Kupidon

69 Capítulo Quarenta e Sete


Notas iniciais
Estou de volta finalmente! Gente, foi difícil ficar sem postar por esses dias, viu. Pior ainda, não conseguir escrever, por conta do óculos. Quase surtei. Só acho que não foi mais que vocês, né? Bom, o importante é que estou de volta. Mas orem aí, porque estou com um bloquei insuportável. Se Deus quiser, conseguirei escrever hoje. Antes de tudo, gostaria de agradecer á IgotDrew do blog Smile Edits, pela betagem. Não poderia deixar de citá-la, afinal, foi ela quem teve o trabalho de organizar o capítulo para mim. Bom, não vou enrolar vocês mais não. Já deixei vocês esperando demais, né? Boa Leitura!

Felicity respirou fundo colocando a mão na maçaneta. Fechou os olhos sentindo um nó na garganta, ela sabia que aquilo iria acontecer. Ela tinha dito ao marido, mas ele achou que estava sendo pessimista. Deu o que deu, como ela imaginou.

A mulher abriu os olhos e girou a maçaneta em seguida para encontrar o interior do quarto infantil. Olhou para os três berços que estavam um ao lado do outro. O quarto tinha sido decorado por Oliver, com a ajuda de Tommy e Barry.

Entrou no cômodo se aproximando de um macaquinho lilás que estava em cima da grade de um dos berços. Seus olhos lacrimejaram. Ela nunca seria mãe. Nunca. Ela tinha perdido dois bebês, e agora... Perdeu os três de uma vez.

Não era justo.

As lágrimas que ela segurava desciam pelo rosto alvo. O quarto seria desmontado, as roupinhas não seriam usadas, não pelos filhos dela, pelo menos. Não perdeu seus filhos por pensar negativamente, os perdeu porque não era para ela ser mãe. Ela não nasceu para aquilo.

Ouviu o barulho da porta sendo aberta, mas não se virou. Ela cheirava a roupinha, abraçando-a com os olhos fechados.

— Eu sabia que isso aconteceria. – Sussurra. – Mas eu queria tanto vocês...

— Felicity... – Ela ouviu o marido chamar, mas não se pronunciou. – Meu amor...

— Eu tinha dito a você. – Diz, cortando a frase que ele diria. – Não daria certo. Não deu na primeira, nem mesmo na segunda vez, por que daria na terceira? – Ela ouviu os passos dele, sentindo-o abraçá-la por trás. – Não é para ser, Oliver.

— Eu sinto muito. – Sussurra, com a voz embargada. Ele também estava sofrendo. – Você estava certa, e como eu queria que não estivesse... – Ela se virou, olhando-o nos olhos. – Mas isso não quer dizer que isso acontecerá sempre, amor.

— Como pode não ter certeza disso? – Sua voz saiu baixa devido ao choro.

— Podemos tentar novamente daqui alguns...

— Não. – Ela o corta. – Eu não vou passar por isso nunca mais. – Se afasta dele. – Para que tentar se sabemos que não vai dar certo? Não é para eu ser mãe de um filho seu, Oliver. Cinco filhos é a certeza disso. – Ele balança a cabeça, vendo-a chorar. – Nossos filhos morreram, e minha vontade de tê-los... – Soluçou. – Teve o mesmo fim. – Ele a abraçou, e ela apertou as mãos em volta do corpo dele, chorando alto.

Felicity se sentou na cama, respirando ofegante. Ela suava e tremia, enquanto lágrimas desciam pelo seu rosto. Oliver estava sentado ao lado dela, assustado pela forma que a esposa gritou, desesperada. Ele não estava entendendo o que acontecia, mas sabia que tinha sido um pesadelo.

A abraçou, tentando confortá-la, acalmá-la. Ele a sentia tremer em seus braços, e ficou ainda mais preocupado quando ouviu ela começar a chorar baixinho, soluçando, parecendo estar assustada.

Felicity o abraçou, apertando as mãos em volta da cintura do marido não conseguindo controlar o medo que sentia. Aquele pesadelo tinha sido o pior. Ela olhou para a barriga, colocando uma das mãos ali, queria tanto sentir seus bebês para saber que estava tudo bem.

Fechou os olhos, ainda com a mão ali, tentando se acalmar para não os assustar. Oliver não disse nada até que ela se acalmou finalmente.

— Está melhor? – Sussurra no ouvido dela, ainda abraçando-a.

— Não. – Sussurra de volta. – Eu não estou. Estou com medo.

— Medo de que? – Ele a fez olhar para ele. – O que você viu nesse pesadelo? – Ela sentiu o choro voltar, e soluçou. – Me diz, amor. – Pede, colocando uma das mãos no rosto dela, acariciando levemente.

— Eu... – Ele esperou que ela continuasse. – Eu tinha perdido... – Oliver arqueou as sobrancelhas, confuso, até que viu a mão dela na barriga, e então compreendeu. – Tinha perdido eles.

— Isso não vai acontecer.

— Você não sabe disso. – Se afastou dele. – Não sabe. Tudo pode acontecer. Eu posso cair, eu posso ter uma hemorragia, eu posso ter uma droga de um aborto espontâneo. Qualquer coisa pode acontecer comigo e com eles.

— Felicity! – Ele pega no rosto dela com ambas as mãos. Ela tinha a cabeça abaixada, soluçando várias vezes. – Olha para mim. – Pede e, respirando fundo, ela o faz. – Nós não vamos perder esses bebês. Nossos filhos vão ficar bem.

— Como pode ter certeza? – Ela volta a perguntar

— Eu acredito nisso e você tem que acreditar também. – Ela soluça mais alto, mordendo o lábio em seguida. – Foi só um pesadelo idiota. Sabe porque você o teve? – Ela balançou a cabeça de vagar. – Porque está com medo. Pesadelos são ocasionados pelo medo, mas amor entenda o que quero dizer. – Ela balança a cabeça novamente, dessa vez, para cima e para baixo. – Você não perderá os trigêmeos.

— Se acontecer isso..., eu não vou suportar dessa vez, Oliver. Não vou. – Ele a abraça, acariciando as costas dela lentamente, tentando tranquilizá-la. – Eu não queria amar esses bebês. – Ele a olha um pouco decepcionado, apesar de compreendê-la. – Eu não queria porque eu vou sofrer, caso algo aconteça com eles... – Ele a viu com os olhos marejados novamente, enquanto passava uma das mãos no rosto pálido. – E agora eu já... – Ela soluça. – Eu já os amo. Vou sofrer de qualquer jeito.

— Não vai não. Sabe por quê? Porque não vai perdê-los. – Ele afirma. – Eles ficarão bem. – Colocou a mão em cima da dela, olhando para a barriga ao mesmo tempo que ela. – Nossos filhos sentem quando você está mal, tenho certeza de que eles ficam tristes por te ver assim. – Ela assentiu, concordando com o marido. Mas como ela não poderia pensar diferente, se sentia isso em seus poros? Tudo que ela pensava é que qualquer coisa poderia acontecer com os filhos deles. Não podia se imaginar sem eles. Não mais. – Não fique pensando nessas coisas, está bem? – Ele pede, olhando-a nos olhos.

— Não consigo, Oliver. – Um suspiro sôfrego sai de seus lábios enquanto fecha os olhos. – Eu tento, mas não consigo parar de pensar que posso perdê-los.

— Tudo bem. Só não guarde isso para você, okay? Eu já disse para sempre me dizer o que está sentindo. Sempre! – Ela assente devagar. – E confie em mim. Os trigêmeos vão ficar bem. – Beijou a testa da esposa. – Vamos dormir. Vou cuidar do seu sono, como sempre o fiz. – Deitou então, puxando-a para deitar a cabeça em seu peito. Colocando uma mão na cintura e a outra nas costas, ele fechou os olhos, acariciando-a levemente, ouvindo a respiração leve da esposa, que não demorou muito a pegar no sono quando começou a lhe fazer cafuné.

**--** **--**

Oliver estava sabendo, pela primeira vez, sobre a ideia de os amigos quererem outro filho. Não que ele seja contra, não mesmo, mas ele achava cedo demais. Natty tinha apenas seis meses. Eles podiam esperar mais um pouco, na sua opinião, mas quem era ele para dizer isso aos amigos, não é?

Eles não pediram sua opinião, apenas contaram a novidade. Na verdade, eles não queriam dizer a ninguém por enquanto, mas como a sua irmãzinha, fofoqueira havia aberto a boca, eles decidiram contar logo a todos. Thea estava achando um máximo e estava infernizando Caitlin para que ela também tenha um filho para os bebês nascerem todos juntos. Felicity estava feliz pelos amigos, mas não conseguia pensar em mais nada além dos bebês que ela carregava e sentia tanto medo de perder, e Helena estava tão animada quanto Thea, afinal, ela seria "tia" novamente.

Na opinião de Oliver, a morena estava tão estranha que não se surpreenderia nenhum pouco se ela e Ray dissessem estarem grávidos. Não mesmo. Por sua esposa estar grávida, talvez ele visse que toda mulher que come demais, e tem desejos estranhos, está no mesmo estado que ela. Talvez realmente estivesse.

— Você está acabado e quer ter outro filho?

— Tommy! – Repreendeu o marido.

— O quê? É a verdade! Natty está dando trabalho, ela tem seis meses, não podem esperar um pouco?

— Isso não é da nossa conta. – Diz ao marido.

— E eles não pediram a sua opinião. – Helena continua, revirando os olhos.

— Toma! – Oliver provoca, e os outros riram.

— Eu acho isso muito legal. – Thea diz, animada.

— Nós só queremos que o próximo bebê não tenha tanta diferença com a idade da Natty.

— Por isso eu já parei de tomar as pílulas.

— Se é isso que querem, ficamos felizes por vocês. – Felicity sorriu, antes de olhar para o irmão e o fuzilar. – Não é, Tommy?

— Claro, claro. Até porque esse bebê vai me ter como padrinho.

— Coitado dele. – Os outros riram.

— Cala a boca, Ollie. Seu invejoso.

— Eu sou padrinho das duas filhas do Barry, por que eu teria inveja de você? – E eles voltam a rir.

— Metido. – Murmurou.

— Quando é que você e a Cait darão irmãozinhos à Kitty? – Cait começa a tossir exageradamente.

— Roy, você e minha irmã se merecem. – O cunhado riu.

— Eu não me oponho.

— Tommy. – Repreende, corada da cor de um tomate.

— Ah Cait, por que não? – Lena pergunta, adorando a ideia.

— Por que vocês não têm um filho também?

— Nós nem nos casamos. – Ray responde.

— E daí? Eu e Tommy tivemos um filho e não estávamos casados.

— Nem eu e a Cait, ou eu e a Laurel.

— Talvez ela esteja e nem sabe. – Todos olham para Thea. Sua irmã havia percebido o mesmo que ele e sua esposa? – Você anda comendo pra caramba.

— Isso não tem nada a ver. Eu tenho dormido mal, e mal tenho tido tempo para me alimentar, por causa do meu trabalho na agencia.

— Preferia que você não estivesse nessa loucura.

— Não estou me colocando em perigo Ray, já disse. Apenas encontro os "mafiosos" pela internet. – Estralou os dedos de ambas as mãos, animada.

— Bem legal. Eu iria gostar.

— De jeito nenhum. – Oliver nega imediatamente. – Você levou minha mulher para as aulas de luta, mas entrar nessa agencia, ela não vai entrar.

— Você adora ser chefe do setor de IT amiga, continue lá. – E Oliver agradeceu a Caitlin por ajudá-lo.

— Eu não disse que iria entrar para a agencia. – Revirou os olhos. – Vocês são tão neuróticos. – O marido franziu o cenho, e ela sorriu abertamente. – Quer dizer, preocupados demais. – Se corrigiu, e os outros riram.

— Lena, quando você descobrir que eu estou certa, por favor, me conta primeiro? – A amiga franziu o cenho, e o noivo fez o mesmo.

— Descobrir sobre o que? – Tommy pergunta, curioso.

— Sobre ela estar grá...

— Vamos falar sobre o casamento de amanhã? – Felicity mudou de assunto, o que fez sua irmã bufar.

— Sim, por favor.

— Que horas temos que estar no cartório?

— Tommy, eu e Helena dissemos dez vezes. – Revirou os olhos. – Às quatro.

— Espera. – Todas olham para Thea. – Isso quer dizer que vocês não podem dormir juntos. Não mesmo. Dá azar!

— Verdade. Concordo com a minha cunhada.

— Azar? Isso é só uma superstição boba.

— Não é não. – Felicity cortou. – Tradição é tradição.

— Lena, você está convocada a dormir lá em casa. – Caitlin diz. – E nem adianta vocês discutirem, nenhum de nós aqui deixaremos que durmam debaixo do mesmo teto hoje.

**--**

Helena estava de frente para o espelho enquanto Laurel fazia sua maquiagem. Havia escolhido algo bem simples; a base, o blush, uma sombra dourada com brilho nos olhos, para destacá-los ainda mais, a amiga passou o delineador em formato de gatinho, e no fim, um batom vermelho acaju Matte nos lábios.

Com a ajuda de Caitlin e Felicity, ela conseguiu colocar o vestido curto de noiva. Havia escolhido algo simples, afinal, iria apenas no cartório oficializar algo que já devia ter sido feito. Apesar de ser um dia em que as noivas ficam nervosas, e começam a andar de um lado para o outro, ela não estava assim. Helena estava calma, um pouco ansiosa, mas ainda assim calma.

Seus cabelos estavam soltos e levemente cacheados, Felicity havia puxado a longa franja apenas para o lado direito, e no meio da cabeça, havia uma trança grossa e delicada presa entre os cabelos. Para completar tinha uma flor branca com detalhes dourados presa à trança.

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Helena havia imaginado aquilo tudo de outra forma quando era criança. Seu sonho virou pesadelo quando descobriu tudo que o pai fez. A dor de ter perdido o filho e o homem que amava passou no instante em que soube que seu próprio pai era o culpado. Seu coração se despedaçou, mas o ódio que sentiu, o desejo de se vingar, a fez se levantar, e se fortalecer. Ela virou outra pessoa. Ela era agradecida a cada um dos amigos que a ajudaram a esquecer toda aquela vingança. Felicity em especial, que sempre esteve ao seu lado, lhe apoiando, não importa o que fizesse.

— Você está tão linda. – Felicity foi a primeira a se pronunciar.

— Eu amei o que fez no meu cabelo, Lis. – Passou a mão com cuidado. – Ficou diferente.

— Eu só cortei as pontas e dei volume ao seu cabelo. – Deu de ombros e a amiga sorriu.

— Você é modesta.

— Eu estou apaixonada por esse vestido de noiva. – Laurel sai do closet.

— Também gostou? Eu achei melhor assim, já que só vamos ao cartório.

— Mas vai ter a festa.

— Tem certeza de que não vai querer outro salto? – Caitlin pergunta, olhando para a altura do salto em que a amiga estava.

— Tenho, não se preocupe.

— Thea disse que a casa de vocês está linda.

— Ela vai ao cartório, certo?

— Sim. Roy vai buscá-la.

— O que você e o Ray combinaram? Ele vai te ver só lá?

— Não, Lis. Ele vem me buscar.

— Está brincando? – Laurel revirou os olhos, e as outras riram. – Qual o problema de vocês com o tradicional?

— Para de reclamar!

— Felicity, isso aí está bom? – Caitlin se aproximou.

— Está ótimo, como sempre.

— Oliver cozinha melhor que você. – A loira fuzilou a amiga que riu.

— Vocês estão me deixando com vontade. – A noiva diz.

— Experimenta esse bolinho doce. – Laurel colocou na boca da amiga, que gemeu.

— Isso é maravilhoso. – Diz gemendo.

— Não é? – As outras perguntam juntas.

— Vocês não vão terminar de se arrumar?

— Falta apenas o vestido. – Caitlin diz, levando o bolinho consigo para o closet.

— Laurel, você é a que demora mais, para de comer e vai se arrumar. – Felicity se pronuncia, ainda mastigando o bolinho.

— Você está é querendo comer sozinha. – Helena riu.

— Vocês duas estão parecendo duas grávidas brigando por comida. – Ambas engasgaram, e começaram a tossir. Rapidamente a amiga se aproxima, oferecendo o suco que estava na bandeja. – Isso tudo foi por conta do meu comentário?

— Prefiro não falar sobre isso. – Laurel diz, olhando para a amiga loira.

— Mas você está tentando, qual o problema?

— Não é um problema, eu só não esperava que você falasse dessa forma. – Deu de ombros. – Deixou até a coitada da Lis incomodada.

— Não fiquei nada. – Retruca, mas as amigas não acreditam. – Me prometa uma coisa? – Muda de assunto. – Quando você ficar grávida, conta para mim primeiro? Quero esfregar na cara da minha irmã. – As outras riram. – Ela anda muito fofoqueira.

— Eu concordo. – Laurel diz.

— Eu vou adorar ver a Lena grávida. – Caitlin diz, saindo do closet já com o vestido de renda todo dourado, colado ao corpo, com mangas longas. Nos pés, o salto alto dourado, e seus cabelos também estavam soltos, com leves ondulações.

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— Eu quero esperar mais um pouco.

— Eu também queria, mas a Kitty aconteceu. – Deu de ombros.

— Você está linda. – As outras perceberam que a noiva estava mudando de assunto.

— Vem, Lis. – A puxou, ouvindo-a reclamar.

— Eu não terminei de comer.

— Vamos comer na casa da noiva.

— Ah é verdade. – As outras riram. – Parem de rir de mim.

— Anda logo, precisamos estar prontas quando Ray chegar.

— Eu ainda tenho que ligar para a Thea. Ela está com as crianças. – Lembrou as amigas, fazendo com que Caitlin pegasse o celular para fazer antes ao que a loira faria depois.

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Oliver e Tommy estavam sentados no sofá de três lugares esperando Ray terminar de colocar a gravata. Realmente eles odiavam ela. Barry falava com Thea pelo celular. As crianças estavam prontas, Roy tinha acabado de sair para buscá-los. Assim como a noiva, Ray não estava nenhum pouco nervoso. Ele sabia o que queria desde que a conheceu. Mesmo que não tivesse gostado de dormir longe dela aquela noite, ele estava calmo. Havia falado com a noiva mais cedo, deixado Killian com Thea, que fazia questão de arrumar as crianças, mesmo que estivesse organizando tudo na casa dele, e agora estava terminando de se arrumar. Os amigos o distraiam com alguma conversa qualquer.

Ele não pôde deixar de rir quando Tommy começou a falar sobre as “pestices” da filha de Barry. A garotinha tinha seis meses, e já segurava nas coisas para tentar andar. Realmente, não é uma criança normal. Killian só havia começado a dar seus primeiros passos aos dez meses, e por isso achava que a pequena Allen estava muito esperta para a idade que tinha.

— Eu vou rir tanto se você tiver uma filha pior que a minha. – Os outros riram.

— Está jogando praga?

— Não. Mas sua língua não para de falar da minha filha, então...

— É, quem planta colhe. – Oliver completa.

— Vai se ferrar todos vocês. – Eles riram. – Você e Laurel deveriam repensar sobre ter outra criança agora.

— Tommy, cala a boca, isso não é da sua conta. – Oliver praticamente rosnou.

— Okay. Não falo mais sobre isso. – Bufou. – Ray, você pensa em ter filhos?

— Que pergunta é essa? – Se virou, com as sobrancelhas arqueadas.

— Thea acha que Helena está grávida.

— Se ela estivesse, eu saberia.

— Olha, isso é muito irrelevante. O Barry não percebeu que a Laurel estava grávida.

— Verdade. Ela me escondeu por umas boas semanas.

— Eu também não percebi quando Felicty ficou grávida. Nenhuma das duas vezes. – Deu de ombros, ao mesmo tempo que pensava: “três, na verdade”. – Pode ser que nem ela mesma saiba.

— Por que estamos falando sobre isso?

— Porque eu acho que a Lena pode estar grávida. Ela está estranha.

— Estranha está a Felicity. – Ray comentou, se virando de costas para os outros. Oliver ficou alerta. – Ela está diferente. Eu não sei o que é ainda, não sei se perceberam, mas ela está com um brilho estranho no olhar, anda preocupada o tempo todo.

Oliver realmente não achou que alguém perceberia. Sentiu os olhos de Barry sobre ele e soube que o amigo esperava por algo que ele dissesse. Mas o que dizer diante daquela verdade tremenda?

Não sabia nem mesmo como retrucar, ou dizer algo que não deixasse Ray e Tommy curiosos. Ele prometeu que não contaria a ninguém, e assim o faria. Sua esposa ainda não estava confiante com a gravidez, e se ele por algum acaso, contasse aos amigos, ela ficaria chateada. E com toda a razão.

— Ela anda tendo pesadelos. – Não era uma mentira. – A preocupação dela é com Cooper.

— Ainda com isso?

— Como ela não ficaria depois de tudo o que houve? – Barry se pronuncia, tentando ajudar. – Felicity está muito sensível por conta do que aconteceu com você, Oliver e o pai de vocês.

— Por isso eu não disse nada antes, porque eu imaginei que fosse isso. – Oliver se aliviou ao perceber que eles estavam acreditando naquela versão.

— Então... – Tommy se levantou. – Pronto?

— Estou. Eu vou buscar a Lena.

— O que? – Os amigos perguntam juntos.

— Cara, você está brincando, né?

— Não. – Tommy bufou, Barry revirou os olhos, e Oliver deu um sorriso de lado.

— As nossas mulheres vão querer te enforcar.

— Qual o problema de vocês com o tradicional? – Tommy pergunta, um pouco revoltado. – Pensei que íamos direto para o cartório e no caminho até lá tomar um champanhe. – Os outros riram.

— Tommy, você é uma comédia. – Oliver empurrou o amigo para saírem do quarto.

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Ray não conseguiu tirar os olhos dela quando a viu abrir a porta. Ela estava linda! Mais linda do que naturalmente já era. Depois de dizer isso para ela, abraçá-la e beijá-la, ouviu uma reclamação vinda de Laurel. Iriam todos em uma mesma limusine, e apesar de ser divertido, a Merlyn ainda estava indignada pelos amigos não fazerem como todo casal de noivos fazem, se verem no local da cerimônia.

Ela estava revoltada, e os outros achavam graça. Apesar das outras mulheres concordarem com ela, eles estavam felizes demais pelo casal para dizer algo sobre aquela decisão de ambos. Para alguns, se casar apenas no cartório era simples demais, para eles, o casal, era tudo. Era o que eles queriam. E eles seriam felizes de qualquer forma, afinal, um casamento grande e cheio de requintes não determinava se o casal seria ou não feliz.

Quando enfim chegaram ao destino deles, as crianças, Thea e Roy já se encontravam na porta. Ray desceu primeiro, seguido de Oliver, Barry, Tommy, Laurel, Caitlin, Felicity e enfim, a noiva, que antes de fazê-lo, arrumou a franja que tampava um pouco seu olho.

Quando Helena desceu, com a ajuda do noivo, que pegou em sua mão, ela viu as gêmeas com seus vestidinhos idênticos ao lado de Adam, Andrew, Killian e Lyon. Eles se viraram ao mesmo tempo em que ela saia da limusine. Eles disseram um “Uau. Parece uma princesa”. Kitty estava no colo de Thea, mas que assim que viu a Dinda, não quis outro colo senão o dela. Ouviu até mesmo uma reclamação dos pais da garotinha, mas que ela sabia que era brincadeira. A noiva achava fofa a forma como Kitty tratava a tia preferida dela. Ela ficava ainda mais fofa.

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Não demorou muito para que eles assinassem os papeis. Era esse o momento mais esperado. Thea tinha um celular na mão, e gravava tudo. Tinha sido pequeno e simples, mas especial. Emocionante até. Quando trocaram as alianças, Killian quem as levou para os pais. O garotinho estava feliz por ter Helena como mãe, para ele, ela era a melhor mãe do mundo. Assim como ele, os gêmeos também estavam felizes pela mãe. A conhecia a pouco tempo, mas sabia que ela tinha um passado triste, que ela mesma havia contado um tempo depois que os encontrou.

Felicity, Barry e Caitlin eram os mais felizes naquele momento. Felizes pela amiga finalmente ter encontrado a felicidade ao lado de alguém que a ama tanto quanto ela o ama. Ela tem o amor do garotinho que apesar de não ser seu filho de sangue, era seu filho de coração.

Foi ela quem o ajudou a ver que não tinha culpa pela mãe ter morrido, era para ela que ele corria quando tinha um problema, e foi a ela que ele chamou de mãe pela primeira vez. Os três desejaram aquele momento para Helena à muito tempo. Desejaram que ela esquecesse a vingança e eram agradecidos por isso ter acontecido. Por Ray e Killian terem entrado na vida dela, e a transformado. Eles foram o engate para que a morena desse um primeiro passo para a felicidade.

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Quando chegaram em casa as crianças correram para o jardim onde havia alguns brinquedos infláveis que Thea tinha alugado especialmente para eles. Mesmo pequena, Kitty correu atrás do irmão e dos primos. Caitlin se preocupou, mas foi Barry quem pediu para que Lyon cuidasse dela, mesmo não precisando, porque o garotinho não tirava os olhos da ruivinha nem por um minuto, mesmo brincando com os primos.

Natty, ao contrário do que acharam, não dormiu nenhum pouco, e elétrica, pulou para o coloca da Dinda. Helena e Ray cumprimentaram a família Queen, Lance e Merlyn antes de enfim descansar um pouco em uma das mesas que Thea havia reservado para o casal e os amigos.

— Sabe o que é incrível? – Helena comenta depois de se sentar ao lado do, agora, marido.

— O que?

— Kitty não tem ciúmes de Natty quando ela está no colo de Caitlin.

— Diferente de quando ela está no colo da madrinha dela. – Resmungou, fazendo Felicity rir. – Minha filha prefere a dinda.

— Eu acho fofo. – Laurel diz, pegando dos salgadinhos em cima da mesa.

— Felicity deve ser de açúcar. – Os amigos riram ao ouvir Roy. – Já viram que todas as crianças gostam dela? Eu não conheci uma que a odeie.

— Eu sou a melhor tia do mundo.

— Se Lyon fica um dia sem ver você já começa a perguntar se alguma coisa aconteceu e se pode ir vê-la. – Tommy se pronuncia. – Fiquei sabendo que Killian também anda perguntando por você depois do que houve na casa do Barry.

— Oh. – Ela realmente se surpreendeu.

— Ele se preocupa com você. – Ray diz. Felicity ficou emocionada. – Os gêmeos também. Acho que eles perceberam que você não estava bem aquele dia...

— Tenho certeza de que foi isso. – Cait diz, olhando para a amiga.

— Kitty fala de você o tempo todo, e a Natty, depois que começou a falar dinda... É só isso que ela fala. – Tommy completa.

— Dinda. – Os outros riram.

— Você quer, querida? – Colocou um pouco de patê de frango na boca da pequena que se agradou. – Eu amei saber que ela falou dinda primeiro que papai e mamãe.

— Realmente, isso é revoltante. – Laurel diz.

— Também o assunto do dia de vocês é a Felicity.

— Como assim, Tommy? – Helena pergunta, confusa.

— Por conta do que anda acontecendo por causa do maldito... –Deu de ombros. – Além disso, Laurel acha que Barry está escondendo algo dela, sobre Felicity. – A loira e o melhor amigo se olham.

— Eu já disse que ela está paranoica. – Ela lhe deu um soco no braço, e os outros riram.

— Você não tem mesmo amor à vida, né? – Ray pergunta, rindo.

— Pelo jeito não. – A esposa murmura.

— Então esse é o motivo da pequena falar Dinda primeiro.

— E sabe o mais engraçado? – Tommy começa a rir. – Logo em seguida ela começou a falar mamãe e papai. Minutos depois. – Roy começa a rir.

— Agora eu entendo a revolta. Como se sentem com isso?

— Vocês dois gostam de um malfeito. – Os outros riram ao ouvir Barry.

— Então, vocês vão viajar? – Thea pergunta, curiosa.

— Vamos. Killian e os gêmeos ficarão com Caitlin e Tommy.

— Vocês têm muita coragem de deixar seus filhos com o retardado do Tommy. – Enquanto os amigos riam, Tommy jogava uma coxinha na cara de Roy, que riu.

— Caitlin vai ser uma ótima babá. – A amiga lhe mandou um beijo.

— E para onde vão?

— Irmãzinha, quando é que vai parar de atacar os salgadinhos? – A loira fuzilou o irmão.

— Deixa minha mulher em paz. – Colocou o braço direito em volta dos ombros dela.

— Respondendo sua pergunta, Thea, nós vamos passar uma semana em Paris.

— Chique. – Roy diz, antes de colocar o copo com suco na boca.

— Presente de casamento da Caitlin e do Tommy.

— Eu queria dar fraldas, mas minha mulher não deixou. – Helena começou a tossir exageradamente.

— Tommy, você é tão indiscreto. – Barry balançou a cabeça.

— Agora que você percebeu? – Oliver revirou os olhos.

— O que? Thea disse que ela está grávida. E ela está estranha.

— Estranha sua língua. – Os outros riram. – Cuida da sua vida, não tem ninguém grávida aqui.

— Será? – Thea arqueou uma sobrancelha, olhando para Caitlin, Laurel e em seguida, Helena.

— Por que a Kara e o Mon-el não puderam vir?

— Está fugindo da raia? – Os outros riram.

— Então, Lis? – A ignora.

— O trabalho deles. Apesar de Mon-el ter sua própria empresa, Kara não seria liberada do trabalho dela. Mas ela mandou felicidades, e um presente. Thea?

— Deixei no quarto deles.

— Vocês vão amar.

— O que é?

— Ela está curiosa, digam de uma vez. – Os amigos riram ao ouvir Ray.

— Duas canecas personalizadas com o nome de vocês, a data do casamento, além de estar escrito “noivo” e “noiva”. Eu achei fofo.

— Eu amo essas canecas personalizadas.

— Eu dei a dica e eles gostaram.

— Te adoro. – Felicity e Helena sorriram uma para a outra.

— O que você e Oliver deram?

— Eles nos deram uma passagem para ficarmos dois dias em Giverny.

— Oh! Vocês vão poder visitar a casa do pintor Claude Monet.

— Como eu sei que a Lena ama as pinturas dele... – Gesticulou.

— Eles ficariam mais dias se pudessem. – Oliver completou.

— Qual o problema? Os gêmeos e Killian estarão nas melhores mãos.

— Não queremos ficar tanto tempo longe, Laurel. – Eles assentiram.

— Eu vou ver minha filha.

— Eu vou com você. – Tommy se levantou para seguir a esposa, que havia levado consigo, três salgadinhos.

— Eu e Barry vamos colocar essa princesa no quarto. – Comenta ao vê-la dormindo no colo da dinda.

— Ela parece estar dormindo no melhor colo do mundo. – Os outros sorriram ao ouvir Barry. – Já voltamos.

— Capaz de voltarem, e não ter mais ninguém na mesa. – Oliver comenta ao ver que Thea e Roy saiam de mansinho. Com certeza iriam tirar um tempo para eles.

— Ei, onde vocês vão? – Felicity pergunta, ao perceber que estava ficando sozinho com o marido.

— Pensei que nem mesmo ia perceber que estamos saindo.

— Hahaha! Que engraçado, Ray. Você anda abusado. – Ele riu.

— Eu vou tirar esses saltos.

— E eu vou fingir que acredito nisso. – Felicity diz voltando a comer.

— Você não devia comer tanta coisa gordurosa. – Diz quando o casal se afasta.

— Ah Oliver, só hoje. – E ele não pode negar ao ver aqueles olhos verdes brilhando. – Ray e Helena acham que enganam quem? Eles estão fugindo para poderem ter um pouco de privacidade, se é que me entende. – O marido riu.

— Você é mesmo uma Merlyn, não é?

Ela nem mesmo respondeu. Estava vidrada, agora, nos doces que haviam acabado de colocar em sua mesa. Oliver poderia pegar cada um deles e devolver, mas como sabia que ela estava se controlando todos os dias para não levantar de madrugada e se empanturrar de sorvete, ele deixou que ela aproveitasse naquele dia.

Oliver se perguntava como que ninguém havia percebido a gravidez da esposa. Ele sabia que um pouco era por conta da cinta para que a barriga não aparecesse, mas ela estava com uma fome absurda, era impossível não perceberem. Havia percebido que Helena, apesar de ter seguido o marido, havia levado um dos pratinhos que estava na mesa, e ele se perguntava se a irmã estava certa. Bom, fosse ou não fosse, ele não estava curioso, e pelo jeito, sua esposa muito menos, afinal, ela estava mais preocupada em comer do que qualquer outra coisa.

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Antes de entrarem no quarto, ele já havia tomado os lábios dela com urgência. Estava querendo fazer aquilo desde que a viu na casa de Caitlin. Suas mãos passavam por todo seu corpo, apertando certos lugares vez ou outra. Ela correspondia ao beijo de forma igual. Suas mãos subiram até os cabelos castanhos escuros, e emaranharam–se neles, puxando-os vez ou outra com certa força, mas ele não se incomodava.

Na verdade ele gostava.

O casal sabia que estavam sendo esperados lá embaixo, que poderiam sentir a falta deles, afinal, eles eram os homenageados, mas ainda assim não deixaram a boca um do outro. Precisavam daquele momento sozinhos. Provavelmente os amigos sabiam onde estavam, e por esse motivo, Ray não se importava nenhum pouco em deixar os convidados esperando por mais alguns minutos.

Sem dificuldade alguma Ray a levantou com ambas as mãos pelas coxas fartas e a prensou na parede, descendo os beijos pelo pescoço exposto. Os cabelos dela o atrapalharam por um momento, mas ele os segurou com uma única mão, ouvindo o arfar de sua, enfim, esposa.

Apesar de Helena querer muito continuar aquelas carícias, e na verdade, subi-las a outro nível, ela sabia que deveriam descer. Mas foi impedida de fazer qualquer coisa quando ele tomou seus lábios novamente, e a morena não conseguiu deixar de corresponder. Mesmo estando concentrada no beijo delicioso, ela conseguiu descer as pernas, e colocar os pés no chão. Puxou os cabelos dele com certa força, antes de morder o lábio inferior.

— Todos devem estar... – Pausou quando sentiu os beijos dele em seu pescoço mais uma vez. – Se perguntando onde estamos.

— Tenho certeza de que eles sabem onde estamos. E fazendo o que. – Ela não pôde deixar de gargalhar. Ray a olhou nos olhos, deixando de fazer o que fazia. – Você está feliz?

— Estou. – O beijou rapidamente, abraçando-o pelos ombros. – Claro que estou. Você está comigo. – Ele sorriu. – Obrigada!

— Pelo que?

— Por ter aparecido na minha vida. Eu não sei o que seria de mim se não tivesse conhecido você e consequentemente Killian. Vocês me salvaram de mim mesma.

— Eu quem deveria agradecer, afinal você me ajudou tanto com meu filho e fez eu me apaixonar novamente depois de quase sete anos.

— Então nós dois salvamos um ao outro, está decidido. – Ele riu da forma que a esposa disse. – Eu te amo!

— Eu também te amo, Helena Palmer.

— Eu sou uma Palmer agora. – Sussurra, animada.

— A mais linda. – Ela sorriu, e o beijou, sendo correspondida.

— É melhor descermos. – O puxou pela mão, assim que se afastou.

— Você acabou com minhas expectativas. – E então ela riu ainda levando-o para fora do quarto, compreendendo qual expectativa ele falava.

Notas finais
Quem se assustou com o começo do capítulo? Quem quer me matar por isso? Foi só para deixar o capítulo mais..., dramático. Eu não iria matar meus bebês lindos. Eles até mesmo já tem nomes. Desde muito antes de Felicity perder o primeiro bebê. Eu espero que tenham gostado. E espero também, que vocês comentem o que mais gostaram no capítulo. Sabem como seus comentários são importantes para mim. Ah, gostaria de avisá-los que fiz um cronograma para saberem os dias das atualizações de todas as minhas histórias. Link a baixo. https://docs.google.com/spreadsheets/d/1YlmhP4it3SJytaiCTd1LzOoyiRw-E8wfchN0I3zuMDg/edit?usp=sharing Até semana que vem... Ou..., até amanhã com Cross Destination! PS: Prévia no grupo do Zap: https://chat.whatsapp.com/CQXDQJ1SQpN5OwBlydJpcR