Kupidon

78 Capítulo Cinquenta e Seis


Notas iniciais
Como prometido, aqui estou com mais uma parte desse inferno no qual Felicity está sendo submetida. Se preparem e tenham lencinhos em suas mãos. Sem mais... Boa Leitura!!

Felicity estava achando muito estranho, apesar de agradecer aos céus. Cooper havia saído, e ainda não havia voltado. Quase dois dias se passaram, tranquilo, apesar da situação em que estava, e ele continuava fora, e só sabia que era esse o tempo por conta do relógio na parede de seu quarto e o maldito calendário que estava pregado na parede perto do closet. Ela pegou da cozinha, depois do café da manhã. O que ele estava fazendo, era o que se perguntava. Será que tentava trazer Noah? Não achava que seria fácil, não com todos os agentes de olho nele, e com certeza, tentando tirar informações. Ela tinha certeza de que estavam usando modos nada ortodoxos para fazer o homem falar, mas ela não se importava. Ele merecia o pior, depois de tudo que fez. Ele era o culpado de sua mãe estar morta, ele era o culpada de seu pai, irmão e marido quase terem morrido, o culpado de as gêmeas terem passado por uma situação traumática, duas vezes; na perseguição de carros e quando foi sequestrada. Lembrar-se do sequestro a fez se perguntar como o sobrinho estava. Ele também havia passado por uma situação traumática, quando Cooper o usou para fazê-la se render. Ele, um garotinho tão pequeno, passando por tal situação.

Sentia saudade de todos. E não fazia ideia de quantos dias estavam naquela casa do horror. Havia sentidos as mãos daquele homem em seu corpo, uma vez apenas, e já estava temerosa pelos próximos dias. Seriam dias sombrios para ela. Ela estremecia só de imaginar. Queria tanto que Cooper não voltasse, queria tanto que a encontrassem de uma vez, queria tanto não ter que ter seu corpo possuído por aquele homem horroroso. Seus bebês se mexeram, e ela levou as mãos até ali. Prometeu que nada os faria mal, que não deixaria que ninguém os machucasse, nem mesmo Cooper. Engoliu em seco, com o próximo pensamento: mesmo que eu tenho que me entregar a ele sem resistência – mas isso também não queria dizer que ela fosse correspondê-lo. Isso seria demais.

Você está me dizendo que a partir de amanhã vamos ser seguidos 24 horas por dia? – Perguntou surpresa. – Por favor, diga que eu ouvi errado?

Felicity... – Ela o interrompeu.

Não. Eu não aceito isso. Nem quando tinha um psicopata atrás de mim, eu tinha pessoas me seguindo e me protegendo.

Agora é diferente. – Já se passava das 23h. Oliver buscou Felicity às 22h e agora estavam no apartamento do Queen, conversando. – Isabel está solta.

E daí? Ela não pode fazer nada, Oliver.

Você acredita mesmo nisso? – Arqueou as sobrancelhas. – Felicity, ela já tentou nos matar uma vez, lembra-se?

Eu não tenho medo dela!

Pois deveria ter. – Felicity bufou enquanto revirava os olhos. Oliver já esperava por isso. — Você pode bufar, revirar os olhos, reclamar o tanto que quiser. Mas eu não vou dispensar os seguranças.

Oliver... – Ele a interrompeu.

Não adianta. Não vou mudar de ideia. Eles começam amanhã cedo.

Ninguém merece! – Reclamou. – Vou dormir que ganho mais. – Deitou e cruzou os braços na altura do seio.

Felicity. – Ela o olhou. Ele continuava sentado. – Sei que não gosta disso, mas isso é para a nossa proteção. Pense nas gêmeas. – Falar nas filhas foi um gatilho, pois Felicity mudou a expressão na hora.

Tudo bem. – Sussurrou. – Vai ser uma droga, mas... – Deus de ombros.

Obrigado por entender. – Ela assentiu.

Por algum motivo aquela lembrança lhe veio em mente. Tinha sido a primeira ação do marido, em deixá-la em segurança, e ela não se arrependia de jeito nenhum em concordar. O que teria sido dela e de sua família sem eles? Tudo bem, muita coisa aconteceu, mas nenhum deles tinham culpa. Eles tentaram, eles a protegiam, a tratavam como uma irmã mais nova. Ela adorava cada um de seus seguranças. Balançou a cabeça ao se lembrar de Noah. O odiava com todas suas forças. Por isso Gregory, Collin, Dylan e Tyler implicavam tanto com o homem. Não só eles, mas todos os outros também. Mas ela se lembrava de que Gregory sempre dizia não confiar nele, e ela sempre pensou que isso era por causa dos ciúmes que sentia da irmãzinha. Era tudo porque eles já desconfiavam que ele era um maldito traidor. Apesar de tudo, Felicity confiava nos outros, e acreditava que eles conseguiriam, de alguma forma, a encontrar.

Felicity..., antes de te conhecer, eu achava que tinha tudo na minha vida para ser feliz. Eu encontrei alguém que me amava do jeito que eu era, mesmo com as minhas molequices..., então eu perdi essa pessoa que me fez ver que a felicidade não depende só do dinheiro. Depois disso, eu não tinha mais nada para me manter "são", senão as gêmeas. Pensei que nunca mais conseguiria amar novamente. Pensei que nunca mais conseguiria sorrir, me sentir feliz, ver o mundo belo novamente..., senão com as minhas filhas. – Ele sorriu. – Então você entrou na minha vida e tudo mudou. Você a virou de cabeça para baixo. Eu estava na escuridão. Mas, com a sua gentileza, generosidade, compaixão, inteligência, perspicácia e sua confiança, você me trouxe para a luz. – Ela sorriu. – Você me fez perceber que eu mereço. Que eu poderia ser feliz novamente, que eu poderia amar novamente, que estava tudo bem eu me sentir inseguro com relação aos meus sentimentos. Eu deixei de me sentir nas trevas, assim que meus olhos encontraram os seus. Você era essa luz. E eu percebi, depois de conhecê-la, como o meu mundo era vazio sem você. Como ele ficava sem graça. Percebi que dali em diante eu não seria feliz sem você. Eu amo tudo em você, Felicity. Eu amo o jeito que você me desafia, como nunca ninguém o fez. Eu amo o jeito que você olha para mim, como nunca ninguém o fez. E eu amo o jeito como está sempre querendo me proteger, como nunca ninguém o fez. – Ele piscou para ela, sorrindo. – Quando você levou um tiro por mim, eu a amei ainda mais, eu estava extremamente agradecido, mas ao mesmo tempo, eu senti que meu mundo estava desabando. Eu disse á você, quando a pedi em casamento, que eu não conseguiria viver, se te perdesse. E é verdade. Naqueles dias em que ficou inconsciente, eu estava voltando para a escuridão que um dia você me salvou. E é por isso que eu não consigo imaginar o resto da minha vida sem você. E se você disser “sim” nos próximos minutos, eu não precisarei passar o resto dela sem você.

Felicity não pôde deixar de sorrir, ao se lembrar dos votos do marido. Aquele dia tinha sido tão especial para ela, apesar do rato que encontrou em uma das caixas de presente. Ele falando todas aquelas coisas, sem desviar de seus olhos, tocando sua mão com carinho, sorrindo de uma forma que ele conseguia sorrir só para ela e as gêmeas. Era seu sonho sendo realizado. Ela estava se casando com o homem que amava, ouvindo todo o amor que ele sentia por ela. A voz dele ainda estava gravada em suas memórias. Não só a voz, como o cheiro, o toque, as sensações que ele a fazia sentir, os olhos, cheio de carinho, atenção e amor, a forma como ele cuidava dela, mesmo quando estava viajando. Ela ainda tinha as lembranças, e isso nada poderia lhe tirar. Ninguém poderia lhe fazer esquecer dos momentos que teve com ele, das várias vezes que o ouviu dizer o quanto a amava, da emoção que ele sentiu e demonstrou quando soube que seria pai. Seus bebês começaram a se mexer, e ela sorriu. Eles sabiam que ela estava pensando no pai deles.

Você estava tão estranha mais cedo.

Eu não. – O viu secar os cabelos com a toalha. – Estava bem.

Não sei, só achei que estava..., quieta demais. Um pouco calada demais. – Se aproximou da cama.

Eu só..., descobri uma coisa hoje. – Ele se sentou de frente para ela. – Foi estranho e assustador, mas depois..., foi muito legal. – Oliver arqueou as sobrancelhas, tentando entender do que a esposa estava falando. – Me dá sua mão. – Ela pegou a direita e levou até sua barriga, foram poucos segundos para que enfim Oliver sentisse.

Oh. – Ela sorriu. – Ele chutou.

Ou ela. Ainda não sabemos.

Não acredito. Estão chutando.

Estão chutando. – Felicity sentiu outro chute, dessa vez mais forte. – Uau. Esse foi forte. – Colocou a mão dela junto da dele. E novamente os dois sentiram outro chute.

Do jeito que esse chuta, vai ser jogador de futebol. – Felicity riu. – Por isso estava estranha. Você sentiu nossos filhos chutarem, meu amor.

Eu não sabia o que era, no começo. – Oliver a olhou. – Eu pensei que tinha algo errado, estava com medo de que algo muito ruim estivesse acontecendo e... – Outro chute foi sentido pelos dois. – E então a Cait disse que um dos bebês estava chutando.

E agora os três estão.

É desconfortável. – O olhou sorrindo. – Mas um desconfortável bom. Eu não pensei que dessa vez eu sentiria isso.

Felicity, dessa vez está dando certo. – Beijou a bochecha dela. – Oh, chutou de novo.

Você está ansioso para saber os sexos deles?

Pra falar a verdade, eu estou sim.

Eu também. – Olhou para a barriga. Os bebês tinham parado de chutar. Oliver se deitou ao lado dela, mas continuou com a mão na barriga. – Eu fico imaginando-os. Os três. Se serão meninas ou meninos. Com quem se parecerão... – Retirou as mãos, trazendo o corpo da noiva para mais junto do dele. – A médica disse que provavelmente saberemos sobre isso na próxima consulta.

Espero que eles nos deixem ver os sexos dessa vez.

Vou comer muito chocolate. – Ele riu. – O que? A Cait disse que ajuda.

Só tome cuidado com o tanto de doce que come, okay? Pode te fazer mal, e aos trigêmeos também.

Seu corpo estremeceu quando a porta se abriu, fazendo-a se interromper nas lembranças. Como ela teve a certeza de que era Cooper? Seu cheiro o denunciou. O mesmo cheiro da noite passada. O mesmo cheiro nojento, que estava impregnado nos lençóis que ela havia arrancado do colchão de forma desesperada, e jogado no corredor. Ela sabia que ele não mais estava lá, pois quando lhe entregaram a refeição, haviam trago junto um novo lençol e o corredor estava limpo. Engolindo seco, seus olhos se encontraram com os dele. Ele tinha um sorriso nos lábios, e se aproximava como um predador prestes a pegar sua presa. E para seu desespero, ela era a presa. Estremeceu quando ele se sentou ao lado dela.

Sentiu minha falta, querida? – Colocou uma mexa do cabelo atrás da orelha dela. – Eu sei que demorei, mas estou de volta. – Ela fechou os olhos, sentindo os lábios dele passearem por seu pescoço. – Você está tão cheirosa. – Sentiu a mão dele apertar sua coxa, por cima da calça de moletom que vestia. – Quero sentir seu corpo junto ao meu, meu amor.

Cooper, para. – O empurrou, não sabendo de onde tinha tirado tanta coragem. Ele franziu o cenho, desgostoso. – Eu não quero.

Você não entendeu, Felicity? Você vai fazer o que eu quiser, quando eu quiser. – Ela sentiu a mão dele pousar sobre a barriga avantajada. – Principalmente se não quiser que eu mate esses malditos bebês. – Ela estremeceu.

Não faça nada.

Para ver como não sou um monstro..., não farei nada. – Sua feição mudou, ficou sombria. – Mesmo sabendo de quem são esses filhos.

Mas para isso...

Para isso, meu amor, você vai ser minha. Quando e onde eu quiser. – A empurrou levemente, na intenção de fazê-la se deitar. – Vai me corresponder... – Beijou seus lábios levemente.

Não mesmo. – O empurrou, sentando-se, nervosa, mas não teve tempo de correr para fora da cama. Cooper a empurrou com mais força, e se colocou em cima de si, segurando seus pulsos, como da primeira vez.

Não é você quem escolhe. – Diz antes de beijá-la. Felicity se mexia desesperada na cama, tentando se soltar, tentando fazê-la se afastar, e por puro medo, ela mordeu os lábios dele. – Isso só faz com que eu me excite, querida. – Passou a língua nos lábios, e Felicity sentiu seu estômago embrulhar. – Você vai ser minha novamente..., mesmo que eu tenha que obrigá-la a isso. – Diz enquanto amarrava as mãos dela, no alto da cabeça. – E eu sei que em algum momento..., você vai gostar.

Felicity se encolhe completamente, quando ele a deixa completamente nua, sem se importar em rasgar algumas partes das peças que vestia. Diferente da última vez, ele não estava bruto, e ela não sabia o que esperar quando ele começou a tocá-la com as mãos e os lábios. Sentia nojo, repulsa, asco, vontade de vomitar. Mais que isso, desejava sumir, deseja que tudo aquilo não passasse de um pesadelo horrível. Odiava ter as mãos dele tocando-a de forma carinhosa, odiava ouvi-lo gemer seu nome, enquanto a beijava por inteira. Ele tirou a própria camisa, a calça e os sapatos, ficando apenas de boxer, voltando a se colocar em cima dela. A enchia de elogios, mas não era os dele que ela gostaria de ouvir. Não era o gosto dos lábios dele, as mãos dele, o corpo dele, que gostaria de sentir.

Cooper pediu para que ela ficasse quietinha, antes de segurar o rosto dela com uma das mãos, forte o suficiente para que ela fizesse um biquinho – pois ela não abria os lábios –, enfiando a língua em sua boca. Dessa vez, de forma mais selvagem, sem se importar em estar machucando-a com aquele ato. Ele sussurrou, chamando-a de gostosa, quando deixou seus lábios, ainda tocando seu corpo nu. As mãos passeavam pelas coxas fartas, a lateral da barriga, e enfim, quando chegam aos seios fartos, se delicia, sentindo sua mão contra eles, sem se importar em ouvi-la pedir para parar. Gemia o nome da loira abaixo de si, voltando a tomar os lábios vermelhos e carnudos, mesmo que ela tentasse se desvencilhar.

Minha, Felicity. Só minha. – Diz, possessivo, antes de retirar a última peça que vestia. – Preciso de você, meu amor.

Como ela odiava quando ele a chamava daquela forma, odiava quando o ouvia chamá-la carinhosamente de amor e querida. Os sussurros, os elogios, a voz dele, lhe dava ânsia. O grito dela foi abafado por uma das mãos dele, quando o sentiu invadi-la de forma bruta, começando os momentos e gemendo o nome da loira, logo em seguida. As lágrimas desciam pelo rosto pálido, os soluços e as fungadas, eram abafadas pela mão grande. Seu corpo era prensado contra o colchão, com força. E Felicity só queria que aquela tortura acabasse de uma vez.

**--** **--**

Apesar de ter se aliviado quando ele enfim saiu do quarto, Felicity não conseguia parar de chorar. Diferente de antes, que chorava sem fazer som algum, naquele momento ela desabava, gritava contra o travesseiro, completamente desesperada. Não sabia quanto tempo suportaria aquela situação. Seu corpo tinha as marcas das mãos dele, a voz dele ainda estava gravada em sua mente, a sensação de tê-lo sobre seu corpo, machucando-a de tal forma, passava como um filme em sua mente. Ela não conseguia se controlar. O choro parecia não acabar nunca. Ela sentia os bebês chutando, eles estavam sentindo o desespero da mãe, sentindo sua angustia, seu medo, mas ela não conseguia se acalmar. Tudo que ela queria era que aquele inferno fosse apenas um pesadelo. Um terrível, trágico e maldito pesadelo. Queria poder acordar daquele pesadelo nos braços do marido, queria poder ouvir a voz dele, dizendo que estava tudo bem, queria poder sentir o cheiro dele, sentir os lábios dele contra sua têmpora e seus cabelos, enquanto tentava acalmá-la. Mas nada disso iria acontecer, e esse era mais um motivo para ela chorar ainda mais.

Seu jantar, meu amor. — Ela estremeceu quando ouviu a voz dele. Pensou que estaria livre dele por mais algum tempo, mas estava completamente errada. Ele havia avisado que voltava logo, mas não esperou que fosse tão rápido. — Até quando vai continuar chorando? — Ela não o respondeu ou o olhou nos olhos. — Eu te machuquei? — Ela trincou os dentes, querendo gritar com ele por fazer uma pergunta tão estúpida, mas estava com medo do que ele poderia fazer. — Felicity?

O que você acha? — A voz saiu abafada.

Não seria marcada dessa forma se não se debatesse em meus braços. — Colocou a bandeja em cima da mesa que ficava a alguns passos da cama. — Se fosse com aquele maldito homem...

Diferente de você, ele nunca me machucou. — Ele trincou os dentes, fechou as mãos em punhos e Felicity estremeceu. Respirando fundo, ela acalmou a voz para então voltar a se pronunciar. —Você me proibiu em falar nele, mas percebe que foi você quem começou?

Verdade. Não vamos nos lembrar do maldito. — Ela suspirou aliviada, ao vê-lo mais calmo. Por quanto tempo, ela se perguntou. — Venha comer. — Ela queria dizer que não queria, queria poder mandá-lo se ferrar, mas não o fazia por dois motivos; primeiro, porque tinha medo do que ele podia fazer e segundo, porque estava realmente faminta. Por esse motivo, ela se levantou, e sentou em frente a ele. — Contratei uma médica para vê-la.

O que? — Franziu o cenho.

Quer que esses malditos sobrevivam?

O que quer com isso? — Desconfiou imediatamente.

Eu quero te fazer feliz.

E você acha que trazer um médico, no qual eu não confio nenhum pouco, vindo de você, vai me conquistar?

Não vamos discutir, meu amor. — Diz, levando o garfo até a boca.

Eu não quero médico algum perto dos meus filhos. — Insiste. — Não confio em você.

Não me importo. — Deu de ombros. — Mas eu pensei bem e..., talvez se essas pestes estiverem sobre meus cuidados, eu terei controle sobre você.

Então é isso? Por isso os quer bem? Para poder me controlar? Isso é amor para você?

Eu não me importo se não conseguir seu amor. — Diz sério, soltando o garfo sobre o prato. — Você é minha. Gostando ou não, querendo ou não, é minha. E se eu tiver que ameaçar os malditos bebês, ou mesmo seus sobrinhos e filhas para conseguir o que eu quiser de você..., então eu o farei. — Felicity engoliu em seco. — Você não consegue ver o meu melhor, então eu a farei ver o meu pior.

Desde quando você tentou me mostrar o seu melhor? — Não conseguiu conter a pergunta dentro da boca. — Quando namorávamos, você tentava me controlar a todo momento, eu era uma boneca nas suas mãos, para você, eu era apenas um brinquedo.

Mas era o meu brinquedo. – Rosnou em alto e bom som. – Era minha. É minha. Sempre será minha.

Eu queria descobrir o que te fez ficar tão desequilibrado dessa forma. O que foi que aconteceu com você, para fazer com que virasse um completo psicopata?

Cuidado com o que diz.

É somente a verdade. — Ela gemeu ao sentir a mão dele apertar seu pulso.

Felicity, não me tente. — Rosnou. — Se quer que os malditos bebês vivam, se não quer que algo muito ruim aconteça as crias que você criou, é melhor tomar bastante cuidado com o que diz para mim. Bastante cuidado. — Ela volta a engolir em seco. — Minha paciência tem limite, e você sabe disso, não sabe? — Ela balançou a cabeça, colocando a mão livre na barriga saliente. — Então coma sua refeição em silêncio.

**--**

Três dias. Haviam se passado três dias de tortura, e o maldito custava a falar. Ele já estava com o corpo costurado, quase por inteiro. Mas nenhum dos seguranças, ou Oliver, se importavam. Queriam respostas, e as teriam. Podia demorar um pouco mais do que desejavam, mas as teriam. Durante a noite, eles deixavam o homem no meio do restante de lixo que havia nas celas da agencia, principalmente porque sabiam que ele temia cada um dos que “ele” colocou ali, quando estava a serviço da agencia. O deixaram sem água e sem comida, por aqueles três dias. Ele estava fraco, extremamente fraco, mas não queria morrer. Viam o medo de morrer nos olhos azuis-tiffany. E era isso que o ex-chefe da equipe queria. Era passar esse medo, ele conhecia bem pessoas como Noah, era experiente o suficiente apara saber como lidar com ele.

Quando chegou naquele dia, ordenou que levassem o traidor para a sala de tortura. Ele já deveria estar lá, tremendo na base. E por esse motivo que ninguém entrou pelos próximos quarenta minutos. Deixá-lo assustado, se perguntando o que fariam com ele naquele dia, era a intenção do homem que havia chego a alguns dias para ajudar Oliver e os seguranças a fazer o traidor falar. Gregory sabia que não deveria matá-lo, e pelo outro saber que ele não tinha autorização que não lhe tinha medo, mas com seu ex-chefe era diferente. Noah não o conhecia e não sabia se ele tinha ou não essa autorização. A resposta era não, mas o outro não precisava saber.

Quando a tortura começou, já era 7h da manhã. Muito tarde, em relação aos outros dois dias. Mas eles queriam que ele sentisse o medo da morte, e por isso começaram mais tarde. Noah tentava se proteger, tentava contra-atacar, mas não durava meio segundo em pé, os outros dois estavam mais fortes que ele. O traidor estava pálido, fraco, com o corpo todo dolorido e já não conseguia mexer um dos braços, por conta do extenso e profundo corte que havia sido feito por Gregory. Ele sentiu sua visão embaçar e de repente os que estavam no vidro e os outros dois que estavam na sala, o viram desabar no chão.

Está morto? – Gregory não estava nenhum pouco preocupado, muito menos o ex-chefe.

Não. Desmaiou. – O virou com o pé. – Ele ainda tem dentes.

Quer dizer, os que eu deixei na boca, né? – Diz de forma divertida. Ele havia arrancado sete com alicate, poucos dias antes de ir até a cidade do ex-chefe lhe pedir “ajuda”.

Com licença. – Médica entra e se abaixa para poder examinar o traidor. – Ele está febril. Os cortes estão inflamando. Ele pode morrer. – Olhou para os homens.

Ele não vai morrer antes de falar o que deve.

Senhor, eu acho...

Dê algo que o faça acordar. – A interrompeu, e ela assentiu.

Ele vai sentir muita dor.

Ótimo. – Dizem os outros dois, juntos. De repente o ouvem gemer.

Ele está anêmico.

Ele come um biscoitinho depois que falar. – Os que estavam do outro lado da sala riram. – E aí, Noah. Aproveite que está sendo cuidado para falar.

Vai para o inferno. — Sua voz sai rouca.

Você vai primeiro se não disser onde está Felicity Smoak-Queen. – Gregory rosna. – E eu já não estou para brincadeiras. – Se abaixou ao lado dele. – Já fazem oito dias que ela está com aquele demônio. Diga.onde.ela.está. – Ordena, pausadamente.

Não podem me matar. – Gregory trincou os dentes, e de repente, ele leva a faca que estava no chão, ao lado dele, no abdômen de Noah, que grita em um rosnado.

Senhor. – Ele a olha e ela se cala.

E aí? Vai falar ou não?

É melhor falar, porque... – O ex-chefe se aproxima. – Ele acertou uma artéria.

Quer saber? Que se dane. – Rosnou. – Querem saber onde a vadia está? – Riu. – Quando chegarem lá, ela já estará destruída mentalmente. Provavelmente vai viver a vida inteira em uma ala psiquiátrica.

Oliver, que ouvia do outro lado, trinca os dentes. O jeito que o outro fala, o deixa possesso. Suas mãos se fecham em punho, assim como os dos outros. Os sentimentos deles não são um terço do que o Queen sentia naquele momento, mas chegava perto. Muito perto. Noah não estava arrependido, ele é tão psicopata quando Cooper. Ele gostava de ver os outros sofrerem. Os olhos dele demonstravam isso, mesmo que estivessem amarelos. A médica havia avisado que ele estava perdendo o fígado. Mas nenhum deles se importavam com tal coisa. Eles tinham tempo para tirar as informações necessárias, antes de enviá-lo a um hospital.

Meu celular. – Mike se pegou o aparelho que estava em um saco plástico, e se aproximou da porta, abrindo-a e entrando na sala. – Oh, Mike. Sabia que estava assistindo. Como você está? – Riu debochado.

Diga de uma vez, Noah. – Ordenou.

GPS. – Começou a tossir sangue de repente. Ele sabia que morreria se não fosse tratado com rapidez. E isso ele não queria. – Eu já recebi minha grana mesmo. – Sussurrou para si mesmo, mas os outros quatro, incluindo a médica, puderam ouvi-lo. Sentiram mais nojo ainda.

Precisa da senha. – Ele sorriu, e olhou de forma maldosa para Gregory.

Melissa Carter. – O outro trincou os dentes.

Você é um desgraçado. – Rosnou.

Tem sorte de eu deixá-la viva. – Gregory o socou com o soco-inglês, e o outro gargalhou, depois de cuspir uma quantidade considerável de sangue.

Gregory. – Ouviu o ex-chefe lhe falar como um aviso, e então se levantou, se afastando. Tentava se controlar.

Ela é uma gracinha. – Riu. – Muito gata. Gostosa pra caralho. – Ele estava provocando. – Foi fácil tê-la em minha cama, sabia? – Do outro lado daquela sala, Collin tentava se controlar. Tyler e Dylan colocaram a mão em seus ombros, tentando apoiá-lo, afinal, eles também tinham irmãs.

Noah. – A voz feroz do ex-chefe soou pela sala. – Diga a merda do local onde Felicity está.

Pretty Smoak. – Eles franziram o cenho. – É o nome que vai procurar no GPS. – Mike faz como ele instrui, e de repente o mapa aparece, e nela, a localização da “casa” onde Felicity está.

Ela está lá? – Ele sorriu, maldoso.

Felicity. – Noah diz o nome da mulher e de repente um vídeo aparece na tela, surpreendendo Mike. Ele arregala os olhos. Era ela. Felicty estava sentada na cama, com os braços abraçando as pernas. – Seus olhos me dizem que está vendo a mulher.

A encontramos. – Mike caminha para fora.

Eu quero um hospital.

Como se merecesse. – Gregory rosnou. – Você nos dá a merda da localização e ganha a vida novamente, é isso que acha.

Está com raiva porque eu comi a sua irmã. – Gregory trincou os dentes, fechando a mão livre em punhos. – Ou porque Cooper comeu a mulher do Queen? – O corpo de Gregory tremia. – Você por acaso se apaixonou por ela, Greg? O Queen e sua esposa sabem sobre seu desejo mais profundo? – Gargalhou, tossindo alguns minutos depois. Respirou fundo, colocando a mão no estômago. Ninguém se importava com que o outro dizia, principalmente porque a segunda provocação não era verdadeira, o que Gregory sentia por Felicity era um carinho de irmão. – Tolo. Sua irmã foi apenas um joguete em minhas mãos. Mais uma vadia que... – O som de horror vindo da boca da médica foi ouvido por todos que estavam dentro e fora da sala. Cada um dos presentes, com a exceção de Collin, Tyler e o ex-chefe, ficaram surpresos ao verem Gregory atirar no meio da testa de Noah.

Vai para o inferno, filho da puta.

Notas finais
Quem gostou do que Gregory fez com Noah? Quem torceu por isso? Por favor, não me matem por parar logo agora, mas... Em algumas horas estarei de volta com a última parte. Espero por seus comentários