Konoha Hotel

3 O Mecânico


Notas iniciais
Boa leitura!

O Mecânico

Estou inquieto, a ansiedade de ficar esperando me deixa irritado. Ela ainda está no restaurante do hotel, e eu plantado aqui na porta, esperando a mais de vinte minutos.

— Se é pra sair às 14h, você sai as 14 Ino! – falo para ela quando a vejo saindo pela porta com a bolsa nos ombros.

Ela nunca se preocupa com os horários, ou se alguém está a esperando. E mesmo chamando a atenção daquela desmiolada, em geral, ela não dá ouvidos a minha preocupação.

Já fazia cerca de um mês que minha namorada estava trabalhando no hotel. Aquele novo emprego estava fazendo muito bem a ela, o salário era melhor que o do antigo emprego e ela estava muito mais contente do que antes.

Ela me olha irritada.

– Ah Ruivo, deixa de ser chato, eu fiquei conversando com o pessoal! Hoje foi tão diferente e você não acredita no que… — Ela para abruptamente de falar, quando ouvimos uma discussão em frente ao elevador.

– Sakura, eu já disse que foi coincidência! Eu nem conheço ela, ela estava procurando por um tal de Toshiro... – Nós olhamos para o lado e não foi nada surpreendente encontrar Sasuke e Sakura discutindo.

Sasuke estava com uma cara contorcida enquanto olhava para Sakura que tinha as mãos na cintura e uma cara nada amigável.

— Então me diz o que ela estava fazendo no seu apartamento?! – Hm, ela parecia estar irritada!

Sasuke, há nem tanto tempo atrás, tinha uma reputação muito ruim, infelizmente, ela o acompanha, mesmo agora que ele está de quatro pela Sakura. É... Nosso querido Don Juan está apaixonado.

— Pedindo informação porra! – Opa, a coisa estava esquentando. Não dou dois minutos pros dois estarem se agarrando. – Olha Sakura, foi coincidência ok? – Ele suspira, às vezes eu ficava com dó do Sasuke...

Nãoooo, ele tinha que sofrer por ter sido um canalha.

— Mas me diz... O que você estava indo fazer no meu apartamento? – Ele perguntou em um repuxar de lábios.

— E-eu? É... Estava indo ver o... Naruto! É isso, o Naruto. – Minha loirinha ri ao meu lado e eu não deixo de sorrir também com a fala de Sakura.

Todos os amigos faziam uma fezinha pro casal, mas com a Ino era mais interferência direta mesmo. Ela é que dava mais força para os dois ficarem juntos. Principalmente irritando a Sakura.

— Ele me devia dinheiro. Agora tchau. – Concluiu rapidamente.

Ela virou-se de costa indo em direção ao elevador, mas o Uchiha a puxa imediatamente pelo braço aproximando seus corpos.

— Jura? – eles estavam bem próximos. Eu também queria que eles se resolvessem logo, assim o Sasuke parava de encher o saco com esse chove-não-molha. – Sendo assim, eu posso cobrar ele pra você, se você quiser. – Ok, eles estavam grudados. Vai que é tua garoto! – O que você acha Sakura. Posso fazer isso?

— Sasu... – E eles se beijaram! Cara, isso é inédito. Apesar de eu achar que eles já se pegavam antes...

Ino começou a dar pulinhos animados ao meu lado e eu não pude deixar de achá-la linda.

— Que tal comemorarmos os acontecimentos também? – Ela me olhou com aquele sorriso radiante e concordou com a cabeça dando uma mordidinha no lábio.

Ela era minha perdição. Puxei-a para mais junto de mim e caminhei em direção a um lugar em que sabia que ninguém nos acharia.

— Aonde vamos Gaara? – A voz melodiosa me deixou mais ansioso. Fazia três dias que não a via e eu estava com saudades.

Andei mais apressando em direção a pequena porta marrom mais a frente.

— Que lugar é esse amor? – Ela me pergunta depois de eu já ter fechado a porta do almoxarifado.

— Um dos esconderijos do Sasuke. – Dizia enquanto colava o corpo dela ao meu. Baixando minhas mãos por suas curvas e retas.

— E como você sabe dos esconderijos do Sasuke?! – Minha loirinha também era ciumenta. Não pude deixar de sorrir.

— Ele me contou... para momentos como esse – Comecei a lhe dar selinhos entre as frases. – Em que eu precise raptar a minha namorada gostosa. – Já estávamos encostados na porta e completamente colados um no outro. Comecei a distribuir beijos por seu pescoço enquanto ela se juntava ainda mais a mim.

— Hmm, Gaara. – Minha loirinha sempre foi manhosa, e eu amava aquilo.

Desci minhas mãos que estavam em sua cintura para a sua bunda e depois as subi por suas pernas dentro do quimono.

— Adorei o uniforme boneca... Vai ficar lindo no chão do meu apartamento. – Finalmente a beijei. Os lábios macios daquela boca atrevida me deixavam embriagado.

Eu era o cara mais fodidamente sortudo do mundo.

Separei-me brevemente quando o ar acabou. Ainda olhando em seus olhos e com minha mão em sua calcinha.

— Me diz o que você quer loira... Diz.

Ela gemeu e eu a beijei de novo. Dessa vez mais forte. Mais apressado. Esgueirando meus dedos para dentro de sua calcinha e empurrando ela para se apoiar na estante atrás de nós.

Segurei a lateral da peça íntima com uma mão enquanto a outra segurava seu seio esquerdo. Comecei a descer sua calcinha quando a porta se abre bruscamente.

— Ahhh – Escuto o grito de duas mulheres e imediatamente abaixo o kimono de Ino.

Olho para trás querendo enforcar o infeliz que atrapalhou nossa brincadeira e encontro Sasuke segurando a mão de Sakura que se escondia atrás dele.

— É... Foi mal gente. Tchau. – Ele diz. E vejo a porta se fechar tão rápido quanto abriu.

Direciono meu olhar para Ino e suas bochechas estão rosadas.

Acabamos por rir juntos do que tinha acontecido.

oOOo

— Te chamaram pra concertar os elevadores? – Ino me pergunta quando estávamos andando pelos corredores. Depois da invasão ao almoxarifado resolvemos sair de lá. Para a minha infelicidade.

— Aham, recebi uma proposta de assistência ao hotel, o salário é bom e eu não preciso largar a oficina. – Estávamos indo até o RH do hotel, eu tinha que deixar alguns documentos e assinar o contrato. – E, além do mais, eu posso vigiar você de perto. – Digo rindo e ela me bate no braço.

Apesar do protesto ela tinha se acostumado com meu jeito protetor.

Continuamos andando pelo corredor em silêncio até que ouço sua voz me chamando.

— Gaara...

— Hm?

— Sua irmã me ligou. – Fico surpreso e um pouco inquieto com a notícia.

As minhas relações familiares eram conturbadas. Sempre me deixaram meio instável emocionalmente. Ao menos até conhecer a Ino.

— Temari não me procura desde que deixei... aquela família, Ino. – Já não me sentia pressionado com a situação, tive muito tempo para superar tudo... Aquilo.

— Eu sei meu amor. Ela ligou para avisar que... estava voltando. – Fiquei em silêncio por alguns instantes, tentando absorver o que aquilo poderia significar. Temari, aqui?

Antes que eu pudesse formular alguma resposta um burburinho de pessoas no saguão nos chama a atenção. Ino me puxa pela mão para mais perto.

"O que está acontecendo?"

"Ela está bem? Quem é ela?"

As pessoas falavam ao nosso redor.

— Com licença, a senhora poderia nos dizer o que está acontecendo? – Ino pergunta para a primeira senhora que estava parada mais próxima de nós.

— Acho que a recepcionista desmaiou e...

— Sakura! – Ino já tinha me soltado e andava apressadamente até o meio do tumulto. Sigo-a e observo, por cima de seus cabelos loiros, o corpo.

— Tenten! – Algumas pessoas, assim como nós, olham para trás. Um homem asiático de cabelos compridos empurra as pessoas até chegar ao corpo desacordado. – O que aconteceu com ela?! – Ele estava meio... agitado. Devia conhecer a moça.

— Tenten? O que aconteceu com ela? – Sakura aparece no meio da multidão sendo seguida pelo Uchiha. Novidade. – Neji? O que houve com ela?

— Eu quero saber a mesma coisa Sakura. – O cara cabeludo dizia enquanto pegava a morena nos braços. A situação era séria, mas não pude deixar de reparar... Porque ele tinha o cabelo tão longo?

Desvio o foco da questão quando vejo a moça acordando, já deitada em um dos sofás da recepção onde o cara havia colocado-a. Ela olha para os lados e parece meio confusa.

— Neji? O que houve? – Ele estava de frente para ela, apoiado nos joelhos e a analisando com cuidado. De duas uma. Ou ele é gay e a morena é alguma parente. Ou de gay esse cabelinho não tem nada.

— Eu não sei Ten, quando eu cheguei você já estava desacordada. – Ele pôs as mãos em seu rosto enquanto a analisava. – Vem, vou te levar para o hospital.

O cara cabeludo já estava levantando e puxando-a pelo braço quando a morena o interrompeu.

— Não precisa! Deve ter sido uma queda de pressão boba. – Ela justifica. Mas ele continuou a levantando, deixando-a em pé.

— Não Tenten, estamos indo para o hospital. – O final da frase ele disse se dirigindo a Sakura. Ela assentiu com a cabeça e ele rumou até a porta junto da morena.

— Quem era o boy testuda? – Ino pergunta a Sakura e eu aperto a sua cintura em reprimenda. – Calma ai ruivinho – Ela me olha com um olhar sugestivo e sorri me provocando. Mantenho-a por perto. – Era o tal namorado fantasma da Tenten?

— Era... – Sakura responde meio vaga ainda encarando a saída. – O que pode ter acontecido com a Tenten? – Questiona agora olhando para minha loira. – Ela não me parecia bem essa semana...

— Deve ter sido mesmo uma queda de pressão como ela disse Saky. De qualquer forma, logo saberemos.

Todos ficaram um tempo olhando por onde o casal tinha saído. As pessoas já haviam se dispersado quando saímos do torpor.

— É... Saky, o Gaara vai trabalhar aqui agora! – Ino pulava ao meu lado deixando totalmente para trás a cena que presenciamos. Não pude deixar de achar que isso foi meio insensível. Mas ainda me perguntava... Porque o cabelo daquele cara era tão longo?

oOOo

– Devagar... devagar. Com mais calma Sasuke! – Eu ainda me perguntava como viemos parar ali. Sasuke tentando sair de um apartamento pela janela. Tudo muito normal até aí. O estranho é a Sakura estar super calma e diria até... preocupada.

— O que está acontecendo? – Pergunto para Sakura assim que entro no quarto que precisava de um reparo na chave de luz central. Não esperava encontrar essa cena aqui. – Por que o Sasuke está se pendurando de uma janela para outra a 20 metros de altura do chão?

— Ah Gaara, que bom que está aqui. Fecha a porta e vem me ajudar! – Ela me olhava um pouco assustada balançando as mãos. Fechei rapidamente a porta lembrando da cláusula do contrato que se referia à descrição.

Achei aquele contrato de trabalho bem duvidoso para falar a verdade.

— Aconteceu um pequeno... imprevisto em que o Sasuke teve que me ajudar e agora temos que resgatá-lo! – Sakura estava meio apreensiva e algo me dizia que aquele ‘imprevisto’ havia sido culpa dela.

— Claro, claro... Vamos tirá-lo de lá e então você me conta!

Fui até a beira da janela grande que ia do chão ao teto e dava acesso a pequena sacada do quarto e coloquei metade do meu corpo para fora do parapeito e analisei a cena um pouco incrédulo.

Ao meu lado direito, depois de uns dois metros separados pelo parapeito da sacado do apartamento ao lado, estava Sasuke semi-pendurado pelo lado de fora da mureta. Segurando um dos pilares com as mãos e apoiando os pés do pequeno espaço que havia entre a parede do hotel e a sacada.

— Eu vou dar apoio para que o Sasuke atravesse, segure o meu braço Sakura. – Ponho o meu corpo para fora da janela apoiando o pé esquerdo no parapeito. Sakura firma bem as mãos ao redor do meu antebraço.

— Ah, oi Gaara, como vai? Curtindo a vista. – Me certifiquei de que estava bem apoiado antes de olhar para aquele idiota.

— Ah sim, trabalhar dentro de elevadores sempre me deixou sufocado... vim tomar um ar. – Ele sorri e eu reviro os olhos. Eu ainda quero saber como isso aconteceu.

— Mas sabe Gaara, estou aqui a tempo o suficiente para ter pegado um resfriado com tanta brisa. O que acha de entrarmos? – Sasuke estava em uma posição bem desconfortável, além de inteiramente para fora da janela ele ainda estava agachado. Não me surpreenderia se houvesse alguém dentro do apartamento.

— Ok, Sasuke. Me dê a sua mão. Vamos tentar fazer um pêndulo para que chegue até aqui. – Não era muito seguro mais era a melhor ideia que eu tinha no momento.

— O QUE? – O idiota grita e eu desvio o olhar para o apartamento esperando para ser flagrado.

‘Querida, você ouviu algum barulho?’

Tranco minha respiração quando ouço passos se aproximando da janela ao lado. Volto para dentro do apartamento onde Sakura estava, enquanto Sasuke quase se fundia com o parapeito sob a janela.

— Hm... deve ter sido impressão. – Os passos retornam e eu coloco a cabeça para fora da janela novamente.

Sakura roia as unhas, literalmente.

— Sasuke? ‘Tá tudo ok? – Ele confirma com a cabeça. Volto a me posicionar no parapeito. – Eu vou te segurar pelo braço enquanto você faz impulso e tenta cair dentro da janela.

— Ok. – Ele se posicionou melhor, porém para antes de eu alcançá-lo me olhando sério. – Quem vai fazer o peso de compensação?

— ... Sakura!

— A SAKURA?! – Faço sinais aleatórios e desesperados para que esse jumento cale a boca. – A Sakura não tem nem 50 quilos! – Ele sussurra exasperado.

Tenho que concordar. Mas já disse que foi a única idéia que me veio à mente. A não ser que o Sasuke crie asas e saia voando pelo céu anil.

— Vem logo porra! – Já estava perdendo a paciência. Ele se posiciona de modo a ter mais estabilidade. Alcanço seu pulso e confirmo que está tudo bem com a cabeça. Ele respira fundo. – Um, dois, três e... pula.

Sasuke pula.

Sinto Sakura me puxar pelo braço.

Vejo Sasuke quase entrando pela janela.

Ia dar certo!... Ia, se o vidro não estivesse fechado e Sasuke não tivesse dado de cara com ele.

— Ahhhh. – Ouço Sakura gritar.

— Me puxa! – Digo quase sem fôlego por causa do peso que o corpo do Sasuke fazia em meu braço.

Sakura joga seu corpo para trás conseguindo me levar junto. Eu ainda segurava o braço de Sasuke, que deve ter batido a cara na parede no processo.

Puxo-o rapidamente para dentro do quarto. E... Ele estava inconsciente!

— Matamos o Sasuke! – Olhei para Sakura que se apressava para ver o Sasuke. Ela estava meio perplexa e de repente começou a chorar!

Eu não mereço.

— Shiii... Calma, ele só está levemente... inconsciente! – Sorrio para ela na tentativa de tranquilizá-la. Ela me olha estarrecida. – O que? Foi só uma batidinha.

— O nariz dele está vertendo sangue Gaara! – Ela grita enquanto chora. Ok, ela está se descabelando. Como se acalma uma mulher mesmo?

— Sakura, me escuta. Ele já ficou muito pior em uma briga qualquer. Isso foi só como... Um soco. Um soquinho! Logo ele acorda. Agora me conta o que aconteceu. – Ela pareceu se acalmar com minha explicação. Espero que ele logo acorde mesmo.

Apoiou a cabeça do Sasuke em suas coxas e me encarou meio rubra pelo choro e nervosismo.

— B-bem... Depois que Tenten foi para o hospital eu fiquei sozinha na recepção. Agora que você trabalha aqui deve saber do nosso código de ‘auxílio’ aos moradores, não é? – Assenti com a cabeça. – Era um trabalho bobo. A senhora do apartamento vizinho a esse queria que fossem instaladas câmeras em seu apartamento. – Arqueei uma sobrancelha não entendendo como aquilo levaria o Sasuke pendurado na janela do outro apartamento.

— Câmeras escondidas. – Sakura completou e pude entender a situação. – Era preciso fazer uma perfuração no quarto vizinho para o encaixe da câmera... e é aí que o Sasuke entra...

Ela parecia sentir-se culpada por aquilo. Sasuke não trabalhava no hotel. Mas nunca negaria um pedido de Sakura.

— Hmm... A-ai minha cabeça. – A donzela acorda e o dia acaba bem. Sakura se agita tentando auxiliar o Sasuke. – Sakura? O que houve?

— É... você ficou cansado e... dormiu! – Prendo um riso pela mentira da Sakura e Sasuke arqueia uma sobrancelha.

— Na verdade, eu invadi o apartamento vizinho e bati com a cara na parede não é? – Ele responde com um sorriso cínico.

— Vejo que já está bem, então, vamos embora. – Sakura levanta em um rompante batendo a cabeça do Sasuke no chão no processo. Eu sorrio e a sigo.

— Ei Sakura, e o meu beijo de desculpas?... Sakura?