Krytus
5 Been Lying
– O que aconteceu com mamãe? Jess perguntou após sair do banho. Pressionava a toalha sobre os cabelos molhados para tentar retirar o excesso de água.
De imediato, me contive em ficar calado, mas sábia que ela não era boba.
–Jay?!?! Responda.
Olhei para as páginas sujas e velhas daquele diário. Fechei-o rapidamente e direcionei meu olhar para seu rosto.
– Nada! Estava lendo. Tentando relaxar, relfetir um pouco.
É. Ela não é boba e percebeu na hora que eu estava escondendo algo dela. Não queria que se preocupasse com o antigo amante de mamãe, apenas virei a cabeça, encarei a toalha que ela havia deixado sobre a cama... Não demorou muito até que eu levasse uma bofetada no rosto (ah, claro. Nós temos o costume de nos “atacar” de vez em quando. Sabe, nada sério. Coisa de irmão).
– Ai! Ah por favor. Eu já estou todo machucado e você ainda quer me bater? Ela continuava a me encarar.
–Olhe só, eu não lhe devo satisfação. Vá cuidar da tua vida! Eu estava com raiva. Sentia minhas bochechas queimarem.
–Seu tolo! É assim então? Deu-me outro tapa na cara. Dessa vez foi forte. Nunca nos batíamos com força, mas dessa vez ela agiu como se quisesse me ferir. Haha, e consegui me deixar mais furioso ainda. Nunca havia sentido tanta raiva sobre ela na vida, e nem ela sobre mim.
Levantei e avancei sobre ela até deita-la no chão. Segurei suas mãos para que não se levantasse.
Via seus olhos avermelhados ao invés de verdes. Também estava com raiva. Deu-me um chute no abdômen e cai a sua frente. Pôs-se acima de mim e segurava meus pulsos no chão.
Consegui me desprender e taquei-a contra a parede. Pressionava seus ombros contra a mesma, enquanto ela segurava meu pescoço tentando me enforcar, ou até quebra-lo Se prosseguíssemos eu arrancaria seus ombros e ela minha cabeça.
Que horror. Parecia que queríamos nos matar. E estaríamos nós conseguindo?
–PAREM! O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO? TENTANDO SE MATAR? Nossa mãe havia entrado no quarto apavorada.
Nos empurramos. Os olhos ainda estavam avermelhado de raiva e suspirava-mos cansados
–Pelo amor de Krytus! Vocês já possuem 16 anos e não amadureceram ainda?
Epa, epa...quem é esse Krytus aí? Seria o dono do diário que eu havia lido? Mas na capa havia um G esculpido. Um G de Gylber.... AI MEU SENHOR! GYLBER! O DIÁRIO ERA DE NOSSO PAI!
Mamãe pegou a toalha sobre a cama e saiu do quarto apavorada ainda com o fato de que quase nos matamos.
Um momento de silencio. Nossos olhos haviam voltado à cor original. Estávamos assustados, porém tentando demonstrar um ao outro ainda o sentimento de raiva.
Me levantei e estiquei a mão para ajuda-la a levantar.
– Você está bem? Me perguntava com uma voz calma e expressão preocupada.
–Não muito. Me sinto um monstro por ter te atacado. Desculpe-me!
Não me conformava do que havia feito. Apesar de que nos batíamos, era uma brincadeira inocente. Aquele momento parceria um batalha de vida e morte.
–Não! Não lamente. Eu é que me sinto, não... não sei o que aconteceu. Era como se a raiva fosse mais forte do que o fato de sermos irmãos. Me... me desculpa.
Mas o que houve conosco? Por que havíamos nos atacado de maneira tão brutal? Se mamãe não tivesse aparecido acho que Jess estaria sem coração e eu sem cabeça.
–Perdemos a cabeça... você quase arrancou a minha! Fiz uma ironia, mas deveria ter ficado calado.
– Estou chocada comigo mesma, de coração... ainda bem, pois você quase arrancou o meu.
Começamos a rir da cara do outro. Ai, somos duas fabricas de ironia. Hehe.
Aquelas poucas risadas foram boas. Queria esquecer o fato de quase te-la matado, e ela a mim, mas não seria possível pelo simples fato de que queria descobrir por que das minhas ações.
– Eu estava lendo do diário que achamos, aquela marcado com G....
–E por que não me disse? Bom isso não importa mais... o que descobriu?
Peguei o diário e segurei a minha frente
– Gylber McGurat
– Papai?
–Correto. E o diário marcado com R suponho que seja ...
– Rosál Gragan! Mamãe!
(Essa é mais outra, nossos país misturaram seus sobrenomes quando casaram. O McGurat de meu pai e o final de Gragan, gan, de minha mãe. E surgiu o McGugarat.)
Jess se virou e abriu a gavetinha de seu criado mudo e retirou de lá o diário. Disse que havia lido uns trechos, mas não chegou a ver nenhuma anotação sobre Gylber. Respirou fundo e completou:
– Ela descreve alguns acontecimentos sobrenaturais como: “Tentava lutar contra meu próprio corpo, eu havia perdido o controle[...] Tranquei-me no quarto [...] Meus dentes rasgaram minha boca e os caninos se alongaram, meus olhos pareciam de uma cobra[...] tudo teve um preço caro,acredito que minha memória será apagada, mas não tenho fé em superstições bobas [...]”
– Esse foi o ultimo escrito dela, mas após 19 anos ela volta a escrever dizendo que sua memória parecia ter sido apagada após se casar: “[...] mas é como se minha mente tivesse sido apagada desde o dia de que sai de Mystic Falls[...] não me lembro de como cheguei aqui, só me lembro do homem que conheci e do dia em que deixei minha cidade[...]”
–Papai... digo, Gylber também descreve uma série de transformações, mas não diz nada sobre sua mente ter sido apagada.
Eis a questão: Será que papai se lembra de tudo o que havia acontecido com ele?
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