Konseki
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Mais uma capitulo aí pra vcs! =]
O cap de hoje vai em homenagem a Julyana-san , que mandou uma recomendação para essa fic mesmo ela não estando finalizada ainda! Muito obrigada Julyana-san , fez uma pessoalzinho muito feliz aqui! =]
Bem, como sempre betado pela Azumi-san e... espero que gostem (receosa)
Capitulo 7
RUKI’s POV
Ele está estranho...
Ontem fez aquela porra toda de me agarrar e hoje está parecendo mais um garoto tímido que não consegue olhar na minha cara...
- Poderia dar uma olhada na mobília? – perguntei,direto e impessoal
-Eu não sou bom nisso, você tem o orçamento, pode escolher ao seu gosto! – ele respondeu, sem me olhar, continuando algo que estava fazendo dentro do capô de um dos 5 carros que tinha ali
-Quantos aos móveis eu garanto, mas não sei nada sobre equipamentos necessários, coloquei uma margem geral de gastos, mas não sei o que você vai manter ou o que você vai trocar – expliquei
- Todo equipamento eu vou manter, preciso que contrate apenas alguém para revitalizar as máquinas, as outras coisas eu mesmo compro quando tudo estiver pronto, se preocupe apenas com a mobília mesmo – voltou a responder, impessoal, sério... ele estava estranho...não menos gostoso, mas estranho
-Tudo bem, então! – me dei por vencido, voltando para o lado de Jun-san que estava apanhando um pouco da estrutura transparente de uma das divisórias
-Se Akira não vai te ajudar, eu ajudo! – a voz melodiosa e grave que eu pouco ouvi até hoje invadiu minha audição, e eu me senti um idiota tendo que olhar pra cima pra encarar os olhos chocolates do irmão do Reita-san
-Ah! Sim, tem disponibilidade para umas compras? – perguntei, sendo gentil...ao menos ele estava sendo educado
-Sim, fui demitido do meu antigo emprego – anunciou com um sorriso lindo, galanteador até... o que me deixou pensando se ele também estava dando em cima de mim ou era apenas uma sensualidade natural! Bem, ao menos ele era gay... ele sim estaria totalmente dentro das minhas regras!
-Foi demitido? Por quê? – a voz grossa de Reita-san inquiriu, encarando o irmão de modo mal-humorado
-Por que eu não quis transar com o supervisor! Tudo bem, eu arranjo outro amanhã – deu de ombros, retirando uma mochila pequena do ombro e deixando em cima de um dos armários de canto – vamos indo? Antes que o comércio feche – se virou para mim
-Ah! Sim – assenti, deixando Koron no chão e indo pegar a coleira dele em minhas coisas, a coloquei nele e o segurei pela corrente, me levantando — podemos ir? – perguntei, tentando ser simpático e sorrindo. Estranhei quando mirei a expressão dele
-Oun! Você é tão fofo! – comentou em uma nota mais aguda. Me assustei quando os braços me rodearam e me apertaram contra seu peito... eu não gostava de coisas assim! Será que era problema genético sair tocando os outros sem permissão?
-Poderia me soltar? – pedi, esquecendo a simpatia, pelo visto não pode ser educado com essa família
- Tão fofo! – ele continuou me apertando e eu tive que usar minhas próprias mãos para afastá-lo de mim... como ele era magro! Até eu conseguia pegar naquela cintura, e minhas mãos não são as maiores do mundo!
-Está no gene? Sair pegando os outros quando querem? – perguntei quando finalmente ele me soltou, olhei em volta e reparei alguns olhares de minha equipe em nossa direção... “Estão olhando o quê?”
-Aham! Mas pode deixar, eu já estou apaixonado por alguém, não vou tentar te molestar que nem meu irmão! – o loiro rebateu com uma piscadela que me deixou sem graça, ainda mais depois de ouvir um barulho metálico indo ao chão e me virar para ver que Reita-san havia deixado alguma ferramenta cair.
Olhei em volta e agora era a equipe dele quem olhava estranho em nossa direção... Kami! O que esse povo tanto olhava?
-Tanto faz! Vamos indo? – finalizei de uma vez, puxando Koron comigo e saindo daquela oficina...mais 5 dias e tudo estaria pronto!
Alguns minutos de caminhada e o irmão de Reita-san, que eu não conseguia me lembrar o nome, se colocou estranhamente ao meu lado.
-Você fez certo, sabia? Em rejeitar o Reita, ele só dá valor quando tem que correr atrás, parabéns, além de ser o primeiro cara por quem ele se interessa é a primeira pessoa a oferecer algum tipo de desafio para ele...boa tática! – comentou em uma estranha mania de ficar checando a tela do celular...parecia até Aoi desde que conheceu o tal cara de telemarketing!
Só Aoi mesmo para começar um romance por telefone!Medo de pervertidos e psicopatas pra quê?
“O amor é difícil de achar, qual o problema?”
Foi o que ele disse.
Qual o problema? Bem, namorar alguém que nunca viu, que não conhece e que fala apenas por telefone. Qual o problema nisso? Nem me dei ao trabalho de responder, Aoi jamais me ouviria, afinal ele é mais velho!
Devo muito a ele, e ele realmente é alguém maduro e centrado quando quer...e às vezes parece pior que eu em irresponsabilidade!
Mas talvez ele esteja certo sobre derrubar as paredes para o amor! Eu sempre me coloco tantas regras e sempre acabei machucado!Mesmo assim...arriscar algo com Reita-san, não é algo que eu possa me dar o luxo agora, por mais gostoso e delirante que ele seja!
-Não é tática! Eu realmente não quero nada com seu irmão! – respondi, encarando as lojas próximas à frente
-Como? Você falta comer ele com os olhos! – continuou em um tom descrente, guardando o celular no bolso
-Ele é muito bonito e gostoso, mas...não é gay! – apontei simplesmente
-Bem, ele nunca teve nada com homens antes, mas se interessou por você, não fica feliz por isso? – tornou a perguntar, senti seus olhos no meu rosto, mas não correspondi ao olhar
-Não, eu não namoro e nem fico com quem não seja exclusivamente gay, então por mais que ele seja atraente eu não me arriscaria em algo com ele – finalizei, adentrando já a primeira loja.Me abaixei para pegar Koron, não reclamavam de eu entrar com ele contanto que ele estivesse no colo
-Não acha isso uma besteira? – e dessa vez o seu tom chegou a ser de deboche
-Não, quando se passa por tudo que eu passei, regras pessoais e cuidados excessivos são a única maneira de se viver relativamente feliz – falei por fim, decidindo acabar logo com aquela conversa e deixando claro que não queria mais papo ao me adiantar passos à frente
Infelizmente, ele não parecia ser do tipo que pegava as coisas rapidamente
-Ruki-san, eu não acho que... – começou a argumentar, mas fui salvo de seus questionamentos assim que meu celular tocou. Reconheci logo o toque especial de Aoi...finalmente ele me serviu pra algo.
-Alô! – atendi, sem me importar com o olhar indagativo do loiro sobre mim
“Ru-san! Onde você está?” a voz de Yuu veio do outro lado da linha
-No setor comercial de casas e eletros, por quê?
“Vou passar aí para te buscar... sua irmã ligou... a sua mãe... está no hospital”
Meu coração gelou e eu não soube o que fazer...lembranças da senhora que me criou até meus 16 anos se passaram em minha mente, e eu peguei-me perguntando como eu deveria me sentir? Depois de tudo...mesmo assim...a dor foi grande!
-Tudo bem, eu vou esperar no início da avenida! – juntei minhas forças para conseguir responder, tentando não aparentar estar tão abalado, desliguei sem esperar resposta e tentei respirar normalmente. Em meu colo Koron choramingou, parecendo entender que algo ruim tinha acontecido
-Algum problema? – o loiro perguntou, em uma sincera preocupação, pelo visto eu não estava disfarçando tão bem
-Tive problemas, vou ter que adiar as compras, poderia avisar para a minha equipe e para Reita-san? – perguntei
-Sim, mas... o que aconteceu? – novamente ele não parecia do tipo que entendia logo o que as pessoas queriam
-É pessoal – ditei, me apressando em sair da loja e começar a andar para o ponto onde tinha dito que esperaria por Aoi
-Espere! Tudo bem te deixar sozinho? – o loiro tornou a perguntar e eu me questionei sobre quando ele iria desconfiar das coisas
-Sim, um amigo vai vir me buscar! – respondi, tentando não soar tão rude
-Ah! Entendo, vou avisar aos outros, então! – ele finalmente deu de ombros – boa sorte, no que quer que seja! – desejou de maneira suave e educada
No final ele era uma boa pessoa, só um pouco lerda, mas uma boa pessoa
-Obrigado! – agradeci, tentando esboçar um sorriso, por algum motivo desconhecido para mim, apesar de meu peito estar tão apertado que eu sentia que poderia começar a chorar a qualquer momento.
-Por nada! – respondeu, abrindo um sorriso encantador e meigo antes de dar a meia volta e seguir rua abaixo em direção a área onde ficava a oficina.
Assim que ele dobrou a esquina o carro de Aoi surgiu pelo outro lado da via, rápido, parando a minha frente e eu fiquei no mesmo lugar, apertando Koron contra mim, sabendo qual seria a primeira atitude do moreno assim que descesse do carro.
-Ru-san! – a voz baixa e suave, os braços acolhedores de sempre se colocando a minha volta e o ombro tão conhecido por mim – você quer fazer isso?
Aoi sempre era meu porto seguro, e sempre era o meu porto de desabafo, por isso não segurei mais a angústia e deixei as primeiras lágrimas caírem... e enquanto elas rolavam a dor se tornava menos insuportável
-Eu quero! – respondi, me aconchegando mais no abraço de meu grande amigo, que sempre esteve lá para mim e, tenho certeza, sempre vai estar.
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AOI’s POV
Ele está estranho...
Eu sempre me perguntei como ele reagiria quando um dia como esse chegasse. Mas se tratando de Ruki tudo é inesperado... o pequeno é uma confusão ambulante... e ainda assim, alguém muito determinado e decidido
Eu esperava as lágrimas, esperava a dor, mas não esperava toda essa calma e ponderação... ele está estranho...
-Está tudo bem? Eu estou preocupado com você – falei, sincero como sempre fui
-Eu sei, você é mais minha família do que qualquer um deles jamais vai ser, mas não se preocupe, eu... só estou tentando decidir que tipo de sentimento estou sentindo e como eu quero agir – respondeu, calmo enquanto esperávamos naquela sala branca do hospital
-Espero que Koron não faça nada inapropriado no banco do meu carro – comentei em descontração, tentando de alguma forma arrancar qualquer expressão daquele rosto sem vida. Me acalmei quando consegui um sorriso mínimo
-Ele é educado, mas do jeito que vocês se odeiam talvez ele deixe um presentinho para você mesmo! – rebateu em um humor fraco, não conseguiria mais que aquilo naquela situação
-Matsumoto-san? – uma jovem enfermeira perguntou em um tom fino e amável... e eu me peguei pensando e desejando ouvir a voz do meu Uruha... “tenho que ligar para ele e avisar que não poderemos nos falar hoje!”
-Sim! – o baixinho assentiu ao se levantar
-Você já pode entrar, me acompanhe, por favor – ela pediu, se virando, deixando claro que deveríamos segui-la.
Levantei-me para acompanhar o Ru-san, mas assim que fiquei de pé o próprio baixinho me parou
-Não, Aoi, eu agradeço tudo que fez e faz por mim, mas... sabe que algumas coisas eu prefiro resolver sozinho! – ditou em uma gentileza anormal dele
-Eu sei, mas...eu me preocupo com você, Ru-san, não queria te deixar sozinho em um momento como esse – argumentei
-Eu vou ficar bem, eu... tenho que resolver isso por mim mesmo, eu quero resolver por mim mesmo, você é meu amigo, Yuu... eu sei que vai entender – contra argumentou ainda educadamente e eu suspirei bem fundo antes de apenas assentir com a cabeça e voltar a me sentar.
Ele me lançou o mesmo sorriso mínimo e seguiu a enfermeira pelo corredor longo e branco.
“Não gosto quando a única coisa que posso fazer é sentar e esperar!”
Peguei meu celular em mãos, precisava mesmo ouvir a voz dele, apesar de ainda faltar uma hora para o nosso horário combinado, espero que não atrapalhe o trabalho dele. Digitei o número rapidamente e me surpreendi quando não tive que esperar nem o segundo toque para ouvir o som que fazia meu corpo se aquecer e meu sorriso se abrir.
“Yuu!”
-Amor, desculpe ligar tão cedo, está no trabalho? – perguntei
“Não, na verdade eu... fui demitido!” a voz grave e melodiosa parecia constrangida
-Oh! Eu sinto muito, amor, teve algo haver comigo? – perguntei, mantendo minha voz baixa apesar da sala de espera estar vazia
“Não, foi problema de assédio, meu supervisor me propôs algo que não aceitei, então ele colocou meu nome na lista de corte”
Aquilo me deu uma sensação estranha no peito. Ciúmes, eu sei... tudo bem que nosso relacionamento era estranho e que nunca nos vimos, mas de repente saber que havia outras pessoas desejando-o e que ainda por cima faziam coisas como aquela para pressioná-lo... me deixou realmente com raiva.
-Eu não acredito nisso, e você vai processá-lo, é claro! – bracejei moderadamente
“Não tem como, Yuu, não tenho prova alguma, não é a primeira vez que algo assim acontece... estou acostumado, sempre mudo de emprego mesmo, ao menos naquele eu pude te conhecer”
-Eu não gosto disso! – confessei
“De quê?”
-Tenho ciúmes... eu sei que nosso relacionamento é algo totalmente surreal, mas... eu quero você só pra mim – desabafei
Me permiti um sorriso quando ouvi a risada melodiosa dele
“Eu sei disso, Yuu... mas, eu não vou te trair, eu... sei que é estranho e inacreditável, mas eu acho que eu te amo” respondeu em uma hesitação notável pelo tom de sua voz.
Meu coração palpitou de alegria e eu senti uma vontade incrível de pular, pena que estava em um hospital e teria que me comportar adequadamente
- Você acabou de me fazer o homem mais feliz do mundo! – respondi, sincero, não conseguindo deter um sorriso amplo– eu também te amo... pode ser inacreditável, mas... eu realmente, te amo muito
E pelo silêncio e arfar fraco que veio em seguida eu soube que era um daqueles momentos que eu conseguia deixá-lo sem graça
“Eu até deixei de conhecer um moreno lindo hoje mais cedo, sabia? Só porque eu quero me manter fiel a você!” o comentário veio em uma tentativa de descontração, pelo visto ele não sabia lidar bem com declarações tão emocionais assim
-Ah! Eu também deixei de conhecer um loiro muito lindo hoje... sabe por que? Por que tudo que me interessa é esperar até as seis e meia da tarde e poder ouvir você falar – rebati, ouvindo outra risada sem graça, pelo visto eu estava conseguindo constrangê-lo mesmo hoje... “adoraria vê-lo corar”
“Você está me deixando sem graça, mas... eu estou amando tudo o que está me dizendo”
-Eu amo você, não sabe o quanto ouvir as suas palavras e o som da sua voz me fazem bem – continuei
“Eu acho que eu sei, por que... deve ser o mesmo bem que escutar as suas palavras me faz!”
Eu poderia morrer bem ali, e morreria a pessoa mais feliz do mundo, porém... com certeza eu prefiro muito mais viver e continuar sendo a pessoa mais feliz do mundo.
Não me dei conta do tempo passando e a realidade da situação só foi me invadir quando olhei para o lado e avistei a figura baixa caminhando lentamente até mim. O olhar perdido e os olhos prestes a chorar, parecendo esperar apenas os meus braços para se permitir a isso.
-Amor! Eu vou ter que desligar, alguns problemas aqui e... eu sinto muito, eu amo você, até amanhã – tentei esperar que ele respondesse, mas me levantei e Ruki se jogou em meu peito no momento seguinte, o celular caiu e mesmo que eu desejasse me despedir apropriadamente de Uruha a prioridade agora era tentar erguer o meu grande amigo que desmoronava em meus braços em um choro pesado e dolorido.
Notas finais
Ah! Amanhã tem mais!
Beijos!
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