Kraus Rostova No 02
4 Entrada triunfal
Notas iniciais
Elizabeth e Ressler continuavam interrogando o dono do bar, suspeito de fazer parte do tráfico de drogas comandado por James Page. Lizzie estava sentada, Donald ao seu lado e o homem, conhecido por Hewson, estava a sua frente. Aparentemente tudo tranquilo, até que uma dor repentina, em suas costas, começou a incomodá-la.
– Ressler, eu já volto. Avisou ao agente, cujo assentiu, mas a acompanhou com um olhar desconfiado.
Ela foi até o lado de fora para pegar um pouco de ar, na tentativa de melhorar. Cerca de 5 minutos depois, Donald apareceu com feições preocupadas.
– Keen, você está bem?
– Sim, só estou com uma dor forte nas costas. Mas acho que seja minha coluna, por causa do peso da gravidez.
– Quer que eu a leve para o hospital?
– Não, não. Vamos voltar ao QG.
Os dois entraram no veículo e seguiram de volta para o FBI. Elizabeth percebeu que a dor foi se intensificando e quando eles entraram na garagem do quartel, ela desceu do carro, mas quase não conseguiu se segurar em pé.
– Ressler!
Ao ouvir a voz, Donald correu e ao mesmo tempo, um dos agentes da SWAT, que sempre ficavam de plantão no local, correu para ajudar Elizabeth. Lágrimas de dor rolavam no rosto da agente.
– Eu acho que chegou a hora.
Ressler estava assustado, mas ajudou imediatamente a agente a entrar no veículo. Logo depois, também embarcou e pisou fundo, rumo à unidade de saúde mais próxima.
– Precisamos avisar ao Reddington. Disse o agente, que dividia a atenção entre o trânsito e Lizzie.
– Sim, mas ele não está em Washington. Sussurrava a agente.
Quando eles finalmente chegaram ao hospital, Donald desceu correndo para pegar uma cadeira de rodas. Sentou Elizabeth e atravessou a porta de entrada do local. A essa altura, a bolsa de Lizzie já havia estourado e a agente estava encharcada de suor.
– Por favor, eu preciso de ajuda, ela está em trabalho de parto.
Naquele momento, enfermeiras acolheram Elizabeth e a levaram para dentro. Donald acompanhou as mulheres.
– Você é o pai? Questionou uma das moças.
– Não. Estou apenas a acompanhando.
– Ok. Aguarde aqui fora, por favor.
Ressler foi barrado e não pôde seguir a agente. Ele aproveitou e pegou o celular para ligar para Red.
...
Red já estava em seu jatinho seguindo de volta para Washington. Por causa do encontro inesperado com Kraus, ele havia decidido deixar para outro momento a viagem que faria até o Rio de Janeiro. Ele estava sentado, pensativo, enquanto tomava uma cerveja. Os seus pensamentos foram quebrados quando Dembe apareceu ao seu lado, com o telefone nas mãos.
– O agente Ressler insiste em falar com você.
Red fez uma cara de reprovação, mas pegou o telefone.
– O que você quer, Donald?
– Keen está em trabalho de parto.
Naquele momento, Red sentiu um nó na garganta.
– Onde ela está?
– No hospital. Agora eu que pergunto, onde você está?
– Donald, não sou um homem qualquer para você fazer um questionamento desses e dessa maneira.
– Olha, Reddington, ela precisa de você aqui.
– Eu já estou a caminho, Donald. Obrigado pelo aviso.
Naquele momento, Red desligou o telefone. Sentiu uma ansiedade enorme preencher o seu corpo. Em cerca de 30 minutos, ele chegaria a Washington. Sentiu-se angustiado por não estar com Elizabeth no hospital, mas desde que a agente completara nove meses, ele havia evitado viagens longas, a fim de estar com ela no grande dia. Coincidentemente, ele havia sido chamado para essa reunião de urgência e no mesmo dia, Lizzie havia entrado em trabalho de parto.
– Agilizemos com esse avião, que minha filha está a caminho! Gritou ele para o piloto. Dembe, que estava na cabine, virou-se e deu um enorme sorriso.
Por sorte, Elizabeth havia começado a sentir as contrações, mas ainda não havia chegado a hora. Sua bolsa havia estourado, mas ainda não era o momento exato. As dores a fazia lembrar-se das várias vezes que ela zombara com Red, sobre o fato de não ser nada fácil ser mulher. Entre uma lágrima e outra, ela pensou no quanto gostaria que ele estivesse com ela ali, naquele momento.
...
Red chegou ao hospital e foi de encontro a Ressler. Navabi havia acabado de chegar também, e estava com feições preocupadas.
– Onde ela está? Questionou Red ao ver os dois.
Naquele momento, um médico se aproximou dos três.
– O pai da criança, é algum de vocês dois?
– Sou eu. Eu preciso acompanhar o parto da minha mulher. Apressou-se Reddington, de forma incisiva. Navabi o encarou com um sorriso no canto dos lábios.
– Ok, me acompanhe.
Naquele momento, Red acompanhou o médico, que o levou até uma sala onde ele vestiu roupas ideais para o momento. Um nervosismo tomava conta de seu corpo. Ele já havia feito aquilo uma vez, há bastante tempo, e tinha sido um dos momentos mais felizes da vida dele.
...
Navabi estava de braços cruzados, em pé e próxima a Ressler. Estava com um sorriso no rosto, que chamou atenção do outro agente.
– O quê? Questionou Donald a olhando de relance.
– Você sabia desse detalhe?
– Ora, acho que todos já sabiam.
Navabi passou a mão na nuca, abriu um enorme sorriso e deu as costas para Donald.
...
Elizabeth já estava no momento de ter a criança. A dor já havia se tornado tão intensa, que ela sentia-se como se os ossos do seu dorso estivessem se quebrando. Sua visão estava turva e o suor escorria vorazmente em seu rosto. Naquele momento, ela viu um homem se aproximar. Chegou a pensar por alguns instantes que fosse o médico, mas o homem segurou na mão dela. Ela reconheceu o olhar por cima da máscara hospitalar, que cobria metade do seu rosto.
– Red!
Naquele momento, ela chorou de emoção. Red baixou a máscara e sorriu para a agente. Seus olhos também estavam cheios de lágrimas, de um jeito como Elizabeth nunca havia visto antes.
– Pensou que eu perderia a chegada triunfal da minha filha?
Elizabeth sorriu, mas era chegado o momento. A equipe médica se preparou a mulher colocava força à medida que ia seguindo as instruções do médico. Naquele momento, um turbilhão de pensamentos tomou conta de Elizabeth e o mesmo aconteceu com Reddington. A mão do companheiro parecia ser a fonte de parte da força, que ela precisava naquele momento. Red se lembrou de quando viu Lizzie pela primeira vez, descendo as escadas do QG, enquanto ele ainda estava dentro da caixa de vidro e algemado. Do olhar confuso e ao mesmo tempo destemido da agente, que ele se apaixonara desde o momento que a vira pessoalmente. E foi sob olhares, que Elizabeth sempre se sentiu segura ao lado de Raymond. Com o seu jeito protetor e amoroso.
A paixão dele era traduzida pelos olhos. Assim como ela, que havia se rendido a essa paixão, e agora sentia que o amor a preenchia de uma forma ainda mais intensa. Um pedaço do homem que ela amava, havia crescido dentro dela e agora essa vida seria a mais forte e eterna ligação existente entre eles. De repente, por uma fração de segundos, Elizabeth sentiu como se todos os sons do mundo tivessem sumido. Era como se a terra tivesse decidido girar em câmera lenta. Seu rosto enrugado que até então transparecia a força, que ela estava utilizando no momento, automaticamente voltou ao normal; trazendo de volta suas belas feições. Um barulho de choro a trouxe de volta aos seus reais sentidos. Alice havia nascido e estava nos braços do médico. Red olhava para a criança com um brilho exuberante nos olhos e parecia ansioso para segurá-la nos braços.
Segundos depois, uma das enfermeiras levou a criança até os braços de Reddington. O bebê ainda chorava muito, mas ele a segurou de um jeito tão encantado, que Elizabeth viu pela primeira vez, lágrimas caírem dos olhos de Red.
– Minha filha. Sussurrou ele.
Raymond se aproximou de Lizzie, e entregou a criança delicadamente em seus braços.
– Acho que ela herdou seus olhos, Lizzie.
Elizabeth sorriu e segurou o bebê cuidadosamente. Ela, que já estivera chorando pelas dores do parto, agora chorava copiosamente de felicidade. Red se aproximou dela e deu-lhe um beijo na testa.
– As mulheres da minha vida. Todo amor do mundo é pouco para o que eu estou sentindo agora.
Elizabeth levantou a cabeça e com a mão direita, alisou a lateral esquerda do rosto de Red e deu-lhe selinho.
– Pois saiba que nós também te amamos muito, Raymond Reddington.
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