ruiva de vestido lilás brilhante ergueu os olhos e viu um garoto alto de terno, gravata borboleta e cabelos castanhos se aproximar. Nunca se deram bem o suficiente, o que o faria ir até ali?
- parabéns, Karen... Disse virando a cabeça para a garota,... E Hannah.
- obrigada, — disse Karen – seus pais devem estar orgulhosos.
- obrigado, não devem estar tanto quanto os seus. Disse ele sorrindo, o que fez a menina desviar o olhar.
- sim...
- bem, estou indo. Disse dando as costas e saindo, espalhando um perfume amadeirado pelo salão.
- jornalismo! – gritou a ruiva pulando em cima da cama depois de ter tirado os sapatos.
- isso mesmo, agora vamos poder expressar nossa paixão por canetas e papéis. – disse a de cabelos negros.
- e talvez... Mais do que isso. – falou a outra.
Foi quando um barulho alertou as duas, um barulho esquecido até então.
- isso é... Hannah se virou.
- não pode ser!
Ambas se olharam por alguns segundos e correm para o quintal, sabiam exatamente o que fazer. Lá estava uma cabine telefônica azul dos anos sessenta, as duas amigas passavam as mãos nela, quase chorando.
- Alice! – disseram em uníssono.
- sabe Hannah, agora que já nos inscrevemos em Harvard, o que acha de umas férias?
Fizeram as malas, separando roupas, comida, dinheiro, a coleção de óculos da Karen e a de brincos da Hannah, além de muitos livros. Hannah trancou a casa e ambas se dirigiram para o quintal novamente, onde retiraram o cadeado da cabine e entraram.
Era incrível, a parte interior era muito maior que a exterior, contendo vários cômodos e no centro um painel de controle.
- Alice, você não mudou nada. Disse Hannah fechando a porta.
- você quer ir para frente ou para trás? – pergunta Karen apossando-se do gigante painel central.
- bem, nós amamos o Japão, foi o lugar onde estabelecemos metas e realizamos parte de nossos sonhos... Inglaterra, ano de 1889.
- certo! – diz Karen girando algumas manivelas da máquina.
A cabine começou a girar cada vez mais rápido, fazendo as duas gritarem, até que desapareceu.
- estou enjoada. Diz a dona de cabelos vermelhos ondulados abrindo a porta.
- onde estamos? — Pergunta a de cabelos negros pulando.
- não sei, mas é um local cheio de cadeiras, divãs, tapetes, violinos e... – Karen para de falar, apresentando um misto de surpresa e medo.
- o que foi?
- minha nossa, A rainha Victória da Inglaterra!
Notas finais
Escrevo-lhes da mansão da família Druitt para dizer-lhes que a Inglaterra vitoriana é muito mais sombria do que vocês podem imaginar. Além disso, só gostaria de avisá-los que nunca se disfarcem de detetives da Scotland Yard em hipótese nenhuma, a não ser para fugir da polícia ou para enganar temporariamente- algum visconde.
Lembrem-se de que conto com vocês para que esses fatos sejam bem contados.
Respeitosamente,
Melissa Baudelaire River N.
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