Kupidon

88 Capítulo Sessenta e Seis


Notas iniciais
Oie, estrelinhas! Aqui estou eu com mais um capítulo de Kupidon. Para quem não sabe esse é o antepenúltimo, o que quer dizer que faltam apenas mais dois além desse. Mas não vamos pensar muito nisso. Vamos ao que realmente importa: O capítulo!

— Oh, não. – Sussurrou, enquanto colocava as mãos no rosto, respirando fundo três vezes. – Ai, Deus, agora não, por favor. – Implorou baixinho.

Tentava se controlar para não acabar gritando e chamando a atenção das crianças que estavam no segundo andar, mas mais que isso, tentava não assustar seu marido, que estava a alguns passos de si, e que ficaria completamente preocupado caso ela se descontrolasse, e mais que tudo, tentava controlar a dor que começava a se tornar irritante. Sua respiração já não estava normal, e suas mãos tremiam por conta da dor que sentia, e mesmo assim, ela conseguiu – com muita dificuldade – não começar a gritar de dor. Trincou os dentes, se arrumou no sofá, encostou o corpo tentando encontrar uma posição que a deixasse mais confortável, mas nenhuma coisa ou outra era de grande ajuda naquele momento. Respirando fundo mais uma vez, com os olhos fechados, ela finalmente retirou a mão do rosto. Percebeu que não se sentiria melhor nos próximos minutos, que não adiantaria ficar quieta e não chamar atenção – como estava em seus planos –, e por isso tentou – inutilmente, vale ressaltar – chamar por seu marido.

Ele conversava de forma animada com Tommy, Barry e Ray, e por estar de costas para si, ficava difícil fazê-lo ver o balançar de sua mão, tentando inutilmente chamar sua atenção. Estava com dor e por isso sua voz mal saía de seus lábios. “Oliver” vai em sussurro por tantas vezes que ela não conseguia contar, trincou os dentes por vezes, assim como respirava fundo e soltava de vagar outras tantas, segurando com força no estofado do sofá. Mordeu o lábio de forma nervosa, tentando conter o grito de dor que vinha da garganta. Sentia as contrações cada vez menores, e ela sabia que isso não seria nada bom em um dado momento. Caitlin havia dito que não as dores começariam fracas, mas ela estava sentindo a pior dor do mundo; talvez, as dores de mais cedo havia sido apenas o começo e ela não prestou atenção.

Deveria gritar por ajuda, mas isso só faria com que todos se assustassem, inclusive as crianças, o que incluía as bebês que dormiam naquele momento.

Mesmo em meio a dor infernal que sentia, Felicity podia escutar a conversa animada dos amigos que estavam a poucos passos dela, podia ouvir as provocações de Roy para com Tommy sobre ele ter uma outra irmãzinha, podia ouvir as risadas de suas amigas, podia ouvir seus sogros comentando sobre os mais jovens provocarem um ao outro, mas seu foco era realmente, em chamar a atenção de seu marido, e por esse motivo usou todas as suas forças para não gritar com a próxima contração.

— Oliver. – Praguejou mentalmente quando sua voz saiu tão baixa, que ninguém, mesmo que estivesse bem pertinho de si, ouviria.

Não daria certo, ela sabia, e por isso mais uma vez respirou fundo afim de conseguir que sua voz saísse mais alta, e usou a dor para chamar a atenção de seu amado finalmente, alto e claro.

— Oliver.

E ela se sentiu aliviada quando conseguiu, ao sentir os olhos dele sobre si.

— A bolsa...

Ele arqueou as sobrancelhas, se aproximando finalmente.

— Para que você quer a bolsa agora, meu amor?

Ela quase revirou os olhos; e realmente o faria se não tivesse sentido dor.

— A minha bolsa...

O urro que saiu de seus lábios não só a interrompeu, como também chamou a atenção de cada um dos presentes, inclusive da médica que se aproximou rapidamente; Barry havia sido o único dos homens a perceber o que estava acontecendo.

— Oh, Deus. – Choramingou.

— Isso não é bom.

Seus olhos se encontraram com o de seu amigo ao ouvir sua voz.

— A bolsa dela estourou. – Caitlin se pronuncia, se abaixando em frente à amiga.

No instante seguinte o Queen arregala os olhos, voltando-se para sua esposa, que continuava sentada no sofá e a Merlyn, que estava diante dela; se sentia completamente assustado com a revelação.

— C-como é? – Gaguejou.

— Como estão as contrações? – Ignorou o amigo para dar assistência ao que precisava.

— Cada vez mais menores. – Responde em sussurro.

— Okay. – Se virou para a outra grávida. – Isso está mesmo acontecendo?

— Não, Oliver, é uma brincadeirinha. – Barry revirou os olhos. – É claro que está acontecendo.

— O-o que eu faço? – Voltou a gaguejar, completamente perdido.

Caitlin revirou os olhos, dizendo um “homens”, bem baixinho. Era incrível que quase todos os homens que conhecia tinha essa mesma reação ao descobrir que a amada estava em trabalho de parto. Os outros presentes, que apenas observavam de onde Oliver estava a pouco, se aproximam finalmente, no instante em que ouviram o alto gemido vindo da loirinha.

— Caitlin?

— Ollie, não é a primeira vez que você vai ser pai. – Thea diz, indignada, ao ouvir mais uma vez, a voz desesperada do irmão.

— Não é o momento de chamar a atenção do seu irmão, Thea. – Ray diz.

E ela teve de concordar com ele.

— Tommy, você dirige, Oliver não está em condições. – Cait começou a dar ordens. – Laurel, pega as coisas dos bebês. Barry, liga para esse contato e diz que estamos indo para o hospital. Explique o que está acontecendo. – Lhe entregou seu celular. – Thea, você e Roy podem ficar com as crianças?

A mais nova assentiu, prontamente.

— Ótimo.

— Eu ajudo a Laurel com as coisas dos bebês.

— Obrigada, Lena.

— Mas você deveria ficar, Cait.

A mulher olhou para o marido com as sobrancelhas arqueadas.

— Por que? Porque eu estou grávida? – Ela revirou os olhos. – Eu vou!

— Teimosa.

Ouviram Felicity reclamar de dor, novamente.

— Acho que deveria mesmo ficar, querida. – Moira diz. – Você acabou de entrar no sétimo mês de gestação.

— Eu vou. – Ela diz, novamente, fazendo o marido cruzar os braços e Moira jogar as mãos para o alto. – Vou ficar bem.

— Acho que Oliver vai desmaiar. – Roy diz olhado para o cunhado

— Cala a boca. – O Queen o olhou irritado. – Têm certeza que isso está acontecendo agora? Ainda faltam pouco mais de um mês.

Moira se aproximou do filho.

— A bolsa dela rompeu, Oliver. Está acontecendo agora. Seus filhos vão nascer. – Ela diz, sorrindo.

— Pegue-a, filho. Nós vamos seguindo o carro de vocês.

Um novo urro de dor foi ouvido.

— Parem de conversar. – Rosnou em meio a dor, sentindo a raiva a consumir por ninguém se apressar em ajudá-la. – Estou sentindo dor, então podem por favor, agir de uma vez e me levar para o hospital?

Todos olham para ela, compreensivos. Sabiam que ela devia estar sentindo muita dor, e deveria estar assustada e estressada, e por esse motivo não demoraram a se agilizar.

Rapidamente, Oliver se aproximou e a pegou no colo, caminhando para o elevador com Caitlin atrás; ela estava preocupada com as contrações, se não chegassem logo no hospital, os bebês poderiam nascer no carro, e isso seria horrível para a mamãe de primeira viagem, além disso, faria com o papai surtasse. A ruivinha pedia mentalmente para que chegassem ao hospital sem problemas ou interrupções.

Tommy, Laurel e Barry também entraram junto de Moira e Robert, segundos depois, já com as malas dos bebês e de Felicity em mãos; e eles agradeceram mentalmente por aquelas malas estarem prontas a mais de um mês, ou a loira grávida surtaria mais do que já estava surtando. Eles podiam ouviu os gritos dela, quando chegaram ao estacionamento, e a Allen a compreendia muito bem; era uma dor infernal.

**--** **--**

Oliver sabia que precisava se acalmar. Por ela. Mas estava difícil, a cada vez que ouvia os gemidos de dor saírem da boca da esposa. Ela sentia muita dor, tentava controlar os gritos, o que era quase impossível, e podia sentir todo o corpo dela tremer, e isso de certa forma o preocupava. Segurou sua mão e sentiu um aperto forte, mas dava para aguentar. Não era algo que o deixasse desconfortável, apesar de sentir as unhas dela fincarem em sua palma. Percebeu em algum momento durante o trajeto que a respiração dela estava ofegante. Não esperava por aquele momento acontecendo naquele dia, principalmente porque a amada estava prestes a entrar no oitavo mês de gestação. Caitlin havia dito que Felicity entraria em trabalho de parto mais cedo por ser trigêmeos, que era normal, que tudo daria certo e que ele não deveria se preocupar, e mesmo assim não conseguia deixar de pensar que ela e seus filhos poderiam estar em risco. Sua mente dizia que era cedo demais, mesmo que sua “cunhada” dissesse que na verdade sua amada deveria entrar em trabalho de parto muito antes, por estar esperando trigêmeos.

O que realmente o preocupava era aquele momento tenso no qual o lembrava tanto o que passou a oito anos atrás, quando suas primogênitas nasceram. Havia passado pelo pior quando Sara deu à luz, então ver sua esposa sofrendo, vê-la em uma situação como aquela o fazia pensar imediatamente no dia em que perdeu sua primeira esposa. O medo que sentia por acontecer o mesmo era quase desesperador. Ele tentava ao máximo mostrar sua segurança, mostrar que tudo ficaria bem, mostrar que sua amada poderia se sentir segura sobre aquele momento. Não podia deixar que ela sentisse seu medo. E era por esse motivo que não deixava que os olhos claros dela encontrassem os seus.

— Você.está.bem? – Felicity finalmente conseguiu perguntar, mesmo que pausadamente por causa da dor.

Oliver não pode deixar de sorrir ao perceber que apesar da dor que sentia, ainda assim, se preocupava com ele.

— Não se preocupe comigo, okay?

Ela grudou a outra mão no estofado do banco, segurando um grito alto.

— As contrações estão mais fortes?

Ela assentiu ao ver que não conseguiria responder.

— Cait? – Chama de forma desesperada.

— Estamos chegando.

Tommy acelerou ainda mais ao ouvir sua irmã reclamar de dor, mais uma vez.

Derrapou o carro e o parou em frente à porta do hospital.

Caitlin foi a primeira a descer, rapidamente, abrindo a porta traseira, duas enfermeiras já os esperavam do lado de fora do hospital, com uma cadeira de rodas, à espera da chegada da grávida. Assim como a médica amiga da família havia dito, a outra que acompanhou a gravidez de Felicity desde o início já estava sabendo da situação dela e por isso os outros médicos e alguns enfermeiros de sua equipe iriam prepará-la para que ela já esteja pronta quando chegasse. Oliver saiu do carro, pegou a esposa nos braços, sentindo as mãos dela sobre seus ombros, apertando com certa força. A colocou com cuidado sobre a cadeira, deixando que a levassem para dentro do prédio rapidamente, e ele a acompanhou apressadamente junto de seus amigos.

— Podem esperar na sala de espera, vamos prepara-la e logo o chamaremos, senhor Queen.

Nenhuma das mulheres que se encontravam ao redor da grávida esperaram por alguma resposta, apenas saíram, levando a loira, deixando o Queen apreensivo. Se sentia nervoso, preocupado, não conseguia deixar de se lembrar de como foi com sua falecida primeira esposa, e isso o fazia tremer, temeroso, mesmo que tentasse relaxar; algo impossível de se acontecer. Ele agora entendia o temor de sua amada com relação ao parto, ele mesmo sentia-se da mesma forma naquele momento, mesmo que todos lhe dissessem que seria diferente, que tudo ficaria bem e que em breve estaria com seus filhos nos braços, ao lado de sua amada.

Não demorou muito para que seus pais chegassem, juntos, com Laurel e Barry, ao mesmo tempo em que Tommy dizia que ele se sentasse.

— Não entrou com ela, filho?

— Disseram que iriam prepará-la e que então me chamariam, pai.

— Vai ficar tudo bem, querido. – Moira colocou a mão direita no ombro do filho, lhe dando um sorriso.

— Ela está grávida de trigêmeos, então a bolsa estourar antes dos 9 meses é totalmente normal, eu já disse isso. – Cait, sabendo que Oliver estava preocupado, decidiu explicar novamente, tentando tranquilizá-lo. – Por isso, não precisa ficar tão nervoso, vai ficar tudo bem.

— Têm certeza que não tem nada de errado, Cait?

A ruiva olhou para o marido, antes de suspirar, e se voltar para o Queen, sendo o mais verdadeira possível.

— Oliver, algumas vezes, partos antecipados têm riscos...

Ele colocou as mãos na cabeça.

— Mas eles vão ficar bem. Essa médica já cuidou de muitos casos. Alguns tão raros e complicados, e mesmo assim deu tudo certo no final. – Colocou a mão no ombro esquerdo do amigo. – Vamos pensar positivamente, está bem?

— Isso é meio impossível, Cait.

— Ollie. – Laurel o chamou e ele a olhou. – Sei que deve ser complicado, por causa..., por causa do que houve com a Sara, mas... – Respirou fundo. – Eu concordo com a Cait. Vamos pensar que tudo ficará bem. Felicity e os trigêmeos estarão bem.

Ele assentiu, cruzou as mãos depois de apoiar os cotovelos nos joelhos, e esperou que a médica de sua mulher o chamasse.

**--** **--**

Felicity respirava de forma ofegante, enquanto sentia dores cada vez piores. Percebia os vários enfermeiros ao seu redor, andando de um lado para o outro, e isso só a deixava mais nervosa do que já se encontrava. De repente sentiu uma picada e descobriu logo em seguida que havia sido por conta da agulha que naquele momento se encontrava em seu braço, conectado ao soro. Odiava hospital, odiava agulha, odiava estar sentindo tanta dor. Seus olhos não deixavam a cada um dos que se encontravam ao seu redor; os seguia a todo momento, mesmo que fossem quatro. Eles faziam várias coisas ao mesmo tempo; cuidavam de si, cuidavam dos equipamentos que precisariam usar antes e depois de dar à luz, fechavam as persianas. A única doutora que se encontrava no cômodo se aproximou com o equipamento de ultra, e de repente, seus olhos ficaram preocupados; pode perceber pela forma como seu cenho franziu e como ela olhava de forma fixa para a tela.

E Felicity se preocupou instantaneamente.

E mesmo assim não conseguiu perguntar ou questionar, pois a dor que sentiu foi forte demais; seu gemido alto de dor foi ouvido por cada um dos enfermeiros que se encontravam no quarto. Mas não conteve a vontade de segurar a mão da médica, forte, olhando-a nos olhos.

— Meus bebês. – Diz ofegante.

— Eles ficarão bem.

— O que... – Se interrompeu ao ver uma seringa com uma agulha enorme nas mãos da mulher ao lado da médica, que Felicity tinha certeza de que era apenas uma residente, por conta do uniforme que era diferente do que Meredith usava normalmente.

— Nós vamos preparar você para a cesárea. – Uma enfermeira explicou.

— Cesárea? – Pergunta nervosa. – Não, mas..., mas eu não vou fazer cesárea.

— Não foi isso que nos foi passado.

Mesmo que Felicity estivesse nervosa, a enfermeira estava calma.

— Não. Eu combinei com a minha médica. Cadê a Dra. Meredith?

— Ela ainda não chegou...

A porta foi aberta.

— Com licença. Tudo pronto?

— Dra. Lilian, ela disse que não vai fazer cesárea. – A residente diz.

— Mas será menos perigoso para vocês. – Desviou os olhos para a grávida na cama hospitalar.

— Não. Eu combinei tudo com a Dra. Meredith. – Diz, irredutível.

— Felicity, você está grávida de trigêmeos. – Olhou para os monitores ao lado da paciente. – Sua pressão está alta, é perigoso você ter um parto normal.

— Não. Eu vou esperar a Dra. Meredith, porque eu não vou abrir minha barriga de jeito nenhum!

A médica suspirou antes de olhar para a enfermeira e a residente que esperavam por instruções. Seus olhos seguiram para a tela da ultra, por um momento, assim como a residente havia sugerido, de forma cautelosa, sem alarde, e mais uma vez suspirou, dessa vez, sentindo a tensão.

Era ruim.

— Felicity, me escuta... – Diz devagar, olhando nos olhos verdes. – Você precisa aceitar fazer a cesárea, pelo seu bem e...

— Não mesmo!

Não era a primeira vez que via uma grávida tão irredutível, e mesmo assim, não se acostumava com aqueles casos. E por isso, mais uma vez suspirou, longamente dessa vez, antes de pedir para que monitorassem a paciente, a medicassem e esperassem por ela.

Iria atrás dos familiares.

**--** **--**

— Senhor Queen.

Oliver se levantou no mesmo instante. Seus olhos caíram sobre a médica que se aproximava, e não a reconheceu. Ficou confuso, principalmente porque esperava que Meredith aparecesse, que lhe acalmasse como sempre fazia e que lhe levasse até sua esposa, como haviam combinado. Mas pelo jeito alguma coisa havia dado errado; percebeu ao ver o olhar cansado e preocupado da morena que andava a passos leves, mas não menos apressados. Ele sabia identificar quando uma pessoa não tinha uma notícia boa para dar, e era exatamente o que estava vendo naquela mulher de olhos claros.

Tinha várias perguntas em mente naquele momento.

O que havia acontecido?

Sua esposa e filhos estavam bem?

E o mais importante...

Quem era aquela médica?

— Eu sou Lilian, a médica de sua esposa. – Diz, o cumprimentando-o.

— Mas e a Meredith? – Cait perguntou tão confusa quanto o Queen.

— Ela está chegando, Merlyn. – Respondeu, acalmando-os pelo menos um pouco.

— Como minha esposa está? – Oliver pergunta, preocupado.

— A senhora Smoak–Queen está preparada, mas...

Ele arqueou as sobrancelhas quando ela fez uma pausa preocupante.

— O que? O que houve?

— Ela insiste em não fazer cesárea.

— Meredith disse que não teria problemas em ser normal. – Oliver olhou para Cait. – Não é?

A Merlyn concordou.

— Ela disse isso várias vezes, durante as consultas. – Completou ao se voltar para a mulher.

— Sim, mas são trigêmeos, e isso me preocupa. – Quem respondeu foi Lilian.

— Meredith disse que não faria diferença. Que minha esposa poderia ter um parto normal, sem complicações.

— Na minha opinião, não é o certo a se fazer. – Retrucou.

— Por quê?

— Porque ela está nervosa demais, além disso, encontramos algo preocupante com os bebês... – Percebeu cada um dos presentes se preocupar ainda mais, mas não deixou que alguém lhe fizesse perguntas. – E tem a pressão dela que está me preocupando...

Oliver a interrompeu.

— Pressão? – Arqueou as sobrancelhas. – Eu não estou entendendo nada..., você está me dizendo que o parto dela pode ser complicado e que meus filhos estão mal?

— Eu explicarei. – Se sentou e os que estavam de pé, fizeram o mesmo. – Sua esposa já entrou em trabalho de parto, isso é um fato. Ela sente muitas dores, e isso intensifica o nervosismo, principalmente por ela ser mãe de primeira viagem, e isso é normal. Mas seria menos perigoso se ela não estivesse com a pressão muitíssimo alta, o que já é uma situação de risco. Além disso, a bolsa dela rompeu e têm mecônios junto ao líquido amniótico.

— O que? Pode traduzir, por favor? – Quem pergunta é Helena.

— Claro. A presença do mecônio pode significar que os bebês entraram em sofrimento.

— E o que isso significa? – Moira perguntou.

— O próximo passo nosso é monitorar os bebês através de uma cardio topografia. E então vamos avaliar a real situação deles.

Moira assentiu junto do marido e dos outros, que agora finalmente compreendiam a real situação.

— Mas isso têm algum risco para os meus filhos ou para a Felicity?

— Infelizmente, sim. Mas através do resultado desses exames, nós vamos poder verificar qual é o melhor caminho; se podemos seguir com o parto normal ou se temos que entrar no procedimento cesárea imediatamente.

Oliver assentiu, ainda que sentisse um aperto no peito. Sentia um medo desesperador, no qual mal o deixava respirar.

Engoliu em seco, só de imaginar o pior.

— Então, traduzindo em miúdos..., meu Deus do Céu! – Laurel diz, preocupada.

— Não, não, não. Podem ficar calmos, estamos trabalhando para que tudo dê certo. Eu peço que se acalmem, e não se preocupem, okay?

Todos balançam a cabeça, confiando na médica.

— Agora eu vou entrar para fazer o procedimento, com licença.

— Espere. Você vai avisar se acontecer alguma coisa, certo? – Moira se antecipou.

— Sim, com toda a certeza.

**--** **--**

Felicity soluçou ao ouvir barulhos estranhos. Não estava conseguindo lidar com o medo que sentia, muito menos quando sabia que escondiam algo de si, algo que estava relacionado aos filhos que ela tanto amava. Haviam pedido para que se acalmasse, pedido para que não se preocupasse, para que confiasse neles, mas como o faria se sabia que não lhe diziam tudo que sabiam sobre o estado dos trigêmeos? Queria empurrar, mas a médica ordenou que não o fizesse, queria um parto normal e aquela mesma médica afirmou que não era recomendável.

E a morena não entendia.

Não compreendia nada do que estava acontecendo, nem consigo e muito menos com seus bebês. Não tinha noção do que realmente estava acontecendo. E mesmo que não dissessem, sentia que tinha algo de errado, sentia que seus bebês estavam em perigo, sentia tantas coisas ruins naquele momento, que mal conseguia raciocinar direito.

Meredith tinha lhe dito em cada uma das consultas que estava tudo bem, que seus bebês eram completamente saudáveis, que não teria problema algum em ter um parto normal mesmo sendo trigêmeos, e era por esse motivo que ela não conseguia compreender o porquê de ela estar sendo praticamente obrigada a aceitar uma cesárea. E pior. O porquê de ainda não terem dito a ela o que realmente estava acontecendo, enquanto faziam um exame estranho que ela nunca tinha visto antes.

— Tem alguma coisa de errada comigo, não tem? – Não conseguiu conter a pergunta desesperada.

A médica não respondeu, apenas continuou com os olhos fixos no exame que fazia na grávida.

— Eu sei que tem. – Soluçou.

Estava com medo; medo de que algo ruim acontecesse aos seus filhos.

— Fique calma, por favor. – Pede quando a grávida começa se mexer reclamando de dor.

— Eu não estou aguentando..., estou com muita dor. – Diz chorando.

— Calma, Felicity, nós vamos começar o procedimento cesariano.

— Não, não. Meredith disse que ficaria tudo bem. – Soluçou mais uma vez, nervosa. – Disse que eu poderia ter um parto normal.

— Felicity, não é recomendável.

Ela rosnou ao sentir uma pontada forte.

— Coloque mais soro, eu irei falar com os familiares.

**--** **--**

— Você está me dizendo que ela e meus filhos estão em risco?

Oliver não estava acreditando no que estava ouvindo. Era como se todo o medo, todo o pesadelo, do que houve a mais de oito anos atrás estivesse realmente acontecendo, bem naquele momento, mais uma vez. E por isso ele sentia todo seu corpo ficar tenso, sentia seu peito apertar, e mal conseguia respirar só de pensar que poderia perder seus filhos e sua esposa, de uma única vez. Ele não suportaria. Não novamente. Não depois de superar tudo o que houve com Sara, não depois de se casar novamente e se ver feliz, após tantos anos de sofrimento, revolta, saudade, achando que jamais se veria apaixonado e criando uma família com outra senão com a mulher que lhe deu suas primogênitas.

Por que estava repetindo a mesma história?

Por que estava ouvindo aquela mesma frase?

Por que se via mais uma vez, temeroso com o parto de alguém que ama?

Ele não conseguia entender. Era para ser tranquilo, como a médica havia dito que seria, era para ser completamente normal, sem complicações, como havia ouvido tantas vezes da mulher que cuidou de toda a gestação de sua esposa; ela já havia feito partos de trigêmeos antes, e dizia em toda consulta, para acalmar a ele e a sua esposa, de que era igual a qualquer parto, e que eles não deveriam se preocupar.

E mesmo assim ele se preocupou.

Como não se preocupar, quando naquele momento sua esposa estava sentindo muita dor e seus filhos, que ainda estão dentro da barriga dela, estavam sofrendo? Como não se preocupar quando as quatro pessoas que mais amava naquele mundo estavam em perigo?

Não conseguia parar de se lembrar das palavras da médica; ela havia dito que não precisava se preocupar, ela havia dito que Felicity e os trigêmeos estavam bem, e que um parto normal não seria um problema, ela havia dito que mesmo na situação na qual sua esposa passou, ao perder dois filhos a mais de um ano atrás, tudo ficaria bem. E agora, naquele momento, as pessoas que mais amava naquele mundo estavam em risco; sua esposa e seus três filhos.

— Estou. – Afirma, pesarosa. – Eu preciso fazer uma cesariana, mas ela insiste em um parto normal.

— Meus filhos estão sofrendo? Você disse que...

A médica pediu para ele se acalmar, e então completou.

— Seus filhos estão bem, por enquanto. Mas eu preciso fazer o parto às pressas. A pressão dela está cada vez mais alta, ela sente muitas dores e mesmo assim não deixa que eu faça o procedimento recomendável.

— E você está me dizendo que ela não conseguiria passar por um parto normal?

A mulher assentiu.

— É isso que está me dizendo?

— Isso mesmo. Seria perigoso tanto para ela quanto para os seus filhos.

Oliver passou as mãos nos cabelos, se perguntando, por um momento, no porquê de sua linda e amada esposa estar dando tanto trabalho naquele momento, o enlouquecendo, o deixando mais nervoso do que já se encontrava. Entendia que ela estava assustada, que estava com medo, que não queria passar mais tempo em um hospital do que o necessário, principalmente depois das tantas vezes que ela esteve ali, mas ela não poderia raciocinar um pouquinho e seguir com o recomendável para o bem dela e dos filhos deles?

Caitlin, que olhava para a médica como cada um dos presentes, balançou a cabeça, pensando no quanto sua melhor era teimosa quando queria.

— Mas essa é a minha opinião, senhor Queen. Se ela quiser fazer um parto normal, eu não vou poder obriga-la do contrário.

— Posso falar com ela?

A mulher concordou, prontamente, pedindo, mentalmente, para que o marido conseguisse fazer a esposa aceitar sua recomendação. Era o melhor para os quatro, e ela não queria que acabasse acontecendo o pior caso ela não aceitasse. Já havia visto outros casos como aqueles, e precisava ser cuidadosa até mesmo na cesárea, principalmente quando sabe o quanto a mulher estava com a pressão alterada.

Oliver suspirou antes de olhar para os amigos e os pais.

— Esperamos você aqui. – Barry e Tommy dizem juntos.

Ele assentiu e então seguiu a médica.

— Eu vou ligar para a Meredith.

Cait pegou o celular que estava na bolsa, ligando para a médica, logo em seguida. Estava preocupada com a amiga, assim como cada um dos que estavam naquela sala de espera ao seu lado, e por isso, quanto mais rápido a doutora que esteve acompanhando a gravidez de Felicity desde o começo chegasse, melhor.

**--** **--**

Enquanto seguia a médica, Oliver podia sentir seu corpo inteiro tremer. Aqueles mesmos corredores, aquele mesmo elevador, no qual saiu apouco, o deixava tenso, principalmente porque as lembranças do passado o atormentavam; sua esposa estava passando por algo semelhante a que a mãe biológica de suas primogênitas passou, e a lembrança do final do dia em que ela deu à luz, o fazia estremecer. Desde que ouviu que as pessoas que amava e que estava a poucos passos dele estavam em risco, não conseguia parar de pensar em tudo que passou com Sara. Ele havia finalmente superado tudo, mas era difícil não pensar no pior e nas lembranças daquele dia triste, quando novamente estava passando por aquela mesma situação.

Por favor, que ela fique bem, ele pediu mentalmente.

Que ela e meus filhos fiquem bem, completa em pensamento.

O medo era grandioso, mas ele sabia que precisava ficar controlado, afinal, sua esposa deveria estar apavorada. Ela temia por conta da cesariana, temia por conta das dores, temia pelos filhos; ela ainda tinha medo de perdê-los, e provavelmente o medo dela era tão grande quanto o seu próprio. E só por pensar nos sentimentos dela, que ele se obrigou a acalmar os próprios; Felicity precisava do apoio dele. Além disso, ainda havia o medo dela de que seu pior pesadelo, o que a deixava apavorada a semanas, viesse a acontecer, o que fazia com que a situação só ficasse mais tensa do que já se encontrava.

A porta foi aberta pela médica que estava a sua frente e no instante em que passou por ela, atrás da mulher, encontrou sua esposa pálida, chorosa e completamente assustada sobre a cama hospitalar. Se aproximou rapidamente, sobre os olhos atentos de cada um dos dois médicos no cômodo, além das duas enfermeiras.

— Meu amor. – Beijou a testa da esposa.

— Oliver. – Sua respiração continuava ofegante. – Eu não quero uma cesárea.

— Felicity, é perigoso você ter um parto normal.

Ela balançou a cabeça, devagar, não aceitando aquelas palavras.

— Nós vamos ficar bem.

Oliver apertou as mãos, nervoso.

— Eu consigo.

— Você não está entendendo. – Diz devagar. – Sua pressão está alta, Felicity, e isso é perigoso tanto para você quanto para os trigêmeos. Você não está bem emocionalmente para ter um parto normal, seu corpo não está bem e os bebês podem não ficar bem se continuar insistindo. Então... – Fez uma pausa. – Por favor, faça isso por mim. – Pede bem devagar.

— Oliver.

Ele a interrompeu.

— Por mim, meu amor. Sabe como estou nervoso? Estou quase surtando, e nesse momento, tento me controlar para não deixar a situação ainda pior para você. Mas você não está me dando escolha... – Frisou a última palavra. – Não posso passar por aquilo mais uma vez. Dessa vez eu não vou aguentar.

Felicity então, entendeu o que o preocupava tanto, o que o aterrorizava tanto. Ele se lembrava de Sara, naquele momento, se lembrava do dia em que a perdeu, do dia em que apenas suas garotinhas sobreviveram e que ele teve de voltar para casa sem a mulher que ele amou tanto.

Ela tinha se esquecido, momentaneamente.

Mas alguém podia culpa-la? Ela estava em trabalho de parto.

— Preciso que você fique bem. Que nossos filhos também fiquem bem. Eles, as gêmeas e eu... – Molhou os lábios. – Precisamos de você. – Frisou essas últimas palavras.

— Eu não queria que me cortassem... – Confessou, chorosa.

O marido beijou sua testa mais uma vez.

— Eu sei. Eu sei disso, e eu te entendo, amor, mas é para o bem de vocês quatro.

A dor veio mais forte e ela segurou um grito, apertando as mãos no lençol, fechando os olhos com força; não era nada fácil, mas não queria assustar ainda mais o marido, deixá-lo mais nervoso do que já parecia se encontrar. Por todo aquele tempo, ela só pensou nela; não pensou no medo, na agonia, no desespero do homem que amava, enquanto estava do lado de fora, esperando por notícias, tentando não se lembrar do que houve com a primeira mulher, mesmo que fosse impossível, e pior, não estava pensando em seus bebês, os filhos que ela tanto desejava.

Não era vaidade. Só não gostaria de ficar mais tempo naquele hospital do que o necessário. Havia perdido as contas de quanta vezes havia ido parar ali, mas aquele era um momento importante e muito, muito delicado, então ela precisava fazer o que era certo, o que era mais seguro para ela e os filhos, mesmo que isso significasse que seria cortada e consequentemente, internada por uma semana.

Respirou fundo e soluçou antes de responder.

— Okay. Tudo bem. – Olhou para as médicas que entravam no quarto; tanto Meredith quanto Lilian se aproximaram. – Eu aceito fazer a cesárea.

— Ótimo. – Lilian sorriu. – Vamos preparar tudo para a cesárea, então.

As enfermeiras se posicionaram, tão aliviados quanto as outras duas.

— Eu posso estar com ela?

— Claro. – Meredith sorriu para o Queen enquanto Lilian saía para preparar o que tinha que ser preparado. – Mas não quero que interrompa, aconteça o que aconteça.

Ele assentiu, desviando os olhos para amada, lhe sorrindo, mesmo que fraco.

— Vai ficar tudo bem. – Sussurrou para a mulher que amava, que fechou os olhos, por um momento, balançando a cabeça. – Eu te amo.

Seus olhos se encontraram quando ela os abriu.

— Eu te amo.

E então Lilian entrou no quarto, com a equipe.

— Tudo pronto. Preparados?

O casal respira fundo, ao mesmo tempo, depois de olhar nos olhos da médica, e juntos, assentem.

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Todos estavam sentados, esperando por alguma notícia. Não souberam de nada desde que Oliver havia os deixado para acompanhado a médica. Faziam ideia do quanto aquela situação estava sendo difícil para ele, mas também tinham a certeza de que ele conseguiria fazer a esposa concordar com a cesariana. Ele era o único a conseguir convencê-la. Podiam imaginar o desespero de ambos; de Oliver por estar passando por toda aquela tensão, e Felicity por estar completamente assustada tanto por ela quanto pelos bebês que ela amava mais que tudo. Ambos haviam passo por situações complicadas antes, ambos haviam perdido algo que amavam, e por isso tinham medo de perder mais uma vez. Mas mais que toda aqueles sentimentos do casal, cada um dos presentes não compreendiam o porquê de a loira se tornar tão teimosa em uma situação complicada como aquela, principalmente quando sabia que podia colocar a ela e aos bebês em risco. Caitlin era a única que a compreendia completamente, apesar de a achar muito teimosa; ela mesma não iria querer passar por uma cesariana. Seriam de sete a dez dias internada naquele hospital; lugar esse que a amiga já havia ido parar mais de três vezes, só naquele ano.

Havia sido um ano difícil para todos, mas muito mais para Felicity; ela havia perdido a mãe, havia quase perdido Oliver, levou um tiro, perdeu dois filhos, quase um atrás do outro, foi sequestrada, passou por um verdadeiro inferno e agora estava em uma complicada situação, tentando ter os filhos que ela e o marido desejaram tanto. Havia sido aterrorizante para um deles, por conta do medo de mais uma vez perder um filho, por mais uma vez se ver tendo um aborto após amar aquele ser que estava dentro dela, e para o outro havia sido complicado por sua amada não querer aceitar aquela gravidez, mesmo que já sentisse todo o amor do mundo por aqueles que era parte dele e parte dela, os serem que haviam sido concebidos com muito amor.

— Será que ele conseguiu convencê-la? – Moira perguntou, nervosa por conta da falta de notícias.

— Eu acho que sim.

Olhou para Ray ao ouvi-lo responder.

— Felicity deve estar apenas com medo, depois de tudo o que houve..., Oliver tinha me dito que ela não estava acreditando muito na gravidez quando descobriram que ela estava grávida.

— Por causa do que houve antes? – A avó dos bebês que nasceriam em breve pergunta, e os outros balançam a cabeça em resposta.

— Ela teve dois abortos, é compreensivo que ela tenha medo e fique tão assustada. Ela estava apenas com medo de que não desse certo novamente. – Barry explica.

— Não é só isso, ela havia me dito que não queria ser cortada, porque não estava afim de ficar tantos dias internada. – Laurel contou.

— É compreensível, mas ela tem de pensar no bem dela e dos filhos também.

— Nesse momento, Robert, ela deve estar sentindo tanta dor, que mal deve estar raciocinando direito. – Helena foi a defesa da amiga, e os outros não puderam discordar dela.

— Querido, ligou para o Malcom?

O outro assentiu à esposa.

— Disse que chega logo.

Tommy, que estava completamente calado desde que o amigo saiu, se sentia nervoso enquanto olhava para a esposa, que estava sentada ao seu lado, balançando as pernas, ansiosa por notícias. Ela dizia que a amiga era teimosa, mas ela era tanto quanto. E talvez por isso eram tão amigas, ele pensava.

Não conseguia acreditar que havia deixado a amada sair de casa, estando a dois meses de dar à luz. Se sentia inconformado com a teimosia da mulher. E mais ainda por ter aceitado ela estar ali, ao seu lado, em uma tensão irritante, a espera de notícias.

— Eu acho que alguém deveria estar em casa, e não estar passando por emoções fortes. – Finalmente se pronuncia, sem se conter, olhando para a esposa, que prontamente revirou os olhos.

— Eu ficaria tão nervosa lá quanto estou aqui. – Bufou. – Felicity está nervosa, porque como Laurel disse ela não quer ficar internada por tantos dias, e consequentemente, ficar de repouso em casa.

— Compreensivo. – Ray e Barry dizem juntos.

— Você tem certeza de que está bem para ficar aqui, Cait?

Ela não respondeu, e Tommy arqueou as sobrancelhas, não compreendendo, afinal ela nunca deixava de responde-lo, não importava o quê.

— Cait? – Laurel também achou estranho e por isso a chamou.

— Caitlin. – Tommy chamou com a voz mais exaltada e ela finalmente o olhou, nervosa, com os olhos um pouco arregalados.

— Oh, Deus!

Barry olhou para o chão, chamando a atenção dos outros, que o olharam de forma confusa, por ouvir a exclamação sair assustada.

— Eu acho que Felicity não vai ser a única a ser internada hoje.

— O quê? – Moira, Laurel e Helena olharam para onde ele olhava, arregalando os olhos no instante seguinte.

— Eu...

Tommy ainda não tinha entendido nada, nem ele e muito menos Robert.

— Eu acho que minha bolsa estourou.

Os olhos do marido saltaram no instante em que a escutou.

— Eu tenho certeza. – Laurel diz, olhando para a possa de “água” que tinha debaixo da cadeira.

— Isso..., isso..., não é possível. – Tommy diz, gaguejando. – Ela acabou de completar o sétimo mês.

— Kitty também nasceu antes do tempo. – Barry diz.

— Mas não dois meses antes. – Ele retrucou, nervoso, mas não com o amigo, e sim com a situação.

— Querida, você está sentindo alguma dor?

— Não. Ainda não.

— Okay. Então pode ser que não esteja acontecendo.

Laurel o empurrou, se colocando em frente a amiga, ao mesmo tempo em que bufava; seu ex não estava ajudando, mas também, era homem, e praticamente todo homem fica como um imbecil quando a esposa está em trabalho de parto. Exemplo disso foi seu marido, quando Natty nasceu, e Oliver, que ficou gaguejando a poucos minutos atrás, quando ouviu quase a mesma coisa vindo de Caitlin. Ela não sabia, mas havia pensado o mesmo que a mulher na qual estava entrando em trabalho de parto naquele momento.

— Alguém traz uma cadeira de rodas?

Robert saiu para fazer como Laurel pediu.

— Nós precisamos de um médico. – Helena diz alto, chamando a atenção de duas enfermeiras que passavam pelo grupo.

— Está sentindo dor? – Uma das enfermeiras pergunta.

— Nenhum pouco.

Apenas as enfermeiras puderam escutar, pois a voz dela saiu muito baixa.

— Vamos levá-la para o quarto que acabamos de preparar.

A outra concordou.

— Não acredito que isso esteja acontecendo agora. – Cait comenta.

— Totalmente normal. – Laurel ri, depois de completar a fala.

— Você deveria se acostumar, passou a ser rotina isso acontecer. – Lena diz, balançando a cabeça. – Laurel, Felicity, você. – Enumera com os dedos.

— Tome cuidado, pode ser a próxima.

— Allen, por favor, vamos focar na grávida que está dando à luz e não na minha mulher.

O outro segurou uma risada ao ouvir o amigo.

Robert imediatamente chega com uma cadeira de rodas e uma enfermeira, aliviado por ver que havia mais duas ao redor da Merlyn.

— É ela?

— Sim. – Moira responde. – Ela está com sete meses.

— Não sinto nenhuma dor. – Volta a dizer, fazendo as mulheres a frente dela assentir.

— Sorte a sua. Quando entrei em trabalho de parto pensei que ia morrer. – Laurel comentou.

— Temos um quarto preparado para ela. – Diz para a colega de trabalho que havia acabado de chegar.

— Eu descobri que Oliver entrou na sala cirúrgica com Felicity. Ela aceitou fazer como a médica recomendou.

Todos suspiraram aliviados.

— Graças a Deus. – Barry e Laurel diz.

— Bom, vamos cuidar de você. – Uma das enfermeiras a ajudou a se sentar na cadeira de rodas. – Alguém vem com ela?

— Ele vai. Ele é o pai. – Barry empurrou o amigo, fazendo ele acordar. – Não é a primeira vez que você vai ser pai, deixa de ser mole.

— Eu não esperava que fosse hoje. – Retrucou, fuzilando-o.

— Ninguém esperava, querido. – Moira sorriu. – Mas Caitlin precisa de você.

Ele concordou e prontamente seguiu as enfermeiras que levavam sua esposa para um quarto, mas não sem antes avisar que voltaria quando seus filhos nascessem, para lhes dar notícia.

— Malcom vai ficar louco. – Robert comenta com um sorriso no rosto. – Os dois filhos dele serão pais no mesmo dia.

Os outros também sorriram.

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Felicity via aquele tanto de médico e enfermeiro a sua volta; arrumando a sala de cirurgia, trocando o soro, andando para lá e para cá e isso só a deixava ainda mais nervosa. Ela queria que eles parassem, só um pouquinho, pois estava começando a ficar enjoada e tonta; e por isso, por um momento, fechou os olhos, tentando não pensar em sua situação naquele momento, tentando não pensar que em alguns minutos a abririam. Queria tanto um parto normal, mas não era recomendável, queria tanto não ter de ficar tantos dias no hospital, mais uma vez, mas não seria possível. Era irritante pensar que teria de ficar por uma semana internada, mais irritante ainda pensar que ficaria aquele tempo todo sem as gêmeas, que as veriam por poucas horas e então as veria seguir de volta para casa com um dos familiares, não poderia colocá-las para dormir como fazia todos os dias.

Começou a sentir seu corpo tremer, e logo em seguida sentir um pouquinho de frio. Tentou dizer ao abrir os olhos, mas não conseguiu. Não sabia se o frio que sentia era pela situação e o medo que sentia ou pela sala na qual estava um pouco gelada. Gostaria de dizer que o medo havia passado, mas seria mentira; ela continuava apavorada, e por isso não tinha certeza de que o friozinho que sentia naquele momento era por conta da sala de cirurga.

A todo momento sussurros vinham a sua mente.

E se der errado?

E se seus bebês não conseguirem sobreviver?

E se...

E se...

E ela odiava cada um dos "e se" que eram sussurrados em sua mente, deixando-a mais apavorada do que já se encontrava. Precisa se acalmar, e a única pessoa que a acalmava, era seu marido. O homem que a acalentava quando tinha pesadelos, que a tranquilizava com suas palavras, que dizia a todo momento que tudo ficaria bem, que ele estava ao seu lado, que a amava. E por isso se perguntava onde ele estava. Antes que pudesse finalmente verbalizar seu pensamento, uma das médicas na qual reconheceu como Meredith, parou ao seu lado com um sorriso.

— Está quase tudo pronto. Logo você estará com seus filhos nos braços.

Felicity mordeu o lábio, pedindo a Deus que tudo desse certo.

— Não precisa ficar nervosa. Eu sei que você queria fazer um parto normal, mas isso é para o seu bem e principalmente, para o bem dos seus filhos.

A grávida balançou a cabeça, mesmo que estivesse um pouco zonza, por causa da anestesia.

— Confie em mim, vai dar tudo certo.

A loira respirou fundo.

— Cadê o Oliver? – Sua voz saiu rouca.

— Ele está sendo preparado para entrar.

A grávida assentiu devagar mais uma vez, pedindo para que ele se apressasse.

— Eu vou estar acordada, não é?

— O tempo todo.

A porta se abre e Oliver aparece. Meredith se aproxima dele rapidamente, afim de dar algumas recomendações.

— Felicity está um pouco zonza por causa da anestesia, mas poderá ouvir tudo o que disser, por isso precisa ficar calmo, e não demonstrar nervosismo. Ela precisa que você lhe dê forças.

O Queen assentiu.

— E mais uma vez, não me interrompa por nada nesse mundo, por favor, e faça tudo que eu ordenar.

Novamente ele apenas assentiu.

— Então, vamos começar.

Deixou o Queen se aproximar da mulher grávida, sentando-se perto do anestesista, ao lado do rosto da esposa, que percebeu sua presença finalmente.

— Oliver.

Ele pegou em sua mão direita que tinha um fio conectado ao soro.

— Vai ficar tudo bem, amor.

Ela fechou os olhos, assentindo e logo depois os abriu.

— Como estão os sinais vitais? – Meredith pergunta, pronta para começar a cesariana.

— Estão como esperados, doutora. – Um enfermeiro responde.

— E sua pressão?

— Controlada, até o momento. – Uma enfermeira responde.

A médica balançou a cabeça antes de se virar para a pessoa ao seu lado esquerdo

— Bisturi.

Estende a mão para o assistente, para então começar finalmente com a cirurgia. Oliver tentou manter os olhos nela, em sua amada esposa, mas não conseguiu, não por muito tempo. Mesmo que a médica tenha lhe dito que tudo ficaria bem, ainda estava nervoso, com medo de que tudo voltasse a acontecer, e por isso focou os olhos em Meredith.

Não podia pensar em perdê-la.

Perdê-los.

O medo que sentia era sufocante, e mesmo assim, ele tentava não demonstrar e se manter forte pela mulher que amava, e que estava naquele momento, tendo os filhos que eles desejaram por tanto tempo. Era um sonho realizado, era o mais esperado por eles, principalmente após perderem dois filhos, sendo que um deles sua amada não fazia ideia de que esperava.

Felicity fechou os olhos, sentindo-se zonza; a anestesia tinha sido forte, mas não forte o bastante para desacorda-la. Os abriu após um momento e olhou para o homem ao seu lado; ele agora olhava para o que a médica fazia.

Meredith tinha feito o corte.

— Está tudo bem? – Ela diz, com a voz arrastada.

— Sim. – Sorriu. – Estou apenas ansioso.

— Eu também.

— Você está sentindo alguma coisa? – Perguntou carinhosamente.

— Não. – Balançou a cabeça de vagar. – Só estou um pouco zonza.

— É normal, Felicity. – O anestesista diz, fazendo com que o marido da moça assentisse, ficando menos preocupado e imediamente sorrir para a esposa, que apertou sua mão.

— Logo estaremos com nossos filhos nos braços. – Ele comenta em sussurro, beijando o rosto da esposa.

A Médica sorriu e então um choro foi ouvido na sala, o que chamou a atenção dos pais. Oliver então a viu com um bebê nos braços.

— Menino. – Diz olhando para os pais.

Entregou o bebê para um dos residentes que estava a poucos passos de si.

— Ele está bem? – Oliver pergunta.

— Sim, ele está ótimo. Não se preocupe. – Lilian responde.

— Eu não posso vê-lo? – Apesar da voz da mamãe sair baixa, todos puderam ouvi-la.

— Daqui a pouco. Deixe que o pediatra cuide dele antes.

— Outro menino. – A voz de Meredith se faz ouvir junto de mais um choro. – Também perfeitamente saudável.

Felicity sorriu, ansiosa para vê-los, para saber como eram. Seu marido apertou sua mão, e ela o olhou, vendo-o tão ansioso quanto ela. Mas seus olhos não estiveram focados um no outro por muito tempo, logo o Queen se voltou para as médicas que faziam a cirurgia. Lilian arqueou as sobrancelhas de repente e olhou para Meredith que a olhou do mesmo jeito. E Oliver, que havia percebido a tensão e o olhar preocupado de ambas, olhou de uma para a outra, desconfiado. Aquela conversa silenciosas das mulheres havia o deixado cismado, e mais que tudo, preocupado. Ele conhecia aquele olhar; algo estava errado e ambas com toda a certeza não esperavam por seja lá o que estivesse acontecendo.

— O que foi? – Perguntou de uma vez, já angustiado

— Nada. – Meredith pegou o último bebê. – Lilian, consegue terminar?

A moreninha percebeu sua médica de sempre andar com seu último bebê até onde havia uma incubadora.

— Por que eu não estou ouvindo-a chorar? – Felicity pergunta nervosa. – O que está acontecendo? – Sua voz soou um pouco alta demais.

Não houve resposta; estavam concentrados na bebê.

— Ninguém me respondeu, por que não estou ouvindo a minha filha chorar? – Gritou.

— Se acalme, está bem? – Lilian pediu. – A menina está com problemas respiratórios. – Sussurrou apenas para o pai da criança ouvir.

— O que? – Oliver olhou para a esposa que chorava, já desesperada, temerosa, e ele não podia culpá-la, ele mesmo sentia-se daquela mesma forma, principalmente quando havia ouvido o real problema dos lábios da médica que se concentrava em sua esposa naquele momento.

— Senhor Queen, por favor, acalme-a.

Ele engoliu em seco.

— Meredith está cuidando da filha de vocês, e ela vai ficar bem, então por favor... – Fez uma pausa, desviando os olhos para o homem por um momento. – Cuide de sua esposa.

Mesmo nervoso, ele assentiu, se inclinando para poder olhar melhor em seus olhos e aproximar seu rosto do dela.

— Felicity, precisa se acalmar, amor.

— Eu quero saber o que está acontecendo com ela. – Soluçou. – Por que ela não chora? Por que? Eu quero saber...

Oliver a interrompeu, tocando seu rosto com carinho.

— Amor, estão cuidando dela. Respire devagar, está bem?

Ela assentiu, tentando fazer como o marido pediu.

— Não vão deixar que nada aconteça a nossa filha.

Desviou os olhos para a médica que estava com sua filha.

— No momento, querida, precisa cuidar de si mesma, para que não piore a situação.

Voltou a olhar em seus olhos verdes, sorrindo mesmo que fraco.

— Nossa filha ficará bem.

— Meredith?

A médica que cuidava da bebê respondeu com um "sim?".

— Preciso de você.

— O que?

Oliver imediatamente olhou para a médica que cuidava de sua esposa.

— Por que?

— Houve..., um probleminha aqui. Preciso de ajuda.

— O que houve? – Oliver se pronunciou.

Não o responderam e isso o deixou possesso.

— Me responda. – Praticamente rosnou. – O que está acontecendo?

A Smoak-Queen de repente começou a sentir-se muito cansada; seus olhos começaram a fechar-se sozinhos, seu corpo começou a ficar mole e mal conseguia respirar.

— Felicity? – Voltou a se inclinar, aproximando seu rosto do rosto dela. – Amor? Meu amor? – Ele chama, mas ela não responde, o que o faz engolir em seco. – Ela não está bem. – Afirma desesperado, olhando para a médica próxima a ele.

— Preciso que fique calmo. – Olhou para a mulher que cuidava, se mantendo calma, mesmo que a situação fosse complicada. – Felicity, nós vamos te adormecer, okay?

A loira não respondeu novamente.

— Lionel. – Pede silenciosamente ao homem que estava perto da paciente.

— Estou preparando o sedativo. – Afirma.

— Meredith?

E de repente um choro alto é ouvido e Oliver se vira para onde vinha.

— É ela?

Meredith sorriu.

— Está bem?

— Vão leva-la para a UTI neonatal, mas ela está bem. – Se aproximou para ajudar a amiga, encontrando o problema logo que seus olhos batem no local onde fez o corte. – Consegue cuidar da hemorragia?

— Hemorragia? – Oliver pergunta, desesperado.

— Sim, consigo. – Respondeu à pergunta da amiga. – Ela está perdendo muito sangue. – Completa antes de se virar para a enfermeira ao seu lado. – Preciso de bolsas de sangue imediatamente.

Ela assentiu e saiu apressadamente para conseguir, e no instante seguinte um som alto começou a soar pela sala.

— O que é isso? – Lilian pergunta.

— A pressão dela está caindo.

O anestesista é quem responde, parando por um momento de sedar a mulher. E enquanto isso tudo que o marido da mulher que se encontrava nada bem naquele momento conseguia sentir ela o temor. Seu peito doía ao ouvir aquele som, o mesmo que ouviu a anos atrás, p que indicava que a situação acabava por piorar.

— Felicity.

Meredith percebeu ao mesmo tempo em que ouvia o chamado do Queen, que a mulher a sua frente perdia cada vez mais sangue.

— Ela perdeu a consciência. – Diz para o marido desesperado ao seu lado, enquanto ajudava a outra médica a estancar a hemorragia. – Compressa. Rápido. Mais...

— Ela está fria. – Oliver notou. – Ela vai ficar bem? – Pergunta, nervoso.

— Ela está tendo uma hemorragia muito grave, mas eu já vi piores. Consigo cuidar disso. Eu e Lilian vamos cuida-la, mas você precisa sair agora.

— Não. De jeito nenhum. – Diz, completamente nervoso.

— Eu preciso me concentrar. Preciso cuidar de sua esposa e com você aqui, eu não vou conseguir. É muita pressão. – Diz olhando-o nos olhos.

A mesma enfermeira de antes, voltou com o sangue.

— Lucy, quero que acompanhe o senhor Queen até o neonatal. Deixe que ele fique com os filhos. Ele nem os pegou ainda. – Sorriu, tentando trazer tranquilidade ao homem à sua frente. – Fique com seus filhos que em poucos minutos estarei indo falar contigo.

Oliver então olhou para a esposa, aproximando-se mais uma vez seu rosto do dela, com o corpo completamente trêmulo; sentia um medo angustiante, aterrorizante, e mais uma vez mal conseguia respirar.

— Meu amor, eu te amo. Seja forte, okay? Por mim e por nossos filhos.

A beijou no rosto, sentindo a pele macia um pouco gelada demais e mesmo muito preocupado, com o coração destroçado e com medo de ser a última vez que a veria, saiu da sala com a enfermeira guiando-o.

Notas finais
POSTEI E CORRI!!!!