Konseki
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Desculpem mesmo!
Eu fiquei doente!
=/
Gomen! Mas estou postando e... espero que gostem neh? Peço mil perdões mesmo!
Capitulo sem betagem, mas eu revisei, Azumi-chan talvez passe aqui mais tarde pra betar! =~]
[Invadindo denovo -q] Néh eu Azumi-chan bétinha da Mimi *-*,então betei tudinho ^^ Também espero que gostem do cap,pois ele está ótimo na minha opnião!Boa leitura!Mimi amo você amiga ♥
Capítulo 18
REITA’s POV
Eu não sabia o que esperar...
Mas eu estava preparado.
Já tinha decidido por ficar ao lado dele, fosse o que fosse. E posso dizer que tenho orgulho de ser uma pessoa bem teimosa em minhas decisões.
Ele evitava me olhar, e se acomodava cada vez mais em meu peito. Eu não o forçaria a nada, apenas o apertei mais contra mim e o deixei respirar fundo antes de começar a narrar sua história.
- Me chamo Matsumoto Takanori, sou o terceiro filho da família Matsumoto, dona da rede de empresas ligadas ao ramo tecnológico, e tenho dois irmãos mais velhos : Matsumoto Sachiko é a filha do meio, e... o herdeiro e primogênito se chama Katsuya... eu nunca fui muito importante para a minha família, na verdade eu meio que era esquecido e muitos nem sabiam que a família Matsumoto possuía um terceiro herdeiro, apenas algumas pessoas mais próximas, e me ignoravam como todos que não tinham nem a curiosidade de saber quem era o menininho retraído nos cantos escondidos das festas. Cresci amparado por alguns empregados dos meus pais e fui matriculado em escolas particulares onde parecia haver algum acordo entre meus pais, diretores e professores para não ressaltar de quem eu era filho, por isso nunca me chamavam pelo sobrenome, apenas por Takanori, eu nunca soube o direito de tanto esforço em manter minha existência imperceptível, mas... hoje eu sei...
-Como assim? – Aoi-san interrompeu, parecendo surpreso.
Ruki colocou panda –san de lado, deixando-o pousar no chão ao lado da cama e suspirou.
-Parece que tinha esse segredo de família, que minha mãe tentava manter enterrado, mas Katsuya falou isso quando me ligou... – um sorriso melancólico nos lábios pequenos e minhas mãos o apertaram mais, eu sabia que talvez fosse difícil para ele contar tudo aquilo, mas eu queria saber mais sobre ele, eu queria ajudá-lo a se livrar dessa dor e angústia que ele parecia sentir, eu sabia que podia — ... isso já não faz mais nenhuma diferença hoje, teria feito na época, mas... na verdade, eu fico até contente com isso, ao menos agora eu entendo do motivo do senhor Matsumoto fingir que nunca existi e só ter me dirigido a palavra para me expulsar de casa. Aparentemente eu sou filho de um casinho da minha mãe, fora do casamento, sou um bastardo, seria melhor para todos se eu não existisse, mas pelo visto, por algum motivo me deixaram nascer e crescer apenas para ser ignorado e tratado como um fantasma – ele se ajeitou e respirou fundo novamente, como se estivesse pedindo forças para continuar, isso me doeu, talvez fosse melhor não pressioná-lo – Quando cheguei a adolescência comecei a fazer todo tipo de merda para chamar atenção, pintar o cabelo, fumar, beber, brigar na escola, ao ponto de ser expulso da escola privada, consegui passar de um ser invisível para um ser odiado e problemático, não me queriam junto com os filhos de outros milionários e nem nas mesmas escolas que meus “irmãos” estudavam, apesar de que só os via em férias, já que eles tinham se graduado e estudavam fora do país, não que fizesse diferença, Sachiko sempre me ignorou e Katsuya... bem, ele sempre me assustou, de alguma forma ele foi do tipo de irmão que me batia quando eu era menor, cheguei a agradecer quando ele teve que ir para o exterior quando eu tinha 10 anos.Fui matriculado em um colégio público e foi lá onde conheci Aoi... – lançou um olhar carinhoso para o moreno à frente e eu devo admitir que me senti um pouco incomodado.
-Deviam ver esse cara quando tinha 15 anos, parecia um projeto de diabrete – Aoi-san sorriu, cheguei agradecer mentalmente por aquele sorriso fazer Ruki relaxar minimamente entre meus braços.
-Foi quando descobri minha opção sexual, quando... me apaixonei por um professor substituto... – continuou.
-O cara da foto? – perguntei, tentando reprimir o meu ciúme evidente, o que de fato não consegui. Ruki apenas assentiu afirmamente antes de responder.
-Ele se chamava Yune... e eu achava que ele me amava...
- Eu sempre disse que não ia muito com a cara daquele cara! – o moreno interveio e eu simpatizei com ele apenas por aquele comentário, eu não conhecia o tal Yune, mas qualquer cara que tivesse tocado no meu pequeno antes de mim merecia morrer.
O que me fez lembrar sobre o que Ruki me disse ao confessar sobre o seu “primeiro”. O que tinha acontecido?
-Yune parecia ser o homem perfeito, gentil, alegre, me fazia sentir alguém sabe... pra quem sempre foi um fantasma dentro de uma mansão, eu me senti visto, e... me apaixonei sem nem ao menos tentar resistir às investidas dele. Nós começamos a namorar escondido, e tudo parecia bem, mas... nas primeiras férias do ano seguinte, meus irmãos voltaram para casa e... Katsuya nos viu, por acidente, em um carro... num lugar deserto que tínhamos ido para... – ele evitou a palavra assim que sentiu meus dedos mais fortes em seus braços, eu sabia que era egoísta, mas não queria ouvir aquela parte -... depois daquele dia, Katsuya, que vinha apenas me ignorando nos últimos anos, começou a me perseguir, me ameaçar e... a me assediar... ele sempre vinha com os jogos psicológicos e eu sabia que ele já estava fazendo sua própria vida por meios ilegais, por isso eu... eu tinha medo dele, mas... eu não queria acabar o que tinha com o Yune, por mais que tivesse se tornado mais arriscado, eu era um idiota apaixonado e... eu sempre cometi erros demais. Quando Katsuya teve que voltar para o estrangeiro e não tinha feito nada para me delatar ou conseguido mais do que alguns beijos roubados de mim eu achei que estaria livre e que ele simplesmente havia perdido o interesse, mas... nas férias seguintes... Aoi tinha viajado para passar o Natal com a família, até me convidou para ir com ele, já que Natal em família não era bem o que rolava lá em casa, mas Yune pediu para que eu ficasse, que ele me protegeria e eu... confiei nele – mais uma respiração profunda e agora eu já podia saber mais ou menos como seria o desenrolar daquela história, mesmo que não quisesse pensar naquilo – Eu decidi criar um pouco de coragem e tentar ameaçar Katsuya, dizendo que eu contaria para nossos pais o assédio dele, eu sabia que isso o deixaria cuidadoso, por que mesmo que meus pais nunca tenham dado a mínima para como eu estava, era fato que a existência de alguém homossexual naquela família jamais seria aceita, jamais aceitariam um escândalo daqueles em uma das famílias mais “honradas” e “tradicionais” de Tóquio. Gravei um vídeo de uma das investidas dele e mostrei uma cópia para ele, deixando claro que se eu afundasse ele afundaria junto, ele quebrou a cópia como era esperado e ficou furioso, mas eu acreditava que a original estava a salvo e ainda tinha ao menos uma arma para lutar contra ele já que eu a tinha deixado com Yune, mas...eu fui ingênuo, muito ingênuo e burro... Katsuya já tinha Yune sob controle — parou em um fechar de olhos longo, e as sobrancelhas se juntaram em demonstração de dor.
-Tudo bem, meu pequeno, tudo bem... conta aquilo que quiser contar e fale apenas o que se sentir bem em falar, sim? – encorajei, depositando um beijo anormalmente carinhoso nos cabelos descoloridos.
-...Eu amava aquele imbecil, eu estava tão cego que... não percebi que uma armadilha tinha sido preparada para mim, não desconfiei que estava sendo enganado mesmo que Yune tivesse começado a agir de forma estranha... até o dia em que voltei da escola e fui avisado para subir ao escritório do meu pai, eu nunca fui chamado lá, na verdade ele nunca tinha dirigido uma palavra a mim, nunca me deixou desamparado financeiramente, mas era fato que eu não conseguia lembrar qual fora a última vez que tinha ouvido a voz dele em minha direção, se isso algum dia já tivesse acontecido. E foi quando entrei naquele escritório que eu percebi que tinha algo errado, por que de repente eu estava sendo o centro da atenção dele e da minha mãe, entretanto, não era uma atenção boa. Eles pareciam me desprezar com os olhares e eu podia jurar que minha mãe iria chorar se não soubesse como ela era orgulhosa e altiva, uma verdadeira dama da alta sociedade que não se importava com nada a não ser a imagem e em seguir seu marido fielmente. Na tela do computador do escritório estava um video, um video da minha última transa com Yune. E as últimas palavras que ouvi do senhor Matsumoto foram apenas “Não há coisas como essas nessa família, saia dessa casa, você não é mais um Matsumoto”, até o último momento ele foi frio e duro, minha mãe me deu um tapa e falou para que eu desaparecesse, que eu era uma vergonha e que não acreditava que “algo” como eu tinha nascido dela... – Ruki se encolheu, deitando-se de lado em meu peito e abraçando o próprio corpo, não gostava de vê-lo daquele jeito, já iria falar para ele parar de narrar, mas ele continuou antes mesmo de eu abrir minha boca
– Eu fui para a casa de Yune, pensando que ele me acolheria, que ele me protegeria, mas... quando cheguei lá, as coisas foram bem diferentes. Yune conseguiu acabar mais comigo, me dizendo que eu tinha me tornado um problema e que ele não poderia arriscar a imagem e o emprego dele, que Katsuya era alguém esperto e perigoso demais, que não estava disposto a correr o risco, que tinha sido legal “curtir” comigo, mas que as coisas não eram como eu pensava... eu sai correndo do apartamento dele e continuei vagando pelas ruas, eu não tinha nenhum lugar para ir, não tinha amigos, conhecidos, tirando Aoi e Yune eu não tinha ninguém no mundo... – os olhos se cerraram fortemente e eu o abracei com força, pensar no que ele possa ter passado me machucava, me machucava vê-lo daquela forma.
-Me desculpe, Ru-san, eu... eu deveria estar aqui, eu... eu sinto tanto! – Aoi-san se adiantou, abaixando a cabeça logo em seguida, percebi Kouyou segurar firme sua mão, e eu me identificava muito com aquele sentimento de proteção.
-A culpa não foi sua Aoi, eu cometi erros, eu fui um idiota.. . eu... não tinha nenhum lugar para ficar e não tinha dinheiro o suficiente para comer, eu não tinha nada além da roupa que eu vestia e do meu corpo, até minha mochila eu tinha deixado em casa quando sai de lá. Não iria voltar pra aquela casa, e nem seria aceito também, eu não queria voltar... foi quando um cara me viu tremendo de frio perto de uma pista e me ofereceu carona, eu disse que não tinha pra onde ir e ele falou que se eu quisesse podia ir com ele... eu sabia que as intenções dele não eram boas, mas para quem estava com fome e com frio, machucado, arruinado e humilhado... nada mais importava... – o senti soluçar e o apertei mais, eu não queria que ele tivesse passado por isso, como eu queria poder apagar aquilo — ... a primeira vez que me vendi foi por alguma comida e um lugar para passar a noite... – e o choro foi impossível, ele se agarrou a mim e se deixou soluçar... me cortando o coração. E pensar que o meu pequeno sofrera assim!
-Ru-san, já está bom, não precisa se forçar mais! – Aoi tirou as palavras da minha boca, mas Ruki não o ouvira, apenas acalmou a respiração e continuou, como se o moreno não tivesse dito nada.
-Quando o dia amanheceu eu voltei pras ruas... eu, não sabia mais o que fazer, já estava no fundo do poço mesmo, eu não conseguia sentir mais nada, não tinha mais nada, sempre fui um menino orgulhoso, mimado, rebelde... eu não queria admitir que eu era fraco, apesar de chegar a pensar mais de uma vez em me jogar de uma ponte, mas... eu acabei decidindo que continuaria a sobreviver, mesmo naquela sujeira toda... eu queria continuar, eu tinha uma esperança idiota de algo que eu nunca soube o que e... essa se tornou a minha vida por dois dias, vagava pela as ruas durante o dia e dormia com algum cara para conseguir comida e abrigo durante as noites, mas pelo visto ser um puto autônomo nessa cidade é impossível – confesso que me assustei com o tom melancólico de sua voz e o sorriso sem graça que se abriu em seu rosto – eu apanhei de outros garotos e acabei meio inutilizado, achei que daquela vez eu realmente fosse morrer já que não tinha onde ficar e nem estava atrativo pra qualquer doente pervertido que passasse, foi quando um cara me achou jogado naquele beco e me levou para o lugar que chamavam de “Fantasy House”.
-Não! – eu exclamei, mesmo uma pessoa como eu sabia o que aquele lugar era e os boatos horríveis que haviam sobre aquele lugar.
- Se por um lado eu agradeci por ter um quarto e comida, por outro lado eu quis me matar a cada velho pervertido que pagava por mim e tinha o direito de fazer o que quisesse. Muitos eram homens casados, alguns noivos, pessoas importantes, e infelizmente a minha aparência atraia os piores tipos de clientes, pedófilos, sádicos...- era notável um ódio reprimido em sua voz e o senti tremer, segurando-o firme – Kai não estava mentindo quando disse que metade dos caras de Tóquio já tinham me fudido, e muito menos que eu aceitava qualquer tipo de brincadeira, eu... tinha que aceitar, afinal eu estava “em dívida” com a casa, era o que o “credor” sempre dizia, uma dívida que nunca diminuía, só aumentava, e começou a aumentar ainda mais quando eu comecei a usar qualquer tipo de droga disponível para tornar a dor menos insuportável... foram quase dois meses, era um inferno... alguns chegavam até a dizer que me amavam, que se não fosse a esposa e os filhos me “compraria” como exclusivo, mas eu sabia que era tudo mentira, haviam muitos garotos como eu ali, e eles trataram logo de me ensinar que as “promessas” nunca se cumpririam, que era para que eu não sonhasse, eu agradecia quando vinham clientes como o Kai, gentis e sinceros...
-Então era verdade que... – não consegui reprimir meu pensamento em voz alta e um riso triste mais uma vez se formou nos lábios dele.
-Que Kai já dormiu comigo? Sim, ele e centenas de outros, pode parecer muito para menos de dois meses, mas aparentemente eu era o mais novo e o mais requisitado da casa, todo mundo queria experimentar o “Taka-baby-chan”, eu não sabia muito bem quantos me tinham por noite, na maioria das vezes eu já estava tão chapado que parava de contar depois do sexto – e aquela resposta veio ácida e ofensiva, mas eu sabia que essa era a forma dele de se defender e não querer pena de ninguém, ignorei e apenas o abracei mais, beijando suavemente a cabeça loira, demonstrando que não adiantava tentar me afastar , eu ficaria ali e o protegeria, ele poderia confiar em mim – não sente nojo agora? Não vai me desprezar? Não vai perder todo e qualquer respeito por mim? – ele desafiou.
-Não, meu pequeno, eu não vou te soltar, eu amo você, e você estar aqui, entre meus braços é tudo que importa, o passado não é relevante, apenas prova que você é forte e que merece mais do que ninguém ser feliz ...– respondi, puxando os olhos lacrimejantes e vermelhos para encarar os meus – é claro, que ao meu lado! – provoquei, encarando o cenho despencar em pranto e ele se jogar contra mim, beijando-me desajeitamente em necessidade, eu correspondi ao beijo e deixei que ele acabasse de acordo com sua vontade, me alegrando ao vê-lo se acalmar e voltar para sua posição inicial.
-Obrigado, Reita, obrigado! – agradeceu em um sussurro baixo e se ajeitou ao meu peito novamente.
-Eu que agradeço, Ruki, eu que agradeço por me permitir te amar- respondi em uma carícia suave em seu ombro e madeixas, não me importando se haviam mais duas pessoas no quarto.
- Um dia... eu estranhei a falta de clientes entrando pela porta, fiquei feliz, mas estranhei, e foi assim por dois dias até que... meu “último” e “único” cliente pelos últimos três dias em que passei naquele lugar era... Katsuya... e... ele era pior do que todos os outros pervertidos juntos, ele... era horrível, doente... posso dizer que desejei mais do que nunca morrer, mas nem chances de me matar eu tinha. Foram os três piores dias da minha vida, eu perdi qualquer esperança que tinha e nem sequer as drogas estavam ajudando, até que... Aoi apareceu – continuou, um sorriso mínimo para o moreno mais a frente – eu não lembro de muita coisa, eu não estava lúcido, mas sei que alguém bateu na porta, alguma gritaria sem sentido, vozes para tudo que é lado e quando eu acordei estava em uma cama diferente e Aoi estava ao meu lado... acho que essa parte você pode contar, até hoje eu nunca entendi muito bem como ele conseguiu me tirar de lá, já bastava estar fora daquele inferno!
Aoi-san se levantou e encostou-se na porta do quarto, Kouyou se manteve sentado, mas o olhar preocupado para o namorado.
-Eu já tinha me formado e tinha conseguido uma bolsa na faculdade de Administração, por isso ficaria difícil para visitar meus pais e quis aproveitar as férias do final do ano, mas de alguma forma eu tive um pressentimento ruim e voltei alguns dias mais cedo, fui direto procurar o Ru-san, mas fui informado de que ninguém com o nome Takanori “morava” naquela casa. Eu fiz um escândalo, mas tudo que consegui foi ser expulso por seguranças da mansão Matsumoto, então fui até Yune para saber o que tinha acontecido, foi quando soube que o professor substituto Yune tinha falecido em um acidente de carro, cheguei a pensar que o pior tivesse acontecido com o Ruki, mas aparentemente a investigação policial apontava que a vítima estava sozinha quando perdeu o controle do automóvel e colidiu com um caminhão de material inflamável... – começou a narrar para o meu espanto e o espanto de Kouyou – foram alguns dias sem pistas, peguei uma foto de Ru-san e comecei a procurá-lo nas ruas, já que eu não tinha dinheiro para um anúncio formal e aparentemente a pessoa chamada “Matsumoto Takanori”, filho caçula da família Matsumoto jamais existiu nos registros legais e policiais, ou ao menos eram o que os miseráveis subornados diziam, foi assim que eu encontrei o Kai, e... ele acabou me falando onde o Ruki estava e como ele estava vivendo. Tentei invadir o lugar na mesma noite, mas fui detido pelos seguranças e não tinha dinheiro para pagar uma “hora” com o “Taka-baby-chan” , me jogaram na rua e foi quando vi Katsuya entrar no lugar – respirou fundo e me encarou – Katsuya era um tipo de “acionista” do local, o que me fez entender como Ru-san tinha parado ali, eu sabia que ele era peixe grande demais para alguém pobre e lascado como eu na época, então eu decidi apelar para a “moral” dos Matsumotos, mesmo sabendo que seria arriscado e que poderiam mandar me matar como fizeram com o Yune – segui a senhora Matsumoto por um tempo, foi difícil conseguir falar com ela, mas quando consegui cuspi tudo o que tinha entalado na minha garganta e tudo que o filho dela estava passando, falei sobre o envolvimento do Katsuya e mesmo que ela não tenha demonstrado nada na hora, no dia seguinte eu recebi uma encomenda na porta do meu apartamento, uma mala de dinheiro e algumas instruções de que era para eu “comprar” a liberdade de Ru-san de volta que Katsuya ia ficar fora do caminho por um tempo. E foi assim que tirei Ruki de lá.
Haviam lacunas naquela história, mas não pressionaria por mais nada hoje, já tinha sido coisas demais por um dia, tanto para mim quando para o meu pequeno.
Talvez apenas uma curiosidade.
-Então a sua regra de não namorar héteros e bis era ... – tentei começar, não querendo parecer muito insensível por perguntar aquilo.
-Passou algum tempo antes de eu conseguir voltar a mim, foi meio complicado me “desintoxicar” e... me recuperar, mas... Aoi me ajudou e... eu comecei a trabalhar e a estudar, minha mãe ainda não queria me ver, ninguém queria, mas às vezes Aoi recebia telefonemas falando que era para não chamar atenção, e minha mãe assinava as coisas necessárias de documentos e enviava pelo correio, com a condição de que eu não cruzasse o caminho deles de novo... e assim o fiz, foram tempos difíceis, tiveram dias que o racionamento de comida e energia era duro para dois pobres lascados que nem a gente – e um sorriso mínimo se desenhou na expressão, sendo acompanhado pelo moreno em uma cumplicidade tão particular que senti inveja – eu consegui uma bolsa parcial num curso de design de interiores e decoração, depois de alguns anos eu voltei a me relacionar com pessoas e... tive muitas decepções iniciais com caras que se diziam héteros ou bis.... no final eles nunca eram capazes de me amar ou de se apaixonar, eu... não podia dar filhos, não podia oferecer um casamento, e mesmo que eu me iludisse, sempre era abandonado depois de algumas semanas, fosse por esconder coisas, fosse por que preferiam uma mulher, ou por que descobriam nem que fosse um pouco sobre o meu passado, por isso comecei a me envolver apenas com outros gays, e... posso dizer que houve uma melhora, ao menos eu não era trocado por mulheres e às vezes podia sentir que eles realmente estavam tentando se envolver seriamente comigo, mesmo que nunca desse certo.
-Mas comigo vai dar! – afirmei e me alegrei por conseguir arrancar outro sorriso dele – e como você foi acabar trabalhando para aquele idiota?
-Kai não é uma má pessoa, ele só... como explicar, ele não é de confiança, se importa somente com ele mesmo e seus próprios interesses, foi criado em orfanato então está acostumado ao individualismo, ele foi o primeiro a me dar uma oportunidade quando me formei e posso dizer que praticamente o coloquei no patamar que ele está hoje, foi meio constrangedor no inicio, mas conseguimos manter uma relação normal e profissional por muitos e muitos anos... até alguns meses atrás quando ele um belo dia chegou falando que tinha um “trabalho para mim” e que eu ganharia muito com aquilo. Eu desconfiei do tom que ele usou e na insistência dele quando eu falei que já estava com muitos projetos... aí ele falou que não era aquele tipo de trabalho e sim o que eu fazia antes, eu me ofendi, nós discutimos, ele falou que se eu não aceitasse ele me demitiria e queimaria meu filme para todo o mercado, bem, eu me demiti e realmente não queriam me contratar em canto algum, por isso com a ajuda do Aoi abri a minha própria firma e tentei esconder meu nome ao máximo, mesmo que alguns clientes fossem fieis a mim fosse o que fosse. Foi quando Kai começou a infernizar, espalhando boatos até mesmo entre o mercado consumidor e... a partir daí você já conhece – explicou, parecendo cansado.
-E esse cliente era o tal Katsuya – afirmei entre os dentes, sentindo uma imensa vontade de matá-lo, mesmo que não o conhecesse.
-De alguma forma parecia que a senhora Matsumoto era quem impedia a volta dele para o Japão, quando ela adoeceu ele começou a mover os pauzinhos, pressionando Kai e quando ela faleceu... o cara é doente e perigoso, não pensei que mesmo depois de tantos anos ele ainda fosse infernizar a vida dele – Aoi respondeu e voltou para o lado de Kouyou que se levantou do estofado e abraçou-o sem se importar com nós dois no quarto... “Fala sério! Uma coisa era a minha demonstração de carinho, outra coisa era ficar vendo as demonstrações dos outros!”
-Hunn-Hum – pigarreei – dá licença? Estamos num hospital e discutindo coisas sérias.
-Ei! Nós não reclamamos do beijão de vocês mais cedo! – Kouyou resmungou.
-Isso é diferente! – rebati.
-Vocês se amam, nós nos amamos, pra mim parece a mesma situação! – Aoi-san interveio e beijou rapidamente os lábios de Kouyou. “Exibidos!”
-Neh! Desde quando esses dois estão juntos? O que aconteceu com o seu grande amor do telefone, Aoi? – a voz do baixinho interrompeu a pequena discussão que iria se formar, e só agora eu me dava conta de que meu pequeno tinha passado os últimos dois dias dormindo.
-Eu sou o grande amor do telefone! – Kouyou sorriu em resposta e eu sorri da expressão surpresa do meu Ruki.
-Engraçado neh? Como tudo se enlaçou desse jeito? Parece até brincadeira do destino, mas pelo visto seu melhor amigo é o meu cunhado! – comentei em humor, abraçando-o gostosamente contra mim, era bom aproveitar momentos assim, mas tínhamos coisas sérias para tratar.
-O que a gente vai fazer com esse tal Katsuya? – Kouyou se manifestou.
-Ferrar a vida dele, ele pode ser rico, ter influência e ter gente até mesmo dentro da polícia, mas ninguém é invencível, tenho certeza que três cabeças vão pensar em algo! – Aoi-san respondeu, abraçando-se ao meu irmão e me encarando em desafio, como se tivesse comprovando se eu ainda era digno de confiança.
-A gente pode apenas matá-lo, eu adoraria fazer isso – rebati e senti meu pequeno se tensionar, péssima ideia falar isso – mas, como somos boas pessoas vamos apenas dar um jeito de fazê-lo mofar na cadeia – completei.
-Aoi, Katsuya disse algo sobre “eu afundar e levar o namorado do meu ex-chefe junto”, sabe algo sobre isso? – Ruki mudou o assunto, em indagação ao moreno.
-Sei, Kai foi na loja há algum tempo, ele queria que eu o convencesse a aceitar a proposta, mas eu não vou te falar, sei como você é e sei que vai querer se culpar, saiba que a culpa não é sua, Kai que se envolveu demais com o tipo de pessoa errada! – o moreno respondeu.
-É o Naoyuki, não é? – o baixinho perguntou e eu vi o moreno responder apenas com um sorriso triste.
-Não podemos fazer nada por eles agora, eles já irão se beneficiar se conseguirmos colocar Katsuya atrás das grades, sim? – tentou convencer, e pareceu conseguir já que meu Ruki apenas assentiu e fechou os olhos... ele deveria estar cansado e já era tarde, o horário de visita estava quase no fim.
-Vamos deixar você dormir, pequeno! – sussurrei, saindo de trás de seu corpo e deixando-o se deitar na cama. Os olhos não se abriram e ele praticamente se deixou levar pelo sono enquanto eu depositava um beijo leve em seus lábios.
-Você é muito forte, baixinho, deixa a gente te proteger agora, hun? — falei em um tom baixo me levantando e indo até o casal parado na porta do quarto enquanto um enfermeiro entrava no local.
-O horário de visita noturna já terminou! – inquiriu em uma rudeza que não gostei nada.
-Eu não sou visita, sou acompanhante – protestei.
-O senhor pode ficar, mas eles vão ter que sair, mas peço para que todos se retirem do quarto por um instante, temos que fazer uma limpeza no local para prevenir contaminação – o homem de feição nada gentil ditou , e se eu não me preocupasse tanto com o bem estar do meu pequeno eu compraria uma briga feia com ele.
-Vamos comer alguma coisa! – Kouyou interveio, me puxando pelo braço para fora do quarto, e nós três seguimos pelos corredores brancos até o pequeno restaurante que ainda estava aberto e quase que completamente vazio.
Eu não queria sair do lado do meu Ruki, mas realmente estava com fome e agora que ele estava acordado tínhamos que começar a nos preocupar com um plano para tirar aquele projeto de irmão psicopata de uma vez por todas do caminho do meu baixinho... “E pensar que ele já sofrera tudo isso!”
Eu admirava a força dele, não saberia o que fazer se eu tivesse em seu lugar, mas... agradeço que tenhamos nos encontrado, fosse o que fosse... eu o queria comigo, bem, contente... feliz. Eu sabia que poderia dar a felicidade que ele merecia... eu daria a minha vida por isso.
Durante a refeição discutimos mais algumas coisas sobre como conseguir a prisão do tal Katsuya, e mesmo que o plano envolvesse imprensa, subornos e riscos eu acreditei que daria certo... afinal ninguém é invencível, e se não conseguíssemos colocá-lo atrás das grades... eu não estava brincando... realmente o mataria... qualquer coisa para ele ficar longe do meu pequeno pelo resto da vida... eu só tinha que pensar em um jeito de não ser pego... afinal eu queria aproveitar a felicidade ao lado do meu Ruki, livre.
Mas aparentemente tínhamos sido lentos demais. Não pensei que tivesse demorado mais que uma hora para acertarmos tudo, já passavam das dez da noite. Kouyou e Aoi não poderiam voltar para o quarto, mas eu estava como acompanhante e tinha o direito de passar a noite ali... entretanto, assim que entrei no cômodo me deparei com uma cama vazia, e meu desespero começou ao procurá-lo no banheiro e não encontrá-lo.
Sai para o corredor e abordei a primeira pessoa de branco que vi, mas ela não soube me informar nada, corri até a recepção para perguntar se o tinham mudado de quarto. Quando dei os dados dele e a atendente de feição simpática me respondeu foi quando senti uma enxurrada de sentimentos tão fortes que não consegui distinguir mais do que desespero, impotência, ódio e raiva.
-O paciente Matsumoto Takanori recebeu alta há uma hora, o irmão dele, o senhor Matsumoto Katsuya, veio buscá-lo... estranho, não é normal darmos alta no período noturno... – a jovem falou em uma dúvida inocente, se assustando quando eu desferi um soco contra o balcão.
Levei meus dedos a cabeça, tentando pensar no que fazer, eu não sabia para onde ele o tinha levado, não podia fazer nada sozinho e isso me frustrava de uma forma terrivelmente dolorosa.
“Se esse maldito fizer algo com o meu pequeno eu o mato da forma mais cruel possível e nem me importo em mofar na cadeia!”
Peguei meu celular e digitei o número de Kouyou, provavelmente ele estaria com Aoi... tínhamos que ser rápidos, não queria Ruki nem um segundo a mais perto daquele psicopata doente.
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URUHA’s POV
Eu não sabia o que esperar...
E não me sentia preparado.
Yuu e eu estávamos dentro do carro em direção ao apartamento dele. Algum motivo ligado ao “Não sei se nosso plano vai dar certo, e nem se sairemos vivos dele, quero fazer amor com você na minha cama antes disso!”
Preciso dizer que apesar de toda a situação tensa aquilo me fez alegrar de uma forma intensa?
Pena que pelo visto as coisas estavam piorando rápido demais!
Estranhei a voz desesperada e raivosa de Akira, e paralisei quando ele falou o que tinha acontecido. Aoi percebeu e parou o carro em um acostamento tomando o celular das minhas mãos. Após alguns segundos já estávamos em movimento novamente, correndo com o automóvel pelas ruas, tentei perguntar para onde estávamos indo até reconhecer o caminho para o apartamento dele. Paramos na frente e eu o segui enquanto ele corria para o elevador.
-O que vamos fazer? – perguntei
-O que for preciso, Ruki não vai suportar ficar perto dele, não vai, Kou, se você pudesse ver como eu o encontrei quando o levei para morar comigo há 13 anos atrás... foi horrível, amor... ele estava tão machucado, sujo, sangrava tanto... tinha pesadelos todas as noites, não conseguia parar de chorar nos primeiros dias... – começou a narrar de uma forma afobada e assustada, segurei sua mão e a apertei entre a minha à medida que o transporte ganhava altura e passava andares -... e então a abstinência de drogas, a depressão... ele tentou se matar uma vez, se jogar do terraço do nosso prédio... foi por tão pouco que eu consegui chegar a tempo... o baixinho já sofreu demais, amor, ele não merece mais tanta dor assim! — finalizou em um olhar piedoso em minha direção e eu tive que abraçá-lo para que ele soubesse que agora eu estava ali e que o ajudaria, sempre, no que fosse preciso.
As portas se abriram e ele praticamente me arrastou pelo corredor até a entrada do imóvel, o segui pelo apartamento enquanto ele ia para um quarto e procurava algo dentro do guarda-roupa. Meus olhos se assustaram quando reconheci o que Yuu tirava de uma caixa no fundo do closet e guardava na cintura.
-Uma arma? – perguntei
-O plano já era, Katsuya não é do tipo que vá perder tempo, da última vez ele quis jogar e esperar Ru-san está totalmente arruinado antes de brincar com ele e acabou não “tendo o bastante” duvido que ele vá fazer o mesmo novamente – assentiu em uma seriedade que me deu arrepios... Yuu também podia ser extremamente sério e assustador quando queria – vou entender se não quiser vir comigo, amor, na verdade até prefiro que não venha, não sei o que faria se algo acontecesse com você – amenizou o tom, se aproximando em passos lentos.
Eu não estava preparado, mas eu tinha a certeza de que o amava, de que ele me amava, de que Akira amava Ruki, de que Ruki amava Akira... era mais do que suficiente, algo assim... merecia ser preservado e protegido... custasse o que custasse.
O agarrei e o beijei em paixão, Kami sabe o que aconteceria essa noite. Ele correspondeu ao beijo e me apertou contra o seu corpo, senti o contorno da pistola, mas não me importei... “Custe o que custar”
-Ruki-san é meu cunhado, eu também me preocupo com aquele baixinho! – ditei, sorrindo levemente para o moreno que me abriu o sorriso mais aliviado do mundo e me abraçou.
-Fico feliz de tê-lo comigo, mas... por favor, se as coisas ficarem muito perigosas, prometa que vai fugir! – pediu, segurando meu rosto para que eu o encarasse, os olhos negros penetrantes... e ali estava a força que ele tinha sobre mim.
-Prometo – assenti, mesmo que não tivesse certeza de que falava a verdade, eu não sabia quais seriam minhas atitudes dependendo da situação.
-Obrigado, Uruha, eu te amo tanto! – sorriu novamente me dando um selo rápido e já me puxando novamente para fora do apartamento, correndo pelos corredores, correndo com o carro pelas ruas de Tóquio, de volta para o hospital.
Eu sabia que Akira era capaz de amedrontar quando estava nervoso e com raiva, mas posso afirmar que nunca tinha visto meu irmão tão raivoso assim em todos os anos que vivi.
“Também pudera, se eu estivesse no lugar dele provavelmente estaria igual ou pior!”
Ninguém do hospital tinha informações, a não ser que Ruki tinha recebido alta, mesmo sendo contra a política médica dar alta no meio da noite sem aprovações preliminares... suborno, influência, pelo visto o irmão de Ruki era mesmo um criminoso experiente e esperto. Pouco mais de uma hora que Akira saíra do quarto e acontecera isso... o que me faz pensar.
-Moça, com sua licença, é necessária a saída do acompanhante do quarto para fazer a limpeza? – perguntei à primeira enfermeira que passou ao meu lado, e vi os olhos atentos de Yuu e Akira se voltarem para nós.
-Hum! Só para questão de descontaminação, mas assim até a retirada do paciente é necessária, em caso de uma limpeza simples o acompanhante pode ficar no quarto sim – respondeu, prestativa, e eu encarei os dois pares de olhos, um comum acordo entre todos... “Aquele enfermeiro!”
-Sabe de algum enfermeiro que estava trabalhando na ala leste e ficou responsável pela limpeza do quarto 34? – Akira perguntou, mais rude do que seria tolerável.
-B-bem... a enfermeira chefe deve ter o cronograma de horários e responsabilidades! – gaguejou, assustada, e meu irmão se quer agradeceu antes de sair correndo em direção a ala de enfermeiras.
-Obrigado! – agradeci e segui junto de Aoi na mesma direção que Akira.
Foi confirmado que não tinha nenhuma limpeza programada para o quarto de Ruki e que principalmente as enfermeiras encarregadas da ala leste eram todas mulheres.
-Eu não acredito nisso! – Akira vociferou, tentando descrever a imagem do suposto profissional que entrara no quarto, mas recebendo a resposta de que o quadro de funcionários de enfermagem eram quase que predominantemente feminino, e os únicos cinco de sexo masculino não estavam escalado pra aquela noite.
Não tínhamos informação, nem por onde começar. Yuu achou que Katsuya não voltaria ao “Fantasy House”, não iria para a mansão da família de Ruki também... éramos três homens sentados a frente de um hospital sem saber por onde começar a busca.
-O tal Kai, não sabe de nada? – Akira perguntou em um desespero atípico e Yuu não tardou em ligar para o ex-chefe de Ruki-san, contando o que tinha acontecido e falando coisas como “Se conseguirmos pegar o Katsuya vai ser bom para você também!”, depois de alguns minutos... uma esperança.
-Kai disse que Katsuya talvez esteja no hotel “Hilton”, mas que não é certeza – ditou.
Akira se ergueu e eu me levantei. Entramos os três no carro de Yuu e seguimos para o hotel citado... muito luxuoso por sinal, o que me fez pensar o quanto pessoas como esse tal Katsuya poderiam ser assustadoras! De repente me dei conta de que a situação era mesmo perigosa.
Não nos informaram nada na recepção, na verdade pediram para que nos retirássemos, que era “contra as regras da empresa” ceder informações sobre os hóspedes... bem, essa sustentação só durou até Yuu colocar o primeiro maço de notas no balcão... “Gente rica é outra coisa!”
Mesmo assim as únicas coisas que conseguimos foi que Katsuya tinha sim um reserva naquele hotel, mas que não tinha ocupado o quarto ainda... mais uma esperança perdida, e parecia ser impossível achar o pequeno... até Akira receber um telefonema de um número desconhecido.
-Alô? – atendeu, rude e direto, porém, sua feição logo mudou para uma surpresa e alívio ao mesmo tempo.
-Calma, meu pequeno, onde você está? – e aquelas palavras nos deixaram em alerta. “Era Ruki ao telefone?”
-Nós já estamos indo amor, nós vamos te buscar, mas precisamos que você diga algo de referência – continuou em uma voz preocupada e sofrida... Ruki não deveria estar muito bem.
Akira rodou a cabeça para as portas de vidro do local, encarando o outro hotel luxuoso que havia em frente.
-Estamos chegando, Ruki, estamos chegando, meu pequeno, vai ficar tudo bem, sim? Estaremos ai em poucos minutos – ditou antes de desligar o celular e caminhar de volta ao recepcionista — qual o número do quarto?
-O que?
- O número do quarto do Katsuya – bradou e o atendente forneceu a numeração 468 entre gaguejos.
Akira se colocou em direção ao elevador e os seguranças começaram a se mover em sua direção. Eu o segui e percebi com espanto as poucas pessoas no lugar de entrada gritarem em susto e os seguranças pararem no lugar. Olhei para Yuu e ele havia sacado a arma, apontando-a para qualquer um que chegasse perto de nós. Corremos em um clima tenso para dentro do elevador e torcemos para dar tempo de ao menos chegar o 5º andar antes de alertarem a polícia e o sistema de breque do elevador. Descemos no quarto andar e subimos os últimos dois andares de escada.
Chegamos à porta do quarto e como esperado estava trancada, Yuu não pensou duas vezes antes de atirar contra ela e destruir as travas depois do quinto tiro... confesso que isso realmente me assustou, mas estávamos sem tempo para ações educadas, a polícia não demoraria a chegar... e não sabíamos se teriam “pessoas que trabalhavam” para o tal Katsuya também.
Corremos para dentro do apartamento luxuoso, a sala imensa, vazia, e Akira seguia na frente, em direção a um porta que parecia ser o quarto.
Foi quando entrei naquele cômodo que eu entendi a gravidade do que tinha acontecido.
Ruki estava machucado, parecia ter levado golpes no rosto e no corpo, já que a face estava com alguns hematomas e sangue, os pulsos vermelhos e alguns cortes nos braços, o quarto estava completamente destruído e na frente do baixinho que se mantinha sentado, recolhendo as pernas enquanto chorava estava o corpo de um homem desconhecido... coberto de sangue e com uma faca enfiada no meio de sua traquéia...
“Aquele era o Katsuya?”
-Pequeno – Akira se adiantou, abraçando o corpo diminuto ao chão. Ruki-san começou a chorar intensamente e se agarrou ao meu irmão, os gritos de dor dele me causavam uma tristeza tão profunda que me vi agarrando-me a Yuu.
Ele me apertou de volta e deixou a pistola cair ao chão, senti seus dedos me marcarem com força, mas não reclamei... ele também precisava de algum chão... eu gostava de poder ser isso para ele.
Mais alguns segundos e Yuu se separava de mim enquanto Akira ainda tentava fazer Ruki-san se acalmar. Ele pegou o celular e discou um número, se mantendo sério e forte, e o barulho de sirenes já se faziam ouvir.
-Pra quem está ligando? – perguntei.
-Para a pessoa que vai resolver essa merda toda! O pai do Ruki nunca se preocupou com ele, mas se tem uma coisa que Matsumoto-san se preocupa é com a sua imagem... não acho que vai querer que essa história se espalhe... ele dará um jeito! – respondeu antes de se virar de costas... e eu aprendi que Yuu precisava de mim, mas que tinham coisas que ele resolvia melhor sozinho... – quero falar com Matsumoto-san, é sobre o assassinato do filho mais velho dele...
Dito e feito. Fomos levados para a delegacia, mas logo veio uma ordem de liberação para todos nós. Ruki-san ficara atônito e se negava a se soltar de Akira, mesmo que alguns policiais tenham tentado separá-los... de algum modo tudo foi tratado como “acidente doméstico” e juro que a imagem daquele homem frio e sério na TV enquanto falava sobre a dor pela morte de seu filho logo após a morte de sua esposa me fazia entender que talvez eu tenha sido injusto com a minha falecida mãe... tinham pais piores que ela nesse mundo.
Estranho foi ouvir o “Agora tenho que zelar pelo bem de minha única filha!” que o homem velho de feições duras falou... estranho foi a mídia confirmar... era um fato... a existência de Ruki como parte da família Matsumoto tinha sido completamente esquecida... “Talvez seja o melhor”.
-Eu admiro Ruki-san, com uma história e uma família dessas eu já teria enlouquecido! – comentei ao me aconchegar mais ao corpo quente de Yuu. Ele passou seu braço ao redor do meu ombro e mesmo depois de apenas uma semana que tudo havia se passado... eu não conseguia me sentir culpado por me sentir bem e feliz estando ali.
- Qualquer um já teria... ele não é a pessoa mais forte do mundo, mas... foi o suficiente para conseguir continuar... ainda mais agora que tem o seu irmão! –respondeu em um suspiro cansado.
Era noite e depois de um dia de trabalho ele havia me buscado no meu e me lavado para o seu apartamento, algo que tinha se tornado comum nos últimos dias. Ruki-san ficou mais dois dias sem ir ao trabalho, mas disse que precisava voltar a ativa mesmo com Akira sendo contra até a total recuperação do menor. Entretanto de acordo com baixinho “Eu me sinto bem quando trabalho!” foi o que ele disse, e nem mesmo Akira pode reclamar, até por que ele tinha que voltar a manejar a oficina direito, já que aqueles três tinham feito o que podiam no período de sua ausência.
Ruki-san tinha começado a freqüentar o psicólogo recomendado pelo o hospital e parecia ter se acostumado a ir para a nossa casa ao invés de ir para a sua no final do dia, levando Koron sempre junto... eu não me importava, até gostava por sinal, mesmo que ultimamente eu nem tenha pisado muito por lá... ficava feliz em ver que as coisas estavam se acertando... apesar dos pesares...
-Ao menos ele teve você! Você é um ótimo amigo, sabia? – elogiei encarando o sorriso lindo que ele me lançou e me derretendo por ele.
-Sério? Eu me esforço, mas confesso que nesse momento eu só estou pensando em ser um ótimo namorado! – rebateu em uma provocação genuína dele, os lábios tocando os meus de forma provocante e eu sorri... adorava como ele conseguia amenizar climas de assuntos tensos daquela forma... e de repente me lembrei que ainda não tínhamos transado no seu sofá.
-Você está indo bem, mas pra ficar melhor acho que deveria fazer seu namorado gozar no mínimo três vezes essa noite! – desafiei, me afastando sutilmente e apoiando minhas costas no braço do estofado enquanto recolhia minhas pernas e as dobrava.
Ele não demorou a se encaixar entre elas e eu sorri, alcancei meu celular no bolso, não me importando com o olhar de estranheza dele para mim, disquei o número conhecido e a música do Luna Sea invadiu o local, vinda da mesa de centro logo do lado. Ele sorriu e olhou para o aparelho, voltando os olhos para mim, provocando, eu o incentivei com um bico rápido e Yuu não tardou em se separar de mim para pegar o telefone, voltando a se colocar entre minhas pernas e atender o telefone.
-Oi! – respondeu assim que colocou o celular no ouvido.
-Shiroyama-san... como você está vestido? – perguntei entre um sorriso sacana e ele me retribuiu...
“Vai ser bom relembrar os velhos tempos junto com os novos!”
-Eu amo você Uruha!
Notas finais
Opiniões?
Onegai?
Onegai?
Onegai?
Onegai?
Vou tentar trazer o Epílogo no máximo até quarta, e os dois bonus nos fds! Pode?
beijo!
Agradeço a todos que acompanharam e estão acompanhando a fic@
Vc fizeram ela acontecer com seus comentários lindos!
=]
Ideias da Danii são produtivas hun?
=]
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