Krytus
4 Talk
–Bom dia queridos! Nossa mãe falava com uma voz calma, mas ao mesmo tempo apavorada.
–Mãe... Bom dia. Do que falavam no rádio?
Ela se virou para o armário e perguntou o que queríamos para o café. Repetimos a pergunta e ela se virou e disse que poderia fazer uns ovos mexidos. Ela mudava de assunto todo minuto:
– MÃE, NOS RESPONDA!
– Vocês são muito jovens, não precisam se preocupar.
Continuamos a encara-la. Jess não aguenta ficar de boca calada nessas horas.
–A senhora vai nos responder a pergunta ou eu vou ter que perguntar aos guardas do prefeito?
Eu não acredito! Com tantas coisas para se fala, ela resolve falar dos guardas. Se bem que foi algo sábio o que Jess disse, ela encarou nossa mãe. Agora o que ia acontecer em seguida é o que me preocupava.
– Os guardas foram mortos, assim como outras pessoas. Uma criatura aterrorizante atacou a cidade e matou 14...
Os trechos, aqueles trechos voltaram a aparecer na minha cabeça enquanto ela falava. 14 mortos, guardas, mulheres e homens. Por que eu não me lembro da noite passada?
–... As medidas de segurança foram anunciadas no rádio.
Papai entrou em casa, ele estava fumando seu cachimbo e ouviu a conversa:
–Atenção seus irresponsáveis! Vocês nos mataram de susto ontem à noite...
Meu deus! Será que ele sabe daquela história?
–... Vocês saíram sem avisar e com este perigo por ai vocês podiam ter sido mortos.
Nossa que alívio.
– Mas não foram, Gylber.
– Não podemos arriscar a segurança de nossos filhos, Rosál.
Era muito raro nossos pais se chamarem pelo nome.
– Muito bem, vocês estão proibidos de sair desta casa a partir da 18h, e quero-os na cama às 21h, sem mais nem menos.
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Eram quase 18h, eu e Jess estávamos no bosque onde “tudo começou”. Estávamos tentando relembrar alguma coisa da noite passada, caminhando entre as árvores. Algumas tinham arranhões enormes, como se tivessem sido feitos por
garras e um tigre e em outras havia sangue espalhado por todos os cantos.
–Jess, achei algo!
Era um tronco meio oco na parte superior, mas a árvore era muito
alta. Não bastou 1 segundo de minha fala. Parecia um raio, ela se movimentou tão rápido que mal pude vê-la se movimentando e escalando a árvore.
–Anda. Sobe!
Fiquei tão curioso de saber o que tinha na árvore que (eu não podia acreditar) que subi com uma rapidez igual a dela. Daquele tronco oco na parte de cima, onde estávamos, se abriu um buraco com o leve soco que dei. Lá haviam dois cadernos velhos e sujos. De quem seriam?
Jess pegou um deles, no centro havia um redemoinho dourado com termino virado para a direita e uma letra R desenhada. Eu peguei o outro que também tinha o mesmo redemoinho, porem se acabava virado para a esquerda, onde havia uma letra G desenhada. Eram 18h osso pai estava a nossa procura.
Depois do banho, comecei a ler o caderno que obtive no tronco da
árvore: era um diário. O diário descrevia transformações sobrenaturais que aconteciam nas noites de lua cheia. Lua cheia. Noite passada foi noite de lua cheia. Continuei lendo:
“Meu corpo se sticava e se contorcia, eu havia perdido o controle, era de mais, a dor era de extrema força... [...] construi no porão uma jaula com tudo aquilo que poderia me segurar: correntes, remédios para me dopar... [...] Descobri que a primeira transformação leva mais tempo do que as demais [...] Após todos esse anos, aquela garota consegui me livrar da maldição... tudo teve um preço caro, mas eu confiava na mulher que escolhi amar: Rosál”
QUE? ROSÁL? MINHA MÃE?
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