Kupidon
27 Capítulo Dezoito
Notas iniciais

Felicity não fazia ideia de como ele reagiria. Quando ela contou, sem querer, que tinha ido visitar sua mãe sozinha, ele ficou muito chateado, diria até que ele estava irritado com sua irresponsabilidade. Já tinha previsto aquela reação, mas a reação dele, ao saber que ela tinha perdido um filho, dele, há algumas semanas? Muitas semanas, mais especificamente quatro meses, ela não fazia ideia de como seria.
Oliver esperava ela começar a falar, estava nervoso? Sim. Precisava saber o que ela tanto lhe escondia. Felicity parecia temerosa, deveria ser algo muito sério para ela temer sua reação. Por esse motivo que se esforçava para ficar calmo, seja o que fosse. Ele viu quando ela abriu a caixa de joias, mais especificamente um fundo falso que tinha na caixa, ficou muito surpreso, mas não disse nada e então poucos segundos depois ela se pronunciou.
Eu guardei isso, não sabia como contar e eu estava surpresa demais... Eu não sabia como isso poderia ter acontecido...
Felicity, não estou entendendo nada. Isso, o que? – Um fitava o outro. Os olhos não desviaram por alguns minutos, Felicity não sabia como começar a contar e ele não entendia o porquê da demora dela. E então ele desviou os olhos e viu nas mãos dela um papel dobrado.
Lembra que poucos dias depois do aniversário do Lyon eu fui parar no hospital? – Ele assentiu.
Como me esquecer? Fiquei desesperado quando Laurel me ligou dizendo que você passou mal e que estava internada.
Então... Eu disse que era porque eu não estava comendo muito bem, lembra? – Ele arqueou as sobrancelhas. Por que ela está falando sobre isso?
Felicity... – Ela o interrompeu.
Eu menti. – Oliver mudou a feição de confuso para surpreso.
Como assim mentiu? – Ela sentia o tom de decepção na voz dele.
Eu não desmaiei por má alimentação. – Mordeu o lábio e Oliver soube que ela estava nervosa. – A Cait foi me ver... Nós almoçamos e alguns minutos depois, Kitty começou a chorar. Ela foi pega-la e eu fiquei lavando as vasilhas que sujamos... Eu comecei a sentir umas dores estranhas no baixo ventre, eu não estava entendendo nada quando... – Como diria? Deveria ter começado com: Tive um aborto. Não. Seria uma bomba jogada na cara dele. Não seria o certo a se fazer.
Felicity? – Ela o olhou. – O que houve? – Ela engoliu em seco.
Eu senti sangue. – Percebeu a surpresa em seu olhar. – E desmaiei.
Sangue? Como assim? – Ela mordeu o lábio mais uma vez. – Você se machucou? Eu ainda não entendi qual o problema disso. Você mentiu por causa dessa bobagem?
Oliver, eu tive um aborto. – Oliver não conseguiu se mexer por alguns minutos de tão surpreso que estava. Palavras não conseguiam sair de sua boca. – Eu só soube quando ouvi Laurel e Caitlin conversando sobre isso. Eu fiquei algumas horas inconsciente e foi assim, sem conseguir me mexer ou falar, que eu soube do aborto. – Explicou tudo de uma vez. E Oliver continuava do mesmo jeito. – Oliver? – Ela estava começando a se preocupar. Esperava por gritos, mas ele estava lá, parado, olhando-a.
Aborto? – Ele conseguiu dizer alguns minutos depois. – Você sofreu um aborto? — Ela conseguiu apenas assentir. – Você me escondeu... – Se interrompeu, respirando fundo. – Quem mais sabe?
Thea. Ela viu o exame. – Ele assentiu. – Está irritado?
Estou surpreso. – Ele estava bastante sério. – E decepcionado. Por que você não me contou?
Eu... Eu estava... Oliver eu não sabia como aquilo tinha acontecido, não era algo que tínhamos planejado e... – Passou a mão nos cabelos. – E eu não sabia como te contar.
E demorou quatro meses para me contar? – Ver a decepção no olhar dele era tão dolorido. – Eu realmente não entendo por que me escondeu isso.
Eu não sabia como te contar, não sabia qual seria a sua reação...
Você achou que eu faria o que? – Arqueou as sobrancelhas e ela deu de ombros. – O que mais me machuca não é o fato de você ter mentido para mim... E sim o fato de você me esconder por meses... Que você teve um aborto.
Oliver... – Ele a interrompeu.
Você imaginou que eu ficaria irritado por causa do que aconteceu?
Não. Eu já disse, eu não sabia como te contar.
Você conseguiu me contar agora. – Retrucou.
Não está sendo algo fácil, Oliver. Eu... Eu vi. Com meus próprios olhos... Antes de desmaiar, eu senti uma coisa descendo pelas minhas pernas... – Ela viu mais uma vez a surpresa no olhar dele. – Eu não consegui ver muita coisa, mas eu olhei para baixo e vi, ele era tão pequeno... E então eu desmaiei. Aquilo ficou na minha cabeça por semanas.
Você podia ter me contado. Não precisava passar por isso sozinha. – Passou as mãos nos cabelos, nervoso. – Você teve Laurel e Caitlin como apoio, tudo bem, mas podia ter tido a mim também. Isso era algo para passarmos juntos. Eu e você. Não era apenas sua responsabilidade, era minha também.
Eu sei. Eu não devia ter te escondido isso. – Oliver enfim se levantou da cama. – Me desculpe.
Bom, eu não posso fazer mais nada sobre isso. Já aconteceu. – Deu de ombros. – Mas desculpas não vão adiantar agora. – Ela mordeu o lábio e assentiu. – Quando você vai confiar em mim, realmente?
Eu confio em você.
Não é o que parece. – Ela se levantou.
Eu confio em você. Eu entendo que ache que não, mas eu confio, Oliver.
Na minha opinião, você ainda não confia. Porque se confiasse não me esconderia coisas, não me deixaria por fora das coisas e não me excluiria da sua vida. E essa pequena coisa que me escondeu... Não era apenas parte da sua vida, era parte da minha também. — Ele pegou o celular e deu as costas para ela. Felicity segurou em seu braço, fazendo-o virar. Ele respirou fundo, olhando-a.
Você não vai ficar aqui? – Perguntou com a mão esquerda segurando o braço direito dele e a outra mão, segurando a barra da blusa.
Eu estou bastante irritado e eu não quero dizer coisas que podem te machucar, então não. Eu vou dormir no quarto de hóspedes. – Deu as costas e saiu do quarto, deixando Felicity sozinha.
**--**
Nossa, primeira briga de verdade de vocês, hein? – Oliver o olhou irritado. – Foi mal. – Suspirou. – Ela não fez por mal Oliver.
Queria saber como ficaria se fosse com você. – Tommy colocou as mãos para o alto. – Ela não tinha o direito de esconder isso de mim.
Não, ela não tinha. – Barry se pronunciou. – Mas Felicity não é perfeita. Ninguém é. Pode acreditar, eu entendo o que está sentindo. – Tommy arqueou as sobrancelhas.
Aconteceu alguma coisa entre você e Laurel?
Estamos aqui para falar sobre Oliver e Felicity. – Tommy bufou.
Eu não sei como vai ficar agora.
Oliver, casais discutem, sabia disso? – Oliver olhou para o cunhado descrente. – Desculpa, mas está fazendo uma tempestade num copo d'água.
Estou fazendo uma tempestade num copo d'água? – Repetiu debochado. – Queria ver se fosse com você. – Repetiu.
Eu não. – Tommy comentou. Os outros fingiram não ouvir.
Ela errou em não te contar? Sim. Mas imagina como deve ter ficado a cabeça dela com isso tudo? Ela perde um bebê e algumas semanas depois, a mãe. Muitas perdas para poucas semanas, não acha?
Concordo com o Roy. – Tommy disse sério. – Eu ficaria chateado com Cait, mas eu me colocaria no lugar dela antes.
Ela tem me excluído á dias e eu descubro que ela mentiu para mim e me escondeu que sofreu um aborto?! O que raios... – Se interrompeu, passando a mão direita na testa.
Dormir no quarto de hóspedes vai lhe ajudar em alguma coisa? Oliver, eu sei que está chateado...
Irritado é o termo certo. – Barry revirou os olhos e continuou.
Mas isso não vai ajudar vocês dois em nada. Felicity ainda não está bem, não é o momento de deixa-la sozinha.
Eu sei disso. Você acha que eu não sei disso? – Oliver percebeu que estava se exaltando. – Não consigo parar de pensar que ela escondeu algo tão sério de mim por semanas, meses... Não paro de pensar nisso.
E isso é totalmente normal.
Ollie, eu entendo sua chateação. Mas para um pouco, descansa a cabeça e pensa... Felicity não está acostumada a confiar nas pessoas, mas ela confiou em você. Deixou você entrar... Isso não tem nada a ver com confiança.
Para mim têm. Por que ela não me contou?
Você mesmo disse que ela lhe disse o porquê. – Revirou os olhos. – Ollie, ela não fez por mal. Ela não queria te machucar ao esconder isso. Ela estava com medo. Ela perdeu uma parte dela que ela nem sabia que estava dentro dela. Imagina como ficou a cabeça dela?!
Pelo que eu sei, vocês não estavam tentando nem nada do tipo. Ela não esperava por isso ou você. – Oliver parecia estar mais calmo, seus amigos perceberam. – Foi uma notícia que explodiu no colo dela.
Se acalme um pouco e fale com ela, Oliver. Vocês dois se amam, vai deixar que uma coisa dessas destrua o que vocês têm?
Pode acreditar em mim, você está assustado. Só isso. Por isso você se exaltou tanto, se assustou quando ela disse que teve um aborto. Está chateado por ela não ter contado a você? Está. Mas isso aí, é mais por medo do que por qualquer outra coisa.
Como é que você diz: Pode acreditar em mim? Está com medo de que, hein? – Barry suspirou.
O que houve? – Oliver quem perguntou.
Bom, Laurel me contou uma coisa que me deixou... Assustado com certeza é a palavra certa.
O que ela contou que te deixou assim? – Barry passou as mãos no rosto.
Eu prefiro esperar. Ela quer estar junto quando formos contar. – Tommy ficou preocupado, Oliver não entendia o que poderia deixar o outro tão assustado e Roy apenas deu de ombros, mesmo que estivesse curioso.
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Caitlin - http://pic.photo-aks.com/photo/images/fashion/overcoat/large/palto-korei-kerem.jpg
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Thea - http://fashionday.ir/wp-content/uploads/2015/04/%D9%85%D8%AF%D8%B1%D9%88%D8%B2fashionday.ir3_103.jpg
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Eu não imaginei que Oliver fosse reagir assim. – Laurel comentou. – Quer dizer, eu pensei que ele fosse ficar chateado, mas deixar você sozinha?
Ele está magoado. Decepcionado. Isso é totalmente normal. – Felicity abaixou a cabeça. – Não fica assim, ele vai te perdoar.
Eu não fiz por mal. Ele disse que eu não confio nele.
Ele está magoado. – Caitlin repetiu.
O Ollie tinha que fazer essa tempestade num copo d'água? – Bufou. – Ele com certeza ficou assustado com o que ouviu.
Thea, isso não é justificativa.
Laurel, ele não fez isso para machuca-la. Ele precisa de tempo. – Olhou para a amiga. – Dê esse tempo para ele. Oliver não esperava ouvir o que ouviu, você escondeu isso dele por meses.
Eu sei. Eu deveria ter falado para ele antes.
Lis, eu sei que eu disse para você que deveria ter dito para meu irmão, mas eu entendi você depois de uns dias. Você estava assustada, não esperava por aquilo. Vocês não estavam planejando nem nada...
E para piorar tudo, você viu acontecer. Eu nunca vou querer passar por algo assim. – Laurel balançou a cabeça se negando a pensar sobre aquilo. – Foi com certeza algo aterrorizante.
O pior foi que eu... – Se interrompeu propositalmente, as garotas esperavam ela continuar. – Ele me deixou sozinha. – Decidiu mentir.
Vai ficar tudo bem. – Thea pegou na mão da irmã.
Nesse momento, ele deve estar conversando com os garotos sobre isso...
Ótimo. – Debochou. – Mais gente para achar que eu fui uma... mentirosa egoísta.
Eles não vão pensar isso de você. É mais provável que coloquem juízo na cabeça do meu irmão. – As outras duas concordaram.
Eu mereço isso. Eu o deixei no escuro por semanas. Eu o excluí e o afastei da minha vida, menti, escondi coisas... – Ainda escondo, disse mentalmente. – Mereço que ele me afaste também.
Não faça isso. – Laurel a repreendeu. – Você não pode pensar assim.
A Laurel está certa. – As garotas trocaram um olhar preocupado. Na situação que Felicity estava, não era bom ela ficar para baixo. Mesmo que ela estivesse mais aberta, a depressão dela ainda era preocupante. – Você fez o que achava ser o certo. Você não queria machuca-lo, só estava assustada com tudo isso. E ainda aconteceu... Aquilo poucas semanas depois. Você tem todo o direito de ficar assustada. Chateada, triste...
Não fique assim, ok? – Thea pensava em conversar com o irmão. Ele precisava se lembrar da depressão de Felicity. – Vai ficar tudo bem.
Vamos mudar de assunto. – Laurel se pronunciou. – Sobre o Hanukkah. – Sorriu.
Isso. Diz o que vamos precisar. Faltam pouco mais de duas semanas e não preparamos nada.
Eu estava escrevendo uma lista no caderno. Tenho tudo anotado, mas está no apartamento.
Não tem problema, amanhã mesmo vamos comprar as coisas. – Thea afirmou.
Eu tenho que falar com o Oliver antes. Desde que eu saí sozinha com Mike, ele me fez prometer que não faria isso novamente e eu não quero outro problema com ele.
Tudo bem. Então você nos manda uma mensagem quando chegar lá. – Ela assentiu. Felicity percebeu que Laurel estava estranha.
Está tudo bem, Laurel? – Ela olhou para a amiga loira.
Sim. – Ela e Caitlin arquearam as sobrancelhas, mostrando que não acreditaram. – Eu falei com o Barry.
E como foi? – Caitlin perguntou.
Ele ficou... Assustado, eu acho que é a palavra certa. – Suspirou. – Não posso culpa-lo, eu mesma estou.
Do que estão falando? Contou o que? – Elas olharam para Thea.
Eu descobri uma coisa á alguns dias. – Suspirou novamente. – Vou contar para você, mas por enquanto, não quero mais ninguém sabendo, ok? — A Queen assentiu e Laurel começou a contar.
**--** **--**
Felicity estava sentada no sofá esperando pelo namorado que não tinha voltado ainda. Já tinha colocado as gêmeas na cama e mandado mensagem às amigas dizendo que Oliver não tinha chego, mas que falaria com ele assim que ele chegasse, por isso estava ali, o esperando. Ouviu o barulho do elevador e o viu sair do mesmo. Ficou ali mesmo, sentada.
Você demorou. – Ele que ainda não tinha percebido a namorada ali, a olhou.
É. Eu precisava pensar.
E eu preciso falar com você.
Acho que não é o momento. – Começou a subir as escadas e Felicity enfim se levantou para segui-lo.
Oliver, eu prometi que iria te dizer quando fosse sair... – Ele parou no quarto degrau. — Amanhã eu vou comprar as coisas para o natal com as garotas.
Agora você se preocupa com promessas? — Debochou. Ele se arrependeu de como falou no mesmo momento e Felicity fingiu não ouvir. – Vou avisar ao Diggle. Ele vai acompanhar vocês com Mike, Collin, Lucca, Tyler e Dylan. – Ela apenas disse um uhum e o seguiu. Quando entraram no quarto, seus olhos o acompanharam quando ele foi ao closet pegar suas coisas e logo depois, entrar no banheiro. Ela se deitou, mandou a mensagem para as amigas e se virou de lado para dormir. Não podia reclamar da forma que Oliver estava a tratando, ela mesma estava, até alguns dias atrás, fazendo o mesmo com ele. Sentiu quando ele deitou do seu lado, de costas para ela. Suspirou. Não conseguia dormir, não quando sabia que era a errada, mas ele não queria conversar. Fechou os olhos e esperou o sono chegar.
**--**
Felicity observava o namorado a se arrumar. Tinha dormido muito mal, os pesadelos estavam voltando e por isso que acordou mais cedo do que ele. Oliver saiu do closet com o sapato e o calçou rapidamente.
Quando você chegar eu ainda vou estar com as garotas. – Decidiu avisar.
Vou chegar depois das 17h hoje. – Ela arqueou as sobrancelhas. Ele não fazia isso desde o enterro de sua mãe.
Ok. – Decidiu não retrucar. Se levantou, pegou suas coisas no closet e foi se arrumar, suas amigas estariam lhe esperando em frente ao mercado em uma hora. – Você pode arrumar as meninas antes de ir? – Perguntou de costas.
Uhum. – Saiu sem dizer mais nada. Felicity suspirou. Até quando isso continuaria? Só fazia três dias e já estava enlouquecendo. Imaginava o que ele tinha passado quando era ela quem o ignorava. Tomou um rápido banho, se vestiu e saiu do quarto, encontrando as filhas sentadas no sofá da sala.
April - https://http2.mlstatic.com/D_Q_NP_785416-MLB25634845308_052017-Q.jpg
Felicity - https://i.pinimg.com/originals/44/71/1c/44711c7105abe5a1a8c3c1c86c4d2643.jpg
Mamãe. – Elas se levantaram.
Estão prontas? – Elas assentiram. – Comeram?
O papai deu cereal antes de sair. – Ela assentiu. — Mamãe? Você e o papai estão bem? – Ela sabia que as gêmeas perceberiam.
Estamos. — Sorriu fraco e se virou. – Vamos? – Pegou a bolsa que estava em cima do sofá. – Diggle já está nos esperando lá embaixo. – Elas pegaram nas mãos da mãe e entraram no elevador.
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Diggle, vocês vão nos acompanhar? – Ele se virou para a loira.
Sim. Por precaução. – Ela assentiu. Ficaria menos preocupada e temerosa com eles por perto. – E você e Oliver?
Ele te contou? – As meninas já tinham corrido para onde as tias estavam.
Contou. Olha, Oliver está magoado, mas isso vai passar. Ele precisa de tempo.
Eu sei. Eu não posso reclamar, não é? Eu estava um porre esses dias.
Você tinha o direito de ficar um porre. – Ela sorriu. – Vocês vão se acertar, não se preocupe. Deixe Oliver esfriar a cabeça. Ele precisa pensar em tudo que ouviu. – Ela suspirou.
Ele nem ouviu tudo. – Ele arqueou as sobrancelhas. — Ele não me deixou terminar, Dig. Ele saiu do quarto, me deu as costas... E quando digo que preciso falar com ele, ele responde que não é o momento.
Eu sinto muito mesmo. – Ela deu de ombros. – Eu sei que você está ainda mais chateada por ele estar voltando tarde da empresa hoje.
Ele não fazia isso desde o... aquele dia. – Engoliu em seco. Não gostava de tocar naquele assunto. – Estranhei quando ele disse que ficaria até depois das cinco hoje.
Ele tem uma reunião às 16h. – Explicou.
Eu não vou ficar me preocupando com isso. Ele quer ficar sozinho, então vou deixa-lo sozinho. – Deu de ombros mais uma vez e chegou finalmente nas amigas.
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Laurel - http://www.ionline.com.br/wp-content/uploads/2012/04/fotos-e-modelos-Casacos-Invero-2012.jpg
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Você está andando como uma lesma. – Adivinha quem reclamou?
Thea, deixe-a em paz. – Quem pensou na irmã da loirinha, acertou. – Bom dia Diggle. – Cait e Laurel cumprimentaram o homem.
Bom dia. – Thea o cumprimentou logo depois. – Bom, nós vamos ter que acompanhar vocês. – Thea revirou os olhos.
É tão bom. – Ela debochou. Dig sorriu.
Não se preocupem com o mal humor da minha irmã. Ela é assim mesmo, principalmente quando acorda cedo. – Felicity explicou aos seus seguranças.
Bom, por onde começaremos? – Felicity pegou o caderno dentro da bolsa e o abriu.
Vocês querem começar com as comidas ou os enfeites?
Enfeites. – Disseram juntas.
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Que vela linda, Felicity. – Thea a pegou. – Você disse que ela celebra um milagre?
Isso mesmo. Nós acendemos a do meio só na hora da festa. – Ela olhou para as três crianças que corriam pelo mercado com Lucca e Dylan atrás.
Estou com pena dos dois. – Laurel comenta ao seu lado. Ela sorri.
Eles se dão bem com as gêmeas. – Desviou os olhos de volta para os enfeites. – Acho que dos enfeites, isso é tudo... – Comentou ao olhar sua lista.
Acho que podemos ir para a próxima lista então. – Cait comentou. Ela balançava uma bolinha vermelha para a filha, que parecia se divertir.
E a árvore? – As crianças chegaram no mesmo momento em que ela terminava a frase.
A gente tem que comprar com o papai. – As gêmeas responderam.
April, Amy, o papai não vai poder... – Amy a interrompeu.
Mas a gente sempre faz isso juntos. — Reclamou. Felicity olhou para as amigas, pedindo ajuda.
Amy, porque não escolhemos e depois pedimos para o papai, o tio Barry e o Tio Tommy buscarem?
Não é a mesma coisa. – Até Lyon se juntou às gêmeas dessa vez.
Ok. – Laurel teve que concordar. — Buscamos as árvores depois.
Obrigada, Laurel. – Ela olhou para a amiga.
É tradição, Felicity. Eu não conseguiria mudar a opinião deles. – Felicity fechou os olhos, pedindo por calma.
Fazer o que? – Começou a andar com Diggle, Collin e Mike atrás e as garotas com as crianças e os outros dois seguranças seguindo-os.
Lis? – Cait se aproximou. – Você e Oliver não conversaram ontem?
Ele não quer conversar e eu não vou obriga-lo. – Balançou a cabeça para os lados. – Como vai ser quando formos comprar essa árvore? Vai ser um inferno Cait. – Sussurrou para as crianças não ouvirem.
Vocês precisam conversar. Você disse que tinha outra coisa para contar...
Mas ele não quer ouvir. Eu já tentei. – Suspirei. – Eu não vou me sentir culpada dessa vez. Ele que não quis ouvir.
Mamãe estamos com fome.
A gente pode comer... – Laurel o interrompeu.
Sem Belly Burger hoje. — Ele fez um bico. Felicity riu.
Vocês precisam de comida de verdade. Sustância. – Ele olhou para a tia.
Que injusto. – As mulheres riram.
Mamãe, a gente não quer sustância. — Felicity sorriu e se abaixou na altura delas.
Vocês precisam de sustância. Chega de comer besteira. – Os três fizeram um bico. – Eu deixo vocês escolherem a sobremesa. – Os três mudaram a feição. – Ah, agora vocês estão felizes, né? – Riu enquanto se levantava.
Tem um restaurante muito bom aqui perto. – Thea comentou.
Eu preciso mesmo parar em algum lugar para trocar a Kitty.
Eu posso? – Felicity estendeu os braços e a pequena quase pulou nos braços da madrinha que sorriu.
**--** **--**
Mike vai ficar seguindo-a até na toalete? – Thea perguntou em sussurro.
É o trabalho dele. – Diggle respondeu. – Ele tem que entrar primeiro para ver se está tudo bem. – Nem ela e nem Laurel quiseram argumentar, era realmente perigoso deixa-la sozinha. Ele poderia entrar ali sem problemas. Cait e Felicity voltaram com a pequena, já limpinha e se sentaram.
Vocês vão ficar aí? – Felicity perguntou. Diggle estava sentado do lado da loira.
Sim, senhora. – Felicity odiava quando a chamavam de senhora. Já tinha pedido para pararem, mas não adiantava, eles continuavam com o “senhora”.
Vocês podem se sentar. – Apontou para a mesa ao lado. Eles olharam para Diggle que assentiu. – Isso foi ideia do Oliver?
Felicity...
Não. Isso é ridículo. Eles estão aqui para me proteger? Tudo bem. Mas não precisam ficar como múmias... – Reclamou baixo, para apenas ele ouvir.
Não vai brigar com ele por causa disso.
Claro que não. Eu vou desfazer o que ele fez.
Felicity! – Repreendeu.
Não adianta tentar me repreender. Eles são pessoas, Dig. Pessoas, não estátuas. – O garçom chegou e rapidamente todos fizeram os pedidos.
Laurel, você foi ao médico? – Thea perguntou.
Médico para quê, mamãe? – Laurel olhou para o filho e depois desviou o olhar para a ex-cunhada.
Foi mal. – Ela mexeu a boca, sem deixar o som da sua voz sair.
Rotina querido. – Sorriu. – Sim, Thea. Caitlin me acompanhou. Está tudo bem.
Por falar em rotina, as gêmeas precisam visitar a pediatra. — Felicity comentou. — Eu vi na agenda delas que elas não vão á meses.
É. Com tudo que têm acontecido... – Thea concordou.
Eu liguei na pediatra delas ontem, mas ela está viajando. – Suspirou. – Cait, preciso de você.
Por mim tudo bem. Mas lembre-se que eu só estou fazendo consultas, mas eu vou deixar o nome das gêmeas na minha agenda. – Felicity assentiu. – Ligo para você mais tarde e te aviso o dia e o horário.
Obrigada. – Os pedidos chegaram. Cait preferiu dar da sua comida para a filha.
Cait, ela já está falando certo? – Thea pergunta, olhando para a pequena.
Ela está falando algumas coisas. É frustrante você ouvir ela dizer ate*, giafa*, lilinha*... – A menina ouviu o último nome e repetiu.
Lilinha. – Disse ainda mordendo um pedaço de tomate. Os que estavam à mesa sorriram.
Viu? Mas mamãe até agora não saiu. – Reclamou. – Até dinda* ela já fala. Isso é tão injusto. – Elas riram.
Dinda? – Thea se pronunciou, surpresa. – Sério?
Sim. Barry estava lá no apartamento quando eu comentei que a Felicity queria fazer um Hanukkah. Então ele disse para ela: A madrinha quer fazer um Hanukkah... Não deu dois minutos e ela disse Dinda. Ficamos surpresos. Tommy começou a rir.
É a cara do Tommy. – Laurel revirou os olhos.
Até a Felicity já a ouviu dizer Dinda. – A loira sorriu.
Barry disse que foi frustrante ouvi-la dizer Dinda, mas não papai.
Sabe o que eu estava pensando? Nós vivemos dizendo Papai Barry e Papai Tommy, como é que vamos saber quem ela está chamando quando começar a falar papai?
Verdade, Lis. Não tinha pensado nisso.
Ah, pelo amor, né? – Thea bufou. – Para ela os dois são os pais dela, ela vai saber nos fazer entender. – Sorriu para a pequena. – Ela ama os dois, quem se importa com rótulos?
Mas vai ser estranho.
Cait, você não tem que se preocupar com isso. Kitty vai saber como fazer quando chegar a hora, não é? – Thea falou olhando para a pequena que comia outro pedaço de tomate.
Lyon odiava isso quando bebê. – Cait a olhou quando a ouviu mudar de assunto. – Se eu desse isso para ele, ele jogava no chão. – Felicity riu.
Alguma coisa ele tinha que pegar de você. – As crianças nem pareciam estar ali, elas se contentavam em comer, só isso.
Ei. – Ela reclamou. – Eu não era desse jeito, Thea.
Você era uma peste. Meu irmão me contou coisas horríveis que você fazia. Lyon é um amor comparado com você e Tommy.
Tenho que concordar. – As garotas riram. – Eu era mesmo uma peste. Mas eu fazia aquilo para chamar a atenção dos meus pais.
Eu já fiz várias coisas para chamar a atenção da minha mãe. – Cait sorriu. – Mas não adiantou. Minha mãe era uma mulher muito difícil. Ainda é, na verdade.
Cait, ela não veio ver a Kitty nenhuma vez. – A outra deu de ombros.
Ela liga de vez em quando, mas o trabalho dela não deixa ela sair de Central City. E olha que é bem aqui, pertinho.
Sua mãe é quem está perdendo, Cait. – Felicity comentou.
Eu não sinto mais aquela angústia. Não me importo mais com isso. Se ela quiser conhecer a neta de perto, terá que vir aqui.
E o que ela disse sobre seu noivado?
Que está feliz por mim e perguntou se esse vai para frente. – Revirou os olhos.
Credo. Com uma mãe dessa, não precisa ter madrasta. – Thea comentou.
Por falar em noivado, você e Tommy já decidiram uma data? Nós precisamos organizar as coisas.
Sim. Pensamos em nos casar no meio do ano que vem.
São seis meses praticamente. Temos seis meses para organizar tudo. – A noiva assentiu.
Eu espero que Kitty já esteja andando para ela ser daminha. – Sorriu para a filha.
Ela já vai estar andando sim. Tenho certeza que ela começa a andar esse ano ainda. – Laurel limpou a mãozinha da enteada.
Mamãe, podemos pedir a sobremesa agora? – Laurel olhou para o filho.
O que vão querer?
Sorvete. – Disseram os três.
Nada muito difícil de conseguir. Perto de onde vamos comprar o resto das coisas tem uma sorveteria. E o melhor, vem no copinho. – Laurel chamou o garçom e pediu a conta.
Tia Lissy, eu quero ir no banheiro. – O menino aproveitando que a tia estava mais perto, sussurrou. Ela se levantou.
Eu vou com Lyon e encontro vocês lá fora. – Mike e Lucca seguiram-na.
É melhor entrarmos primeiro. – Felicity viu os dois entrarem no cômodo.
Tia, por que eles fazem isso? Papai disse que eles protegem agente, mas eu não entendi o porquê. – Felicity se abaixou na altura dele.
Existem pessoas más que podem nos machucar. Eles estão nos protegendo dessas pessoas. – Ele assentiu. – Você não precisa se preocupar, ok? – Os homens voltaram e Felicity acompanhou o sobrinho.
**--** **--**
Chegamos. – Largou a bolsa no chão perto do sofá. – Antes de tudo, quero que vão tomar um banho. – Estava sentindo seu corpo pesado. Apesar do enjoo ser normal, afinal já estava acostumada, não entendia aquele mal-estar que estava sentindo.
Mamãe, o papai não chegou ainda. – Elas olhavam para a mãe, demonstrando que estavam inconformadas.
Não. – Ela olhou no relógio da parede. — Já são quase 19h. – Sussurrou. – Ele deve estar quase chegando. – Sorriu. – Vamos. Eu ajudo vocês no banho.
Agente pode escolher o que vestir?
Podem, contanto que não seja as fantasias. – Subiram as escadas. – Eu vou tirar essa roupa, enquanto isso, vocês vão escolhendo o pijama, okay? – Elas assentiram. Felicity entrou no quarto, se sentou na cama para retirar a bota e a meia calça, caminhou até o closet, pegando um conjunto de dormir, colocando-o e seguiu para o quarto das filhas.
Mamãe, a gente pode tomar banho na banheira?
Vamos deixar para outro dia? – Elas fizeram um bico. – Estou muito cansada hoje. — Não se sentia muito bem, desde antes de entrar no carro para finalmente vir para o apartamento, se sentia estranha. Seu corpo doía e sentia uma fraqueza estranha.
Está passando mal? – Elas se preocuparam.
Não. – Sorriu fraco. – Eu só estou cansada.
Então, a mamãe descansa e a gente toma banho sozinhas. – Felicity riu.
Não. Eu vou ajudar vocês. – Levou ambas para o banheiro. – Não quero que se machuquem. – Observou as duas retirar a roupa que vestiam. – O que foi isso? – Perguntou ao ver uma marca se roxa nas costas de Amily.
Eu machuquei.
Onde? — Passou a mão.
Eu estava correndo aqui com a Apple e escorreguei. Machuquei na escada. – Felicity a olhou preocupada.
Precisa tomar mais cuidado, querida. – Ela assentiu. – E o que eu disse sobre correr perto da escada?
Desculpa. – Ela suspirou. Se tivesse mais atenta, isso não teria acontecido.
E por que não me chamaram?
Doeu só um pouquinho... – Elas entraram no box.
Deveria ter me mostrado isso na hora, Amy. Não quero que me escondam as coisas, okay? – As duas assentiram. Felicity pegou duas toucas, uma com desenho da Elsa e o outro com desenho da Anna e colocou na cabeça das gêmeas, prendendo o cabelo.
Mamãe, não vamos lavar o cabelo hoje? – April perguntou quando sua mãe terminou de colocar a touca.
Não. Está tarde e o tempo está frio. – Ligou o chuveiro. Rapidamente, elas estavam limpinhas. Felicity saiu do box para pegar as toalhas e sentiu uma tontura, apoiou as mãos na bancada da pia e respirou fundo. Rapidamente, a tontura passou e ela se aproximou das filhas com as toalhas. Elas correram para o quarto, ficando em cima do tapete. Felicity sentou uma por uma na cama e pegou a roupa, ajudando-as a se vestir. – Enquanto eu tomo meu banho, quero que fiquem quietinhas na sala, assistindo TV.
Podemos assistir Frozen? – Felicity suspirou. Mas será possível que só existe esse filme no planeta?
Não querem assistir outra coisa? – Elas negaram. – Tudo bem, então. – Novamente sentiu aquela tontura e teve que se sentar ao lado das gêmeas.
Mamãe? – A olhavam preocupadas.
Está tudo bem. – Massageou um dos ombros com os olhos fechados, por alguns segundos e logo abriu os olhos. – Não foi nada. Não se preocupem.
Vou ligar para o papai. — Felicity se levantou.
Não é preciso. Já estou bem. – As meninas desceram da cama. – Vou colocar o filme de vocês e vou tomar banho.
Mamãe, não quer que a gente fique com você? – Felicity sorriu.
Não. Eu estou bem, não foi nada. – Elas não acreditaram. – Eu prometo que vou tomar um remédio, okay? – Desceram as escadas e ao chegarem na sala, elas se sentaram no sofá e Felicity foi colocar o filme. – Não mexam em nada e não vão a cozinha. – Elas assentiram.
Quero água. – Amily pediu.
Você vai querer também, Apple? – A menina assentiu. Felicity foi até a cozinha, pegou os copos, abriu os dois, abriu a geladeira, pegou a água e encheu os dois copos. Os fechou, colocou a água de volta na geladeira e saiu da cozinha, caminhando até as filhas. – Eu não demoro. – Entregou os copos e se dirigiu para as escadas. Entrou em seu quarto, pegou a roupa de dormir e entrou no banheiro. Não iria usar a banheira, as gêmeas estavam sozinhas, por isso tinha que ser rápida. Viu seu celular em cima da pia, o pegou e olhou as horas. Já se passava das 19h20 e Oliver não tinha chego ainda, preocupada ela ligou para ele, mas caiu na caixa postal. Suspirou. Tentou ligar mais três vezes e quando deu o mesmo, desistiu. Antes de Felicity se aproximar do box, ela sentiu outra vez aquela tontura. — O que está acontecendo? – Encostou o corpo na parede, esperando a tontura passar, de repente sentiu seu corpo amolecer e uma dor aguda começar. Sua respiração começou a ficar irregular. Ela não conseguia abrir os olhos, estava sentindo-se mal demais para isso. Escorregou, sentando-se no chão, não conseguindo aguentar o corpo em pé. Felicity percebeu o que estava acontecendo, mas antes que pudesse tentar qualquer coisa, ela começa a perder os sentidos.
**--** **--**
Oliver tomou um último gole de whisky. Suspirou enquanto mexia o copo. Ele sabia que precisava se resolver com a namorada. Depois de conversar com os amigos, percebeu que realmente, ficar ignorando-a ou dormindo separados não iria adiantar em nada. Sabia também que já deveria estar em casa, mas precisava de mais algumas horas. Não queria brigar, apenas queria resolver o que tinham que resolver. Ele estava magoado por ela ter escondido sobre o aborto, mas Barry estava certo quando disse que aquilo o assustou. Não esperava ouvir o que ouviu. Não entendia como tinha acontecido. Ela estava tomando o anticoncepcional, mas sabia que não era certeza de uma não-gravidez. Suspirou. Precisava ir para casa. Ele estava no escritório, sozinho. Diggle tinha lhe mandado uma mensagem avisando que Felicity e as gêmeas estavam no apartamento, sãs e salvas. Pelo menos nada de ruim aconteceu. Suspirou novamente antes de se levantar, deixou o copo vazio em cima da sua mesa, pegou as chaves e o blazer e caminhou até o elevador. Oliver tinha apenas uma coisa na cabeça: a bomba sobre o aborto que a namorada teve a quatro meses, era como se essa fosse a maior preocupação que ele tivesse, e sabia não era. Ainda tinha Cooper, que desde o dia em que matou a sua sogra, desapareceu. Oliver á alguns dias atrás estava preocupado com ele. Preocupado apenas com o homem que têm transformado a vida da sua mulher em um inferno, isso até essa mulher lhe contar o que estava lhe escondendo. Como pensar em outra coisa, quando aquilo tinha acontecido? Depois de três dias, começou a pensar no que ela deveria estar passando com tudo. Ela perdeu um filho deles, algumas semanas depois, a mãe dela... Ele não pensou na dor dela naquele momento, estava irritado demais para pensar sobre as perdas dela. Tinha sido injusto. Felicity quase não tinha vida antes dele aparecer. Ela excluía tudo e todos, protegendo-os e a si mesma, não deveria ter dado as costas para ela. Se ele estava assustado, imagina como ela deveria ter ficado ao descobrir sobre aquilo? Agora, Oliver estava se sentindo um idiota. Pensando em como tinha tratado a mulher que amava. Só percebeu que chegou no apartamento quando ouviu as vozes das filhas.
Papai, você demorou. – Elas abraçaram suas pernas.
Desculpe. Eu estava resolvendo algumas coisas. – Olhou em volta e não a viu. – Por que não estão dormindo?
A mamãe disse que ia colocar agente na cama, mas não desceu ainda... – Ele arqueou as sobrancelhas.
Ela está no quarto? – Deixou seu blazer no sofá e se virou.
Disse que ia tomar banho.
Faz muito tempo? – Estava começando a se preocupar.
Sim. – Elas disseram enquanto balançavam a cabeça para cima e para baixo. Oliver subiu as escadas rapidamente com as filhas seguindo-o.
Vão para o quarto e me esperem lá. – Elas o obedeceram e ele entrou no quarto que dividia com a namorada. – Felicity? – Olhou em volta e não a encontrou. Passou os olhos pelo closet e caminhou até o banheiro, abrindo a porta. O que ele viu, o fez ficar paralisado por poucos minutos até se aproximar desesperado. – Felicity! – Deu alguns tapas de leve no rosto dela, mas ela não reagiu. Pegou o celular que estava em seu bolso e discou um número rapidamente. – Mike, apronte o carro para mim, eu vou sair. – Desligou e a pegou no colo e então, percebeu que ela perdia sangue. Não estava entendendo o que estava acontecendo com ela. Saiu apressado do quarto quando se lembrou das gêmeas.
Papai. – Elas apareceram na porta do quarto e olharam preocupadas para a mãe.
Vai ficar tudo bem. Não façam perguntas, apenas me acompanhem, está bem? – Elas assentiram. Mesmo que estivessem assustadas, fariam como o pai tinha pedido.
**--** **--**
Senhor? – Ele abriu a porta rapidamente. – O que houve?
Eu não sei. A encontrei desmaiada. – A colocou no banco de trás, Lucca ajudava as gêmeas a sentar na cadeirinha. Assim que entrou, Mike deu a partida com outros três carros seguindo-o. – Ela disse se sentia alguma coisa?
Não... Não, ela disse que estava cansada. – Oliver olhou para o rosto pálido da namorada. – E disse que estava enjoada.
Enjoada... – Sussurrou se lembrando mais uma vez do que ela lhe contou a alguns dias. Balançou a cabeça, se negando a pensar naquilo novamente. – Ela está perdendo sangue. Não entendo...
Vou ligar para a Senhorita Snow. – Oliver o agradeceu.
Papai... – Oliver olhou para as filhas.
Eu sei que estão assustadas, mas vai ficar tudo bem. – Elas assentiram. – Vou pedir para um dos seus tios ficar com vocês.
Queremos ficar com a mamãe.
Vocês são pequenas. Crianças não podem ficar no hospital... – Pegou o celular e ligou para Barry.
Ei, Oliver. – Sua voz saiu arrastada.
Eu preciso que fique com as gêmeas. – Disse sem enrolação.
O que houve? – Barry que estava deitado, se sentou na cama, preocupado.
Estou levando Felicity para o hospital. Eu não sei o que houve, mas ela não está bem. A encontrei inconsciente – Explicou em resumo, ainda olhando para a namorada, temendo algo pior acontecê-la.
Estou indo para o hospital.
Obrigado. – Desligaram.
Senhor, a senhorita Snow disse que ligaria para avisar que estamos chegando com a senhorita Smoak. E disse que o Senhor Thommas nos encontrará lá. — Oliver assentiu, seus olhos não deixaram o corpo da mulher que ama desde que começou a falar com Barry. – Nós estamos chegando.
Felicity... – Oliver tentou chama-la. — Felicity... – Ela não acordava, estava mais pálida do que quando a encontrou no chão do banheiro. Passou a mão no rosto dela. Mike parou e desceu do carro.
Eu preciso de ajuda aqui. – A voz vinha de Lucca que tinha decido primeiro que Mike, que ajudava as gêmeas a descerem.
Ela é Felicity Smoak? – Oliver assentiu. Viu algumas pessoas trazerem uma maca. — A Dra. Snow nos ligou para avisar. – Tiraram ela do seu colo, delicadamente. – O que aconteceu?
Eu não sei. – Desceu. – Eu cheguei em casa agora a pouco e a encontrei desmaiada no chão do banheiro. – Acompanhou os médicos para dentro do hospital, as gêmeas estavam com Mike, que seguia o patrão.
Ela perdeu bastante sangue. – Falou um dos médicos.
Ela não parece ter se machucado. – Comentou o outro. Eles observavam cada parte do corpo dela. – Você sabe se ela tem algum problema com alguma medicação?
Não. Ela não tem... – Não conseguia tirar os olhos dela. – Ela não tem alergia a nenhum medicamento. – Completou.
Vamos começar. Eu quero um raio-x do corpo inteiro, exames de sangue... – Começou a médica que o questionou no carro. – Vou precisar que me espere na sala de espera.
Ela vai ficar bem?
Primeiro precisamos saber o que está acontecendo com ela. Mas faremos o possível e o impossível para salva-la. – Ele assentiu e deixou ser levado por uma das enfermeiras.
Senhor, e as gêmeas? – Oliver olhou para Mike.
Barry deve estar chegando. – Se sentou.
Eu venho dar notícias periodicamente. – Oliver agradeceu e ela saiu.
Preciso que fiquem quietinhas aqui, okay? – Ele sabia que tinha que falar com as filhas, mas o que dizer? Nem ele sabia o que estava acontecendo.
Mike, a mamãe vai ficar bem? – Oliver estava com a cabeça encaixada nas mãos e tão pensativo que nem ouviu as filhas falarem com Mike.
Vamos torcer que sim. – Elas abaixaram a cabeça, tristes. – Nós não sabemos o que houve com a mãe de vocês, entendem?
Ela passou mal mais cedo. – Oliver olhou para as filhas.
Como assim? – Se aproximou, abaixando-se na altura delas.
Ela disse que não era nada, mas ela teve que se sentar e fechou os olhos. – Oliver passou as mãos nos cabelos. Seu celular tocou, era uma mensagem de Caitlin, perguntando se Felicity já tinha sido atendida. Quando ele ia responder, viu algo que até aquele momento não se lembrava.
Droga. – Mike o olhou. – Ela me ligou.
Senhor? – Arqueou as sobrancelhas.
Ela me ligou quatro vezes. E eu não atendi. – Se levantou, para desabar na cadeira ao lado das filhas. – Eu... Eu não atendi. — Mike não sabia o que dizer, sabia que o patrão deveria estar se sentindo culpado.
Ollie! – Ouviu seu nome ser chamado. – Como minha irmã está?
Ela está sendo atendida. Não me deixaram ficar com ela...
O que aconteceu, Oliver?
Eu não sei. Ela disse para as gêmeas que estava bem, mas ela passou mal. As gêmeas disseram que ela passou mal... – Passou a mão direita nos cabelos mais uma vez. – Ela me ligou e eu não atendi.
Oliver... – Conseguia compreender o raciocínio do amigo.
Eu não atendi porque eu precisava de mais tempo. – Olhou nos olhos do amigo. – Se eu tivesse atendido...
Não. Não comece a se culpar. – Suspirou. – Você e Felicity tendem a culpar a si mesmos pelas coisas... Isso não é culpa sua. Vamos descobrir o que houve com ela. – Antes de ele sair a procura de informações, Barry chega.
Como ela está? – Olhou para os dois amigos.
Não sabemos ainda. – Barry suspirou. – Ela está sendo atendida, mas até agora a pouco não sabiam nem o que ela tinha...
Eu vou tentar descobrir. Fique aqui com ele. – Tommy saiu.
Como ela estava quando a encontrou? – Oliver tivera que dizer mais uma vez e o fez. – Não entendo, Laurel disse que ela estava bem. Cansada, mas bem. Disse até que ela a apoiou quando reclamou do cheiro do iogurte que as crianças estavam tomando... Ela se sentiu enjoada, mais nada muito sério.
Enjoada... – Ele sussurrou novamente. – Mike disse que ela disse que estava enjoada. E ela estava sangrando... Muito.
O que você quer dizer? – Não deu tempo de ele responder, pois Tommy voltava.
Disseram que entraram com ela para o centro cirúrgico. – Oliver arqueou as sobrancelhas e se levantou da cadeira.
Centro cirúrgico? O que pode ter sido para ela precisar de cirurgia?
Não sei. Eles não souberam dizer. Apenas os médicos dela sabem o que ela têm. – Oliver respirou fundo para não surtar. – Ela vai ficar bem, Ollie.
Eu vou levar as gêmeas.
Obrigado. – Barry assentiu. – Eu não sei quanto tempo vou ter que ficar aqui...
Não se preocupe com isso. Fico com elas o tempo que precisar. – Foi a vez de Oliver assentir. – Elas vão precisar de roupas.
Você tem a senha do meu apartamento, vou deixar avisado que você vai passar lá mais tarde. – Se virou para as filhas. – Vocês vão com o tio Barry. – Elas iam reclamar, mas ele não deixou que elas começassem. – Vocês não podem ficar aqui, hospital não é lugar para crianças. Eu vou ligar assim que tiver notícias... – Se abaixou na altura delas. – Eu não posso ficar com vocês, a mamãe precisa de mim, entendem? – Elas assentiram. — Então vão com o tio Barry e o obedeçam. Prometo que ligo mais tarde. – Elas o abraçaram e Barry se aproximou.
Vamos lá. A tia Laurel e o Lyon estão nos esperando. – Pegou na mão das duas. – Eu vou precisar das cadeirinhas.
Mike. – Ele assentiu e foi na frente. – Obrigado mais uma vez, Barry.
Não precisa agradecer. Liga assim que souber de alguma coisa. – Tanto Oliver quanto Tommy assentiram.
Agora é esperar. – Tommy se sentou do lado do amigo.
Esse é o problema. – Balançou a cabeça para os lados, ainda inconformado. – Eu deveria ter atendido os malditos telefonemas.
Não comece.
Mas é verdade, Tommy. Ela me ligou e eu não atendi. Eu não fiz isso para ignora-la de maldade, só precisava de mais alguns minutos... – O amigo assentiu. – E então isso acontece. Já não aconteceu desgraça o bastante?
Eu entendo. Mas ela precisa que você fique calmo. Logo vão aparecer para nos dizer que ela está bem.
Espero que esteja certo. – Sussurrou.
**--** **--**
Barry. – Se aproximou quando o viu entrar no apartamento com as gêmeas nos braços, dormindo.
Elas dormiram no caminho.
É melhor coloca-las no sofá, devem estar pesadas. – Ele assentiu, fazendo como ela auxiliou. – E a Lis?
Ela está no centro cirúrgico. – A namorada arqueou as sobrancelhas. – Ela estava sangrando. Oliver disse que ela estava sangrando muito.
Oh. – Barry se aproximou preocupado. – Eu acho que sei o houve.
Como assim?
Ela caiu. A Thea não viu que o chão estava escorregadio e quando ia cair, grudou na Felicity e as duas acabaram caindo. Nós até rimos disso, não parecia que ela tinha se machucado.
Na hora. Vocês não devem ter visto na hora. – Pegou o celular que estava no bolso para ligar para Oliver.
Thea, você já ouviu falar em escândalo? – Falou quando a ex-cunhada começou a reclamar alto.
Eu só estou dizendo a verdade. Agora eu tenho que ser obrigada a aturar seis pessoas na minha cola...
Você não vai parar de reclamar?
Vou. Quando o Oliver tirar aqueles abutres da minha vida. – Bufou. – Nós nunca mais ouvimos falar na Isabel, então por que eu tenho que continuar tendo aqueles gigantes na minha cola?
Porque você é minha irmã. – Thea a olhou.
Ah, não. Eu não queria chegar nesse assunto. Eu vou parar de reclamar.
Até que enfim! – As garotas riram.
Isso é uma... – Ela não conseguiu continuar, pois não percebeu que o chão tinha acabado de ser limpo e acabou escorregando, levando a irmã junto. As duas caíram de bunda no chão. – Ai. – Resmungou. As outras duas começaram a rir. Diggle e os outros seguranças se aproximaram das irmãs.
Isso não tem graça. – Diggle a ajudou a se levantar enquanto Mike fazia o mesmo com Felicity.
Obrigada, Thea. – Debochou. – Ai. Obrigada, Mike. – Olhou para a irmã. – Você podia ter caído sozinha, não?
Foi mal. Foi instinto.
E o seu instinto dizia que era para me levar junto? – As outras ainda riam. – Isso. Continuem a rir... – Bateu a mão na bunda.
Está doendo? – Cait perguntou em meio a risadas.
Não. – Fiz um bico enquanto olhava para o próprio corpo.
Acho que eu quebrei minha unha.
Dane-se a sua unha, Thea. – As garotas riram novamente. – Eu cansei disso, vamos terminar logo essas comprar e ir embora.
Fica calma, Lis. Não foi de propósito.
Eu sei que não. Mas eu estou cansada, enjoada...
Ai, não fala de enjoo. Ainda bem que Lucca e Tyler levou as crianças para o outro caminho. Aquele cheiro de iogurte estava me matando.
Então somos duas. – Fez uma careta. – Acho que nunca mais vou querer tomar iogurte na vida. – Laurel concordou.
**--** **--**
E então, o que o Barry queria? – Tommy perguntou assim que o amigo desligou o celular.
A Laurel se lembrou de uma coisa... – Tommy arqueou as sobrancelhas. – A Thea escorregou no chão que tinham acabado de limpar e se segurou na Felicity. Já dá para imaginar o que houve, certo?
As duas caíram. – Ele assentiu. – Será que ela se machucou e não viu?
Barry e Laurel acham que sim. Será que não virão nos dar notícias? – Reclamou. Logo a enfermeira que tinha acompanhado Oliver até a sala de espera mais cedo, apareceu.
Ela ainda está na sala de cirurgia. – Disse assim que os viu se levantar. – Ela está estável. – Suspiraram aliviados. – Mas teve uma hemorragia muito forte.
Ela caiu. Não sabemos se no processo se machucou..., mas ela caiu.
Isso com certeza foi o problema.
Então ela se machucou? – A enfermeira mexeu a boca, em sinal de que não sabia se falava ou não.
Mais ou menos isso. – Os dois arquearam as sobrancelhas. – Eu vou deixar que a médica explique com mais detalhes para vocês. Eles já devem estar terminando e então ela virá até aqui. – Eles assentiram e ela saiu.
Ela escondia alguma coisa.
Eu também acho. – Oliver não estava gostando nada daquele mistério todo.
**--** **--**
Senhor Queen. – Oliver e Tommy se levantaram quando a médica se aproximou. — Sou a Dra. Meredith. Falei com o senhor mais cedo.
Eu me lembro. Como ela está?
Ela está bem. Eu fiz alguns exames antes de leva-la para a cirurgia e então percebi que não era uma simples hemorragia.
Não era uma hemorragia?
Era. – Pediu para se sentassem e fez o mesmo, em frente a eles. – Me disseram que sua noiva caiu, mais cedo.
Sim. Eu não estava com ela, mas minha irmã e as amigas estavam.
Isso complicou a situação. Ela pensou que não tivesse problema, pois não sentiu nenhuma dor ou viu algum ferimento. Mas ela se machucou... Internamente. – Oliver e Tommy se olharam.
Como isso é possível?
Vocês não fazem ideia... – Ela sussurrou. Ela odiava essa parte do trabalho. – Ela estava... Em um estado complicado... Delicado. A queda só complicou tudo.
Estado? Que estado? – Ela suspirou.
Sua noiva estava grávida. – Oliver a olhou surpreso e assustado ao mesmo tempo. Tommy olhou para o amigo. – Três meses, para ser mais específica. E por ser muito recente, a queda a levou a ter uma hemorragia interna, ela nem deve ter percebido ou sentido dor.
Como isso é possível? – Tommy quem perguntou. – Quer dizer... Ela teve um aborto a quatro meses. E agora outro?
Ela passou por algo estressante? – Oliver continuava paralisado, ele ouvia tudo, mas não conseguia dizer nada.
Sim. Ela perdeu a mãe dela a pouco mais de dois meses.
Isso com certeza mexeu com psicológico dela, não? – Tommy assentiu. – Não foi apenas o psicológico que foi afetado, o corpo dela por inteiro também foi... A gravidez é recente, passar por algo assim e mais uma queda, seria muito difícil o feto aguentar, para não dizer impossível.
E algo assim é normal acontecer?
Sim. Sr. Merlyn, os três primeiros meses são os mais perigosos, por isso sempre pedimos para que a gestante tome mais cuidado e evite se estressar. Ela teve tudo isso e mais uma queda... Nenhum feto conseguiria suportar.
Eu não acredito que aconteceu de novo. – Oliver conseguiu dizer.
Eu realmente sinto muito. Quando ela chegou aqui, já não tinha como salva-lo. Eu me concentrei em estancar a hemorragia dela. Peguei o prontuário antigo e soube que ela teve um aborto á exatamente quatro meses e dezoito dias.
Isso aconteceu por que?
Foi como eu disse senhor Queen, ela passou por algo estressante, feto algum conseguiria aguentar tanto estresse. No prontuário também diz que ela está em um estado depressivo. Fiquei ainda mais preocupada ao ler isso na ficha dela.
Porque pode piorar quando ela souber, certo? – A mulher assentiu.
Por isso quando ela acordar, falaremos com ela, juntos. E com uma psicóloga acompanhando. Já mandei chamar a psicóloga que está no caso dela, ela chega em alguns minutos.
Entendi. – Ele balançou a cabeça. – Só pode ser um pesadelo. Ela não vai aguentar mais isso.
Ela vai sim. É da Felicity que estamos falando. – Tommy retrucou, olhando para o amigo que o olhou de volta.
Ela vai me culpar.
Oliver... – O amigo o interrompeu.
Eu sei que ela vai me culpar. Eu ignorei as ligações dela.
Ela não vai te culpar.
É. Não vai precisar dela fazer isso, eu mesmo já estou fazendo.
Sr. Queen, eu entendo que não é uma situação fácil, mas ela vai precisar de toda atenção e cuidado. Precisa se acalmar e dar assistência a sua noiva.
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https://www.youtube.com/watch?v=hl2CduaVLGE
Felicity estava a mais de três horas inconsciente. Oliver estava sentado na poltrona do lado da cama. Ele a olhava, observava seu rosto que no caminho até ali estava pálido, mas que agora voltava a sua cor normal. Ela estava mais corada e isso o aliviava, isso lhe dizia que ela estava mesmo bem, como a médica havia lhe dito. Mas agora, o que o incomodava era o fato de ela não acordar, estava ao seu lado a quatro horas e meia e nada. Ela continuava inconsciente. Caitlin já tinha ligado e Laurel e Barry também, Tommy quem explicou aos três o estado da irmã, Oliver não estava com cabeça para aquilo. Olhou para as mãos dela que antes estavam sujas de sangue, mas que agora estavam limpas. Pegou uma delas, apertando levemente. Ele se sentia culpado, se tivesse ido para casa mais cedo... Se tivesse atendido os telefonemas dela... Isso poderia ter sido evitado.
Me perdoa. – Sussurrou. Aproximou o rosto das mãos dela, beijando delicadamente. – Se eu tivesse chego antes... – Colocou a cabeça em cima de sua mão que segurava a dela e fechou os olhos. Estava cansado, mas não dormiria, não conseguiria descansar até ver aqueles olhos verdes novamente.
Felicity aos poucos começou a tentar abrir os olhos. Como não tinha claridade, não foi difícil fazê-lo. Tentou mexer seu braço, mas não conseguiu, olhou para ele e percebeu que o soro estava ligado nele, suspirou. Não imaginava o que tinha acontecido, não se lembrava. Sentiu um aperto em sua mão direita e quando desviou seu olhar, o encontrou ali, descansando a cabeça em sua mão. Ela abriu a boca para tentar falar, mas não conseguiu. Respirou fundo e Oliver percebeu a mão dela se mexendo. Levantou a cabeça e viu os olhos verdes o olhando. Suspirou aliviado.
Ei. – Ela fechou os olhos por breves segundos. – Você acordou... – Se aproximou para beijar a testa dela, o que fez ela fechar os olhos novamente, dessa vez para sentir o momento.
Oliver... – Sua voz saiu fraca e muito baixa, quase que ele não consegue ouvir. – Me desculpa. – Ele apertou o botão azul atrás da cama.
Está tudo bem. — Beijou novamente a testa dela. – Vai ficar tudo bem agora. – Voltou para a poltrona.
Eu não... – Engoliu em seco. Oliver percebeu.
Quer água? – Ela assentiu. Ele se aproximou da mesa de cabeceira que estava do seu lado e pegou a água, colocando em um copo com canudinho e a ajudou a beber. – Melhor? – Assentiu novamente, vendo-o colocar o copo no lugar.
Eu não me lembro... – Mesmo com a água, a voz dela continuava baixa e fraca.
Eu te encontrei desmaiada no banheiro. – Ela fechou os olhos, se lembrando do que tinha acontecido.
Eu fui tomar banho. Senti uma tontura... – Ela abriu os olhos. – Só me lembro de não conseguir sustentar meu peso e me sentar no chão. – Ele assentiu. – Depois disso não me lembro de mais nada.
Tudo bem. Você está bem agora.
E as gêmeas? – Perguntou ao se lembrar das filhas.
Estão bem também. Barry está com elas. – Foi a vez dela em ficar aliviada. — Felicity... Você não se lembra de mais nada? – Ela negou.
Eu tentei te ligar... – Comentou.
Me desculpe. Eu deveria ter atendido, mas... – Ela apertou a mão dele.
Não se preocupe, foi antes de eu desmaiar.
Se eu tivesse atendido, isso não teria acontecido. – Ele a ajudou a se sentar, quando ela tentou fazê-lo.
Oliver, eu teria desmaiado de qualquer jeito. – Mas você não teria perdido outra criança, foi o que ele pensou. – Eles disseram por que eu desmaiei? – Oliver ficou sem fala. – Oliver?
Eu não sei ainda... – Ela arqueou as sobrancelhas.
Por que está mentindo?
Felicity... – Ela o interrompeu.
Não. Você está mentindo. – Ele se sentou na cama de frente para ela. – O que aconteceu? – Ele tinha sido instruído a esperar pela psicóloga, mas como fazer isso quando ela o olhava daquele jeito? – Oliver, por favor, me diz o que houve.
Quando eu a encontrei... – Começou alguns segundos depois. – Você estava deitada no chão inconsciente e... Tinha sangue.
Sangue? – Oliver assentiu.
Muito sangue. – Felicity colocou a mão livre na barriga o que chamou a atenção do namorado. Ela ficou olhando o nada e Oliver soube... Ela sabia da gravidez. – Você sabia. – Não era uma pergunta. Ela o olhou, seus olhos verdes demonstravam tristeza, estavam tão brilhantes..., mas tristes.
Descobri no dia em que fui visitar minha mãe, sozinha... Eu ia te contar... – Ela sentia vontade de chorar, mas as lágrimas não vinham. — Mas você saiu do quarto.
Você disse que precisava conversar... – Se lembrou. – Era sobre isso? – Ela assentiu, fazendo um "uhum".
No começo, eu achava tudo um erro. Perco minha mãe e isso acontece? Não estava entendendo porque estava acontecendo aquilo comigo. Estava irritada com tudo e com todos... Por que? Por que isso aconteceu?
Felicity... – Ela o interrompeu.
Por que Deus me daria uma mãe e filhos para depois... – Se interrompeu propositalmente, fechando os olhos, colocando uma das mãos na testa. – Por que Deus deixou isso acontecer? Eu não entendo. – Abriu os olhos e dando um grande suspiro, triste, ficou em silêncio por alguns minutos. Oliver ficou apenas observando-a, ouvindo-a. – Por que?
Eu não sei. – Resolveu dizer alguns segundos depois. – Eu, realmente, não sei.
Pensando bem... – Começou alguns minutos depois. Ela deu um sorriso triste. – Eu neguei essa criança, claro que eu ia perdê-la.
Não diz isso. – Apertou a mão dela mais uma vez.
Mas é a verdade. Eu não queria esse filho, Oliver. Eu não contei a ninguém, porque achava ser um erro. Mas então... – Se lembrou quando pegou Kitty pela primeira vez depois da morte de sua mãe. – Eu não sei. Kitty estava comigo e... Eu a ouvi me chamar de Dinda. Ela falou... E eu senti que era o certo. – Ela só percebeu as lágrimas descerem quando Oliver passou uma das mãos em seu rosto, enxugando-as. – É claro que depois de dias negando aquele bebê, isso aconteceria. – Oliver a abraçou e ela rodou o braço livre do soro pela cintura dele, escondendo o rosto encharcado pelas lágrimas no peito dele. A médica que estava do lado de fora, foi instruída pela psicóloga a não entrar e deixar que o noivo dela desse o apoio que ela precisasse. Elas tinham ouvido o final da conversa e perceberam que ela já sabia do ocorrido. A psicóloga decidiu vê-la mais tarde junto da médica. Deixaria o casal por mais algumas horas sozinhos.
**--** **--**
Felicity estava sentada com a cabeça encostada nos ombros do namorado que estava sentado do seu lado, na cama. Ela sabia que a médica falava alguma coisa e que a psicóloga lhe dava algumas instruções, mas não conseguia se concentrar nas mulheres à sua frente. A única coisa que pensava agora era no bebê que perdeu. Outro. Talvez não é para ela ser mãe. Quando estava acostumada, quando já sentia aquele bebê como seu filho... Não era para ser. Se lembrava de dizer essa frase na primeira vez que teve um aborto. Felicity não conseguia entender o que queriam com aquilo, por que estava lhe acontecendo tantas coisas ruins. Tinha que ter uma explicação. Seus pensamentos foram interrompidos por vozes.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Felicity? – Ouviu claramente e olhou para o namorado. – Você ouviu o que a médica disse? – Ela desviou o olhar para as duas médicas.
Eu não... – Se interrompeu propositalmente.
Está tudo bem. – A psicóloga se pronunciou. — Não tem problema. Senhor Queen, você ouviu, certo? – Ele assentiu. – Então ele vai te passar todas as instruções depois. – Felicity abaixou o olhar, sentindo o afago nos cabelos que seu namorado fazia.
Na condição que ela chegou aqui e a que... – A olhou, preocupada. – Ela ainda está, prefiro que ela passe mais uns dias aqui. – Felicity ouviu dessa vez.
Dias? – Sussurrou olhando-a.
Mais dois dias, só por precaução. – Olhou para a psicóloga que assentiu. – Você está bem, mas eu quero ter certeza que não terá problemas ao ser liberada para ir para casa. – Ela assentiu desviando o olhar novamente. – Bom, vou deixar que receba visitas, mas não mais que duas pessoas no quarto além do seu noivo. – Felicity já estava tão acostumada a ouvir chama-la de noiva do namorado que nem mais se importou. Não adiantaria explicar e ela não estava nem com cabeça para isso. – Com licença.
Felicity, como você está nessa situação, acho que posso atendê-la em seu apartamento quando voltar para lá, pode ser? – Ela suspirou.
Lis... – Ela o olhou, ela não queria, mas sabia que ele não iria deixar que desistisse. — Pode sim. – Respondeu olhando para a namorada. A mulher assentiu, pediu licença e saiu.
Eu não queria... – Ele a interrompeu.
Eu sei. E eu realmente entendo, mas você não pode desistir agora. Se não fosse preciso eu já teria dispensado ela. – A loira assentiu. – Ela disse que você pode receber visitas... E o seu pai quer te ver.
Ele sabe? – Ela o olhou.
Eu não pude esconder isso dele. Pessoas me viram chegando com você, pode estar numa manchete agora mesmo. – Ela bufou. – E então?
Tudo bem. — Deu de ombros. — Ele deve estar preocupado.
Quase enlouquecendo. – Ela o olhou novamente. – Como eu fiquei quando a encontrei. – Suspirou. – Pensei que não acordaria mais.
Desculpa. Não queria te assustar.
Está tudo bem. – A apertou em seus braços. – Está tudo bem agora. – Sussurrou beijando o topo da cabeça dela. – Vou deixar você alguns minutos com seu pai e seu irmão e vou ver as gêmeas, prometi que apareceria lá mais tarde.
Oliver, eu quero vê-las.
Eu não acho que vão deixar que elas entrem.
Mas disseram que eu podia receber visitas. – Oliver sorriu.
Mas não disseram nada sobre duas garotinhas de seis anos. – Ela o implorou com os olhos. – Okay. Falarei com sua médica.
Obrigada. – Ele a beijou levemente e se distanciou para descer da cama. – Você já vai?
Vai ser rápido. – Apoiou as mãos na cama, se inclinando sobre ela. – Prometo. – Lhe deu um selinho e segundos depois o pai dela bate na porta.
Posso? – Ela olhou para a porta e o viu.
Claro, Malcom. – Oliver ficou ereto e cruzou os braços. – Eu estou indo ver as gêmeas, pode ficar com ela até a minha volta?
Claro. – Sorriu. – Tommy também já está vindo. Caitlin ligou querendo notícias. Ela queria vir, mas Tommy avisou que não era bom trazer Kitty aqui.
Entendo. – Olhou para a namorada. – Eu volto logo – Ela assentiu.
Não esquece de falar com a médica? – Foi a vez dele em assentir, se despediu, beijando-a no rosto e saiu do quarto. – O senhor vai ficar em pé?
Fiquei preocupado quando Oliver me ligou. – Se aproximou, sentando-se na poltrona. – Me deu um susto.
Me desculpa. – Ele pegou na mão dela.
Está tudo bem, mas por que não avisou que estava passando mal? Felicity, sua irmã teria ficado com você no apartamento.
Eu... Eu estava só sentindo um mal-estar. Ficou pior depois que eu dei banho nas gêmeas. – Ele assentiu. – Não vai mais acontecer, prometo.
Thea está chateada por você não ter dito nada. Até pensou que a culpa tinha sido dela, porque vocês caíram.
É. – Se lembrou do episódio. Não tinha sentido muita dor, foi uma pontada na hora que caiu, mas estava bem. Aquilo com certeza tinha sido um dos problemas para ter sofrido o aborto. Suspirou. – Pensei que estivesse viajando.
Eu ia, mas fiquei preocupado. – Felicity deu um sorriso fraco.
Comigo? – Ele não precisou responder. – Papai, você não precisava desistir da sua viagem por mim.
Claro que precisava. Você é minha filha. – Acariciou o rosto dela. – E eu posso viajar qualquer outro dia.
Eu estou melhor. – Ele arqueou as sobrancelhas. – É sério. Eu estou indo a psicóloga, mesmo que contra a minha vontade.
Contra a sua vontade? – Ela deu de ombros. – Você está pelo menos conversando com a mulher?
Estou, não se preocupe. Só tem dias que são piores... – Mesmo que tenha dito em sussurro o pai dela ouviu.
E quando for, você não precisa passar pela dor sozinha. Mesmo que não queira me ver, você tem seus irmãos... Oliver...
Desculpa por não te receber esses dias. – Ele balançou a cabeça. – Eu só... Me lembro muito da mamãe quando está por perto.
Eu entendo, querida. Tommy têm me dado as notícias. – Ela sorriu.
Mesmo que eu esteja afastada... Isso não quer dizer que eu não amo você, papai. – Ele se levantou para beijar sua testa.
Também amo você, filha. – A abraçou e ela correspondeu.
CONTINUE...
Ate: Tomate
Giafa: Girafa
Lilinha: Coelhinha
Dinda: Madrinha
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