Kupidon

64 Capítulo Quarenta e Três


Notas iniciais
Oi, pessoinhas, saudades de mim? Eu estava com muitas. Foi uma semana difícil para mim, viu. Só Deus na causa... Mas, aqui estou. Vou aproveitar que minha irmã e minha sobrinha estão no médico para postar. Capítulo cheio de tensão. Me pergunto se vão chorar como eu chorei, enquanto escrevia. Bom, vou deixá-los ler. Boa Leitura

MEIA HORA ANTES

Mike desligou o celular e olhou para a noiva de seu patrão. Ele não sabia porque ou quando começou, mas sentia um grande carinho pela loira e vê-la naquele estado, o machucava. Mike mais uma vez prometeu a si mesmo que deteria aquele homem. Ele pagaria muito caro por fazer aquela mulher doce, gentil, carinhosa, altruísta, agradável, encantadora... Se transformar em uma pessoa completamente vulnerável. Com medo de tudo e de todos. Sentindo-se impotente. Ela voltaria a ter uma vida tranquila. Isso, ele prometia a si mesmo.

— Está melhor? – Se aproximou. Ela assentiu. – Por que não disse que aquele homem era o Sheldon? – Ela o olhou, surpresa. – O senhor Queen se encontrou com ele.

— O que? – Se levantou do banco de madeira, desesperada, temerosa. – Ele não fez nada, fez? – Mike suspirou.

— Não. – Contou a ela o que o marido dela havia lhe dito pelo celular. Felicity estremeceu quando ouviu que Oliver ainda não sabia o que ele queria, vindo até G.M. – Não precisa se preocupar, ele não chegará perto de você.

— Fico preocupada com Oliver, Tommy e meu pai. – Mike não sabia o que fazer ou falar para tranquiliza-la, até porque, também estava preocupado. Ouviram Collin chamar e se viraram, encontrando todos os dezoito seguranças.

— O senhor Queen estava procurando pela senhora. – Felicity não reclamou dessa vez, não era hora.

— Já falei com ele. – Mike diz. – Mas agora temos que levar Felicity para um lugar seguro.

— Felicity? – Noah chama a atenção de todos.

— Eu pedi para que ele me chamasse assim. – Felicity se pronunciou.

— Isso não é hora para provocações, Noah. – Gregory, meio irmão de Collin, diz, mordaz.

— O que está acontecendo? – Eiden pergunta, curioso, e ao mesmo tempo, preocupado.

— O Sheldon está no prédio. – Mike diz de uma vez só, fazendo com que todos se surpreendessem. – Se apresentou com outro nome, mas não contou que o senhor Queen o reconheceria.

— Como? – Nick é o primeiro a se pronunciar.

— Encontrei uma foto dele nas coisas da minha mãe á dois dias. Oliver estava tão ocupado que se esqueceu de mostrar a vocês.

— Se esse cara está aqui, o que estamos esperando? Vamos pegar o maldito. – Nate diz, sentia a raiva crescer.

— Não podemos. – Todos olham para Mike.

— Por que? – Ethan e o irmão, Jayden, perguntam juntos. Nenhum deles compreendiam. Estavam esperando por essa oportunidade á meses.

— Estamos esperando por isso á meses. – Dimitri se pronuncia, demonstrando o quão inconformado estava.

— É a nossa chance, Mike. – Adam diz. Collin olha para Mike, parecendo compreender o amigo, apesar de também querer pegar o maldito.

— Ele pode não estar sozinho. – Mike começa a se explicar. – E o pior, têm pessoas inocentes no prédio.

— Droga! – Dylan exclama. – Mike está certo, é perigoso.

— Filho da puta! – Gregory rosna e parecia que os outros sentiam o mesmo.

— Ele está brincando com todos nós. – Andrew comenta, irritado.

— Vamos tirar Felicity daqui. – Collin se pronuncia. Noah o olha, em deboche, o outro finge não ver. E a provocação do outro só faz com que Dylan o ache cada vez mais suspeito. Não gostava dele.

— Vamos leva-la para um lugar seguro. Dois ficam aqui, para caso do senhor Queen precisar. – Mike ordena.

— Eu estou bem, agora. – Chamou a atenção dos seguranças. – Mas Oliver, Tommy e meu pai... Estão no prédio com ele.

— Eles ficarão bem. Noah e...

— Eu vou ficar. – Gregory o interrompe ao ouvir o outro nome. Ele também não gostava do outro, tinha as mesmas desconfianças que Dylan, que o olhou anuindo.

— Eu liguei para o Diggle, Felicity. – Ela olhou para Tyler. – Ele está chegando.

— Lucca, ligue para o pai do senhor Queen.

— O senhor Queen não disse nada sobre falar sobre isso com o pai dele, Mike. – Luke se pronunciou.

— Eu sei. Mas se algo acontecer... – Eles compreenderam.

— Tudo bem, então. – Felicity suspirou. – Vamos. – Assim que ela se virou, viu um homem saindo do prédio. Os outros também olharam para onde ela olhava, assustada. Ele a olhou, sorrindo maldoso, fez um até breve, com dois dedos da mão direita e entrou no carro preto, que o esperava.

— Era ele. – Dylan afirmou. – O desgraçado, era ele.

— Filho da puta. – Os irmãos, Adam e Andrew rosnam juntos. Aquele era um xingamento que Felicity tinha ouvido muito, mas não se importava.

— Isso é muito estranho. Ele não tentou nada... – Mike olhou para Eiden, concordando com o garoto de 18 anos.

— Muito estranho mesmo. – Diz, desconfiado. Os outros concordaram. De repente, todos ouvem um barulho alto, como algo explodindo. Quando Felicity ouve a sirene de alarme de incêndio, ela se assusta.

— Oliver. – Sussurra antes de correr para dentro do prédio.

— Felicity. – Mike diz antes de correr atrás da mulher, os outros o seguem.

**--** **--**

O coração de Felicity batia rápido. Ela só queria que as três pessoas importantes para ela, estivessem bem. Mesmo que Mike pedisse que ela não fosse, ela não desistiu. Eles subiam as escadas, correndo. Eles estavam preocupados. Pessoas poderiam ter se machucado de verdade com aquela explosão. Felicity ia na frente com Mike, Collin e Dylan atrás dela. Os outros viam atrás deles. Eles sabiam porque ela estava tão desesperada, o pai, o irmão e o marido estavam no último andar, de onde veio a explosão. Quando eles chegaram no andar, Mike puxou Felicity pelo braço, sem machuca-la.

— Você fica perto de mim. – Ela assentiu. – Luke, Nick, Nate, Ethan e Jayden, vão na frente. – Eles passaram por ele e Felicity.

— Pode ter pessoas feridas. – Dylan avisou.

— Mikaela. – Felicity diz.

— Quem? – Philip a olha.

— A secretária do meu irmão. – Ele assentiu e entrou. – Acha que Oliver pode... – Mike a interrompeu.

— Ele está bem.

Diz sério, dando-lhe tranquilidade. Ela assentiu, e então ambos entraram. Os equipamentos que ficavam no teto, ainda jorravam água, e por isso eles estavam ficando ensopados. Felicity não conseguia enxergar quase nada. A sala estava muito escura. Felicity tosse algumas vezes, olhando em volta, tentando ver alguma coisa; o que era impossível.

— Achei uma moça. – Tyler foi ouvido.

— Mikaela. Só pode ser ela.

— Leve-a para fora daqui, Tyler. Ela pode precisar de uma assistência médica. – O homem saiu. – Tomem cuidado com destroços. – Felicity, então, sentiu duas coisas, alívio e medo. Alívio, por encontrar Oliver, e medo, por não saber se ele estava bem, por isso correu até onde ele estava. Mike a seguiu.

— Encontrei o senhor Merlyn. – Felicity olhou para onde veio a voz.

— Meu pai?

— Não. – Ethan respondeu.

— Como meu irmão está?

— Ele está com um machucado na testa, mas está respirando. – Ela sentiu alívio. – Vai precisar de atendimento médico.

— Eu achei seu pai. – Dylan gritou e logo outros cinco estava ao lado dele. – Mas não sei como vamos chegar até ele.

— Calma. – Mike diz quando ela se desespera, quando não sente a respiração do marido. – O senhor Queen está bem, parece que só machucou a cabeça... – Ela assentiu, sentindo os olhos lacrimejarem. – O que houve com a sala do CEO?

— Está..., parcialmente destruída. – Collin arqueou as sobrancelhas.

— Tentou acordar o Merlyn? – Brandon se abaixa ao lado do amigo.

— O pulso dele está fraco. – Logan, primo de Brandon, sussurra.

— Seu irmão parece estar bem... – Jayden volta a dizer, chamando a atenção de Felicity. – Mas é como eu disse, ele precisa de um médico. A testa está sangrando muito.

— Então temos que levá-lo para fora do prédio. – Mike diz, ainda olhando para o rosto de Oliver, vendo se ele tinha mais algum machucado.

— Eu tive uma ideia. – Collin diz de repente. Dylan se aproximou do amigo. – Vou precisar de uma corda.

— Como assim uma corda? – Felicity pergunta desesperada.

— Bom... – Eles não sabiam como contar a ela.

— Para que precisa de uma corda, Collin? – Ela pergunta, quando ninguém a responde. Os seguranças que estavam ao lado de Collin, se olham. Eles não queriam que ela se desesperasse, ou que se preocupasse.

— Seu pai está no andar de baixo.

— O que? – Grita, em desespero.

— Noah. – Todos o repreenderam.

— O quê? Ela perguntou, e vocês ficam enrolando para responder. – Gregory fechou as mãos em punhos. Estavam tentando não assustar ainda mais a esposa do patrão deles, e o imbecil, faz exatamente isso. Felicity se levanta desesperada.

— Ele..., ele está no andar de baixo? – As lágrimas, que antes ela estava tentando conter, começaram a descer.

— Você é um idiota.

— Greg, não está na hora para isso. – Repreendeu o meio irmão. – Me arranjem uma corda.

— Mas e as escadas? – Luke se pronunciou.

— Não vai dar para chegar lá. Olha como essa parte da sala foi totalmente destruída... – O outro suspirou.

— Collin, você pode cuidar disso? – Mike perguntou.

— Eu vou ajuda-lo. – Dylan diz.

— Eu também vou. – Gregory se faz ouvir.

— Eu vou com você, Mike. – Collin, Gregory, Ethan e Dylan olham para Noah.

— Você sempre foge do trabalho pesado, não? – Dylan provoca. Mike reprime um revirar de olhos. Será que entendiam que aquilo não era hora para provocações? Bufou.

— Noah, você fica. – Mike diz, ao perceber que Gregory e os outros dois que estavam perto dele, não tinham gostado de saber que Noah o acompanharia.

— Por que?

Porque eu estou mandando. – Retrucou, começando a se irritar. – Os outros vem comigo. Jayden, consegue carregar o Merlyn?

— Eu o ajudo. – Brandon diz, já ajudando o outro a levantar Tommy.

— Ótimo. Dimitri, me ajuda com o senhor Queen. – Ele olha para Felicity. – Collin e os outros vão ajudar seu pai, mas nesse momento, precisamos tirar o senhor Queen e o senhor Merlyn daqui. – Ela assente, com os olhos lacrimejados. – Eles ficarão bem.

— Beleza. – Felicity olha para Collin, quando ele se pronuncia. – Vou descer. – Antes de fazer isso, ele olha para Felicity. – Não se preocupe, em algumas horas saímos daqui com seu pai.

— Obrigada. – Ela diz olhando para cada um dos seguranças, antes de seguir Mike, Brandon, Jayden e os outros seguranças escalados para fazer a sua segurança.

**--** **--**

Felicity esperava por notícias. Os pais de Oliver, sua madrasta, sua irmã e seus amigos estavam ao seu lado. Estavam todos preocupados, em especial Felicity e Caitlin. Seu pai não demorou muito a chegar ao hospital, mas mesmo assim ela temia que algo de grave acontecesse. Aconteceu uma explosão. E seu pai foi o mais afetado. Ela pôde ver melhor, depois que estavam fora daquele prédio. Seu marido e irmão tinham escoriações, e a testa de ambos sangrava. Tommy tinha um corte na perna direita, e Oliver parecia ter um no abdômen. Aparentemente estavam bem. Aparentemente. Ela queria ter certeza. E ninguém aparecia para dizer como estavam. Seu estômago revirava. Parecia que tinha uma montanha russa dentro dele, e ela não conseguia suportar aquela vontade inusitada, e horrível de vomitar. Ela queria muito segurar, mas não foi capaz. Todos observaram quando ela correu para onde ficavam os banheiros. Mike foi atrás, junto de Gregory. Eles precisavam cuidá-la, afinal de contas. Os outros estavam espalhados pelo hospital; dentro e fora dele. Felicity conseguiu apenas se abaixar para colocar tudo para fora. Tossiu algumas vezes, e voltou a jogar para fora tudo que comeu naquele dia. Bateu duas vezes na beirada do vazo, tentando respirar melhor, tentando fazer passar aquela ânsia. Ela ouviu passos, mas não olhou para trás. Tentava regularizar a respiração, com os olhos fechados.

— Lis? – Era Laurel. Ela reconheceu a voz.

— Um minuto. – Continuou do mesmo jeito. A vontade de chorar parecia querer voltar.

— A médica apareceu. – Felicity abre os olhos imediatamente, e olha para a amiga. – Eles estão bem. Tommy e Oliver, pelo menos.

— Como assim? – Sua voz saiu embargada.

— Malcom ainda está na sala de cirurgia. – Felicity balança a cabeça de olhos fechados. – Mas ela vai verificar o estado dele.

— Uhum.

— Disseram que você pode ver Oliver. – Felicity volta a abrir os olhos. – Estavam esperando-o sair da anestesia para poder vir te chamar. – Ajudou a amiga se levantar.

— Então ele está bem? Ele está acordado?

— Está. Ele chamou por você.

— Quero vê-lo. – Laurel assentiu e a puxou pela mão, delicadamente. – Cait está com o Tommy?

— Está sim. Ela acabou de ir para o quarto dele, junto da Rebecca. – Elas viram Mike e Gregory seguindo-as, mas não se importaram. – Moira e Robert foram ver o filho, enquanto eu vinha te buscar.

— Eu..., pensei que o pior tinha acontecido quando tudo explodiu. – Laurel se colocou na frente da amiga.

— Ei, está tudo bem agora. Seu pai ficará bem também. – A loira assentiu. – Não se culpe, está bem?

— Se alguma coisa tivesse acontecido ao Oliver..., ao Tommy, ao meu pai... – As lágrimas voltaram aos olhos. – Eu não me perdoaria. Nunca. Ele quase matou as pessoas que eu amo, Laurel. Ele estava lá..., como se..., como se nada estivesse acontecendo. Como se ninguém estivesse atrás dele... – Laurel colocou ambas as mãos no rosto da amiga.

— Ele é um maldito que está querendo mexer com a sua cabeça. Ele fez tudo isso, porque sabia que te deixaria nesse estado. – Passou os dedos no rosto, como em um carinho. – Ele quer atingir Oliver, por você. Quer atingi-lo..., porque acha que Oliver é culpado de você não estar com ele. Essa é a mente doente desse cara. É assim que ele pensa.

— Eu sei. E dói saber que por minha culpa...

— Felicity, a culpa não é sua. – A cortou. – Pare de ficar se martirizando. Se culpando por algo que aquele desgraçado fez.

— Minha esposa está certa. – Elas olham para o lado, encontrando Barry com as mãos nos bolsos. – Quando é que vai parar de fazer isso? – Balançou a cabeça, se aproximando. – Cooper agi dessa forma, sabendo que você ficaria assim, desesperada, se culpando. Ele é um maldito que gosta de usar seu ponto fraco. E nesse caso, é o Oliver e a sua família.

— O que nos inclui. – Laurel completa.

— Não o deixe ganhar, Lis. Não deixe ele te manipular. – Felicity respirou fundo, e assentiu. Eles estavam certos. Ele ganharia, se sentisse dessa forma. Ele estava usando tudo contra ela, inclusive a culpa que sentia com tudo que ele fazia.

— Okay. Estão certos. – Balançou a cabeça, limpando as lágrimas. – Não vai adiantar eu me sentir assim.

— Não vai mesmo.

— E Oliver ficaria chateado se visse você dessa forma. – Barry completou.

— Quer vê-lo agora?

— Quero. Eu preciso. – Os amigos assentiram.

— Levamos você.

**--** **--**

Quando Felicity abriu a porta, os sogros já não se encontravam ali. Seu marido tinha os olhos fechados, parecendo estar dormindo. Não era nada anormal para ela. Seus amigos disseram que ele dormiria muito por conta da anestesia forte. Por causa do enorme corte no abdômen, tiveram que costurar. Mas ele estava bem, apesar de tudo. De longe ela pôde ver o corte no supercílio, e um no canto da testa. Ainda da porta, ela olhou para o monitor ao lado. Ele estava bem. Ela dizia a si mesma. Tentava conter aquela vontade de chorar novamente. Ela teve um medo tão grande de perdê-lo. De perder seu irmão e seu pai. Eles eram sua família. O que faria se Cooper tivesse conseguido machucá-los seriamente? Ela não conseguiria se perdoar. Nunca. Era como tinha dito à amiga. Ela amava tanto aquelas pessoas, que se algo pior acontecesse, se algo como o que houve com sua mãe, acontecesse com algum deles, ela perderia o chão. Não tinha certeza se conseguiria seguir em frente. Não uma segunda vez. Uma voz fez com que despertasse de seus pensamentos.

— Baby. – A voz rouca, baixa e do homem que amava, foi o que a trouxe de volta. Os olhos dela lacrimejaram, e ela não conseguiu impedir que algumas das lágrimas descessem por seu rosto. – Ei...

— Oliver. – Ela correu até ele, e o abraçou, com cuidado para não o machucar. Mesmo conectado aquela máquina, ele a abraçou de volta, beijando os cabelos loiros. – Me desculpa.

— Não foi sua culpa. – Beijou os cabelos mais uma vez. – Não foi. Foi de uma única pessoa, e ela não é você. Não fique se martirizando. – Ela se lembrou do que os amigos disseram a pouco.

— Eu fiquei com medo.

— Eu sei. – Ele franziu o cenho, sentindo uma pontada, mas não disse nada. Ele não queria soltá-la, ou deixá-la preocupada. – Eu estou bem. Estou vivo. – Sussurra a última frase.

— Se alguma coisa tivesse acontecido...

— Baby, olha para mim. – Ela o fez. – Eu não quero que fique pensando no “se”. Não quero que se culpe..., okay? – Ela balançou a cabeça. – Eu já esperava que ele fosse fazer alguma coisa.

— Eu também senti, quando ele foi embora.

— Ele te viu, quando estava indo embora?

— Viu. Eu estava com os seguranças. – Se sentou na maca, sem largar a mão esquerda do marido. – Ele acenou com dois dedos, e entrou em um carro preto. Em seguida o prédio explodiu.

— Como estão as outras pessoas?

— Ninguém se machucou seriamente. Só o andar da sala do meu irmão explodiu, e não foi todo ele. Meu pai foi parar no andar debaixo.

— Meu pai me disse. – Começou a acariciar a mão dela. – Eu e Tommy fomos jogados assim que a sala explodiu. Eu perdi a consciência...., mas me lembrou de tentar me levantar, antes de desmaiar.

— Ainda bem que não o fez, ou seria pior. – Afundou o rosto no pescoço do marido. – Meu pai ainda não saiu da cirurgia.

— Ele vai ficar bem.

— E se eu perder ele também? – Ele viu mais lágrimas descerem pelo rosto pálido, quando ela o olhou. – E se ele não conseguir...

— Para. – A cortou. – Não pense assim. Ele está sendo operado, estão cuidando dele, amor..., ele ficará bem. – Passou a mão direita no rosto dela. – Nós todos ficaremos bem.

**--**

Felicity não deixou aquele quarto nem por um minuto. Ela ficou o tempo todo com o marido. Todas as horas do dia. Os amigos já estavam brigando com ela, mas ela não ouvia, nem mesmo ao marido, que insistia que ela fosse para casa descansar. Não. Ela não faria isso. Seu pai estava em coma induzido até que o inchaço da cabeça diminuísse, seu irmão tinha uma perna engessada, e seu marido ainda tinha que ficar mais alguns dias em observação, então era ali mesmo que ela ficaria. Caitlin faria o mesmo, se não tivesse Kitty, que sentia sua falta. Ela ia para casa durante o dia, e deixava Rebecca com o filho, às vezes até mesmo Barry, e voltava para dormir com ele. As gêmeas sentiam falta dos pais, mas compreendiam que o pai precisava ser observado, e a mãe não conseguiria ficar longe dele. Elas já tinham quase sete anos, não eram mais bebês; era o que elas falavam sempre. Já haviam se passado uma semana, e naquele dia, Felicity e todos os outros receberam a notícia de que acordariam Malcom. O tiraria do coma. Ele estava melhor, graças a Deus.

— Você quer ir ver seu pai? – Ouviu o marido lhe perguntar. – Você pode ir, eu posso ficar algumas horas sozinho.

— Não. Eu vou quando Barry chegar. – Ele sorriu. – Não quero te deixar sozinho. E também..., estou com medo do que pode acontecer, quando meu pai acordar.

— Ei. Ele vai ficar bem. – Volta a dizer. – Ele vai acordar, e vai estar tudo normal.

— Normal. O que é normal para nós?

— Felicity. – Ela suspirou ao ouvir a repreensão.

— Eu não aguento mais isso. – Ele apertou a mão dela. – Eu preciso de paz. Só isso. Será que é pedir muito? – Pergunta, revoltada. – Eu quero viver em paz. Eu quero poder sair de casa, sem ter medo. Quero poder ir até a próxima rua, sem ter dez seguranças na minha cola. Não é que eu não goste deles, eu gosto, mas...

— Eu entendo.

— Eu não posso nem mesmo... – Ela parou de falar. – Esquece.

— Não. Termine de falar. – Ela balança a cabeça. – Felicity. – Ele a fez olhar em seus olhos. – Me diz. – A esposa volta a desviar os olhos, mordeu a parte interna da bochecha, fincou as unhas na palma da mão livre.

— Não posso nem mesmo te dar os filhos que você sonha ter. – A voz dela saiu embargada. – Por causa dessa vida desgraçada...

— Ei. – Ele a corta, rouco. – Não diga isso. Não chame desgraça para nossa vida. – Ela deu uma risada anasalada, totalmente revoltada.

— Ela já é. – Ele balança a cabeça. – Olha em volta, Oliver. Minha vida nunca vai ser diferente. Cooper vai estar sempre infernizando a minha vida, a nossa vida. Ele não vai nos deixar em paz. Eu não aguento mais isso. – A voz dela fica alterada, e Oliver a deixa desabafar. – Eu não sei quantas vezes parei em um hospital, ou que um de vocês parou por culpa dele. Quantos mais irão se machucar? Vocês estão sempre dizendo que a culpa não é minha, dizendo que eu não devo me culpar..., dizendo que preciso ter fé. Como é que eu posso ter fé? Como? Se eu não posso ter uma vida normal.

Ele a puxa para ele, e a deixa chorar em seu peito. Ela chorava alto, e soluçava, desesperada, revoltada, indignada. Ela se perguntava o que tinha feito para ter aquela vida. Ela tinha aquelas pessoas, mas por quanto tempo? Cooper estava machucando cada um deles. Dessa vez até seu pai esteve entre a vida e a morte. Oliver passava carinhosamente, as mãos nas costas da esposa, tentando acalmá-la.

— Eu sei que é difícil, okay? Eu entendo sua revolta, e compreendo que não aguente mais essa perseguição. Que não suporte passar por todas essas coisas..., eu entendo, amor, mas você precisa sim ter fé. Mesmo com tudo o que está acontecendo. É aí mesmo que você tem que manter sua fé acesa.

— Eu não tenho fé em mais..., nada. – Ela diz alterada. – Não consigo nem mesmo orar, Oliver. Não o ouço como antes. Não consigo falar com Ele.

— Eu entendo. Eu realmente entendo, amor. – Ele passou a mão em um dos lados do rosto dela, carinhosamente. – Mas pense bem..., estamos vivos. Você perdeu a sua mãe? Perdeu. Mas eu tenho certeza de que ela está lá em cima cuidando de você. Cuidando de todos nós. – A esposa soluçou. – Você quer gritar, desabafar? Tudo bem, totalmente compreensível. Eu vou ouvir você sempre que precisar. Mas não guarde nada para você. Nada. Estou aqui para te ouvir, te ajudar, te dar conselhos..., te apoiar. – Ainda soluçando, ela levantou a cabeça para olhar nos olhos azuis do marido. – Sempre e pra sempre.

— Sempre e pra sempre. – Repetiu com a voz embargada, e então Oliver a puxou para outro abraço, dessa vez ela tinha o rosto apoiado no pescoço dele, e ele tinha o rosto enterrado nos cabelos loiros.

**--** **--**

— Papai. – Ele sorriu quando a viu.

— Pensei que não viria me ver. – Ela se aproximou e o abraçou.

— Estava com Oliver. – Ele pôde perceber a voz embargada.

— Como você está? – Ela o olhou, e ele viu os olhos lacrimejados.

— Pensei que ia perder você também.

— Não mesmo. Vai ter que me aguentar por muito anos. – Ela deu um sorriso fraco. – Fiquei preocupado com você.

— Comigo? Mas eu estava melhor que o senhor.

— Cooper estava no prédio.

— Mike e os outros não deixariam nada me acontecer. – Malcom não pôde retrucar. – Me desculpa.

— Felicity... – Suspirou. – Por favor, não se culpe.

— Todos já me disseram isso, mas não consigo. Ele quase tirou você de mim. Meu irmão, Oliver..., ele não vai para até conseguir o que quer.

— Ele não vai colocar as mãos em você. – Passou a mão no rosto da filha. – Nenhum psicopata maldito vai machucar minha filha. Você antes não tinha um pai para te proteger..., agora você tem. – Ela voltou a abraçá-lo.

— Não quero que nada aconteça com você.

— Não se preocupe.

— Não quero perder você como eu perdi a mamãe. – Ele respirou fundo, ouvindo o soluço de sua filha. – Eu não sei o que farei se ele tirar você de mim também.

— Isso não vai acontecer. – O olhou.

— Como pode ter certeza?

— Eu tenho filhos e netos para ver crescer..., não vou a lugar algum. – Ela soluçou – Por favor, está bem, não fique pensando nisso. – Limpou as lágrimas que desciam pelo resto pálido. – E não chore. Não quero ver minha filhinha chorando.

— Eu pensei que já tinha esgotado minhas lágrimas, mas parece que não. – Entortou a boca. – Não consigo parar de chorar. – Ele acariciou o rosto dela com ambas as mãos.

— Você está pálida. Está comendo bem? – Ela desviou os olhos. – Felicity. – Repreendeu.

— Não consigo. Tudo que eu como..., faz meu estômago revirar. – Malcom franziu o cenho. – Minha preocupação com todos vocês..., essa culpa que me consome...

— Então pare. Imediatamente. Eu não quero você doente novamente. Eu quero que vá para casa descansar.

— Não. Não vou deixar vocês aqui, muito menos Oliver.

— Você é tão teimosa.

— E o senhor não é não, né? – Retrucou em murmuro.

— Prometa que vai pelo menos comer melhor. E que vai avisar se passar mal.

— Prometo. – Volta a murmurar, mesmo que não fosse cumprir o último pedido.

**--**

Felicity tentava não fazer barulho enquanto vomitava tudo que comeu no café da manhã. Sabia que não deveria te comido, mas o que podia fazer? Ela havia prometido ao pai. O que estava acontecendo com ela? Ela não estava compreendendo. Tinha colocado na cabeça que ela ficaria melhor assim que todo aquele estresse passar, ela não mais vomitaria os rins. Era horrível. Ela vomitada o dia todo. Chorava o dia todo. Sentia um medo aterrorizante o dia todo. Tudo culpa dele. Oliver dormia ainda, por isso não havia perigo. Aquilo estava acontecendo desde o acidente. A única hora do dia que ela não passava mal era de noite. E ela agradecia aos céus. Felicity se perguntava se o pai ficaria chateado e decepcionado se soubesse que ela estava escondendo aquilo de todos. Do marido, dos amigos, dos médicos, dele. Suspirou. Era complicado viver aquela vida de montanha russa. Se levantou, ao perceber que a ânsia e a fraqueza haviam passado, e caminhou até a pia, onde lavou a boca e o rosto. Precisava estar bem para quando o marido acordasse. Ele tinha percebido sua palidez, e tinha ficado preocupado. Precisava fazer isso passar. Saiu do banheiro e encontrou os olhos azuis, totalmente preocupados. Droga, foi a primeira palavra que passou por sua mente. Ela não queria que ele ficasse daquele jeito, ou percebesse que tinha algo de errado.

— Bom dia. – Tentou aparentar que estava tudo bem.

— Você quer me dizer o que está acontecendo? – Ele não disse bom dia, ela pensou. – Você anda pálida, anda passando mal, que eu sei..., e não tem comido bem.

— Não é nada demais.

— Felicity, tem alguma coisa errada. Eu sei disso.

— Não tem, já disse. Eu comi algo que não fez bem ao meu estômago. Só isso. – Mentirosa, seu subconsciente gritou.

— Eu sei que está mentindo.

— Não estou não. Oliver, eu estou dizendo, comi algo estragado. – Ele balançou a cabeça. – Não quero que fique preocupado.

— Então não me esconda as coisas, porra. – Ela engoliu em seco. Fazia muito tempo que ele não falava daquele modo com ela. Aconteceu uma vez, quando ele ficou com ciúmes de Mike. – Eu percebo tudo, Felicity. Principalmente quando tem a ver com você. Eu sei quando tem algo de errado. Eu aprendi a saber isso. – Ela suspirou. – Me diga de uma vez.

— O estresse que houve comigo, não tem me feito bem. Eu tenho passado mal. – Ele franziu o cenho. – Mas eu estou tentando comer coisas leves.

— Tem adiantado? – Ela entortou a boca, e ele não gostou. – Você vai para casa.

— De jeito nenhum. – Responde imediatamente. – Não vou deixar você. Não mesmo.

— Não é um pedido.

— Não vou receber ordens, Oliver. – Cruzou os braços.

— Você por acaso quer me deixar louco? – Gritou, e logo em seguida gemeu ao sentir dor.

— Oliver. – Se aproxima, preocupada.

— Não. – Colocou a mão entre eles. – Eu não vou ver você passando mal, e não fazer nada. Eu não vou deixar você continuar dormindo aqui, sendo que você não tem estado bem.

— Mas, eu não quero ir para casa.

— A questão é essa. – Altera a voz mais uma vez. – Porra, será que não compreende a situação? Você vai ficar doente, Felicity. E aí, serão ambos os pais de Amily e April no hospital. – Os olhos dela lacrimejaram. – Eu sei que quer ficar aqui..., e eu entendo o porquê... – Respirou fundo. – Mas eu não vou deixar você se destruir.

— Eu quero ficar aqui, Oliver. – Ela soluça. – Não me obrigue a ir para casa, por favor.

— Eu vou ligar para o Barry.

— Não faz isso. Por favor, estou te implorando. – Ele pega o celular. – Oliver. Oliver, me escuta. – Ela altera a voz. – Eu vou comer melhor. Eu vou, mas por favor...

— Estou tentando cuidar de você. – Rosna. – Inferno. – Grita ao sentir dor, e então vê a blusa manchada de sangue.

— Não. – Diz preocupada, ao ver o sangue. – Eu vou chamar a médica.

— E eu vou ligar para o Barry. – Diz quando ela corre até a porta para gritar pela doutora.

— Mas o que raios você fez? – A doutora pergunta, franzindo o cenho.

— Abriu os pontos. – Murmurou, com o celular na orelha.

— Guarde isso.

— Vou fazer isso em um minuto. – A mulher revirou os olhos.

— Oliver, eu não vou para casa. – Ele a ignorou. – Oliver, eu não vou. Barry vai ter que me levar arrastada.

— Ele precisa descansar, e você está cansando-o. – Felicity não olhou para a médica.

— Se for para ser assim, então que seja. – Ela o olhou surpresa. – Estou fazendo pelo seu bem. E se você não quer cuidar de si mesma... – Ele franziu o cenho ao sentir a agulha em sua pele. – Então eu cuidarei de você.

— Está sendo exagerado.

— Exagerado? Você anda vomitando, Felicity. – A médica olhou para a loira ao seu lado. – Não anda comendo bem. Não anda nem mesmo dormindo bem. – Olhou para as mãos da médica que o costurava novamente. – Você.vai.para.casa. – Diz pausadamente, quase em um rosnado. – E isso está fora de ser questionado.

**--** **--**

— Até quando vai ficar com essa cara? – Barry pergunta enquanto fazia o almoço.

— Você podia ter me apoiado. – Ela comia um cacho de uva, uma caixinha de morangos, e calda de chocolate.

— Apoiar você? Depois do que ele me contou? Está brincando? – Bufou. – Você ia deixá-lo louco. – Se voltou para o fogão. – Está passando mal, e quer ficar lá. Você por acaso perdeu o juízo? – Ela revirou os olhos e molhou o morango na calda. – Ele gritar com você foi pouco.

— Obrigada. – Ironizou.

— E ainda acha que está com a razão?

— Mas eu disse que ficaria bem.

— Como se sua palavra andasse valendo alguma coisa. – Ela o olha indignada, bem na hora em que ele a olhava. – Eu estou certo. Você está errada. Anda mentindo para ele. De novo.

— Não queria preocupá-lo.

— Ajudou muito. – Debochou.

— Grosso. – Murmurou baixo, mas ele ouviu.

— Não estou sendo grosso, estou sendo sincero. E se você não gosta, amiga, sinto muito. – Ela fez um bico, e voltou a molhar, dessa vez, a uva na calda. – Ele abriu os pontos, Felicity. Sentiu uma dor desgraçada, com certeza.

— Eu não fiz de propósito. E foi ele quem começou a gritar.

— Porque você estava escondendo dele que estava passando mal. E quanto tempo isso vem acontecendo? – Ela não respondeu, continuou a comer. – Estou perguntando, Felicity.

— Você vai me dar um sermão também?

— Está parecendo uma criança. – Revirou os olhos. – E se não me respondeu, quer dizer que faz tempo. Oliver está naquele hospital á quase duas semanas. É esse o tempo?

— Não quero mais falar sobre isso.

— Porque não te convém.

— Por que está sendo tão grosso? – Ele a olhou, sério.

— Porque você está deixando todo mundo preocupado. Porque quase deixou Oliver louco, porque mentiu para ele e para o seu pai. Porque Tommy ficou sabendo sobre você estar passando mal, e ficou preocupado. Será que não pensa que o que faz, atinge os que ama?

— Eu sei disso.

— Não parece. – Retrucou. – E você não deveria estar comendo isso, sendo que não almoçou.

— Eu vou almoçar.

— Eu acho bom, ou vou chamar Caitlin para enfiar comida em você via oral. – Ela olha indignada mais uma vez. – E não adianta ficar chateada, ou nada parecido. Estou cuidando de você, já que você não gosta de cuidar de si mesma.

— Isso não é...

— Verdade? – A cortou. – Tudo bem que o aconteceu foi desesperador. Eu compreendo que você tenha passado por coisas horríveis ultimamente, mas ficar fazendo coisas que podem te deixar doente..., não vai ajudar em nada. E nem ninguém. Na verdade, vai deixar todos mais preocupados do que de costume. Então deixe de ser uma irresponsável, e crie vergonha na cara. Oliver já está no hospital, ele não precisa se preocupar com você estando no quarto ao lado do dele. – Laurel entrou no cômodo e sentiu o “ar”. Não estava nada bom, ela pensou.

— O que está acontecendo?

— Seu marido me chamou de irresponsável, e mandou eu criar vergonha na cara.

— E isso foi porquê...

— Porque Felicity estava passando mal, e escondendo isso de todos. – A amiga o fuzilou.

— Não acredito. Por isso Oliver mandou que Barry te buscasse? – A amiga não respondeu. – Felicity. – A repreendeu.

— Eu não queria preocupar ele, Laurel. E eu estava tentando controlar meu estômago.

— Primeiro, você errou e feio, segundo, controlar seu estômago? – Sua voz saiu descrente. – E terceiro, você mereceu o que meu marido disse a você. – Ela cruzou os braços.

— Será que todos vão me dar sermão hoje?

— Se prepare, porque Helena está chegando. Ela vai almoçar com agente.

— Você contou para ela...

— Que você escondeu coisas importante do seu marido, e que você o fez estourar os pontos?

— Você fez o que? – Laurel não estava sabendo daquela parte. Felicity suspirou. Aquele dia estava sendo um inferno.

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— Sabe o que você merecia? – Suspirou ao ouvir Helena. – Uns tapas. E outro sermão.

— E você já não está dando?

— Olha, Felicity, eu sei que você passou por coisas realmente preocupantes, e que deixaria qualquer um maluco..., mas você não podia ter feito o que fez.

— Você não podia ter escondido isso de ninguém.

— Não queria...

— Não dê a mesma explicação, por favor. – Laurel pede.

— Ninguém me entende. O Oliver gritou comigo. E eu não tive culpa de ele ter estourado os pontos.

— Não? Você que o fez ficar irritado. – Ela cruzou os braços. – Realmente não se importa?

— É claro que eu me importo. – Retruca. – Eu me importo. Por isso não queria deixá-lo sozinho. Por isso queria ficar com ele..., e ele me expulsou.

— Ele está tentando cuidar de você. – Helena diz.

— Eu sei, mas..., eu não fiz na maldade, gente, me entendam. Vocês não sabem como é difícil para mim, ter um psicopata atrás de mim, fazendo todos que eu amo se machucar.

— Felicity, não estamos dizendo isso...

— Eu escondi porque Oliver não podia se exaltar. A médica disse que ele precisava de repouso, e bastante cuidado com os pontos. Ele precisava de cuidados, e não preocupações. – Se levantou. – Vocês sabem como eu me sinto toda vez que ele machuca um de vocês? Sabe como eu me senti quando meu irmão, meu pai e meu marido foram o alvo dele? Eu me senti culpada. E não digam que não sou, porque eu o trouxe para a vida de todos vocês. – Desabafa. – Todos ficam me criticando por eu esconder meu mal-estar..., será que não podem entender que eu não queria deixar Oliver preocupado, e queria que ele saísse logo daquele hospital? Eu não pensava só em mim, eu pensava nas gêmeas também. Elas estavam sem mim e sem Oliver... – Balançou a cabeça, tentando se impedir de chorar mais uma vez. – Minha vida está como uma montanha russa. Uma droga de uma montanha russa. Um dia estamos bem, outro dia não, outro dia..., alguém que amo é explodido, ou levando um tiro..., ou sendo jogado para fora do carro. – Se lembrou da mãe. – Essa é a minha vida. – Grita. – Como é que meu corpo não sentiria essa merda de montanha russa? Como é que eu não sentiria todo esse peso no meu corpo? Tudo isso que está acontecendo..., vocês não sabem... – Respirou fundo quando sua voz embargou. – Vocês não sabem o que é isso. Não estão na minha pele. – Saiu da sala a passos pesados, e subiu as escadas. Os outros se olharam.

— Acho que pegaram pesado. – Ray se pronuncia pela primeira vez, desde que começou ouvir os amigos a contar sobre a discussão de Oliver e Felicity naquela manhã. – Ela está passando por coisas demais ultimamente.

— Estou começando a me arrepender. – Barry diz.

— Eu já estou arrependida. – Laurel diz em seguida. O que ninguém percebeu, foi que Lyon, a única criança acordada àquela hora da tarde, ouviu cada palavra dita, e além de confuso, ele ficou preocupado com a tia preferida dele.

Notas finais
Quem chorou? Eu quero saber, viu? Perceberam que Felicity está sentindo o tão insuportável hormônio de grávida. Além disso... O que ela passou não é fácil... Ainda mais estando nesse estado sensível. Espero por comentários. Não sei quando volto com o próximo... Mas espero não demorar muito. Até o próximo Kissus