Kupidon
45 Capítulo Vinte e Sete
Notas iniciais

***Duas Semanas Depois***
Felicity estava agoniada, a sua médica ainda não tinha lhe liberado para trabalhar. Não tinha nada para fazer, por isso ela estava no closet, arrumando as roupas que estavam fora do lugar, sabia que Oliver surtaria se a visse fazendo isso, mas não se importava. Ela subiu em um banco roxo para guardar a caixa de sapato e então viu uma caixa decorada, muito bonita. Felicity olhou para fora do closet por um momento, mordeu o lábio, estava curiosa. Ela pegou a caixa e de vagar desceu do banco, colocando a tal caixa em cima da prateleira onde ficava sua maquiagem. Ela leu na caixa "Sarah Queen". Felicity sabia que não era certo mexer naquilo, Oliver poderia ficar chateado, mas ela estava muito curiosa. Tocou na caixa e viu um cadeado, não estava trancado. Suspirou. Quando ela decidiu guardar de volta no mesmo lugar, ela ouviu ser chamada.
Lis, o que está fazendo? – Ela olhou para trás e encontrou o namorado.
Estava... Arrumando as coisas. – Ele arqueou as sobrancelhas.
Você deveria estar descansando.
Eu estou ótima. A médica me liberou do repouso. – Ele balançou a cabeça e se aproximou.
Arrumar a casa não estava na lista de coisas que a médica disse que podia fazer... – Ele olhou para a caixa, ela olhou também.
Eu encontrei...
Entendi. – Ele não desviava os olhos da tal caixa. – Isso... – Ele tirou o cadeado. – É onde fica o diário da Sarah. – Pegou o diário que tinha a mesma cor da caixa. – Lembra que eu disse que ela escrevia? – Ela assentiu. – Antes eram coisas sobre eu e ela, depois... Quando descobriu a gravidez... Quando começou... A se despedir... – Olhou para a namorada
Então era aí que ela escrevia para as gêmeas?
É. Faz um tempo que eu não leio para elas. – Suspirou. — A Thea fazia isso mais que eu. Eu não... Conseguia pegar nisso.
E isso ainda te machuca? – Oliver a olhou novamente.
Não. Me lembrar dela me faz bem. Como eu disse... Vejo você nela ás vezes. – Sorriu. – Sarah foi muito importante para mim.
Eu entendo e compreenderia se ainda o fosse. Você a amou.
Sim. E muito. Ela me deu as pessoas mais importante da minha vida. As gêmeas são tudo para mim e eu vejo Sarah nelas muitas vezes... Antes eu me machucava com isso, hoje... Só sinto saudades. Antes de tudo eramos amigos.
Então, porque nunca mais leu para April e Amily?
Não sei. Eu não tenho me lembrado, com tudo que têm acontecido com a gente... – Ela assentiu e desviou os olhos para o diário. – Você quer ler?
O que? – O olhou, surpresa.
Você quer ler o diário? – Ele estendeu o objeto.
Não vai se importar? – Ele negou e ela pegou o diário das mãos dele.
Eu vou fazer nosso almoço. – Ele saiu do closet e ela o seguiu.
Oliver. – Ele a olhou. – Cadê as gêmeas?
Estão com Thea. Meus pais estavam com saudades e elas queriam ver a Shasta. Thea vai trazê-las mais tarde.
Okay. – Olhou para o objeto em suas mãos. – Têm certeza de que eu posso ler?
Eu não me importo. E assim você vai conhecer um pouco dela... Das coisas que passamos, eu e ela. – Felicity se sentou na cama. – Foi aí que ela escreveu sobre você. – Felicity imaginava que ele ficaria chateado quando visse a caixa, mas não. Oliver não sentia mais aquela dor quando ouvia o nome dela, já tinha percebido isso, mas ver aquela caixa... Pensou que ele teria lembranças dolorosas ao ver aquilo. – Eu vou fazer nosso almoço. – Beijou seu rosto e saiu do quarto. Felicity se encostou na cabeceira da cama e depois de um suspiro, ela abriu o diário. A letra dela era muito bonita, percebeu, ao ver o nome dela escrito na primeira folha do diário. Sarah Lance Queen. Passou mais algumas folhas e chegou na primeira página.
Eu finalmente disse o que sentia pelo Ollie.
Ele disse que sentia o mesmo.
Felicity não leu o resto, passou algumas páginas á frente e parou.
Meus pais ainda não aprovam meu namoro com Oliver.
Meu pai acha que Oliver vai me machucar do mesmo jeito
que ele machucou Laurel. Ele não é mais o mesmo, mas meu pai
não confia no meu namorado. E eu não sei mais o que fazer.
Então Oliver não era aceito pelo sogro? Talvez pelo fato de que ele era um playboy na época. Ela se lembra de Helena dizer que Oliver tinha uma mulher por dia antes de se casar com Sarah. Mas o que ele tinha feito a Laurel? Passou outra página.
Laurel finalmente perdoou o Ollie.
E ela disse que me apoiaria no meu namoro com ele.
Eu fico feliz por saber que pelo menos minha irmã e minha mãe
estão do meu lado. Meu pai se irritou quando eu disse
que iria para a mesma faculdade que Oliver.
Ele queria que eu fosse para uma faculdade fora de Starling.
Felicity não leu o resto, ela passou a página mais uma vez, nessa Sarah falava sobre seu aniversário, ela passou mais uma página, falava sobre ela e a mãe, Felicity balançou a cabeça, passou mais duas vezes e parou.
Eu e Oliver estamos namorando a quase dois anos.
Meu pai achou que não duraria nem um mês. Ele estava errado.
Oliver tinha mudado. Ele é tão carinhoso comigo. Protetor.
Laurel disse que ele não era assim com ela.
Perguntei se isso a magoava e ela negou. Disse que ficava feliz por mim.
Ah, ela está namorando com Tommy. Eu gosto de vê-los juntos.
Ele é tão protetor com ela quanto Oliver é comigo.
Felicity passou mais uma página. Ela queria saber como foi que Sarah descobriu estar grávida. Como ela tinha se sentido. Passou mais uma e outra página e parou.
Eu e Oliver decidimos morar juntos. Posso dizer que meu pai surtou.
Mas assim mesmo eu não voltei atrás.
Escolhemos um apartamento perto da faculdade. Os pais dele
preferiam que fizéssemos isso depois que terminássemos
nosso curso, mas não queríamos mais esperar.
Tudo o que eu quero é passar o resto da minha vida...
Do lado do homem que eu amo.
Felicity sentiu o aperto no peito. Ela o amava. Muito. E esperava passar o resto da vida dela com ele. Ela não entendia, por que ela tinha que morrer? Eles seriam felizes... Felicity balançou a cabeça. Sabia que isso queria dizer que ela e Oliver nunca teriam algo, mas mesmo assim... Ela desistiria de tudo com Oliver e as gêmeas, para que Sarah estivesse ali, tendo a chance de viver a vida que ela sonhava, conhecer as gêmeas, estar presente na vida das filhas, mesmo que isso a machucasse mais que tudo. Ela passou outra página.
Sabe quando você pensa que tudo está maravilhoso e nada pode
estragar isso? Bom, não é de todo verdade.
Oliver e eu discutimos hoje. Isso acontece ás vezes, mas... Ele sempre
volta atrás com suas palavras. Dessa vez não. Ele nem me ligou.
Não nos vemos á três dias e ele não atende minhas ligações.
E isso aconteceu porque eu disse que eu queria entrar para o
Instituto de Segurança Pessoal. Ele não aprovou.
Na verdade, ele disse que se eu fosse, estava tudo acabado.
Era o que eu queria. Estava fazendo jornalismo pela minha mãe.
Mas eu também não queria destruir meu namoro.
Eu não sei o que fazer. Quem escolher.
Então ela nunca quis fazer jornalismo. O que ela queria era muito perigoso, Felicity entendia Oliver. Mas também entendia Sarah. Fazê-la escolher entre ele e seu sonho foi... Maldoso. Mesmo entendendo que Oliver estava preocupado com ela. Suspirou e passou outra página.
Lembra quando eu disse que não sabia o que fazer?
Bom, eu decidi pelo meu namorado. Eu sei que posso encontrar
outro sonho. Mas não vou encontrar outro amor. Disso eu sei.
Nós conversamos ontem. Ele disse que não queria que eu me arriscasse,
que estava preocupado comigo. E eu não pude deixar de sorrir.
Gostei de ouvir aquilo. Por isso, depois de ouvi-lo,
disse á ele que não mais faria o teste para o instituto.
Mesmo que isso fosse algo que eu queira muito...
Eu quero mais ao Oliver. Eu o amo. E não conseguiria ficar longe dele.
Felicity decidiu passar outra página, nessa ela falava sobre a faculdade de Direito que ela tinha começado, ela trancou a de jornalismo e pelo jeito sua mãe não a criticou. Passou mais três páginas e parou novamente.
Hoje não foi um dia fácil para mim. Eu não sei o que está acontecendo comigo.
Eu gritei com Oliver por causa de uma bobagem, briguei com Laurel,
mandei Tommy ir cuidar da própria vida, e eles queriam apenas me ajudar.
Eu não sei o que está acontecendo. Eu ando estressada demais.
Chorona também. E tenho sentido um cansaço insuportável.
Eu sei que tenho que me desculpar, mas eu sou tão orgulhosa.
Mas preciso fazê-lo. Nunca tinha falado daquele jeito com nenhum dos três.
Esses foram os primeiros sintomas e ela não percebeu. Felicity também não tinha percebido na primeira vez, mas na segunda... Ela apenas estava desconfiada. Até fazer três testes e todos eles darem o mesmo resultado. Passou mais duas páginas e parou ao ver leves marcas de lágrimas. Antes que pudesse ler, Oliver aparece no quarto chamando-a.
Eu terminei o almoço. – Disse quando ela o olhou.
Ah. – Ela marcou a página e fechou o diário. Ela estava curiosa para saber sobre aquele dia, mas poderia continuar mais tarde.
Você está em que parte? – Ela se aproximou.
Ela descobriu que estava grávida. Ainda não li... — Ela desceu as escadas de vagar, como a médica tinha lhe instruído. – Você se assustou quando soube?
Eu tive... Muito medo. Eu ainda não tinha completado 18 anos, não tinha terminado a faculdade... Éramos muito novos.
Não deve ter sido fácil.
Não, não foi. Quando estávamos nos acostumando, descobrimos que seriam gêmeos. Algumas semanas depois, Sarah descobre que a gravidez é de risco... Ela quase perdeu as gêmeas umas três vezes. – Felicity se assustou.
Sério? – Ele assentiu. – Como? – Se sentaram e logo se serviram.
Na primeira vez, Rasa deixou um copo com água cair na cozinha e foi buscar um pano, Sarah não viu a água e escorregou, quando Rasa voltou ela estava desmaiada. O médico disse que tinha sido por pouco. Na segunda vez, ela estava tomando banho, se sentiu mal e desmaiou. A sorte foi que ela percebeu que estava desmaiando e se sentou no chão, ela perdia sangue, mas nem percebeu. E na terceira vez, ela estava descendo as escadas. Esse foi o mais preocupante. Não tinha ninguém em casa, só Rasa e ela estava arrumando os quartos. Não ouviu o barulho. Ela ficou por pelo menos vinte minutos desmaiada, perdendo sangue. Os médicos disseram que tanto ela quanto minhas filhas estavam em risco, mas conseguiram reverter a situação. Depois disso, passei nosso quarto para baixo. – Felicity não o interrompeu nenhuma vez, não sabia o que dizer.
Oliver...
Os médicos já tinham nos dito que a gravidez dela seria complicada. Eu disse á ela que se ela quisesse... interromper... – Felicity o olhou surpresa, mais uma vez. – Eu não queria, mas tinha medo de perder Sarah.
Mas ela não aceitou.
Não. Disse que iria até o fim. Que se ela não resistisse, eu teria as gêmeas. – Abaixou o olhar para seu prato. – E mesmo sabendo que ela provavelmente não sobreviveria... Eu não estava preparado para ver ela me deixando.
Você viu?
Eu estava no quarto com Laurel. – A olhou. – Ela disse que nos amava. Pediu para Laurel me ajudar com as gêmeas e fechou seus olhos. Os médicos tentaram reanima-la... Mas ela tinha voltado a ter hemorragia. Não deu tempo de levarem ela de volta para o centro cirúrgico. Ela morreu na minha frente e de Laurel.
Não deve ter sido fácil para vocês dois. – Ele assentiu.
Não, não foi. Mas eu... Sei que ela está nos olhando lá de cima. Eu não sinto mais aquele peso de ouvir o nome dela ou... Ouvir falar sobre ela. Ou até mesmo eu falar sobre ela. Não dói mais. – Ela sorriu. – Você me ajudou. No início não foi fácil, achei que estava... traindo-a.
Eu não acho que ela pense assim. Ela pediu para você viver sua vida. Pediu para que se apaixonasse novamente... – Ele estava surpreso por ela saber disso. – Laurel me disse. Ela disse que Sarah lhe fez prometer que se apaixonaria novamente.
É. Eu prometi a ela que o faria. Mas quando percebi que estava acontecendo... – Suspirou. – Eu senti que estava traindo os sentimentos que senti por ela. Traindo-a, entende? – Ela assentiu. – Mesmo sabendo que ela me pediu para me apaixonar novamente... Eu sentia que cada parte minha que gostava de ver ou ouvir você... Eu estava perdendo coisas que eu tinha da Sarah. Como a voz dela em minha cabeça.
Você a ouvia?
Não era como se ela aparecesse para mim. Mas sim. Eu a ouvia ás vezes. – Ela pegou em sua mão. – Acha isso estranho? – Felicity o abraçou pelos ombros, e lhe deu um beijo no rosto.
Não. Você tinha perdido alguém que amava. É completamente compreensivo.
**--** **--**
**Felicity**
Eu não imaginava no quanto Oliver e Sarah passaram para ter as gêmeas. Fiquei surpresa quando Oliver me disse que April e Amily quase não sobreviveram por três vezes. Depois que ele me contou um pouco sobre o passado dele, o celular tocou e ele se afastou para atender, parecia preocupado. Eu fui para o quarto e alguns minutos depois ele apareceu dizendo que precisaria sair. Tinha acontecido alguma coisa na empresa, perguntei o que era e ele disse que eu não precisava me preocupar, como sempre. Depois que ele saiu, me sentei e peguei o diário de Sarah. Estava curiosa para saber como ela tinha descoberto sobre a gravidez e como ela se sentiu. Me encostei na cabeceira e abri o caderno na página marcada, começando a ler.
Hoje eu descobri algo incrível e ao mesmo tempo, assustador.
Eu não esperava por isso. Não sei como contar á Oliver,
mas sei que tenho que fazê-lo, ele tem o direito de saber.
Quando fui ao médico para saber porque estava tão indisposta,
não imaginava que seria isso.
Não passou pela minha cabeça, nem por um segundo, que isso
estaria acontecendo comigo.
Quando o médico disse: "Meus parabéns. Você está grávia";
Eu me assustei e muito, mas depois de alguns minutos
digerindo a notícia, eu fiquei feliz, afinal, era uma parte
minha e de Oliver que eu estava carregando!
Mesmo com medo e imaginando em como faria com uma gravidez aos 17 anos, ela não pensou nem por um minuto que esse bebê era um erro. Ela pensou completamente diferente de mim. Quando descobri estar grávida pela segunda vez, eu pensei: Por que isso estava acontecendo comigo? Eu não queria aquele pequeno ser que estava dentro de mim. Fruto meu e do Oliver. Sarah não pensou assim, mesmo com medo. Balancei a cabeça, não queria pensar naquilo, eu estava arrependida por ter pensado daquele jeito. Passei a página.
Eu enfim contei á Oliver. Estava preocupada com sua reação,
afinal, somos muito novos, mas deu tudo certo.
Eu sei que ele também está assustado, mas tentou não demonstrar,
me abraçou e disse que cuidaríamos disso juntos.
E como sempre, me acalmei em seus braços. Senti que tudo ficaria bem.
Contamos á nossa família no dia seguinte e eles quase tiveram
um troço, mas estão felizes.
Eu e Oliver estamos fazendo planos e ele me pediu em casamento.
E eu aceitei, é claro.
Pensar que eles tinham a vida perfeita deles. E tudo se desmoronou quando ela teve aquela hemorragia e faleceu. Eu ainda não entendia... Por que ela tinha que ir? Caitlin diz ser "destino", que o papel de Sarah era apenas aquele. Naquela época eu disse que não acreditava que fosse destino. Pensar no que minha amiga disse, me faz pensar que isso queria dizer que tiraram Sarah do Oliver e das gêmeas para que eu e Oliver nos apaixonássemos. Balancei a cabeça e voltei a ler.
Em poucas semanas eu serei uma Queen e mesmo que não estivesse
nos meus planos, me casar antes de terminar a faculdade,
eu estou me sentindo a mulher mais feliz do mundo.
Eu também me sentiria. O que? O que estou pensando? Até alguns dias atrás eu não pensava em me casar com Oliver e isso vêm á minha mente? Passei as mãos nos cabelos. Ler esse diário está me fazendo ficar louca. Meu celular tocou e eu o olhei, era Caitlin, peguei e o coloquei no viva voz.
Ei, Cait.
Oi, Lis. Tudo bem?
Sim. Aconteceu alguma coisa?
Não. Eu só queria saber se estava bem. Você não é a pessoa mais quieta do mundo. – Revirei meus olhos, mas sorri.
Não se preocupe, Oliver não me deixa fazer nada.
E ele está completamente certo. Você levou um tiro, ficou três semanas em coma. Saiu do hospital á duas semanas.
Não se preocupe, eu sei disso. – Olhei para o diário. – Cait...
Eu liguei para fazer um convite. — Me interrompeu.
Convite? — Arqueei as sobrancelhas. Eu não podia sair ainda.
Não para você, claro. – Revirei os olhos. Era de se imaginar. – Combinei de ir para o cinema com Tommy, Barry e Laurel. E estava pensando se as gêmeas não querem ir.
Claro. Elas vão adorar. Que dia?
Amanhã. – Assenti, mesmo sabendo que ela não via. Meus olhos ainda estavam no diário. – Você fala com o Oliver?
Quando ele chegar eu o aviso. – Ela disse um "okay". – Ele foi á empresa resolver umas coisas.
Empresa? – Achei estranha a sua voz. – E... Aconteceu alguma coisa?
Cait, você ficou estranha de repente. – Ela ficou em silêncio por alguns minutos.
Desculpa, a Kitty está me chamando. – Eu não tinha ouvido a voz a pequena.
É? Eu não a ouvi. Caitlin está me escondendo alguma coisa?
Olha... Eu não gosto de mentir para você. Nem sei para falar a verdade. Não sabe como foi difícil não contar para o Tommy sobre... – Ela parou de repente. – A gravidez da Laurel.
É. Não deve ter sido fácil para você.
Não, não foi. Barry está mais cuidadoso do que nunca, por causa dos enjoos estranhos.
Bom, o importante é que ela está bem, assim como o bebê.
Tenho que concordar. Eu estive com ela ontem, está tudo bem com ambos. – Percebi que ela estava mudando de assunto.
Você mudou de assunto. – Ouvi seu suspiro.
Okay. Pergunte ao Oliver quando ele chegar, mas não briguem, ele não queria mentir, com certeza. Só não queria te preocupar.
Agora eu estou preocupada.
Não fique. Eu juro que está tudo bem. – Mordi meu lábio. – Por favor, confia em mim? – Suspirei.
Tudo bem. Jura que está tudo bem? – Ouvi sua confirmação. – Tudo bem, então.
Ótimo. Não esqueça do cinema amanhã. – Sorri.
Não vou, prometo. – Nos despedimos e encerramos a ligação. Mordi o lábio novamente, pensando porque Oliver mentiu para mim. Bufei. Não iria me preocupar, Caitlin disse que estava tudo bem e eu confio nela e em Oliver. Voltei minha atenção para o diário e passei outra página.
Oliver e eu fomos á minha consulta da semana
e tanto eu quanto ele nos surpreendemos quando minha médica
disse que teríamos "gêmeos". Uma criança já é difícil...
Mas como sempre, Oliver me acalmou.
Ele disse que daria tudo certo e ele está certo. Não estamos
sozinhos nessa. Temos nossas famílias.
Tanto eu quanto Oliver nos emocionamos quando,
pela primeira vez, ouvimos os coraçõezinhos dos nossos bebês.
Isso fez com que eles fossem ainda mais reais.
E estou cada vez mais apaixonada por eles... Ou elas.
Será que eu me sentiria assim se eu ouvisse o coraçãozinho do meu bebê? Eu me pergunto se mudaria alguma coisa. Eu só mudei de opinião sobre meu bebê quando ouvi minha pequena Kitty me chamar de "Dinda". Foi a primeira vez que me senti feliz por ter meu bebê e no final, eu o perdi. Balancei mais uma vez minha cabeça, por que meu subconsciente insiste em me lembrar disso? Ignorei meus pensamentos e voltei para aquele diário, passando mais uma página.
Hoje fomos á minha consulta e novamente não pudemos ver
o sexo dos nossos bebês. Estou ansiosa assim como Oliver.
Mas hoje não vim apenas para falar sobre meus bebês,
vim também, porque minha irmã quase matou nossos pais do coração.
Ela está grávida de quase cinco meses.
Eu estou feliz por ela e Tommy. Meus pais estão tristes, porque
não era isso que eles queriam para ela agora, mas assim
como aconteceu comigo por acidente, aconteceu com ela.
Não foi algo que programamos. Eles vão se acostumar,
assim como se acostumaram á minha gravidez.
Ah, e ao contrário de mim, minha irmã já sabe o sexo do bebê.
Será um menino!
Se Laurel estava com quase cinco meses, Sarah estava com quase seis. Laurel me disse que Lyon quis nascer antes do tempo, com quase oito meses, já as gêmeas nasceram depois do tempo e isso causou sequelas no parto. Sarah não aguentou, tiveram que fazer uma cesariana. Passei outra página enquanto pensava no quanto Sarah sofreu para ter as filhas.
Hoje estou entre Feliz e Assustada. Sei que é estranho, eu sei,
mas vou explicar. Eu descobri duas coisas importantes na consulta
de hoje: A primeira e mais importante, para mim, terei duas meninas.
Era para eu estar planejando coisas para elas. Coisas como:
O quarto, os berços, as roupinhas... Mas ao invés disso, não paro de
pensar no que a doutora disse: "Sua gravidez é de risco".
Isso me deixou assustada, mas não tanto quanto Oliver.
Ele pensa que eu não vejo o quanto aquilo o afetou.
Eu sei que ele se preocupa comigo...
Mas no momento eu só penso no quanto esse risco pode afeta-las.
Não deve ter sido fácil ouvir que sua gravidez era perigosa para ela e os bebês. Eu não saberia no que pensar se ouvisse isso. Eu me preocuparia em primeiro lugar, com meus filhos, como Sarah pensou. Ela nem pôde ver as filhas crescerem. As primeiras palavras, os primeiros passos, primeiro dia na escolinha... Ela não teve a chance de ver nada disso. Suspirei enquanto passava outra página. Arqueei as sobrancelhas. Aqui ela já não falava com o "diário", ela falava com as gêmeas. Era como se despedisse, como Oliver me disse quando fui á mansão pela primeira vez, nem namorávamos ainda.
Minhas filhas, eu não se vocês vão me conhecer. Eu gostaria muito,
mas não tenho certeza e por isso quero deixar uma lembrança
minha para vocês. Desse dia em diante, contarei tudo que
precisarem saber. Tudo que eu quero que vocês saibam.
Eu sei que provavelmente, vocês sentirão falta de uma presença
feminina na vida de vocês, por isso, quando se sentirem tristes, ou
sentirem minha falta... Procurem pela tia Laurel, ela saberá o que fazer.
Eu e ela somos muito unidas, desde sempre,
por isso quero que sejam também, uma com a outra.
A tia Thea é a pessoa mais carinhosa e cuidadosa que já conheci,
por isso quando sentirem medo, procurem por ela.
Por mais que o papai fique triste ás vezes...
Isso não quer dizer que ele não ama vocês.
Ela estava, definitivamente, se despedido. Aquilo doía nela, mas sabia que tinha que fazer. Acho que... Se tivesse na situação dela, também faria o mesmo. Ela queria deixar lembranças para as filhas. Passei outra página.
Eu e o papai escolhemos os nomes, finalmente:
April e Amily Sophia Queen. O que acham?
Eu fico imaginando vocês duas. Com quem se parecem mais.
Comigo ou com o papai. Eu sonho com vocês todas as noites
e todas ás vezes, as vejo com os olhos do papai.
Eu sei que vocês ficarão tristes alguns dias e está tudo bem.
Eu compreendo e sinto muito por fazê-las passarem por isso,
mas eu cuidarei de vocês lá de cima.
Só quero que saibam que amo vocês!
Fico imaginando ela escrevendo nesse caderno. Se despedindo das filhas, do marido... Da família dela. Não foi fácil, disso tenho certeza. Imagino como Oliver reagiu ao saber desse caderno, ele me disse que ficou irritado, mas o imagino gritando com ela, desesperado, tentando entender por quê ela estava fazendo aquilo. Passei mais uma página.
Hoje eu e o papai levamos um susto. Vocês nos deram um susto.
Quase perdemos vocês. Foi por muito pouco.
Mas vocês foram fortes. Não desistiram. E eu agradeço por isso.
Vocês são as coisas mais precisas para nós.
Eu fico triste ao pensar que talvez não veja vocês crescerem...
Mas está tudo bem. Vocês terão Oliver. E ele será o melhor pai do mundo.
E mesmo que eu não esteja com vocês nesse plano,
quero que nunca se esqueçam: Sempre estarei olhando vocês lá do céu.
Passei mais uma página, nessa ela falava com Laurel.
Laurel, eu sei que provavelmente, eu não estarei com vocês daqui poucos meses.
E sei que você ficará triste, tanto quanto o Ollie...
Mas peço que não desistam de viver por causa disso.
Eu amo você, irmã. Vou sentir muitas saudades. Eu e você sempre fomos muito unidas, por isso sei o quão triste ficará.
Mas quero que você seja forte, por Oliver, pelas minha filhas...
Quero que elas tenham você como apoio. Como eu tive todas as vezes que precisei.
Quero pedir á você que ajude Oliver. Ele precisará de você.
Vocês terão uma parte de mim com vocês. Elas. Cuide delas, por favor.
Eu te amo. Sentirei saudades.
Será que Laurel leu esse diário? Mordi o lábio enquanto passava mais uma página. Nessa ela falava sobre os avós maternos das gêmeas. Na outra dos paternos. Eu passei mais uma página e parei.
Olá, minhas pequenas. Eu acabei de ver o quarto de vocês.
Está tudo pronto para a chegada de vocês.
Sei que vão amar. E eu espero que gostem dos planos que fiz
para quando crescerem. A tia Thea fará como planejado.
Quando era pequena, eu amava ursos de pelúcia.
Eu espero que gostem também, porquê o quarto de vocês está cheio deles.
Sabe, eu fico triste ao pensar que não estarei nos aniversários...
Nos momentos importantes, como o primeiro dia de aula.
Mas sei que vocês estarão bem, mesmo eu não estando por perto.
Vocês serão duas garotinhas, fortes, inteligentes... Unidas.
Sempre estarão apoiando uma á outra.
Quero que façam o mesmo pelo papai. Okay?
Eu amo muito vocês.
Passei uma página a mais. Parei ao ver que nessa página ela falava com Oliver.
Oliver. Dessa vez, estou aqui para falar com você.
Eu queria falar pessoalmente, mas se não der tempo...
Estou sendo precavida.
Eu sei que me ama. E que sente que tudo á sua volta está desmoronando...
E eu sinto muito por se sentir assim...
Mas preciso que você que me prometa algumas coisas:
Primeiro, depois de eu me ir, quero que não desista de viver sua vida. Não quero que você se exclua de todos.
Segundo, que por favor, fale de mim para nossas filhas. Conte á elas histórias nossas. Histórias minhas.
Terceiro, sei que provavelmente, não vai querer fazer isso... Mas preciso que o faça. Preciso que me prometa que se apaixonará novamente. Que não se feche para o amor. Que quando você encontrar uma pessoa boa e que te ame tanto quanto você a ama, não desista desse sentimento.
Oliver, eu preciso saber que depois de eu me ir, você ficará bem.
Que terá uma pessoa para cuidar de você. Cuidar e proteger as gêmeas.
Ser para elas, o que elas precisam. Uma mãe. Uma conselheira.
Por favor, Oliver. Eu peço que deixe essa pessoa se aproximar. Deixe ela ser para você, o que precisa. Eu sei que um dia, ela vai chegar.
Quero que seja feliz novamente. Quero que tenha a vida que sonhamos...
Quero que nossas filhas tenha uma pessoa em quem se espelhar.
Uma pessoa que será para elas, o que eu não pude ser.
Uma mãe zelosa. Uma mãe carinhosa.
Uma mãe para quem elas poderão confiar e se sentir seguras. Amadas.
Okay. Por essa eu não esperava. Eu sabia que Sara tinha pedido para que Oliver se apaixonasse novamente, mas isso é muito surreal. Ela sabia como ele era, sabia que ele poderia fazer o que fez por alguns meses, assim como eu... Fingir que não sentíamos nada um pelo outro. Que era apenas "amizade". Sarah, por algum motivo, sabia que uma "pessoa" chegaria para fazê-lo feliz novamente. Ela queria uma mãe para as filhas dela. Uma mãe carinhosa que cuidasse delas como ela cuidou, mesmo dentro da barriga. Agora eu entendo porquê ela apareceu para mim. Porquê ela me pediu para não desistir e voltar para eles.
Minhas princesinhas. Como estou feliz por saber que estão bem.
Levei mais um susto, mas dessa vez... Eu não tinha seu pai, ou seus tios, ou os seus avós por perto para me encontrarem e me salvar.
Eu fui ao shopping, queria comprar mais roupinhas para vocês.
Bom, eu não devia ter ido sozinha. Foi um erro.
Oh, é aqui. Aqui que ela vai falar sobre mim.
Passei mal na loja, ninguém pareceu perceber. Pensei que iria desmaiar de dor. Pensei que não teria ajuda...
Mas uma mulher se aproximou. Ela percebeu que eu não passava bem.
Ela me ajudou. Se preocupou comigo. Ligou para o pai de vocês...
Se não fosse por ela, nem sei o que teria acontecido á nós.
Ela não ficou até o papai chegar, mas eu me lembro da voz calma. Da preocupação estampada em seu rosto.
Eu não sei seu nome, mas ela era muito bonita. Loira. Olhos verdes.
Ela fez tudo isso por nós e nem pudemos agradecer. Eu tentei encontra-la, mas não consegui. Infelizmente, eu não pude agradecê-la pessoalmente.
Mas sempre serei agradecida internamente. E quero que também sejam.
Eu queria muito me encontrar com ela. Mas não foi possível.
Quem sabe eu a encontro por acaso por Starling?
Ela foi para mim naquele momento... Como um anjo.
Nos salvou. E eu serei grata á ela por toda minha vida.
Eu me lembro daquele dia como se fosse ontem. Sarah pôde me agradecer pessoalmente. Sorri. Eu gostei de conhecê-la pessoalmente, mesmo nas circunstâncias em que estava. Quase morta. Eu a salvei e ás "nossas" filhas. E alguns anos depois, ela me salvou. Olhei para meu relógio e percebi que Oliver estava demorando. Peguei meu celular e liguei para meu namorado.
Ei, você está bem? – Rolei os olhos, ele nunca para de se preocupar.
Estou. Liguei porque eu é que estou me preocupando... Onde está?
Estou saindo da empresa.
Oliver, Cait disse que aconteceu alguma coisa. – Ele suspirou. – Me diz. Está me preocupando.
Está tudo bem, não se preocupe. Quando chegar eu conto tudo. Prometo. – Respirei fundo, tentando me acalmar.
Já está vindo?
Sim. Entrei no carro agora. – Ouvi um bater de porta. – Nos vemos em alguns minutos.
Okay. Te amo.
Eu também.— Desligamos juntos. Decidi tomar um banho, então me levantei da cama, deixando o "diário" na cama e depois de pegar minhas coisas, segui para o banheiro. Oliver demoraria pelo menos 15 minutos.
**--** **--**
Ei. – Ele entrou no quarto, e me beijou. – Você está bem?
Eu estou bem. – Revirei meus olhos, mas como ele estava de costas, não pôde ver.
Eu sei que revirou os olhos. – Eu sorri. Ele nem estava me olhando, e mesmo assim sabia o que eu estava fazendo. – Eu me preocupo com você. – Diz, me olhando.
Eu sei. Mas eu estou bem, de verdade. – Ele assentiu e tirou a camisa, mordi o lábio.
Não faz isso. – Desviei os olhos para seu rosto. – Está de repouso.
Infelizmente. – Ele sorriu. – Então, vai me dizer o que aconteceu agora? – Oliver suspirou, e se sentou a minha frente na cama.
A polícia encontrou um corpo.
Um... Corpo? – Pergunto assustada. – Corpo de quem?
De ninguém que nós conheçamos. Mas... – Oliver bagunçou os cabelos, e isso me deixou mais curiosa. – Perto dele tinha um "Rifle Airsoft".
Não foi essa arma que... – Me interrompi ao me dar conta da importância daquela informação.
Foi. Eles fizeram um teste, e é a mesma arma que dispararam em você. O homem que está morto, é dono dela.
Cooper. – Oliver assentiu. – Ele matou o homem.
Ele com certeza soube de que você levou o tiro no meu lugar e matou o cara que contratou.
Cooper é um maldito.
Sim, ele é. A polícia não encontrou mais nada relacionada ao que houve, mas...
Mas?
Mas eles não vão desistir.
Vocês só vão encontrá-lo quando ele quiser.
Não diz isso, okay? – Eu umedeci os lábios. Eu sei que ele não gostava de ouvir isso, mas era a verdade. Cooper era muito esperto, ele nunca deixaria ser pego, se ele mesmo não quisesse isso. – Não vamos mais pensar nisso. Você terminou? – Apontou para o diário ao meu lado.
Ainda não. Mas eu já cheguei na parte em que ela se despede. – Oliver assentiu, pegou o diário e o abriu em uma página específica, a última, eu acho.
Essa... – Virou o diário para mim. – Essa é para você.
Para mim? Mas eu já li a parte em que ela fala de mim, Oliver. – Ele sorriu.
Essa é diferente. – Eu não entendi. – Leia. Eu vou tomar um banho. – Oliver me deixou sozinha, e eu olhei para a folha. Estava escrito “Para Ela”.
https://www.youtube.com/watch?v=WE5LWsI3dzs
Olá. Eu não sei seu nome, mas eu sei que é alguém especial.
Alguém que meu marido ama.
Se você está lendo esse diário, então é verdade.
Ele ama você. Sem sombra de dúvidas.
Do contrário...
Ele não teria lhe deixado ler isso.
Não era possível, era? Ela estava mesmo escrevendo uma "carta" para a mulher que Oliver ama? A mulher que "viria" depois dela. No caso, eu. Eu olhei para a porta do banheiro, ouvindo a água do chuveiro. Ele nunca tinha comentado sobre aquilo antes, e eu entendia o porque. Desviei meus olhos para a folha.
Eu só espero de coração, que você sinta por ele...
O mesmo que ele sente por você.
Eu sabia que você um dia viria.
Sabia que um dia, Oliver iria se apaixonar novamente,
mesmo que ele não quisesse.
Por isso, eu decidi escrever para você.
Porque eu queria que você soubesse de uma coisa muito importante:
Eu estou tão feliz por ele ter encontrado você.
Por minhas filhas terem alguém para chamar de "mamãe".
Eu só queria poder estar aí...
De algum modo para conhecer você.
Para ver que mesmo comigo longe... Oliver está feliz.
Assim como minhas filhas.
Presenciar momentos entre vocês, mesmo que não fosse para sempre.
Eu queria estar por perto.
Talvez, de alguma forma, mesmo que do céu...
Eu esteja.
Ela disse para mim quando eu estava quase morta, que ela esteve por perto. Que ela quem deu um empurrãozinho para eu e Oliver ficarmos juntos. Ela era sim, como um anjo, na minha opinião. Ela, mesmo amando o marido, desejou que ele encontrasse uma pessoa novamente. Que se apaixonasse mais uma vez. Ela me salvou, para eu poder voltar para o homem que ela ainda ama. Meus olhos lacrimejaram.
Fora o amor da minha vida, meu marido...
E minhas lindas filhas gêmeas...
Você é a pessoa mais importante para mim.
Porque eu fui embora, para sempre. E agora eles são todos seus.
Você precisa, cuidar deles. Dos três.
Fazê-los rir. Abraçá-los quando chorarem. Defendê-los...
Ensinar ás "nossas" filhas, distinguir o bem do mal.
Pensar que você está aí... Me dá esperança.
Esperança de que... Oliver se lembre de como é estar apaixonado.
Esperança de que Amily e April tenham uma mãe para homenagear.
Esperança de que...
Elas tenham alguém para ajudá-las no dia de seus casamentos.
Eu sei que elas teriam minha irmã, minha família, a de Oliver...
Eu sei disso. Mas, eu também sei que o mais importante...
O que elas realmente precisam, é de uma mãe.
E ter você com elas, me deixa feliz. Me dá alívio.
Assim como me alívio em saber que Oliver terá alguém...
Com quem compartilhará a vida.
Alguém que o amará de todas as formas possíveis e inimagináveis.
Alguém... Que vai apoiá-lo sempre.
Eu espero que um dia, minha família...
Esteja completa novamente.
Por isso, eu agradeço a você. Á mulher por quem meu marido ama incondicionalmente.
Eu fecho o diário, e Oliver sai do banheiro segundos depois. Ele me olha e eu não sei o que dizer sobre o que acabei de ler. Sarah o amou tanto, e mesmo assim, ela o entregou para outra, ela sabia que outra mulher tomaria o lugar dela na vida das filhas e do marido, um dia. E ela se sentia aliviada, mesmo que doesse. Ela sabia que... A família dela, seria feliz e completa novamente. Eu não sei se eu faria o mesmo no lugar dela. Me dói só de pensar na possibilidade, mas eu a compreendia. Sarah queria o melhor para Oliver e as gêmeas, e ela sabia que eles precisariam de uma "nova" pessoa na vida deles.
Você entende agora? – A voz dele me fez voltar para ele. – Sarah já sabia desde o começo. Quando eu li isso pela primeira vez... Eu disse: Isso nunca vai acontecer. Eu nunca iria mostrar isso a ninguém, porque mesmo que eu tenha prometido me apaixonar novamente, eu não tinha nenhuma intenção de cumprir a promessa. – Se sentou á minha frente. – Mas foi mais forte que eu. Quando eu vi... Eu já estava completamente apaixonado por você. – Eu sorri.
Sabe... Quando eu estava... Em coma... – Comecei, decidida contar para ele. – Eu vi ela. – Oliver me olhou, surpreso.
Ela? A... Sarah? – Eu assenti.
Eu pensei que tinha sido um sonho... Nós conversamos e ela disse... Que eu precisava voltar para vocês. – Oliver pegou na minha mão. – Foi tão... Real. Ela estava na minha frente... Me agradecendo por ter salvado ela e as gêmeas naquele dia, no shopping. Pedindo para que eu voltasse para você e as gêmeas... Dizendo que vocês não suportariam perder mais ninguém. Nem vocês, nem Laurel, Caitlin, Tommy, Barry... Helena... Ela... Me disse que sabia que você e as... Nossas filhas, estavam me esperando... Mesmo que nenhum de nós soubéssemos. Ela sabia, Oliver.
Por que não me contou isso, naquele dia que acordou?
Eu... Eu não sei. – Realmente, eu não sabia. – Eu pensei que ninguém acreditaria. – Ele balançou a cabeça, me compreendendo. – Mas eu achei incrível ela me "mandar de volta".
Então sou eu que tenho que agradecê-la por isso. – Eu sorri, enquanto ele passava uma das mãos no meu rosto. – Eu não sei o que seria de mim e das nossas filhas, se perdêssemos você.
Eu te amo, Oliver. – Ele tomou meus lábios, lentamente. Eu fechei os olhos e correspondi, no mesmo ritmo, calmo, passando uma de minhas mãos para trás de seu pescoço, puxando de leve com uma das mãos, seus cabelos. Ele se afastou quando o ar faltou, e colou sua testa á minha, roçando nossos narizes.
Eu te amo, Felicity.
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