Notas iniciais
Olá! Mini-san postando!tarde mas postando!=]Cap sem betagem ainda! Desculpem se houverem muito erros, eu tentei revisar![Fazendo uma invasão aqui] Então gente Cap betado,aqui é a Azumi-chan só pra avisar né!^^ Beijinhos

Capítulo 17

RUKI’s POV

Sabe quando você acha que não pode piorar? ...

É, você sempre vai estar errado.

A ausência de Aoi não tinha sido muito boa, ao menos com ele aqui eu tinha algo em que pensar... em não deixá-lo tão preocupado e em como eu era sortudo por ainda tê-lo como amigo.

Sem Aoi aqui,... meus pensamentos eram exclusivos a Reita, à falta que ele me fazia... e à dor em saber que simplesmente não sentiria mais os braços dele, nem os beijos, ou aquela “educação” toda... nem a meiguice anormal, ou o jeito que ele parecia me mapear com o olhar... os gemidos roucos e o jeito como ele me tomava... o sorriso sacana, as atitudes infantis... como eu me apeguei tanto em tão pouco tempo?

“E agora simplesmente não há mais nada!”

Por que esse maldito coração não me dava uma folga? Por que se apertava tanto?

Isso machucava!

“Parece que a felicidade e o amor realmente não vão com a minha cara!”

Houve uma época que tive total certeza disso, uma época em que desejei não ter nascido... que desejei morrer... e mesmo assim continuava sobrevivendo, com a tola esperança de algo... algo que eu nem sabia dizer o que... apenas sobrevivendo... dia após dia, minuto após minuto.... De repente esse tempo parecia estar voltando...

Mais um fracasso, mais uma vez... novamente, sempre errando, sempre , sempre, sempre... nunca... nunca ia dar certo.. do que adiantava meu sucesso pessoal? Do que adiantava? Tudo estava se arruinando... tudo... “Eu não nasci pra ser feliz!”

Koron já não sabia mais o que fazer e apenas se mantinha deitado aos meus pés, no quarto que Aoi reservara para mim... os olhinhos tristes... parece que eu só era capaz de provocar preocupação e pena nos outros... parece que eu só era capaz de ser infeliz... “Quanto tempo mais isso vai durar?”

Ouço meu celular tocar e me decepciono... de alguma forma meu íntimo desejava ouvir a música que anunciaria que era ele me ligando... “Idiota!”

Um número desconhecido, meu coração aperta, um pressentimento ruim e Koron late como se não quisesse que eu atendesse... e eu realmente não queria, mas... foi mais forte que eu!

-Alô?

“Oh! Há quando tempo?”

Congelei, eu reconheceria aquela voz fosse como fosse, quando fosse... afinal, o dono dela era a pessoa que mais assombrava meus pesadelos.

-O que você quer? – perguntei, não me importando em ser educado.. na verdade educação seria algo que eu jamais dedicaria a ele.

“Por que não aceitou a proposta do Uke-san?” ditou, direto e ameaçador como ele sempre fez o favor de ser.

-Eu não sou mais um puto e não vou voltar a ser, com certeza você não se importa o mínimo comigo, mas eu estou muito bem de vida e o que aconteceu 13 anos atrás jamais voltará acontecer – rebati, tentando enxugar as minhas lágrimas e me deixar consumir pelo ódio... por que ele continuava a infernizar a minha vida? Depois de tantos anos? Pensei que ele jamais fosse aparecer novamente... apesar de suas última palavras ao ir embora.

“E se eu disser que eu sou o cliente interessado?”

Meu corpo tremeu, e senti o frio do pavor se espalhar com apenas alguns resquícios de lembranças... que eu tentei fielmente esquecer e banir, ou acabaria ficando louco...novamente.

-Você é um maníaco, não se aproxime de mim novamente, não me contate mais, não sei nem porque você ligou. Já não me arruinou o suficiente? O que eu fiz pra você me odiar tanto assim? Se me quer morto porque não manda me matar de uma vez? O que eu te fiz? – não consegui deter o desespero da minha voz

“Não de novo!”

“Não de novo!”

“Nasceu, Takanori, você nasceu... de qualquer forma... só liguei para avisar que nossa querida mamãe faleceu...” a homogeneidade de seu timbre era perceptível e suas palavras visavam machucar, ferir... conseguindo sucesso total... como se fosse difícil me esmagar da forma como eu estava.

-Você está mentindo – inquiri, ele seria do tipo capaz disso apenas para me pisar.

“Não, não estou, liguei porque queria ser o primeiro a ouvir você sofrer... sabia que a culpa é sua? Ela só começou a fumar e a beber depois que você sujou o nome da família... não conseguia viver com a vergonha de ter um filho como você... você só trás ruína, Takanori... você não deveria existir, agora que ela se foi, eu quero ter o prazer de te dizer que você é um maldito bastardo fruto de uma aventurinha dela... um bastardozinho, sujo, bicha e puta... não me admira que ela tenha morrido, na verdade, acho que demorou até demais!”

-Está mentindo, está dizendo isso apenas para me ferir! – acusei, meu pranto retornando e um vazio me invadindo... não podia ser verdade.

“Ah! Não, Taka... isso é só pra te machucar um pouquinho, já se passou muito tempo desde que tive o prazer de te ver arruinado... te ferir eu vou assim que por a minhas mãos em você... deveria ter ouvido o Uke-san, eu até te pouparia um pouquinho, mas já que insistiu em ser teimoso, vai sofrer ainda mais e de quebra... levará o namoradinho do seu ex chefe junto! Eu te disse que ainda não tinha acabado... não me diga que você pensou mesmo que só porque te deixei quieto por 13 anos eu teria sumido? Ingênuo, maninho... continua tão ingênuo!”

Não consegui responder, meu sangue inteiro parecia gelo e minha cabeça doía, eu tentava absorver tudo e acima da tristeza, do desespero... voltava o pavor, o pavor que eu pensei que nunca mais sentiria... tanto que tentei esquecer, superar, deixar tudo para trás, viver, viver e tentar ser feliz... por que tudo desmoronava desse jeito? Por que tudo insistia em me esmagar?

Sabe quando você acha que não pode piorar? ...

É, você sempre vai estar errado.

“Até logo, Takanori,... ah! Não apareça no velório, ninguém quer te ver lá, nem a mamãe queria também... e... depois vamos ter um momento incrível juntos, maninho, é melhor não tentar fugir, eu sempre posso tentar algo contra o seu amiguinho empresário, ou contra os seus colegas bichinhas... ou até mesmo esse tal namorado que ouvi dizer... sabe que não pode escapar de mim e nem me vencer, maninho, não tente nada estúpido sim? Chego semana que vem ao Japão... até logo!”

Ele desligou... e eu me desliguei!

Ele estava certo, eu tinha sido ingênuo por achar que só porque ele tinha me deixado em paz uma dezena de anos eu estaria a salvo. Eu fui ingênuo em esquecer, eu fui um idiota por achar que tudo estaria bem e que o passado não importaria mais...

Sabe quando você acha que não vai conseguir mais, que já lutou o suficiente e simplesmente quer desistir?

Até hoje só teve uma vez em que eu me senti assim... e a única coisa que me impediu de desistir foi um moreno idiota que me deu o tapa mais dolorido da vida e disse que eu era bem mais forte que aquilo... naquele dia eu senti vontade de ainda tentar sobreviver... por que não queria ser fraco, por que não queria aceitar que eu era fraco... orgulhoso e altivo do jeito que sempre fui... eu sempre me neguei a desistir, mesmo que já não conseguisse mais juntar nenhum dos meus cacos...

Mas agora... agora não tinha mais nem cacos para juntar... eles se tornaram pó e voaram para algum canto desconhecido.

Aoi não estava aqui... ele com certeza ficaria triste, e eu sentia muito por isso, mas... Katsuya sempre consegue o que quer e... eu não queria passar por aquilo de novo!

“Desculpe, Aoi!”

Me levantei rapidamente e fui em direção ao meu objetivo, antes que eu desistisse de desistir... eu não queria mais pensar em outra forma, em outra solução, eu só queria acabar com tudo. Eu nunca iria ser feliz mesmo, “Eu nunca fui e nunca vou ser”... “Pra que continuar com isso?”

Koron agarrou na barra da minha calça assim que alcancei o frasco em cima da cômoda ao lado da porta da sacada, e por um momento eu pensei se não era um erro, mas... eu sempre cometia erros seguidos de erros mesmo. O joguei para fora do quarto, para dentro da varanda pequena e tranquei a porta, ele começou a latir, e aquilo me doía profundamente.

“Desculpe, Koron, não dá mais!”

Abri o frasco, tomei tantos comprimidos quando consegui.

Não era por causa da minha mãe, não era por causa do Reita, não era por causa dos meus fiascos de relacionamentos, não era por causa da prostituição, ou do frio e da fome, não era por causa da infância abandonada, não era por causa da indiferença, nem do ódio... não era por causa do medo, da violência, da depressão... era por tudo... era por todos juntos... nenhuma das minhas conquistas nesses míseros 13 anos pareciam ser mais que tudo aquilo... eu já estava cansado demais de lutar e tentar consertar uma alma, um corpo, um coração e uma mente que não tinham mais conserto... fingir que eu estava bem, que eu iria ficar melhor amanhã... eu não ia... eu não ia... eu nunca fiquei... apenas fingi ficar, me enganando... me iludindo... nada ia ficar bem... nada nunca ficou.

“Eu perdi... vocês venceram!”

Me deitei na cama e a sonolência me consumia... era bom, confortável, mesmo que algo em meu interior estivesse doendo... era bom saber que eu jamais acordaria... era bom saber que iria dormir... e dessa vez, nunca mais abriria os olhos.. nunca mais teria que acordar e tentar sobreviver... nunca mais...

“Reita”

Eu não pensei direito... agora já era tarde!

A primeira coisa que senti foi muita dor de cabeça, meu corpo parecia ter sido prensado por algo... não pensei que morrer doesse tanto.

Mas foi quando abri os olhos que eu descobri... eu não tinha morrido.

O teto era branco, e minha cabeça latejante ligou o branco à consciência de que aquilo seria um hospital...

“Pelo visto Aoi chegou antes de eu conseguir me matar!”

Eu não sabia se me sentia bem ou mal por aquilo... era difícil e dolorido pensar que ainda estava no mesmo mundo do qual quis ir embora.

-Ruki! Meu pequeno, como você está? – e a voz grave me surpreendeu, pensei que não seria capaz de ouvi-la novamente, muito menos de maneira tão doce em minha direção... afinal eu era apenas um puto sujo aos olhos dele... e não poderia culpá-lo por pensar assim... o passado não se apaga... eu já deveria saber disso.

Tentei virar meu pescoço para encarar a presença ao meu lado, mas ele reclamara... dolorido... quanto tempo eu tinha dormido?

-R-Reita! – balbuciei, ainda encarando o teto branco até a visão do rosto dele entrar no meu campo... eu não sabia que poderia me sentir tão bem com apenas um olhar brilhante como aquele... talvez tenha sido bom não conseguir.

-Que bom que você acordou, pequeno, disseram que você ficaria bem, mas... eu... eu quero pedir desculpas, Ruki, eu... eu só não soube o que pensar, mas eu amo você, eu... eu não sou muito bom com isso, mas... eu te amo muito, seu maldito anão que quase me fez ter um infarto... não ouse errar a quantidade de comprimidos para dormir novamente ou eu juro que tiro o Koron de você! – e a sua declaração e desculpas atrapalhadas me fizeram querer sorrir, mesmo que eu tivesse certeza de que não estava conseguindo... me sentia tão mole!

Ainda não sabia o que pensar... até a realidade voltar... o mundo era cruel demais e eu estava de volta a ele...

-R-Reita... minha mãe...

E lá estavam os olhos tristes... a comprovação de que talvez tivesse sido melhor ter tido sucesso naquele movimento impensado de desistência.

-Você sabia... – o comentário baixo veio em um impulso de seus lábios e pela a expressão triste que se abateu sobre o rosto bonito eu conseguia saber exatamente o que ele estava pensando — ... não foi um acidente neh? Você ter tomado todos aqueles comprimidos...

-Não – respondi, me sentido um pouco constrangido em admitir aquilo... eu era fraco... eu era tão fraco!

Os braços se colocaram gentilmente ao redor do meu corpo, da melhor maneira possível já que eu estava deitado, e os lábios foram direto para os meus, um selo leve e desciam para a minha bochecha. A respiração perto do meu ouvido e um aperto contra seu corpo... talvez tenha sido um erro afinal... tentar desistir...

-Não pense nisso novamente, hun? Eu sei que nada tem sido muito fácil pra você, mas... não desista dessa forma, por qualquer coisa, não desista por mim... eu... não soube o que fazer quando o pensamento de te perder pra sempre se passou pela minha cabeça... quase fiquei louco, meu pequeno... por favor, não faça isso comigo! – o timbre implorativo e carinhoso, o calor do corpo, o sentimento.... como desejei receber esse sentimento de alguém durante a minha vida inteira!

Não pude me impedir de chorar, mesmo que meus olhos ardessem, e fiz um esforço grande para conseguir retribuir o abraço. Ele estava ali, ao meu lado, dizendo que não se importava... ele estava ali... dizendo que me amava, que precisava de mim... nunca ninguém precisou de mim... nunca fui mais do que uma sombra em uma casa, ou um corpo em uma loja de sexo, um profissional em uma empresa... um amigo que inspirava preocupação e cuidado... mas, um amor, essencial...

Por que quando finalmente parecia que os céus estavam querendo sorrir para mim... eles insistiam em se fechar?

Eu já não tinha mais medo de me machucar, mas... machucar os poucos com que me importo... estava fora de questão.

Katsuya sempre conseguia o que queria, eu sou mais do que testemunha disso... e novamente, talvez tivesse sido melhor ter conseguido... isso que vou fazer agora vai me doer bem mais do que tudo que já me machucou.

-Eu não me importo com o que sinta... apenas me deixe, não quero te ver! – ditei, estrangulando minha voz até sair o mais firme possível, meu coração se apertando e minha fraqueza deveria estar me atrapalhando em minha decisão, pois apesar dele se tencionar apenas me segurou mais forte contra si.

-Não tente mentir para mim, não faz muito tempo, mas eu sei quando está mentindo, não tente me mandar embora agora, não tente fingir que não sente o mesmo e que não quer me perdoar... seu corpo denuncia, meu pequeno, sua voz denuncia... não precisa ter medo, eu vou estar aqui com você, prometo que nunca mais vou hesitar, prometo que vou te proteger de tudo, prometo que eu vou te fazer feliz... então, se apóie em mim Ruki, se apóie em mim e preocupe-se apenas em ser feliz ao meu lado. – seu discurso parecia ser prepotente e até meio rude, ele era assim, esse era o Reita... “O meu Reita”

Eu iria me arrepender, eu sempre me arrependia, mas me deixei em abandono novamente e me agarrei a ele, meu choro beirando a histeria, e eu sabia que tinha muitas feridas naquelas lágrimas, feridas de 13 anos de falso bem-estar, feridas de dois meses de inferno, feridas de 16 anos de indiferença, feridas de 29 anos de infelicidade...

-Tudo bem, meu amor, tudo bem... eu vou estar aqui, não vou te deixar, não vou te soltar nunca mais! – as palavras, o carinho e aperto... Aoi sempre me consolava e fazia me sentir não mais sozinho, mas naqueles braços... eu sentia proteção, eu sentia amor, eu sentia necessidade... eu me sentia importante...

Eu me sentia essencial... algo que nunca fui para ninguém.

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AOI’s POV

Sabe quando você acha que não pode piorar? ...

É, você sempre vai estar errado.

Assim que descemos do carro o porteiro veio ao meu encontro, afobado, despejando tudo o que tinha acontecido, dizendo que Suzuki-san tinha chamado a ambulância e que deixou o nome do hospital para que os encontrasse, falou algo sobre remédios de dormir e Ru-san... eu e Uruha corremos para o hospital no qual os dois estariam, Kouyou tentou chamar o celular do irmão o caminho inteiro e se frustrava ao não ser atendido.

Eu não queria que logo no dia em que a felicidade parecia tão perto tantas coisas ruins acontecessem, mas... meu pensamento no momento estava voltado para Ruki e no porque daquilo acontecer. Eu não sabia se a informação do porteiro era verdadeira, porém, era impossível não pensar sobre aquilo... Ruki tinha tentado se matar... de novo...e dessa vez quase conseguiu.

Me senti culpado por não estar lá, me senti culpado por tê-lo deixado sozinho, por estar tão feliz em encontrar Kouyou que praticamente havia me esquecido de meu amigo... e mais uma vez, eu tinha minha cota de responsabilidade naquilo...se ao menos eu estivesse ali... e novamente... eu não estava.

“Por favor, Ruki, fique bem!”

Assim que chegamos à recepção do hospital nos foi informado que Ru-san estava recebendo atendimento e que era para aguardarmos junto ao outro acompanhante na sala de espera. Senti vontade de contestar, mas até mesmo eu sabia que não poderíamos fazer mais nada que aquilo... isso era frustrante!

Andamos para a sala ampla, branca e com poucas pessoas, assim que Kouyou avistou Suzuki-san sentando em um canto, com as mãos nos olhos e os cotovelos apoiados nos joelhos, ele soltou a minha mão e correu em direção ao irmão.

-Akira! – chamou, parando em frente à figura cabisbaixa, que ergueu a cabeça minimamente... os olhos vermelhos e o começo da faixa do nariz úmida... parecia idiota, mas eu não achava que aquele cara era capaz de chorar.

-Kou! – a voz rouca e de repente ele se levantava, se jogando nos braços do irmão. Uruha o acolheu e acariciou as costas e o cabelo loiro do mais velho um pouco menor... assim como eu fazia com Ru-san quando ele estava triste...

“Por favor, Kami! Faça com que ele fique bem”

-Eu queria me desculpar, mas... ele não pode morrer, Kou, ele não pode... eu preciso dele, eu preciso tanto dele!

Olhei a cena por mais alguns minutos, meu peito doendo... era inevitável pensar...“se ao menos eu...”

Passaram algumas horas até alguma informação nos ser dada, horas preenchidas apenas com silêncio e alguns carinhos de Uruha em minha mão enquanto alisava os fios descoloridos do irmão sentado ao lado. Um médico já de idade veio em nossa direção e chamou pelo nome de Suzuki-san, já que ele tinha preenchido a ficha de entrada no hospital, as outras coisas teriam que ser assinadas por algum parente, no caso de internação... o que eu rezava para que não acontecesse, agora que a senhora Matsumoto estava morta, nenhum deles se prontificaria a tal.

O doutor disse que ele estava bem, para alívio geral, falou sobre desintoxicações e uma falha no pulmão direito, mas que ele ficaria bem, que estava sedado e que teria que fazer acompanhamento psicológico. Suzuki-san chegou a se ofender, falando que Ru-san só tinha errado a quantidade de comprimidos, eu e Uruha sorrimos fracamente um para o outro, era bom saber que Suzuki-san confiava assim na força de Ru-san...

“Ele é forte,não tentaria algo assim!”

Foi o que disse... e eu sabia que aquilo não era verdade, Ruki aparentava força, enganava até a si mesmo se apegando ao orgulho e à altivez, mas no fundo era tão absurdamente frágil que ainda me sangrava o peito lembrar de sua imagem assim que o levei para morar comigo.

Logo o transferiram para um quarto, Suzuki-san se prontificou a pagar todas as despesas e quase discutimos por isso até Uruha o convencer a me deixar pagar.

Tentei falar com a irmã de Ru-san, mas como esperado ela não queria se envolver com nada que ligasse a ele, falei que enviava os documentos que precisavam de assinatura pelo correio e ela só precisava me enviar de volta depois que assinasse, que eu pagaria por tudo, foi difícil, mas ela acabou por concordar.

Ruki dormiu por dois dias seguidos, e ao invés de nos revezarmos no quarto, Reita-san insistiu que ele não sairia de lá até ele acordar, se ausentando apenas para tomar banho e comer, coisas que fazia no próprio hospital, já que Kouyou tivera que levar roupas para o irmão e voltar ao trabalho.

Ao menos, agora eu sabia que tinha feito o certo em apostar que o que aquele cara grosso, rude e desnarigado sentia pelo baixinho era mesmo algo muito forte... pois a dedicação que ele dava ao pequeno era maior do que a que eu consegui dar em todos nossos 14 anos de amizade.

Não me sentia mal por isso, eu sabia que havia uma grande diferença entre o amor fraternal que eu tinha para com Ru-san e o amor verdadeiro que Suzuki-san parecia ter por ele... e havia uma grande diferença entre o que esses amores podiam oferecer também.

“Ruki vai ficar feliz em saber que tem um idiota mal educado aos pés dele!”

-Oh! Um sorriso! – a voz doce e grave do amor da minha vida invadiu minha audição e só agora eu percebia que talvez estivesse perdido dentro de meus pensamentos enquanto dirigia em direção ao hospital – no que estava pensando?

Eu sempre o pegava no trabalho assim que fechava a loja e sempre íamos visitar Ruki logo após nesses dois dias... e mesmo que eu me sentisse muito bem ao seu lado... era difícil ficar animado com a situação.

-Que Ru-san vai ficar feliz quando acordar e souber que seu irmão praticamente não desgruda do lado da cama dele – respondi, dividindo minha atenção com a estrada e os olhos chocolates mais brilhantes que eu poderia encontrar – o baixinho nunca foi amado dessa forma, sabe... desde criança que ele praticamente não recebe nenhum tipo de afeto, o máximo que já teve foi a minha amizade e paixões sem fundamento de alguns namorados... eu fico feliz em saber que finalmente alguém realmente o ama acima de tudo.

-Akira nunca amou ninguém assim, isso é novo até pra mim, mas... fico feliz que todos estejam relativamente bem... estou feliz por ter encontrado você! – e sua declaração se findou assim que terminei de estacionar o carro em frente ao prédio branco e grande.

Sorri para ele e o puxei para um beijo. As coisas tinham se tornado tumultuadas e tensas, quase não tínhamos tempo para pensar em nós e namorar... mas... pequenos momentos assim, já me provavam o porque eu ainda estar tão feliz apesar dos pesares.

O ósculo foi calmo e suave e a respiração que ele sempre liberava depois de um beijo daquele tipo era o grande motivo de meu coração se aquecer e de meus braços se apertarem tanto ao seu corpo.

-Eu não sei como dar a notícia da morte de Matsumoto-san para o Ruki, não queria estragar a felicidade dele! – confessei, pedindo humildemente uma ajuda... sabendo que ele não negaria.

-Vamos ver se é possível contar algo, se ele vai estar bem, hun? Se não for o momento, apenas tentamos deixar para depois! – e era aquele costume de colocar os verbos sempre na conjugação do “nós” que me fazia sentir amparado, amado... especial.

-Eu te amo tanto, meu amor... não sei o que faria sem você! – suspirei, me deixando invadir pelo sentimento brando e morno... era bom se sentir assim.

-Bem, você poderia abraçar esse estranho panda enorme que você trouxe! – ele brincou, apontando a pelúcia no banco de trás e eu sorri.

-Isso é coisa do seu irmão, eu o encontrei lá em casa, junto com a caixa de chocolate, acho que ele queria dar para o Ruki, achei bom trazê-los já que o baixinho acordou – respondi e o olhar descrente dele para os objetos foi extremamente cômico.

-Akira dando presente? Akira dando um urso panda enorme de presente? Nossa! O amor muda mesmo um cara, de repente meu irmão grosso e mal educado vira o cara mais romântico da face da Terra! – comentou em um sorriso bobo, balançando a cabeça levemente em negação.

-Humm! Eu não gostei disso, eu acho que ele é o 2º cara mais romântico da face da Terra! – protestei, levando minha mão ao bolso do meu paletó – eu pensei em te entregar hoje, quando te levasse para jantar, mas não sei como as coisas vão ficar e nem se teremos tempo, por isso... – continuei, tirando a pequena caixinha para fora e abrindo-a em sua direção, presenciando a boca mais linda e perfeita aberta no formato de “o” mais fofo do mundo

-Yuu... – ele arfou e sorriu para mim, me roubando a boca em mais um beijo, dessa vez forte e afobado.

-Hum... calma, amor... vamos colocá-las primeiro, o que acha? – falei por entre os lábios apressados que se moviam sobre os meus. Ele parou ao final do pedido, pegou a caixinha das minhas mãos e retirou uma das alianças, puxando minha mão esquerda para si e passando o aro dourado pelo anelar.

-Na esquerda? – perguntei, erguendo uma sobrancelha.

-Não respeitam mais pessoas que estão namorando, ou noivas, se quero deixar claro que você é meu tenho que dizer que somos casados – ele argumentou, retirando o outro anel e pousando-o em minha palma – não gostou? – perguntou numa dúvida que chegava a ser fofa de inocente... como se ele fosse inocente assim, eu sabia que ele tinha a completa certeza que eu acharia a ideia ótima... “Malandro!”

-Você sabe que eu adorei! – respondi, também puxando sua mão esquerda e enfeitando-a com a aliança.

-É, eu sei disso! – provocou em um sorriso sacana e enlaçou sua língua na minha de um jeito torturantemente lento antes de apenas finalizar com um selo rápido demais, não evitei resmungar, e ele sorriu – temos que ir, vamos! – se apressou em sair do automóvel e eu o imitei.

Assim que me dispus a pegar os presentes percebi que ele já os pegava, e devo admitir que vê-lo segurar aquele panda enorme tinha sido a cena mais fofa e adorável que eu já presenciei.

-Você está lindo assim, amor! – provoquei, recebendo um bico mimado em resposta seguido de seu sorriso lindo e viciante.

-Fique fazendo graça e eu paro de ser gentil e faço você carregar! – rebateu, ajeitando o urso nos braços sem deixar a caixa de bombons cair.

Levantei minhas mãos em sinal de rendição e travei as portas, me postando ao seu lado e passando meu braço pela cintura fina e esbelta enquanto o conduzia para dentro do local.

-Admita, as alianças foram melhores que o urso! – provoquei novamente e ele deu mais um riso.

-Sim, Yuu, você é o homem mais romântico da face da Terra – sentenciou e eu me dei por satisfeito.

-Que bom que sabe! Eu sou o melhor partido daqui, se eu fosse você não me deixava escapar! – continuei.

-Oh! Com certeza, moreno, eu vou grudar em você e não te largo por nada! – concordou com humor e eu acompanhei seu sorriso até ele se tornar uma expressão fechada para uma enfermeira baixinha do corredor mais a frente – pelo jeito não respeitam mais nem CARAS CASADOS – resmungou, praticamente gritando as últimas palavras e eu não evitei cair na gargalhada, até notar um olhar nada decente de um residente bem jovem para as coxas destacadas no jeans do MEU Uruha.

-É, com certeza, não respeitam mais! – retruquei, apertando mais ele contra lateral do meu corpo e dando um beijo sugestivo no ombro coberto, me alegrando quando vi o idiota de branco se constranger e apressar o passo.

“É melhor eu cuidar direito do que é meu! Uruha é gostoso e bonito demais para o meu próprio bem!”

-Boa noite! – cumprimentamos juntos ao adentrar o quarto reservado, os pares de olhos se voltando para nós e talvez eu tenha sentido que tínhamos atrapalhado alguma coisa séria ali.

-Aoi, seu ogro, pensei que tinha esquecido de mim! – Ruki vociferou com um humor notável, e eu me alegrei por tê-lo de volta... talvez não tivemos atrapalhado nada demais afinal.

-Ah! Eu não só não esqueci, como trouxe o seu mais novo melhor amigo! – brinquei, pegando o panda dos braços de Kouyou e colocando no colo do pequeno sentado no colchão – e ainda vem com um bônus de chocolate – fiz propagando jogando a caixa de bombons em cima do urso... o olhar estupefato do menor arrancou gargalhadas minhas e de Uruha – nem olhe pra mim, quem comprou foi esse seu namorado sem nariz aí!- acusei o mecânico que se punha levemente constrangido diante do olhar do pequeno.

-Bem... eu achei que seria bom levar presentes para te pedir desculpas! – argumentou.

-Um panda? Um panda enorme? – Ruki contestou em uma estranheza genuína, juro que meu estômago já estava doendo de tanto rir, Kouyou não estava em melhor situação também... era boa essa alegria, depois de tudo... parecia que todos os problemas podiam ser esquecidos ao menos por enquanto.

-Ele não é fofo? Eu achei parecido com você – Suzuki-san se defendeu.

-Comigo? Está me chamando de gordo, preguiçoso e pintado? – o baixinho parecia estressado e foi impossível não soltar um “shiii!” ... Suzuki-san ia enfrentar problemas!

-Não, eu só acho vocês dois muito fofos e ...seu nariz... ele é redondinho e pequeno... que nem o do panda! – Reita-san tentou mais uma vez e pude ver que Ru-san já estava ao ponto de jogar aquela pelúcia gigante em cima do mecânico, mas respirou fundo e se acalmou, lançando um sorriso meio psicótico para o mais velho.

-Só perdôo por causa do chocolate e porque panda-san não tem culpa alguma! – sentenciou apertando o urso em um abraço e pegando a caixa de bombons, a qual eu tratei de retirar de suas mãos assim que ele ameaçou abrir.

-Nem pensar, nadador de aquário, só coisas leves e permitidas pelos médicos por enquanto! – ditei, pousando a embalagem em cima da poltrona que Suzuki-san usava para dormir durante esses dias.

-Você é um chato! – Ruki resmungou, apertando mais o panda contra si... e aquilo foi sem dúvida muito adorável!

Não esperava um clima tão descontraído assim, mas... já que tudo estava indo bem, achei melhor apenas seguir o ritmo e deixar assuntos desagradáveis de lado... ao menos por aquele momento. Entretanto os sorrisos foram morrendo e eu notei a expressão preocupada de Reita-san para o baixinho... talvez tínhamos mesmo atrapalhado algo sério ali.

-Algum problema? – inquiri ao menor, pedindo com o olhar para que ele não me escondesse nada.

Ru-san respirou fundo e pousou a cabeça no ombro da pelúcia, encarando o objeto enquanto se preparava para falar.

-Katsuya... me ligou! – respondeu, e só de ouvir aquele nome meu sangue gelou... fazia tanto tempo que tive o desprazer de ouvi-lo que cheguei a pensar que nunca mais ele cruzaria o caminho do pequeno... “Pelo visto estava enganado!”

-Quando? – perguntei e senti o aperto dos dedos longos de Uruha no meu pulso, talvez eu tivesse sido rude demais quando fiz a pergunta.

-Alguns minutos depois de você sair naquele dia... ele falou que minha mãe morreu e... fez seu inferno de tortura psicológica de sempre! – confessou ainda sem encarar ninguém naquele quarto... ao menos ele estava contando... isso era bom, normalmente ele tentaria acertar tudo sozinho... mas Katsuya realmente era algo com que ele não poderia lidar, não com o medo e pavor que ele tem dele... com razão!

- Ele falou alguma coisa? Fez alguma ameaça? – continuei o interrogatório.

Da última vez não pude fazer coisa alguma sozinho, muito menos nas condições em que estava e em que vivia... dessa vez a mãe de Ruki já não estava mais presente... não poderia mais ajudar... porém, a situação também havia mudado.

-A proposta do Kai... a que eu te falei que foi o motivo de eu me demitir e decidir abrir meu próprio escritório... ele é o cliente – finalizou, escondendo o rosto no urso a frente. Suzuki-san foi ao lado do menor e tentou consolá-lo, mas eu ainda me mantinha imóvel...

Sabe quando você acha que não pode piorar? ...

É, você sempre vai estar errado.

-Quem é esse Katsuya? Do que você tem tanto medo, meu pequeno? – Reita-san perguntou, tentando erguer o rosto redondo que se negava a abandonar o conforto da pelúcia.

Ruki ainda não tinha contado nada... eu sabia, eram coisas dolorosas demais para ele querer se relembrar... coisas que passara tempo demais para esquecer e trancafiar dentro de seu íntimo... trazer tudo a tona novamente seria duro demais para o baixinho...

-Ru-san... Suzuki-san precisa saber... – tentei argumentar, encarando a figura frágil balançar a cabeça freneticamente em negação.

-Ele vai me odiar, ele vai me deixar quando souber! – murmurou abafado.

-Eu não vou, Ruki, eu prometi, e eu não descumpro uma promessa, mas eu preciso que me fale o que te assusta tanto, eu quero te proteger, me diga como – Suzuki-san tentou, e eu decidi ajudar.

-Ruki, esse idiota sem nariz passou os últimos dois dias praticamente grudado ao lado dessa cama, não deixava nem por um minuto de te olhar com medo que algo acontecesse, nem sequer dormir direito ele dormiu, não acha que isso é mais do que uma prova de que ele te ama e de que quer te ajudar?

Ru-san balançou a cabeça em afirmação e ergueu o rosto minimamente, lançando um olhar que reconheci apaixonado em direção a Suzuki-san.

-Se não quiser falar, pode deixar que eu explico a situação e conto toda a história, sei que é difícil pra você! – tentei, mas ele terminou de se acomodar nos travesseiros confortáveis da cama, suspirando fundo e olhando o teto.

-Não, você tem que parar de querer cuidar da minha vida como sempre fez, Aoi, já deturpei demais a sua... é a minha vida, é a minha história... eu conto – ditou, encarando da mesma maneira apaixonada o loiro maior ao seu lado – promete que não importa o que ouça... promete que vai continuar me amando?

-Sim, é claro que sim... não importa mais, o que aconteceu no passado não muda o que você é pra mim hoje – o maior se sentou ao seu lado, na cama e passou o braço pelos ombros do pequeno, trazendo a cabeça dele para seu peito... era uma cena bonita de se ver... me identificava muito com o sentimento bonito que emanava entre os dois.

Deixei meus olhos mirarem a silhueta alta ao meu lado e vi os chocolates se encontrarem com os meus orbes, perguntando o que tudo aquilo significava.Eu apenas o chamei para se sentar na poltrona e me coloquei ao seu lado, apoiando-me na lateral do móvel e também passando meu braço pelo os ombros delgados.

De alguma forma tínhamos todos sido pegos e enrolados pelos fios do destino... Ruki podia insistir que tudo era problema dele, mas... sempre foi problema meu também, problema que agora era relacionado inevitavelmente a Suzuki-san... e a Uruha... Chegava a ser cômico como nossos caminhos se emaranharam desse modo... parecia até um brincadeira.

- Me chamo Matsumoto Takanori, sou o terceiro filho da família Matsumoto dona da rede de empresas ligadas ao ramo tecnológico e tenho dois irmãos mais velhos : Matsumoto Sachiko é a filha do meio, e... o herdeiro e primogênito se chama Katsuya...

Notas finais
Olá!=]Bem, reta final, será que alguém já desvendou o bafafá todo do Ruki?Bem, a fic vai ter 18 capítulo + 1 epílogo e talvez dois caps bônus especiais contando trechos da vida de cada personagem central antes de se conhecerem!Bem, o bônus rola apenas se quiserem, então se puderem expressar sua vontade, eu agradeceria!=]Obrigada por tudo pessoal, essa fi csó existe por causa de vocês e da Dani que tem umas ideias malucas! =]Beijos!!!!!!!!1