Kupidon

68 Capítulo Quarenta e Seis


Notas iniciais
Oie. Demorei, mas apareci. Eu sei que normalmente eu posto de manhã, mas não deu mesmo. Eu nem deveria estar aqui, na verdade, mas eu queria cumprir com a minha promessa. Antes de deixá-los ler, gostaria de dizer o porquê de não ter postado ontem. Fui ao oftamologista, e infelizmente, o grau aumentou pra caramba. Eu até me assustei. Por esse motivo, eu não postei ontem, e por esse mesmo motivo, não sei quando vou voltar. Vou comprar meu óculos na terça ou quarta-feira, e não sei quando vão me entregar ele... E meus pais - eu também - não querem que eu entre no notebook sem estar com o novo óculos. Espero que me entendam. PS: Não deixem de ler as notas finais, por favor. PS2: Quero agradescer á Tef Lopes - Smile Edits -, pela betagem. Agora, eu os deixarei ler. Espero que gostem Kissus

Oliver ainda não havia chegado quando entrou no apartamento, o mesmo escuro. Acendeu cada uma das luzes, odiava ficar no escuro, ainda mais estando sozinha. Mike estava com ela, mas mesmo assim, sentiu um desconforto. Quando ele verificou todo o apartamento, a deixou sozinha. Ela tomou um banho quente, pensando em uma forma de começar o assunto da gravidez. Oliver ficaria surpreso, com certeza, mas sabia que ele ficaria muito feliz. Mesmo sabendo isso, sentia um medo tão grande. E se não desse certo? E se o perdesse? E se amasse aquela parte sua, e acabasse perdendo-a? Odiava pensar assim, mas não conseguia deixar aqueles pensamentos fora de sua mente.

Quando foi tomar banho, tomou todo o cuidado para que não se machucasse, ou caísse, com medo do que aconteceu antes. Vestiu uma camisola azul bebê, de renda, que batia um palmo e meio de seus joelhos e pegou a caixinha que estava em sua bolsa. Era toda detalhada, tinha a comprado mais cedo, quando soube que estava mesmo naquela situação. Colocou as coisas nela, e a deixou na bancada do primeiro andar quando desceu as escadas.

Esperaria por sua família na sala.

Passava um filme na TV, mas ela não estava prestando atenção. As horas no seu celular marcavam quase 20h. Ouviu o elevador e então olhou para ele, encontrando o marido sozinho. A mesma estranhou, entretanto não disse nada.

— Ei. — Oliver sorriu. — Pensei que já estivesse dormindo.

— Eu estou sem sono. — Se aproximou do sofá onde a noiva estava sentada e beijou os lábios dela rapidamente.

— As gêmeas estão com Thea, ok?

— Oh. Elas foram dormir nos seus pais então? — assentiu.

— Elas pediram, e eu concordei. Thea as trará amanhã depois do almoço.

— Tudo bem. — A loira mordeu a bochecha interna. — Você vai jantar? — Pergunta, quando o vê caminhar para a cozinha.

— Não. Eu comi na rua mesmo. — Felicity o seguiu. — Queria ter chegado mais cedo, mas as gêmeas estavam se divertindo, e eu entrei em uma conversa com Tommy, Barry, Mon-el e Mattew, que tinham ido buscar as crianças na festinha.

— Não tem problema, cheguei faz poucas horas. — Passou uma das mãos nos cabelos, bagunçando-os um pouco. — Você pode dar uma olhadinha nessa caixinha em cima da bancada?

— O que é isso? — Perguntou, enquanto pegava a tal caixinha dourada e personalizada. Ele sorriu ao ver as fotos dos dois sozinhos e outra juntos com as gêmeas na tampa da caixa.

Caixinha Personalizada

— Só... abre.

Curioso, Oliver fez como a esposa pediu e, então, surpreendentemente encontrou um teste de gravidez cor-de-rosa e um envelope médio dourado, com coraçõezinhos decorando-o abaixo do teste. Ele a olhou surpreso, e a loira pôde decifrar os olhos dele. Além de surpreso, estava emocionado. Quase não acreditava que aquilo que via era real, e era mesmo o que ele sentia. Apesar do medo que sentia, Felicity se sentia bem em ver o marido daquela forma.

Conteúdo dentro da caixinha

— Você... — Ela mordeu o lábio. — Meu amor, você está...

— São só seis semanas. Eu não devia nem estar te contando... É que ainda tenho problemas e coisas ruins sempre acontecem. Por isso não contei aos nossos amigos, nem mesmo para a Cait. Só o Barry sabe, e só porque viu o teste dentro da minha bolsa. — Diz rápido demais, no entanto Oliver entende, já acostumado. — Então... Se você contar a alguém... Eu juro que eu vou chutar você pra fora desse apartamento. — Ele se aproximou, compreendendo a forma como ela estava nervosa.

— Não se preocupe, não contarei a ninguém. — Parou em frente à noiva. — E coisas boas acontecem, baby. — Diz com um sorriso. — Vamos ter um bebê, meu amor... — Felicity morde o lábio, e se levanta, respirando fundo.

— Na verdade... — Oliver arqueou as sobrancelhas. — São três.

— O-O quê? — arregalou os olhos, gaguejando, não esperando por aquela informação.

— Eu fiz o ultra... — Pegou o envelope das mãos do noivo e tirou um ultrassom de lá de dentro. — E descobri que são trigêmeos.

— Trigêmeos. — Sussurrou, olhando para a ultrassom. — Vamos ter trigêmeos.

— E esse é mais um motivo de eu não querer contar a ninguém. É ainda mais perigoso... Tudo pode acontecer.

— Não vai acontecer nada a vocês.

— Não está assustado?

— Não, baby. – Sorriu. – Eu tenho gêmeas, se lembra? — ela inclinou a cabeça. — Nós seremos pais de novo, meu amor. — Beijou o rosto dela.

— Nós seremos pais de novo. — Sorriu, enquanto ele a abraçava.

Felicity passou os braços em volta do pescoço dele enquanto o via todo emocionado. Ela estava com medo? Sim. Em contrapartida a felicidade e emoção estampada no rosto do marido era o bastante para ficar feliz. Como poderia não o fazer, vendo-o tão animado com aquela notícia? Seria um monstro. Era verdade que a loira não queria engravidar e, era mais verdade ainda, ter medo daquela decisão, em algum momento, afetar seu relacionamento. Mesmo Oliver dizendo o contrário. Portanto, aquela situação, mesmo que a deixasse temerosa, fazia a felicidade do marido e, por esse motivo, já se sentia um pouquinho melhor.

Oliver sentiu seu interior queimar, só de imaginar um filho dele e da esposa. Três então, era mais que perfeito. Ele queria tanto aquilo. Sabia do medo da esposa, e estava disposto a esquecer aquela história por ela. Já estava esquecido, quando decidiu se casar com a loira, mesmo sabendo que ela não queria filhos, mas aquela notícia foi a melhor notícia que a mesma poderia ter lhe dado. Sentiu a esposa tensa, enquanto lhe contava, e imaginava o porquê. Estava feliz, e faria de tudo para que Felicity se sentisse da mesma forma. O loiro faria o possível e o impossível para que nada acontecesse aos trigêmeos. Essa gravidez era uma esperança para si, e faria ser a de sua esposa também.

**--** **--**

Felicity se virara na cama, de um lado para o outro. Não conseguia pregar o olho. Queria poder dormir tranquila, mas não conseguia. Ao contrário dela, Oliver dormia bem. Sua mão direita estava pousada em sua barriga, e isso fez com que ela olhasse para aquele lugar. Não podia amar eles. Não podia. Ou no final, sofreria. Fechou os olhos. Ela queria não ter que estar passando por aquilo. Por quê? Por que ela estava passando por aquilo novamente? Por que Deus lhe deu aquelas crianças? Se perguntava o tempo todo, e não tinha as respostas. Não conseguia entender. Sofreu tanto nas outras vezes, e não estava pronta para sofrer novamente. Não mesmo. E por isso faria de tudo para não amar aqueles seres. Não se apegaria. Não sentia nada de ruim por eles, mas também não poderia sentir nada de bom, ou os amaria e então não conseguiria superar.

Cansada de ficar rolando na cama, se levantou, sem fazer barulho ou fazer com que o marido sentisse seu afastamento, e caminhou para fora do quarto. Precisava de algo que a fizesse esquecer daquilo tudo. Sentiu uma vontade súbita de comer fruta com chocolate derretido. Pegou as uvas, o morango e o kiwi que estava dentro da geladeira, os lavou e jogou em uma travessa pequena de vidro. Pegou o chocolate dentro do armário, e colocou um pouco dele em uma travessa de vidro para derretê-lo em banho maria.

Lambia os dedos vez ou outra, quando os molhava no chocolate. Sabia o quê era aquilo. Desejo. Estava sentindo desejos há dias, e nem mesmo percebeu. Não. Ela tinha pensado na possibilidade, mas havia deixado de lado. Como pudera deixar aquilo passar? Estava escrito em sua testa, e nem percebeu. Ou Oliver. Ele bem que disse que estava estranha. Por isso estava se levantando a noite, para tomar sorvete, comer chocolate, bolo, ou qualquer outra coisa que sentisse vontade. Ela estava tendo os desejos de grávida.

Quando o chocolate derreteu, retirou–a de onde estava, e a colocou em cima da bancada de mármore. Subiu em uma cadeira, devagar, e sentou–se ao lado da travessa, colocando a outra, que continha as frutas, em cima de suas pernas. Ela chegou a gemeu, ao sentir o gosto do kiwi com chocolate. Sua expressão demonstrava satisfação. A loira sabia que, em alguns minutos, o marido apareceria, afinal, ele sentiria sua falta. Não se preocupou em sair de onde estava, ou parar de comer o quê comia. Estava com desejo, e ninguém a faria deixar aquele desejo de lado, nem mesmo seu marido. Mordia um morango molhado no chocolate, quando ouviu os passos dele. Felicity não seria pega de surpresa. Não dessa vez. Esperou por alguns segundos, e então ouviu a voz dele, no mesmo instante que mastigava a uva.

— Por que eu não me surpreendo por te ver aqui?

— Por que eu não me surpreendo por você ter aparecido? — Retrucou depois de engolir o que tinha na boca, e então o olhou nos olhos. — Eu sabia que iria aparecer. Estava até esperando.

— Não gosto de ficar sem você na cama.

— Desculpa, fiquei com desejo.

— Eu podia ter feito isso por você. — Ela sorriu para o marido.

— Você estava dormindo tão bem... Ao contrário de mim. — Colocou um kiwi na boca depois de molhá-lo no chocolate.

— Não consegue dormir? — Ela balança a cabeça. — Pesadelos?

— Não. — Engoliu a fruta. — Eu nem dormi para ter pesadelos. Não consigo parar de pensar que isso pode dar errado.

— Meu amor, eu já disse...

— E eu não consigo acreditar. — O interrompe, olhando-o novamente. — Não posso. Não sinto que vai dar certo.

— Está com medo, e eu entendo, mas... — Ele se aproximou. — Felicity, Deus te deu eles. — Colocou as mãos na barriga dela. — Ele enviou nossos filhos.

— Ele me enviou os outros dois... E os me tirou.

— Você precisa ter fé. – Ela suspirou, e balançou a cabeça. — Precisa ter fé e acreditar que tudo vai ficar bem.

— Eu não consigo ter fé. Eu não consigo nem mesmo falar com Ele, Oliver. — Molhou o dedo no chocolate, e começou a meche-lo na travessa. — Não consigo. Não sinto Ele mais. Eu perdi minha fé. — Ela desviou os olhos. — Me desculpa.

— Não. Eu entendo que esteja se sentindo assim. Você perdeu sua fé por causa das coisas que tem acontecido. É totalmente compreensivo. — Pegou no rosto dela com uma das mãos, deixando a outra onde estava. — Posso ter por nós dois então. — Beijou os seus lábios lentamente. — OK? — Ela assentiu.

— Não fique chateado por eu não querer amar nossos filhos. — Ele se surpreendeu com o pedido. — Não queria que fosse assim, mas não consigo.

— Eu sei.

— Não quero me decepcionar, entende?

— Não vai não. Eu sei disso. – A loira não quis retrucar. – Eles também te entendem. E é por isso que vão ficar bem. Por você. — Ela sorriu fraco, e por isso decidiu mudar de assunto. — E isso? Está bom?

— Está maravilhoso. — Oliver observou os olhos dela brilharem. — Mas, sabe... Me deu vontade de comer aquele espaguete que você faz.

— Com isso? — Fez uma careta.

— Por mim? — Inclinou a cabeça, e fez o pedido que ele não conseguiria recusar.

— Isso vai ficar um nojo. — Felicity fez um bico. — Mas o que eu não faço pela minha linda — A beijou —, e grávida esposa? — A mesma sorriu, mordeu o lábio, e o viu ir até o armário para pegar os ingredientes para fazer seu novo desejo.

— É por isso que eu te amo.

**--**

Felicity estava nervosa, enquanto esperava sua médica a chamar. Alguém que cuidou dela outras vezes. Queria não ter que fazer aquilo novamente. Não se sentia bem fazendo outro ultrassom e, no entanto, mesmo que soubesse, era o melhor para os bebês. Ela sentia que fazendo aquilo, ouvindo o coração, poderia amar os seres dentro de si. E não queria os amar. Não queria por medo de no final, perdê-los. Sofreria. Mais uma vez. Já fazia uma semana desde que descobriram aquela novidade. Uma semana que tentava não pensar naquilo. Uma semana, e não havia dito a ninguém mais, nem mesmo para as filhas.

Meredith a chamou e ela e o marido entraram na sala, logo a mulher os deixou sozinhos por alguns minutos. Eles estavam em pé, esperando pela médica. Oliver tinha percebido o nervosismo da esposa, mas decidiu não falar nada, apenas pegar em sua mão. Afinal, é como dizem, um gesto vale mais que mil palavras. O casal ouve a porta se abrir e olham para ela.

— OK. Tire tudo da cintura para baixo. — A médica pediu para Felicity. — O avental de papel... — Entregou. — Eu já volto. — Felicity suspirou, soltando a mão do marido, e tirou a calça que vestia enquanto Oliver segurava o avental.

— Eu estava pensando... Por que não contamos pelo menos para a Thea? — Felicity o olhou.

— Eu acho que ainda é muito cedo.

— Ela iria gostar de saber.

— Ela vai contar para a família inteira. — Se virou para a cama, arrumando o travesseiro.

— Você contou para a Caitlin. — Felicity voltou os olhos para o marido

— Eu não contei. — Oliver arqueou as sobrancelhas.

— Você ainda não contou para a Cait?

— Não têm porquê. Provavelmente vou perder.

— Felicity... — Ele a repreende.

— São os fatos. Eu tenho problemas com gravidez. — O loiro balançou a cabeça enquanto a ajudava a se sentar. — Esses bebês vão ter que lutar. E lutar muito. — Ele suspirou. — Só estou sendo realista. — Antes que Oliver pudesse dizer alguma coisa, a médica entra no quarto.

— Prontos para verem? — Felicity desviou os olhos.

— Estamos. — Oliver ficou do outro lado da cama e a médica trouxe o equipamento para perto da grávida.

— Um pouco mais para baixo. — E Felicity o fez.

— Você acha que nós podemos acreditar nessa gestação, não é? Mesmo com o nosso histórico? — Pergunta, preocupado, e querendo dar um pouco de esperanças a esposa.

— É claro. Há fatores de riscos, mas vamos ficar de olho. — Ele assentiu enquanto segurava a mão da noiva. A médica ligou os dois monitores e os virou de um jeito que tanto ela quanto os pais pudessem ver. Um barulho contínuo foi ouvido.

— Nossos filhos. — Oliver sussurra.

— Aí está. Oi, bebês, conheçam seus papais.

Oliver olhou para Felicity e a viu virar o rosto. Ele se preocupou. Sabia que ela estava com medo de se apegar, mas mesmo assim, não conseguia se conformar de que não esteja animada com a gravidez. Iria julgá-la por isso? Claro que não. Mesmo assim, não poderia deixar de ficar triste. Compreendia o medo dela, tinha motivos para temer perder os bebês, motivos justificáveis, em sentir-se daquela forma. E por esse motivo não a pressionava. Oliver estaria ali para apoiá-la, e teria fé pelos dois. Sentia que tudo ficaria bem que, daquela vez, daria tudo certo. O loiro voltou os olhos para a tela onde os bebês, mesmo muito, muito pequenos, apareciam.

**--** **--**

Depois da consulta, eles foram para casa. As gêmeas estavam no parque com Thea e Roy, e eles aproveitaram para poder descansar, já que Felicity não havia dormido bem naquela noite. Os pesadelos não tinham sido o problema, e sim a insônia e a preocupação para com aquela gravidez. Ela não podia negar que estava preocupada. Preocupada que aquilo não desse certo, e acabasse machucando o marido, e a mesma no processo. Oliver sabia qual era o problema da insônia da esposa. E por esse motivo, tentava a todo custo distraí-la de pensamentos ruins. Gostaria que ela visse aquela gravidez da mesma forma que ele via. Não a culpava, mas sentia um incômodo, como sentiu mais cedo na consulta. Ela não viu o mesmo que ele. A loira ficou todos aqueles minutos dentro daquela sala, com o rosto virado para o lado contrário que a máquina estava.

Felicity tomou um longo banho, depois de Oliver. Seu marido estava deitado quando saiu do banheiro. Tinha os olhos fechados, mas sabia, ele não dormia. Vestiu uma camisola verde água, de renda da barriga ao seio, o resto era de tecido leve. Ela sentia um sono insuportável, mais um sinal de sua gravidez. Quando não sentia uma fome descomunal, sentia um sono pior ainda. Assim como a médica instruiu, fazia alguns exercícios em casa, para não engordar tanto. Além de realizar um esforço para comer tudo que ela havia instruído; não era fácil, mas o fazia. Felicity se deitou, e só então Oliver abriu os olhos.

— Me desculpa por mais cedo. — Ele a olhou. — Eu sei que deve ter ficado incomodado, triste... Com a forma que eu fiquei, mas...

— Eu entendo. — Ele diz quando ela fez uma pausa. — Fiquei incomodado sim, não posso negar, mas compreendo. Está tudo bem. — Ela se virou na cama, ficando de lado para poder olhar nos olhos dele.

— Eu me sinto mal por te fazer ficar desse jeito. Mas eu não posso controlar isso, Oliver. – Ele assentiu. — Você já ama esses bebês... Eu não posso, no entanto. Não até eu ter certeza de que vai mesmo ficar tudo bem. — Oliver pegou em uma das mãos dela, e levou aos lábios, onde deu um beijo, e apertou, antes de se pronunciar.

— Eu quero que me prometa algo.

— O que quiser.

— Sempre que não estiver se sentindo bem, com a gravidez, sempre que sentir esse desconforto, e esses pensamentos ruins, você vai me dizer. Não vai guardar só para você.

— Eu prometo.

— Eu quero poder ajudar, e eu só vou poder, se você me contar. — Ela assentiu.

— Vou contar tudo pra você, prometo.

— OK. — Diz lentamente. — Durma um pouco. Está cansada.

— E você?

— Eu vou ficar te observando. — Sorriu. — Vou cuidar do seu sono.

— Não quer dormir também?

— Não. Prefiro ficar zelando por vocês. — Ela quem sorriu dessa vez.

— Tudo bem.

Felicity respirou fundo e fechou os olhos, não demorando a cair no sono. Estava exausta. Oliver colocou a mão na barriga da esposa e começou a acariciar. Esperava que aquele sentimento da esposa passasse. Que ela sentisse amor pelos filhos, porque ele tinha certeza, aquela gravidez vingaria. Queria dar aquela certeza para sua amada, passar para ela, a esperança de que tudo ficaria bem, mas sabia que não seria fácil. Não enquanto sentisse esse medo agoniante a cada momento. Não quando tinha pesadelos. Mas o loiro não se importava, ele continuaria apoiando-a, mesmo que sentisse incomodo por ela não querer se apegar — algo que era impossível de não acontecer — estaria ao lado dela, para o que ela precisasse, e quando ela precisasse. Pensativo, ele aproximou o rosto da barriga ainda lisa.

— Ei, filhos, é o papai. É a primeira vez que eu falo com vocês, e eu prometo, não será a última. — Olhou para a esposa por um momento. — Vocês devem estar sentindo tudo que a mamãe está sentindo. Não se preocupem, ela está se autodefendendo, mas não quer dizer que não os ama. Acreditem, ela será a mamãe mais protetora do mundo. Amorosa, carinhosa, delicada, cheia de amor para dar. E irão sentir isso, logo. Então enquanto ela estiver nessa zona de desconforto, esse péssimo jeito de ver as coisas, e até mesmo o modo como ela fala e sente quando se refere a vocês, não se sintam mal... Ou magoados. A mamãe pode não demonstrar, mas ela os quer, e é por isso que faz de tudo para não se apegar. Ela tem medo de os perder. Mas vocês são fortes. Lutem por si mesmos, por ela, por seus irmãozinhos... E por mim. — Sorriu. — Por nossa família. — Beijou a barriga dela. — Nós amamos vocês.

**--**

Duas semanas havia se passado desde a primeira consulta. Naquele dia, eles almoçariam na mansão Queen. Felicity desceu do carro quase na mesma hora que o marido, ajudando as gêmeas a descerem em seguida. Eles caminharam para dentro da mansão, que já estava com a porta aberta. Eles sabiam que tinham sido os últimos a chegar para o almoço em família, mas não se importavam; os outros já estavam acostumados. Assim que ela pisou no hall, encontrou Moira e Rebecca conversando, vindo na direção da cozinha, que ficava do lado direito do hall. Elas se abraçaram, e Felicity teve que segurar a respiração. Estava complicado. Se perguntava que raios de perfume era aquele. April fez a pergunta que a mãe queria saber, e a resposta foi que a avó tinha ganhado de presente do seu avô. Veio da França.

Felicity tentou sorrir, mas não estava suportando o enjoo que estava sentindo. Tudo culpa daquele maldito perfume, xingava mentalmente. Oliver sorria para a mãe, as gêmeas correram para o jardim quando a vó disse que os primos estavam lá, e a grávida só queria que Moira fosse para longe dela. Ela pedia que ninguém percebesse que não estava bem.

— Querida, você está bem? — Tudo que ela não queria aconteceu. Aquela pergunta tinha vindo de sua madrasta. — Está pálida.

— Realmente, querida... — Moira se pronuncia, olhando-a. — Está mais parecendo um fantasma.

— Eu estou bem. — Sorriu fraco. — Só não estou me sentindo muito bem esses dias. — Muito menos agora, com esse cheiro de perfume de dondoca rica, pensou. Oliver franziu o cenho, e ela soube que ele estava preocupado. Não tinha percebido que fazia algumas caretas, por conta daquele cheiro horrível.

— Acho que deve beber água, então.

— Eu vou acompanhá-la até a cozinha, mãe.

— Esperamos por vocês no jardim. — Rebecca diz, saindo com Moira.

Felicity respirou fundo e praticamente correu para a cozinha, se apoiando na primeira pia esperando o vômito, que não veio. Respirou e inspirou umas três vezes. Ela sabia que o marido a observava. Fechou os olhos, voltando a respirar e inspirar. Continuava a sentir o enjoo, a sentir o estômago se revirar, e mesmo assim o vômito não queria sair. A loira só não sabia se isso era bom ou ruim.

— Meu amor, você está bem? – Finalmente ouve a voz do marido. Ele tinha esperado ela melhorar para poder questionar, mas como ela continuava do mesmo jeito desde que entraram no cômodo, decidiu se pronunciar, já que estava mais preocupado do que já estava.

— Você sentiu o perfume novo da sua mãe? Está revirando meu café da manhã. — Ele riu. — Isso não tem graça, Oliver. Será que alguém já disse que aquilo fede?

— Você diz isso porque está enjoada.

— É um nojo. Alguém deveria falar para ela. — Ele volta a rir.

— Não é uma boa ideia.

— Isso porque você não está querendo vomitar até as tripas quando ela está perto.

E de repente ela começa a vomitar. Oliver segura os cabelos dela rapidamente, enquanto a mesma vomitava na pia tudo o que comeu naquela manhã. Ele esperou pacientemente. Os dois tinham noção que aquela demora poderia ocasionar desconfiança para todos que estavam no jardim, mas nada poderiam fazer, principalmente com Felicity naquele estado. Quando a tosse insuportável e o vômito pararam, a loira achou que tinha passado, mas tudo voltou depois de ouvir a voz do marido, perguntando se estava melhor, chamando-a para ir para junto dos outros. Só de imaginar que ficaria perto de sua sogra, seu estômago revirava. Na quarta vez que ela lavou a boca, ali mesmo, Oliver perguntou mais uma vez se ela já estava melhor e depois de respirar fundo, ela finalmente assentiu.

— Podemos ir agora?

— Eu acho que sim. — Ele pegou na mão direita dela. — Só não sei se vou continuar bem se eu ficar perto da sua mãe. — Ele riu.

— Eu a deixo longe de você, meu amor. Agora vamos. — A puxou para fora da cozinha, enquanto ela pegava uma bala de menta do bolso da calça do marido.

**--** **--**

Felicity quase estremeceu ao perceber que a sogra se aproximava deles. Queria ter ido até os amigos antes de se encontrar com a sogra novamente, e infelizmente não teve sorte. Por que só aconteciam coisas, quando não queríamos que acontecesse? Era impressionante. Ela não queria ser indelicada, e muito menos contar o seu problema, e só por isso tentava sorrir, mesmo que quisesse vomitar. Gostaria tanto que tivesse sido Rebecca a se aproximar, mas não teve sorte. O cheiro forte, insuportável e de embrulhar o estômago chegou de uma vez, quando a sogra se aproximou.

— Está melhor, querida? — Felicity olhou para o marido, pedindo socorro.

— Está sim, mãe. A senhora não queria conversar comigo?

— Ah, sim querido...

— Eu vou até a Cait. — Aproveitou a deixa — ajuda — do marido e correu para longe da sogra. — Finalmente. — Sussurra.

— Lis. Por que demorou tanto para aparecer? — Laurel foi a primeira a lhe abraçar, seguida de Caitlin, Helena e Thea.

— É. Minha sogra disse que já tinha chegado.

— Eu... Estava na cozinha com Oliver. — Vomitando quase minhas tripas, completa mentalmente.

— Hummm... Agora eu entendo o porquê da demora. — A loira revira os olhos ao ouvir sua irmã.

— Larga de ser pervertida. — Todas riram.

— Thea sempre tem os comentários mais indiscretos. — Helena comenta rindo.

— Lis, Moira mandou que fizessem uma mousse de chocolate que eu sei que você vai amar. — Felicity sentiu a boca salivar. — Os olhos da Caitlin brilharam, precisava ver.

— Eu amo doce, sabem disso. — Se explica.

— Laurel, por que você me disse isso? Agora eu vou ficar pensando nela até a hora da sobremesa. — Elas voltam a rir. — Não sei nem se conseguirei almoçar.

— Ah, tá. Conta outra, irmãzinha. Você anda comendo pra caramba.

— Cala a boca. — Todas riram quando Felicity termina de falar, fazendo um bico no fim da frase. — Isso não é verdade.

— O quê não é verdade? — Oliver abraçou a esposa pela cintura, ao mesmo tempo que em que ela colocava a mão no peito.

— Que susto, Oliver. — Ela exclama. — Que coisa. Você podia parar de fazer isso? Isso não se faz. — Os outros riram, inclusive os maridos e namorados de suas amigas.

— Me desculpe. — Beijou a bochecha dela.

— Você diz isso, mas então daqui alguns dias está fazendo novamente. — Fez um bico.

— Você anda tão estranha.

— Estranha é seu... — Ela se interrompe. — Não posso falar que é seu pai, porque nós temos o mesmo pai. — Todos voltam a rir. — E eu não posso falar da sua mãe, porque ela com certeza não é estranha. — Riram novamente. — Finjam que eu não disse uma palavra. — Oliver sorriu, achando graça de como a esposa se embolava.

— Estava sentindo falta de você fazer isso.

— Verdade. No começo você fazia muito mais. — Barry concorda com o amigo.

— Sabe de que eu estou sentindo falta? — Olhou para o marido pelo canto do olho. — Diggle. Onde ele está?

— Está viajando com a família. Ele merece uma folga. — Ela concordou. — Mas volta no fim do próximo mês.

— Como estão as coisas com os gêmeos?

— Finalmente não estranham mais a casa, ou o quarto... Ou nós dois. Eles já não ficam estranhos durante as refeições, estão se saindo bem na escola, estão se dando cada vez melhor com Killian... — Olhou para o namorado.

— Realmente, o que você disse fez todo o sentido. — Felicity sorriu.

— Que bom que eu ajudei. Eu queria ter dito algo sobre isso antes do casamento da Laurel, mas... Juro que me esqueci.

— O ano está passando rápido, não? — Barry comenta. — Natty já tem seis meses, dá para acreditar?

— Daqui a pouco ela está deixando os dois de cabelo em pé. — Os outros riram. — A menina vai ser uma pestinha.

— Não chama a minha filha de pestinha. – Laurel cruza os braços. — Você que era uma peste, Tommy.

— Isso é verdade. — Ele dá de ombros. — Eu e o Ollie aprontamos todas. Ô época feliz. — Eles voltam a rir. — Não é mesmo, Oliver?

— Com certeza. Agente pulava o muro da escola para irmos jogar bola. — Felicity sai dos braços do marido e o olha incrédula.

— Dessa eu não sabia.

— Ih, irmãzinha, seu marido já fugiu da escola, já bebeu todas dentro da escola, já colou em todas as provas, já fez até mesmo um ménage.

— Como é? — Felicity olha para o marido, incrédula. É claro que fez, esse cachorro, pervertido de uma figa, xingou.

— Irmãzinha, o seu marido nunca foi um santo. Ele ficava com uma garota por dia, antes da Sara... — Colocou a mão no queixo —, e depois da Sara também.

— Tommy, cala a boca. — O amigo rosnou. — Como se você nunca tenha feito tudo isso.

— Como é que é? — Cait praticamente grita, olhando para o marido, tão incrédula quanto a amiga. Tommy dá dois passos para longe da esposa.

— E as esposas descobriram seus podres. — Tommy e Oliver repreendem Roy com o olhar. — Não fui eu que abri o bico, foi você que se entregou...

— E entregou seu amigo. — Barry completa.

— Com um amigo desse nem mesmo precisa de inimigo.

— Eu concordo, Ray. — Oliver diz, balançando a cabeça.

— Vocês fizeram um ménage? Sério isso? — Felicity tinha o cenho franzido.

— Vocês dois eram uns pervertidos. — Thea gargalhava desde que Tommy se entregou e entregou Oliver. — Com tantas coisas boas para se fazer na adolescência...

— E quem disse que isso não é bom, Cait? — A interrompe.

— É mesmo Ray? — Roy começou a gargalhar e Thea recomeçou a fazer o mesmo. — Que interessante. Você fazia isso também?

— Não. Eu não. — Respondeu, nervoso. Helena tinha os braços cruzados.

— Então que raio de comentário foi esse? — Os três homens foram salvos por Moira.

— Vamos almoçar?

— Por favor. — Dizem Oliver, Tommy e Ray, fazendo a matriarca franzir o cenho.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou ao mesmo tempo que Felicity sentiu seu estômago revirar.

— Eu vou até o meu pai, eu não o cumprimentei ainda.

— Ih, ela está chateada.

— Não é nada disso. — Oliver murmurou para Roy e seguiu a esposa. Sabia que ela tinha se afastado por conta do cheiro do perfume de sua mãe.

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Oliver observava a esposa comer o terceiro pedaço de mousse de chocolate, e se perguntava se ela comeria um quarto. Ele sabia que todos tinham percebido a fome de sua mulher, e se perguntava quanto tempo passaria para eles adivinharem o que se passava com ela. Estava preocupado também. Ela estava grávida, e deveria tomar cuidado, pelo bem dela e dos bebês, mas como falaria isso com todos seus amigos e família presentes? Suspirou ao ver que ela, assim como Caitlin, pegavam o quarto pedaço do doce. Será que Cait estava grávida também? Ela estava comendo tanto ou mais que sua esposa. Olhou para Tommy que conversava com Barry, os adultos não mais prestavam atenção nas duas mulheres, apenas ele ainda tinha os olhos sobre elas. Oliver passou um dos braços sobre os ombros da esposa e aproximou sua boca do ouvido dela, quando a viu colocar o quarto pedaço — enorme, diga-se de passagem — da mousse de chocolate.

— Você não devia comer tanto doce.

— Por que? — Diz com a boca cheia. — Isso está tão bom.

— Todos vão desconfiar da sua fome absurda. — Ela parou de comer na mesma hora, pensando no que o marido disse. — E outra, meu amor, doce em exagero faz mal a você e aos bebês.

— Mas eu quero, Oliver. — Ele quase riu, pela forma que ela disse. Praticamente como uma criança.

— Você vai acabar passando mal.

— Vai valer a pena. — Murmurou e ele riu. — Só mais esse... Por favor...

Ele olhou nos olhos verdes, e percebeu que não conseguiria negar. Com poderia quando ela estava com os olhos brilhando pela possibilidade de terminar de comer o mousse que estava a sua frente? A cada dia via algo novo na esposa, por conta da gravidez. Além dos enjoos, e da fome absurda, ela ficava extremamente irritada de uma hora para a outra, ficava chorona, os olhos brilhavam quando estava animada, e ele amava cada uma dessas novas coisas nela. A esposa sorriu quando percebeu que havia ganhado, e voltou a comer do doce. Oliver não pôde deixar de sorrir ao vê-la tão animada, com os olhos brilhando, enquanto gemia a cada pedaço colocado na boca.

— Vocês não vão parar de comer?

— Tommy. — Rebecca o repreendeu. — Deixe as duas comerem do doce em paz. Moira fez para elas, sabendo que é o doce preferido delas.

— Na verdade, mãe, é o sorvete. — Tommy corrige. — A mousse vem em segundo lugar.

— Não importa.

— É, Tommy, não importa. — Caitlin concorda com a sogra. O marido jogou as mãos para o alto, em forma de rendição. — Isso está maravilhoso, Moira. — Ela sorriu.

— Ah, fico feliz que tenha gostado.

— Felicity parece ter gostado também. — Thea diz, olhando para a irmã. — Bom, eu prefiro o velho e bom sorvete.

— Não sabe o que está perdendo.

— Pode comer à vontade a minha parte, irmãzinha. — Oliver arqueou as sobrancelhas, e olhou para a esposa.

— Nem pensar. — Sussurrou, e a viu fazer um bico, antes de soltar a taça média de vidro. — Você comeu doce para hoje, amanhã e depois. — Ela o olhou com o cenho franzido e um pouco desconfiada.

— O que isso quer dizer?

— Que você vai ficar sem doce até depois de amanhã. — Ela abre a boca para reclamar, mas o marido a cala com um selinho. — E sem reclamar, amor. — Ela volta a fazer o bico.

— Quando é que eu vou ter mais um neto? — Caitlin que terminava o doce dela começa a tossir exageradamente e Thea e Roy começam a rir.

— Outro irmão? — Rebecca olha para o neto.

— Por que não, querido?

— Toma água, Cait. — Laurel passou para a amiga. — Ela não esperava por essa pergunta, Rebecca.

— Ninguém esperava. — Malcom diz, com um sorriso. — Você quase matou a nossa nora.

— Mas é uma pergunta normal. Vocês estão casados a cinco meses.

— Eu e Cait não estamos com pressa, mamãe. — Tommy diz, passando a mão esquerda nas costas da esposa, que começava a se recuperar. — Está bem? — Ela respira fundo.

— Acho que sim. — Diz quase sem voz.

— Vocês podem não estar, mas eu sim.

— Ouviu, cunhada? Rebecca quer outro neto, e bem rápido.

— Bom, eu ficaria muito feliz se ficasse grávida ainda esse ano. — Thea e Roy voltam a rir, Ray e Helena seguram uma risada, Oliver e Felicity se olham, ao mesmo tempo em que o casal Allen faziam o mesmo. Tommy e Cait olham para Rebecca.

— Mãe, não acha que está nos pressionando?

— Sim, ela está. Por isso finjam que ela não disse nada sobre isso. — Robert diz, tendo Malcom como apoio.

**--** **--**

— Mamãe. — April e Amily chamam, confusas, quando a veem correr para o banheiro do primeiro andar do apartamento, fechando a porta em um baque.

— A mãe de vocês está passando mal, mas está bem, não se preocupem.

— Mal de quê?

— Ela... Comeu muito doce e ficou enjoada, Apple. — Não estou mentindo, ele diz a si mesmo. — Vou ver se ela precisa de ajuda. Por que não vão assistir TV?

Oliver caminhou até o banheiro, abrindo a porta em seguida, encontrando a esposa, abaixada frente ao vaso sanitário, botando para fora tudo que comer naquele dia. Balançou a cabeça e se aproximou para segurar os cabelos longos e loiros. Ela bateu as mãos nas duas pontas do vaso, sentindo a ânsia piorar. Ele não se permitiu em dizer "eu te disse", mas era o que queria dizer. Tinha falado para ela não comer mais doce, mas o escutou? Claro que não. Depois da sobremesa, algumas horas depois, quando voltaram para o jardim, percebeu que a esposa tinha sumido, e por isso decidiu procurá-la. Depois de passar por todos os banheiros da casa, a encontrou na cozinha, tomando um copo enorme de sorvete. Ele tentou fazê-la parar, mas ela disse que estava com desejo, e por isso deixou que a terminasse de tomá-lo. Agora via que deveria ter insistido mais.

— Sabe... Eu realmente não queria, mas...

— Não ouse... — Ela cuspiu o resto do vômito que tinha ficado na boca — dizer "eu te disse". — E ele sorriu. — Você jogou praga?

— Eu? Claro que não. — Revirou os olhos. — Você está grávida, o que achou que iria acontecer depois de comer quatro pedaços enormes de mousse e um copo gigante de sorvete? Felicity, você não deveria estar comendo tanto doce.

— Mas, Oliver... — Ela o olhou com os olhos brilhando.

— Pense um pouco, amor..., você tem três bebês aí, que podem ficar doentes porque você não está se cuidando.

— Eu não tenho culpa. Eu ando com uma fome descomunal. E para piorar, tenho sentido essa vontade louca de comer doce o tempo todo. — Choramingou.

— E você acabou de completar dois meses. — Ele a ajudou a se levantar. — Faz um esforço para controlar isso, está bem?

— Tudo bem. — Murmurou.

— Eu só quero o bem de vocês.

— Eu sei disso. Vou tentar controlar minha boca. — Ele riu. — É difícil, ora.

— Eu imagino. Você agora está comendo por mais três. — Colocou a mão na barriga que já começava a demonstrar a gravidez.

— Eu ainda não sei como esconder essa gravidez. A minha barriga está crescendo muito rápido.

— Por que não contamos?

— Não. — Ela responde antes de ele terminar a frase. — Eu não quero que saibam, eu já disse. Nem sabemos se essa gravidez vai para frente.

— Não diga isso.

— Mas é a verdade. — Ele suspira.

— Eu estava gostando da outra conversa, essa já está me incomodando. — Ela desviou os olhos. — Por que não vai tomar um banho? Eu vou mandar as gêmeas fazerem o mesmo.

— Sabe que eu não gosto de ficar sozinha. – Ela diz, olhando nos olhos dele.

Felicity tinha medo de que algo acontecesse, e não conseguisse gritar pelo marido. Ou que ele não conseguisse chegar a tempo de evitar uma tragédia. Tinha medo de escorrer, ou se machucar de alguma forma, enquanto toma banho, e por esse motivo não ficava sozinha por muito tempo, tinha sempre alguém lhe fazendo companhia, e quando ia para o banho, seu marido estava sempre junto. Oliver compreendia aquele medo dela, afinal ela perdeu um dos filhos quase desse mesmo jeito. Sabia que aquele medo tinha fundamento, realmente aquilo poderia acontecer, e também ficava preocupado, mas diferente dele, a esposa não conseguia parar de pensar nos perigos que estava em sua volta. Por conta do medo constante, é que ele não a deixava sozinha, muito menos quando a mesma ia tomar banho.

— Não vou demorar. — Pegou na mão dela. — Elas já tomam banho sozinhas. — Ela assente, mesmo não gostando. — Estarei com você em menos de três minutos. — A deixou na escada, lhe deu um beijo rápido nos lábios, e seguiu para a sala.

**--** **--**

Oliver realmente não deveria estar surpreso, mas estava. Assim que entrou no quarto, encontrou a esposa com um livro nas mãos e ainda vestida do mesmo jeito. Ele havia demorado mais do que previsto, mas não foram nem mesmo quinze minutos. As gêmeas queriam que as ajudasse com o cabelo, e acabou ficando para desembaraçar, já que os bracinhos delas não conseguiam alcançar todo o comprimento. A loira ouviu os passos do marido, fechou o livro e quando ele entrou no quarto, ela o colocava ao seu lado, na cama.

— Meu amor, você ainda não entrou no banho?

— Estava esperando por você.

Se levantou da cama, pegando sua roupa de dormir. Oliver não disse uma palavra, afinal, ele já deveria ter se acostumado com aquela resposta; era algo que acontecia constantemente. Desde que ela lhe contou sobre a gravidez, a noiva não tomava banho sem que ele estivesse presente. E Oliver até mesmo preferia assim — a lembrança de encontrá-la ensanguentada á alguns meses atrás ainda estava em sua memória, e era algo que ele achava que nunca mais iria esquecer.

— Você está lembrada que amanhã você tem consulta? — Diz, quando a olhava tomar banho.

— Amanhã? — Ela franziu o cenho. — Não é na quinta?

— Não. É amanhã, Felicity. Você não marcou na sua agenda? — Ela mordeu o lábio e o olhou, parecendo culpada. — Assim fica complicado. E quando eu também não me lembrar?

— Não me faça pergunta difícil. — Murmura.

— Eu queria muito que você estivesse mais feliz por essa gravidez. — Ele a viu desviar os olhos. — Está dando tudo certo, então, por que...

— Porque ainda está no começo. Porque eu sinto que não vai dar certo. Tente me entender, OK? — Ela desliga o chuveiro. — E se eu me apegar a esses bebês, e perder os três?

— Isso não vai acontecer.

— Você não tem como ter certeza disso. — Retruca, enquanto pegava a toalha.

— Eu sei que você perder dois bebês, quase um atrás do outro, foi traumático... Compreendo que tenha medo, mas... — Ele a virou para si, fazendo-a olhá-lo. — Meu amor, você está bem. Nossos bebês estão bem. A médica disse que podemos confiar nessa gravidez. Estamos tomando todas as precauções...

— Eu sei, Oliver..., mas...

— Você pode, por favor, fazer um esforço? E parar de ficar pensando no pior? — Ele passa as duas mãos carinhosamente no rosto dela. — Por mim. Pelos nossos filhos.

Ela demora um pouco para responder. Sabia que não era fácil para ele também. Era parte dele, e ela não estava conseguindo amar essa parte dele. Como que Oliver não ficaria chateado? Ou incomodado com isso? Felicity tinha que fazer um esforço para pensar positivo, por ele, por seu marido. Respirando fundo, balançou a cabeça algumas vezes.

— Tudo bem. — Sussurra. — Eu vou tentar.

Notas finais
E então? Foi fofo ou não foi? Foi emocionante ou não? Felicity vai ficar assim, por pouco tempo. Ela não conseguirá, não amar, seus bebês. Por favor, não deixem de comentar. Quero muito saber o que acharam desse capítulo. Importante: Por conta do grau dos meus olhos, ter aumentado, eu não poderei postar até comprar o óculos com o grau correto. É perigoso, né gente. E eu não quero que piore. Deus me livre. Mas eu estarei de volta. Posso demorar um pouco, mas eu volto. Até o próximo Kissus