06 de janeiro de 1927

Uma tarde linda. Ouviam-se os sinos da igreja tocando, era o anuncio da 5º reunião de conselheiros de Mystic Falls e Wolfsberg, sobre uma aliança de paz entre ambos, com um maravilhoso baile chamado "Baile da União" na cidade que se localizava entre elas. Era uma cidade pequena e sem nome. Uns diziam que era a cidade dos gritos agudos. Tinha esse reconhecimento devido ao vento que soprava, ao anoitecer, entre as árvores, criando assobios agudos.

Lá estavamos nós. Completando o nosso 16º aniversário, dois dias antes do “baile da união”em nossa cidade. Sim, eu e minha irmã moramos na pequenina cidade entre Mystic Falls e Wolfsberg. Somos gêmeos. Nosso cabelo é um loiro castanho que lembra a terra e todos dizem que nossos olhos são de uma tonalidade verde claro inexplicável. Acho que são só verdes mesmo.

Enfim, eu não estou muito animado para esse baile e nem minha irmã, mas nossos pais fazem parte do conselho. Nossa mãe nasceu em Mystic Falls e nosso pai, em Wolfsberg. Com pais nascidos um em cada uma das cidades do conselho, eramos obrigados a comparecer a todos os eventos.

Minha irmã fica doida só de ver aqueles vestidos longos e decorados. Ela prefere algo mais "livre": Botas, calças, camisas....mas NADA DE VESTIDOS OU SAIAS. A única coisa que a deixou um pouco feliz foi saber que o baile seria de noite, perto do grande bosque (maior bosque que existe em nossa cidade).

Duas coisas que temos muito em comum. O nojo por roupas chiques e o amor pelo fim do dia.

Não sei o porquê, mas nós temos certa afinidade com a noite. Preferimos poupar energia de dia e ficar a noite inteira sobre o luar, correndo pelo bosque que fica a poucos metros de nossa casa(que por coincidência é o "grande bosque").

E é o que faremos esta noite, no fim do nosso aniversário. Vamos sair correndo para comemorar com a natureza, mais um ano de vida.

Passaram-se horas de batidas na porta e de pessoas, muitas desconhecidas da vizinhança, entrando para dos presentear com um simples parabéns e uma confirmação de cerimônia ao entardecer.

Que cerimônia? Perguntei-me antes que minha mãe subisse para acordar Jess (seu nome é Jesmiere, mas como ela odeia esse nome, ela prefere que a chamem por Jess ou Jessa):

– Uma comemoração ridícula para nosso aniversário, Jay! Disse ela respondendo minha pergunta.

Como? Como ela ouviu o que eu tinha falado? Estava na cozinha me despertando com um chá, sussurrando para meus pensamentos, e ela estava no andar de cima. Repito... COMO? Mas antes que pudesse fazer essa pergunta a ela, nossa mãe deu um grito:

– O que eu já lhe disse sobre sair descalça do banho? Você nunca aprende Jesmiere McGugarat?

Nossa, nessa hora me arrepiei. Jess não só odiava o nome como odiava mais ainda no sobrenome. Não a culpo, eu também acho um nome ridículo... McGugarat.

–E você, Senhor Jaymiere McGugarat? Não vai se arrumar hoje?

Virei-me e caminhei até o quarto com Jess.

Não ria! Eu sei que meu nome é tão ridículo como o de minha irmã, mas quando nascemos existia uma lei para imigrantes nesta cidade, dizendo que por cada nome era cobrado umas 15 libras, e nossos pais vieram para cá antes de se conhecerem. Se conheceram aqui, casaram-se e mamãe ficou grávida de gêmeos: Um menino e uma menina.

Naquela época eles não tinham tanto dinheiro e estavam guardando o que tinham para sustentar a família que iria aumentar. Por isso nos deram os nomes mais baratos que eram aqueles terminados em “miere” e papai queria que o começo dos nomes fosse similare: Jay e Jes.