Kupidon

46 Capítulo Vinte e Oito


Notas iniciais
Olá, Leitores. Primeiramente quero me desculpar pela minha demora. Não sabem como eu odeio ficar sem postar por tanto tempo, mas não teve jeito. Não conseguia terminar o capítulo... Graças a Deus consegui terminá-lo na quarta á noite. Bom, antes de deixá-los ler, gostaria de pedir que não deixem de ler as notas finais. Terá um aviso muito importante. Boa Leitura.

Felicity estava sentada no sofá, com as amigas ao seu redor. Em seu colo estava sua afilhada, que brincava com a coelhinha que tinha ganhado da madrinha quando nasceu. Ela não estava prestando atenção na conversa das mais velhas, sua atenção estava no bichinho de pelúcia. Ela estava praticamente deitada no colo da madrinha, confortável. Felicity desviou os olhos das amigas para Kitty, que abraçou a coelhinha, dizendo: “lilinha”.

A médica já disse quando vai poder sair? – Thea pergunta, curiosa.

Ela disse que eu posso sair, mas que eu não posso fazer esforço. – Deu de ombros. – pelo menos agora eu posso cozinhar.

Você deve estar deixando o Oliver louco. – Elas riram. – Você não consegue ficar quieta.

Ele me disse que chegou em casa no final de semana, e você estava arrumando o closet. – Cait comenta, com desaprovação. – Você não tem jeito mesmo, hein?

Gente, eu estava bem.

Você por acaso é médica? – Thea riu.

Laurel, você é gentil como um cavalo. – A amiga revirou os olhos. – Mas elas estão certas. Você não deveria ficar fazendo essas coisas.

Helena, como vai as aulas de luta? – Mudou de assunto propositalmente.

Estão ótimas. Você tem que melhorar logo para começar a fazer comigo. – Felicity sorriu.

Estou ansiosa por isso.

Você vai mesmo fazer essas aulas, Lis? – Ela olhou para Caitlin.

Claro que vou. Eu quero aprender a lutar.

Mudando de assunto, Lis... – Laurel começa. – Você sabia que Lena esteve em um encontro?

Laurel. – Repreendeu a amiga que riu.

Como assim? Me explica isso direito. – Pede animada.

Ah, a gente se conheceu no café perto do meu trabalho. Tombamos um no outro, e ele derrubou café na minha roupa. – As amigas riram.

Que desastrado.

Não foi culpa dele, eu que não estava olhando para frente. – Thea disse um “será?”, fazendo as amigas rirem. Helena balançou a cabeça e voltou a falar. – Então, ele me ofereceu outro café, e uma carona até em casa. Eu disse que estava de carro. Bom, nisso tudo... Ele me deu seu cartão.

E ele te chamou para sair?! – Thea pergunta, fazendo as amigas rirem mais uma vez. Thea era muito afobada, mas as amigas não se importavam.

Nos encontramos no mesmo café, conversamos, e então... Ele me chamou para sair, Thea. – Diz, olhando-a.

E você está saindo com ele tem muito tempo?

Desde o natal. – Todas arregalaram os olhos, surpresas. – Eu não quis dizer nada, porque eu não sabia o que era... Nem sabia se ia pra frente.

Se está nos dizendo, quer dizer que foi pra frente? – Caitlin pergunta, animada. Feliz pela amiga, assim como as outras. Helena merecia um final feliz. Se casar, já que não aconteceu da outra vez.

Estamos namorando.

Ah, eu fico tão feliz por você, Lena.

É, eu estou gostando dele. – Sorriu, e as amigas fizeram o mesmo. – Achei que estava na hora de seguir em frente.

Faz muito bem. – Laurel diz. – Você merece ser feliz.

E a família dele?

Ele só tem um filho, de seis anos. Os pais faleceram. A mãe antes de ele fazer 11 anos, e o pai, antes do Killian nascer.

Killian? – Laurel praticamente gritou, fazendo todas olharem para ela. – Killian Palmer? Esse Killian?

Você o conhece? – Thea pergunta, confusa.

Se eu o conheço? Ele é da mesma sala do meu filho e das minhas sobrinhas. Ele esteve na festa do pijama. Felicity... – Olhou para a amiga.

Oh, que coincidência... – Diz ao se lembrar do rapaz. – O garotinho da tarântula.

O menino tem uma tarântula? – Thea pergunta, surpresa e incrédula ao mesmo tempo. – Inacreditável, que criança tem como bicho de estimação, uma tarântula? As crianças normais, tem um cachorro, um coelho, um hamster... Ele tem uma tarântula. – As amigas riam, achando graça da incredulidade de Thea. – E meu pai brigou comigo porque eu queria uma cobra.

Thea, só você mesmo.

Você queria uma cobra? – Cait pergunta, incrédula. Felicity riu da cara de Cait. Laurel balançou a cabeça, imaginando Thea criando uma cobra de estimação.

Então, Lena, ele não te contou? – Felicity pergunta.

Ray me disse que tinha deixado o Killian em uma festa do pijama, na casa da Laurel. Eu que não estava me lembrando.

Lyon me contou sobre ele. Eles se dão muito bem. – Cait diz.

Sim. Killian é um fofo. Ele perdeu a mãe quando nasceu.

Que triste.

Nossa, estou surpresa demais em como o mundo é pequeno. Eu o conheci na escola das gêmeas. Em uma das reuniões escolares... Ray Palmer.

Então era com você que ele ia sair naquele dia. – Felicity pergunta depois do comentário de Caitlin. Helena cora.

Você está corando? – Thea pergunta, rindo. – Não acredito. Você está gostando dele de verdade, está até corando. – As outras começam a rir também.

Parem, gente. – Elas riram. – Sim, foi comigo que ele saiu, depois que deixou o Killian na sua casa. Por enquanto é só um namoro, nada demais.

Você está gostando de alguém, depois de tanto tempo, Lena... Isso é tudo. — Ela sorriu para Felicity. – Ficamos muito felizes por você.

Com certeza. – As outras dizem juntas.

Ah, e como o Killian se comporta com você?

Ele é ótimo. Nos damos muito bem. – Sorriu. – O pai dele pediu para que ele não dissesse nada sobre mim, por enquanto. Ainda bem que ele compreendeu. Eu não o busco na escola, mas saímos para tomar sorvete, ou vamos ao cinema... Fico com ele quando Ray está em alguma reunião.

Ele deve ficar feliz por ter uma presença feminina na vida dele, agora.

O único problema, é que toda vez que eu o olho, eu me lembro do meu bebê. – Abaixou o olhar.

Lena, você precisa esquecer isso. – Laurel diz, carinhosa. – Eu sei que... É difícil, mas você precisa esquecer, ou isso sempre vai te machucar. Você não precisa substituir seu amor pelo seu bebê, mas... Killian não teve o amor de uma mãe. Ele não conheceu isso... O amor que você não pôde dar ao seu bebê, dê para o menino.

Laurel está certa. Nós entendemos que é difícil, porque foi uma parte sua que você perdeu, mas... Isso te destrói por dentro, Lena. Seu bebê se foi, mas seu amor por ele não. Não fique pensando no que poderia ter sido. Deixe tudo o que houve de lado.

Você disse que decidiu seguir em frente, então... – Thea começa.

Eu sei como deve ser difícil para você. Eu passei por isso duas vezes, e a primeira eu não fazia ideia de que estava acontecendo... Mesmo que doa, elas estão certas. Ficar sofrendo por causa disso não te faz bem. Você sente um carinho por Killian, não é? Então, o que você queria dar para o seu bebê, você pode dar a esse garotinho. – Ela balançou a cabeça, dando um longo suspiro em seguida.

Vocês estão certas. Para eu realmente me sentir melhor, preciso esquecer o que houve.

**--** **--**

Então, Laurel... Eu queria falar com você. – Ela voltou a se sentar, quando as amigas foram embora. Barry tinha ido resolver umas coisas da empresa Allen, e por isso ela era a única das garotas que continuava com Felicity.

Sobre o que?

Sobre uma coisa que aconteceu quando eu estava em coma. – Elas se olharam, fixamente. – Eu não sei se você vai acreditar, mas...

Diga, Lis. Estou ficando curiosa.

Quando eu estava em coma, eu tive uma espécie de “sonho”. E nele, eu... Eu vi a Sarah. – Laurel arregalou os olhos.

Você viu minha irmã? Como?

Eu não sei como. Eu sei que ela apareceu para mim. Me mostrou como as crianças e Oliver estavam desesperados com meu estado. Me disse que você, a Cait, a Lena, a Thea, e os outros estavam tristes, com a minha situação... Ela me disse que eu precisava voltar.

Ela disse isso? – Felicity assentiu. – E o que mais ela disse?

Você está acreditando, Laurel? – Pergunta, surpresa pela amiga questionar mais sobre o que houve entre ela e Sarah.

Você esteve em coma... Eu sempre imaginei, o que acontece com as pessoas que estão em coma. Por isso, sim, eu acredito, Felicity.

Foi bem surreal.

Me diz o que ela disse? – Felicity contou tudo. Desde que percebeu que era Sarah, até quando abriu os olhos no “mundo” delas.

Ela dizia que não era minha culpa, tudo o que houve. Que para eu poder melhorar, me recuperar... Eu precisava parar de me culpar pelo que estava acontecendo. Ela me mostrou Oliver pedindo para eu não desistir. Para eu voltar para ele...

Eu queria ter tido essa experiência. – Sussurra. – Queria poder conversar com ela. – Felicity pegou na mão da amiga.

Ela me pediu para dizer que estava muito feliz pela homenagem que você deu á ela.

Disse mesmo? – Os olhos de Laurel lacrimejaram. Felicity assentiu. – Acho que agora ela está em paz, né? Oliver encontrou você. As gêmeas tem uma mãe... Ela deve estar aliviada de que a família dela, agora está completa novamente. – Felicity se lembrou do diário.

Eu li o diário dela. – Laurel a olhou, surpresa. – Oliver me deu para ler.

Então... Então você leu tudo? – A amiga assentiu. – Até mesmo a “carta” que ela deixou para você?

Oliver me mostrou essa página. E eu fiquei surpresa por ela ter escrito uma “carta” para mim. Ela estava mesmo se despedindo. E queria que a família dela estivesse completa novamente. Feliz.

Sarah escolheu bem. – Sorriu. – E ela estava certa quando disse que você e Oliver eram lentos pra caramba. – Completa, rindo.

Eu não estava pronta para um relacionamento, okay? E Oliver também não.

Eu sei. Vocês precisavam de um tempo... – Felicity sorriu. – Obrigada por me contar sobre esse seu encontro com a Sarah.

Eu não podia deixar de fazer isso, Laurel. Eu prometi á ela que lhe diria.

**--**

Felicity fazia o almoço, enquanto as filhas brincavam no andar de cima. Como seu namorado estava no trabalho, ela decidiu fazer a refeição. Ela já não aguentava ficar de “repouso”. A médica tinha liberado ela do repouso, mas pediu para que ela não fizesse nenhum esforço ainda. Felicity chamou as filhas, mas nenhuma das duas responderam. Estranhou, e por isso decidiu subir, para ver o que faziam.

O que vocês... – Elas se viram para a mãe, que olhava para as duas caixas grandes que estavam no chão. – Como acharam isso?

Estava no seu closet, mamãe.

Isso não é para brincar, April. – As ajudou a tirar os vestidos que usavam, sem que estragassem.

Agente não queria brincar, mamãe.

É, agente só queria experimentar.

Vocês já experimentaram ele. – Os dobrou com delicadeza, colocando-os de volta na caixa branca com flores rosas.

Estamos treinando.

Para o casamento. – April completa animada.

Eu sei que estão animadas com o casamento, meus amores... Mas ainda falta um pouquinho de tempo. – Elas abaixam o olhar. – A tia Cait deve estar tão ansiosa quanto vocês. – Diz com um sorriso. – E vocês serão as daminhas mais fofas do mundo.

Desculpa por mexer na caixa, mamãe.

Está tudo bem. Só não façam isso de novo, está bem? Pode estragar. – Elas assentem juntas. – Vamos comer? O almoço está pronto.

E o papai?

Ele não chegou ainda, mamãe. Não vamos esperar ele?

Hoje ele vai chegar mais tarde, então seremos só nós três. – Se levantou. – E eu fiz pudim para a sobremesa. – Diz, puxando ambas para fora do quarto.

**--** **--**

Papai. – April correu para o pai, quando o viu entrar no apartamento.

Oi, princesa. – Beijou seu rosto, antes de colocá-la de volta no chão. – Como foi aqui hoje? – Pergunta olhando para a namorada.

Foi ótimo. – Felicity respondeu, sorrindo.

A mamãe fez moqueca de frango, igual aquela que a vovó gosta. – Amily diz.

Mas a mamãe cozinha melhor que a Raisa. – Oliver olhou para a namorada, e ela soube que ele estava descontente.

Tá muito gostoso, papai.

Apple, Amy, podem ir brincar no quarto? – Se levanta do sofá. – O papai e a mamãe querem conversar. – Elas olharam de um para o outro.

Vão brigar?

Não, querida. Só vamos conversar. – Elas assentiram, e subiram. Felicity respirou fundo antes de se virar para o namorado. – Eu sei o que vai dizer.

Você disse que ia pedir comida.

Eu estou bem, Oliver. E eu estou cansada de ficar sem fazer nada.

A médica pediu para não fazer esforço.

E desde quando cozinhar, é esforço? Pelo amor de Deus, Oliver, não acha que está exagerando?

Exagerando? – A voz dele altera. Oliver Passa as mãos nos cabelos. – Felicity, você ficou em coma por três semanas. Eu quase perdi você. E mesmo com recomendação médica...

Eu estou fazendo tudo que a médica pediu. – O cortou, gesticulando, sua voz no mesmo tom que a do namorado. – Não diga que não, okay? Eu não vou ser a “bonequinha” de porcelana, que fica sentada, esperando que os outros façam por mim, o que eu posso fazer. A Alissa pediu folga, nós damos... E eu decidi cozinhar. E eu só decidi isso depois que saiu. – Cruzou os braços. Oliver respirou fundo para se acalmar. Gritar com a namorada não iria adiantar nada, só faria com que assustassem as gêmeas, e deixaria Felicity magoada.

O que custa esperar mais alguns dias para cozinhar, Felicity? Faz poucas semanas que você acordou. – Ela suspirou alto. – É pedir muito, você ficar mais alguns dias de repouso?

Mesmo que a médica tenha me liberado?

Ela não disse nada sobre cozinhar. – Retrucou. Felicity balançou a cabeça, se virando de costas para o namorado. – Eu só estou dizendo isso, porque eu me preocupo. Mas parece que eu estou errado em fazer isso. – Ela se voltou para ele.

Eu não disse isso, Oliver. Eu entendo que esteja preocupado, mas eu... Eu estou bem. Eu não pego peso, não fico muito tempo em pé, faço tudo que a médica recomenda... Cozinhar não vai me matar. – Ele balançou a cabeça. – Se eu estivesse... Sentindo que não estava bem para cozinhar, eu não teria feito.

Eu só queria que você ficasse mais alguns dias descansando.

Eu estou descansando. Mas eu estou cansada de ficar parada, sem fazer nada, Oliver. – Voltou a gesticular. – Por favor, me entenda. Eu não estou trabalhando. – Ele ia falar algo, mas ela o interrompeu. – E isso está me deixando louca. Se eu não puder pelo menos fazer as refeições de casa... Então me interna, por favor.

Não fala assim. – Passou uma das mãos nos cabelos, se aproximando da namorada. – Está bem, eu posso estar exagerando... Mas eu só... – Suspirou. – Sabe como eu me senti quando você desfaleceu em meus braços? Sabe como eu fiquei, quando você entrou em coma? Felicity, eu senti meu mundo desabar, na minha frente. – Ela descruzou os braços, olhando-o com compaixão. – Eu pensei que novamente estaria perdendo uma pessoa que eu amo. E... E eu ficava pensando o tempo todo, que eu não conseguiria seguir em frente, se você morresse. – Ela o abraçou pela cintura.

Oliver, eu estou viva. Eu acordei, e eu estou bem. – Ela umedeceu os lábios. – Eu entendo que tenha medo... Que esteja preocupado comigo, mas... – Inclinou a cabeça. – Você está se preocupando demais. Se eu estiver sentindo-me mal, eu juro, não vou esconder isso de você, meu amor. – Ela beijou seus lábios rapidamente. – Eu prometo. Mas eu não posso mais ficar sem fazer nada. – Ele suspirou, enquanto umedecia os lábios. Oliver colocou ambas as mãos no rosto de Felicity, acariciando.

Prometa que vai se cuidar. E que não vai ficar fazendo esforço, caso não se sinta bem. – Ela olhou nos olhos zuis dele.

Eu prometo á você, que vou me cuidar. – O beijou novamente, dessa vez, lentamente.

Tudo bem. Eu vou tentar controlar minha preocupação. – Ela sorriu.

Obrigada por se preocupar comigo. Eu amo isso em você. Só é um pouco exagerado, ás vezes. – Ele deu um sorriso de lado. – Eu te amo.

Eu também te amo. – Sussurra antes de tomar os lábios dela.

**--**

Felicity colocou as panquecas que estavam dentro do prato raso, em cima da mesa. Pegou três copos e uma xícara, colocando-os ao lado do prato. Naquele dia eles tinham acordado um pouco atrasados, por isso ela estava fazendo tudo o mais rápido possível. Oliver a ajudava. Ele terminou de fazer o café e colocou um pouco em sua xícara, antes de se aproximar da geladeira, pegando o leite, colocando em uma leiteira, antes de colocar para esquentar. Suas filhas estavam se arrumando enquanto isso. Mesmo sabendo que provavelmente chegariam na metade do primeiro tempo, Felicity não deixou que elas faltassem, mesmo que elas quisessem muito. Por terem dormido tarde, elas tinham acordado muito cansadas. Felicity tinha avisado que elas não deviam dormir á tarde, mas as filhas o fizeram assim mesmo, e por isso não dormiram na mesma hora que dormiam sempre e haviam acordado cansada e atrasadas. Sobre o atraso, não era culpa das gêmeas. O despertador não tinha tocado, e por isso Oliver e Felicity não haviam acordado para despertar as filhas, como sempre faziam.

Mamãe, já tá pronto? – Amily pergunta, entrando no cômodo já de uniforme.

Sim, querida. – Colocou o leite quente em dois copos de vidro. – Cadê a sua irmã?

Tentando arrumar a tiara.

Apple, você vai se atrasar ainda mais. – Grita. Oliver pega as caldas de chocolate e morango, colocando na frente da filha. – April. – Volta a gritar. – O que essa menina está fazendo? Ela vai se atrasar.

Eu vou buscá-la. – Quando se virou, encontrou a filha.

Mamãe, me ajuda? – Felicity se aproximou, arrumando, perfeitamente, o enfeite de cabelo. – Obrigada.

De nada, agora sente-se e coma. – Se virou, e arregalou os olhos. – Amy, chega de achocolatado. – Diz, quando vê a filha colocar a terceira colher do pó. – Você já tinha colocado duas, filha.

Eu gosto assim, mãe.

Vai ficar uma crosta no fundo do copo. – Oliver diz, se sentando. Amily pega uma das panquecas jogando a calda de chocolate em cima. – Chega. – Colocou a mão em cima da mão da filha. – Você está com verme? – E as meninas riram. – Não é possível.

Tenho que levar vocês no pediatra. Vou falar com a Cait. – Avisa, enquanto se sentava ao lado do namorado.

Agente pode comer filé de frango recheado hoje? – April pergunta, olhando para o próprio copo, enquanto mexia o leite com toddy.

Vocês nem terminaram de comer, e já estão falando do almoço?

É pra mamãe ficar já ficar sabendo. – Amily responde. – A senhora faz?

Não tenho nada pra fazer mesmo. – Olhou para o marido. – E eu estou presa aqui, então... – Ele revirou os olhos.

Você não está presa, está exagerando.

April, você vai desgastar a colher desse jeito, filha. – Mãe e filha se olham. – Tome logo esse leite, vocês vão se atrasar pra escola.

O que está acontecendo com vocês duas hoje? – Deixou a xícara vazia na mesa.

Terminei. – Amily avisa, se levantando. – Eu vou escovar os dentes rapidinho, tá? – Ela corre para fora do cômodo, sem esperar pela resposta.

E o lanche, mamãe?

Hoje vocês compram, okay? Não deu tempo de eu fazer nada. – Oliver se levantou, deixando a xícara e o próprio prato dentro da pia.

Hoje eu tenho uma reunião, então Tommy quem vai buscar vocês.

Tá. Posso comprar sorvete na hora do recreio?

Só depois que comer alguma coisa de sal, querida. – Ela assentiu. – Já terminou? – A menina tomou o restante do leite, de uma vez, e assentiu, antes de se levantar.

Vou escovar os dentes.

Não demore, por favor.

Eu vou tentar terminar a reunião bem rápido, para eu poder vir para casa logo.

Não se preocupe.

Eu só não quero te deixar sozinha. – Ela sorriu, deixando as coisas na pisa, e se virou para ele. – Qualquer coisa você me liga.

Vou ficar bem. – O beijou rapidamente.

Eu sei. Mas também sei que fica entediada quando está sozinha em casa. – Ela entortou a boca, concordando com o namorado. – Tente não fazer nada que possa te cansar, está bem?

Não se preocupe tanto. – Volta a pedir. – Eu sei meus limites. – Sorriu. – Qualquer coisa eu chamo o Mike. – Ele assentiu. – Por falar nisso, Oliver, eu queria perguntar uma coisa...

Pode perguntar, amor.

Por que eu não estou vendo Noah no prédio? – Oliver não esperava por aquela pergunta, nem mesmo sabia o que responder. Como diria que Gregory não confiava no homem, e por isso ele estava com uma equipe, onde Gregory comandava, vigiando as gêmeas?

Ele está com a equipe de segurança das gêmeas.

Por que? Não entendo a mudança.

Mike achou melhor assim. – Deu de ombros, tentando mostrar que não era nada preocupante. – Nate está na equipe agora. – Ela assentiu, não se importando muito com a mudança, apesar de estranhar.

Terminamos. – As filhas aparecem na porta da cozinha.

Então vamos.

E o dinheiro? – Oliver tirou duas notas de vinte do bolso, entregando para as filhas.

Tomem cuidado para não perder. – Amily e April guardaram o dinheiro na mochila. – Boa aula. – Beijou o rosto de ambos.

Até agorinha, mamãe. – Elas abraçaram a mãe. Oliver pegou as duas mochilas de rodinha.

Nos vemos daqui a pouco. – Felicity o beijou e ele saiu pela porta com as gêmeas seguindo-o. Ela trancou a porta, e suspirando, caminhou para a sala de TV. Não tinha nada para fazer, então ela assistiria um filme até dar a hora do almoço.

**--** **--**

Dinda. – Felicity ouviu depois que a campainha tocou. Ela sorriu se aproximando da porta, e antes de abri-la, ouviu duas batidinhas, vindo das mãozinhas da afilhada.

Oi, meu amor. – A pegou no colo, e ela deu um gritinho.

Lis, eu e Laurel também estamos aqui. – A amiga riu.

Eu primeiro dou atenção a essa coisa fofa, depois para vocês. – Deixou que elas entrassem. – Princesa, você está linda demais vestida assim, de coelhinha.

Diz para a dinda quem deu essa roupinha, filha.

Tia Lari. – Elas sorriram.

Mesmo, amor? E você gostou? – Ela balançou a cabecinha lentamente. – Eu acho que você é uma garotinha muito amada.

Ah, ela sabe, não é Kitty?

E você está feliz porque sua irmãzinha tá quase chegando? – Elas caminharam para a sala, sentando-se em seguida.

Nah. – Ela diz, não conseguindo dizer o nome todo.

Naty, querida. Na-ty. – A mãe ensinou.

Logo ela vai conseguir dizer, não é? – Felicity fala, olhando para a pequena, antes de dar um beijo na ponta do nariz dela. – Elas vão ter apenas... Um ano e quatro meses de diferença?

Isso aí. Pelas minhas contas, é isso.

Será que ela vai vir parecida com o Barry? – Cait a olhou.

Eu imagino se elas terão alguma semelhança.

Ela não vai vir ruiva, tenho certeza. – Elas riram. – Mas pode ter os mesmos olhos.

Eu espero que sim. – Laurel diz, sorrindo. – E você? – Felicity a olhou. – Pensa em ter um bebê quando?

Eu não penso em ter um bebê tão cedo. – Voltou os olhos para a pequena, que chupava um dos dedos. Laurel e Cait se olharam, se perguntando se aquela resposta seria pelo fato de ela ter perdido dois. Provavelmente sim, elas pensam ao mesmo tempo.

**--** **--**

Felicity conversava com as amigas enquanto dobrava as roupas das filhas, colocando em uma mala grande. Como estava agoniada de ficar sentada, sem poder fazer nada, e Kitty brincava com os ursos das filhas, ela resolveu separar as roupas que estavam em cima da cama de casal. Ela tinha jogado aquelas roupas ali, depois de assistir á um filme, que a deixou mais agoniada do que já estava. Ficar sem trabalhar, e pior, de repouso, estava deixando-a louca. Uma hora ela iria surtar. Queria tanto poder sair, caminhar, assistir á um filme no shopping, mas a médica ainda não tinha liberado, então tinha que com muito custo, aguentar aqueles dias de repouso.

Eu tenho uma novidade. – Laurel diz, sorrindo. – Eu e Barry vamos nos mudar do apartamento.

Por que? – Felicity pergunta, enquanto continuava com o que fazia.

Lyon pediu para morarmos em uma casa, ele sente falta de correr por um jardim, e quer ter o Klaus por perto, então eu e Barry vamos para um condomínio de casas, perto do apartamento do Tommy.

Bom, não é uma má ideia. As crianças precisam de ar fresco. Precisam correr, brincar, fazer coisas de crianças, e eu tenho que concordar que apartamento não é lugar certo para eles. – Cait diz concordando com a amiga. – Devíamos todas fazer isso.

Eu ainda não posso. Não com Cooper solto. – As amigas se olharam. – É perigoso demais.

Sabia que Ray Palmer mora lá? – Laurel decide mudar de assunto. Cait e Laurel queriam distrair a amiga, e com certeza falar de Cooper não estava nos planos delas.

No mesmo condomínio que vocês vão morar?

É. Eu o encontrei com Helena e Killian. – Sorriu. – O garoto é um fofo com Helena.

Isso é muito bom. Para os dois. – Laurel e Felicity concordaram. – Helena precisa seguir em frente, e Killian precisa de uma mãe... – Felicity colocou mais um vestido, dobrado, dentro da mala. Laurel e Caitlin franziram o cenho, se perguntando o que a amiga fazia com aquele tanto de roupa infantil.

Felicity, por que você está colocando esse tanto de roupa nessa mala? As gêmeas vão viajar? – Caitlin pega uma blusinha roxa com o desenho de um unicórnio.

Ah, April e Amily viajam toda hora para um lugar chamado: Corpinho maior. – Elas riem. – Gente, vocês não fazem ideia de como elas perdem roupa todo mês.

Ah, eu entendo. Kitty também está assim. Eu doei várias.

E é isso que eu estou fazendo também. Mike vai deixar em um orfanato para mim hoje, por isso estou colocando nessa mala.

Nossa, Lis, essa aqui tá praticamente nova. – Laurel mostra uma blusinha azul com uma bonequinha no meio.

Mas está. Se a April usou duas ou três vezes, foi muito. – A amiga balançou a cabeça, incrédula. – E Lyon? Ele perde muita roupa assim também?

Perdia muita quando ele era menor, mas agora está menos, graças a Deus. Se bem que ele já está com quase com sete anos, então não vai demorar para eu voltar a rotina de deixar malas como essa em orfanatos. Eu não olho o guarda-roupa dele á meses.

Peça ajuda ao Barry, Laurel. Lyon deve ter muita roupa que pode ser doada.

Você está certa.

Sabe aquele vestidinho da branca de neve que você deu para a Kitty? – Felicity assentiu. – Eu tive que doar semana passada.

Sério? Mas ficava tão lindinho nela.

Não servia mais, Lis. Assim como as gêmeas, a Kitty também está perdendo muita roupa durante o mês.

Bom, eu vou ter que sair com as gêmeas para comprar mais roupa. – As amigas riram. – Infelizmente isso só vai poder acontecer depois que a médica me liberar.

Não reclame, Lis, é para o seu bem.

Eu estou ficando louca. – E as amigas voltaram a rir. – Não aguento mais ficar trancada aqui. Eu preciso voltar a trabalhar.

Não diga isso nem de brincadeira. Oliver nunca deixaria. – Felicity bufou, tendo que concordar com Caitlin. Ele faria um escândalo, se ela tocasse naquele assunto. Mas mesmo assim, quando ficasse boa, e fosse liberada por Meredith, ela tocaria no assunto. E Oliver não teria para onde correr.

**--** **--**

Tommy olhou para as crianças pelo retrovisor, April estava ao lado de Lyon que estava no meio das gêmeas. Ela fazia uma careta, olhando para o bicho que estava dentro da caixa de vidro, que estava no colo de seu filho. Ele balançou a cabeça, imaginando a cara de Felicity e Laurel ao verem aquela coisa. Elas surtariam. Ele se perguntava o que tinha na cabeça de Ray Palmer para dar aquela coisa ao filho. Quase não acreditou quando chegou para buscar as crianças, e viu aquela caixa nas mãos de Lyon. Desviou os olhos quando viu seu filho passando a mão no bicho de estimação. Entrou no condomínio, estacionando o carro em seguida, avisando que haviam chegado. Tommy ajudou as gêmeas com as mochilas, e deixou que Lyon levasse aquela coisa. Ele queria mostrar para a tia. Apertou a campainha quando chegou no andar dos amigos, depois de digitar a senha.

Tommy. – Ela sorriu. Ele se perguntava se ela continuaria com aquele sorriso quando visse o que tinha nas mãos do sobrinho. – Entrem. Oi, meus amores. – Beijou os cabelos das três crianças, e quando se afastou de Lyon, que tinha sido o último a receber o beijo da tia, arqueou as sobrancelhas. – O que é isso?

É o novo amiguinho dele. – Tommy debochou.

Isso é uma tarântula? Aquela tarântula que eu fiquei sabendo que o... – Se interrompeu e o sobrinho assentiu.

O Killian pediu para eu cuidar, tia.

Por que?

Porque ele vai passar o final de semana na fazenda da tia Helena, e não vai poder levar ela. E ela precisa comer.

Hoje você fica com o seu pai? – Aponta para Tommy, que balança a cabeça.

Hoje eu vou ficar com a mamãe e o papai, porque eu ainda tô resfriado, e pode passar para a minha irmãzinha.

Oh, já faz uma semana que ela está sem o irmão... – Olhou para Tommy. – Ela deve estar dando um pouco de trabalho, não é?

Mais na hora de dormir do que qualquer outro horário. – Suspirou. – Mas nós não podemos arriscar.

Está certo. – E então ela começou a rir. – Eu queria poder ver a cara da Laurel quando ela ver essa tarântula nas mãos do Lyon.

Vai ser pior quando vê-lo passar a mão nessa coisa.

Ela é tão legal.

Eu não acho. – Amily diz.

Isso porque você é fresca. – Tommy e Felicity se olharam. – Você quer pegar, tia Lissy?

Não, querido. Eu passo. – Tommy riu. – Eu adoro cachorros, mas arranha não é a minha praia.

Mas não é uma aranha.

Para mim dá no mesmo. – Ela sussurra.

Vamos, filho? Ainda tenho que te deixar nos seus pais. – Ele assentiu, balançando a cabeça várias vezes.

Por que Barry não foi buscá-lo? Não era o dia dele?

Era, mas ele teve um imprevisto na empresa. – Se virou para o filho. – Se despeça, filho.

Tchau, tia Lissy. – Ela beijou os cabelos castanho claro.

Tchau, querido. – Tommy abraçou as gêmeas, e beijou o rosto de Felicity, antes de sair quando a amiga abriu a porta. – Vão com cuidado.

Não se preocupe, irmãzinha.

Tchau. – As gêmeas balançam a mão, e Lyon faz o mesmo segurando a caixa por alguns segundos com um braço só. April e Amily se viram para a mãe em seguida. – Mamãe, tô com fome.

Eu imaginei que falariam isso. – Diz rindo, fechando a porta.

**--** **--**

Eu soube que recebeu visitas hoje. – Oliver comenta, se sentando no sofá ao lado da namorada. Ela se encostou no corpo dele. – Cait e Laurel vieram aqui, não é?

Elas imaginaram que eu estivesse surtando, e vieram me fazer companhia. – Ele riu. – Ah, eu separei as roupas das gêmeas, e Mike já levou ao orfanato.

Não se cansou fazendo isso?

Eu estava sentada, Oliver. – Revirou os olhos. – Elas precisam de mais roupas.

Elas estão perdendo roupas demais.

Elas estão crescendo, é completamente normal. A Cait disse que está acontecendo o mesmo com Kitty. – O olhou. – Sabe aquele vestidinho da branca de neve que eu dei para ela á três meses?

Como não me lembrar? Você viu no manequim, e ficou toda encantada.

Pois é. Ela teve que doar.

Já? Essa menina está comendo o quê para crescer desse jeito? – Ela riu.

Não é? As gêmeas estão no mesmo caminho. Aquele vestido que elas ganharam da avó no natal, foi na mala hoje, junto de mais um monte de conjuntinho e vestidos. – Ele assentiu. – Por isso precisamos sair com elas para fazer compras.

Vamos ver isso quando Meredith te liberar.

Oliver, elas não podem esperar. Estão com pouca roupa no guarda-roupa. – Ele suspirou.

Tente fazê-las aguentar mais um pouco, meu amor. Eu não vou sair com você sem que Meredith autorize.

Tudo bem. – Diz depois de um suspiro alto. – Mudando de assunto, quando o Tommy veio trazer as gêmeas, adivinha o que tinha nas mãos do Lyon? – Ele deu de ombros. Felicity riu. – Uma caixa de vidro... – Ele arqueou as sobrancelhas, não compreendendo. – Com uma tarântula dentro.

Como é? – Oliver estava surpreso. – Essa tarântula é a mesma...

Ela mesma. A tarântula do Killian está com ele. E adivinha com quem ele vai ficar hoje? – Oliver riu.

Coitada da Laurel. – Felicity concordou. – Ela vai surtar. Queria ser uma mosquinha para ver essa cena. – E Felicity não pode deixar de rir, afinal, pensou o mesmo mais cedo. Oliver sorriu ao vê-la sorrir, e então a beijou, a deitando no sofá, ficando por cima, enquanto ao mesmo tempo que ela correspondia ao beijo.

Notas finais
Grupo WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/CQXDQJ1SQpN5OwBlydJpcR Gostaram? Esse capítulo foi leve, apesar da “discussão” do casal. A vida não é sempre linda, né? Por isso coloquei essa cena. O próximo terá bastante Olicity. Isso eu posso garantir, e acho que vocês vão amar. Ele está ficando perfeito. Estou amando escrevê-lo, esse vai ser um capítulo especial para mim, porque... Vou deixar vocês lerem para entenderem. Tenho certeza de que vão amar também. Não deixem de comentar, por favor, eles são importantes para mim. Aviso Importante: No primeiro final de semana de janeiro, será o chá de fralda da minha irmã. Minha primeira sobrinha. Não sabem como eu estava esperando por isso. Bom, o importante nesse aviso é que eu estou ajudando com praticamente tudo na festinha, já que minha irmã não tem muito tempo, trabalha o dia inteiro. Por isso eu só vou voltar com a atualização em janeiro. Eu quero que seja tudo perfeito, e por isso não vou poder atualizar as fic’s até lá. Eu peço que aguardem pacientemente. Desde já eu agradeço á todos. Fiquem com a prévia: A Felicity quer voltar ao trabalho na próxima semana, achei que seria uma boa ideia fazermos essa viagem. – Ela sorriu. Você não quer ficar mais alguns dias de repouso? – Felicity revirou os olhos. Eu esperei mais do que o suficiente. Estou bem e posso voltar ao trabalho. Pelo amor de Deus, já fazem dois meses que tudo aconteceu. Só fiz um comentário, maninha. É você que fica induzindo ele, não é? – Olhou para o namorado, que fingiu que ela não estava falando com ele. Eu estou induzindo quem? – Tommy arqueou as sobrancelhas, confuso. Não você, Tommy. Oliver. Ele que pediu para você dizer isso, não foi? – Oliver olhou para o aparelho, esperando o amigo responder. Eu não sei do que está falando. – Felicity bufou e bateu no braço do namorado. Felicity! – Ele retirou uma das mãos do volante para passa-la onde a namorada bateu. – Estou dirigindo.