Kupidon

23 Capítulo Dezesseis


Notas iniciais
Bom dia queridos leitores, estou de volta com mais um capítulo dessa nova história que estou escrevendo. Antes de deixá-los ler, eu gostaria de explicar uma coisa: Sei que eu disse que postaria a cada trinta dias, mas como eu já estou com um novo note, vou poder fazer diferente, e postar semanalmente. Por isso, escolhi um dia da semana para postar os capítulos. Assim vocês saberão que “naquele dia” terá atualização. Como eu também estou estudando para o Enem, e tenho outras duas fic’s... Pensei em postar uma por dia, por isso, Kupidon será atualizado toda Sexta-Feira. PS: A partir desse capítulo, o cabelo da Felicity está na altura dos ombros. Bom, agora deixarei que aproveitem mais um capítulo Boa Leitura

***Dois Dias Depois***

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Felicity observava o caixão onde estava o corpo de sua mãe enquanto lágrimas desciam pelo seu rosto. Tudo o que mais queria era que fosse mais um terrível pesadelo. Ela já sentira muitas coisas na vida: Medo, angústia, raiva, desespero, felicidade..., mas isso que sentia agora, era novo para ela: Depressiva. Ela não falava com ninguém desde que soube pelo namorado o que havia acontecido. Se trancou no quarto e de lá não saiu. Era a primeira vez em dois dias, desde que soube que perdeu sua mãe, que ela não saia do quarto. Eles estavam no Tommy desde o dia em que Cooper entrou no prédio da Scalla. Oliver tentou lhe falar, mas era como se ela não estivesse presente. Tommy também tentou e também falhou... Todos eles. Cada um deles. Caitlin, Barry, Laurel, Thea, Malcom... Tentaram e falharam. Ela não quis ver ou falar com ninguém, estava em seu próprio mundo, destruída. As gêmeas estavam preocupadas. Elas estavam tristes, tanto pela morte da vovó Dona quanto pela mãe. Elas queriam se aproximar, mas Oliver achava melhor dar espaço á namorada. Ele explicou às filhas tudo o que houve e Laurel fez o mesmo com Lyon. As três crianças estavam preocupadas com Felicity. Lyon tinha se apegado muito a tia. Se sentia triste ao vê-la daquele jeito, mas mesmo tristes, os três entendiam que a tia e a mãe precisava de um tempo. Helena também apareceu, surpreendendo a todos. Ela apenas respondeu: Ela é minha amiga, afinal de contas. Mas nem mesmo ela conseguiu tirar Felicity do mundo triste e solitário dela. Isso não só preocupava a família, mas também se sentiam inúteis.

Deus dá e Deus tira... — Ela ouviu o pastor citar. Não era algo que ela queria ouvir no momento, porque ela sabia que não tinha sido obra de Deus. Não tinha sido um acidente. Ela sabia bem, que tinha sido um assassinato. Ela apertou as mãos fortemente. Sentiu Oliver olha-la, mas fingiu não perceber. Ela não queria afasta-lo, não era de propósito... Ela só queria ficar sozinha um tempo. Queria jogar para fora tudo o que sentia. Trincou os dentes. Outra coisa que ela sentia e que era novo: ódio. Ela já sentiu raiva, mas ódio? Não. Isso era novo para ela. Ela nunca sentiu aquele ódio por alguém, nem mesmo por Cooper. Não. Por ele sentiu raiva, medo, desespero..., mas ódio não. Agora tudo que ela queria era mata-lo com suas próprias mãos. Era isso que ele merecia. Queria que ele sofresse antes de tudo, que fosse solicitado todo o tipo de tortura. Ele não só matou pessoas inocentes, machucou pessoas inocentes... Ele matou sua mãe, a pessoa que sempre esteve ao seu lado, que nunca lhe deu as costas, mesmo depois de dizer que não tinha mais mãe. Ela perdoou e foi perdoada. Ela teve sua mãe por breves momentos nesses anos que se escondia... Breves momentos que vinham como flashes em sua memória.

Amor... — Sentiu Oliver pegar em seu ombro esquerdo. — Acabou. — Pela primeira vez naquele dia, ela o olhou nos olhos, surpresa, não tinha percebido que o pastor tinha parado de falar. Ela estava pensando em tantas coisas que não percebeu que as pessoas seguiam para a mansão Queen.

Eu preciso... — Sussurrou, desviando o olhar para o lugar onde enterravam sua mãe. Sentiu seus olhos lacrimejarem, novamente.

Eu sei que não está sendo fácil...

Não quero ouvir um discurso agora. — O interrompeu. Sua voz saiu chorosa.

O que você quer? — Ele a compreendia.

Eu quero mais algumas horas com minha mãe. — Ela se afastou e ele apenas a observou caminhar para mais perto de onde estava Donna. Ficaria ali com ela o tempo que fosse necessário, mesmo que ela não quisesse.

**--** **--**

Felicity, meus pêsames. — Não era a primeira vez que ouvia aquilo. Muitos amigos de sua mãe compareceram, vieram de Vegas para se despedir. Era muito agradecida por isso, pois via o quanto sua mãe era amada, mas... Ela já não aguentava mais. Ela queria que todos fossem embora de uma vez. Queria que todos parassem de dizer sinto muito, ela era uma boa mulher. Que Deus esteja contigo. Ela só queria que parassem com todo esse blá blá blá. Ela não queria ouvir discursos, muito menos palavras de auto ajuda, no momento. O que ela queria, no momento, era ficar sozinha, só isso. Será que era pedir demais? A vontade de gritar não passava. Queria deixar todo o ódio que sentia, sair. Queria extravasar.

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Lis, você já comeu? — Sabia que era Caitlin quem perguntava.

Estou sem fome. — Deu as costas e saiu. Ela não queria descontar aquela frustação na amiga. A raiva, o ódio, o rancor... Eram sentimentos que ela guardava para si mesma, mas estava difícil. Só queria que a deixassem sozinha.

Eu sinto muito, Srta. Smoak. — Ela apertou as mãos em punhos. — Ela era uma mulher muito especial. — Ela fingiu não ouvir e passou reto. Mas parecia que não teria paz. Alguns passos depois, ela se encontrou com o pastor.

Srta. Smoak. — Ela reconheceu aquela voz. — Eu sinto muito. Ouvi as pessoas falarem muito bem de sua mãe. Ela deveria ser excepcional.

Sim, ela era. — Ela o olhou.

Deus está cuidando dela agora. E eu sei o que deve estar sentindo, mas... Se Deus quis leva-la, é porque já estava em sua hora. — Ela arqueou as sobrancelhas. — Deus sabe o que faz.

Deus sabe o que faz? — Ele tentou se aproximar, mas ela recuou. — Todos dizem o mesmo para mim. Ela era uma mulher incrível. Uma mulher maravilhosa, cuidadosa... Bondosa... Alegre... — Fechou as mãos em punhos mais uma vez naquele dia. — Mas no que isso adiantou, hein? — Sua voz alterou consideravelmente, o bastante para chamar atenção dos senhores em volta. — Deus sabe o que faz?! Eu não me importo com isso. — Gritou dessa vez.

Laurel —

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Thea — https://i.pinimg.com/736x/b6/20/73/b62073343384c92d44b695169e8c0bb6.jpg

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Oliver. — Laurel tocou o braço do amigo. — Vá até lá. — E ele o fez.

Acho melhor não deixar as crianças sozinhas. — Estavam todas preocupadas.

Eu vou, Cait. — Thea subiu as escadas para impedir que elas descessem se ouvissem os gritos.

Srta. Smoak, sei que está difícil. Deve estar sentindo uma dor muito grande...

Dor? — Gritou novamente, interrompendo-o. — Você não tem a mínima ideia do que estou sentindo. Dor não é um terço do que sinto no momento. Você não sabe o que realmente aconteceu. — Rosnou. Oliver chega no momento em que ela termina a frase. Ela sabia que era ele estava atrás de si.

Deus está no controle das coisas...

Você insisti nisso. — Rosnou mais uma vez. Passou as mãos nos cabelos, irritada. Ela não queria ouvir aquele discurso, tudo que ela queria era que aquele sentimento de culpa, raiva, ódio, dor... Passasse. Oliver a abraçou pela cintura. As pessoas em vota olhava para Felicity.

Fica calma. — Sussurrou em seu ouvido.

Você acha que sabe pelo que estou passando, mas não sabe. — Voltou a gritar.

Eu acho que deveria ir descansar. — Malcom se pronunciou ao seu lado. Ela nem tinha percebido que ele tinha se aproximado.

Sabe o que eu quero agora? — Olhou para o pai. — Que todos me deixem em paz.

Felicity...

Não! — Gritou se soltando do namorado. — Me deixem em paz. — Gritou novamente naquele dia. — Me deixem sozinha. — Sua voz dessa vez, saiu chorosa. — Eu não quero ouvir palavras de auto ajuda ou de consolo... — E então ela percebeu lágrimas desciam pelo seu rosto. — Me deixem em paz. — Repetiu mais uma vez, sem gritar, com a voz fina, por causa do choro. Deu alguns passos em direção às escadas.

Ela precisa de tempo.

Acho que deveria procurar alguém para ajudá-la. — Oliver o olhou.

Ela só precisa de um tempo. — Repetiu. — Ela perdeu a mãe...

Ollie, eu acho que meu pai está certo. — Tommy se pronunciou. — Ela não está bem. Ela mal tem comido... Ou saído do quarto.

Talvez uma psicóloga ajude. — Cait deu sua opinião de médica, mesmo sabendo que sua amiga não iria aceitar.

Ela não vai aceitar. — Barry comentou.

O que ela fez hoje foi... — Laurel se interrompeu. — Ela estava guardando aquilo por todo esse tempo, com certeza. Acho que antes de uma psicóloga, ela precisa de tempo. — Oliver concordou. — E apoio.

Espero que estejam certos. — Malcom disse, preocupado.

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Ela trocou de roupa, tirou os saltos e colocou suas coisas na mochila. Se sentou na cama, cansada. Pensava no que tinha falado a poucos minutos lá embaixo. Não estava arrependida, mas também não estava feliz por ter feito o que fez. Ela só queria que parassem de falar, parassem de dizer sinto muito, isso não a ajudava. Ouvir tudo aquilo, só a fazia se sentir mais culpada. Sentia uma dor tão grande, seu peito parecia que ia explodir. Ela só queria que parassem de falar sobre aquilo. Ouviu a porta ser aberta, sabia que era Oliver.

Nós já estamos indo. — Se pronunciou. — Tommy está com as crianças no carro. — Tinha se passado pouco mais de uma hora que estava sozinha no quarto. — Lis.

Nós vamos para o Tommy? — Perguntou olhando-o, antes que ele tocasse no assunto Donna.

Sim. Na segunda voltaremos para a Scalla. — Explicou. Ela assentiu desviando o olhar. — Eu preciso que fale comigo.

Eu sei que estou sendo difícil...

Não. — A interrompeu. — Eu te entendo. Sei que precisa de um tempo... Sei que está sentindo algo horrivelmente doloroso. Mas você não pode se fechar assim.

Eu não quero falar. — Se levantou. — Eu só... Quero que tudo isso acabe. — Novamente, lágrimas passaram a descer pelo seu rosto. — Eu não aguento mais. — Oliver se aproximou e a abraçou.

Eu estou aqui. — Passou uma das mãos nos cabelos loiros.

Eu quero ir embora. — Se afastou, engolindo o choro. — Só preciso ficar sozinha. — Oliver suspirou e ela se sentiu mal. Não queria afasta-lo, mas era mais forte do que ela.

Tudo bem. — Ele pegou as mochilas, dele e as dela e pegou em sua mão, saindo do quarto.

**--**

***Duas Semanas Depois***

Ei. — Se sentou na cama. — Você não vai almoçar?

Não estou com fome. — Ele suspirou.

Você não pode ficar sem comer.

Você não deveria estar na empresa? — Sua voz saiu áspera. Ela fechou os olhos, se repreendendo por ter falado daquele jeito com ele. — Desculpa.

Tudo bem. — Ela abriu os olhos e o olhou. — Meu pai vai cuidar da empresa por uns dias.

Oliver, eu não preciso de babá.

Eu estou preocupado. — Foi a vez dela de suspirar. — Você mal tem se alimentado.

Eu não tenho sentido fome, Oliver.

Não pode fazer um esforço? — Ela passou as mãos no rosto. Não era a primeira vez que tinha essa mesma conversa com o namorado. — Eu estou preocupado que você fique doente.

Oliver, eu... — Se interrompeu propositalmente.

Você? — Esperou que ela falasse, o que ela não fez. — Felicity, só quero que fale comigo. Você está me afastando...

Eu vou comer, ok? — Se sentou. Não queria ter aquela conversa agora. — Você pode dar licença para eu descer da cama? — Oliver se levantou depois de assentir. Ele sabia que ela estava fugindo.

**--**

***Um Mês Depois***

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A mamãe não vai descer para jantar? — Ouviu April perguntar.

Ela está cansada, Apple. — Sabia que aquela desculpa não iria surtir efeito por muito mais tempo.

Mas ela estava cansada nos outros dias também, papai. — Amily reclamou. — A mamãe está doente?

Não. Ela está... — Se interrompeu suspirando. — Cansada. Está triste pelo que houve com a vovó Donna.

A mamãe vai melhorar quando?

Amy, não tem como saber, filha. Ela precisa de um tempo. — Elas abaixaram a cabeça. — Lembra quando vocês ficavam tristes por causa da mamãe Sarah? — Elas assentiram. — Vocês choravam porque nunca a conheceram. Choravam porque a mamãe Sarah não estava por perto...

Mas passou quando a mamãe apareceu.

Porque vocês viram Felicity como a mãe de vocês. — Se levantou para ficar de frente para as garotas. — Mas a Felicity teve a mãe dela por perto. A dor dela é um pouco diferente.

Ela tem lembranças com a Vovó Donna, né? — Oliver quase sorriu ao perceber que as filhas entendia o que ele dizia.

Isso mesmo.

Ela não canta mais pra gente. — As meninas tiveram os olhos lacrimejados.

Eu sei. — Sussurrou. Não gostava de ver as filhas daquele jeito. — E eu tenho certeza que ela não faz isso por mal.

Agente entende, papai. Mas é que a gente sente falta.

Eu sei. Não está sendo fácil para nenhum de nós, mas a mamãe precisa de apoio. Faz muito pouco tempo desde o... Acidente. — Suas filhas não sabiam da verdade. Ele não contaria as suas filhas de seis anos que a mulher por quem elas já chamavam de avó, por quem elas choraram quando souberam de sua morte, foi assassinada. — Vamos dar mais um tempo para mamãe, ok? — Elas assentiram.

Agente pode ver ela agora? — Perguntaram juntas depois que Oliver desceu ambas da cadeira.

Eu sei que querem ver a mamãe, mas não acho que seja uma boa hora. — Elas se entristeceram. — Vou colocar vocês para dormir.

Mas... — Oliver se abaixou na altura de ambas. — Era só um pouquinho.

Princesa, a mamãe não está se sentindo muito bem hoje... — Não que ele achasse que ela maltrataria as meninas, mas não queria que as filhas vissem como a namorada estava no momento. — O que vocês acham de passar o dia de amanhã com a tia Laurel?

Por que?

Porque ela ligou e disse que vai levar Lyon ao parque, perguntou se vocês não queriam ir. O tio Barry também vai... O que acham?

E você e a mamãe?

Nós ficaremos aqui. — Elas fizeram uma feição de desgosto. — Vocês podem ir se divertir um pouco. Tenho certeza que vai ser legal.

Mas e a mamãe? — Ele sabia que elas não desistiriam sobre aquele assunto.

Vamos esperar a mamãe estar um pouco melhor e então... Eu deixo vocês vê-la. — E mesmo a contragosto, elas aceitaram. — Vocês vão escovar os dentes e eu vou ver a mamãe. — De mãos dadas com o pai, subiram as escadas. — Me esperem no quarto, está bem? — Elas assentiram e entraram no quarto.

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Eu não estou dormindo. — Disse quando ouviu Oliver fazer de tudo para não fazer barulho.

Você não comeu o que eu trouxe. — Observou a bandeja com o jantar dela em cima da mesa de cabeceira.

Não estou com vontade de comer.

Não é a primeira vez que eu ouço isso.

E não vai ser a última. — Sussurrou, mas ele pôde ouvir.

Eu sei que está se sentindo mal com tudo o que houve. — Ela fechou os olhos, pedindo mentalmente para que ele não começasse o discurso. — Sei que provavelmente está se sentindo... — Se interrompeu, temendo terminar a frase. — Culpada... — Decidiu continuar. Felicity abriu os olhos no mesmo momento. — Mas isso não é sua culpa. Você precisa fazer um esforço, Felicity. — Ela se levantou da cama rapidamente. — Felicity...

Eu vou tomar um banho. — Ele arqueou as sobrancelhas, mas não pôde responder, ela já tinha entrado no cômodo e trancado a porta. Suspirou. Sempre que ela queria fugir dele, ela ia tomar banho. Era a maneira de ela fugir das perguntas dele ou do assunto Donna. Se aproximou da mesa de cabeceira, pegou a bandeja com a comida e saiu do quarto. Foi até a cozinha, esquentou a comida novamente, subiu as escadas, entrou em seu quarto e viu que ela não tinha saído do banheiro. Não ouviu a água do chuveiro, então deduziu que ela estivesse na banheira. Deixou a bandeja onde estava antes e saiu do quarto. Esperava que ela comece.

**--**

Vou levar as gêmeas lá embaixo, ok? — Avisou e ouviu um uhum. — Laurel perguntou se você não queria ir. — Ela o olhou descrente. — Só estou fazendo o que ela me pediu.

E você sabe a resposta. — Voltou a observar o teto.

Talvez fosse uma coisa boa... Você se distrair um pouco.

Para que? — O olhou nos olhos. — Para esquecer que minha mãe morreu? — E depois disso ficou um silêncio constrangedor.

Desculpa. — Decidiu dizer depois de um tempo. — Não foi isso que eu quis dizer. — Era como se ele pisasse em ovos o tempo todo quando falava com ela.

Eu acho que a Laurel deve estar esperando. — Desviou o olhar mudando de assunto. Ele assentiu.

Eu já volto. — E ela novamente o respondeu com um uhum.

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Ela não quis vir. — Afirmou ao vê-lo sozinho com as gêmeas.

Você esperava algo diferente? — Ela suspirou. — Ela não tem saído do quarto, não tem comido bem... Ela está me afastando.

Oliver, eu sei que é difícil, mas não desiste dela.

Eu não disse que vou desistir, Laurel. — Passou as mãos pelos cabelos loiros. — Mas está difícil. Ela não se abre. Não me deixa ajudar...

A Felicity faz isso quando passa por algo difícil. — Ouviu Barry dizer. — Ela tem esse costume, mas isso não quer dizer que você não possa... Estar lá.

Eu estou. O problema é que ela não fala. Quando eu tento dizer alguma... — Barry o interrompe.

Não faça isso. — Oliver arqueou as sobrancelhas, não entendendo. — Não puxe um assunto. Quando a Felicity está nesse mundo dela, o melhor é não puxar um assunto. Fique lá... Por perto, esperando que ela fale. Uma hora ela vai falar. Ela vai desabafar. Isso que está vendo? É a Felicity se excluindo de tudo e de todos. Ela está segurando tudo que sente..., mas uma hora, ela não vai aguentar... E então você tem que estar lá.

Parece conhecê-la bem. — Foi apenas um comentário. Ele sabia que ele a conhecia muito mais que ele, assim como Cait.

E eu conheço. E a Cait também. — Sorriu fraco. — Vai por mim. Ela vai desabar mais cedo ou mais tarde. E alguma coisa me diz que vai ser cedo.

**--** **--**

Oliver estava deitado na cama, com o controle da TV nas mãos, passando pelos canais, tentando achar algum filme bom para assistir. Felicity estava no banho. As gêmeas estavam com Laurel á mais ou menos cinco horas. Oliver conseguiu fazer com que Felicity comesse, mesmo que pouco, mas ela continuava a ficar em silêncio. Mesmo querendo conversar, tentar fazê-la falar, fez como Barry disse. Ele estava ali para quando ela precisar desabafar. Quando ele finalmente acha um filme legal, Felicity sai do banho, já vestida com uma camisola.

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A Thea ligou. — Avisou observando-a se deitar.

Ela disse o que queria?

Falar com você. — Ela assentiu. Ficaram em silêncio por uns bons 20 minutos. Felicity pensava em como estava tratando o namorado, ela não gostava de afasta-lo ou de ser fria com ele, não era de propósito quando o fazia. Ela estava ficando insuportável, mas alguém podia julga-la? Ela se culpava pela morte da mãe. Talvez, se ela continuasse a fazer com que a mãe não a visitasse, ela não estaria morta agora. Por algum motivo as coisas que sua mãe disse no dia em que morreu, ficava passando e repassando em sua mente. Ela lhe fez um pedido e não estava o cumprindo. Sabia que sua mãe estava certa, sua mãe a conhecia bem, ela estava fazendo tudo que sua mãe pediu para que não fizesse. E agora não conseguia parar de pensar em suas últimas palavras. Pensar que nunca mais ouviria os conselhos da mulher que a criou mesmo com muitas dificuldades... Era muito difícil aceitar que nunca mais a ouviria, nunca mais a veria sorrir ou a fazer suas criancices... Por esse motivo, Felicity decidiu se pronunciar.

Me desculpe. — Ele a olhou, ao contrário dela que olhava para a TV. — Pela grosseria de mais cedo... Pelas outras coisas desses dias.

Está tudo bem.

Não. Eu sei que está tentando me ajudar... Me sentir melhor... — Os olhos dela lacrimejaram, mas não deixou nenhuma lágrima descer. — Mas nada que você faça vai me fazer me sentir melhor.

Eu... — Ele não sabia o que dizer, tinha medo de dizer algo que a fizesse se afastar, novamente. — Talvez outra pessoa a ajude então. Falar com outra pessoa, uma profissional...

Oliver, uma psicóloga não vai me ajudar. — Ela o olhou. — Ninguém pode me ajudar. — Ela engoliu um choro que vinha passando pela garganta. — A culpa é minha. Eu não deveria ter deixado minha mãe voltar a se aproximar...

Era por isso que vocês não se viam, então? Não só por causa da mágoa que tinha dela. — Ela passou a língua nos lábios.

Ela corria perigo ficando perto de mim. — Sussurrou. — Por isso não deixava ela me visitar. Eu estava magoada, mas ela era minha mãe... Só queria protegê-la.

Isso não é culpa sua. — Ela colocou as mãos no rosto. — Você não pediu para ter um psicopata te perseguindo. Você não sabia que ele faria...

Eu sabia. — Disse retirando as mãos, voltando a olha-lo. — Eu sabia que ele poderia fazer isso. Eu sabia que ele não se importaria de machucar minha mãe para me ter só pra ele. — Oliver fechou as mãos em punhos. — Ele matou minha colega de quarto, quando estudava em Gotham. — Ele ficou surpreso.

Por que não me disse?

Porque eu me sinto culpada. Porque eu... Eu estava trazendo ele para sua vida no momento que eu aceitei namorar você...

Felicity. — Ele se sentou. — Nada do que ele tem feito... É culpa sua. — Ele observou o rosto da mulher que amava, sabia que ela estava se segurando para não chorar. — Eu sei que você não quer ouvir nada disso agora... Eu nem sei mais como te ajudar, porque você tem me evitado e... — Ela o interrompeu.

Me desculpa por isso. — Ela se sentou também. — Não fazia de propósito, eu só... — Passou mais uma vez a língua no lábio, evitando começar a chorar. — Não era minha intenção te afastar. Eu juro. Eu só... — Se interrompeu propositalmente, não sabia como dizer que não conseguia sentir alguma coisa. Desde o momento que ela perdeu a mãe, ela deixou de sentir muitas coisas... Boas. Mas ela ainda o amava, disso ela tinha certeza.

Eu a entendi. Não era fácil, mas eu entendia que você não estava bem para conversar ou me deixar entrar...

Estava me lembrando das coisas que minha mãe me disse na última vez que nos vimos... Estávamos nos despedindo. E tudo o que ela me disse é verdade. Ela me pediu para eu não afastar as pessoas que eu amo, para não me excluir... Para não me deixar abater com as coisas ruins que acontecem... Mas como vou fazer isso sendo que... — Ela não conseguiu segurar o choro dessa vez, as lágrimas começaram a descer uma a uma. Oliver não sabia se deveria se aproximar, não gostava de vê-la daquele jeito, mas pensava se ela o deixaria abraça-la. — Isso não é justo. — Ela colocou as mãos no rosto e Oliver não se importou se ela iria ou não afasta-lo, apenas a abraçou. Ela não se afastou, apenas colocou o rosto que ainda estava tampado pelas mãos, no abdômen do namorado e deixou o que sentia sair, ela deixou aquele choro que segurava á dias, sair. Oliver ficou em silêncio, deixando ela desabar em seus braços. Barry estava certo. Ela realmente não conseguiria segurar tudo aquilo por muito mais tempo.

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Ela continua enfurnada no quarto? — Tommy perguntou. Estavam se falando pelo celular. Já haviam se passado dois dias desde o dia em que ela desabou em seus braços. Ela estava comendo melhor, mesmo assim não conseguia sair do quarto, mesmo com ele pedindo. As gêmeas sentiam falta da mãe, mas Oliver achava que não era o momento de elas ficarem por perto. Felicity ainda estava muito triste. Magoada... Ele não sabia definir o que a namorada sentia no momento, mas parecia que mesmo com a culpa que ela sentia, tinha algo maior que ela não o demonstrava.

Sim. Mas tem comido melhor. — Tommy suspirou, aliviado. — Depois daquele dia ela tem estado mais fechada que antes. Não tem mais me afastado, mas não me conta o que sente. Sinto que estou perdendo aquela Felicity.

É compreensivo. Ela perdeu a mulher que a gerou, a criou... Felicity se sente culpada e nós não podemos culpa-la por se sentir assim.

Eu sei. Mesmo eu dizendo que ela não é culpada... Ela não se sente assim. — Suspirou. — Não sei mais o que fazer...

Ela ainda está sentindo o luto. Ela ainda vai cair em pranto... O que houve há dois dias, não foi nada... Caitlin conversou com uma amiga que é psicóloga... A mulher disse que se ela se sente culpada, o que houve entre vocês há dois dias foi só um começo. Só esteja lá quando ela precisar.

Estou sem ir para o trabalho desde o enterro. Ela diz que não precisa, que quer ficar sozinha...

Ela reclama quando está no quarto com ela? — Ele negou. — Então é porque ela te quer por perto. Ela só não está conseguindo se expressar. Ela não quer que a veja como um peso...— Oliver passou a mão livre nos cabelos. — Eu sei que você não concorda..., mas talvez uma psicóloga consiga o que não está conseguindo.

Tommy, ela não quer falar com ninguém. Eu falei com ela sobre a psicóloga e sabe o que ela disse? Disse que ninguém pode ajuda-la.

Isso é o que ela acha. — Oliver fez hum? não entendendo o que o amigo queria dizer. — Todos nós já tentamos e não conseguimos nada..., mas e as gêmeas?

Elas não tem se aproximado da Felicity. Eu não acho que seja uma boa ideia.

Talvez você esteja errado. — Oliver arqueou as sobrancelhas. — Acho que deveria deixar as gêmeas fazerem o papel delas, Oliver.

Elas tem seis anos, Tommy.

Eu sei disso. Mas Felicity as escolheu como filhas... As acolheu quando elas precisaram. Ela ama as meninas. Talvez seja com a ajuda das gêmeas que Felicity vai voltar a viver.

É. Talvez tenha razão. — Sussurrou enquanto observava as filhas olhando as fotos do aniversário. Mais especificamente a que estava elas, ele e Felicity.

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Oliver dormia tranquilamente. Ele não percebeu a namorada saindo do apartamento no meio da noite. Ela pediu para que Mike a levasse em um lugar e pediu para que não contasse ao namorado, não foi fácil persuadi-lo, mas ela conseguiu. Mike estava escorado no carro observando a namorada do seu chefe, abaixada onde estava o túmulo da mãe. Felicity tinha conseguido do jardim do condomínio, um lírio. Sua mãe amava os lírios. Lágrimas desciam em sua face, enquanto pensava no quanto sentia sua falta.

Me desculpa mamãe. — Sua voz saiu fraca. — Eu nunca quis que ele lhe fizesse isso. Eu... Só queria que estivesse por perto. Eu não entendo por que isso tudo está acontecendo comigo. Por favor, preciso que me perdoe por deixar que isso te acontecesse. — O vento soprou os cabelos loiros, ela fechou os olhos por breves instantes. — Eu sei que me pediu para não afastar as essas que eu amo..., mas eu não consigo... Não tenho forças. — Colocou sua mão na lápide de concreto, onde estava escrito:

Mãe, Avó e Amiga querida

Fui para o céu, mas não esquecerei

aqueles a quem amei na Terra.

Felicity então, se levantou. — Você sempre acreditou em intuição, ciência, horóscopo... Eu sempre achei que fosse algo idiota e ridículo. Nunca levei isso a sério... — Balançou a cabeça para os lados. — Naquele dia... Não, antes daquele dia... Há uns dias antes do aniversário das gêmeas eu tinha uma coisa no peito... Eu não sabia o que era, só sabia que eu sentia que alguma coisa ruim ia acontecer... — Fungou. — E eu deixei passar, porque era uma coisa idiota. Se eu tivesse acreditado naquele sinal que estavam me dando, você não estaria morta, mamãe. — Lágrimas desceram novamente pelo seu rosto. — Me desculpa. — Ela deixou o túmulo de sua mãe e voltou para o carro, antes de Mike dar a partida ela chamou sua atenção.

Mike. — Ele a olhou pelo retrovisor. — Antes de irmos, preciso que pare em uma farmácia. — Ele assentiu e começou a dirigir. Não demorou muito a chegar na farmácia, Felicity desceu com Mike na sua cola. — Você pode ficar aqui fora? — Ele arqueou as sobrancelhas.

Desculpe senhora, mas não acho apropriado... — Ela suspirou.

Não vai me acontecer nada. Você pode me observar daqui, não? — E ele não quis contestar, apenas fez como ela pediu. Ele pensava em como estaria ferrado se seu chefe soubesse sobre essa voltinha que eles deram.

Felicity caminhou procurando o que que queria, encontrou a cessão e olhou cada marca de perto. Não sabia qual escolher, suspirou, isso era uma droga. Não era hora para isso acontecer... Uma vendedora se aproximou para ajudá-la.

Posso ajudar? — Sorriu.

Sim. Eu... — Droga, ela pensou. Todos sabiam quem ela era por causa das capas de revistas. — Eu não sei qual escolher.

Ah. — Em seu olhar, demonstrava surpresa. — Claro. — Se aproximou das prateleiras e pegou uma caixinha branco e rosa. — Esse é o que nós mais vendemos. Sempre foi eficiente.

Obrigada. — Pegou das mãos da mulher que a olhava sem disfarçar. — O que?

Eu sei quem é você. Você é a noiva do Oliver Queen. — Felicity suspirou, era esse o problema de sair na rua, todos a conheciam. E agora essa... Noiva? — Não se preocupe, não vou dizer a ninguém. Eu nem a vi por aqui.

Eu agradeceria. — A mulher sorriu. — Eu vou levar três. — A mulher as caixinhas, foi até o caixa e Felicity a pagou. — Obrigada. — Deu as costas guardando as caixinhas na bolsa. — Vamos, Mike?

Sim, senhora. — Ele entrou no carro depois de abrir a porta para Felicity entrar. Mike pedia para que não sobrasse para ele.

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Felicity ouviu o namorado dizer que ia visitar os pais, mas que não demorava, ela apenas assentiu. Ele não sentiu sua falta na cama de madrugada e agradecia a Deus por isso, não precisava de um sermão sobre ser perigoso sair àquela hora da noite. Assim que percebeu que o namorado saiu, pegou as caixinhas de dentro da bolsa, foi para o banheiro e se trancou. Ela pediu para estar errada. Suspirou e abriu as três caixinhas, fazendo o que o manual de instruções pedia. Ela nunca tinha feito aquilo antes, suspirou novamente, suas mãos tremiam, ela estava nervosa. Felicity estava sentada na tampa do vaso esperando aqueles intermináveis cinco minutos. Ela passava as mãos no rosto, na boca, nos olhos, o tempo todo, nervosa, querendo que desse logo o tempo certo para poder olhar.

Por que raios tem que demorar tanto? — Sussurrou e de repente seu celular toca e ela trava onde estava. Estava querendo que o tempo passasse logo, mas agora... Agora ela não sabia se queria realmente olhar. Fechou os olhos, respirou fundo e se levantou, se aproximando da pia. — Tudo bem. Não tem nada que temer. — Olhou para o objeto que estava posto em cima da pia.

**--** **--**

Felicity olhava para uma foto em suas mãos, enquanto estava deitada na cama. Nela estava ela e sua mãe em um parque de Las Vegas. Ela tinha sete anos. Seus cabelos negros estavam curtos, na altura dos ombros. Sorria enquanto sua mãe a balançava. Sentia tantas saudades. Não se conformava com o jeito que sua mãe morreu. Ela tinha muito o que viver ainda, muito o que ver ainda... Isso não é justo! Ela não a veria se casar... Ter filhos... Não estaria com ela nos momentos importantes que ainda estava por vir. Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho do seu celular, ela suspirou, não querendo atender, mas sabia que se não atendesse, quem estava ligando, ficaria preocupado, por isso pegou o aparelho que estava em cima da mesa de cabeceira e atendeu.

Alô. — Se levantou da acama, saindo do quarto.

Lis. Que bom que atendeu, você está bem? — Ela revirou os olhos.

Estou bem, Cait. — Desceu as escadas indo para a cozinha.

Tommy disse que você está sozinha e eu me preocupei.

Estou ótima. — Abriu a geladeira depois de colocar o celular na bancada. — Não tem porque se preocupar.

É impossível me pedir isso. Você quer que eu fique aí com você? — Pegou leite, ovos e uma calda de chocolate, fechando a geladeira.

Não. Eu estou bem aqui.

Você não quer sair um pouco?

Não. Estou ocupada agora... — Pegou a farinha de trigo e o sal e levou tudo para a bancada.

Ocupada? Talvez você queira ir ao shopping mais tarde... — Felicity suspirou, largando tudo e pegando o celular com uma das mãos.

Cait, eu sei que você quer me ajudar..., mas nesse momento eu só quero ficar sozinha. — Cait sentiu seu peito apertar, não gostava de ver a amiga sofrendo. — Por favor, não fique me perguntando se estou bem, isso não ajuda. Eu tenho que fazer uma panqueca agora, então eu vou desligar.

Lis. — Felicity fechou os olhos. — Eu só quero te ajudar.

Me ajuda quando não me perguntam como estou. — Abriu os olhos. — Nos falamos outro dia, ok? — Desligou, suspirou e voltou a fazer o que fazia. Sabia que tinha sido um pouco grossa com a amiga, mas não queria falar com ninguém, será que não entendiam? O seu celular tocou mais uma vez, revirou os olhos. Olhou para a tela e viu que não era Cait, dessa vez, era Thea. Não atendeu, esperava que a deixassem em paz. Mas não. Isso não aconteceu. O celular continuou a tocar, incessantemente. Suspirou, largando a panqueca no fogo e pegando o celular.

Lis. Finalmente me atendeu. Estava preocupada.

Hum. Estava ocupada.

Eu liguei para saber se não está afim de dar uma volta. — Revirou os olhos mais uma vez. — Estava querendo ir naquele café que abriu aqui perto.

Não posso. — Deixou no viva voz, largou o celular na bancada e se voltou para a panqueca.

Eu sei que provavelmente não queira sair de casa, mas acho que vai ser bom. — Felicity jogou a panqueca para o alto e levou a frigideira para onde a massa estava voltando, caindo perfeitamente.

É. Eu não quero sair. Thea, eu só preciso ficar sozinha, ok? Eu não quero sair, não quero conversar... — Colocou a panqueca pronta no prato. — Eu só preciso que parem de querer me fazer esquecer do que aconteceu.

Eu sei que... — Respirou fundo. — Me desculpe. Eu sei que está triste, eu compreendo que não queira ver ninguém, mas eu quero te ajudar. — Felicity colocou outra massa na frigideira.

Não pode me ajudar, Thea. Ir a um café não vai me ajudar, ir a um shopping não vai me ajudar. Nada vai me ajudar. — Thea sentiu seu peito apertar ao ver como a irmã estava. — Por favor, parem de me ligar. Eu quero ficar sozinha. E em paz.

Eu não vou deixar você se afundar... — Felicity suspirou. — Você é minha irmã. E eu te amo. Mesmo que me exclua da sua vida, você não vai conseguir. Eu vou continuar te visitando e te ligando.

Thea, eu vou queimar minha panqueca, nos falamos depois. — Desligou o celular, dessa vez ninguém conseguiria falar com ela. Se sentou à mesa com o prato com panquecas e comeu um pedaço. Mastigou devagar olhando para as panquecas. Fechou as mãos, machucou uma delas, pois estava com o cabo do garfo. Seus olhos lacrimejaram. Não estava aguentando mais. Tudo lembrava sua mãe. Até mesmo essas panquecas. Mesmo que ela não soubesse fazer nada... Era sempre divertido quando era criança. Empurrou o prato e colocou ambas as mãos no rosto.

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*** Uma Semana Depois***

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Felicity estava sentada observando as crianças do condomínio brincarem na piscina. Ela parecia nem estar naquele plano, de tão absorta que estava. As gêmeas estavam com Tommy e Caitlin naquele dia. Oliver pensou que quando Felicity chorou com o rosto enterrado em seu corpo, ela melhoraria..., mas isso não aconteceu. Ela estava mais absorta que antes, não deixava ninguém se aproximar, nem Caitlin que era sua melhor amiga... Ou Barry. Oliver ficava ao lado dela o tempo todo, em silêncio, esperando que lhe falasse, mas não acontecia. Pelo menos ele tinha a convencido a falar com a psicóloga, mas a mulher lhe disse que ela não tem falado nada. Isso o preocupava.

Você não foi a psicóloga, hoje. — Ela não respondeu. — Se passaram dez dias e você já desistiu?

São só 50 minutos. Um dia a menos não vai me fazer falta.

Tudo bem. — Ele esperou que ela disse alguma coisa, que não veio. — O que você acha de passar o dia só eu e você? — Ela novamente ficou em silêncio. — As gêmeas ficarão com Tommy e Barry até mais tarde... Vamos dar uma volta.

Tanto faz. — Disse depois de um suspiro. Oliver se levantou estendendo a mão direita para ajudá-la a se levantar e ela aceitou.

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Como está a Felicity? — Laurel olhou para a mulher que era sua sogra. A mulher tinha a chamado para dar uma volta no shopping, para conversarem, fazia tempos que não faziam aquilo.

Nada bem. — Sua expressão antes sorridente, agora estava triste e preocupada. — Ela está triste, deprimida e com raiva.

Eu sinto muito por ela. Malcom tentou falar com ela, mas ela não atende o celular e Oliver disse que ela não quer ver ninguém.

É. Ela aceitou ir á psicóloga, mas faltou a sessão de hoje. Oliver está com ela e como ele vai ficar com as gêmeas mais tarde, eu e Cait vamos passar a tarde com ela. — Olhou no relógio. — Na verdade daqui duas horas.

Entendo. Deseja melhoras para ela. — Laurel assentiu.

Você queria vir aqui para quê mesmo?

Ah sim. Preciso de ajuda para o que dar de presente para meu neto e é claro para as gêmeas. — Laurel arqueou as sobrancelhas, confusa. — O natal está chegando Laurel.

Oh. Verdade. — Sorriu. — Bom, nisso eu posso ajudar. — A mulher lhe sorriu agradecida.

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Cait! — Ela levantou a mão.

Boa tarde. — Cumprimentou as duas mulheres e elas cumprimentaram de vota. -E Oliver?

Deve estar chegando com a Lis.

Laurel disse que ela não quis atender nem você, querida.

É. Eu tentei falar com ela depois do dia em que ela estava fazendo panqueca, mas... — Deus de ombros balançando a cabeça para os lados.

Panqueca? — A mãe de Tommy arqueou as sobrancelhas.

É. Agora ela ocupa a cabeça fazendo comida, Rebecca. — A mulher fez um oh.

Nós sabemos que não deve estar sendo fácil para ela, mas... Queremos ajudar.

Ela sabe disso. E sabe que estão querendo o melhor para ela. Mas ela perdeu a mãe, alguém importante para ela. Não é uma situação fácil e fica ainda mais difícil sabendo que quem a matou foi um lunático que está atrás dela. Vocês precisam compreender que ela nesse momento deve estar sentindo muitas coisas e entre elas a culpa.

É. Ela disse ao Oliver que se sente culpada. Pelo menos ela tem saído do quarto e tem comido. Isso já nos deixa mais aliviados. — Laurel concordou. Elas viram Oliver se aproximar.

Ollie/Oliver. — Laurel e Caitlin cumprimentaram juntas.

Boa tarde, Oliver. — A mulher lhe sorriu.

Boa tarde. — Se sentou.

E a Felicity?

Ela foi ao toalete. — As garotas assentiram.

Como você está querido? Parece cansado.

Estou indo. Estou cansado porque minhas filhas não andam conseguindo dormir sozinhas, elas sentem falta da Felicity. — Passou uma das mãos nos cabelos, bagunçando-os. — Elas não entendem porque a mãe delas, não é mais a mãe delas, entende? Elas sabem que Felicity está triste por causa de Donna, mas não entendem porque ela não está sendo mais a mãe que elas conheceram.

Elas tentaram se aproximar?

Elas queriam, mas eu não deixei. Do jeito que Felicity está não acho que seja a hora certa.

Oliver, elas precisam da mãe. Felicity não faria nada que as magoasse.

Eu sei que não. Não é por isso que estou preocupado. — Suspirou. — A Felicity não tem falado nem com a psicóloga... Eu não quero que ela pense que estamos a pressionando, entende?

Acha que elas serão muita pressão?

É o que eu acho.

E como ela está? — Cait perguntou preocupada.

Está como estava na semana passada... E na anterior... E na anterior... — Elas assentiram, entendendo. — Os médicos dizem que depressão é diferente para todo mundo..., mas um dia ela deve se sentir melhor. Só não sabem que dia será esse. — Oliver não gostava de ver a mulher que amava naquela situação. Ele queria poder ajudar, mas os médicos disseram que o melhor era não pressiona-la com perguntas, então ele fica por perto, esperando ela se abrir. Novamente.

Vamos torcer para que esse dia seja hoje. — Oliver sorriu fraco novamente, assentindo.

Sabe, mesmo com tudo isso, estou realmente muito feliz por Felicity ter você. Você é exatamente o que ela precisa agora. — Oliver agradeceu a Caitlin.

Ela está vindo. — Rebecca sussurrou para os presentes. — Boa tarde, querida.

Olá, Rebecca. — Se sentou. — Isso aqui é o que? Uma intervenção?

Não. Somos suas amigas e nós vamos passar a tarde juntas. — Felicity não disse nada. — Você pode escolher o que fazer.

Bom, vou deixar as garotas sozinhas. — Se levantou. — Nos vemos no apartamento, ok? — Ela assentiu. Oliver se aproximou e lhe deu beijo na bochecha. — Quer uma carona, Rebecca?

Não. Meu motorista está chegando. — Ele se despediu das mulheres e saiu.

E então? O que quer fazer?

Eu preferiria ficar no meu apartamento.

Lis, eu sei que não queria sair. Mas o que custa você tomar um ar puro? — Ela suspirou se levantando, andando em direção a saída do shopping. As amigas a seguiram, com Rebecca atrás. — Você é minha melhor amiga, só quero ajudar.

Por que não vamos ao cinema? — Laurel se pronunciou, mas Felicity não respondeu. Laurel e Caitlin se olharam — Queremos que volte ao que era antes. — Felicity que estava de costas, se virou para as amigas. Elas estavam em um espaço de lazer, havia algumas pessoas sentadas em mini sofás e poltronas, conversando.

Eu sei disso. Eu digo todos os dias para mim mesma que eu tenho que me levantar e me sentir feliz..., mas eu não me sinto feliz. E quando eu tento mudar, quando eu tento me lembrar de como eu era feliz... — Passou as mãos nos cabelos, nervosa. — Eu não consigo. Eu... Não sinto felicidade. Não me sinto inspirada... Eu me sinto entorpecida. — Elas não imaginavam que a amiga iria dizer aquilo. Imaginavam que ela fingiria que não tinha ouvido, como tem feito nesses dias.

Querida, me escute. — Se aproximou. Felicity deu alguns passos para trás. — Eu sei que está muito machucada, agora, mas também sei que está ciente das escolhas que está fazendo. — Felicity reprimiu um revirar de olhos. — Então, eu quero que me escute. Por favor... Apenas, me escute, está bem? — Ela apontou para o sofá que estava perto delas e se sentou, sendo seguida pela loira. Felicity e Rebecca sentadas no sofá, uma de frente para a outra. Caitlin e Laurel nas poltronas em frente ao sofá. — Sua mãe tinha orgulho de você. Ela te amava. E partiria o coração dela saber que a linda, gentil e inspiradora filha dela, está sofrendo desse jeito. Eu sei disso porque eu sou mãe. — Os olhos dela começaram a lacrimejar. — E você também é. — Deu um sorriso fraco. — Nossas vidas são difíceis e certas perdas são irreparáveis. Então fique de luto. E lute. E ache seu caminho de volta dentro dos seus termos e pelo seu jeito. Mas lembre-se: Sua mãe queria que você fosse vibrante e inspiradora. Eu sei que você sente que é sua culpa o que houve com ela, mas me deixa dizer: Você não tem nada a ver com a monstruosidade que aquele cara lhe fez. — Felicity pareceu surpresa por ela saber. — Você deu a sua mãe dias maravilhosos. Ela te viu crescer. Te viu amadurecer. Viu a linda e inteligente filha que você se tornou. — Felicity passou um dos dedos, em uma lágrima que descia pelo seu rosto. — Não se deixe levar pela culpa, querida. Ela não iria querer te ver assim. Ela iria querer que você lutasse contra essa dor que está sentindo, que se levantasse e com sua força, mostrasse que nada que ele lhe fizer, vai fazer com que desista de viver. Porque essa foi a filha que ela criou. Foi essa a filha que ela amou.

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Ei. — Cumprimentou quando abriu a porta. — Como foi? — Felicity deu de ombros.

Foi muito bom. — Cait respondeu pela amiga. Oliver assentiu.

E as gêmeas? — Laurel perguntou, Felicity ficou interessada no assunto. Ela não vai as meninas á dias. Elas iam com Oliver levar as refeições e depois que passou a descer para as refeições, mesmo que por pouco tempo, observava as meninas. Elas ficavam quietas, olhando para ela, tristes... E isso a deixava mais triste do que já estava. Não queria que as filhas se machucassem também, já bastava ela... Talvez elas esperavam que ela falasse alguma coisa e mesmo que quisesse, não conseguia.

Elas dormiram.

Então se divertiram muito, para dormir cedo.

Deram um trabalhão para Tommy e Barry.

E você? — Cait arqueou as sobrancelhas.

Eu tinha que resolver uma coisa.

Estou indo me deitar. — Avisou. — Boa noite.

Boa noite, Lis. — As amigas disseram juntas, vendo-a subir as escadas.

Cait, antes de ir, pode vir comigo? — Ela assentiu e seguiu o outro, com Laurel do seu lado. — Você sabe onde Felicity guardou o celular da mãe dela?

Sim. Por que?

Você conseguiria pegar? — Ela arqueou as sobrancelhas. — É importante.

Tudo bem. Eu já volto. — Ela subiu as escadas para fazer o que o namorado de sua melhor amiga lhe pediu.

Ollie, o que está acontecendo? — Ele suspirou e mostrou em cima da mesa da cozinha, vários papéis. — O que é isso?

São contas telefônicas. — A mulher arqueou as sobrancelhas e logo Cait chegou com o celular.

Aqui. — Oliver se sentou e as garotas fizeram o mesmo, cada uma de um lado.

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Primeira mensagem:

Mãe, sou eu.

Eu sei que você foi embora e que nunca mais vai voltar... E sei também que isso é culpa minha..., mas estava pensando, talvez... De alguma forma eu possa vê-la novamente, falar com você ou ouvir a sua voz.

Sei que provavelmente você deve estar aí em cima pensando: Ela não está cumprindo com a promessa que fez a mim. Mas como eu posso fazer isso, mamãe? Quando eu sei que isso tudo é culpa minha?! Eu deixei que ele se aproximasse de você. Sei que se você pudesse, me diria: Isso não é sua culpa, querida. Mas eu sei que é. Eu nunca deveria ter me envolvido com ele.

Eu queria tanto ouvir um conselho seu agora. Eu estou fazendo tudo que me pediu para não fazer. Eu estou afastando as pessoas que eu amo: Oliver, as minhas filhas, Cait, Barry, Tommy, Thea, Laurel... Meu pai. E eu não faço isso de propósito, eu só não consigo me deixar sentir novamente. A Cait me ligou e eu desliguei na cara dela. De novo. E eu nem sei por que eu fiz isso. Mas fiz. Fui grossa com Thea e ela só queria me ajudar. As gêmeas... Eu nem me lembro a última vez que deitei do lado delas e cantei. Você se lembra daquela música que cantava para mim? Eu não entendo por que eu continuo me afastando delas. E eu sei que elas não tem culpa de nada..., mas por algum motivo, eu não consigo vê-las. Eu sinto um nó na garganta e me lembro dos momentos que eu tive com você e dos momentos, mesmo que poucos, que elas tiveram com você... E eu não consigo me aproximar. Elas merecem alguém melhor do que eu sou agora. E Oliver também. Ele tem dado tão duro para me ajudar, tentando se aproximar e tudo que eu faço é me afastar. Eu deixo as coisas mais confusas para ele e eu não sei até quando ele vai aguentar. Eu não faço de propósito. Eu apenas... Faço. Eu tento me abrir, mas então... Uma força me puxa de volta para a amargura que eu sinto. Para a raiva, o ódio... A dor de sentir a sua falta.

Todos os dias ignoramos como o mundo está perdido e dizemos que tudo vai ficar bem.

As garotas se olham preocupadas e depois desviam os olhos para Oliver que olhava para o aparelho. Eles tinham a mesma expressão: Preocupação.

Felicity estava na banheira. Ela não se preocupou quando não ouviu Oliver entrando no quarto. Ela já estava acostumada, ele sempre subia depois que ela já estava dormindo. Ela não compreendia aquela força maligna que não a deixava sair do buraco que se encontrava. Ela não queria desistir dos que ama, só gostaria de ter sua mãe de volta, mas ela sabia que isso não aconteceria. Ela queria sentir aquele sentimento de novo. Ela queria voltar a viver..., mas sempre algo a puxava para o mundo sombrio, onde a lembrava constantemente que a culpa era dela. Sua mãe estar morta, era culpa dela. E então, como voltar a sentir coisas boas, quando só se tem coisas ruins passando por seu coração? Ela não sabia como fazer para voltar a sentir... Ela olhou para a água morna, então deixou seu corpo descer para baixo dela. E fechou os olhos.

Mas não vai ficar bem. Eu sei disso, agora. Quando você descobre, não há mais volta.

CONTINUE...

Notas finais
O que acharam dese capítulo? Felicty surtou legal com a morte da mãe, não é? Também, alguém pode culpa-la? Ela perdeu a mulher que ela mais amava. Isso vai afetar ainda mais o relacionamento dela com Oliver. E todos á volta dela. O que acharam do momento Rebecca e Felicity? A mais velha deu um conselho emocionante á nossa loira preferida. Vou dizer, eu me emocionei enquanto escrevia O próximo será postado na próxima terça-feira. E será um capítulo Extra e não o "normal" Data de Lançamento: 12/06 Prévia Cadê a Caitlin? Ela está lá em cima, tomando um banho. Ótimo. Eu preciso falar com ela e é urgente. - Correu para as escadas. Aconteceu alguma coisa? - Perguntou preocupado. Nada que precise se preocupar. - Tommy se aproximou. - Você pode ir dar uma volta com a pequena. Está mandando eu ir embora do meu apartamento? Thommas! - Rosnou. Nossa, que mudança de comportamento. - Suspirou. - Só te vi assim uma vez... - Ele balançou a cabeça. - Bom, eu vou deixa-la com minha namorada. Sozinhas. - Ela agradeceu. - Volto em uma hora. Melhor em duas. - Ele arqueou as sobrancelhas e depois bufou. É o cúmulo. - Olhou para filha. - Está vendo como sua tia é folgada? - Laurel lhe bateu no braço. - Tudo bem, você tem sorte... Eu ia mesmo dar uma volta com essa princesinha. Então tchau. - Subiu as escadas corredo. Folgada! - Arqueou as sobrancelhas. - Laurel está tão estranha. - Bufou novamente. - Isso é problema do Barry agora. - Pegou a bolsa da filha. - Seu pai está em apuros. - Disse enquanto saia do apartamento.