Kupidon

77 Capítulo Cinquenta e Cinco


Notas iniciais
Como prometido, aqui estou eu, com mais um capítulo. Eu sei que disse que seriam três, mas acabei de perceber que são quatro. Mas não surtem. Eu venho depois do almoço com o penúltimo e poucas horas depois, venho com o próximo. Sem mais... Boa Leitura!!

Felicity era incapaz de raciocinar, naquele momento. Ele havia pedido algo dela, algo que ela nunca daria. Não sem que ele a forçasse. E ela sabia que ele faria. O conhecia como ninguém. E como odiava conhecer aquele homem. Ele dizia que a amava, como um louco. Dizia que seriam felizes, como se estivesse drogado. Mas não era isso, ele só era um maldito psicopata, ela pensou. Os olhos dele brilhavam, enquanto a olhava de cima a baixo, de forma maliciosa. Ela estremeceu só de imaginar ele tocando-a como antes. Sentia nojo só de imaginar os lábios dele contra sua pele, contra seus lábios. Queria que tudo fosse um pesadelo. Queria estar com o marido, com as filhas, com sua família, e não tendo que passar por todo aquele horror novamente. As lembranças dos dias em que passou com ele, a anos atrás, lhe vieram como um filme. O olhar dele sobre seu corpo, a fez se lembrar das mãos dele passeando, tocando, cada parte, enquanto a beijava. E ela teve vontade de vomitar. Seu corpo tremeu quando ele se aproximou com um sorriso. O mesmo sorriso nojento de sempre.

Quanto tempo eu não esperei para tê-la de volta. – A mão esquerda tocou o rosto, que virou para o lado, evitando o longo toque. – Foram tantos anos..., tantos anos a sua procura, tantos anos escondendo você de mim... – Balançou a cabeça. – Mas eles se arrependerão por isso. – Ela o olhou, com os olhos arregalados.

Por favor, Cooper, não faça nada com minha família.

Sua família sou eu, vai se acostumando.

Você prometeu que os deixaria em paz.

Eu prometi não fazer nada a sua irmã. – Retrucou. – E você tem que ser boazinha comigo para que ela continue viva. – Ela engoliu em seco. Ele suspirou, mudando drasticamente de humor. — Eu te amo tanto.

Você não sabe o que é amor.

Claro que eu sei. É o que eu sinto por você.

O que você sente é doença. – Irritado, ele levou a mão no rosto dela, de forma que fizesse o rosto dela esquentar. – Eu nunca vou te amar, Cooper, só o que sentirei por você será nojo e desprezo. – Dessa vez, a loira caiu no chão, por conta da bofetada brutal que levou.

Você ficou muito abusada, Felicity. – Se abaixou, pegando nos cabelos loiros, puxando-os com certa força. – Onde está a Felicity medrosa, que fazia tudo que eu mandava, hein? – Os olhos dela encheram de água, e ele a levantou com brutalidade. – Eis o que farei... – A soltou. – Deixarei para lidar com sua família depois que me satisfazer de você. – Ela estremeceu mais uma vez. – E meu amor..., vai ser delicioso.

Ele a beijou em seguida, e Felicity sentiu tanto nojo, que a vontade de vomitar voltou. Ele a obrigou a aceitar sua língua, e mesmo que quisesse empurrá-lo, ele era muito mais forte que ela. As mãos dele tocaram sua cintura, de forma possessiva – tão diferente de como Oliver a tocava –, e colou seus corpos, passando as mãos pelas costas, por cima da roupa que a loira usava. Felicity se aliviou quando ele se afastou – sem deixar de tocar seu corpo. Queria passar a mão nos próprios lábios, mas não conseguiu, ao se ver presa a ele. Ele segurava seus braços, enquanto a abraçava.

Como eu senti falta do gosto de seus lábios, querida. – A beijou novamente, dessa vez, apenas um selinho. – Dessa vez não vai conseguir fugir de mim.

Eu não vou ser sua. – Os olhos dele brilharam em ira.

Isso é o que vamos ver. – A jogou na cama, sem pensar se estaria machucando-a. – Estou esperando por isso a muito tempo.

Felicity se assustou com a brutalidade que ele tirou suas roupas. Cada peça foi ao chão, em um piscar de olhos. Os olhos castanhos claros contemplavam o corpo nu abaixo de si, com pura luxúria. Ele sentiu a boca salivar, sua mão esquentar em desejo de tocá-la, e foi o que fez, lentamente, começando pelas coxas fartas. Felicity tremia dos pés à cabeça, mesmo com o corpo do homem sobre ela. Ela fechou os olhos, enojada, quando sentiu os lábios dele por seu pescoço, colo, seios, barriga, deixando marcas por onde passava. Ele não parecia se importar com o fato de ela estar grávida – pelo menos não naquele momento.

Ela começou a soluçar. Não havia conseguido reprimir aquela vontade gritante de chorar. Cooper a ouvia, mas não dava atenção. A loira começou a se mexer, tentando afastá-lo, mesmo sabendo que isso o faria ficar furioso. Se debatia, o empurrava, pedia para ele não fazer, mas ele não se importava com as lamúrias. Ela começou a pedir, implorar: por favor, por favor, não faça isso. Não adiantou, foi inútil, como ela já saiba que seria. As mãos dele começaram a apertar de forma que a machucava, e quando, por puro desespero de sua parte, ela levou a mão ao rosto dele, lhe dando um tapa, e mesmo com medo, ela olhou nos olhos dele, vendo a irritação irradiando por eles. De repente, seu rosto novamente ardeu, por conta da nova bofetada.

Se fosse aquele maldito, você não estaria implorando para parar, não é? – Ela fungou, balançando a cabeça, ainda tentando afastá-lo. – Mas você vai esquecê-lo. – Tocou os seis com as mãos, gemendo o nome da mulher abaixo de si. – Você me excita tanto, querida. – Felicity se desesperou quando Cooper tirou a bermuda e a boxer que vestia.

Por favor, não.

Ele se colocou em cima dela novamente, voltando a beijá-la. Ela tentava empurrá-lo, mas ele a apertava contra o colchão. A respiração dela estava acelerada, e ela sentia náusea por ouvi-lo gemer seu nome enquanto a tocava. De repente seus olhos encontraram o abajur, e mesmo não tendo certeza de que não era de plástico, ela esticou a mão para pegá-lo.

Tão linda..., tão perfeita. – Os beijos não pararam desde que ele ficou nu diante dela. Uma das mãos dele seguravam a cintura, enquanto a outra segurava o próprio membro. – E minha. Oh, minha. – Geme. Felicity consegue pegar o objeto, mas Cooper percebe e com rapidez, tira da mão dela. – O que pensa que está fazendo? – Rosnou. – Eu deveria saber que não ia ser fácil, não é?

Não faz isso. — Ela praticamente chorou.

Eu ia ser gentil, Felicity. Mas você estragou tudo, como sempre faz. – Ela começou a se debater nos braços dele, quando percebeu o quão furioso ele estava. Tentava empurrá-lo, mas ele era mais forte. – Você vai ser minha..., você querendo ou não. – Ela gritou, quando sentiu dois dos dedos dele em sua entrada, de forma bruta. O choro dela se intensificou. – Geme pra mim, geme, Felicity.

Ele ordenava enquanto a estocava com força, com os dedos, sem se importar com o som do choro intenso. Ele gemia o nome dela, falava palavras maliciosas e a tocava com uma só mão, enquanto a outra segurava os pulsos da loira, na intenção de não a deixar pegar mais nada que pudesse o interromper. Ela pedia para ele parar, enquanto chorava, dizia que estava a machucando, mas ele não a ouvia. Continuava com os mesmos movimentos bruscos. Quando finalmente ele soltou os pulsos dela, Felicity não conseguiu raciocinar, ou se mexer, pois no instante seguinte, sentiu o membro dele adentrá-la de forma violenta, fazendo-a gritar de dor, apertando os lençóis abaixo de dela.

**--**

Oliver não sabia mais o que fazer. As gêmeas perguntavam pela mãe todos os dias, perguntava sobre o que estava acontecendo, e ele sempre tentava ser positivo, dizendo que logo ela estaria de volta. Não contou sobre Cooper. Elas eram novas demais para saber sobre o homem que causou tão mal a mãe delas. Seria mais traumático do que já estava sendo. Lyon era outro que não parava de perguntar pela tia, e assim como as primas, ele tinha pesadelos todos os dias. Para seu desespero, o menino havia contado tudo o que presenciou não só ao pai, aos tios, e aos avós, mas também aos Palmer. Os garotos ficaram não só curiosos com relação ao relato, mas também assustados. E isso estava deixando os pais das crianças preocupados. Eles não imaginaram que o pequeno Merlyn acabaria contando aos outros sobre o que houve durante o sequestro, mas imaginaram que ele queria desabafar com alguém de sua idade. Apesar de tudo, não estavam irritados com o menino, o que ele passou havia sido traumático demais, e por isso o compreendia.

Oliver parou no batente da porta de seu próprio quarto, de braços cruzados. Elas finalmente dormiam. Tranquilas. Ele só se perguntava, por quanto tempo. Nesses últimos dias elas não passavam mais de duas horas sem um maldito pesadelo. E isso o deixava mais irritado, porque se não fosse por aquele homem, elas não estariam passando por aquilo. Nem suas filhas, e muito menos seus sobrinhos; isso incluía Killian, Andrew e Adam. Suas mãos apertaram os músculos dos braços, tentando se acalmar. Mas era impossível. Sua esposa e filhos não deixavam seus pensamentos nem por um segundo. E agora, mais que preocupado com ela, ele estava com suas pequenas filhas. Elas tinham apenas sete anos e meio. Eram muito novas ainda, e já tinham passado por tanto coisa. Elas não mereciam mais aquele trauma para a vida delas.

Mesmo que estivesse cansado — exausto, na verdade —, ele não dormiu. Ficou ali, em pé, de olho nas gêmeas. Não tiraria os olhos dela nem por um segundo, pelo menos não até ter a certeza de que elas ficariam bem naquela noite. Ele pedia, para que os pesadelos que faziam suas filhas não dormir o resto da noite, não as atormentasse. Havia passado algumas horas, até que seu celular tocou. Ele se afastou um pouco, apenas para que a conversa não atrapalhasse o sono de April e Amily, e no corredor, atendeu a chamada.

Gregory.

Nós conseguimos convencê-lo a nos ajudar, Oliver. — O Queen suspirou, aliviado. — Mas ele quer te ver. Ele quer conversar com você.

Por mim tudo bem.

Ele já está sabendo do resumo da história. Acho que seria interessante você mesmo contar a ele.

E ele vem sem a família? A esposa dele não vai se incomodar?

Ela disse para ele o ajudar. — E Oliver se sentiu agradecido. — A família dele também irá para Star City com o nosso ex-chefe.

Eles podem ficar aqui. — Olhou ao redor. — Vou pedir para que Alysa arrume os quartos.

Okay. São seis crianças. — Oliver ouviu um “não somos mais crianças” vindo de alguém.

Vocês estavam ouvindo minha conversa? — Oliver riria, se não estivesse em uma situação crítica. — Pestes. Então, Oliver, são quatro crianças, e dois pré-adolescentes. —Frizou a última palavra. — Felizes?

Dá para o gasto.

A cada dia você está mais parecido com seu pai, até nas respostadas. — Oliver não conseguiu conter o sorriso ao ouvir um bufar do outro lado. — Então, Oliver, tudo certo?

Vou deixar tudo organizado. Agradeça a ele por mim.

Você pode agradecer quando ele chegar aí. – O outro concordou. – Nós vemos daqui treze horas. — Eram quatro horas da manhã, então eles chegariam por volta das 17h da tarde.

Tomem cuidado.

Não se preocupe.

Oliver desligou a chamada, e voltou para o quarto, dessa vez entrando, e sentando-se na poltrona em frente a cama. Ele não sairia daquele cômodo, não desviaria os olhos das filhas, e por mais que seus olhos pesassem, ele não dormiria. Em algumas horas teria visitas, e se tivessem sorte, o homem no qual ainda não conhecia, conseguiria encontrar Cooper o mais depressa possível.

**--** **--**

Felicity queria muito não estar ali. Queria estar debaixo do edredom, tentando se sentir protegida, mas foi impossível. Ele estava obrigando-a a estar ali, tomando café com ele. Uma mulher colocava as coisas na mesa, mas ela sentia o estômago embrulhar, só de sentir o cheiro. Não conseguiria comer, muito menos olhando para a cara do homem que estava fazendo, novamente, sua vida virar um inferno. Desviou os olhos para ele, e o viu dar um sorriso. Ela se perguntava por quanto tempo teria que aguentar aquilo tudo.

Mesmo sabendo que seria um perigo para seus filhos, ela gostaria de dizer algumas verdades a ele. Dizer tudo que estava engasgado em sua garganta. Ela sentiu os filhos se mexerem. Era tão injusto. Ela e o marido nem mesmo sabiam o sexo dos bebês, e agora, ela estava ali, e tudo poderia acontecer. Seu corpo estremeceu, só de pensar na possibilidade de perder aqueles bebês. As pessoinhas que ela amava tanto.

Estou falando com você. – A voz dele a fez voltar a si.

Eu apago sua voz da minha mente. – Ele franziu o cenho.

Coma.

Eu não quero. – Ele trincou os dentes.

Eu não perguntei.

Não vou comer, não estou com vontade. Vai me obrigar? – Ele deu de ombros, para a surpresa da loira.

Por mim, que seja. Talvez assim você perca esses malditos bebês.

O único maldito aqui é você. – Responde, irritada pela forma que ele falou dos filhos.

Controle sua língua, querida.

Vai para o inferno.

Vamos ver quem vai primeiro..., eu, ou os fetos que estão dentro de você. – Ela estremeceu. – Acha que eu vou deixar que eles fiquem vivos?

Você não seria tão louco...

Não quero nada que me lembre o desgraçado do Queen. – A interrompeu.

Eu não vou deixar que faça nada com meus filhos. – Ambas as mãos foram parar na barriga elevada.

Então..., você quer saber sobre o que eu fiz durante esses anos em que fiquei longe? – Mudou de assunto, fazendo Felicity franzir o cenho.

Não.

Eu abri uma empresa. Aquela que eu quis fazer uma aliança com seu pai. – Gargalhou. – Seu pai deve estar louco agora, não é? – Ela não respondeu. – Então..., abri a minha empresa, fiz amigos importantes, e consegui com que limpassem meu nome.

Foi assim que conseguiu se safar de tudo que fez, por esses anos todos?

Fácil, não? Seu marido deve saber o que é isso. Aquele playboyzinho rico.

Inveja mata, Cooper. – Provocou.

Mas então, eu fui preso, e condenado, então eu tive que começar uma rebelião no presídio. — Ela arregalou os olhos. — Comprei algumas pessoas para que me tirassem de lá. E por isso, eu finalmente consegui tudo o que eu mais queria, meu amor. Você.

Você é completamente desequilibrado. — Sussurrou.

Você disse que queria saber onde estava Noah. – Ele percebeu que ela havia ficado interessada. – Ele foi pego, infelizmente, mas eu salvarei o meu querido amigo.

Amigo? – Debochou. – Você não tem amigos.

Ele me ajudou..., é meu amigo. – Ela teve nojo. – Seu marido está desesperado, pelo que sei. Está te procurando como um louco, mas não vai encontrar.

Como você mesmo vive dizendo..., isso é o que veremos. — Ele a olhou fixamente, antes de dar de ombros.

Termine de comer, eu tenho algumas coisas para fazer. Vou ter que sair, mas eu volto bem rapidinho para você.

Espero que morra no caminho. – Sussurra.

**--**

Oliver odiava esperar. Ele odiava mais ainda, ter que esperar que o maldito finalmente falasse tudo que sabia. Ele e os agentes tinham certeza de que Noah sabia sobre o paradeiro de Felicity. Cooper confiava nele. Não deixaria de contar, e por isso que o ex-chefe dos agentes estavam naquele momento, com o homem que que fazia seu sangue ferver — tanto quanto Cooper. Com a permissão de Mike, Oliver estava olhando tudo que acontecia pelo vidro do cômodo escuro. Do outro lado, Noah era jogado na mesa de madeira de forma brutal, enquanto seu rosto era destruído pelas mãos de Gregory. Ele ria, cuspia sangue, e dizia que não diria nada. De repente, Oliver percebe o sorriso do ex-chefe dos agentes. Ele estava encostado na parede, com uma das pernas inclinadas, com o pé apoiado na parede. Seus braços que estavam cruzados, descruzaram, e ele se aproximou de Noah. Oliver se surpreendeu quando o homem alto, tão alto quanto ele, pegou o traidor pelo pescoço, suspendendo-o com uma só mão, antes de prensá-lo na parede de frente para o vidro, onde Oliver poderia ver tudo.

É a minha vez de te fazer falar. — Apertou o pescoço com mais força, e Noah, sem perceber, levou a mão até o braço que o segurava. — Comigo é diferente, desgraçado. E você vai falar.

De repente, a cena, muda, e Noah está no chão, em frente a porta de que dava acesso àquele cômodo. Ele se encosta na parede, tossindo, tentando recuperar o ar, que faltava a alguns minutos atrás. Ele sente o braço dele ser rasgado, quando uma faca de lâmina reta, em aço inox. Não esperava por aquela ação. Olhou para o homem a frente e o viu com um sorrisinho nos lábios, e várias facas iguais em suas mãos. Gregory cruzou os braços, ao lado do ex-chefe, e sorriu. Havia tentado várias coisas, mas nada havia surtido efeito. Aquela brincadeira seria divertida, e claro, não deixaria de participar.

Eu nunca erro. Minha intenção era mesmo acertar seu braço. — Apontou com a faça. — Talvez eu devesse acertar alguma artéria..., o que você acha, Gregory?

Eu acho que seria uma ótima ideia, chefe.

Vocês não podem me matar.

Mas quem disse que vamos te matar? – Deu uma risada anasalada. – Nossa intenção é outra.

E muito mais eficiente. — Gregory completou.

Vou te contar como vai ser. Vamos fazê-lo sofrer por muitas horas, e depois de fazer com que te curem, voltaremos a mesma tática.

Eu não acho que ele aguente tamanha tortura. — Provocou.

Bom, ele aguentou as suas torturas. Foi mais forte do imaginei que seria.

Concordo. — Eles conversavam como se o outro não estivesse a frente deles. — Ele realmente foi mais forte do que aparenta ser.

Acha que seu corpo suporta perder tanto sangue? — O ex-chefe da equipe pergunta a Noah.

Não teriam coragem. — Rosnou. Os olhos dos outros dois faiscaram, e de repente, para a surpresa do homem sentado no chão, duas facas vieram em sua direção. Ele não conseguiu reprimir o grito, ao sentir uma acertar seu estômago, e a outra acertar seu pescoço.

Acho que acertei uma artéria, chefe. — Debochou, ao ver a quantidade de sangue sair do corpo do outro.

Eu tenho certeza de que acertou uma artéria. – Ele tentava respirar. – Por acaso quer falar alguma coisa? – Os dois riram, ao vê-lo engasgar na própria poça de sangue.

Eu acho que alguém precisa costurar aquilo.

Mas ele não precisa de anestesia.

Claro que não, chefe. Nós nem usamos isso aqui. — Os outros agentes, que observavam ao lado de Oliver, riram. Os outros dois estavam se divertindo às custas de Noah.

Ei, Mike, mande um médico aqui. Mas peça para ele ser rápido, porque eu estou começando a gostar dessa brincadeirinha. — Diz de forma sombria.

**--** **--**

O corpo dele contra do dela, os braços em volta de sua cintura, a respiração em seu pescoço, Felicity sentia tudo, e fazia o máximo para não se mexer. Ela tinha medo do momento em que ele acordasse. Quando sua respiração começava a se desregular, ela fechava os olhos e a obrigava a voltar a ficar normal. Não queria que ele percebesse nada, que ele sentisse seu corpo tremer. Ela ainda se lembrava do horror em que passou, mais um horror para sua mente passar como um filme em sua cabeça, mais um horror para se juntar a seus pesadelos. Ela tentou dormir, mas não conseguiu. Seus bebês não mexiam, e ela pedia mentalmente para que eles estivessem bem, ao mesmo tempo em que implorava para que eles só se mexessem depois que estivesse sozinha. Depois que aquele homem já tivesse longe dela, que as mãos dele já estivessem longe de seu corpo.

Felicity sabia que em algum momento ele conseguiria pegá-la. Mas imaginar não era um terço do sentimento de realmente acontecer. Ela pedia, implorava, para que a encontrassem logo, ela não sabia quanto tempo suportaria, ou seus filhos. Ela temia por eles. Cooper havia prometido não fazer nada, mas ela não acreditava nas palavras de uma pessoa completamente desequilibrada. Ele mudava de humor constantemente e ela temia pelos bebês que tantos amava, que tanto esperou, que eram seus milagrinhos.

O corpo de Cooper se aproximou mais do dela, e ela abriu os olhos de forma imediata, mas sem mexer o corpo. Trancou a respiração e ficou imóvel. O medo que sentia era tão grande, que seus bebês sentiram, e ela não se aliviou quando os sentiu se mexer. A mão de Cooper saiu de cima da barriga assim que eles chutaram, mas ele não disse uma palavra, e ela agradeceu mentalmente por isso. A mão que estava na barriga começou a acariciar o braço esquerdo da loira que ainda estava imóvel, enquanto a outra retirava os cabelos que o atrapalhavam a beijar o pescoço exposto. Ela fechou os olhos, sentindo nojo, e esse sentimento era tão forte quanto o do medo.

Bom dia, meu amor. – Ela odiava que ele a chamasse daquela forma. – Você dormiu bem? Hum? – Não suportando mais as carícias, ela o afastou, sentando-se, apoiando as costas na cabeceira, sem olhar nenhuma vez para ele. – Te fiz uma pergunta, é tão difícil de responder? – Ela engoliu em seco ao perceber a mudança de humor.

Eu não dormi bem.

E a culpa com certeza é desses fetos malditos.

Eles não são malditos. – Por mais medo que tinha dele, não iria deixar que os chamasse daquela forma. – E não foram eles os causadores da minha falta de sono.

E o que foi então? – Ela queria gritar “você”, mas não o fez.

Não sei. Fiquei com insônia.

Pode ser a casa. Ainda não se acostumou, ela é um pouco... – Franziu o cenho. – Fechada demais. Mas vai se acostumar.

Se você acha. – Ele a olhou por um momento, sem dizer uma palavra, e então o viu se sentar.

Está calminha demais, porque acho que está aprontando alguma coisa?

Eu não quero você me machucando, então sim, eu estou calminha. – Desceu da cama, já cansada daquela conversa.

Te machucar? – Ele seguiu atrás dela, mas antes que ela pudesse fechar a porta do banheiro, ele passou por ela, colocando-a entre ele e a pia. – Quando foi que eu fiz isso? – Ela engoliu em seco. – Eu te dei todo meu amor essa noite.

Desde quando fazer o que fez, contra minha vontade, é amor? – Quando percebeu, já havia falado, e por medo, ela se repreendeu por tal.

Se fosse com aquele desgraçado... – Rosnou a última palavra.

Ele é o homem que eu amo, Cooper. Você querendo ou não, ele é o homem que eu amo, e você não pode fazer nada para mudar isso. – A face esquentou segundos depois. Ela não estava surpresa pela bofetada, ou pela forma que ele segurava seus braços com força, ou pela forma que ele a olhava; raivoso.

Vou avisar pela última vez, Felicity... – Apertou com mais força as mãos contra o braço extremamente branco da mulher. – Não diga que o ama.

É a verdade. Quer que eu minta?

Quero que esqueça que o amou. – Frisou a palavra no passado. – Quero que esqueça que o conheceu ou aquelas pestes que você chama de filhas e sobrinhos.

Isso não vai acontecer. – Fechou os olhos no instante seguinte, ao sentir as mãos grandes a apertar mais um pouco.

Isso não é um pedido..., querida. Toque no nome daquele homem novamente, diga que o ama, mais uma vez, e quem vai se machucar vai ser o sobrinho que você tanto ama. – Ela arregalou os olhos. – Ou eu devo pegar o filho do outro casal? Killian, o nome do garotinho, não?

Não. Não faça nada a eles, por favor.

Então não me teste. Ou a próxima vítima pode ser até mesmo as bebês de suas amigas. – E ela estremeceu. – Eu não vou me importar de mandar sequestrar aquelas malditas crianças.

Okay. – Concordou, desesperada. – Eu..., eu não digo mais nada. Mas não faça nada com eles. – Seus olhos lacrimejaram. – Eles são importantes para mim, eu os amo, Cooper..., não faça nada.

Não, não chore. – Limpou as lágrimas que caíam pelo rosto alvo, com carinho. – Não farei nada. Temos um acordo, afinal de contas, não? – Ela balançou a cabeça.

Vamos tomar um banho, preciso sair. Estarei fora pelas próximas horas.

Não vai fazer nada com minha família, não é? – Ele sorriu.

Eu prometi que não faria. Acredite, por mais que eu queira, não o farei. – A puxou para o banho, por mais que ela estivesse tremendo da cabeça aos pés. – Estão procurando por mim e Noah está com eles. Preciso de alguma forma resgatá-lo. Estarei planejando isso. – Ela não respondeu, sua atenção estava nas mãos dele sobre seu corpo nu. – Mas não irei me demorar tanto para voltar, meu amor.

Que se dane. – Sussurrou, não o deixando ouvir. Ela esperava que ele demorasse e muito naquela maldição que estava planejando.

**--** **--**

Oliver deixou a casa mais cedo naquele dia. Precisava chegar à agencia em menos de meia hora, pois uma nova tentativa de tirar informações de Noah começaria. Não estava sendo fácil, ele não estava acostumado a ver o que via naquele lugar, mas não se importava. Ele passou a ficar normal com as coisas que via. Tommy, Barry, Ray e Roy sabiam de tudo, ele havia contado, mas nenhum dos três quiseram ver tal coisa. Não por não ter estômago para tal, mas por não gostar de violência, e eles sabiam que o maldito merecia passar pelo que estava passando. As mulheres sabiam que estavam tentando tirar informações do traidor, mas elas não faziam ideia de como isso era feito. Tinha feito esse acordo com os maridos e namorado delas, e o Queen concordava que ouvirem sobre o que estava acontecido com Noah, não faria bem a nenhuma dela, principalmente às grávidas.

As gêmeas estavam com todos seus amigos, que haviam decidido cuidar delas, na intenção de fazer com que os primos as distraíssem, por mais que soubessem que em algum momento eles fossem conversar sobre a tia amada. Tommy havia contado que Lyon estava tendo os malditos pesadelos ainda, que ele não dormia mais sozinho, desde que tudo ocorreu, assim como as gêmeas. Helena e Ray disseram o mesmo, mas isso não foi uma surpresa para Oliver. Seu sobrinho havia contado aos primos tudo que viu naquele dia, e por isso ele imaginava o medo das crianças, a preocupação para com a tia deles, e os pesadelos que viriam ao imaginar a cena que Lyon havia presenciado. Com as gêmeas era o mesmo, e elas não tinham visto metade das coisas que o primo viu.

Obrigado por ficarem com elas aqui. — Agradeceu antes de sair.

Não tem que agradecer. — Tommy diz, abraçando-o pelos ombros. — E muito menos se preocupar.

Eu sei que cuidarão bem delas.

Sempre. — Laurel diz sorrindo.

Isso de meia forma ajudam as nossas crianças também.

Verdade. Eles precisam se distrair. — Barry diz, depois do comentário da ex.

Não os deixe ficar falando novamente sobre o que houve, por favor. – Pede, preocupado.

Ficarei de olho. —Thea promete.

Eu vou planejar uma brincadeira para distraí-los. — Roy completa.

Obrigado.

Isso vai ser ótimo. A conversa deles quando não está voltada na Felicity, está voltada nos pesadelos por conta do que houve com a Felicity.. – Barry comenta, pesaroso.

Infelizmente é o que vem acontecendo sempre que se encontram. — Ray diz.

As gêmeas têm tido pesadelos toda noite, toda maldita noite. – Bagunçou os cabelos. – Eu não gosto de ficar longe delas, mas eu preciso ver a interrogação.

E como está indo? – Laurel pergunta.

O maldito é resistente.

Até quando? – Ray diz. – Não acho que vai suportar por tanto tempo.

Não gosto nem de imaginar o que ele deve estar passando.

Apesar de merecer. – Thea completa depois de Laurel. – Eu também não gosto.

Então não imaginem. – Tommy diz. – Vocês não precisam pensar nisso.

Espero que ele fale de uma vez. Ela já está com ele a quase uma semana.

E é perturbador. — Oliver concordou com Barry.

Você disse que o ex-chefe é pior que Gregory.

Então o traidor deve estar sofrendo muito. – Helena diz depois do marido.

Contando que ele diga onde está minha amiga, eu não me importo com o que aconteça a ele. – Eles olham para Caitlin, que estava séria. – Só quero ela em casa.

Então somos dois. – Oliver diz, antes de soltar um suspiro.

Ela voltará. Logo. – Laurel diz de forma confiante.

Eu vou indo.

Vou subir para ficar com as crianças.

Obrigado, Thea. – A irmã se afastou.

Eu vou com ela. – Roy a seguiu.

Bom... – Chama a atenção dos amigos. – Eu avisei às gêmeas que eu não venho para o jantar, mas chego para colocá-las na cama. – Eles assentem. – Se elas precisarem de mim...

Não se preocupe. – Tommy e Barry acabam dizendo juntos.

Até mais tarde então.

Vai com cuidado. – As mulheres dizem ao mesmo tempo, observando-o junto de seus maridos, a sair porta a fora.

Quando entrou naquela sala extensa, encontrou todos os agentes olhando pelo vidro e por saber onde estava e o quão importante o momento seguinte seria, expulsou qualquer outro pensamento de sua mente, qualquer preocupação que tinha com as filhas, para se concentrar no que veria atrás daquele vidro. A tortura ainda não havia começado, Tyler contou assim que o viu passar pela porta. O traidor encava os outros homens que estavam de braços cruzados e sorrisos maldosos no rosto. Assim como eles, Oliver percebeu o medo nos olhos de Noah e ele gostou. E como gostou de ver aquilo. Esperava que ele sofresse muito mais, sofresse por trair a equipe, sofresse por submeter a esposa a todas as maldições que ela passou naqueles anos, sofrer por ter entregue ela à Cooper Sheldon.

Pronto para mais uma “leva” de tortura? – Gregory se pronunciou, fazendo o outro estremecer.

Notas finais
Postei e corri!! Por favor não me matem.