Notas iniciais
#ForçaLizzington Entendedores entenderão

Reddington chegou a Washington e se hospedou no apartamento de uma velha conhecida, que estava viajando para Istambul. Era uma noite fria e chovia bastante. Ele sentou-se em uma poltrona e ficou observando o fogo que ardia na lareira, a poucos metros de distância. Dembe aproximou-se e entregou-lhe um envelope amarelo.

— Sr. Kaplan pediu que eu lhe entregasse isso. Informou ele.

— Ok, Dembe. Pode ir embora. Amanhã entrarei em contato com você.

— Ok. Boa noite, Raymond.

— Boa noite, Dembe.

Pouco tempo depois, Red abriu o envelope e tirou algumas fotografias. Dentre elas estava a fachada de uma escola em Washington. Logo em seguida, veio a foto da qual ele estava ansioso para ver. Uma menina de cabelos castanhos claros, com um gorrinho roxo na cabeça. A imagem havia sido captada na hora do intervalo das crianças, na escola, e tinha sido tirada a metros de distância.

Alice

Os olhos de Reddington se encheram de lágrimas e ele tomou um forte gole de whisky. Depois, voltou a passar as fotografias. Nas últimas, ele se deparou com uma imagem que o fez cerrar os pulsos. Era uma foto feita de um momento, em que Ressler e Elizabeth se beijavam ao sair de um restaurante. Aquilo o irritou, mas ele foi obrigado a concordar consigo mesmo, que tal fato já era esperado. Afinal, Donald sempre esteve rondando Elizabeth, a espera de um momento que pudesse atacar. A vulnerabilidade dela nos últimos anos, com certeza havia contribuído para que tal fato se concretizasse. Ele não estava voltando para tomar o seu antigo posto. Conhecendo Elizabeth, ele sabia muito bem o que lhe aguardava. Ele havia voltado pela filha, mas também para derrubar Kraus.

Depois de ver as imagens, ele as colocou sobre a mesa que estava ao lado e voltou a tomar o seu whisky. Encostou a cabeça e aos poucos o sono foi chegando. Ao sentir seu corpo se entregar ao cansaço, Red foi entrando em um breu até perder os sentidos e adormecer.

Em seu sono profundo, ele começou a ver flashes do passado. De um corpo caído no chão, muito sangue e de uma criança quase morrendo em seus braços. Havia também um homem vestindo preto, com uma faca, da qual ele pressionava a ponta em seu próprio dedo indicador. Naquele momento, ele acordou com um susto e o copo de whisky que estava próximo a ele, caiu no chão e estilhaçou-se.

Naquele momento, Red olhou atordoado ao seu redor. Mirou seu relógio para ver que horas eram.

03:45 am

Ele coçou os olhos e se levantou. Foi até o quarto, tirou seu colete e camisa, e logo depois se jogou na cama. Ficou um bom tempo ali encarando o teto no escuro, mas com muitos reflexos de luzes, que atravessavam as vidraças do quarto. Red não era do tipo que assumia suas fragilidades, mas naquele momento ele sentiu falta do abraço de Elizabeth. Assim como ele havia sentido, por várias vezes, durante os quatro anos. Passou o dedo sobre a pequena cicatriz em seu peito, e do tiro que havia levado para salvá-la. O sono foi chegando novamente, até que ele conseguiu adormecer.

Quando veio o dia seguinte, ainda pela manhã, Dembe chegou cedo para acompanhar Red até seu próximo passo. Ambos seguiram até a escola St. John’s e ficaram parados próximos por alguns instantes.

— O que você pretende, Raymond?

Red ficou observando a visão através da janela do carro. Depois, encarou o relógio em seu pulso.

— Vou ver a minha filha.

Naquele momento, ele saiu do carro e colocou o seu icônico chapéu. Dembe definitivamente não sabia como Red faria aquilo, mas tinha noção do quanto astuto o homem era. Reddington seguiu pelos corredores da escola e teria que tomar muito cuidado, para que sua presença não fosse mal interpretada ali. Ele seguiu até a sala da diretora, mas antes teria que passar pela secretária. A mulher era uma moça de aproximadamente 30 anos, cabelos loiros e lisos. Aparentava considerável experiência na função.

— Bom dia! Cumprimentou Red.

—Bom dia! Respondeu a mulher.

— Bom, Srta... Disse ele mirando o crachá da mulher — ...Srta Stanford, eu estou aqui para tentar falar com a diretora. Ela está?

— Não, a diretora Clevens teve de ir a uma reunião. Posso ajudá-lo?

Red sentou-se e cruzou as pernas.

— Bom, meu irmão havia falado com ela outro dia, mas acredito que ela tenha esquecido.

— Dependendo do que for, eu posso ajudá-lo.

— Ah, sim Srta Stanford...

— Por favor, me chame de Rachel.

— Rachel, belo nome. Combina com você.

Ao ouvir tal elogio, a mulher sorriu.

— Me chamo Kenneth. Disse Red segurando delicadamente a mão da mulher e beijando-a. – Pois bem, Rachel, na verdade eu estou de passagem pela cidade. Minha sobrinha, Alice Scott, está em aula e eu gostaria muito de poder vê-la. Meu irmão havia entrado em contato com a Sra. Clevens para avisar que eu viria. Logo, só passarei 6 horas aqui em Washington e então consegui reservar algum tempo para poder vê-la. E seria muito triste ir embora daqui sem ver a minha única sobrinha.

A mulher olhava para Red com um forte brilho nos olhos.

— Bom, o intervalo é daqui cinco minutos. Você pode ir até o campo do lado de fora e vê-la.

A mulher deu um sorriso, visivelmente boba, para Reddington, que aproveitou e tomou a mão da mulher na sua e deu novamente um beijo.

—Muito obrigada, Rachel. Espero poder vê-la nas próximas vezes que eu vier aqui.

— Por nada, Kenneth.

Red se levantou e sorriu para a secretária. Depois seguiu pelo corredor até chegar ao campo. Lá fora, havia um grande espaço gramado e ele aproveitou para sentar em um banco de madeira mais afastado. Poucos minutos depois, o alarme da escola tocou e aos poucos, as crianças foram chegando para brincar. Ele ficou observando cada menina que passava pela porta, até que uma de cabelos castanhos claros, surgiu a passos calmos e foi para uma mesa de madeira que estava mais afastada do parquinho, onde as demais crianças brincavam. Debaixo do braço, ela levava uma espécie de livro e alguns gizes de cera. Red sentiu sem coração acelerar, pois era Alice que estava a poucos metros de distância dele.

Ele caminhou vagarosamente para chegar até ela. Tomando cuidado em desviar das crianças que corriam pelo local. Ele sentou-se calmamente a mesa e viu que Alice pintava algumas figuras no livro. Suas mãozinhas, delicadas, seguravam fortemente o giz de cera. Reddington sentiu um nó na garganta ao vê-la e não sabia nem por onde começar. Ela levantou a cabeça e encarou o homem de chapéu que estava diante dela. Mesmo parecendo bastante tímida, já que não estava com as demais crianças, ela sorriu para Reddington.

Nossa, como parece com Elizabeth. Pensou

— Você também quer pintar? Perguntou ela com um voz tão doce que Red quase não conseguiu responder.

— Sim, só não sei se eu levo jeito.

Naquele momento, ela entrou o giz de cera de cor azul. Raymond tirou seu chapéu e colocou sobre a mesa.

— Qual o seu nome, garotinha?

— Alice.

— Olá Alice, meu nome é Red.

— Red, você gosta de vermelho? ***(Referência ao nome em inglês ‘Red’)

— Uma das minhas cores preferidas. E a sua?

— Azul.

— Interessante. É a cor dos seus olhos.

— Como se escreve Red?

— R-E-D. Respondeu Raymond.

Naquele momento, Alice subiu no banco e apoiou as duas mãos na mesa e o joelho esquerdo. Pegou o chapéu de Red, que estava também sobre a mesa, e colocou na cabeça do homem.

—Achei legal. Disse ela sorrindo.

A atitude inocente de Alice desmontou Red totalmente. Os olhos dele encheram de lágrimas e foi naquele momento que ele percebeu que deveria ir embora, antes que alguém percebesse algo.

— Alice, eu terei que ir.

— Tá. Você nem quis pintar. Protestou ela docemente.

— Eu prometo que eu volto. Outro dia, tá?

A menina só balançou a cabeça e voltou a encarar o livro. Red saiu a passos lentos, mas com vontade de ficar ali. Quando entrou no carro, permaneceu-se calado. Dembe percebendo o silêncio, manteve-se também quieto.

...

Elizabeth chegara em casa, naquele dia, por volta das 22 horas. Alice já estava dormindo e babá estava apenas aguardando-a para ir embora. A agente bebeu um copo com água e subiu para o seu quarto. Antes disso, ela deu uma passada para verificar como a garota estava. Acendeu o abajur ao lado da cama, deu um beijo em Alice e ajeitou-lhe o cobertor. Ela percebeu que havia um papel sobre a cama e alguns gizes de cera. Ela se inclinou para pegar os objetos e foi naquele momento, que ela sentiu um frio percorrer suas entranhas. O desenho mostrava um homem, aos moldes e traços das mãos de uma criança, e este usava um icônico chapéu. Ao lado, Alice havia colocado três letras:

Red