Kupidon
38 Extra Dezesseis
Notas iniciais

Por que nós estamos aqui? — Laurel arqueou as sobrancelhas.
Porque precisamos de coisas para casa. — Retirou um bloquinho que continha uma lista de compras, do bolso.
Lilyan podia fazer isso. — Ela fez um bico. Ele riu.
Lily está de folga, não é, tio Barry? — O menino de seis anos se pronunciou.
Isso mesmo. E ela só volta no fim do mês. — A mulher revirou os olhos.
De quem foi essa ideia maluca? — Reclamou.
Foi sua, mamãe. — Ele olhou para a mãe, confuso.
Minha? Não me lembro disso.
Acho que Lily merece férias. — Barry repetiu a frase que ouviu á alguns dias atrás. — Você disse isso e então disse para ela voltar em fevereiro.
Aff. — Revirou os olhos. — Péssima ideia.
Você está tão reclamona, nesses dias. — Riu.
Mamãe, podemos levar sorvete? — Pergunta animado.
Claro. — Ela sorriu. — Por que eu não vou buscar o sorvete e vocês ficam com o resto?
Está fugindo, não está? — Ela deu um beijo no rosto do noivo e se afastou.
Vou olhar outras coisas. — Lyon olhou para o tio.
A mamãe nos deixou. — Fez um bico.
É. Mulheres. — O menino riu junto do tio. — Vamos nós dois, então. — Passaram pela sessão de frutas, iogurtes, carnes e enfim, a melhor parte para o garotinho, os biscoitos.
Podemos levar chocolate também?
Do jeito que sua mãe está, é melhor levar uma dúzia. — Lyon ia colocando os biscoitos favoritos dele no carrinho, enquanto Barry olhava os que ele e Laurel gostavam. — Não acha que isso é muito?
Não. — Barry riu. — Eu quero aquele. — Apontou para uma embalagem vermelha.
Sua mãe vai me matar.
Agente dá chocolate para ela, tio Barry. — Os dois riram. Á um tempo ele vinha percebendo que só chocolate acalmava a mãe.
Agora me ajuda a achar aquele biscoito que ela é viciada. — O menino correu na frente. — Lyon, não corra.
Eu sei onde tá. — Ele disse e segundos depois parou de frente para uma prateleira.
Como sabia disso? — Arqueou as sobrancelhas, surpreso.
Eu já vim com o papai. — Sorriu e Barry sorriu de volta. — Ele sempre levava esses biscoitos para a mamãe e agora, leva para a tia Cait.
Ah, sim. Sua tia também gosta desses. — Pegou quatro pacotes e colocou no carrinho.
É. Mas ela não pode com amendoim. — Barry assentiu, se lembrando da alergia da ex noiva.
Vamos no chocolate agora. — Ele caminharam até a sessão de trás. — Não esquece, nada de nozes ou castanhas. Você e sua mãe são alérgicos. — O menino assentiu.
A mamãe está toda estranha por causa da minha irmãzinha?
Isso mesmo. — Sorriu. — Ela vai ficar assim por mais alguns meses. — Barry arqueou as sobrancelhas quando viu uma mulher que deveria ter uns 25 anos, se aproximar. Ele já tinha percebido os olhares dela e das amigas.
Oi. — Sorriu. Lyon a olhou, seu olhar demonstrava tédio. Barry segurou uma risada. — Que fofo. Eu estava olhando-o de longe.
Humm. — Preferiu não responder. Ela tinha percebido os olhares.
Você é pai solteiro? Minhas amigas me desafiaram a vir até aqui, falar com você... — Lyon cruzou os braços. Ele não estava gostando nada da mulher estar olhando daquele jeito para o tio e gostou menos ainda quando viu ela tocar seu braço. — Eu sei que posso parecer... uma oferecida..., mas eu achei você muito lindo... — Barry realmente a achou uma oferecida, mas não disse nada. Antes que pudesse responder à pergunta da mulher e até mesmo corrigi-la, dizendo que Lyon era seu enteado, o garotinho ao seu lado o interrompeu.
Papai, a mamãe gosta desse, podemos levar? — Barry o olhou, surpreso. Lyon nunca tinha o chamado de pai. Ele viu a mulher ficar sem graça.
Oh. Você é casado. — Lyon segurou a mão do "pai". — Nossa... Que... — Ela ficou tão constrangida que não conseguiu terminar a frase.
Sim. Eu já sou comprometido. — Mostrou a aliança de noivado.
Desculpe. Eu não tinha visto. — Passou uma das mãos nos cabelos. Barry disse um "tudo bem". — Foi mal. Tchau, garotinho. — E saiu, toda sem graça.
O que foi isso? — Olhou para o enteado.
Podemos achar a mamãe? — Barry assentiu. Ele não sabia como perguntar sobre o que tinha ouvido agora a pouco. — Vêm... — Pegou em uma das mãos do "tio" e o puxou, Barry pegou no carrinho com a outra mão e o empurrou. Ele ainda pensava em Lyon o chamando de "papai". Não sabia como reagir.
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Ei, eu achei seu sorvete preferido. — Diz quando vê filho e noivo se aproximar. — E achei o seu também. — Ela sorri, mas logo percebeu que o noivo estava estranho.
Mamãe, a gente pegou vários biscoitos e chocolate. — Deu três pulinhos até chegar na mãe.
Estou vendo. Fez a festa, não é? — Olhou para o filho com um sorriso. — Você já pegou tudo que está na lista? — Barry assentiu, depois de dar uma olhada na lista. — Você está bem?
Estou. — Lyon olhava o frízer que tinha os sorvetes. — Podemos ir?
Bar, tem certeza que está bem? — Ela se aproximou, pegando em seu braço.
Mamãe, sabia que uma mulher muito abusada estava dando em cima do tio Barry? — O garotinho interrompeu a resposta de Barry, sem nem perceber.
Ah, é? — Olhou para o noivo. — Então, eu te deixo sozinho por dez minutos e isso acontece? — Diz divertida.
Pois é. Ela pensou que eu e Lyon estávamos sozinhos. — Olhou para o menino que sorria. — Mas já está resolvido.
Bom. E é por isso que está assim?
Não. — Olhou para Lyon, mas logo se voltou para a noiva. — Podemos falar sobre isso em casa? — Ela assentiu.
Lyon. Vamos, querido. — Ele fechou o frízer e se aproximou da mãe.
Podemos levar a cobertura também? — Laurel pensou um pouco antes de responder.
Tudo bem. — Não era sempre que ela fazia aquilo, não iria estragar seu filho, dar o que ele queria de vez em quando.
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Barry colocou tudo na cozinha com a ajuda da noiva e do enteado que correu para a sala assim que deixou as duas sacolas que carregava, em cima da cadeira. Laurel ainda estava preocupada, seu noivo estava estranho. Ele sempre gostava de puxar assuntos, e do supermercado até ali, ele não disse uma palavra. Ela e Lyon conversavam durante o caminho. Barry pensava em como agir diante do que ouviu. Ele sabia que o garoto tinha feito aquilo para espantar aquela mulher, mas para ele, tinha sido uma surpresa. O assustou um pouco, para falar a verdade. E nem sabia o porquê.
Ok. Chega. — Ele se virou quando ouviu sua voz. — O que está acontecendo com você? Te deixo com Lyon por alguns minutos e você... Fica assim. — Laurel estava preocupada e começava a ficar nervosa. E isso ele não podia deixar acontecer.
Aconteceu uma... coisa. — Se sentou na cadeira e Laurel fez o mesmo, do seu lado. — Quando aquela mulher de que Lyon comentou se aproximou... Bom, ela perguntou se eu era pai solteiro... — Bagunçou os cabelos.
Não entendi, ainda, o problema.
Quando eu ia responder, Lyon disse: "Papai, a mamãe gosta desse, podemos levar?" — Ela ficou surpresa. — É. Eu também fiquei assim. Não soube nem o que dizer a ele.
Ele te chamou de... — Laurel não sabia o que dizer também.
Eu sei que ele provavelmente me chamou de... "papai", para espantar a mulher, mas mesmo assim...
Isso te assustou?
E me surpreendeu. Muito. — Suspirou.
Eu vou falar com ele.
Laurel. — Ela o olhou. — Não quero que o pressione.
Não. Eu só quero saber porque ele disse. Talvez ele já quisesse fazê-lo, mas não fez por... medo? — Arqueou as sobrancelhas. — Talvez porque ele já tenha um pai e mesmo assim te veja como um também, e por isso ele te chamou assim.
Não que eu me importe. Você sabe que eu não me importo. — Ela assenti. — Já disse isso antes, eu o vejo do mesmo jeito que Kitty... E como esse novo bebê.
Eu entendi. — Beijou seu rosto. — Eu também fiquei surpresa, mas... — Sorriu. — Eu gosto de ver o quanto ele gosta de você.
Eu sei. — Sorriu de volta. — E eu amo aquele garoto, você sabe.
E ele sabe disso também. — Beijou seu rosto novamente, colocando uma das mãos do outro lado do rosto. Barry tomou os lábios dela, assim que ela se afastou, pedindo passagem com a língua que foi prontamente atendida. Ela passou as mãos pelos braços, subindo até o pescoço, puxando levemente os cabelos e ouviu um gemido dele logo em seguida. Ele apertou a cintura, que já continha uma leve barriguinha de grávida aparecendo. — Te amo. — Sussurrou ao se separarem por falta de ar.
Te amo mais. — Diz ainda ofegante.
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Laurel aproveitou que seu noivo estava no banho e foi ao quarto do filho. Ela tinha ficado surpresa pelo filho ter chamado Barry de pai, não que isso fosse algo que a incomodava, mas realmente, não esperava que seu filho chamasse seu namorado de pai.
Ei. — Sorriu ao vê-lo dando comida para o coelho que tinha ganhado da tia Felicity.
Cadê o tio Barry? — Ah, voltou ao "tio", Laurel pensou. — Ele não vai vir?
Hoje fiz questão de vir. Quero falar com você, querido. — Ele correu para a cama, se sentando e puxando o edredom por cima das pernas.
O que eu fiz, mamãe?
Nada, amor. Só quero conversar. — Ele assentiu e Laurel se aproximou e se sentou. — Então... Eu soube o que houve no supermercado. Barry me contou.
Da mulher abusada? — Ela segurou uma risada.
Não, querido. Não sobre ela, mas sobre o que falou. — Ela soube que ele tinha entendido, pois o viu desviar o olhar. — Não precisa ficar sem graça.
O tio Barry não gostou?
Não. Meu amor, não foi isso. — Ela pegou em seu queixo, fazendo-o olha-la. — Ele ficou surpreso... E eu também. — Acariciou uma das bochechas. — Você e Barry tem um carinho muito grande, um pelo outro, não é? — Ele assentiu. — Quando você o chamou de "papai", foi uma surpresa para ele. Você nunca tinha chamado ele assim.
É que... — A mãe pediu para que ele continuasse. — Ele me trata como o meu pai. E quando vi... — Ele apertou as mãozinhas no edredom.
Você acabou falando. — Ela completou. — Está tudo bem, Lyon. Você o vê como seu pai..., mas por quê depois, você voltou a chama-lo de tio?
Achei que ele não tinha gostado.
Lyon. — Sorriu. — Barry só ficou surpreso, querido, por isso ficou tão calado. Não sabia como falar com você sobre isso. Eu não acho que você deva reprimir o que sente por ele. Barry também têm o mesmo sentimento por você. Ele já tinha me dito isso antes... Vocês não tem o mesmo sangue, mas é como se sentem, certo? Pai e filho.
Mesmo eu já tendo um pai?
Kitty também têm dois pais. Barry e Tommy, não? — Ele assentiu. — As gêmeas também... — Se lembrou da irmã. — Mesmo não tendo Sarah por perto, elas têm Felicity, não concorda? — Lyon novamente assentiu.
O tio Barry cuida de mim. Como você, mamãe... E o papai e a tia Cait.
O mesmo sentimento que você sente por seu pai, você sente por Barry, certo?
Sim. Porque os dois me tratam igual.
Sim, é verdade. Porque eles sentem o mesmo. Carinho, cuidado e dedicação para com você. — Beijou a bochecha do filho. — Se você quer chamar Barry de pai, é a sua decisão, amor. Se é assim que o vê e se é importante para você... — Passou a mão direita nos cabelos tão parecidos do seu ex. — A mamãe e o papai não vai ficar chateados. E Barry vai gostar. Muito.
Você acha?
Claro. Porque ele o vê como um filho. — Ele sorriu. — Depois vocês falam sobre isso, mas agora, já está na hora de você dormir. — Ele fez um bico.
Eu não quero dormir agora. — Ela cruzou os braços. — Estou sem sono.
Feche os olhinhos que logo o sono do meu bebê vai chegar.
Eu não sou bebê. — Foi a vez dele em cruzar os braços. Laurel riu. — O papai não pode fazer isso? — Ela sorriu. Ele tinha se decidido, afinal. Seu pequeno estava crescendo.
Vou chama-lo. — Ele assentiu, Laurel se levantou e caminhou até seu quarto para chamar Barry.
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Ei. — Entrou no quarto, vendo o garotinho acariciar o coelho. — Sua mãe disse que você queria que eu o colocasse para dormir.
Eu não tenho sono. — Fez um bico que fez Barry sorrir. — Podemos assistir TV até o sono vir?
Quer que sua mãe nos mate? — O menino riu. — Coloque o "zero" na "casinha". — Lyon se levantou da cama, se aproximou da "casinha" e fez como o "pai" pediu. Barry pensava no que a noiva lhe contou enquanto se vestia para dormir. Era verdade que sentia um carinho de pai para com Lyon, mas não imaginava que o menino lhe via como um "pai". — Então... Podemos assistir TV... — Ele deu alguns pulinhos, animado. — Mas antes vamos conversar. — Lyon se aproximou como Barry, que estava na cama, pediu.
Sobre o que?
Sobre... — Como falar sobre isso? Ele pensou. — Sobre você ter me chamado de pai. — O menino mordeu a parte de dentro da bochecha. — Senta aqui. — Lyon se sentou de frente para Barry. — Eu não sabia que se sentia assim. — Ele esperou que o menino lhe dissesse alguma coisa, que não aconteceu. — Sabe que sinto o mesmo, certo?
Mamãe disse que não ficou chateado. — Disse depois de longos minutos.
É claro que não. Só surpreso. — Sorriu. — Você pode não ter meu sangue, mas o mesmo que eu sinto pelas suas duas irmãs, eu sinto por você.
A mamãe disse que estava tudo bem. — Barry sorriu.
E está. Mas você não quer falar com seu pai antes?
Eu já tinha falado... — Barry novamente ficou surpreso. — O papai falou comigo e disse que não ficaria triste.
Então, agora é a sua decisão. Eu não me importo que continue me chamando de tio, está bem? — Ele assentiu.
Posso pedir uma coisa?
O que quiser.
Podemos ir ver o cachorrinho amanhã? — Barry então se lembrou do presente de Natal que havia prometido dar a Lyon.
Tinha me esquecido do seu presente. — Colocou a mão esquerda nos cabelos lisos do menino. — Mas claro. Podemos ir depois do almoço. — Sorriu ao ver a animação do garoto. — Mas lembra-se que ele ficará no seu avô. Aqui não têm como. — Lyon fez um bico. — Moramos em um apartamento, Lyon.
A gente podia se mudar... Papai. — Barry demorou um pouco a responder o resmungo do menino. Demoraria a se acostumar a ouvir Lyon chamando-o de pai. Mas gostava daquilo.
Falamos com sua mãe depois. — Se levantou. — Vamos dormir?
Não. — O olhou com os braços cruzados. — Disse que podíamos assistir TV.
Tudo bem. Deita aí. — Puxou o edredom e Lyon fez como o pai pediu. — O que quer assistir? — Se deitou ao lado do "filho".
Flash. — Barry ligou na Netflix e colocou no desenho. Sabia que ele não conseguiria assistir um episódio inteiro. Logo estaria dormindo. Mal prestou atenção no que passava na TV, seus olhos estavam no garotinho que estava deitado com o corpinho praticamente, todo em cima de si.
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